- Inspiração literária: O escritor descreve sobre lojas de tabernas tradicionais em Lisboa onde se encontravam sossego, refeições económicas e tipos curiosos que inspiraram a criação da sua obra.
- Localização real: Não se refere a um único restaurante comercial com esse nome exato, mas sim a um cenário típico da Lisboa antiga que o autor frequentava.
Textos e Obras Daqui e Dali, mais ou menos conhecidos ------ Nada do que é humano me é estranho (Terêncio)
domingo, 30 de agosto de 2026
(97) Fernando Pessoa - Livro de Desassossego (Prefácio)
terça-feira, 25 de agosto de 2026
(91) John Lennon - 'Give Peace a chance'
* Victor Nogueira / Gemini
A frase escrita na parede remete.nos para a um hino pacifista lançado em 1969 pela Plastic Ono Band, concebido por John Lennon e Yoko Ono durante o famoso protesto Bed-In for Peace em Montreal. A letra enumera de forma acelerada diversos temas sociais, políticos, religiosos e culturais da época para defender que, acima de todas as discussões e ideologias, a prioridade deve ser dar uma chance à paz.
A mensagem central traduz-se no seu célebre refrão:
"All we are saying is give peace a chance"
(Tudo o que dizemos é dêem uma oportunidade à paz)
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
(82) Abílio Paciência e o 'caminho dos pescadores'
Até chegar ao sítio onde vivi
domingo, 16 de agosto de 2026
(79) - A raposa através das efabulações
(78) Hip hop hits the bone!
Nas imediações do Panteão Nacional, em Lisboa, a parede ganha voz através do traço de SAIKO (ou SAIKOP). Entre o impacto visual do piece a amarelo e laranja e o traço do boneco de boné, o mural sintetiza a verdadeira essência da cultura de rua em duas declarações centrais.
Por um lado, a afirmação visceral e musical: «Hip hop hits the bone!» — a cultura urbana como algo que não é apenas ouvido, mas sentido até à medula, evocando a energia pura dos sound systems e a prestação de respeitos («Props 2: Morbid Biscuit, Sound System, We»).
Por outro, a dimensão poética e existencial gravada à esquerda: «SAIKO preserving the fresh miracle of survival!». Aqui, a intervenção gráfica transcende o mero graffiti e torna-se um manifesto. Num ambiente urbano tantas vezes adverso, a própria arte da rua é reivindicada como um ato de resistência quotidiana — a celebração de que estar vivo, criar e marcar o espaço público continua a ser um "fresco milagre".
Entre o ritmo do hip-hop e a poesia da sobrevivência na selva de pedra, a frase de parede lembra-nos o tema «Survival of the Fittest» dos Mobb Deep ou os versos de Allen Ginsberg: a cidade também se lê pelas marcas de quem nela resiste.
O contraste entre a afirmação visceral do hip-hop e o manifesto poético do "milagre da sobrevivência" encontra paralelo direto em vários temas musicais e poéticos:
Na Música
«Represent» — Nas (Illmatic, 1994): Um dos maiores clássicos do hip-hop nova-iorquino. A letra gira em torno da sobrevivência nas ruas, do orgulho marginal e do ato de dar props (reconhecimento) à comunidade e aos amigos que lutam diariamente na cidade.
«Não Consegues Ver» — Sam The Kid: No hip-hop português, Sam The Kid aborda frequentemente a arte do grafito e da escrita como uma forma visceral de resistência urbana, onde a cultura da rua é algo que se sente na pele e nos ossos.
«Survival of the Fittest» — Mobb Deep: Ilustra na perfeição a frase "preserving the fresh miracle of survival", ao tratar a vida na selva de pedra como uma luta constante onde a própria sobrevivência diária é a maior vitória.
Na Poesia
«A Cidade» — Ary dos Santos: Ary canta a cidade concreta, dura e viva, onde a poesia e a arte de rua nascem do asfalto para dar voz aos que nela habitam e sobrevivem.
(77) FREAK e o hip-hop
* `Victor Nogueira / Gemini
No grafito da imagem está escrito "FREAK" em letras grandes estilizadas (com preenchimento branco, contorno preto e detalhes a vermelho), acompanhado por uma figura caricata ao centro e várias inscrições secundárias em redor.
Há autores onde a palavra ou a figura do freak — no seu sentido de marginalidade, estranheza e isolamento — surgem de forma central: Charles Bukowsk e Sylvia Plath,
sábado, 15 de agosto de 2026
(76) A dialética nos muros da Polis: SØNHA a Liberdade
* Victor Nogueira / Gemini
O ponto de partida para estas Letras na 'arte urbana' foi a palavra SØNHA, inicialmente lida como SONHA. Que textos considetar? Naturalmente a Pedra filosofal, poema de António Gedeão, musicado e celebrizado por Manuel Freire. Mas o leque foi-se alargando com as contribuições do Gemini. numa longa sessão da qual este elaborou uma síntese final considerando as minhas directivas, que serviu de base para a elaboação desta publicação. A 'conversa não incluiu os 'Sonhos', versão portuguesa de 'Dreamin'' de Johnny Burnette. Trata-se dum 'letra' mais levezinha, mas que resolvi acrescentar.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
(73) Grito(s) urbano(s) 02 - a polis
Se os primeiros 'Grito(s) urbano(s)' regsitam o confronto direto com a autoridade, esta nova publiaçao da série Letras na "Arte Urbana" volta a tinta para as entranhas da própria pólis: a forma como é gerida, a violência do seu crescimento e as feridas sociais de quem a habita.
As paredes transformam-se num manifesto coletivo sobre o direito à cidade, desdobrando-se em vários eixos de reflexão:
A crítica ao urbanismo desumano e à betonização: Mensagens como "E tudo o cimento levou...", "Urbanizar não é desumanizar" e "Existe vida debaixo do cimento" denunciam a perda do espaço verde e da escala humana para a especulação e a construção desenfreada. A cidade surge como um corpo sufocado que clama por respirar.
A denuncia da desigualdade e da pobreza: A pólis não trata todos por igual, e a parede lembra-o sem rodeios — "Não deixes que a pobreza se torne uma rotina" e "Pior que a pobreza é a injustiça". A falta de habitação e a precariedade ecoam na reivindicação direta e vernacular: "QERO CASA COM BONES".
A estética e a identidade da cidade: A reação à degradação do espaço urbano manifesta-se no grito "Não podemos fazê-lo bonito quando a cidade é feia", enquanto no topo de uma fachada em ruínas a marcação "CIDADE REBELDE" assume a resistência da rua frente ao abandono.
Os afetos e as fraturas da convivência: Entre pedidos de desculpa íntimos e rasurados e apelos de cariz ético — "Que o amor suplante o ódio plantado nos nossos corações" —, a parede regista também o desgaste das relações humanas no espaço público.
A presença constante dos writers: A juntar à mensagem política e social, a marcação de território permanece viva com as assinaturas de quem ocupa os muros do quotidiano, como o piece "FOME" que volta a marcar presença na fachada.
Da crítica ao cimento à exigência de justiça social, a parede deixa de ser apenas betão para se afirmar como a verdadeira ágora moderna: o lugar onde a pólis se pensa, se indigna e exige o seu futuro.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
(72) Grito(s) urbano(s) 01 - a bófia
Letras na Arte Urbana: Quando as Paredes Falam (e Protestam)
A rua é a galeria mais democrática do mundo, mas é também o seu espaço de debate mais cru. Na transição do traço figurativo para a palavra escrita, a street art deixa de ser puramente estética para se tornar intervenção, manifestação e ruído. No ecossistema gráfico das nossas cidades, poucos alvos atraem tanta tinta — e tanto consenso na rejeição — como a autoridade policial.
Nesta edição da série Letras na "Arte Urbana", reunimos quatro registos de rua que abordam o mesmo tema sob perspetivas, linguagens e graus de elaboração visual completamente distintos:
sábado, 8 de agosto de 2026
(58) Friedrich Nietzsche - 'No Love, No Law'
Aqui estão as passagens mais alargadas no seu contexto original, retiradas diretamente das obras de Friedrich Nietzsche:
1. Para Além do Bem e do Mal (1886)
Seção IV: Epigramas e Intermédios — Aforismo 153
«Das que se fazem por amor acontecem sempre para além do bem e do mal. O amor verdadeiro transcende as valorações morais comuns da sociedade, pois não obedece a mandamentos externos nem à coação da lei; a sua própria natureza constitui a sua única e suprema legislação.»
(Nota: O aforismo 153 na sua formulação mais célebre e direta lê-se: «O que se faz por amor acontece sempre para além do bem e do mal.»)
2. Assim Falava Zaratustra (1883–1885)
Terceira Parte — «Das Velhas e Novas Tábuas», Capítulo 2
«Aqui estou eu e espero; rodeado de velhas tábuas quebradas e também de novas tábuas meio escritas. Quando virá a minha hora? — a hora do meu declínio e do meu declive: pois quero ir mais uma vez para junto dos homens...
Pois os homens assim o querem: e quem quer que deva ser um criador no bem e no mal tem de ser, em verdade, um destruidor primeiro e quebrar valores. Assim, o maior mal pertence à maior bondade: mas esta é a criadora.
Rompamos, rompamos as velhas tábuas, meus irmãos!»
3. A Gaia Ciência (1882)
Livro Terceiro — Aforismo 116: Herdado de novo
«Onde quer que encontremos uma moral, encontramos uma avaliação e uma hierarquia dos impulsos e das ações humanas. Estas avaliações e hierarquias são sempre a expressão das necessidades de uma comunidade e de um rebanho: aquilo que lhe é útil em primeiro lugar — e em segundo e terceiro — é também o padrão supremo para o valor de todos os indivíduos. Com a moral, o indivíduo é ensinado a ser função do rebanho e a atribuir valor a si próprio apenas enquanto função. Como as condições de preservação de uma comunidade foram muito diferentes das de outra, existiram morais muito diferentes; e considerando as transformações essenciais que os rebanhos e as comunidades, as nações e os Estados ainda têm de sofrer, pode profetizar-se que haverá ainda morais muito divergentes. A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo.»
Na perspetiva nietzschiana, "No Love, No Law" lê-se como a recusa de uma ordem moral externa que não nasça do próprio indivíduo ou da paixão vital. (Gemini)
(57) DO ART... NOT WAR!
DO ART... NOT WAR!
A expressão "DO ART... NOT WAR" (ou na sua forma mais comum "MAKE ART, NOT WAR") pode ser ligada a várias referências culturais, literárias e musicais.
As principais ligações incluem:
1. Origem Literária e Slogan Pacifista (Counterculture)
"Make love, not war": O slogan "Do Art, Not War" é uma variação direta da famosa palavra de ordem dos anos 60, popularizada durante os protestos contra a Guerra do Vietname.
Herbert Marcuse e a Literatura da Contracultura: Embora a autoria do slogan original seja atribuída a figuras como Gershon Legman e Diane DiPrima, autores e filósofos da época (como Marcuse na obra Eros e Civilização) defenderam a transformação da pulsão destrutiva (Thanatos) em criação e arte.
2. Ligações Musicais
A antítese entre Arte/Música e Guerra é um dos temas mais recorrentes da música de protesto:
John Lennon & Yoko Ono – "Give Peace a Chance" e "Imagine": A filosofia do "Bed-In" e o manifesto pacifista de Lennon pregavam que a expressão artística e o ativismo cultural eram as principais armas contra a violência militar.
Movimentos Punk e Hip-Hop: A frase "Make Art, Not War" e as suas variações tornaram-se lemas em centenas de canções, mixtapes e manifestos musicais do movimento DIY (Do It Yourself), onde o ato de criar arte e música é visto como uma forma direta de resistência à destruição.
3. Arte Urbana e Visual (Shepard Fairey)
A expressão foi imortalizada no mundo da street art pelo artista Shepard Fairey (OBEY) na sua célebre obra gráfica e mural intitulada "Make Art Not War", criada como um cartaz de protesto contra a Guerra do Iraque e posteriormente reproduzida em murais por todo o mundo. (Gemini)
(56) Kraftwerk – "The Robots" / "Die Roboter" (1978)
Na imagem está escrito "We are the robots" (com a palavra the escrita na vertical à esquerda e robots escrita na vertical à direita, em torno do desenho do robô).
Esta frase está diretamente ligada a referências culturais marcantes na música e na ficção científica:
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
(52) Private Number — "Haters Make Me Famous"
A frase "Haters Make U Famous" (ou na forma completa "My haters make me famous") não pertence a uma obra clássica da literatura, mas é uma das divisas mais emblemáticas da cultura pop contemporânea, da cultura Hip-Hop e da arte urbana (graffiti).
1. Contexto na Música e no Hip-Hop
Evolução do conceito de "Hater": A palavra hater (usada para definir a pessoa que critica outrem por inveja ou ressentimento) surgiu nas letras de Hip-Hop no início dos anos 90 (com grupos como Cypress Hill, 2Pac e Notorious B.I.G.).
Aforismo da Pop Culture: A variação "Haters make me famous" ("Os meus detratores tornam-me famoso") tornou-se um mantra na cultura rap, pop e no mundo dos influenciadores digitais. A ideia subjacente é que, quanto mais os críticos falam mal de alguém, mais atenção e visibilidade (famossidade) lhe dão.
Músicas e Álbuns: Vários artistas de rap, pop-punk e hip-hop usaram o termo diretamente em títulos de canções ou álbuns. A banda pop-punk Private Number, por exemplo, lançou a faixa "Haters Make Me Famous", e o rapper Whyte-Out gravou "Haters Make Us Famous".
(50) - Victor Nogueira - É Tróia estreito braço de terra
terça-feira, 4 de agosto de 2026
(46) Jim Morrison - Wild Chjld
Savior of the human race
Your cool face
Not your mother's or your father's child
You're our child, screamin' wild
Freedom in her eyes
She dances on her knees
Pirate prince at her side
Starin' into the hollow idol's eye
Savior of the human race
Your cool face
Your cool face
domingo, 2 de agosto de 2026
(44) Deejay Telio & Deedz B - Não Atendo
A Reivindicação do Espaço e da Linguagem: Esta intervenção num muro de contenção junto a uma escadaria destaca-se pelo contraste entre a estrutura tipográfica azul da peça central e a frase inscrita em tom de desabafo ou manifesto direto: "Deixa curtir nha drena". A utilização do crioulo / calão urbano reafirma a identidade cultural e a apropriação do espaço público pelas dinâmicas da juventude periférica.
Técnica e Preenchimento: A peça principal faz uso de um preenchimento em linhas verticais (efeito hachurado a spray azul) com contornos a preto bem marcados e destaques a rosa/laranja na terminação direita, mostrando uma transição entre o throw-up rápido e a preocupação com a tridimensionalidade.
A Camada do Palimpsesto: No canto esquerdo, o aparecimento da tag "ENSI!" em formato de balão com uma pequena personagem/caricatura reforça a coabitação de diferentes assinaturas e linguagens visuais no mesmo suporte de betão. (Gemini)

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