2026 04 21 - Mural em Orgosolo - A Joyce Lussu (2022)
Este é um dos poemas mais impactantes de Joyce Lussu, escrito após sua visita aos campos de concentração. O poema é uma poderosa denúncia do Holocausto, focando na imagem dilacerante da inocência interrompida.
Scarpette Rosse
C’è un paio di scarpette rosse
numero ventiquattro
quasi nuove:
sulla suola interna si vede ancora la marca di fabbrica
«Schulze Monaco».
C’è un paio di scarpette rosse
in cima a un mucchio di scarpette infantili
a Buchenwald
erano di un bambino di tre anni
di un bambino di tre anni
dai piedi scalzi
che correva piangendo
e s’è fermato fuori della porta
perché la sua mamma lo prendesse in braccio
e poi è entrato nel fumo
ed è diventato fumo
che nel vento si è disperso
ora c’è un paio di scarpette rosse
numero ventiquattro
quasi nuove
perché i piedini dei bambini morti
non consumano le suole.
Contexto e Significado
A Origem: O poema foi inspirado em um par de sapatos reais que a autora viu no museu do campo de concentração de Buchenwald. O Contraste: A força do texto reside no contraste entre a precisão técnica (o número 24, a marca "Schulze Monaco") e o destino trágico e imaterial da criança que se torna fumo. O Encerramento: Os últimos versos são considerados alguns dos mais pungentes da literatura italiana do pós-guerra, explicando o porquê de os sapatos estarem "quase novos": a morte não dá tempo ao desgaste.
Traduzir Joyce Lussu exige manter a simplicidade quase documental que ela utiliza para descrever o horror. A força deste poema reside na ausência de adjetivos complexos; é a crueza dos fatos que emociona. Aqui está a tradução para português:
Sapatinhos Vermelhos
Joyce Lussu
Há um par de sapatinhos vermelhos
número vinte e quatro
quase novos:
na sola interna ainda se vê a marca de fábrica
«Schulze Munique».
Há um par de sapatinhos vermelhos
no topo de um monte de sapatinhos infantis
em Buchenwald
eram de um menino de três anos
de um menino de três anos
de pés descalços
que corria chorando
e parou diante da porta
para que a sua mãe o pegasse no colo
e depois entrou no fumo
e tornou-se fumo
que no vento se dispersou
agora há um par de sapatinhos vermelhos
número vinte e quatro
quase novos
porque os pezinhos das crianças mortas
não gastam as solas.
Notas sobre a tradução
"Scarpette": Optei por "sapatinhos" para manter o diminutivo carinhoso e infantil do italiano, que reforça o contraste com a brutalidade do destino da criança.
"Entrato nel fumo": A tradução mantém a imagem literal da câmara de gás e dos crematórios, onde o corpo físico se desfaz, restando apenas o objeto material (o sapato) como prova da existência.
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