sábado, 6 de junho de 2009

Manoel de Andrade - Poemas, artigos, entrevistas e homenagens

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Search Results for 'manoel de Andrade'

UM HOMEM NO CAIS poema de manoel de andrade


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Que saldo trago da vida?!
da existência escassa e vadia que vivi?!
que emoções puderam transfigurar meu coração de marinheiro
e desviar meus passos do caminho do cais?!
eu, que tornei meu corpo ambulante
a vagar de porto em porto em busca de um navio!
em busca de um destino qualquer que flutuasse
e me levasse pra bem longe e sem destino,
fazendo [...]

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OTTO RENÉ CASTILLO, o poeta revolucionário – por manoel de andrade

O sonho e o martírio de um poeta

[...]

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MANOEL DE ANDRADE PARTICIPA DO ENCONTRO PARA O “MEMORIAL DA LIBERDADE” PROMOVIDO PELO “GRUPO TORTURA NUNCA MAIS”

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LIBERDADE

Bandeira mutilada
onde enrolaste um coração de pássaro.
Se foi para abafar o canto
e a voz de um povo,
pois que se faça amiga da revolta.
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Liberdade
é o teu nome
e toada dos companheiros em marcha.
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Primeiro tu foste a inocência
correndo pelas areias ensolaradas do meu mar,
correndo no pátio dos recreios
no bairro operário onde vivi
e na praça principal da minha infância.

Depois [...]

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MANOEL DE ANDRADE faz lançamento, dia 15/04, de seu livro POEMAS PARA A LIBERDADE.

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Poemas para a liberdade

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Até então inédito no Brasil, o sucesso editorial de Poemas para a liberdade foi tão considerável quanto seu alcance “político”. A obra estreou em 1970, na Bolívia. A 2a edição, colombiana, esgotou-se em poucas semanas nas livrarias de Cali e Bogotá. A 3a edição, lançada em San Diego, em 1971, espalhou-se pela Califórnia [...]

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ECCE HOMO poema de manoel de andrade

foto livre.

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ECCE HOMO

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Levam ao Sinédrio o humilde nazareno
para que se julgue o amor e a inocência
e diante da judaica prepotência
o Mestre se mantém doce e sereno.
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Por ser blasfemador é réu de morte
diz Caifás com desprezo ao acusado
e depois de cuspido e injuriado
aos [...]

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A REVISTA FORMA por manoel de andrade


Não me esquecera da Revista FORMA e do impacto cultural que causou na época, acenando-nos, naquele janeiro de 1966, com um espaço onde pudéssemos semear nossas ideias e nossos sonhos.

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FORMA chegava no momento certo. Os tempos sinalizavam para a nossa emancipação intelectual e, na década de 60, apesar do quartelaço de 64, o Paraná [...]

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VÉSPERA poema de manoel de andrade

Publicado em Março 14, 2009 19:55 pm |

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Quatorze de março
mil novecentos e sessenta e nove.
É preciso…
é imprescindível denunciar o compasso ameaçador destas horas,
descrever esta porta estreita que atravesso,
esta noite que me escorre numa ampulheta de pressentimentos.
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Um desespero impessoal e sinistro paira sobre as horas…
O ano se curva sob um tempo que me esmaga
porque esmaga a pátria inteira…
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Nossas canções silenciadas
nossos sonhos escondidos
nossas vidas [...]

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HOMO SAPIENS poema de manoel de andrade


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Primo do primata, irmão ou primogênito
por tantas linhas que essa história abarca
nessa ilustre família do passado
diga-nos: afinal quem foi teu patriarca???

Sobrevivente de todos os caminhos
de Neanderthal às passarelas do terror
grego ou troiano, cruzado ou sarraceno
judeu e palestino no ódio e no amor.
[...]

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POESIA E ORALIDADE por manoel de andrade

A Poesia, ao longo do tempo, foi perdendo a nítida feição com que nasceu: a oralidade. Conta-se que há 2.500 anos, o poeta grego Simónides de Ceos — célebre pelo hino que compôs aos heróis das Termópilas e que treinou sua memória para correr a Grécia declamando os poemas de Homero, de Safo e de [...]

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A GRANDE FESTA DA POESIA PARANAENSE !

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A Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE promovida pelo Espaço Cultural ALBERTO MASSUDA durante os dias 23, 24 e 25 de setembro (2008) sem sombra de dúvida transformou-se em um marco histórico desta primeira década do século em Curitiba.

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Com o objetivo de aproximar leitores e poetas o Espaço deu ênfase para a declamação e leitura dos [...]

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DISTOPIA poema de manoel de andrade

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para Mussa José Assis


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Como será o amanhã…!?
um itinerário sem destino?
um calendário de incertezas?
O que restará dessa anêmica biosfera…!?
do fluxo agonizante das nascentes…
das bandeiras hasteadas pela vida!?
Dia a dia e esse palco inquietante…!
esse escasso oxigênio,
essa delgada água,
esse termômetro assustador.
Ano a ano e a ampulheta do [...]

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POR QUE CANTAMOS poema de manoel de andrade

para Mario Benedetti(*)

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Se [...]

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A NOITE DA POESIA NO TEATRO GUAÍRA – por manoel de andrade

A NOITE DA POESIA NO TEATRO GUAÍRA
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Manoel de Andrade
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Em 1965 o Pequeno Auditório do Teatro Guaíra abriu seu palco para um dos mais belos espetáculos de cultura literária já realizados em Curitiba: A Noite da Poesia Paranaense.

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Organizada pelo Centro de Estudos de Jornalismo da PUC, com apoio da Secretaria de Educação e [...]

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MANIFESTO À NAÇÃO: “OAB:Tortura não é crime político.”

Tortura não é crime político: pela verdade e reconciliação!

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Manifesto em favor do debate e contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento.

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Um debate fundamental para a democracia brasileira, há muito tempo sufocado, finalmente se estabelece de forma republicana junto à opinião pública: a questão da responsabilização jurídica dos agentes torturadores durante a ditadura [...]

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REVISTA “HISPANISTA” publica MANOEL DE ANDRADE em CANÇÃO de AMOR à AMÉRICA

editada pela mestra suely reis pinheiro desde abril de 2000 a revista HISPANISTA publicou em sua edição nº 33, o nosso amigo, poeta e PALAVREIRO manoel de andrade com o seu poema CANÇÃO DE AMOR À AMÉRICA nas duas versões português e espanhol. acompanha a publicação do poema a tela O BARDO ERRANTE feita para o poeta [...]

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HIROSHIMA poema de manoel de andrade

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Hiroshima, Hiroshima
rosa rubra do oriente
fragrância de cerejeira
céu de anil no sol nascente.
Farol de luz no estuário
remanso dos vendavais
porto e escala dos juncos
roteiro dos samurais.
Verão de quarenta e cinco
no dia seis de agosto.
Clareando as águas do delta
a aurora beija o teu rosto.
Surge o Sol, se abre o dia
na luz e no movimento.
Tudo era paz e alegria
e [...]

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AQUÁRIO poema de manoel de andrade

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Silente e impassível
o mar
navega sua beleza
em preguiçosas caudas
e barbatanas velozes,
ilumina-se em translúcidas medusas
e na cromática simetria das escamas.
Refrata a luz e a vida
no remanso submerso das águas,
em seus relicários de pérolas
e no balé itinerante dos cardumes.
Mar, ó mar…
escondeste teus íntimos mistérios
na pressão insuportável dos abismos
nessas paisagens indevassáveis da vida
onde transitam feições primordiais jamais iluminadas.
Abres, contudo, [...]

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MANOEL DE ANDRADE COMENTA EM “O LIVREIRO DE CABUL”

COMENTÁRIO:

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Manoel de Andrade
É bem isso aí, caro Salomão. A industria editorial, como a fonográfica, no mundo inteiro, está promovendo a cultura unicamente pelos “valores” de mercado. “Campeõs de venda” nas listas de grandes jornais e revistas??? “Formadores de opinião literária”??? Esta encomenda faz parte do marketing mafioso das editoras. É preciso resistir. O que é [...]

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MARÍTIMO poema de manoel de andrade

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Quando a vida te exilou num cais de pedra,
teus vinte anos desabaram numa tarde do mundo…
e tu ficaste…
ficaste tão somente com o sal das tuas lágrimas,
preso à magia dos teus barcos de papel
e ao feitiço sonoro dos grandes caramujos
que te embalaram a infância com a sinfonia íntima dos mares.
Tuas lágrimas nunca molharam a tua [...]

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RETRATO poema de manoel de andrade

Outrora
outro era o mar
o grande mar da infância…
tinhas aquela água imensa para salgar tua inocência
o horizonte incendiado pelo fogo das auroras
e as manhãs de espumas, conchas, redes e gaivotas.
Tinhas os crepúsculos de verão para extasiar tuas retinas
e no caminho rútilo dos pirilampos
tinhas a dança luminosa de um farol
e a lua flutuando no plácido espelho [...]

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COMENTÁRIO de JONAS TADEU NUNES em “O PARTIDÃO versus FOQUISMO”, neste site

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COMENTÁRIO:

JONAS TADEU NUNES

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Manoel de Andrade, Lelo, poeta, pena forte e decidida, consegue transpor para o papel a luz do pensamento, consegue fazer com que as palavras revelem o que lhe vai na alma e, melhor, consegue comunicar sentimentos e visões interiores.
Parabéns, Manoel. Tenho lido e acompanhado teus textos e publicações, ou melhor, tenho tido o [...]

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Recém-nascida / poema de manoel de andrade

para Isabela

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Teus olhos,
abrem o mundo…
inauguram o destino…
Teu ser…
luz que escavou o ventre em busca do amanhecer,
é a véspera de toda ventura
o talvez de tudo
uma aurora retirada do mistério.
Passo a passo… e encantada…
ressurgiste na semente peregrina
caminhando como seiva palpitante.
Penetraste nos segredos da criatura
decifrando os idiomas do encanto.
Atravessaste as fronteiras do impasse
e de forma em forma, [...]

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ZIMBROS poema de manoel de andrade

Canto os cantos e os recantos deste mar
praias, prainhas e costões
ilhas e promontórios
escarpas, alcantis, rochedos perfilados.
Canto o sul soberano destas águas
a paisagem imensa que o alto do penhasco descortina
o repouso do oceano e das águas interiores
a carícia da brisa, esse imaculado oxigênio
as distâncias estendendo a magnitude do horizonte
abrindo nos meus olhos todos os graus das [...]

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CÂNTICO para os sobreviventes – poema de manoel de andrade

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O sol não nasceu naquele dia
e durante vinte anos ficou proibido amanhecer.
Nossas vidas… algumas em botão
desabrocharam numa paisagem devastada.
Nossas canções e o encanto daqueles festivais
foram sufocados pela sinfonia marcial dos regimentos.
Nosso norte foi retirado do horizonte,
nossas bússolas quebradas
e o destino da pátria ancorado nos quartéis.

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Durava cinco anos o outono oficial
quando no parlamento disseram basta aos [...]

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AS BARRICADAS que ABALARAM o MUNDO – por manoel de andrade

1968: Uma Revisão – 4ª Parte:

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O palco da história:

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Ante o cenário imenso da Guerra Fria e a disputa pela corrida espacial, o Mundo, em 1968, parecia um grande teatro onde, bem distante das fronteiras de Saigon, se representavam as dramáticas cenas de muitos outros vietnams. Por trás do enredo de tantas tragédias, os atores [...]

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AMIGOS poema de cleto de assis

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Ao Manoel de Andrade, com a emoção do reencontro. Após 40 anos de saudades
O poema é de antes. A ilustração saiu agora do forno da imaginação, com a
mãozinha (ou mãozinhas…) de Michelangelo.

Tem gente que a gente conhece e esquece.
Tem gente que é parte da gente e não merece.
Tem gente de todo tipo: perto da gente [...]

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MANOEL DE ANDRADE, PALAVREIRO nato, é SUCESSO na AMÉRICA LATINA

MATÉRIA DO “JORNAL OPINIÓN” de BOLIVIA DO DIA 12/05/08:
MANOEL DE ANDRADE ES UN POETA DE VERDAD.
por Martha Urquidi Anaya.

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La indeleble imagen de la vida y el territorio mágico del alma

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Hacia 1969 llegó a Bolivia, huyendo de la dictadura que imperaba en su
país, un joven poeta y trovador brasileño llamado Manoel de Andrade, quien se dio [...]

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1968: PARTIDÃO versus FOQUISMO por manoel de andrade

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3ª/4ª parte: Partidão versus Foquismo
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O ano de 1968 tinha ainda pela frente um longo percurso assinalado pela importância dos fatos políticos que marcavam sua excepcionalidade na recente história do Brasil e do Mundo. Entre nós, brasileiros, o que estava por trás desses dos fatos foi, em grande parte, a decisão das esquerdas de se [...]

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1968 – A PASSEATA DOS CEM MIL – por manoel de andrade

2ª/4ª parte: A Passeata dos Cem Mil

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A estratégica aparição daquele estudante de 23 anos provocou uma apoteose de gritos e palmas na imensa multidão que, por volta do meio-dia, ocupava inteiramente a Praça Floriano Peixoto, na Cinelândia.. O presidente da UME, Vladimir Palmeira, disfarçado pelo penteado, barba feita, terno e gravata, subiu as escadarias [...]

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1968, A SEXTA-FEIRA SANGRENTA – por manoel de andrade

esta é a 1ª das 4 partes da matéria onde o poeta manoel de andrade relata, 40 anos depois, os fatos mais relevantes de 1968, no Brasil e no mundo. na época, estudante de história, e com sua poesia sendo reconhecida nacionalmente, ele foi um observador atento dos graves acontecimentos que marcaram todo aquele ano, [...]

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AURORA poema de manoel de andrade

Não direi que me encantas mais do que o silêncio
porque é assim que despertas as aves e os caminhos.
Meus olhos também nascem pelo parto da esperança
porque vivo na imortalidade
renascendo em cada dia.
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Deixa-me rever em prece tua face ressurgida
porque tua luz é sempre uma catarse.
Teu olhar estende as linhas do horizonte
e toda a paisagem é [...]

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MADRUGADA poema de manoel de andrade

Vens dos baluartes do silêncio
e de silêncio em silêncio tu caminhas
apalpando as horas
como uma esfinge acuada pela noite.
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Véspera de todos os destinos
chegas vestida pela aragem e a penumbra
pelo farol das constelações e a figuração dos signos
pois só os astros conhecem teus segredos
e eis porque são inconfessáveis os teus vultos
gestos sem ribalta num teatro de amantes
e [...]

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AMAZÔNIA poema de manoel de andrade

Antes da pátria, eras úmida promessa…
semente primordial
árvore mãe
planta continental
arvoredo, floresta, selva palpitante.
Hoje canto tua vertical beleza
o mogno gigantesco, sua estatura secular
seu colossal diâmetro
canto essa caudalosa geografia
essa multidão de vidas que sustentas
canto o itinerário sazonal da seiva
e essa infinita linfa…
parto de infinitas criaturas.
Canto teu verde planetário
e no teu imenso respirar,
canto o nosso pão de oxigênio…
Canto a [...]

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Conheço teu agitado marulho
tua voz de barítono
conheço tua zangada pronúncia
tuas lanças arrojadas pelos braços da tormenta
conheço tua suave dança
na onda calma e inumerável
na crista transformada em súbita canção de espumas
conheço-te na beleza da baía amanhecida
na hora melancólica do crepúsculo
e no teu dorso enluarado.
Me deste a paisagem das águas litorâneas
e a espuma se estendendo sobre a [...]

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ENTREVISTA com MANOEL de ANDRADE no lançamento de “CANTARES” em CAMBORIÚ

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CAMBORIÚ recebe MANOEL de ANDRADE

na noite de sexta-feira, 07 de março, as 19:00 horas, o poeta Manoel de Andrade faz a apresentação de seu livro “Cantares” na Livraria Catarinense no Balneário Camboriú Shopping.

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Radicado no Paraná há 50 anos, o escritor nunca esqueceu o significado poético de suas origens no Vale do Itajaí, presente no rastro comovente de nostalgia, [...]

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MANOEL de ANDRADE lança seu livro CANTARES em CAMBORIÚ por garcia de garcia.

Depois do surpreendente sucesso de lançamento de seu livro em Curitiba, Manoel de Andrade relança agora “Cantares” em Santa Catarina, sua terra natal. A obra, fruto da sua maturidade poética, foi publicada pela Editora Escrituras, de São Paulo e tem sido comentada em vários jornais do pais e em muitos blogs locais. A sessão de [...]

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SONETO do REENCONTRO de manoel de andrade

Na primavera tu voltaste de mansinho
finda a tempestade, surgiste na bonança
me conjugando o verbo da esperança
num íntimo gesto de lírico carinho.
Tu foste meu fuzil, o meu canto guerreiro
a voz peregrina acesa no meu peito,
ensina-me a cantar agora de outro jeito
para entoar amor e paz ao mundo inteiro.
Combatente e amordaçada em meu destino
silenciados e por atalhos [...]

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VELEIRO poema de manoel de andrade

Mar afora, mar adentro
lá vai singrando um veleiro
quem dera ser passageiro
pra correr nas mãos do vento.
Mar adentro, mar afora
como navega ligeiro
cruzando este golfo inteiro
nas cores vivas da aurora..
Onde vais assim tão cedo
rumo à ilha do Arvoredo
levando meu coração…?
Vou navegando contigo
meus olhos te seguem, amigo
perdidos na imensidão.
Baia de Zimbros, janeiro de 2005
do livro CANTARES editado pela [...]

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ESPERANÇA poema de joão batista do lago

(Para o poeta Manoel Andrade)

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Disse-me o Poeta:
- ainda não encontraste a porta da Esperança!
- De fato, Poeta, ainda não atravessei a porta!
E confesso-te, ó Mago das Palavras:
Sou deveras criança a caminho do Sol.
Não tenho pressa…
Nos meus umbrais, ó Poeta,
Ôntica é a Esperança, que se
Lança na eternidade do em-mim de si
Sendo não Ser para sempre Ser.
Não [...]

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EXÍLIO – poema de manoel de andrade*

Não conhecias esse reino
essa cidadela de detritos, pressentimentos e punhais
essa arquitetura vertical, opaca e silenciosa
essas casas que não falam
esse outono permanente
esse calendário de incertezas
esse abismo se adentrando pelo tempo
suas sombras soluçantes
seus indiferentes passageiros
e esta penumbra de tarântulas, teias e domínio.
Vinhas dos litorais do sul
de caminhos claros e águas transparentes.
Convivias com a linha do horizonte
e o [...]

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BARCO de PAPEL – poema de manoel de andrade*

Quem sabe por tantos barcos
navegarem a minha infância
herdei essa enorme ânsia
por navios, terras e mares.
Nesse mar dos meus pesares
meu porto é uma ilha perdida
e assim naveguei na vida
passageiro do horizonte.
Hoje pergunto a mim mesmo
se não remei sempre a esmo
a bordo do meu batel…
com meu sonho de criança
navegando a esperança
num barquinho de papel.
*manoel de andrade é [...]

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MANOEL de ANDRADE lança livro de poemas

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Silêncio ... - Miguel Torga

Assunto: SOFRER POR AMOR
Data: 5/Jun 12:34
SOFRER POR AMOR É, AO MESMO TEMPO A MAIS FÚTIL E A MAIS SUBLIME DAS DORES. É QUANDO ESTAMOS A SOFRER DE AMOR QUE PROCURAMOS NA POESIA IRMÃOS E IRMÃS DE SOFRIMENTO NOS POETAS....E CHORAMOS PELO QUE ELES SOFRERAM, ESQUECENDO POR MOMENTOS QUE NÓS ESTAMOS SOFRENDO MUITO MAIS, POIS A NÓS DÓI NA ALMA....DÓI NO CORPO...DÓI NO CORAÇÃO E NO OLHAR....MEU DEUS QUANTO CUSTA VERMOS IMAGENS DE AMOR...E DÓI AGORA! NOS POEMAS TUDO ESTÁ EM PAPEL....FOI SOFRIDO HÁ MUITO TEMPO....PASSOU POR REPROGRAFIAS, ESTANTES DE LIVRARIAS E, SOBRETUDO, PODEMOS FECHAR O LIVRO E ESQUECER.....MAS A NOSSA DÔR PERMANECE NO HOJE, NO AGORA, E QUE NINGUÉM NOS VENHA DIZER QUE VAI PASSAR, POIS NÃO ACREDITAREMOS....EM ANEXO, UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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SILÊNCIO...
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Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
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Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
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MIGUEL TORGA
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Síntese da felicdiade - Carlos Drummond de Andrade

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Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
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From Paula Moranguinho Pereira (hi)
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Um homem no cais - Manoel de Andrade

UM HOMEM NO CAIS poema de manoel de andrade

MANOEL DE ANDRADE - UM HOMEM NO CAISNo cais....Lisboa.preview

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Que saldo trago da vida?!
da existência escassa e vadia que vivi?!
que emoções puderam transfigurar meu coração de marinheiro
e desviar meus passos do caminho do cais?!
eu, que tornei meu corpo ambulante
a vagar de porto em porto em busca de um navio!
em busca de um destino qualquer que flutuasse
e me levasse pra bem longe e sem destino,
fazendo de mim um homem sem pátria e sem ninguém!
Ah, minha vida…
imenso cais deserto!
e eu a perambular pelas cidades portuárias
em busca de um capitão!
minha vida sem sal e sem sol!
sempre à sombra dos grandes cascos,
aspirando as emanações das coisas marítimas,
derivando pela atmosfera buliçosa dos portos!
Contemplo a mim mesmo caminhando ao longo do pavimento sujo do cais!
a vadiar entre vagonetes de madeira, caixotes empilhados e fardos de
/mercadorias
/cadorias!
e depois, cansado e com os pés doídos
sentar-me na calçada dos armazéns
para ver os estivadores e os guindastes em movimento
e os pesados lotes de carga que são engolidos pelas bocas dos porões.
Ah, convívio com os que ficaram à beira de todas as rotas!
e com os que vivem para partir ao largo e ao distante!
ah, criaturas das margens e criaturas dos horizontes!
gente com quem falei e com tantas profissões entrelaçadas!
gente de terra que entra e sai das docas,
vigias, conferentes, administradores do porto, despachantes, funcionários das capitanias,
homens dos rebocadores, dragas, barcaças,
dos pesqueiros e das pequenas embarcações costeiras
oficiais de bordo, embarcadiços,
tripulantes de muitas nacionalidades que sobem e descem pelas escadas
/dos navios
/navios.
Ah, essa vida misteriosa dos homens do mar!
ah, marinheiros debruçados nas amuradas
a olhar com impaciência a lida dos trabalhadores do cais!
a que distância estás da tua pátria?!
há quanto tempo não beijas tua amada?!
Contemplo a mim mesmo no alto do tombadilho dos cargueiros atracados!
olhando os navios que chegam e os navios que saem;
os que ancoram além da barra e os que são vistos ao largo das baías;
os que vêm chegando com as manhãs de sol
e aqueles que começam a manobrar à tardinha e logo depois, partem
/iluminados
/nados.
Ah, meu barco que nunca chega e que nunca parte!
enquanto te aguardo, caminho pela areia colorida das praias
e pelo dorso dos planaltos!
e hoje,
depois de tanto andar
sem bússola
sem cansaço
e quase comovido com minha vida vagabunda
eu, com vinte e sete anos de idade,
conhecendo dezessete estados do meu país imenso
e mais três nações do continente americano
trago ainda meu sonho imaculado
e minhas retinas dilatadas para visões mais amplas e azuis.
De tantas cidades percorridas,
de tantos rios atravessados,
trago apenas
a nostalgia de terras que não vi
e a saudade do marinheiro que não fui!
Quantos anos vividos
ao lado e na distância do homem que me deixei num cais
sem barco e sem destino!
Ah, meu sonho!
minha vida naufragada.
Eu contemplo a mim mesmo
o rapaz que foi a pique numa tarde de novembro.
Tudo, ah, tudo em mim partiu pro mar!
e eu fiquei ausente
sempre algemado ao momento da partida
com um nó atravessado na garganta do meu sonho!
E agora
meu canto marítimo
chega ainda com a brisa dos oceanos
e na maré alta
banha meu sonho primeiro
e quem sabe, o derradeiro.
Nesse tempo de embarque
tudo esteve pronto e ainda está:
meu passaporte, meu diário em branco,
o violão e o poeta;
meu corpo sadio e forte para as tarefas de bordo
e a imaginação que escolheu as roupas de trabalho
e o traje para descer nos portos escalados:
camisa e sapatos brancos, o paletó azul-marinho
e a calça acinzentada;
a pele bronze, a barba bem crescida
e no peito tatuado qualquer nome de mulher
que eu diria ser o nome da mulher amada.
Vivendo deste sonho
eu fui partindo…
embarcava com os tripulantes
e estava no convés de tudo o que se fazia ao mar
e desaparecia na curva do horizonte.
eu também acenei para os que ficavam
eu acenei a mim mesmo.
Parti com os navios mercantes, vasos de guerra,
transatlânticos, escunas, veleiros…
fiz amigos e inimigos entre marinheiros,
aprendi a língua deles
trabalhei, ri, cantei, me embriaguei com eles.
desci em portos de países longínquos e misteriosos,
conheci outros continentes,
salguei meus olhos nas águas de todos os oceanos
e dos mares interiores,
senti meu coração seduzido pela beleza das baías e enseadas,
golfos e estreitos,
e tudo que eu vi…
ah, perdão!
tudo o que eu vi foi com a imaginação apenas!
eu nunca fui além do cais!
são estórias que ouvi de marinheiros!
de livros que li há muito tempo.
Mas ai de mim!
vivendo deste sonho
eu fui morrendo em tudo mais na minha vida.
e assim, o que de bom esteve ao meu alcance
e que poderia encher meu coração em terra firme
foi sempre provisório e desbotável.
O amor, o grande amor, não sei quem foi, não percebi…
os anos cresceram pesados e exigentes
e a única herança recebida
foi o imenso mar que se espraiou na minha infância.
Ah, meus dias foram outros!
e tudo o que de mim restou de belo,
está distante
está no mar
e nesta ânsia de cantar.
Curitiba, setembro – 1968
Este poema consta do livro “CANTARES” editado por ESCRITURAS

Que saldo trago da vida?!

da existência escassa e vadia que vivi?!

que emoções puderam transfigurar meu coração de marinheiro

e desviar meus passos do caminho do cais?!

eu, que tornei meu corpo ambulante

a vagar de porto em porto em busca de um navio!

em busca de um destino qualquer que flutuasse

e me levasse pra bem longe e sem destino,

fazendo de mim um homem sem pátria e sem ninguém!

.

Ah, minha vida…

imenso cais deserto!

e eu a perambular pelas cidades portuárias

em busca de um capitão!

minha vida sem sal e sem sol!

sempre à sombra dos grandes cascos,

aspirando as emanações das coisas marítimas,

derivando pela atmosfera buliçosa dos portos!

.

Contemplo a mim mesmo caminhando ao longo do pavimento sujo do cais!

a vadiar entre vagonetes de madeira, caixotes empilhados e fardos de mercadorias!

,

e depois, cansado e com os pés doídos

sentar-me na calçada dos armazéns

para ver os estivadores e os guindastes em movimento

e os pesados lotes de carga que são engolidos pelas bocas dos porões.

.

Ah, convívio com os que ficaram à beira de todas as rotas!

e com os que vivem para partir ao largo e ao distante!

ah, criaturas das margens e criaturas dos horizontes!

gente com quem falei e com tantas profissões entrelaçadas!

gente de terra que entra e sai das docas,

vigias, conferentes, administradores do porto, despachantes, funcionários das capitanias,

homens dos rebocadores, dragas, barcaças,

dos pesqueiros e das pequenas embarcações costeiras

oficiais de bordo, embarcadiços,

tripulantes de muitas nacionalidades que sobem e descem pelas escadas dos navios

.

Ah, essa vida misteriosa dos homens do mar!

ah, marinheiros debruçados nas amuradas

a olhar com impaciência a lida dos trabalhadores do cais!

a que distância estás da tua pátria?!

há quanto tempo não beijas tua amada?!

.

Contemplo a mim mesmo no alto do tombadilho dos cargueiros atracados!

olhando os navios que chegam e os navios que saem;

os que ancoram além da barra e os que são vistos ao largo das baías;

os que vêm chegando com as manhãs de sol

e aqueles que começam a manobrar à tardinha e logo depois, partem iluminados

.

Ah, meu barco que nunca chega e que nunca parte!

enquanto te aguardo, caminho pela areia colorida das praias

e pelo dorso dos planaltos!

e hoje,

depois de tanto andar

sem bússola

sem cansaço

e quase comovido com minha vida vagabunda

eu, com vinte e sete anos de idade,

conhecendo dezessete estados do meu país imenso

e mais três nações do continente americano

trago ainda meu sonho imaculado

e minhas retinas dilatadas para visões mais amplas e azuis.

.

De tantas cidades percorridas,

de tantos rios atravessados,

trago apenas

a nostalgia de terras que não vi

e a saudade do marinheiro que não fui!

Quantos anos vividos

ao lado e na distância do homem que me deixei num cais

sem barco e sem destino!

Ah, meu sonho!

minha vida naufragada.

Eu contemplo a mim mesmo

o rapaz que foi a pique numa tarde de novembro.

.

Tudo, ah, tudo em mim partiu pro mar!

e eu fiquei ausente

sempre algemado ao momento da partida

com um nó atravessado na garganta do meu sonho!

.

E agora

meu canto marítimo

chega ainda com a brisa dos oceanos

e na maré alta

banha meu sonho primeiro

e quem sabe, o derradeiro.

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Nesse tempo de embarque

tudo esteve pronto e ainda está:

meu passaporte, meu diário em branco,

o violão e o poeta;

meu corpo sadio e forte para as tarefas de bordo

e a imaginação que escolheu as roupas de trabalho

e o traje para descer nos portos escalados:

camisa e sapatos brancos, o paletó azul-marinho

e a calça acinzentada;

a pele bronze, a barba bem crescida

e no peito tatuado qualquer nome de mulher

que eu diria ser o nome da mulher amada.

.

Vivendo deste sonho

eu fui partindo…

embarcava com os tripulantes

e estava no convés de tudo o que se fazia ao mar

e desaparecia na curva do horizonte.

eu também acenei para os que ficavam

eu acenei a mim mesmo.

Parti com os navios mercantes, vasos de guerra,

transatlânticos, escunas, veleiros…

fiz amigos e inimigos entre marinheiros,

aprendi a língua deles

trabalhei, ri, cantei, me embriaguei com eles.

desci em portos de países longínquos e misteriosos,

conheci outros continentes,

salguei meus olhos nas águas de todos os oceanos

e dos mares interiores,

senti meu coração seduzido pela beleza das baías e enseadas,

golfos e estreitos,

e tudo que eu vi…

ah, perdão!

tudo o que eu vi foi com a imaginação apenas!

eu nunca fui além do cais!

são estórias que ouvi de marinheiros!

de livros que li há muito tempo.

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Mas ai de mim!

vivendo deste sonho

eu fui morrendo em tudo mais na minha vida.

e assim, o que de bom esteve ao meu alcance

e que poderia encher meu coração em terra firme

foi sempre provisório e desbotável.

O amor, o grande amor, não sei quem foi, não percebi…

os anos cresceram pesados e exigentes

e a única herança recebida

foi o imenso mar que se espraiou na minha infância.

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Ah, meus dias foram outros!

e tudo o que de mim restou de belo,

está distante

está no mar

e nesta ânsia de cantar.

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Curitiba, setembro – 1968

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Este poema consta do livro “CANTARES” editado por ESCRITURAS.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Por que cantamos - Manoel de Andrade


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgBG0La7ZOcsiimB2H37EGyDhtfrQy5-XkZaQ9ab6dYkLejKv4qqwF2MJfoj1ljbCpY5-13Q9zJBoauq2Zye1gNpR7cOaisOnI99fOTHv3vOCRBaovNbgf8GDRnM5X_acHblAEJMREDpJU/s400/Convite_-_Poemas_para_a_Liberdade.jpg

POR QUE CANTAMOS poema de manoel de andrade

para Mario Benedetti(*)

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Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço

e já são tantos os caídos nesta guerra…

Se há uma possível emboscada em cada esquina

e temos que caminhar num chão minado…

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“você perguntará por que cantamos”

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Se a violência sitia os nossos atos

e a corrupção gargalha da justiça

Se respiramos esse ar abominável

impotentes diante do deboche…

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“você perguntará por que cantamos”

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Se o medo está tatuado em nossa agenda

e a perplexidade estampada em nosso olhar

se há um mantra entoado no silêncio

e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando…

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“você perguntará por que cantamos”

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Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida

e porque um olhar ampara os nossos passos

Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel da maldade

e porque nesse embate só o amor é invencível

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Cantamos porque é imprescindível dar as mãos

e recompor, em cada dia, a condição humana

Cantamos porque a paz é uma bandeira solitária

a espera de um punho inumerável

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Cantamos porque o pânico não retardará a primavera

e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada

Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora

e porque as estrelas e porque as rosas

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Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam

e porque toda essa dor desaguará um dia.

Cantamos porque no trigal o grão amadurece

e porque a seiva cumprirá o seu destino

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Cantamos porque os pássaros estão piando

e ninguém poderá silenciar seu canto.

Cantamos para saudar o Criador e a criatura

e porque alguém está parindo neste instante

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Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos

e porque a utopia persiste a despeito da descrença

Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,

nossa canção viverá para dizer por que cantamos.

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Cantamos porque somos os trovadores desse impasse

e porque a poesia tem um pacto com a beleza.

E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo

o nosso sonho floresce deslumbrante.

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Curitiba, maio de 2003

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(*)Escrevi estes versos motivado pelo belíssimo poema “POR QUE CANTAMOS” o poeta uruguaio MARIO BENEDETTI. Num tempo em que todos caminhamos sobre o “fio da navalha” me senti, como poeta, implicitamente convocado a também testemunhar por que cantamos.

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Este poema consta do livro “CANTARES”, editado por Escrituras.

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in

palavrastodaspalavras.wordpress.com/2008/09/23/por-que-cantamos-poema-de-manoel-de-andrade/

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O tempo - Mário Quintana

Assunto: PEDIDOS Á VIDA...
Data: 4/Jun 16:57

MANHÃS CALMAS....TARDES FRESCAS....NOITES ACONCHEGANTES....CORAÇÃO BRINCANDO.....MINHA ALMA RINDO......E O OLHAR SE ESPANTANDO PERANTE TUDO O QUE É NOVO, PORQUE É BELO......SERÁ QUE PEÇO DEMAIS PARA A MINHA VIDA? EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)


O TEMPO

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará


MÁRIO QUINTANA

O Livro Livre



por Fatima Oliveira*
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O 23 de abril, Dia Internacional do Livro, foi também Dia da Liberação em Massa de Livros, ação do movimento Livro Livre (www.livrolivre.com), “organizado por pessoas que crêem que a leitura, a troca de idéias e o desapego podem ser estimulados e exercitados através de uma idéia simples, mas poderosa: a liberação de livros em espaços públicos”, com o poder de transformar cada cidade em uma biblioteca a céu aberto.
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Aprendi a ler aos seis anos. Sou uma leitora voraz desde então. Estou fascinada com o Livro Livre, em expansão em cidades da América Latina, Estados Unidos e Europa, a partir do desejo de compartilhar o prazer de ler. O Livro Livre mobiliza para uma ação individual (liberação de livros em espaços públicos), que gera um resultado coletivo (sensibilização para a leitura).
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Quem libera livro testemunha que a leitura é uma fonte de prazer a ser compartilhada, pois, “ao ler um livro, transcendemos calendário e relógio”; então, “ler é beber da fonte da eterna inquietude, e isso é um ato sagrado” (Gabriel Perissé).
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Para Rodrigo Gurgel, “ler é uma experiência multifacetada. No momento em que abrimos um livro, iniciamos a viagem – necessária e, por vezes, urgente – em direção a nós mesmos”; “o ato de ler, por outro lado, concilia descoberta e escape no fundo, é um reencontro com os ideais adormecidos ou menosprezados pelo cotidiano sufocante”.
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Uma ação de impacto e mobilizadora da idéia do livro livre são as datas de liberação em massa: numa data marcada, várias pessoas, em lugares diferentes, liberam livros nas ruas.
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Mas, a qualquer dia, a qualquer hora e em qualquer lugar, qualquer pessoa pode liberar um livro – qualquer um, pois há tantos tipos de livros quanto de leitores. O ideal é que libere um livro que tenha gostado ou que sinta que possa ser interessante para alguém.
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“Liberar um livro didático desatualizado para abrir um espaço na sua estante não está proibido, mas estimulamos que você libere livros que gostaria de encontrar.”
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Ao liberar um livro, escreva nele: “Livro livre – Leia, libere, encontre! www.livrolivre.com”; ou uma mensagem sobre o livro ou o movimento; ou cole na parte interna da contracapa do livro liberado o kit de liberação (logomarca, etiqueta trajetória e texto explicativo) do Livro Livre, possibilitando assim que quem o encontre possa entrar em contato com leitores anteriores, criando assim uma rede de contatos entre pessoas que fazem da leitura uma fonte de prazer.


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*Fatima Oliveira, Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005

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* Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site.
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in Vermelho -
1 DE MAIO DE 2006 - 17h16
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Quarta-feira, Dezembro 21, 2005

Bem Vindos ao blog do Movimento Livro Livre!
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Inspirado em movimentos que já acontecem em outras cidades da América Latina e do mundo, o Livro Livre promove a liberação dos livros. A idéia é simples, mas precisamos de adesão e divulgação. Trata-se de uma campanha para que as pessoas deixem livros livres nas ruas. Na mesa de um bar, no banco de um ônibus ou metrô, no balcão de uma padaria ou de um banco. O lugar não interessa. É importante que os livros circulem livremente e que cada pessoa os libere onde achar melhor. Com ações simples e generosas como estas podemos criar uma cidade que é uma biblioteca a céu aberto, multiplicando o número de leitores dos livros e possibilitando a troca de informações sobre a experiência da leitura. Atualmente o projeto está sendo estruturado e adaptado para a realidade brasileira e conta apenas com um grupo de pessoas apaixonadas pela idéia. Este blog pretende ser um espaço aberto de diálogo e troca de idéias sobre o movimento. A participação de todos é bem vinda e necessária. Você já pode participar liberando um livro. Sugerimos que identifique na primeira página que faz parte do movimento LIVRO LIVRE e deixe um email de contato seu ou o livrolivrebrasil@gmail.com. Se quiser participar do coletivo que está organizando a campanha da primeira liberação massiva de livros que acontecerá nos próximos meses no Rio de Janeiro, em data a ser confirmada e divulgada, entre em contato conosco. Você pode também participar simplesmente deixando um comentário, idéia ou sugestão. Sejam Bem Vindos e Feliz Ano Novo Livre ! Emails para: livrolivrebrasil@gmail.com
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Alguns links inspiradores:

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http://www.librolibre.net
http://www.librolibreargentina.com
http://www.bookcrossing.com
http://www.librolibrechile.cl
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posted by Ana Cecilia | 12/21/2005 11:17:00 PM

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FEPECS e SES no projeto Livro Livre
(14/05/2008 - 17:54)
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Com o objetivo de estimular a leitura e, seguindo os moldes do movimento “Livro Livre”, (EUA/2001), a Biblioteca Central da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (BC/Fepecs) lançará em junho, o projeto “Livro livre à mão cheia fazendo o povo pensar”, com o intuito de envolver pessoas e instituições em ações coletivas em prol da valorização da leitura, a partir de estratégias que permitam a troca de livros em locais públicos, de maneira espontânea.
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Segundo a bibliotecária Mônica Heringer, coordenadora do projeto, os locais escolhidos para receber as doações de livros são: a Biblioteca Central da Fepecs, as Bibliotecas Setoriais, Anexo do Buriti ( portaria central) e o Centro Administrativo do GDF, em Taguatinga.
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Livro Livre - O movimento Livro Livre que, nasceu em 2001, nos Estados Unidos, surgiu de uma brincadeira onde leitores de diferentes localidades abandonavam seus livros em qualquer lugar para que outros leitores os encontrassem. O projeto prega que cada livro deve pertencer ao mundo e não a uma única pessoa. O “Livro Livre é um movimento organizado por pessoas comuns que acreditam que a leitura, a troca de idéias, a generosidade e o desapego podem ser estimulados e exercitados por meio de uma idéia simples, mas poderosa: a liberação de livros em espaços públicos.
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A chefe da Biblioteca Central da Fepecs, Fabiana de Azevedo, acredita que os usuários do sistema público de saúde serão os maiores beneficiados por este projeto, pois terão acesso aos livros de uma forma simples. “Nossos pacientes poderão se distrair e ampliar seus conhecimentos enquanto aguardam atendimento ou no período em que estão internados”, diz a chefe.
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in

saude.df.gov.br/


quarta-feira, 3 de junho de 2009

As Rosas - Machado de Assis

Olá amigo, hoje trago "Rosas" para embelezar o teu perfil Hi5, espero que gostes... Um beijo em cada face!
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As Rosas
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Rosas que desabrochais,
Como os primeiros amores,
Aos suaves resplendores
Matinais;
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Em vão ostentais, em vão,
A vossa graça suprema;
De pouco vale; é o diadema
Da ilusão.
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Em vão encheis de aroma o ar da tarde;
Em vão abris o seio úmido e fresco
Do sol nascente aos beijos amorosos;
Em vão ornais a fronte à meiga virgem;
Em vão, como penhor de puro afeto,
Como um elo das almas,
Passais do seio amante ao seio amante;
Lá bate a hora infausta
Em que é força morrer; as folhas lindas
Perdem o viço da manhã primeira,
As graças e o perfume.
Rosas que sois então? – Restos perdidos,
Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha
Brisa do inverno ou mão indiferente.
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Tal é o vosso destino,
Ó filhas da natureza;
Em que vos pese à beleza,
Pereceis;
Mas, não... Se a mão de um poeta
Vos cultiva agora, ó rosas,
Mais vivas, mais jubilosas,
Floresceis.

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Machado de Assis, in 'Crisálidas'
(http://www.citador.pt/)


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Enviado Por Gioconda do Porto (hi5) - 3/Jun 15:48

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Talvez ainda tenhamos tempo - Pablo Neruda

Assunto: ...AMANHÃ, TALVEZ...
Data: 3/Jun 10:36

JÁ PASSOU A ALVORADA! HOJE QUERIA ASSISTIR AO ABRIR DA LUZ DO DIA, COMO SE FOSSE TAMBÉM ENTRAR NA MINHA ALMA....MAS NÃO....ESTAVA A DORMIR, SONHANDO O QUE JÁ NÃO SEI....TALVEZ ALEGRE, TALVEZ TRISTE....QUE DESPERDÍCIO DORMIR QUANDO ESPERAMOS AQUELA ALVORADA QUE DARÁ RUMO E SONHOS Á NOSSA VIDA......ESPERA UM POUCO MAIS, ALMA MINHA! PROMETO QUE ESTA NOITE ATRAVESSAREI AS HORAS ESPERANDO A ALVORADA DE AMANHÃ.....VOU APROVEITAR PARA OLHAR AS ESTRELAS E ESCOLHER UMA PARA LHE PEDIR UM AMOR....SERÁ QUE ELA ME OUVIRÁ? EM ANEXO, UM BEIJO! ( DEIXA A TUA 'MARQUINHA' NO GUEST BOOK. ELE SÓ EXISTE POR TI...)

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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TALVEZ AINDA TENHAMOS TEMPO

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Talvez ainda tenhamos tempo
para ser e para ser justos.
De uma maneira transitória
ontem a verdade morreu
e embora o saiba todo mundo
o mundo todo dissimula:
nenhum de nós lhe mandou flores:
já morreu e não chora ninguém.

Talvez entre o olvido e o apuro
pouco antes de ser enterrada
teremos a oportunidade
de nossa morte e nossa vida
para sair por rua e mais rua,
de mar em mar, de porto em porto,
de cordilheira em cordilheira,
e sobretudo, de homem em homem,
perguntando se a matamos
ou foram outros que a mataram,
se foram nossos inimigos
ou nosso amor cometeu o crime,
porque já morreu a verdade
e agora podemos ser justos.

Antes deveríamos lutar
com armas de obscuro calibre
e por ferir-nos esquecemos
o porquê de estarmos lutando.

Nunca se soube de quem era
o sangue que nos envolvia,
nós acusávamso sem parar,
sem parar fomos acusados,
eles sofreram, e sofremos,
e quando já ganharam eles
e também nós quando ganhamos
a verdade tinha morrido
de antigüidade ou violência.
Agora não há o que fazer:
todos perdemos a batalha.

É por isso que eu penso, talvez,
por fim pudéssemos ser justos
ou por fim pudéssemos ser:
temos este último minuto
e logo mil anos de glória
para não ser e pra não voltar.

PABLO NERUDA

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Creative Commons


Creative Commons

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Cultura e ação antipirataria: o poder do Creative Comnons

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Creative Commons - Portugal
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Mulher Carioca - Vinícius de Morais

Domingo, 9 de Março de 2008

Mulher

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A mulher carioca
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A gaúcha tem a fibra
A mineira o encanto tem
A baiana quando vibra
Tem isso tudo e o céu também
A capixaba bonita
É de dar água na boca
E a linda pernambucana
Ai meu Deus, que coisa louca
A mulher amazonense
Quando é boa é até demais
Mas a bela cearense
Não fica nada pra trás
A paulista tem a erva
Além das graças que tem
A nordestina conserva
Toda a vida e o querer-bem...


E a mulher carioca
O que é que ela tem? (bis)
Ela tem tanta coisa
Que nem sabe que tem
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Ela tem um corpinho
Que mais ninguém tem
Ela faz um carinho
Melhor que ninguém
Ela tem passarinho
Que vai e que vem
Ela tem um jeitinho
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De nhen-nhen-nhen-nhenEla tem, tem, tem... (bis)
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Vinícius de Moraes
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Em homenagem as mulheres, neste primeiro post, deixo este poema de meu Ilustríssimo companheiro(mesmo que ausente de presença) Vinícius de Moraes, egrégio poeta carioca que foi o escritor de poesias de muita qualidade e mais do que isso, foi o mentor de um dos maiores movimentos da Música Popular Brasileira a Bossa Nova, arrisco-me até em dizer que foi o estilo musical com mais qualidade feito até hoje, pois, com a batida leve e marcante do violão e toda a instrumentalidade inspirada no saudoso e maravilhoso Jazz fez com que esta música rompesse as fronteiras do nosso País e fosse aplaudida em vários lugares do mundo. No dia internacioanl da mulher que foi ontem, espero que todos possam ter parado para refletir, ao menos por um instante na luta, na dolorosa luta que foi travada durante décadas para que fossem conquistados os Direitos, hoje em dia eu acho que não conseguimos ter uma visão da complexidade e da dificuldade de alguns tempos difíceis pelos quais a Humanidade passou(inclusive as mulheres) temos que ter uma data como essa para termos noção de como era difícil e doloroso conquistar direitos, muitas mulheres sofreram, para hoje as mulheres votarem, trabalharem em todos os postos de trabalho e muitas outras coisas. Parabéns a todas as mulheres que lutaram por isso tudo, com certeza agora elas são como estrelas no céu, estão iluminando o caminho de suas Companheiras do presente.


Gerivaldo Gomes Luna de Oliveira
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in Cidadania, Música, Poesia & Afins
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Manoel de Andrade - O poeta brasileiro que escreveu para toda a América Latina



A globalização enfraqueceu os regionalismos. Somos “do mundo todo”, mas, para isso, não somos “de nenhum lugar específico”. Particularidades, hoje, afastam; similitudes aproximam, a ponto de nos homogeneizarem até demais... Há pouco tempo, era diferente. Há algumas décadas, quero dizer. E tão diferente que agora não conseguimos entender direito...

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Por Julio Daio Borges*, no Operamundi.net

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Estou falando da segunda metade do século 20 e da aproximação que sentíamos, aqui no Brasil, da América Latina. Hoje, por exemplo, estamos mais próximos de Rússia, Índia e China (a fim de compor os tais BRICs) do que de nossos vizinhos.

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Entre os anos 60 e 70, havia um poeta brasileiro que podia nos transmitir esse sentimento perdido: de ser latino-americano e ser do Brasil. Ainda pode, na verdade. Trata-se de Manoel de Andrade, que teve o seu Poemas para a Liberdade lançado, recentemente, em edição bilíngue (pela Escrituras Editora).

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Numa época como a nossa, em que artistas brasileiros almejam se lançar no exterior, Andrade escreveu poesia para toda a América Latina. Ecoou o sentimento do homem latino-americano, a partir do Brasil, e percorreu o continente, num autoexílio de provação e, ao mesmo tempo, de consagração.

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O apelo à coletividade ecoa já no princípio, em Canción para los hombres sin rostro, poema escrito em setembro de 1968, em Curitiba. Manoel fala em mártires: “Yo he de morir para que tú no mueras”. Fala de outsiders: “Canto a los parias de la vida” (Canto a los hombres sin raíces, sin familia, sin patria).



E se espanta, obviamente, com os anos de chumbo: “Ah, que tiempos son esos?”. Entregando, finalmente, sua produção a todos: “Mis versos que al final nunca serán de nadie”. Dentro do contexto de triunfo do indivíduo a que chegamos, atualmente, com mais falantes do que ouvintes (por exemplo, nas novas mídias), fica quase impossível entender como alguém podia abrir mão do que escrevia, preferindo soltar poemas apócrifos, diluindo-se no sentimento geral.
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As palavras de Manoel de Andrade rodaram a América Latina, sendo republicadas em periódicos de quase todos os países, mas não porque ele apostasse em “marketing pessoal”, fizesse “marketing viral” ou fortalecesse “sua marca” — e, sim, porque preferia não assinar, para ser mais simpático à causa de todos; porque, nesse esforço de identificação, todos o repassavam de bom grado; e porque, sem interesse, ele transcendeu suas limitações pessoais.
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“Portunhol selvagem”


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Em Que es la poesia... mi hermano?, ao afimar “es el amor hecho fuego”, Manoel se aproxima do nosso contemporâneo Douglas Diegues, que, neste momento, prega, além do “portunhol selvagem”, a “poesia feita com esperma”. Fora coincidências como essa, que não poderia jamais prever, Manoel de Andrade se aproxima de antecessores consagrados, como Fernando Pessoa, em Mensaje (dirigindo-se profeticamente ao futuro): “Vosotros que aguardáis la vida en el vientre de los siglos”.


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Evocando Pessoa, outra vez (mais especificamente Bernardo Soares, do Livro do Desassossego), em “El sueño del sembrador”: “Es necesario hacer del sueño la última trinchera”. E, naturalmente, traçando paralelos com o universal Che Guevara, em “Réquiem para um poeta guerillero”.

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Em entrevistas, inclusive, Manoel reconheceria: “Por ahora creo que soy más necessario en la poesía que en outro tipo de lucha”. Lemos, ainda, que “poesía comprometida” se opunha então à chamada “poesía de consumo” e percebemos que, apesar de todas as aproximações que podemos fazer através da forma, há um abismo entre a produção de agora e a de antes, por um simples motivo, o do engajamento (ou da falta dele): “Los nuevos poetas del continente (nos anos 60 e 70)... han sabido comprometer sua poesia con la época que les toca vivir”.

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Nem tudo são rosas na trajetória e na produção de Manoel de Andrade, contudo. Em El marinero y su barco, escrito em Lima, em 1969, ele deixa escapar: “Si, hay cosas tristes en la vida”. E, abordando o autoexílio (que infelizmente não detalha muito no livro), registra ainda entrevistas que acrescentou ao volume (como “fortuna crítica”): “Las acusaciones contra Manoel de Andrade se resumen en una: hace versos”.

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Em Canto a los marginales, parece falar a si próprio: “Donde están tus fariseos y las piedras que te lanzaron?”. E, num momento de desespero, volta-se, mais uma vez, a Guevara: “En cualquier lugar que nos sorprenda la muerte, bienvenida sea”.

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Esquecido


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Mas a principal tragédia de Manoel de Andrade não foi, artisticamente, a perseguição ou mesmo a ameaça de morte física. Foi o esquecimento nestas últimas décadas (no Brasil): “De celebrado autor de libros por el continente, se resignaba a ser un modesto vendedor de enciclopedias”.

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Os anos de chumbo se consolidaram nos 70 e desembocaram, finalmente, na abertura, a partir dos 80, mas o poeta não conheceu, novamente, a consagração de antes, nem teve a oportunidade de ser resgatado, como autor. Fala com distanciamento hoje, 40 anos depois, em sua primeira edição desde o auge.

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Poemas para a Liberdade, em suma, deve ser lido menos como uma curiosidade de uma época distante, que se afastou do próprio autor com o passar dos anos, e mais como uma realização, legitimamente autoral, que transcendeu as fronteiras e alcançou o que muitas obras não alcançaram, com toda a eficiência posterior das comunicações.

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Dizem que o que nossa época perdeu em matéria de “sonho”, ganhou em matéria de “realidade”, mas é o caso de perguntar, talvez a Manoel de Andrade, se é este o “futuro” com que se sonhou e, principalmente, se estamos sendo dignos dos que lutaram a fim de que desfrutássemos dessas liberdades todas.

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O pós-modernismo nos roubou o senso histórico. Podemos não cair em armadilhas utópicas e totalitarismos, mas, ao mesmo tempo, guardamos no íntimo a sensação de não estar dialogando o suficiente com os problemas do novo milênio...

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É tudo menos “monolítico” hoje, as opiniões não são mais “a favor” ou “contra”, mas, apesar desta nova consciência, o sentido (e a força) de um desejo de transformação evaporou-se. Manoel de Andrade, como nós, não deve entender o que está acontecendo, mas seu Poemas para a Liberdade pode nos mostrar, ao menos, diferenças inquietantes do sentimento de ser brasileiro e de ser latino-americano.

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* Julio Daio Borges é editor do DigestivoCultural.com

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in Vermelho - 31 DE MAIO DE 2009 - 17h04
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