O excerto presente na lápide faz parte do poema "Romance de Vila do Conde", escrito por José Régio, uma composição lírica de tom nostálgico, onde o autor recorda com saudade as paisagens da sua infância e juventude na sua terra natal.
O texto completo do poema é o seguinte:
Romance de Vila do Conde
Entre pinhais, rio e mar…
– Lembra-me Vila do Conde,
Passo a tarde a divagar…
Até Senhora da Guia
Me deixava ir devagar,
Até Senhora da Guia,
Que entra já dentro do mar,
Como uma pomba que as ondas
Receassem de levar;
Talvez como uma gaivota
Colhida num vendaval…
Ou rosa branca, trazida
Quem sabe de que lugar,
Que embaraçando nas pedras,
Ficasse ali, sem murchar,
O pé metido no rio,
A flor já n'água do mar.
Lá de cima do seu monte,
Sobre o fundo do pinhal,
Senhora Sant'Ana, ao longe,
Parece um lenço a acenar.
Convento de Santa Clara,
Que vulto fazes no ar,
Que aos marinheiros no mar
Deitas o «pelo sinal»!
E o sol desmaia na cal
Da capela a branquejar
Da Senhora do Socorro,
Onde sonhei me ir casar…
Da banda de lá do rio,
As gaivotas a voar
Sobre Azurara se esfolham
Como um grande roseiral!
Lembranças da minha terra,
Da minha terra natal,
Nenhum remédio me vale
Se me não vindes buscar!

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