domingo, 20 de março de 2011

Os dias da Comuna: a poesia na luta pelo futuro

Cultura

Vermelho - 19 de Março de 2011 - 0h01
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.O poeta e dramaturgo comunista Bertolt Brecht (10 de fevereiro de 1898 – 14 de agosto de 1956) renovou o teatro e a poesia exprimindo sentimentos revolucionários sob uma forma igualmente revolucionária, adequada a seu tempo e às suas contradições.
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Militante comunista, foi combatente antinazista da linha de frente, engajando sua arte na luta pela democracia, pelo socialismo, contra o fascismo e o nazismo. Ligou a crítica ao nazismo ao combate contra a repressão característica do tempo de reação burguesa, da qual o bestial massacre da Comuna de Paris foi um marco.
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A arte, propunha ele, precisa estar a serviço da luta operária, do progresso social e dos mais altos sentimentos de humanidade e solidariedade. É um instrumento, nesse sentido, de combate à alienação e ferramenta para despertar e consolidar a consciência de classe. Os dias da Comuna é um dos melhores exemplos da clareza e determinação que ilumina os escritos de Brecht.


Os dias da Comuna (*)


Bertold Brecht


1.
Considerando nossa fraqueza os senhores forjaram
Suas leis para nos escravizarem.
As leis não mais serão respeitadas
Considerando que não queremos mais ser escravos.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e com canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

2.
Consideramos que ficaremos famintos
Se suportarmos que continuem nos roubando
Queremos deixar bem claro que são apenas vidraças
Que nos separam deste bom pão que nos falta.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.

3.
Considerando que existem grandes mansões
Enquanto os senhores nos deixam sem teto
Nós decidimos: agora nelas nos instalaremos
Porque em nossos buracos não temos mais condições de ficar.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

4.
Considerando que está sobrando carvão
Enquanto nós gelamos de frio por falta de carvão
Nós decidimos que vamos toma-lo
Considerando que ele nos aquecerá
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos, de agora em diante
Temeremos mais a miséria do que a morte.

5.
Considerando que para os senhores não é possível
Nos pagarem um salário justo
Tomaremos nós mesmos as fábricas
Considerando que sem os senhores, tudo será melhor para nós.
Considerando que os senhores nos ameaçam
Com fuzis e canhões
Nós decidimos: de agora em diante
Temeremos mais a miséria que a morte.

6.
Considerando que o que o governo nos promete
Está muito longe de nos inspirar confiança
Nós decidimos tomar o poder
Para podermos levar uma vida melhor.
Considerando: vocês escutam os canhões
Outra linguagem não conseguem compreender
Deveremos então, sim, isso valerá a pena
Apontar os canhões contra os senhores!



(*) Com o título “Resolução”, este poema encerra a seção 3 da peça Os dias da Comuna que Brecht escreveu em 1948-1949, traduzida para o português por Fernando Peixoto.

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sábado, 19 de março de 2011

A cor do horto gráfico já aprovado pela nova Ministra do saber - Teresa Ramos

Teresa Ramos
A propósito do acordo ortográfico

A cor do horto gráfico já aprovado pela nova Ministra do saber

Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Arbusto: Busto com um certo ar
Testículo: Texto pequeno
Abismado: Sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: Colocar preço em alguma coisa
Biscoito: Fazer sexo duas vezes
Bigode: Duplo Deus britânico
Coitado: Pessoa vítima de coito
Padrão: Padre muito alto
Estouro: Boi que sofreu operação de mudança de sexo
Democracia: Sistema de governo do inferno
Barracão: Proíbe a entrada de caninos
Homossexual: Sabão em pó para lavar as partes íntimas
Ministério: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas
Detergente: Acto de prender seres humanos
Eficiência: Estudo das propriedades da letra F
Conversão: Conversa prolongada
Halogéneo: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Piano: Ano Internacional da descoberta de Pi (3,1416)
Expedidor: Mendigo que mudou de classe social
Luz solar: Sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: Mania por Eric Clapton
Tripulante: Especialista em salto triplo
Contribuir: Ir para algum lugar com vários índios
Aspirado: Carta de baralho completamente maluca
Assaltante: Um 'A' que salta
Determine: Prender a namorada do Mickey Mouse
Vidente: O que o dentista diz ao paciente
Barbicha: Bar frequentado por gays
Ortográfico: Horta feita com letras
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: O mesmo que colocar no desenho
Coordenada: Que não tem cor
Presidiário: Aquele que é preso diariamente
Ratificar: Tornar-se um rato
Violentamente: Viu com lentidão

E

Língua "perteguesa"... PORQUE O SABER NÃO OCUPA LUGAR!
Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Númaro
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.
Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina
Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Amandar
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'
Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!
Destrocar
Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada
Mulher que diz por aí que se vai divorciar.
É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase.
Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Também conhecida por "aéreos"
Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES...
Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.
Há-des
Verbo 'haver' na 2ª pessoa do singular: 'Eu hei-de cá vir um dia; tu há-des cá vir um dia...'
Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...
Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?
Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
há 58 minutos · GostoNão gosto · · Cancelar subscriçãoSubscrever

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Michele Latrodectus Hasselti Fernandes isto é verdade??? :S
há 55 minutos · GostoNão gosto
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Teresa Ramos Penso que não mas tem garça e porque "hoje é sábado" ...
há 52 minutos · GostoNão gosto
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Fernanda Camarate Santos Vendem-nos tudo, o país e a língua. A quem irão vender o vira e o corridinho? Olhando "pala" tanta loja chinesa, "ilemos abulil" o r?
há 47 minutos · GostoNão gosto · 2 pessoas2 pessoas gostam disto.
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Nuno Chainho ahahahahahah genial!!!
há 44 minutos · GostoNão gosto
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Nuno Chainho vô emprestar, tá?
há 43 minutos · GostoNão gosto
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Teresa Ramos ‎"tejaavontade"
há 42 minutos · GostoNão gosto
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Victor Nogueira LOL Tem graça e não ofende :-)
há 40 minutos · GostoNão gosto
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1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política P
Grupo aberto.

Louise Michel, o anjo vermelho da revolução - As Mulheres de Paris

Cultura

Vermelho - 19 de Março de 2011 - 0h00
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A professora, enfermeira, poetisa e escritora Louise Michel (29 de Maio de 1830 — Marselha, 9 de Janeiro de 1905), foi uma das principais lideranças da Comuna de Paris. Ela participou da luta nas barricadas, da organização das mulheres e exerceu funções de apoio (foi, por exemplo, uma das responsáveis pela organização da educação infantil durante o governo da Comuna).
Presa, foi exilada na Nova Caledônia, de onde só retornou em 1880, reconhecida como uma das principais militantes e dirigentes da luta operária na França. Ela foi o anjo vermelho da revolução.
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No texto transcrito abaixo, ela descreve a situação das mulheres em Paris às vésperas da Comuna.
.o - As Mulheres de Paris
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As mulheres de Paris

Louise Michel
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Entre os mais implacáveis combatentes que lutaram contra a invasão e defenderam a República como aurora da liberdade, as mulheres destacam-se em grande número.
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Quiseram fazer das mulheres uma casta e sob a força que as esmagada através dos acontecimentos a seleção é feita. Não nos consultaram a este respeito e não que consultar ninguém. O mundo novo nos reunirá à humanidade livre na qual todos terão um lugar.
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O direito das mulheres marchava corajosamente com Maria Deresme, mas exclusivamente por um só lado da humanidade, as escolas profissionais das Senhoras Jules Simon, Paulin, Julie Toussaint. A educação dos pequenos da Senhora Pape Carpentier ao encontrar-se à rua Hautefeuille com a sociedade de instrução elementar confraternizaram-se sob o Império, em uma acepção tão ampla que as mais ativas faziam parte de todos os agrupamentos ao mesmo tempo. Tínhamos, para isso, como cúmplice o Sr. Francolin, da instrução elementar, que, devido à sua semelhança com os sábios do tempo da alquimia e também por amizade, chamávamos de Dr. Francolinus.
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Ele havai fundado, quase sozinho, uma escola profissional gratuita à rua Thévenot.
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Os cursos aí tinham lugar à noite. Aquelas que, dentre nós, o cursavam podiam, deste modo, estar à rua Thévenot após a sua aula, erámos todas professoras. Havia Maria La Cecillia, então uma moça, a diretora era Maria Andreux e muitas outras mulheres ministravam cursos ali. Eu fazia três, literatura, onde era fácil encontrar citações de autores do passado adaptando-os ao tempo presente; a geografia antiga, onde os nomes e as pesquisas do passado levavam aos nomes e às buscas do presente, onde era tão bom evocar o futuro sobre a ruínas que eu me apaixonei por este curso.
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Eu tinha também, às quintas-feiras, o curso de desenho no qual a polícia imperial deu-me a honra de vir ver um Vitor Noir, sobre o seu leito de morte, desenhado em giz branco e espalhado com o dedo sobre o quadro negro o que dava um alívio de uma doçura de sonho.
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Quando os acontecimentos multiplicaram-se, Charles de Sivry assumiu o curso de literatura e a Senhorita Potin, minha colega e amiga, assumiu o curso de desenho.
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Todas as sociedades de mulheres não pensavam senão na hora terrível em que estávamos, agrupando-se na sociedade de socorro das vítimas da guerra, onde as burguesas, as mulheres destes membros da defesa nacional, que defenderam tão pouco, foram heróicas.
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Digo sem espírito de seita, pois eu estava mais freqüentemente à pátria em perigo e no comitê de vigilância que no comitê de socorro para as vítimas da guerra, espírito tão generoso e amplo; os socorros foram dados, mesmo esfarelados para aliviar um pouco todas as dores e também para estimular ainda e sempre a jamais renderem-se.
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Se alguém no comitê de socorro às vítimas falasse de rendição, era colocado da porta para fora, tão energicamente como nos clubes de Belleville ou de Montmartre. As mulheres de Paris eram como as dos subúrbios. Como me lembro da sociedade de instrução elementar onde à direita da escrivaninha no pequeno escritório eu tinha um lugar em cima da caixa do esqueleto, na sociedade de socorros, eu tinha um lugar sobre um banquinho aos pés da Sra. Goodchaux, que se assemelhava, com seus cabelos brancos a uma marquesa de antigamente, lançava às vezes sorrindo, alguma pequena gota de água sobre os meus sonhos.

Por que eu era uma privilegiada? Não sei, é verdade, se talvez as mulheres amem as revoltas. Não valemos mais que os homens mas o poder não nos corrompeu ainda.
E o fato é que elas me amavam e eu também as amava.

Quando, depois do 31 de outubro, fui feita prisioneira do Sr. Cresson, não por ter tomado parte em nenhuma manifestação, mas por ter dito: estou lá apenas para partilhar o perigo das mulheres, não reconheço o governo! a Sra. Meurice, em nome da sociedade para as vítimas da guerra, venho reivindicar a minha libertação, ao mesmo tempo que os clubes, Ferré, Avronsart e Christ vieram.

Quantas coisas as mulheres tentaram e em todos os lugares! Estabelecemos em primeiro lugar ambulâncias nos fortes e como, contra o costume, encontramos a defesa nacional disposta a nos acolher, começamos a crer os governantes dispostos a lutar, enquanto que eles enviavam para os fortes uma multidão de jovens inúteis, ignorantes e com pequenos ferimentos que choravam suas mágoas enquanto que os fortes lutavam para viver; umas e outras, nós entregamos a nossa demissão procurando nos empregar de modo mais útil. Encontrei no ano passado, uma destas corajosas mulheres das ambulâncias, Sra. Gaspard.

As ambulâncias, os comitês de vigilância, os escritórios da prefeituras onde, sobretudo a Montmartre, as Sras. Poirier, Escoffon, Blin, Jarry encontravam meios para que todas tivessem um salário pago igualmente.

A marmita revolucionária onde durante todo o cerco, a Sra. Lemel, da câmara sindical do encadernadores, impede nem sei quantas pessoas de morrer de fome, foi uma verdadeira proeza de devoção e inteligência.

As mulheres não se perguntavam se algo era possível, mas se era útil, então conseguia-se realizá-la.

Um dia decidiram que Montmartre não tinha ambulâncias suficientes e então com uma amiga mais jovem da sociedade de instrução elementar decidimos criá-la. Chamava-se Jeanne A., mais tarde Sra. B.

Não havia um centavo, mas tínhamos uma idéia para fazer fundos.

Trouxemos conosco um guarda nacional, de boa estatura, com a fisionomia de uma gravura de 93, andando com a baioneta à frente do fuzil, com uma larga cinta vermelha, tendo às mãos bolsas feitas pelas circunstâncias, partimos os três, entre os ricos, com rostos sombrios. Começamos pela igrejas, o guarda nacional andava pelas alamedas batendo o seu fuzil nas pedras; chamávamos alguém ao lado da nave, pedíamos a começar pelo padres no altar.

Por sua vez, os devotos, pálidos de espanto, derramavam trêmulos a sua moeda nas nossas bolsas - alguns com bastante boa-vontade, mas todos os padres doavam - depois foi a vez de alguns financistas judeus ou cristãos, depois de pessoas corajosas, um farmacêutico da Butte ofereceu o material. A ambulância foi criada.

Ria-se muito, na prefeitura de Montmartre desta expedição que ninguém encorajava, de que tínhamos confiança antes do resultado.

No dia em que as Sras. Poirier, Blin, Excoffons vieram encontrar-se comigo na minha aula para iniciar o comitê de vigilância das mulheres me ficou na memória.

Era de noite, depois da aula, e elas estavam sentadas contra o muro, Excoffons com seus cabelos loiros despenteados, a mãe Blin já velha com uma touca de tricô; a Sra. Poirier com um capuz e capa de índia vermelho; sem cumprimentos, sem hesitação, elas simplesmente me disseram: é preciso que você venha conosco e eu respondi, vou.
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Havia neste momento na minha sala de aula cerca de 200 alunos, meninas de seis a doze anos que ensinávamos eu e minha auxiliar e de todas a crianças de três a seis anos, meninos e meninas dos quais se encarregava minha mãe e aos quais mimava muito. Os mais velhos da sala a ajudavam, ora uns ora outros.
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Os menores, cujos pais eram camponeses refugiados em Paris, tinham sido enviados por Clemenceau; a prefeitura estava encarregada da sua alimentação, tinham leite, cavalo, legumes e com frequência algumas guloseimas.
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Um dia que o leite atrasou, os mais jovens pouco habituados a esperar olhavam-se chorando, minha mãe os consolava e chorava com eles. Nem sei como me ocorreu, para fazê-los esperar, de ameaçá-los, se não se calassem de enviá-los par Trochu.
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Logo gritavam de medo: senhorita, seremos ajuizados, não nos mande para Trochu!
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Este grito e a paciência com a qual esperaram deram-me a ideia de que era corrente entre eles ter em baixa conta o governo de Paris.
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Frequentemente falou-se dos ciúmes entre as professoras, nunca os testemunhei. Antes da guerra todas fazíamos troca no trabalho com as nossas vizinhas de sala, com a Sra. Potin dando lições de desenho nas minhas e eu lições de música nas dela, levando, tanto uma como a outra nos alunos à rua Hautefeuille. Durante o cerco, ela deu minhas aulas enquanto estive na prisão.
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Extraído do livro A Comuna, de Louise Michel
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quarta-feira, 16 de março de 2011

Pablo Neruda - 20 poemas de amor y una canción desesperada

Poemas del Alma

Poema 14



Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.

A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.

De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.

Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.

Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.

Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.

Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.

Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.

Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.



Poemas de Pablo Neruda


 

terça-feira, 15 de março de 2011

A poesia dita de Eugénio de Andrade

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De: | Criado: 19/01/2008
Exercício de stopmotion realizado na disciplina de Laboratório de Som & Imagem do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da UP. Fotografia + Caixa de música (reverse mode).
As Palavras Interditas - Eugénio de Andrade
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Mãe - Eugénio de Andrade
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De: | Criado: 08/10/2009
por Luís Gaspar
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Adeus - Eugénio de Andrade
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De: | Criado: 15/08/2009 
É urgente o amor -  Eugénio de Andrade 
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De: | Criado: 19/05/2010
"O Sorriso" dito por Eugénio de Andrade.
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De: | Criado: 28/07/2008
Poema de Eugénio de Andrade e fotos de Paulo - A Núvem
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De: | Criado: 13/07/2010
não existe nenhuma descrição disponível
O Lugar da Casa - Eugénio de Andrade 
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De: | Criado: 17/06/2010
Eugénio de Andrade, "Se deste outono", in "O sal da língua"
Música: Rêverie, de Debussy
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segunda-feira, 14 de março de 2011

Poesia de Sophia de Mello Breyner


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De: | Criado: 16/05/2009
Este video foi feito por mim, para a apresentação de um tabalho de uma amiga.
o Video é um Slideshow com imagems do oceano com musica relaxante.
Fundo do Mar


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De: | Criado: 27/05/2009
Poema de Sophia de Mello Breyer, gravado enquanto testava um novo microfone. - Pirata
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De: | Criado: 13/03/2009
http://1001_musicas_pt.blogs.sapo.pt/

Mil & Uma Músicas de Portugal - Porque cantado por Francisco Fanhais
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De: | Criado: 18/07/2010
Poema de : Sophia de Mello Breyner Andresen

«Quando»
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De: | Criado: 10/05/2010
SAGA, ópera extravagante   
És tu a Primavera que eu esperava (poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)
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De: | Criado: 20/02/2010
A poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen e a música de Bach.- A noite
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De: | Criado: 07/02/2007
Uma bonita montagem para pensar. - Vemos, ouvimos e lemos, cantado por Francisco Fanhais
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sábado, 12 de março de 2011

As palavras na poesia de Eugénio de Andrade


Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas Rato (1923 - 2005), foi um poeta português. Ganhador do Prémio Camões em 2001.


 Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
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*****

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus
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*****
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RETRATO ARDENTE
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Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
  .
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*****
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As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?.
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*****
..
Havia
uma palavra
no escuro.
Minúscula. Ignorada.
Martelava no escuro.
Martelava
no chão da água.

Do fundo do tempo,
martelava.
contra o muro.

Uma palavra.
No escuro.
Que me chamava.
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http://pensador.uol.com.br/autor/Eugenio_de_Andrade/
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As Palavras Interditas
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Os navios existem e existe o teu rosto 
encostado ao rosto dos navios.  
Sem nenhum destino flutuam nas cidades, 
partem no vento, regressam nos rios.   
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Na areia branca, onde o tempo começa, 
uma criança passa de costas para o mar. 
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.  
É preciso partir, é preciso ficar.   
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Os hospitais cobrem-se de cinza. 
Ondas de sombra quebram nas esquinas. 
Amo-te... E abrem-se janelas 
mostrando a brancura das cortinas.  
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As palavras que te envio são interditas 
até, meu amor, pelo halo das searas;  
se alguma regressasse, nem já reconhecia 
o teu nome nas minhas curvas claras.  
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Dói-me esta água, este ar que se respira,  
dói-me esta solidão de pedra escura, 
e estas mãos noturnas onde aperto  
os meus dias quebrados na cintura.   
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E a noite cresce apaixonadamente. 
Nas suas margens vivas, desenhadas,  
cada homem tem apenas para dar 
um horizonte de cidades bombardeadas.  
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http://www.revista.agulha.nom.br/eda01.html
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sexta-feira, 11 de março de 2011

BD do Homem-Aranha leiloada por 790 mil euros

09-03-2011 - 16:38h

Primeira história aos quadradinhos do herói que foi mordido por uma aranha rendeu menos que a do Super-Homem

Por: Redacçãoemailmais artigos deste autor / PGM



  • BD do Homem Aranha

O primeiro livro de banda desenhada do Homem Aranha foi leiloado esta quarta-feira por 1,1 milhões de dólares (790 mil euros). 

Quase meio século depois da sua publicação (era de 1962), o livro, que estava em excelentes condições, mostra o herói pendurado de um arranha-céus com um homem debaixo do seu braço direito. Há cinco décadas, a história era vendida a 12 cêntimos de dólar, escreve a Sky News. 

O negócio, arrematado por um comprador anónimo, fica, mesmo assim, abaixo dos 1,5 milhões de dólares (1,07 milhões de euros) que o primeiro livro de BD do Super-Homem (datado de 1938) rendeu noutro leilão. 
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«O final dos anos 50 e o início dos anos 60 são considerados a idade do ouro para os livros de BD», afirmou o fundador da ComicConnect.com, Stephen Fishler, acrescentando que «as pessoas perguntavam-se frequentemente quanto é que este livro em condições quase perfeitas poderia render, e hoje descobrimos»..
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Triste Paisagem - Paulo Luiz Mendonça

Ensino,religião e política. criticas. disse.
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TRISTE PAISAGEM
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 Admirando a triste paisagem 
Nos destroços nos entulhos 
Que antes foi grande orgulho 
De uma morada feliz 
Hoje só restam farrapos 
De cortinas com status Nas ruínas do chafariz
Alguns anos lá no passado 
Era uma morada feliz 
Com flores toda enfeitada 
Com perfume de jasmim 
Hoje só restam escombros 
Em meio a muitos assombros 
Tudo teve o mesmo fim 
Nossas vidas são como casas 
Foram outrora deslumbrantes 
Também foram cativantes 
Já tivemos nossa emoção 
Agora no fim da jornada 
Com a beleza desmoronada
É bem triste a sensação 
Da beleza só restam escombros
E o peso dos anos nos ombros 
Que nos fere o coração
. .
Esta poesia foi extraída do livro Cônicas Indagações e Teorias, autor Paulo Luiz Mendonça. 
.
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quarta-feira, 9 de março de 2011

Poema de Vinícius de Morais


Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente 
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave.
.
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Querido Víctor
Feliz dia da Mulher e do Homem, também!

Um poema de Vinicius.
Bjs
Madalena
qua 09-03-2011 00:12
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terça-feira, 8 de março de 2011

Las fieras - Ernesto Mejía Sánchez

Poemas del Alma



(Jardin del Plantes)


Estamos echados sobre el césped
y no tienen piedad de nuestra dicha.
Nos espiaron ensañados. En sus ojos
no había curiosidad ni complacencia.
Envidia, sólo envidia con ira.

Nadie quiso cubrirnos ni con una
mirada de pudor. Pero
¿qué saben ellos de esto?

Querían, lo supongo, avergonzar mi amor,
el tuyo, el poco amor del mundo.
Y no pudieron con nosotros.

Jadeantes, al fin de nuestra lucha,
ahí estaban, representando el odio
que con tanto trabajo habíamos
logrado arrancar de nuestro pecho.

(Estamos solo contra ellos
pero ellos están más solos
que nosotros. A ellos no los
une ni el odio, a nosotros
hasta su odio nos reúne.)

Quizá llegaron cuando yo era tu yo
y yo era tuyo. Nunca lo sabremos.
Jadeantes, saboreando, lamiendo
nuestra dicha nos encontraron. Echados
sobre el césped nos acorralaron
como fieras. Y , ahí, a sus ojos furiosos,
aterrorizados, hicimoss de nuevo
nuestro fuego ya sin recato
pero imperturbable -y ellos viéndonos,
viéndonos, ignorantes y viéndonos.


Poemas de Ernesto Mejía Sánchez

segunda-feira, 7 de março de 2011

Poesia de David Mourão-Ferreira

Labirinto ou não Foi Nada
.
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Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira, in "À Guitarra e à Viola"
.

O Corpo Os Corpos
.
.
O teu corpo O meu corpo E em vez dos corpos
que somados seriam nossos corpos
implantam-se no espaço novos corpos
ora mais ora menos que dois corpos

Que escorpião de súbito estes corpos
quando um espelho reflecte os nossos corpos
e num só corpo feitos os dois corpos
ao mesmo tempo somos quatro corpos

Não indagues agora se o meu corpo
se contenta só corpo no teu corpo
ou se busca atingir todos os corpos

que no fundo residem num só corpo
Mas indaga sem pausa além do corpo
o finito infinito destes corpos

David Mourão-Ferreira, in “Obra Poética”
.
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Poesia de Al Berto

Mais Nada se Move em Cima do Papel
.
.
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto, “O Medo”
.
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Mais Nada se Move em Cima do Papel
.
.
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto, “O Medo”
.
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domingo, 6 de março de 2011

Presença Africana - Alda Lara


in "http://keroestaraki.multiply.com/journal/item/581"
.

 .


 E apesar de tudo,

ainda sou a mesma!

Livre e esguia,

filha eterna de quanta rebeldia

me sagrou.

Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,

ainda sou,

a irmã-mulher

de tudo o que em ti vibra

puro e incerto!...



- A dos coqueiros,

de cabeleiras verdes

e corpos arrojados

sobre o azul...

A do dendém

nascendo dos abraços

das palmeiras...

A do sol bom,

mordendo

o chão das Ingombotas...

A das acácias rubras,

salpicando de sangue as avenidas,

longas e floridas...



Sim!, ainda sou a mesma.

- A do amor transbordando

pelos carregadores do cais

suados e confusos,

pelos bairros imundos e dormentes

(Rua 11...Rua 11...)

pelos negros meninos

de barriga inchada

e olhos fundos...



Sem dores nem alegrias,

de tronco nu e musculoso,

a raça escreve a pPresença Africana,

a força destes dias...



E eu revendo ainda

e sempre, nela,

aquela

longa historia inconseqüente...



Terra!

Minha, eternamente...

Terra das acácias,

dos dongos,

dos cólios baloiçando,

mansamente... mansamente!...

Terra!

Ainda sou a mesma!

Ainda sou

a que num canto novo,

pura e livre,

me levanto,

ao aceno do teu Povo!...

.

.

Fonte: betogomes.sites.uol.com.br/ 
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sábado, 5 de março de 2011

Vélez Ishmar - Jorge Valdés Díaz

Poemas del Alma



para Martha Iga


La manera de peinarte desnuda
ante el espejo húmedo del baño,
de apresar en la palma tu cabello
para escurrir el agua y agacharte
en medio de palabras que no entiendo;
el acto de secar tu piel, la forma
de sentir con las yemas una arruga
que ayer no estaba, o de pasar la toalla
por la pátina oscura de tu pubis;
el modo de mirarte a ti contigo
tan cerca y tan lejana, concentrada
en una intimidad que a mí me excluye,
son gestos cotidianos de sorpresa,
ritos que desconozco al observar
las mismas ceremonias que renuevas
al calor de tu cuerpo y que dividen
un segundo en partículas: espacios
donde la vida expresa su sentido
posible y que se afirman al peinarte
desnuda en las mañanas, como un fruto
que yo contemplo por primera vez.




Poemas de Jorge Valdés Díaz - Vélez

sexta-feira, 4 de março de 2011

Poesia de Rainer Maria Rilke

O PoemaO Poema





Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. É considerado como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, por sua obra inovadora e seu incomparável estilo lírico. "Poeta fundamental, Rilke é a voz de uma época em transição. Talvez seja a última voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim dos tempos modernos", como quer Romano Guardini, e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro poeta dessa nova era que estamos começando a viver."
(Paulo Plínio Abreu - parte de uma introdução 

sobre a obra de Rilke publicado no jornal paraense:
"Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948)


.
.
O torso arcaico de Apolo
.
Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

(Tradução: Paulo Quintela)



- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

.
Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)


.
- Hora Grave
.
Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.


Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Morgue
.
Estão prontos, ali, como a esperar
que um gesto só, ainda que tardio,
possa reconciliar com tanto frio
os corpos e um ao outro harmonizar;

como se algo faltasse para o fim.
Que nome no seu bolso já vazio
há por achar? Alguém procura, enfim,
enxugar dos seus lábios o fastio:

em vão; eles só ficam mais polidos.
A barba está mais dura, todavia
ficou mais limpa ao toque do vigia,

para não repugnar o circunstante.
Os olhos, sob a pálpebra, invertidos,
olham só para dentro, doravante.

(Tradução: Augusto de Campos)


A Pantera                        No Jardin des Plantes, Paris

.
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

(Tradução: Augusto de Campos)


A Gazela                            Gazella Dorcas
.
Mágico ser: onde encontrar quem colha
duas palavras numa rima igual
a essa que pulsa em ti como um sinal?
De tua fronte se erguem lira e folha

e tudo o que és se move em similar
canto de amor cujas palavras, quais
pétalas, vão caindo sobre o olhar
de quem fechou os olhos, sem ler mais,

para te ver: no alerta dos sentidos,
em cada perna os saltos reprimidos
sem disparar, enquanto só a fronte

a prumo, prestes, pára: assim, na fonte,
a banhista que um frêmito assustasse:
a chispa de água no voltear da face.

(Tradução: Augusto de Campos)


São Sebastião
.
Como alguém que jazesse, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.

E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele ri, incólume, às feridas.

Num só passo a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
os destrutores de uma coisa bela.

(Tradução: Augusto de Campos)


O Anjo
.
Com um mover da fronte ele descarta
tudo o que obriga, tudo o que coarta,
pois em seu coração, quando ela o adentra,
a eterna Vinda os círculos concentra.

O céu com muitas formas Ihe aparece
e cada qual demanda: vem, conhece -.
Não dês às suas mãos ligeiras nem
um só fardo; pois ele, à noite, vem

à tua casa conferir teu peso,
cheio de ira, e com a mão mais dura,
como se fosses sua criatura,
te arranca do teu molde com desprezo.

(Tradução: Augusto de Campos)


Fonte Romana
                               Borghese

.
Duas velhas bacias sobrepondo
suas bordas de mármore redondo.
Do alto a água fluindo, devagar,
sobre a água, mais em baixo, a esperar,

muda, ao murmúrio, em diálogo secreto,
como que só no côncavo da mão,
entremostrando um singular objeto:
o céu, atrás da verde escuridão;

ela mesma a escorrer na bela pia,
em círculos e círculos, constante-
mente, impassível e sem nostalgia,

descendo pelo musgo circundante
ao espelho da última bacia
que faz sorrir, fechando a travessia.

(Tradução: Augusto de Campos)


Dançarina Espanhola
.
Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.

E logo ela é só flama, inteiramente.
Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com a arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então, como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.

(Tradução: Augusto de Campos)


O Cego
.
Ele caminha e interrompe a cidade,
que não existe em sua cela escura,
como uma escura rachadura
numa taça atravessa a claridade.

Sombras das coisas, como numa folha,
nele se riscam sem que ele as acolha:
só sensações de tato, como sondas,
captam o mundo em diminutas ondas:

serenidade; resistência -
como se à espera de escolher alguém, atento,
ele soergue, quase em reverência,
a mão, como num casamento.

(Tradução: Augusto de Campos)
Exercícios ao Piano
.
O calor cola. A tarde arde e arqueja.
Ela arfa, sem querer, nas leves vestes
e num étude enérgico despeja
a impaciência por algo que está prestes
a acontecer: hoje, amanhã, quem sabe
agora mesmo, oculto, do seu lado;
da janela, onde um mundo inteiro cabe,
ela percebe o parque arrebicado.
Desiste, enfim, o olhar distante; cruza
as mãos; desejaria um livro; sente
o aroma dos jasmins, mas o recusa
num gesto brusco. Acha que á faz doente.
(Tradução: Augusto de Campos)
O Solitário
.
Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda:
onde não há mais nada, ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.
Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar,
ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente
tornam seu júbilo ainda mais intenso.
(Tradução: Augusto de Campos)
O Fruto
.
Subia, algo subia, ali, do chão,
quieto, no caule calmo, algo subia,
até que se fez flama em floração
clara e calou sua harmonia.
Floresceu, sem cessar, todo um verão
na árvore obstinada, noite e dia,
e se soube futura doação
diante do espaço que o acolhia.
E quando, enfim, se arredondou, oval,
na plenitude de sua alegria,
dentro da mesma casca que o encobria
volveu ao centro original.
(Tradução: Augusto de Campos)

O mundo estava no rosto da amada -
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O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.
(Tradução: Augusto de Campos)
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terça-feira, 1 de março de 2011

Hora Grave - Rainer Maria Rilke

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edun-rainer-maria-rilke manuscrito
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HORA GRAVE
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Quem chora agora em algum lugar do mundo,
sem razão chora no mundo,
chora por mim.
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Quem ri agora em algum lugar da noite,
sem razão se ri na noite,
ri-se de mim.
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Quem anda agora em algum lugar do mundo,
sem razão anda no mundo,
vem para mim.
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Quem morre agora em algum lugar do mundo,
sem razão morre no mundo,
olha pra mim.

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