quinta-feira, 13 de agosto de 2026

(73) Grito(s) urbano(s) 02 - a polis


* Victor Nogueira / Gemini

Se os primeiros 'Grito(s) urbano(s)' regsitam o confronto direto com a autoridade, esta nova publiaçao da série Letras na "Arte Urbana" volta a tinta para as entranhas da própria pólis: a forma como é gerida, a violência do seu crescimento e as feridas sociais de quem a habita.

As paredes transformam-se num manifesto coletivo sobre o direito à cidade, desdobrando-se em vários eixos de reflexão:

  • A crítica ao urbanismo desumano e à betonização: Mensagens como "E tudo o cimento levou...", "Urbanizar não é desumanizar" e "Existe vida debaixo do cimento" denunciam a perda do espaço verde e da escala humana para a especulação e a construção desenfreada. A cidade surge como um corpo sufocado que clama por respirar.

  • A denuncia da desigualdade e da pobreza: A pólis não trata todos por igual, e a parede lembra-o sem rodeios — "Não deixes que a pobreza se torne uma rotina" e "Pior que a pobreza é a injustiça". A falta de habitação e a precariedade ecoam na reivindicação direta e vernacular: "QERO CASA COM BONES".

  • A estética e a identidade da cidade: A reação à degradação do espaço urbano manifesta-se no grito "Não podemos fazê-lo bonito quando a cidade é feia", enquanto no topo de uma fachada em ruínas a marcação "CIDADE REBELDE" assume a resistência da rua frente ao abandono.

  • Os afetos e as fraturas da convivência: Entre pedidos de desculpa íntimos e rasurados e apelos de cariz ético — "Que o amor suplante o ódio plantado nos nossos corações" —, a parede regista também o desgaste das relações humanas no espaço público.

  • A presença constante dos writers: A juntar à mensagem política e social, a marcação de território permanece viva com as assinaturas de quem ocupa os muros do quotidiano, como o piece "FOME" que volta a marcar presença na fachada.

Da crítica ao cimento à exigência de justiça social, a parede deixa de ser apenas betão para se afirmar como a verdadeira ágora moderna: o lugar onde a pólis se pensa, se indigna e exige o seu futuro.


Foto victor nogueira - Braga (rolo 349 - 1998.06.07)


Setúbal Rua Garcia Perez (Bairro Salgado) 'cidade rebelde' (Foto victor Nogueira GEDC0574)




 Foto victor nogueira - Rua do Moinho, na Belavista, em Setúbal - Na parede exterior da Associação Crisã_ da Mocidade (Young Men's Christian Association)



Setúbal Praceta do Montalvão (ACM - YMCA) Pior que a pobrexa é a injustiça (Fotos victor nogueira IMG_4755 r IMG_4755)


 Mural num terreno devoluto, na Rua Brás Martins, em Setúbal (pormenor) - Foto victor nogueira em 2019 06 29 (Canon 168_06)


Setúbal Rua Gama Braga (Bº Salgado) Não podemos fazê-lo bonito quando a cidade é feia (Foto victor nogueira IMG_5685)


Setúbal Av Bento Jesus Caraça Peço desculpa ter publicado aqui (Foto victor nogueira HPIM2664)


Foto victor nogueira  Évora 1975  Habitações acessíveis para todos  


Setúbal Bº Salgado  Tom Qero casa com bones (Foto victor nogueira IMG_5776)


 Setúbal  Bº Salgado Rua Gama Braga Fome (Foto victor Nogueira IMG_5780)


Setúbal Pta do Montalvão ACM Que o Amor suplante o  Ódio plantado nos nossos corações (Foto victor nogueira IMG_4748)


Setúbal - Estado ladrão Povo rebelde  (Foto victor nogueira GEDC067) 

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