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domingo, 30 de agosto de 2026

(97) Fernando Pessoa - Livro de Desassossego (Prefácio)



 Café do Desassossego, em Setúbal (Foto Victor Nogueira - 2020 04 19 Canon 179_04 IMG_1061)


A frase «Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto...» é o célebre início do Prefácio do Livro do Desassossego , com referência ao heterônimo Bernardo Soares.
  • Inspiração literária: O escritor descreve sobre lojas de tabernas tradicionais em Lisboa onde se encontravam sossego, refeições económicas e tipos curiosos que inspiraram a criação da sua obra.
  • Localização real: Não se refere a um único restaurante comercial com esse nome exato, mas sim a um cenário típico da Lisboa antiga que o autor frequentava.
 * Fernando Pessoa (Bernardo Soares)

L. do D. (Prefácio)

Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem--se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida.

O desejo de sossego e a conveniência de preços levaram-me, em um período da minha vida, a ser frequente em uma sobreloja dessas. Sucedia que, quando calhava jantar pelas sete horas, quase sempre encontrava um indivíduo cujo aspecto, não me interessando a princípio, pouco a pouco passou a interessar-me.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

(91) John Lennon - 'Give Peace a chance'

 

 Setúbal, Avenida Manuel M Portela Acampamento pela Paz  'Dêem uma oportunidade à Paz' (Foto victor nogueira 2024 04 10 IMG_4375).

* Victor Nogueira / Gemini


A frase escrita na parede remete.nos para a um hino pacifista lançado em 1969 pela Plastic Ono Band, concebido por John Lennon e Yoko Ono durante o famoso protesto Bed-In for Peace em Montreal. A letra enumera de forma acelerada diversos temas sociais, políticos, religiosos e culturais da época para defender que, acima de todas as discussões e ideologias, a prioridade deve ser dar uma chance à paz.

A mensagem central traduz-se no seu célebre refrão:

"All we are saying is give peace a chance"

(Tudo o que dizemos é dêem uma oportunidade à paz)


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

(82) Abílio Paciência e o 'caminho dos pescadores'

* Victor Nogueira / Gemini

Partindo da Rua da Batalha do Viso encosta acima se encontra esta escadaria, em zona que após o 25 de Abril foi possível tornar habitacionalmente mais digna com o Projecto SAAL e a participação dos moradores das casas então abarracadas. Ingénuas quadras de Abílio Paciência ao longo do percurso são a memória desses tempos, substituindo grafitos anteriores.

Penosamente uma mulher idosa sobe a escadaria com um cão pela trela; saudamo-nos, cedo-lhe o lado do corrimão e ela agradece, enquanto lanudo canito saltita em meu redor deliciado com as festas que lhe faço. Mais adiante, no relvado, hierático, um indiferente e plácido gato aquece-se com os raios de sol duma tarde de céu azul mas algo neblinada. Áspero e acidentado era o caminho então feito a pé, entre a beira-mar e o Viso, encosta acima ou abaixo, incluindo a íngreme Rua do Clube Recreativo da Palhavã. onde as belas  vistas e horizontes estavam ao alcance da vista das populações vivendo na penúria, em estreitas vielas, atascadas na  lama.

«Um caminho que liga o rio e o bairro, que por ele passaram os pescadores que partiam e regressavam, com os bolsos quase vazios... Mas com o coração cheio de mar.

As mulheres, sozinhas, com os filhos pequenos, à espera do regresso de quem parte.

Um caminho que levava e trazia trabalhadoras da indústria conserveira.

Mulheres de corpos cansados de trabalho e de luta por uma vida mais digna.

É uma história antiga, mas que também é nossa e de todos os que a sentirem como sua, feita de coragem, dor e resistência.

Uma história que atravessa o tempo, entre marés de sacrifício e esperança, na eterna...

Luta pela Liberdade."

Todo o espectáculo teve como inspiração o poema a "A Arte da Palavra" escrito pelo Sr. Abílio Paciência, um antigo morador do Bairro dos pescadores, bem como histórias contadas por alguns moradores do bairro.» (in https://www.uf-setubal.pt/atividades/espaco-publico/348-novo-caminho-facilita-acesso-pedonal-no-bairro-dos-pescadores)




 O caminho que percorri

Até chegar ao sítio onde vivi

 

domingo, 16 de agosto de 2026

(79) - A raposa através das efabulações



Caixa EDP , em Setúbal - As galinhas não comem raposas (Foto  victor nogueira IMG_2770)
,

* Victor Nogueira  / Gemini

A frase "Galinhas não comem raposas" joga de forma irónica com a ordem natural e moral das fábulas clássicas (Esopo e Jean de La Fontaine). Nas fábulas de La Fontaine, — como A Raposa e as Uvas ou nas histórias do galinheiro —,a raposa representa a astúcia, o predador e o engenho, enquanto a galinha é a presa ingénua. Dizer que "as galinhas não comem raposas" reitera uma verdade incontornável do mundo natural e social: as posições de poder e de vulnerabilidade não se invertem facilmente.A frase na caixa da EDP lembra, com humor sarcástico, que por mais que as presas tentem ou se iludam, a hierarquia da natureza não se inverte. 

Noutra perspectiva, a raposa é também o personagem central em "O Romance da Raposa", de Aquilino Ribeiro: Salpico (ou Salgada) é um exemplo perfeito para esta ilustração. O olhar meio sorrateiro e calmo da raposa desenhada reflete a astúcia e a amoralidade simpática da criatura de Aquilino: uma raposa que conhece as regras do jogo urbano e rural, sabendo exatamente quem manda e quem é comido.

(78) Hip hop hits the bone!

 

rolo 240 Lisboa - Gratito nas  cercanias do Panteão Nacional de Santa Engrácia  (Foto victor nogueira Rolo 240)

* Victor Nogueira / Gemini

Nas imediações do Panteão Nacional, em Lisboa, a parede ganha voz através do traço de SAIKO (ou SAIKOP). Entre o impacto visual do piece a amarelo e laranja e o traço do boneco de boné, o mural sintetiza a verdadeira essência da cultura de rua em duas declarações centrais.

Por um lado, a afirmação visceral e musical: «Hip hop hits the bone!» — a cultura urbana como algo que não é apenas ouvido, mas sentido até à medula, evocando a energia pura dos sound systems e a prestação de respeitos («Props 2: Morbid Biscuit, Sound System, We»).

Por outro, a dimensão poética e existencial gravada à esquerda: «SAIKO preserving the fresh miracle of survival!». Aqui, a intervenção gráfica transcende o mero graffiti e torna-se um manifesto. Num ambiente urbano tantas vezes adverso, a própria arte da rua é reivindicada como um ato de resistência quotidiana — a celebração de que estar vivo, criar e marcar o espaço público continua a ser um "fresco milagre".

Entre o ritmo do hip-hop e a poesia da sobrevivência na selva de pedra, a frase de parede lembra-nos o tema «Survival of the Fittest» dos Mobb Deep ou os versos de Allen Ginsberg: a cidade também se lê pelas marcas de quem nela resiste.

O contraste entre a afirmação visceral do hip-hop e o manifesto poético do "milagre da sobrevivência" encontra paralelo direto em vários temas musicais e poéticos:

Na Música

  • «Represent» — Nas (Illmatic, 1994): Um dos maiores clássicos do hip-hop nova-iorquino. A letra gira em torno da sobrevivência nas ruas, do orgulho marginal e do ato de dar props (reconhecimento) à comunidade e aos amigos que lutam diariamente na cidade.

  • «Não Consegues Ver» — Sam The Kid: No hip-hop português, Sam The Kid aborda frequentemente a arte do grafito e da escrita como uma forma visceral de resistência urbana, onde a cultura da rua é algo que se sente na pele e nos ossos.

  • «Survival of the Fittest» — Mobb Deep: Ilustra na perfeição a frase "preserving the fresh miracle of survival", ao tratar a vida na selva de pedra como uma luta constante onde a própria sobrevivência diária é a maior vitória.

Na Poesia

  • «A Cidade» — Ary dos Santos: Ary canta a cidade concreta, dura e viva, onde a poesia e a arte de rua nascem do asfalto para dar voz aos que nela habitam e sobrevivem.

(77) FREAK e o hip-hop


Grafito em Setúbal, na Rua Diogo Cão (Foto victor nogueira - 2012 05 20 HP 512 HPIM3534)

* `Victor Nogueira / Gemini

No grafito da imagem está escrito "FREAK" em letras grandes estilizadas (com preenchimento branco, contorno preto e detalhes a vermelho), acompanhado por uma figura caricata ao centro e várias inscrições secundárias em redor.

Há autores onde a palavra ou a figura do freak — no seu sentido de marginalidade, estranheza e isolamento — surgem de forma central: Charles Bukowsk e Sylvia Plath,

sábado, 15 de agosto de 2026

(76) A dialética nos muros da Polis: SØNHA a Liberdade

 


SØNHA - Setúbal (adro da Igreja de N. Sra da Anunciada)  Foto victor nogueira GEDC0573

* Victor Nogueira / Gemini

O ponto de partida para estas Letras na 'arte urbana' foi a palavra SØNHA, inicialmente lida como SONHA. Que textos considetar? Naturalmente a Pedra filosofal, poema de António Gedeão, musicado e celebrizado por Manuel Freire. Mas o leque foi-se alargando com as contribuições do Gemini. numa longa sessão da qual este elaborou uma síntese final considerando as minhas directivas, que serviu de base para a elaboação desta publicação. A 'conversa não incluiu os 'Sonhos', versão portuguesa de 'Dreamin'' de Johnny Burnette. Trata-se dum 'letra' mais levezinha, mas que resolvi acrescentar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

(73) Grito(s) urbano(s) 02 - a polis


* Victor Nogueira / Gemini

Se os primeiros 'Grito(s) urbano(s)' regsitam o confronto direto com a autoridade, esta nova publiaçao da série Letras na "Arte Urbana" volta a tinta para as entranhas da própria pólis: a forma como é gerida, a violência do seu crescimento e as feridas sociais de quem a habita.

As paredes transformam-se num manifesto coletivo sobre o direito à cidade, desdobrando-se em vários eixos de reflexão:

  • A crítica ao urbanismo desumano e à betonização: Mensagens como "E tudo o cimento levou...", "Urbanizar não é desumanizar" e "Existe vida debaixo do cimento" denunciam a perda do espaço verde e da escala humana para a especulação e a construção desenfreada. A cidade surge como um corpo sufocado que clama por respirar.

  • A denuncia da desigualdade e da pobreza: A pólis não trata todos por igual, e a parede lembra-o sem rodeios — "Não deixes que a pobreza se torne uma rotina" e "Pior que a pobreza é a injustiça". A falta de habitação e a precariedade ecoam na reivindicação direta e vernacular: "QERO CASA COM BONES".

  • A estética e a identidade da cidade: A reação à degradação do espaço urbano manifesta-se no grito "Não podemos fazê-lo bonito quando a cidade é feia", enquanto no topo de uma fachada em ruínas a marcação "CIDADE REBELDE" assume a resistência da rua frente ao abandono.

  • Os afetos e as fraturas da convivência: Entre pedidos de desculpa íntimos e rasurados e apelos de cariz ético — "Que o amor suplante o ódio plantado nos nossos corações" —, a parede regista também o desgaste das relações humanas no espaço público.

  • A presença constante dos writers: A juntar à mensagem política e social, a marcação de território permanece viva com as assinaturas de quem ocupa os muros do quotidiano, como o piece "FOME" que volta a marcar presença na fachada.

Da crítica ao cimento à exigência de justiça social, a parede deixa de ser apenas betão para se afirmar como a verdadeira ágora moderna: o lugar onde a pólis se pensa, se indigna e exige o seu futuro.


Foto victor nogueira - Braga (rolo 349 - 1998.06.07)


Setúbal Rua Garcia Perez (Bairro Salgado) 'cidade rebelde' (Foto victor Nogueira GEDC0574)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

(72) Grito(s) urbano(s) 01 - a bófia

* Victor Nogueiira /  Gemini

Letras na Arte Urbana: Quando as Paredes Falam (e Protestam)

A rua é a galeria mais democrática do mundo, mas é também o seu espaço de debate mais cru. Na transição do traço figurativo para a palavra escrita, a street art deixa de ser puramente estética para se tornar intervenção, manifestação e ruído. No ecossistema gráfico das nossas cidades, poucos alvos atraem tanta tinta — e tanto consenso na rejeição — como a autoridade policial.

Nesta edição da série Letras na "Arte Urbana", reunimos quatro registos de rua que abordam o mesmo tema sob perspetivas, linguagens e graus de elaboração visual completamente distintos:


sábado, 8 de agosto de 2026

(58) Friedrich Nietzsche - 'No Love, No Law'


Setúbal Praceta do Montalvão grafito 'No Love No Law' (Foto victor nogueira (IMG_4780)


* Gemini 

Friedrich Nietzsche encaixa com enorme precisão no espírito desse grafito, capturando a rejeição da moral tradicional, o niilismo e a rutura com as leis impostas:

Aqui estão as passagens mais alargadas no seu contexto original, retiradas diretamente das obras de Friedrich Nietzsche:

1. Para Além do Bem e do Mal (1886)

Seção IV: Epigramas e Intermédios — Aforismo 153

«Das que se fazem por amor acontecem sempre para além do bem e do mal. O amor verdadeiro transcende as valorações morais comuns da sociedade, pois não obedece a mandamentos externos nem à coação da lei; a sua própria natureza constitui a sua única e suprema legislação.»

(Nota: O aforismo 153 na sua formulação mais célebre e direta lê-se: «O que se faz por amor acontece sempre para além do bem e do mal.»)

2. Assim Falava Zaratustra (1883–1885)

Terceira Parte — «Das Velhas e Novas Tábuas», Capítulo 2

«Aqui estou eu e espero; rodeado de velhas tábuas quebradas e também de novas tábuas meio escritas. Quando virá a minha hora? — a hora do meu declínio e do meu declive: pois quero ir mais uma vez para junto dos homens...

Pois os homens assim o querem: e quem quer que deva ser um criador no bem e no mal tem de ser, em verdade, um destruidor primeiro e quebrar valores. Assim, o maior mal pertence à maior bondade: mas esta é a criadora.

Rompamos, rompamos as velhas tábuas, meus irmãos!»

3. A Gaia Ciência (1882)

Livro Terceiro — Aforismo 116: Herdado de novo

«Onde quer que encontremos uma moral, encontramos uma avaliação e uma hierarquia dos impulsos e das ações humanas. Estas avaliações e hierarquias são sempre a expressão das necessidades de uma comunidade e de um rebanho: aquilo que lhe é útil em primeiro lugar — e em segundo e terceiro — é também o padrão supremo para o valor de todos os indivíduos. Com a moral, o indivíduo é ensinado a ser função do rebanho e a atribuir valor a si próprio apenas enquanto função. Como as condições de preservação de uma comunidade foram muito diferentes das de outra, existiram morais muito diferentes; e considerando as transformações essenciais que os rebanhos e as comunidades, as nações e os Estados ainda têm de sofrer, pode profetizar-se que haverá ainda morais muito divergentes. A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo.»

Na perspetiva nietzschiana, "No Love, No Law" lê-se como a recusa de uma ordem moral externa que não nasça do próprio indivíduo ou da paixão vital.  (Gemini)

(57) DO ART... NOT WAR!


Foto victor nogueira - 'DO ART ... NOT WAR' é o slogan neste grafito na Rua Luís Sá, editada pelo  Gemini 


Foto victor nogueira - 'DO ART ... NOT WAR' é o slogan neste grafito na Rua Luís Sá, uma rua desolada onde abundam corroídos pelo tempo. Presumo que o homenageado por esta artéria seja o dirigente do PCP falecido em 1999.

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DO ART... NOT WAR!

A expressão "DO ART... NOT WAR" (ou na sua forma mais comum "MAKE ART, NOT WAR") pode ser ligada a várias referências culturais, literárias e musicais.

As principais ligações incluem:

1. Origem Literária e Slogan Pacifista (Counterculture)

  • "Make love, not war": O slogan "Do Art, Not War" é uma variação direta da famosa palavra de ordem dos anos 60, popularizada durante os protestos contra a Guerra do Vietname.

  • Herbert Marcuse e a Literatura da Contracultura: Embora a autoria do slogan original seja atribuída a figuras como Gershon Legman e Diane DiPrima, autores e filósofos da época (como Marcuse na obra Eros e Civilização) defenderam a transformação da pulsão destrutiva (Thanatos) em criação e arte.

2. Ligações Musicais

A antítese entre Arte/Música e Guerra é um dos temas mais recorrentes da música de protesto:

  • John Lennon & Yoko Ono – "Give Peace a Chance" e "Imagine": A filosofia do "Bed-In" e o manifesto pacifista de Lennon pregavam que a expressão artística e o ativismo cultural eram as principais armas contra a violência militar.

  • Movimentos Punk e Hip-Hop: A frase "Make Art, Not War" e as suas variações tornaram-se lemas em centenas de canções, mixtapes e manifestos musicais do movimento DIY (Do It Yourself), onde o ato de criar arte e música é visto como uma forma direta de resistência à destruição.

3. Arte Urbana e Visual (Shepard Fairey)

  • A expressão foi imortalizada no mundo da street art pelo artista Shepard Fairey (OBEY) na sua célebre obra gráfica e mural intitulada "Make Art Not War", criada como um cartaz de protesto contra a Guerra do Iraque e posteriormente reproduzida em murais por todo o mundo.  (Gemini)

 

(56) Kraftwerk – "The Robots" / "Die Roboter" (1978)

 

 Foto victor nogueira - Grafito na Estrada da Graça em Setúbal, com a inscrição 'We are the robots' (Foto em 2021 05 26 IMG_4126 Canon 192_05)  ditada pelo  Gemini 

* Gemini

Na imagem está escrito "We are the robots" (com a palavra the escrita na vertical à esquerda e robots escrita na vertical à direita, em torno do desenho do robô).

Esta frase está diretamente ligada a referências culturais marcantes na música e na ficção científica:

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

(52) Private Number — "Haters Make Me Famous"


Foto victor nogueira Haters make u famous ... IMG_5037

A frase "Haters Make U Famous" (ou na forma completa "My haters make me famous") não pertence a uma obra clássica da literatura, mas é uma das divisas mais emblemáticas da cultura pop contemporânea, da cultura Hip-Hop e da arte urbana (graffiti).

1. Contexto na Música e no Hip-Hop

  • Evolução do conceito de "Hater": A palavra hater (usada para definir a pessoa que critica outrem por inveja ou ressentimento) surgiu nas letras de Hip-Hop no início dos anos 90 (com grupos como Cypress Hill, 2Pac e Notorious B.I.G.).

  • Aforismo da Pop Culture: A variação "Haters make me famous" ("Os meus detratores tornam-me famoso") tornou-se um mantra na cultura rap, pop e no mundo dos influenciadores digitais. A ideia subjacente é que, quanto mais os críticos falam mal de alguém, mais atenção e visibilidade (famossidade) lhe dão.

  • Músicas e Álbuns: Vários artistas de rap, pop-punk e hip-hop usaram o termo diretamente em títulos de canções ou álbuns. A banda pop-punk Private Number, por exemplo, lançou a faixa "Haters Make Me Famous", e o rapper Whyte-Out gravou "Haters Make Us Famous".

(50) - Victor Nogueira - É Tróia estreito braço de terra

* Victor Nogueira


 Foto victor nogueira - Grafito em Setúbal, no Largo de Jesus - 'Roubar plantas à vizinhança é como roubar Tróia a uma criança (2012 01 09 HPIM2556) 

É Tróia estreito braço de terra
entre o rio e o mar oceano
de erva rasteira, sem abrigo, plano,
lingua de areia aos pés da serra.

Sua história velha encerra
ruínas, cetárias, templo romano,
Cetóbriga, garum, cesariano,
coberta pelo areal, com terra.

Tal era do povo, mas foi roubado,
com casino, hoteis, apartamentos,
o espaço, a praia, privatizado.

Feriando mal grandes são os lamentos,
com arrozais, palafitas, no sado.
a Comporta fechada, em tormentos.

2014.07.21 setúbal


 Mural do PSR s/ data - Tróia é de todos/as! / Não ao turismo de luxo 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

(46) Jim Morrison - Wild Chjld

 * Victor Nogueira


Foto victor nogueira - Wild child - Grafito de Egos no Bairro do Troino em Setúbal (HPIM3262)

A canção "Wild Child", lançada em 1969 no quarto álbum dos The Doors (The Soft Parade) e escrita maioritariamente por Jim Morrison, é uma faixa enérgica inspirada pelo espírito rebelde, pelas figuras marginalizadas e pela filosofia do "bom selvagem".

Alright
Wild child, full of grace
Savior of the human race
Your cool face
Natural child, terrible child
Not your mother's or your father's child
You're our child, screamin' wild
An ancient lunatic reigns in the trees of the night
With hunger at her heels
Freedom in her eyes
She dances on her knees
Pirate prince at her side
Starin' into the hollow idol's eye
Wild child, full of grace
Savior of the human race
Your cool face
Your cool face
Your cool face

Wild Child (2017 Remaster)

domingo, 2 de agosto de 2026

(44) Deejay Telio & Deedz B - Não Atendo



Foto Victor Nogueira - Grafito em Setúbal, na Avenida Antero de Quental ( 2021 07 22 Canon 194_07)
Conteúdo partilhado com: Público

O número para qual você ligou, tá desligado
É para informar que eu hoje não atendo
Não atendo, eh
Deixa curtir minha drena, ya
Deixa curtir minha drena (deixa)
Ai hoje eu vou tchilar com meus avilos
Curtir uma drena longe do cubico
Please me liga só se tiveres guita
Hoje só atendo se o assunto for business, ay
Com tanta dama a tua volta só queres vir mesmo me incomodar, ohohoh
Tem lá calma contigo queres dar pra vip pois aqui não dá
Porque eu só quero curtir minha drena
Então deixa eu curtir assim


Deejay Telio & Deedz B - Não Atendo (Video Oficial)

  • A Reivindicação do Espaço e da Linguagem: Esta intervenção num muro de contenção junto a uma escadaria destaca-se pelo contraste entre a estrutura tipográfica azul da peça central e a frase inscrita em tom de desabafo ou manifesto direto: "Deixa curtir nha drena". A utilização do crioulo / calão urbano reafirma a identidade cultural e a apropriação do espaço público pelas dinâmicas da juventude periférica.

  • Técnica e Preenchimento: A peça principal faz uso de um preenchimento em linhas verticais (efeito hachurado a spray azul) com contornos a preto bem marcados e destaques a rosa/laranja na terminação direita, mostrando uma transição entre o throw-up rápido e a preocupação com a tridimensionalidade.

  • A Camada do Palimpsesto: No canto esquerdo, o aparecimento da tag "ENSI!" em formato de balão com uma pequena personagem/caricatura reforça a coabitação de diferentes assinaturas e linguagens visuais no mesmo suporte de betão. (Gemini)



  • segunda-feira, 27 de julho de 2026

    (35) Bocage - Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado

    * Victor Nogueira

    Em Setúbal, o soneto  de Bocage, ' Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado ' é tema num viaduto ferroviário, num conjjunto excujtórico e numa exposição efêmera ' Bocage na Rua - 30 + 1 Poemas' 


    Foto victor nogueira - Setúbal EN 10 (CC Allegro) viaduto ferroviário (IMG_9831) . "Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado" (Bocage)



    Setúbal, Av. Luísa Todi - Escultura com soneto de Bocage Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado (fotos victor nogueira IMG_6531 / IMG_1629)

    Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
    Mansa corrente deleitos, amena,
    Em cuja praia o nome de Filena
    Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

    Nunca mais me verás entre o meu gado
    Soprando a namorada e branda avena,
    A cujo som descias mais serena,
    Mais vagarosa para o mar salgado:

    Devo enfim manejar por lei da sorte
    Cajados não, mortíferos alfanges
    Nos campos do colérico Mavorte;

    E talvez entre impávidas falanges
    Testemunhas farei da minha morte
    Remotas margens, que humedece o Ganjes.



    5. - Postigo da Ribeira (Avenida Luísa Todi)
    intervenção plástica de Wagner Borges

    (fotos victor nogueira editadas pelo chatGPT  (IMG_2966 e IMG_2494 )