sábado, 12 de março de 2011

As palavras na poesia de Eugénio de Andrade


Eugénio de Andrade

Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas Rato (1923 - 2005), foi um poeta português. Ganhador do Prémio Camões em 2001.


 Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
odio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
.
.
*****

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus
.
.
*****
.
.
RETRATO ARDENTE
.
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
  .
.
*****
.
As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?.
.
.
*****
..
Havia
uma palavra
no escuro.
Minúscula. Ignorada.
Martelava no escuro.
Martelava
no chão da água.

Do fundo do tempo,
martelava.
contra o muro.

Uma palavra.
No escuro.
Que me chamava.
.
.
http://pensador.uol.com.br/autor/Eugenio_de_Andrade/
.

As Palavras Interditas
.

Os navios existem e existe o teu rosto 
encostado ao rosto dos navios.  
Sem nenhum destino flutuam nas cidades, 
partem no vento, regressam nos rios.   
.
Na areia branca, onde o tempo começa, 
uma criança passa de costas para o mar. 
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.  
É preciso partir, é preciso ficar.   
.
Os hospitais cobrem-se de cinza. 
Ondas de sombra quebram nas esquinas. 
Amo-te... E abrem-se janelas 
mostrando a brancura das cortinas.  
.
As palavras que te envio são interditas 
até, meu amor, pelo halo das searas;  
se alguma regressasse, nem já reconhecia 
o teu nome nas minhas curvas claras.  
.
Dói-me esta água, este ar que se respira,  
dói-me esta solidão de pedra escura, 
e estas mãos noturnas onde aperto  
os meus dias quebrados na cintura.   
.
E a noite cresce apaixonadamente. 
Nas suas margens vivas, desenhadas,  
cada homem tem apenas para dar 
um horizonte de cidades bombardeadas.  
. .
.
http://www.revista.agulha.nom.br/eda01.html
..

sexta-feira, 11 de março de 2011

BD do Homem-Aranha leiloada por 790 mil euros

09-03-2011 - 16:38h

Primeira história aos quadradinhos do herói que foi mordido por uma aranha rendeu menos que a do Super-Homem

Por: Redacçãoemailmais artigos deste autor / PGM



  • BD do Homem Aranha

O primeiro livro de banda desenhada do Homem Aranha foi leiloado esta quarta-feira por 1,1 milhões de dólares (790 mil euros). 

Quase meio século depois da sua publicação (era de 1962), o livro, que estava em excelentes condições, mostra o herói pendurado de um arranha-céus com um homem debaixo do seu braço direito. Há cinco décadas, a história era vendida a 12 cêntimos de dólar, escreve a Sky News. 

O negócio, arrematado por um comprador anónimo, fica, mesmo assim, abaixo dos 1,5 milhões de dólares (1,07 milhões de euros) que o primeiro livro de BD do Super-Homem (datado de 1938) rendeu noutro leilão. 
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«O final dos anos 50 e o início dos anos 60 são considerados a idade do ouro para os livros de BD», afirmou o fundador da ComicConnect.com, Stephen Fishler, acrescentando que «as pessoas perguntavam-se frequentemente quanto é que este livro em condições quase perfeitas poderia render, e hoje descobrimos»..
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quinta-feira, 10 de março de 2011

Triste Paisagem - Paulo Luiz Mendonça

Ensino,religião e política. criticas. disse.
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TRISTE PAISAGEM
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 Admirando a triste paisagem 
Nos destroços nos entulhos 
Que antes foi grande orgulho 
De uma morada feliz 
Hoje só restam farrapos 
De cortinas com status Nas ruínas do chafariz
Alguns anos lá no passado 
Era uma morada feliz 
Com flores toda enfeitada 
Com perfume de jasmim 
Hoje só restam escombros 
Em meio a muitos assombros 
Tudo teve o mesmo fim 
Nossas vidas são como casas 
Foram outrora deslumbrantes 
Também foram cativantes 
Já tivemos nossa emoção 
Agora no fim da jornada 
Com a beleza desmoronada
É bem triste a sensação 
Da beleza só restam escombros
E o peso dos anos nos ombros 
Que nos fere o coração
. .
Esta poesia foi extraída do livro Cônicas Indagações e Teorias, autor Paulo Luiz Mendonça. 
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quarta-feira, 9 de março de 2011

Poema de Vinícius de Morais


Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente 
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave.
.
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Querido Víctor
Feliz dia da Mulher e do Homem, também!

Um poema de Vinicius.
Bjs
Madalena
qua 09-03-2011 00:12
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terça-feira, 8 de março de 2011

Las fieras - Ernesto Mejía Sánchez

Poemas del Alma



(Jardin del Plantes)


Estamos echados sobre el césped
y no tienen piedad de nuestra dicha.
Nos espiaron ensañados. En sus ojos
no había curiosidad ni complacencia.
Envidia, sólo envidia con ira.

Nadie quiso cubrirnos ni con una
mirada de pudor. Pero
¿qué saben ellos de esto?

Querían, lo supongo, avergonzar mi amor,
el tuyo, el poco amor del mundo.
Y no pudieron con nosotros.

Jadeantes, al fin de nuestra lucha,
ahí estaban, representando el odio
que con tanto trabajo habíamos
logrado arrancar de nuestro pecho.

(Estamos solo contra ellos
pero ellos están más solos
que nosotros. A ellos no los
une ni el odio, a nosotros
hasta su odio nos reúne.)

Quizá llegaron cuando yo era tu yo
y yo era tuyo. Nunca lo sabremos.
Jadeantes, saboreando, lamiendo
nuestra dicha nos encontraron. Echados
sobre el césped nos acorralaron
como fieras. Y , ahí, a sus ojos furiosos,
aterrorizados, hicimoss de nuevo
nuestro fuego ya sin recato
pero imperturbable -y ellos viéndonos,
viéndonos, ignorantes y viéndonos.


Poemas de Ernesto Mejía Sánchez

segunda-feira, 7 de março de 2011

Poesia de David Mourão-Ferreira

Labirinto ou não Foi Nada
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Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua ...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

David Mourão-Ferreira, in "À Guitarra e à Viola"
.

O Corpo Os Corpos
.
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O teu corpo O meu corpo E em vez dos corpos
que somados seriam nossos corpos
implantam-se no espaço novos corpos
ora mais ora menos que dois corpos

Que escorpião de súbito estes corpos
quando um espelho reflecte os nossos corpos
e num só corpo feitos os dois corpos
ao mesmo tempo somos quatro corpos

Não indagues agora se o meu corpo
se contenta só corpo no teu corpo
ou se busca atingir todos os corpos

que no fundo residem num só corpo
Mas indaga sem pausa além do corpo
o finito infinito destes corpos

David Mourão-Ferreira, in “Obra Poética”
.
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Poesia de Al Berto

Mais Nada se Move em Cima do Papel
.
.
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto, “O Medo”
.
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Mais Nada se Move em Cima do Papel
.
.
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto, “O Medo”
.
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domingo, 6 de março de 2011

Presença Africana - Alda Lara


in "http://keroestaraki.multiply.com/journal/item/581"
.

 .


 E apesar de tudo,

ainda sou a mesma!

Livre e esguia,

filha eterna de quanta rebeldia

me sagrou.

Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,

ainda sou,

a irmã-mulher

de tudo o que em ti vibra

puro e incerto!...



- A dos coqueiros,

de cabeleiras verdes

e corpos arrojados

sobre o azul...

A do dendém

nascendo dos abraços

das palmeiras...

A do sol bom,

mordendo

o chão das Ingombotas...

A das acácias rubras,

salpicando de sangue as avenidas,

longas e floridas...



Sim!, ainda sou a mesma.

- A do amor transbordando

pelos carregadores do cais

suados e confusos,

pelos bairros imundos e dormentes

(Rua 11...Rua 11...)

pelos negros meninos

de barriga inchada

e olhos fundos...



Sem dores nem alegrias,

de tronco nu e musculoso,

a raça escreve a pPresença Africana,

a força destes dias...



E eu revendo ainda

e sempre, nela,

aquela

longa historia inconseqüente...



Terra!

Minha, eternamente...

Terra das acácias,

dos dongos,

dos cólios baloiçando,

mansamente... mansamente!...

Terra!

Ainda sou a mesma!

Ainda sou

a que num canto novo,

pura e livre,

me levanto,

ao aceno do teu Povo!...

.

.

Fonte: betogomes.sites.uol.com.br/ 
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sábado, 5 de março de 2011

Vélez Ishmar - Jorge Valdés Díaz

Poemas del Alma



para Martha Iga


La manera de peinarte desnuda
ante el espejo húmedo del baño,
de apresar en la palma tu cabello
para escurrir el agua y agacharte
en medio de palabras que no entiendo;
el acto de secar tu piel, la forma
de sentir con las yemas una arruga
que ayer no estaba, o de pasar la toalla
por la pátina oscura de tu pubis;
el modo de mirarte a ti contigo
tan cerca y tan lejana, concentrada
en una intimidad que a mí me excluye,
son gestos cotidianos de sorpresa,
ritos que desconozco al observar
las mismas ceremonias que renuevas
al calor de tu cuerpo y que dividen
un segundo en partículas: espacios
donde la vida expresa su sentido
posible y que se afirman al peinarte
desnuda en las mañanas, como un fruto
que yo contemplo por primera vez.




Poemas de Jorge Valdés Díaz - Vélez

sexta-feira, 4 de março de 2011

Poesia de Rainer Maria Rilke

O PoemaO Poema





Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 4 de dezembro de 1875. É considerado como um dos mais importantes poetas modernos da literatura e língua alemã, por sua obra inovadora e seu incomparável estilo lírico. "Poeta fundamental, Rilke é a voz de uma época em transição. Talvez seja a última voz do seu tempo, aquela que anunciou o "fim dos tempos modernos", como quer Romano Guardini, e ao mesmo tempo a primeira voz e o primeiro poeta dessa nova era que estamos começando a viver."
(Paulo Plínio Abreu - parte de uma introdução 

sobre a obra de Rilke publicado no jornal paraense:
"Folha do Norte" entre os anos de 1946 e 1948)


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O torso arcaico de Apolo
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Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erger-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros.
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: precisas mudar de vida.

(Tradução: Paulo Quintela)



- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

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Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.
(Tradução: Paulo Plínio Abreu)


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- Hora Grave
.
Quem agora chora em algum lugar do mundo,
Sem razão chora no mundo,
Chora por mim.


Quem agora ri em algum lugar na noite,
Sem razão ri dentro da noite,
Ri-se de mim.

Quem agora caminha em algum lugar no mundo,
Sem razão caminha no mundo,
Vem a mim.

Quem agora morre em algum lugar no mundo,
Sem razão morre no mundo,
Olha para mim.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Morgue
.
Estão prontos, ali, como a esperar
que um gesto só, ainda que tardio,
possa reconciliar com tanto frio
os corpos e um ao outro harmonizar;

como se algo faltasse para o fim.
Que nome no seu bolso já vazio
há por achar? Alguém procura, enfim,
enxugar dos seus lábios o fastio:

em vão; eles só ficam mais polidos.
A barba está mais dura, todavia
ficou mais limpa ao toque do vigia,

para não repugnar o circunstante.
Os olhos, sob a pálpebra, invertidos,
olham só para dentro, doravante.

(Tradução: Augusto de Campos)


A Pantera                        No Jardin des Plantes, Paris

.
De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

(Tradução: Augusto de Campos)


A Gazela                            Gazella Dorcas
.
Mágico ser: onde encontrar quem colha
duas palavras numa rima igual
a essa que pulsa em ti como um sinal?
De tua fronte se erguem lira e folha

e tudo o que és se move em similar
canto de amor cujas palavras, quais
pétalas, vão caindo sobre o olhar
de quem fechou os olhos, sem ler mais,

para te ver: no alerta dos sentidos,
em cada perna os saltos reprimidos
sem disparar, enquanto só a fronte

a prumo, prestes, pára: assim, na fonte,
a banhista que um frêmito assustasse:
a chispa de água no voltear da face.

(Tradução: Augusto de Campos)


São Sebastião
.
Como alguém que jazesse, está de pé,
sustentado por sua grande fé.
Como mãe que amamenta, a tudo alheia,
grinalda que a si mesma se cerceia.

E as setas chegam: de espaço em espaço,
como se de seu corpo desferidas,
tremendo em suas pontas soltas de aço.
Mas ele ri, incólume, às feridas.

Num só passo a tristeza sobrevém
e em seus olhos desnudos se detém,
até que a neguem, como bagatela,
e como se poupassem com desdém
os destrutores de uma coisa bela.

(Tradução: Augusto de Campos)


O Anjo
.
Com um mover da fronte ele descarta
tudo o que obriga, tudo o que coarta,
pois em seu coração, quando ela o adentra,
a eterna Vinda os círculos concentra.

O céu com muitas formas Ihe aparece
e cada qual demanda: vem, conhece -.
Não dês às suas mãos ligeiras nem
um só fardo; pois ele, à noite, vem

à tua casa conferir teu peso,
cheio de ira, e com a mão mais dura,
como se fosses sua criatura,
te arranca do teu molde com desprezo.

(Tradução: Augusto de Campos)


Fonte Romana
                               Borghese

.
Duas velhas bacias sobrepondo
suas bordas de mármore redondo.
Do alto a água fluindo, devagar,
sobre a água, mais em baixo, a esperar,

muda, ao murmúrio, em diálogo secreto,
como que só no côncavo da mão,
entremostrando um singular objeto:
o céu, atrás da verde escuridão;

ela mesma a escorrer na bela pia,
em círculos e círculos, constante-
mente, impassível e sem nostalgia,

descendo pelo musgo circundante
ao espelho da última bacia
que faz sorrir, fechando a travessia.

(Tradução: Augusto de Campos)


Dançarina Espanhola
.
Como um fósforo a arder antes que cresça
a flama, distendendo em raios brancos
suas línguas de luz, assim começa
e se alastra ao redor, ágil e ardente,
a dança em arco aos trêmulos arrancos.

E logo ela é só flama, inteiramente.
Com um olhar põe fogo nos cabelos
e com a arte sutil dos tornozelos
incendeia também os seus vestidos
de onde, serpentes doidas, a rompê-los,
saltam os braços nus com estalidos.

Então, como se fosse um feixe aceso,
colhe o fogo num gesto de desprezo,
atira-o bruscamente no tablado
e o contempla. Ei-lo ao rés do chão, irado,
a sustentar ainda a chama viva.
Mas ela, do alto, num leve sorriso
de saudação, erguendo a fronte altiva,
pisa-o com seu pequeno pé preciso.

(Tradução: Augusto de Campos)


O Cego
.
Ele caminha e interrompe a cidade,
que não existe em sua cela escura,
como uma escura rachadura
numa taça atravessa a claridade.

Sombras das coisas, como numa folha,
nele se riscam sem que ele as acolha:
só sensações de tato, como sondas,
captam o mundo em diminutas ondas:

serenidade; resistência -
como se à espera de escolher alguém, atento,
ele soergue, quase em reverência,
a mão, como num casamento.

(Tradução: Augusto de Campos)
Exercícios ao Piano
.
O calor cola. A tarde arde e arqueja.
Ela arfa, sem querer, nas leves vestes
e num étude enérgico despeja
a impaciência por algo que está prestes
a acontecer: hoje, amanhã, quem sabe
agora mesmo, oculto, do seu lado;
da janela, onde um mundo inteiro cabe,
ela percebe o parque arrebicado.
Desiste, enfim, o olhar distante; cruza
as mãos; desejaria um livro; sente
o aroma dos jasmins, mas o recusa
num gesto brusco. Acha que á faz doente.
(Tradução: Augusto de Campos)
O Solitário
.
Não: uma torre se erguerá do fundo
do coração e eu estarei à borda:
onde não há mais nada, ainda acorda
o indizível, a dor, de novo o mundo.
Ainda uma coisa, só, no imenso mar
das coisas, e uma luz depois do escuro,
um rosto extremo do desejo obscuro
exilado em um nunca-apaziguar,
ainda um rosto de pedra, que só sente
a gravidade interna, de tão denso:
as distâncias que o extinguem lentamente
tornam seu júbilo ainda mais intenso.
(Tradução: Augusto de Campos)
O Fruto
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Subia, algo subia, ali, do chão,
quieto, no caule calmo, algo subia,
até que se fez flama em floração
clara e calou sua harmonia.
Floresceu, sem cessar, todo um verão
na árvore obstinada, noite e dia,
e se soube futura doação
diante do espaço que o acolhia.
E quando, enfim, se arredondou, oval,
na plenitude de sua alegria,
dentro da mesma casca que o encobria
volveu ao centro original.
(Tradução: Augusto de Campos)

O mundo estava no rosto da amada -
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O mundo estava no rosto da amada -
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.
(Tradução: Augusto de Campos)
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terça-feira, 1 de março de 2011

Hora Grave - Rainer Maria Rilke

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edun-rainer-maria-rilke manuscrito
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HORA GRAVE
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Quem chora agora em algum lugar do mundo,
sem razão chora no mundo,
chora por mim.
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Quem ri agora em algum lugar da noite,
sem razão se ri na noite,
ri-se de mim.
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Quem anda agora em algum lugar do mundo,
sem razão anda no mundo,
vem para mim.
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Quem morre agora em algum lugar do mundo,
sem razão morre no mundo,
olha pra mim.

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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Rosa Branca - António Gedeão



Teu corpinho adolescente cheira a princípio do mundo.
Ainda está por soprar a brisa que há-de agitar a tua seara.
Ainda está por romper a seara que há-de rasgar o teu solo fecundo.
Ainda está por arrotear o solo que há-de sorver a água clara.
Ainda está por ascender a nuvem que há-de chover a tua chuva.
Ainda está por arder o sol que há-de evaporar a água da tua nuvem.

Mas tudo te espera desde o princípio do mundo:
a doce brisa, a verde seara, o solo fecundo.
Tudo te espera desde o princípio de tudo:
a água clara, a fofa nuvem, o sol agudo.

Tu sabes, tu sabes tudo.
Tu és como a doce brisa, a verde seara e o solo fecundo
que sabem tudo desde o princípio do mundo.
Tu és como a água clara, a fofa nuvem e o sol agudo
que desde o princípio do mundo sabem tudo.
O teu cabelo sabe que há-de crescer
e que há-de ser louro.
As tuas lágrimas sabem que hão-de correr
nas horas de choro
Os teus peitos sabem que hão-de estremecer
no dia do riso.
O teu rosto sabe que há-de enrubescer
quando for preciso.

Quando te sentires perdida
fecha os olhos e sorri.
Não tenhas medo da Vida
que a Vida vive por si.
Tu és como a doce brisa, a verde seara e o solo fecundo
que sabem tudo desde o princípio do mundo.
tu és como a água clara, a fofa nuvem e o sol agudo.
A tua inocência sabe tudo.
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http://www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/antonio_gedeao/rosa_branca.html
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domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Maravilha que Deve Ser Escrever um Livro - David Mourão-Ferreira


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(...) a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionado, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada.
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Como se pode interpretar de outro modo esse velho lugar-comum de ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro? Só se em todos os casos se tratar de grandes e inevitáveis actos de amor: com a Mulher, com a Terra, com a Língua. Mas de plantar árvores e ter filhos haverá sempre muita gente que se encarregue. De destruir árvores também; de estragar filhos igualmente. Em compensação, um livro, um livro que viva, multiplicado, durante alguns anos ou alguns séculos, e que depois vá morrendo, sem ninguém dar por isso, mas nunca de uma só vez, até ser enterrado na maior discrição ou até se ver de súbito renascido, inesperadamente ressuscitado, um livro com semelhante destino - luminoso por mais obscuro, obscuro por mais luminoso -, isto é que foi sempre o que me empolgou.
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David Mourão-Ferreira, in 'Um Amor Feliz'
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RECANTO DA POESIA EM VERSO E PROSA
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Luísa Noronha
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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Novelas de caballería

Poemas del Alma


Las novelas de caballería experimentaron una gran popularidad en España y Portugal durante el siglo XVI. Estos libros dieron forma a un género literario en prosa, que fue parodiado por Miguel de Cervantes en “Don Quijote de la Mancha”.
Las novelas de caballeria.
Las novelas de caballería surgieron a finales del siglo XV y comenzaron a perder su popularidad hacia 1550. Los historiadores afirman que el último libro español de caballería original fue publicado en 1602: “Policisne de Boecia”.
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Estos libros están protagonizados por caballeros andantes (héroes), que son grandes guerreros que suelen perseguir el amor de una dama. Este aspecto romántico está inspirado en el amor cortés, una concepción platónica y mística del amor.
Hay que tener en cuenta que, aunque las novelas de caballería puedan presentarse como crónicas verdaderas, no son más que obras de ficción. Son, por lo tanto, ficciones de primer grado, donde los hechos son más importantes que los personajes (que, por lo general, son arquetípicos y planos).
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Los libros de caballería, más allá de lo que afirmen, ofrecen una geografía fantástica (con viajes a nuevas tierras, pueblos con extraños ritos, selvas misteriosas o criaturas inexistentes) y se ubican en un tiempo remoto y mítico, sin referencias a circunstancias sociales contemporáneas. Hay novelas que, incluso, se presentan como traducidas de originales escritos en árabe, griego u otras lenguas, o como manuscritos hallados tras haber permanecido ocultos durante un largo tiempo.
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Otra característica importante de las novelas de caballería es su estructura abierta, con múltiples continuaciones y una constante presencia de la amplificación (cada generación debe superar las hazañas conseguidas por su antecesora).
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A lo largo de sus aventuras, los héroes deben superar distintas pruebas para merecer a su dama u obtener alguna honra. Por eso, las motivaciones principales de los caballeros son el amor y la fama.
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Por otra parte, la violencia aparece glorificada, ya que estos héroes son valorizados tras sus triunfos con las armas.

Publicado por Verónica Gudiña el 17 de Noviembre de 2008 a las 05:55 pm
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Resumen de Don Quijote de la Mancha

Poemas del Alma


Por estos días, los medios de comunicación del mundo se han hecho eco de una noticia que involucra a “Don Quijote de la Mancha”, la obra maestra de Miguel de Cervantes Saavedra que no sólo es uno de los relatos más destacados de las letras españolas, sino que también es una de las novelas más traducidas de la literatura universal.
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Según publica la revista Ñ, la psicoanalista francesa Francoise Davoin ha asegurado que este indiscutido clásico podría ayudar a combatir la depresión y frenar la melancolía porque enseña a librarse “de las experiencias traumáticas”
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Estas apreciaciones surgen del análisis que la especialista ha hecho en torno a la historia narrada en “Don Quijote de la Mancha”, cuyas conclusiones ha plasmado en el libro “Don Quijote para combatir la melancolía”. Desde su punto de vista, en este relato abundan las “escenas de psicoanálisis” ya que, por ejemplo, el hidalgo y Sancho Panza, su escudero y entrañable compañero, “intentan comprender juntos qué les está pasando”
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Por supuesto, la teoría de Davoin es mucho más compleja y está respaldada por una serie de explicaciones, pero la información proporcionada en este artículo resulta suficiente para hacer referencia, una vez más, a esta destacable novela que ha sido varias veces adaptada al cine y al teatro
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“Don Quijote de la Mancha” apareció, en un principio, dividida en dos partes. La primera se tituló “El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha” y fue publicada en 1605. La otra, se dio a conocer diez años más tarde bajo el nombre de “El ingenioso caballero Don Quijote de la Mancha”. Desde entonces, este libro que narra las aventuras de un hidalgo apasionado por las historias de caballería que, después de enloquecer, comienza a actuar como un caballero medieval y desarrolla un amor platónico hacia Dulcinea del Toboso, no ha dejado de reeditarse y traducirse.

Publicado por Julián Pérez Porto el 25 de Marzo de 2009 a las 05:20 pm
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Miguel de Cervantes inspira nuevas iniciativas en torno a su figura

Poemas del Alma




El Museo Iconográfico del Quijote (MIQ) y el Centro de Estudios Cervantinos jamás dejan de impulsar proyectos vinculados a la vida y obra del extraordinario Miguel de Cervantes Saavedra, el escritor que quedó en la historia de la literatura universal por haber elaborado a “Don Quijote de la Mancha”.
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Don Quijote de la ManchaLos aportes de ambas instituciones, para satisfacción de los más fervientes admiradores de la literatura española, son siempre valiosos y, al lanzar programas originales y atractivos, ofrecen la oportunidad de renovar el interés por la figura de Cervantes a escala internacional.
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En los próximos meses, el trabajo de las mencionadas entidades podrá ser apreciado en el marco del XXII Coloquio Internacional Cervantino, un evento que se desarrollará a mediados de noviembre e invitará a “retratar a Cervantes”.
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Según informó Onofre Sánchez Menchero, el director del Museo Iconográfico del Quijote (organismo cultural que, en poco tiempo más, pasará a formar parte de los Record Guiness por atesorar la más amplia y valiosa colección en torno al Quijote e iniciará las gestiones correspondientes para ampliar sus instalaciones), quienes brindarán una conferencia magistral en torno al desafío propuesto serán Jean Canavaggio, Javier Blasco, Lía Schwartz, Chris Sliwa y Antonio Rey Hazas, entre otros autores.
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Los mencionados escritores, indican desde Milenio.com, han sido los encargados de elaborar los textos reunidos en “Retratar al Ingenioso Miguel de Cervantes”, una biografía publicada por el fondo editorial del MIQ.
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Por otra parte, Sánchez Menchero reveló que durante el coloquio se develará la identidad de quien haya resultado ganador del Segundo Concurso Internacional de Composición Eulalio Ferrer, un certamen realizado en conjunto con el Festival Cervantino y la Sociedad de Autores y Compositores que podría llegar a recompensar al vencedor con alrededor de ocho mil dólares, aunque los detalles de la convocatoria y el monto preciso del premio recién serán difundidos en marzo.


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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O rato do campo e o rato da cidade

Gloria Oliveira
Em Contos de Sempre – Tomo III
Editora: Everest Editora

Este livro (Contos de Sempre) é uma recolha de contos tradicionais. Tem várias histórias e eu vou falar sobre uma delas. A história de que vou falar é uma fábula atribuída a Esopo e chama-se “O Rato do Campo e o Rato da Cidade”. Se gostas de animais, vais gostar desta fábula de certeza.
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Vou contar-te um bocadinho da história. Uma vez o Rato da Cidade foi visitar o seu primo, o Rato do Campo.
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E o Rato do Campo levou-o logo a dar uma volta e apresentou-lhe os seus amigos. Entretanto chegou a hora de jantar, mas, quando o Rato do Campo serviu a comida, o Rato da Cidade disse que não gostava daquelas “porcarias”.
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Passou-se um mês e o Rato da Cidade convidou o Rato do Campo a ir visitá-lo. E o Rato do Campo foi. A certa altura disse que tinha fome e o primo apresentou-lhe a mesa do almoço, mas, de repente, aparece um gato e o Rato apanhou um grande susto… Será que o gato comeu o Rato? Será que o Rato sobreviveu e aprendeu uma grande lição? E tu… queres saber a parte final da história? Lê o livro porque vale a pena. Talvez tu aprendas também uma grande lição…

Gilberto Alves, 6.º B (E.B. de Vila Praia de Âncora)
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SE O ENSINO FALASSE... Um espaço para todos debaterem o ensino português
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ficção O fantasma de Ulisses - Enrique Vila-Matas


Ípsilon


Ficção

O fantasma de Ulisses

  • Dublinesca
  • Enrique Vila-Matas
  • (trad. Jorge Fallorca) Teorema
Um livro que é uma festa de cultura literária e uma inteligente e talentosa reflexão sobre o anunciado fim da literatura

O catalão Enrique Vila-Matas (n. 1948) - a par de Javier Marías, este num registo muito diferente - tem sido a vanguarda da renovação da narrativa espanhola desde há anos. Sem nunca se desviar muito das suas principais preocupações estéticas e intelectuais, e dos temas que lhe são caros - a identidade, as coincidências, os ténues limites que separam a vida e a literatura, a viagem literária, os escritores, os úteis jogos do acaso, o aparecimento (e o desaparecimento) de personagens fantasmagóricas - tem vindo a construir uma obra singular e tão homogénea que por vezes um livro parece ser uma espécie de reescrita, ou talvez melhor, de continuação, do livro anterior; ou então, todos são apenas capítulos avulso de uma obra que parece querer cumprir um programa.
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No seu último livro, "Dublinesca" (o título remete-nos de imediato para o fantasma de James Joyce e a sua colecção de contos, "Dubliners"), Enrique Vila-Matas não se desvia da linha orientadora da sua obra. E mais uma vez, aventura-se pela metaficção - se esta for entendida não apenas como um texto que expõe os seus mecanismos de feitura, mas também aquele que reflecte sobre o "literário" e se constrói de citações, de referências a livros e a autores não ficcionados. "Dublinesca", que usa o espesso magma da tradição literária e da vida dos seus autores (não deve haver uma página em que um autor não seja referenciado - desde Yeats a Bolaño, passando por Céline, Magris, Claus, entre dezenas de outros), é uma reflexão sobre o possível fim da literatura, dos leitores interessados e interessantes, e também dos "verdadeiros escritores": a literatura é apresentada como uma "arte em perigo", condenada ao desaparecimento. E tudo isto porque "o bezerro de ouro do romance gótico [e de outros best-sellers] forjou a estúpida lenda do leitor passivo". Mas o que a princípio pode parecer uma reflexão apocalíptica vai-se tornando numa viagem esperançosa, pois para o protagonista o "apocalipse da literatura" apenas pode ser representado de maneira paródica, e não trágica. E esse pode ser o sinal de esperança, da necessidade de uma mudança cultural (aquilo a que uma das personagens chama "o salto inglês" - a mudança de uma cultura "parisiense" para uma cultura "nova-iorquina"), para refrescamento e "refazer o entusiasmo".
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Vila-Matas, não se afastando da forma tradicional do romance psicológico (e também de ideias), conta-nos a história de Samuel Riba, homem de sessenta anos, judeu por parte de mãe, que gosta de se ver a si próprio "como o último editor" culto e literário. Para evitar a falência, fechou há dois anos a editora em que ao longo da vida foi construindo um prestigiado catálogo. Numa recente viagem a Lyon, Riba (assim é conhecido no mundo literário) conseguiu fabricar uma teoria geral do romance, assente em cinco pontos, e inspirada no livro de Julien Gracq, "Le Rivage des Syrtes". Apesar de tudo, na sua vida continua a lamentar não ter "descoberto um autor desconhecido que tivesse acabado por se revelar um escritor genial"; e este génio é ao longo do livro uma espécie de presença fantasmagórica. Desde que fechou a editora, Riba foi-se isolando socialmente, passando agora horas e horas fechado diante do computador, perdendo o entusiasmo. Lê blogues, consulta o Google, e recebe correio electrónico. Um dos emails recebidos é de uma amiga francesa, Dominique, que anda a preparar uma instalação em que procura construir uma cultura apocalíptica da citação literária, "uma cultura de fim de trajecto", uma estética do fim do mundo. Esta é uma atmosfera que Riba conhece bem, pois sente-se mergulhado nela há já algum tempo. 
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“A literatura neo-realista está a despertar novamente o interesse dos mais jovens" - Maria Alzira Seixo

 

Maria Alzira Seixo extasiou o público do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca
“A literatura neo-realista está a despertar novamente o interesse dos mais jovens”
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A ensaísta, poetisa, professora catedrática e crítica literária, Maria Alzira Seixo, convidada do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, acredita que os jovens estão novamente a interessar-se pelas obras desta corrente litérária. No sábado extasiou o público do auditório que encheu a casa e não queria ver a sessão a terminar.


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Os jovens estão sentir-se novamente interessados por uma literatura neo-realista. Quem o diz é a ensaísta, poetisa, crítica literária e professora catedrática Maria Alzira Seixo que esteve no sábado, 19 de Fevereiro, no auditório do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, no âmbito do ciclo “Encontros e Desencontros com o Neo-Realismo”. 
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“Há um cansaço da literatura realista, queremos ideias e sociedade”, apontou a especialista acrescentando que se herdou do neo-realismo a consciência de uma literatura de intervenção. A ensaísta não percebe por que é que os escritores neo-realistas são considerados “insuportáveis” e não se encontram nas livrarias. “O que nos pode dizer o Neo-Realismo hoje em dia? É o retorno do assunto na obra literária, o retorno da temática que é algo importante”, referiu. 
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Maria Alzira Seixo, 69 anos, que por várias vezes recebeu salvas de palmas, arrebatou por completo os espectadores que vieram ao Museu do Neo-Realismo assistir à conversa. Passou em revista algumas obras de autores como Manuel da Fonseca, Alves Redol, Vergílio Ferreira e Carlos de Oliveira e até citou alguns poemas do escritor e pintor Mário Dionísio. “O neo-realismo não procura apenas fazer a sua estética ficcional de encenações e consciencialização social. Mas consegue ir mais longe, levando o leitor a agir em vez de assumir a passividade”, disse a oradora.
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Maria Alzira Seixo aproveitou ainda por demonstrar a sua fascinação pelo Museu do Neo-Realismo que tem o mérito de conseguir “trazer pessoas tão interessantes para ouvir uma conversa informal num dia de chuva”.
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A convidada, que nasceu no Barreiro a 29 de Abril de 1941, é professora catedrática desde 1979 e docente de Literatura Francesa e Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desde 1966. É autora e editora de diversas obras sobre Literatura Europeia, Teoria da Literatura e Literatura de Viagens.
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Foi recentemente galardoada pela Universidade de Évora com o Prémio Vergílio Ferreira 2011, que distingue o conjunto da obra de escritores portugueses relevantes no âmbito da narrativa e do ensaio. Maria Alzira Seixo foi aluna de Jacinto do Prado Coelho e de David Mourão-Ferreira, sendo a sua formação de base em Filologia Românica. É doutorada em Literatura Francesa e tem-se dedicado à literatura portuguesa moderna e contemporânea e publicado, ao longo da sua carreira, vários ensaios neste domínio, estudos diversos fruto do seu trabalho de investigação, bem como livros de poesia. 
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Colabora regularmente na revista Colóquio/Letras e no Jornal de Letras, Artes e Ideias, criou e dirige as revistas Ariane (que publica estudos franceses) e Dedalus (da Associação portuguesa de Literatura Comparada) e participou em várias antologias de literatura portuguesa, sendo de salientar a antologia comentada a “O Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares. Actualmente é a coordenadora da edição ne varietur das obras de António Lobo Antunes.
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http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=484&id=72427&idSeccao=7809&Action=noticia
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trevas - José Miguel Silva





Para o Manuel de Freitas
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E o pior é que chamamos liberdade
a um tapete que, rolante, já não ouve
a opinião dos nossos pés; que nos leva
para onde e anuímos, alheados,
aos mecânicos desígnios do terror.

Respiramos cadeados, consumimos injustiça,
damos duas várias voltas ao risonho torniquete
que nos serve de chapéu; trocamos a cabeça
por um prato de aspirinas. Os clássicos da vida
sem tristeza nem remorso (Cinderela,

Varadero, off-shore) iluminam o cenário
em que dormimos, inocentes como balas
e nem sei como não somos mais felizes.
As rémoras, os ogres, os deuses mais bonitos,
velam nossa carne como grifos educados.

O tratado das sementes, o saber do lenhador,
queremos lá saber de quem é pobre como nós.
Confiados ao acaso, disputamos amuletos,
reforçamos sob os pés a solidez do desacerto,
colocamos outra pedra no sapato.

Para o centro do inferno dirigimos
este filho, o filho deste carro,
cativados pelo direito conquistado
de entregar os nossos dias, como rezes,
ao cutelo de despachos infiéis.

Neste cerco, viver é uma questão
de prorrogar o desalento, de iludir
o infortúnio: cerramos uma porta suicida,
desatamos a gravata, ficamos satisfeitos
quando o gelo, na bebida, é de boa qualidade.

Se olhamos para o chão desaparece
o horizonte; se olhamos para o céu
ficamos sós. Não percebo como rimos
quando pedem que posemos para a foto
de família. Alguém nos enganamos.

Confundidos pelo surto de mentira,
leiloados pela última hipnose,
enxertados no pedúnculo da morte,
semi-envergonhados, de sorriso padecido,
dizei-me se este rosto de cartão amarrotado,

se esta alma como um campo pedregoso,
se estes pés adaptados ao espinho,
se isto que nós vemos é um homem.



José Manuel Silva
Ulisses já não mora aqui
&etc
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