Não existe uma única fábula clássica intitulada universalmente "A Raposa no Galinheiro", mas sim várias variações de Esopo e La Fontaine em que a raposa tenta enganar as aves de capoeira através da falsidade (como no conto A Raposa e o Galo).
1. Fábula de Esopo / La Fontaine: "O Galo e a Raposa"
Uma raposa velhaca aproximou-se de um galinheiro e, vendo um galo empoleirado num ramo alto, disse-lhe com voz melíflua:
— Meu querido amigo, venho trazer-te a maior das notícias! Foi assinada uma paz universal entre todos os animais. Já não há caçadores nem presas, cães e lobos abraçam-se, e nós, as raposas, jurámos nunca mais tocar numa ave. Desce daí para celebrarmos este dia glorioso com um abraço irmão!
O galo, que conhecia bem a manha do bicho, esticou o pescoço e olhou para o horizonte, fingindo ver algo ao longe.
— Que olhas tu com tanta atenção?, perguntou a raposa, intrigada.
— Oh, nada... Apenas vejo uma matilha de cães de caça a correr a toda a velocidade para este lado. Devem vir trazer a mesma notícia da paz!
Ao ouvir falar em cães, a raposa deu um salto e pôs-se em fuga a toda a pressa.
— Espera!, gritou o galo. Não dizes que agora há paz entre todos?
— Sim!, respondeu a raposa sem parar de correr. Mas temo que esses cães ainda não tenham lido o decreto!
Moral: É uma dupla vitória enganar quem nos tenta enganar.
2. Excerto de "O Romance da Raposa" (Aquilino Ribeiro)
Neste excerto do Capítulo II, a raposa Salpico (Salgada) usa da sua astúcia habitual para enganar ovelhas e pastores, demonstrando a vivacidade do texto de Aquilino:
«A raposa é o bicho mais manhoso que Deus deitou ao mundo. Não há trampa que não invente, nem velhacaria que lhe não lembre para se encher à custa alheia.
Pois a Salgada, vendo-se com a barriga a dar ao dente e sem tutano nas canelas, pós-se a filosofar à porta da toca:
— Se eu for pela força, apanho na cabeça; se for pela astúcia, almoço frango assado e ainda me rio do cozinheiro. O mundo é dos espertos, e os parvos estão cá para nos dar de comer.
E lá foi ela, pé ante pé, encolhendo as orelhas, com olhos de virgem tonta e modos de quem não parte um prato, direitinha ao plano onde sabia que o perigo e o farto repasto andavam de braço dado.»
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