quarta-feira, 15 de abril de 2026

Bertold Brecht - Sobre a Violência (Über die Gewalt).

 


2022 02 05 Foto victor nogueira - Grafito de Frank - ACAF na Estrada da Graça, em Setúbal, com versos de Bertolt Brecht 'Do rio que tudo arrasta se diz que é violento' (2021 05 26 Canon 192_05)

Na Estrada da Graça, em Setúbal, nas cercanias das instalações portuárias, existem uma série de edifícios, hoje abandonados, mas onde outrora funcionavam "boites" destinadas principalmente á marinhagem. Num deles, grafitado, encontra-se um verso dum dos poemas de Brecht.

«Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem»

esse texto faz parte de um poema curto de Bertolt Brecht intitulado "Sobre a Violência" (originalmente em alemão, Über die Gewalt).

Brecht, um dos dramaturgos e poetas mais influentes do século XX, utilizava frequentemente metáforas da natureza para criticar as estruturas sociais e políticas.

O Poema Completo

Embora existam variações na tradução, a versão mais comum em português é:

Sobre a Violência

Do rio que tudo arrasta diz-se que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.

A tempestade que fustiga as bétulas é tida como violenta. E a tempestade que faz dobrar os dorsos dos operários na rua?


O Significado

A intenção de Brecht com estes versos é provocar uma reflexão sobre a causa e o efeito:

  1. A Reação vs. O Sistema: O "rio" representa a revolta ou a reação de quem é oprimido. Essa reação é frequentemente rotulada como "violenta" pela sociedade.

  2. A Violência Invisível: As "margens" representam o sistema, as leis, a economia ou a repressão que limita a liberdade do indivíduo. Essa força constante e compressora muitas vezes não é chamada de violência, mas é ela que causa o transbordo do rio.

É uma crítica poderosa à forma como o status quo define o que é ou não aceitável, ignorando a violência estrutural que gera o conflito. (Google Gemini(

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