O poema "Sobre esta terra" (Ala Hadhihi al-Ard) é uma das obras mais emblemáticas de Mahmoud Darwish. Ele resume a conexão profunda, dolorosa e esperançosa do poeta com sua terra natal.
Sobre Esta Terra
Mahmoud Darwish
Sobre esta terra há o que merece viver:
A hesitação de abril,
o cheiro do pão ao amanhecer,
as opiniões de uma mulher sobre os homens,
os escritos de Ésquilo,
o começo do amor,
a grama sobre as pedras,
mães que vivem no fio de uma flauta
e o medo que os invasores têm das recordações.
Sobre esta terra há o que merece viver:
O fim de setembro,
uma senhora que sai dos quarenta com todo o seu viço,
a hora de sol na prisão,
nuvens que imitam um rebanho de criaturas,
as aclamações de um povo para aqueles que sobem à morte sorrindo
e o medo que os tiranos têm das canções.
Sobre esta terra há o que merece viver.
Sobre esta terra está a senhora da terra,
a mãe de todos os começos,
a mãe de todos os fins.
Chamava-se Palestina.
Chama-se, agora, Palestina.
Minha senhora: eu mereço, porque tu és minha senhora,
eu mereço viver.
Um toque de contexto
Darwish escreveu este poema com uma estrutura de catálogo, listando detalhes sensoriais e cotidianos que, juntos, formam a identidade de um povo.
A dualidade: Ele contrasta a beleza da vida (o cheiro do pão, o amor) com a dureza da ocupação (a hora de sol na prisão, o medo dos tiranos).
A "Mãe": Quando ele se refere à "mãe de todos os começos", ele está personificando a terra não apenas como um território geográfico, mas como a origem de toda a dignidade e história de seu povo.
É uma leitura poderosa, especialmente considerando que ele afirma o direito à vida como algo conquistado pela simples existência dessa terra. (Google Gemini) uma denúncia do genocídio em curso e uma afirmação da solidariedade internacionalista.

Sem comentários:
Enviar um comentário