sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Carlos Coutinho - NAQUELE glorioso dia ...

 

* Carlos Coutinho

NAQUELE glorioso dia em que, há 1823 anos, o camponês rebelde de meia idade chamado Liu Bang foi entronizado como Imperador da China, teve início a dinastia Han.

Neste mesmo dia, faz também 500 anos que o conquistador espanhol Hernán Cortés executou o último rei asteca, Cuauhtémoc, provocando uma peste planetária que ainda mata que se farta no México e no resto do mundo, agora por conta dos norte-americanos, os conhecidos vizinhos de todas as pestes desde que existem e, claro, os grandes herdeiros da Europa das pestes, agora muito ocupados na Ucrânia.

O sismo que há uma semana ocorreu ao largo da famosa primeira praia do nudismo, em Portugal, o Meco, não causou mortos por cá, mas dá para lembrar o de 1969 que, também num aziago dia 28 de fevereiro, pouco antes das 4 horas da madrugada, abanou brutalmente quase todo o nosso Portugal ibérico, grande parte da Espanha e o Norte de Marrocos, sendo considerado o mais mortífero do século XX. O seu epicentro situou-se no Atlântico, a sudoeste do Cabo de S. Vicente e teve a magnitude de 8 na escala Richter. 

Este evento é interpretado como resultante da compressão entre placas (a africana e a euroasiática) que ocorre na região oceânica a sudoeste da Península Ibérica. Provocou alarme e pânico entre as populações, cortes nas telecomunicações e no fornecimento de energia elétrica. Em Espanha houve 7 mortes indiretas, por enfarte, e em Marrocos 11 mortos também diretos. Registaram-se, no entanto, 13 vítimas mortais em Portugal Continental, 2 como consequência direta do sismo, e 11 indiretas. 

Podia ter sido muito pior, porque o IPMA esteve 29 minutos sem funcionar e, escondendo este pormenor de somenos, quando veio falar, falou de uma magnitude em 4,7 graus na escala de Richer. Toda a gente acreditou, mas não demorou muito a tomar conhecimento de que havia outras avaliações relativas a Montalegre, Costa da Caparica, Sesimbra e Mértola e até chegava da Europa uma que falava de 8,2 graus em alguns pontos do Algarve.

Felizmente, não tivemos mortos e até nos livrámos do pânico que às vezes também mata. Pior do que isto foi, todavia, o sismo que, fustigou os dois lados do Mediterrâneo em 1997. Lembro-me que deixou um saldo de cerca de 1 100 pessoas mortas, 2 600 feridas, 36 000 sem casa onde morar. 

Com uma magnitude de 6,1 na escala de Richter e uma intensidade máxima de VIII na de Mercalli, o terremoto teve o seu epicentro perto da cidade de Ardabil, no desgraçado Norte iraniano que ainda hoje não dorme em paz, com abanões telúricos frequentes e aiatolas que não poupam ninguém.

Foi assim que o meu Tiroliro e a minha Tolentina, naquela tremenda tremente segunda-feira desataram a correr pela casa toda, em pânico, sem o mais leve miado, escondendo-se debaixo da minha cama, por já não terem confiança em ninguém, quando às 13h24 o chão tremeu durante mais de um minuto e, neste caso, o motivo não foi o medo. 

Foram as ondas de um sismo de mais de 5 graus na escala de Richter que ocorreu ao largo da primeira praia portuguesa de nudismo, a do Meco, que hoje é menos frequentada por causa da concorrência dos descascados que não para de aumentar, de norte a sul.

Nas televisões só havia o funeral interminável do Pinto da Costa, mas, pelo menos em Almada e no Seixal, tanto quanto me disseram há minutos, houve quem tivesse entrado em pânico e o caso não é para menos, porque a Caparica sempre foi atreita a maus augúrios.

No Algarve, desde a Vila do Bispo a Vila Real de Santo António, ainda foi pior, porque os móveis e os candeeiros de pé alto balouçaram como pêndulos invertidos e, nas esplanadas e nos bares, os copos de cerveja entornaram-se quase todos. 

Imagine-se agora que voltávamos 1755 ou, ainda mais atrás, a 26 de janeiro de 1531, quando um terramoto na região de Lisboa matou mais de 30 mil pessoas derrubou um terço das edificações desta cidade, onde tirou mais de mil vidas só no choque inicial. A catástrofe apenas terminou cinco dias depois. 

Dos mais antigos, igualmente catastróficos, não consegui encontrar números para os de 1033, 1321, 1337, 1344, 1347, 1356, 1512 e 1528, mas todos ficaram memórias e lendas que é melhor não contar. 

Adeus fevereiro. Assim, não vamos sair-nos bem 

2025 02 28

https://www.facebook.com/carlos.coutinho.7186896

Sem comentários: