segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Virgílio Ferreira - Retrato à Minuta


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biblioespl | 11 de Junho de 2008 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Às 15 horas do dia 28 de Janeiro, sexta-feira, de 1916, em Melo, concelho de Gouveia, nasce Vergílio António Ferreira, filho de An Às 15 horas do dia 28 de Janeiro, sexta-feira, de 1916, em Melo, concelho de Gouveia, nasce Vergílio António Ferreira, filho de António Augusto Ferreira e Josefa Ferreira...
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Lênin: Tolstoi, um grande artista

Cultura

Vermelho - 4 de Dezembro de 2010 - 0h00

Morreu Leon Tolstoi. Sua importância mundial como artista e sua popularidade universal como pensador e pregador refletem, a seu modo, a importância mundial da revolução russa.

Por Vladimir Ilitch Lênin*

Leon Tolstoi se manifestou como um grande artista desde os tempos do regime da servidão. Em várias obras geniais, escritas por ele no transcurso dos longos cinquenta anos em que se prolongou a sua atividade literária, pintou de preferência a velha Rússia anterior à revolução, que depois de 1861 ficou em um regime de semisservidão; pintou a Rússia aldeã, a Rússia do latifundiário e o camponês. Ao pintar esse período da vida histórica da Rússia, Leon Tolstoi soube apresentar tantas questões fundamentais em seus escritos, alcançou em sua arte tão grande força, que suas obras figuram entre as melhores da literatura mundial.

A época em que se preparava a revolução em um dos países oprimidos pelos senhores feudais foi, graças à forma genial com que Tolstoi a tratou, um passo adiante no desenvolvimento artístico de toda a humanidade.

Como artista, somente uma minoria insignificante o conhece na Rússia. Para fazer efetivamente suas grandes obras patrimônio de todos, há que lutar contra o regime social que condenou milhões e milhões de seres à ignorância, ao embrutecimento, a um trabalho próprio de condenados e à miséria; há que fazer a revolução socialista.

Tolstoi não só escreveu obras literárias que sempre serão apreciadas e lidas pelas massas quando estas criem para si condições de vida humana, derrubando a opressão dos latifundiários e dos capitalistas; ele soube também descrever com força admirável o estado de ânimo das grandes massas subjugadas pela ordem de coisas desse tempo, soube também pintar sua situação e expressar os seus sentimentos espontâneos de protesto e indignação. Tostói que pertenceu, principalmente, à época de 1861 a 1904, refletiu com assombroso realce em suas obras – como artista e como pregador – as características da especificidade histórica de toda a primeira revolução russa, sua força e sua debilidade...

Olhem com atenção o que dizem de Tolstoi os jornais do governo. Choram lágrimas de crocodilo assegurando que têm em alta estima o “grande escritor”; mas, ao mesmo tempo, defendem o “santíssimo” sínodo. E os santíssimos padres acabam de cometer uma canalhice das mais imundas, enviando seus popes à cabeceira do moribundo, para enganar o povo e dizer que Tolstoi se “arrependeu”. Antes, o santíssimo sínodo havia excomungado Tolstoi.

Prestem atenção no que dizem de Tolstoi os jornais liberais. Eles se apressam com estas frases ocas, oficial-liberalescas, batidas e professorais sobre “a voz da humanidade civilizada”, “o eco unânime do mundo”, “as ideias da verdade e do bem”, etc. etc., pelas razões que Tolstoi castigava com tanta força e tanta razão contra a ciência burguesa. Os jornais liberais não podem dizer clara e concretamente o que pensam das idéias de Tolstoi sobre o Estado, a Igreja, a propriedade privada da terra e o capitalismo. Isso não porque a censura os atrapalha – pelo contrário, a censura os ajuda a sair da dificuldade.

Eles não podem porque cada tese da crítica de Tolstoi é uma bofetada no liberalismo burguês; porque, por si, a valente, franca e implacavelmente dura concepção das questões mais candentes e mais malditas de nossa época por Tolstoi é uma bofetada nas frases estereotipadas, nos batidos subterfúgios e na falsidade escorregadia, “civilizada” de nossa imprensa liberal (e liberal populista).

Morreu Tolstoi, e se foi o passado da Rússia anterior à revolução, a Rússia cuja debilidade e impotência se expressaram na filosofia do genial artista e vemos refletidas em sua obras. Mas em sua herança há coisas que não pertencem ao passado. Pertencem ao futuro. Essa herança passa às mãos dos proletários da Rússia, que a está estudando. Daí virá a explicação às massas trabalhadoras e exploradas da significação da crítica que Tolstoi fez ao Estado, à Igreja, à propriedade privada da terra; e não o fará para que as massas se limitem à autoperfeição e a suspirar por uma vida santa, mas para que se levantem com o fim de lançar um novo golpe à monarquia czarista e à posse da terra por latifundiários, que em 1905 só foi ligeiramente quebrada e que deve ser destruída. Então se explicará às massas a crítica que Tolstoi fez do capitalismo, mas não o fará para que as massas se limitem a maldizer o capitalismo e o poder do dinheiro, mas para que aprendam a apoiar-se, em cada passo de sua vida e de sua luta, nas conquistas técnicas e sociais do capitalismo, para que aprendam a se agrupar em um exército único de milhões de lutadores socialistas, que derrubarão o capitalismo e criarão uma nova sociedade sem miséria para o povo, sem exploração do homem pelo homem.

* Fragmentos do texto de Lênin refletindo a morte de Tolstoi

Fonte: Publicado em 16 (29) de novembro de 1910 em “O Social-democrata”


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Urariano Mota: Tolstoi, 100 anos de permanência

 

Mídia

Vermelho - 4 de Dezembro de 2010 - 0h02

Ao receber a sugestão de escrever sobre os 100 anos da morte de Leon Tolstoi, a primeira reação foi a de me esconder atrás de uma larga árvore, um baobá imenso. Ali, bem oculto, tentaria responder com palavras que brotassem na terra como plantinhas rasteiras, miúdas: “Não sou digno dessa honra”.

Por Urariano Mota*

Para corrigir, mais adiante: “Ele está muito acima do que podem sonhar minhas forças”. Mas depois, como um condenado pela natureza, que vence ao fim e derruba a sensatez, concedi: sim, posso tentar alguma coisa.
A obra de Tolstoi ocupou um dos primeiros lugares na literatura mundial
Horas mais tarde, preocupado pelo desastre que viria, e contente pela oportunidade desse desastre, eu me dizia, como um preso que suaviza a própria e futura execução: vivi 60 anos, e não é possível que, em pleno vigor abalado dessa idade, não consiga fazer uma apreciação, qualquer uma, sobre um gênio essencial de nossas vidas. Bom, concluí, se assim é, assim vou. E por isso começo.


Deveria dizer, se me permitem usar uma palavra fresca, mais conhecida por circunlóquio, deveria antes dizer:

Assim como é preciso perder a vista, recuperá-la, para saber o sentido insubstituível das coisas, assim como é preciso estar à beira da última hora, do último instante, e pular por sorte ou misericórdia ou azar esse instante, e abrir os olhos para o mundo que todos os nossos sentidos não viam, e só então percebemos e saudamos e salvamos o sol, o azul, o cheiro do mar, do sexo, das algas, do sal, o sabor adormecido como se morto estivesse, assim também às vezes precisamos ler outros livros, conhecer a pequena ou média literatura, e, maldição, até mesmo a ruim literatura, para voltar à revelação, ao bem antigo e renovado, fundamental, para redescobrir : como é bom ler Tolstoi! Ele é um autor que nos enche as medidas, que nos alimenta e nutre numa carência insatisfeita satisfeita contínua. Ler esse gênio da humanidade é como aprender o mundo num salto de conhecimento, e por alcançar esse ponto mais alto querermos outros saltos. Tolstoi, para o artista que está dentro de todo homem, em todos os tempos, é um autor imprescindível, sem o qual seremos todos menores, menos homens humanos.

Não quero, pelo menos como projeto, falar sobre Ana Karenina, Guerra e Paz, A morte de Ivan Ilitch, A sonata a Kreutzer, e de contos de Tolstoi, relatos magníficos, perturbadores, que marcam o espírito do leitor como uma experiência de choque e estremecimento, inesquecíveis. “Magníficos, perturbadores, inesquecíveis” tudo não passa de adjetivos, que nada dizem para quem não conhece Tolstoi, e muito menos dizem para quem o conhece, se não se colam como carne e músculo no esqueleto da citação do escritor. Tentarei chegar a esse ponto. Adjetivos ou são apropriados ou nada são.

Esclareço agora mais precisamente o ponto. De todas as leituras que fiz sobre Tolstoi para entendê-lo, para ter respostas a “quem é esse louco? de que natureza é feita essa percepção?”, de tudo com que pretendi pegá-lo, naquela vã vontade de tomá-lo como se pega em bola de sabão, nada mais concreto e complexo se compara ao que sobre ele escreveu Máximo Gorki no livro Três Russos. Atenção, escritores de todas as tendências, atenção, leitores ávidos de conhecimento, atenção, amantes de todas as literaturas, vocês não verão nenhum livrinho, de análise viva e aguda, tão precioso quanto esse livro. De Thomas Mann a André Maurois, das vanguardas russas às europeias, das modas de todo mundo universitário às escolas mais rebeldes, todos reconhecem o valor de Três Russos, de Máximo Gorki. Os três russos do livro são, apenas: Tolstoi, Tchékhov e Andreiev. Entendam a razão. Cito com prazer, digito com paciência frases referentes a Tolstoi:

“Uma tarde, ao crepúsculo, ele lia, piscando os olhos e remexendo as sobrancelhas, uma variante da cena do Padre Sérgio, em que uma mulher se dirige à casa do eremita para seduzi-lo. Quando acabou de ler, levantou a cabeça e, fechando os olhos, pronunciou distintamente:

- Escreve bem isto, o velho! Muito bem!

Tolstoi descreveu o drama dos camponeses russos
Isso nele foi de tão admirável simplicidade, sua admiração pela beleza era tão sincera, que não esquecerei jamais a alegria que senti nesse momento, uma alegria que eu não podia nem sabia exprimir, mas que tive também grande pesar em reprimir. Por um instante meu coração cessou de bater, mas depois tudo, em volta de mim, se tinha tornado novo e de um vivificante frescor”.


No Padre Sérgio, o relato a que Gorki se refere, há uma intensa e tantalizante cena de sedução do padre, um eremita, que no vigor dos 49 anos quer se entregar de corpo e alma a seu Deus, recolhido em retiro. No entanto, uma bela e rica mulher, por diversão, aposta e leviandade quer testar em um só golpe a própria beleza e a dedicação do eremita. Traduzo um breve trecho de El Padre Sergio, que está online em http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/rus/tolstoi/padre.htm, site de língua espanhola:

“- Você não entrará aqui? – perguntou a mulher, rindo-se. – Vou tirar a roupa pra secar.

O padre Sérgio não respondeu e continuou rezando suas orações do outro lado do tabique, com a mesma voz tranquila.

‘Este, sim, é um verdadeiro homem’, pensou ela tirando com dificuldade a bota molhada. Mas por mais que tentasse, não podia tirá-la bem, e isso lhe pareceu engraçado. Riu baixinho, mas sabia que ele ouvia o seu riso, e que esse riso influía nele do modo que ela desejava. Então riu mais alto, e aquele riso alegre, natural e bondoso influiu realmente sobre o padre Sérgio tal como ela queria.

‘A um homem como este se pode amar. Que olhos ele tem! E que rosto mais aberto, mais nobre e mais apaixonado, mesmo que reze muitas orações - pensou ela. As mulheres não nos enganamos. Tão logo ele aproximou o rosto no vidro da janela e me viu, eu o entendi e soube. Eu li no brilho dos seus olhos. Ele me amou, me desejou. Sim, ele me desejou’, dizia, tirando por fim a bota e depois as meias. Mas para tirar aquelas compridas meias, presas em ligas, tinha que levantar a saia...”.

E mais não falo do Padre e do castigo violento que ele se impôs, como uma confissão de derrota ante a força do sexo. O ato do padre, na violência que se faz, é de aparente desobediência ao impulso irreprimível da carne, como uma lava de vulcão contra a própria incapacidade de abafar o sexo como ele queria. Isso chama a atenção para o criador complexo em Tolstoi. Ele realiza uma narração impiedosa e captadora do movimento do real, ao mesmo tempo que narra ao lado, ou nas entranhas, por sugestão ou arte do diabo, suas convicções moralistas, aqui e ali se confundindo com um pregador de uma nova igreja. Notem como ele critica uma personagem de Gorki, num primeiro e franco contato:

“Tolstoi me fez sentar à sua frente e se pôs a falar de Varenka Olessova e de Vinte e seis e uma. Fiquei atordoado pela voz dele, de tal modo falava crua e brutalmente demonstrando que o pudor não era próprio da natureza de uma jovem sadia:

- Uma moça que passou dos quinze anos, que tem um bom físico, deseja que a beijem, que mexam com ela. A razão dela teme ainda o desconhecido, o que ela não compreende, e é o que se chama de castidade, pudor. Mas a carne já sabe que o incompreensível é inevitável, legítimo, e exige que a lei se cumpra, a despeito da razão. No entanto, em casa essa Varenka, que você descreve como boa e forte, tem sensações de anêmica. Isso é falso! ”

Dir-se-ia, nessa crítica forte, que ele era um realista sem freio, ou, pior, um naturalista, ou mesmo, numa miserável caricatura, um criador devasso. Mas o que dizer, para ficar no mais simples, do seu conto Os três Anciãos, que em algumas editoras chamam de Os três Eremitas? É um conto breve e cortante como quicé, a nos derrubar pela graça, ainda que pregue o valor de um milagre gerado pelo amor absoluto a Deus. Só lendo para sentir como a mão do mestre põe três velhinhos a caminhar sobre as águas na maior naturalidade. É comovente a ideia que a narração nos deixa, ao opor a ingenuidade de três velhinhos simples, ignorantes dos rituais e das exterioridades da Igreja, e que, por isso mesmo, conseguem maravilhas. Nesse conto, Tolstoi nos põe naquele reino do maravilhoso que é, apesar da maravilha, terreno e cruel, à semelhança do conto de A pequena vendedora de fósforos, de Andersen, onde uma criança, faminta, sobe e vira estrela na noite de Natal.

 Cartaz do filme Ana Karenina, adaptação da genial obra de Tolstoi
A lembrança da narrativa curta ‘Os três Eremitas’ nos faz chegar a um conto que é uma revelação. Fala-se tanto no imenso romancista, que até parece não existir um prosador magnífico em narrações breves. É natural que o Tolstoi romancista receba com frequência um merecido destaque. Afinal, Guerra e Paz, Ana Karenina são livros que estão em um dos pontos máximos do romance. Mas aqui, ao mesmo tempo em que se destaca, comete-se uma severa injustiça. A mesma daquela que realça o mais proeminente em um homem, para daí se esquecer o valioso que não tem a mesma presença, de império avassalador. Não só de tronco, pernas e cabeça se faz uma pessoa. Às vezes há uma infinita e complexa delicadeza no traço das mãos. Quero me referir ao conto Depois do baile. Penso que um escritor, depois de escrevê-lo, poderia dizer-se, “cumpri o meu dever, todos os meus pecados foram pagos”. Para quem não o tem na estante, ele pode ser lido online, em espanhol, aqui http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/rus/tolstoi/despues.htm (É impressionante, observo de passagem, o quanto o mundo em língua espanhola é mais civilizado.)


Falo desse conto sem o ver, somente com a impressão que me ficou e me acompanha até hoje. Nele se ressalta uma imensa vergonha por um ato desonroso, que é mais sensível em pessoas que acabam de se acovardar, por egoísmo ou medo. O leitor acaba o conto e em vez de jogá-lo a um canto, pergunta-se a si mesmo, como eu me perguntei e me pergunto até hoje: “quantas vezes isso já não ocorreu a mim nos meus dias?” Então a imensa desonra do personagem passa a ser do leitor também, porque, afinal, todos cometemos pequenas ou grandes indignidades. E que disfarçamos com discursos enganadores. A segunda impressão, mas dessa vez feliz, que me deixou Depois do Baile foi a idade do autor quando o escreveu: 75 anos. Que coisa bonita e que esperança ele plantou em nossos corações, porque se um homem é capaz de um conto tão magnífico nessa idade, isso quer dizer que poderemos esperar uma criadora atividade por muitos e muitos anos.

Em “Tolstoi – antiarte e rebeldia”, Boris Schnaiderman ressalta com muita propriedade:

“Realmente, é injusto falar em decréscimo da capacidade criativa de Tolstoi por causa da velhice, como se faz muitas vezes. Ele continuava um vulcão, sempre escrevendo, com mil planos fervilhando.

O conto ‘Depois do Baile’ data de 1903, quer dizer, escrito aos setenta e cinco anos, mas é certamente uma das obras mais perfeitas que produziu. Poucas vezes, em literatura, o fato da alienação, do alheamento do homem em relação aos seus semelhantes, que permite suportar com a maior tranqüilidade o sofrimento do próximo, vê-lo com indiferença e até participar de atos iníquos, foi descrito com esta mestria. E o indivíduo sensível, que se revolta interiormente contra a injustiça, torna-se um marginal, um ser inferior na sociedade (embora no início do relato se diga que ele era ‘respeitado por todos’)”.

Haveria ainda que falar dos conflitos conjugais de Tolstoi, que trazia para dentro do seu casamento os imperativos e dilemas dos personagens de seus contos, ensaios e romances. Ainda que de passagem, não posso privar os leitores destas linhas, que copio de Boris Schnaiderman, o fecundo intelectual ucraniano que tanta alegria trouxe à civilização brasileira. São de Boris Schnaiderman:

“Evidentemente, isto (os diários de Tolstoi, onde ele expunha sem reservas o que via e sabia da própria mulher) atormentava Sofia Andrêievna. E esta mulher extraordinária vingou-se do marido do modo mais terrível: escreveu também os seus diários, onde contava os detalhes mais íntimos de sua vida com ele, inclusive pormenores de vida sexual, embora ao mesmo tempo tivesse pudores de colegial, chegando a referir-se ao cicio menstrual como ‘as minhas circunstâncias femininas’. Eis uma anotação sua de 1863, portanto um ano após o casamento: ‘Ele é velho e demasiadamente absorto. E eu sinto hoje tão forte a minha mocidade, tenho tanta necessidade de um pouco de loucura! Em vez de dormir, eu gostaria tanto de dar cambalhotas. Mas com quem?’ E ainda no mesmo ano: ‘Eu sou a satisfação, a criada, o móvel com o qual se está acostumado, a mulher.’ Enfim, era uma digna companheira de Tolstoi, com extremos de lucidez e oscilação entre a paixão mais ardente e o moralismo mais violento.

A tragédia final teve como desencadeante os malfadados diários. Tolstoi anotaria que na noite de 27 para 28 de outubro despertou com a luz intensa que vinha de seu escritório: era Sofia Andrêievna que procurava algo e provavelmente lia (às escondidas os diários do escritor). Revoltado, decidiu abandonar tudo. E realmente, partiu por volta das cinco da manhã, deixando uma carta de despedida para a mulher, onde lamentava o desgosto que lhe estava causando, mas afirmando que não podia proceder de modo diferente”.

Com esse rompimento, Tolstoi fugiu do casamento e de Sofia, mas rumou para a sua última caminhada, que terminou numa distante estação ferroviária. Ali expirou. Os seus pecados haviam sido perdoados, por força de sua angústia, criação e verdade.

Aqui também encerramos. Reconheço, ao fim, que escrevi muito aquém do que pretendia escrever. Tudo que rascunhei até este ponto era só pretexto para copiar uma lição fundamental de literatura, que Máximo Gorki gravou para todos nós. Pois lhe disse um dia Tolstoi, e Máximo Gorki assim nos transmitiu:

Guerra e Paz reflete a epopeia popular da nação russa: ilustração da retirada do exército de Napoleão da Rússia (1812)
“- Em Moscou, perto da Torre Sukharev, num beco, vi no outono uma mulher embriagada. Estava deitada, bem junto ao passeio. Do pátio de uma casa vinha se escoando um enxurro de água imunda, que escorria mesmo por sua nuca e suas costas. A mulher deitada nesse molho frio resmungava, agitava-se. Seu corpo recaía, agitando na imundície. Ela, porém, não conseguia se levantar.


Tolstoi estremeceu, fechou os olhos, balançou a cabeça e propôs afavelmente:

- Sentemo-nos aqui.... Uma mulher embriagada é a coisa mais horrível e ignóbil que há. Eu quis ajudá-la a se levantar, mas não pude me decidir a isso. Tive um excessivo desgosto: ela estava tão pegajosa, tão molhada; quem a tocasse não teria sido bastante um mês para limpar as mãos. Que horror! E durante esse tempo estava sentado no meio- fio da calçada um rapazinho louro, de olhos pardos, as lágrimas corriam ao longo de suas faces, fungava e repetia numa voz desesperada: “Ma-mãe... então, levante-se”. Ela mexia os braços, dava um grunhido, erguia a cabeça e recaía de novo, flac! com a cabeça na lama.

Calou-se, depois olhando bem em volta de si, repetiu ansiosamente, quase num murmúrio:

- Sim, sim, é horrível! Você tem visto muitas mulheres embriagadas? Muitas, sim, ah, meu Deus! Não descreva isto, não é preciso!

- Por quê?

Olhou-me nos olhos e repetiu sorrindo:

- Por quê?

Depois disse lentamente com um ar pensativo:

- Não sei. Eu disse isso assim... tem-se vergonha de escrever porcarias. E, no entanto, por que não? É preciso escrever sobre tudo...

Lágrimas vieram-lhe aos olhos. Enxugou-as e, sempre sorrindo, olhou o lenço, enquanto as lágrimas continuavam a correr ao longo de suas faces.

- Eu choro. Sou velho e me aperta o coração quando evoco uma lembrança horrorosa.

E me empurrando ligeiramente com o cotovelo:

“Você também quando tiver vivido sua vida, ao passo que tudo permanecerá como dantes, você chorará, e ainda mais do que eu, ‘aos baldes’, como dizem as mulheres do povo. Mas é preciso escrever tudo, sobre tudo. De outra forma o rapazinho louro nos quereria mal, nos censuraria. ‘Não é a verdade, não é toda a verdade’, dirá ele. E ele é severo no que se refere à verdade”.

Urariano Mota é jornalista e escritor pernambucano, e colunista do Vermelho


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Tolstoi: O gênio maior da literatura russa

Cultura

Vermelho  4 de Dezembro de 2010 - 0h02

No dia 20 de novembro, transcorreu o centenário da morte de Leon Tolstoi, uma das mais destacadas figuras da literatura russa cuja obra ocupa os lugares mais importantes na literatura mundial.

Por José Reinaldo Carvalho e Urariano Mota*

Tolstoi escrevendo A obra de Tolstoi pertence a um período histórico marcado pelo desenvolvimento de uma intelectualidade fecunda formada por democratas revolucionários
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Nessa obra encontram-se os mais marcantes traços da literatura russa da segunda metade do século 19. O reflexo multilateral da realidade, a crítica impiedosa à ordem social, a maestria na descoberta do mundo interior das pessoas e um elevado padrão estético. A mais perfeita fusão entre fundo e forma. A beleza artística em sua mais elevada expressão.
 Sobre ele disse Máximo Gorki que ao longo de 60 anos fez ouvir sua voz severa e justa, mostrando com maestria a amplidão da vida na Rússia. E Lênin: “Leon Tolstoi apresentou tantas questões fundamentais em seus escritos, alcançou em sua arte tão grande força, que suas obras figuram entre as melhores da literatura mundial”. Também Tchernichevski escreveu sobre as duas características essenciais de seu talento: o conhecimento da dialética do espírito e a pureza cristalina dos sentimentos morais.

Na época em que viveu, a Rússia concentrava as contradições do imperialismo e se tornou seu elo débil. O império russo era também, por esta razão, o centro do movimento revolucionário mundial. Ao escrever, enquanto narrava a miséria moral das classes dominantes, Tolstoi fez crescer a grandeza do camponês explorado, refletindo seus sofrimentos, dores e cólera.

A obra de Tolstoi pertence a um período histórico marcado pelo desenvolvimento de uma intelectualidade fecunda formada por democratas revolucionários, destacadamente Tchernichevski e Dobroliubov, época em que a questão política central era a luta contra o czarismo e no plano econômico-social, a luta pela libertação do campesinato do regime de servidão. Os democratas revolucionários compreendiam que a terra pertencia inteiramente aos camponeses e faziam chamamentos pela liquidação da autocracia e da propriedade latifundiária. Sem ter pertencido ao movimento dos democratas revolucionários, pacifista e avesso à violência revolucionária, Tolstoi, contudo, refletiu em muitas das suas obras, o drama dos camponeses russos. Homem de fé cristã, cuja ética, não tanto o dogma do cristianismo, está presente em sua criação artística, não deixou de ver e apreender a realidade pela ótica do realismo, capacidade com a qual pôde desvendar as mazelas sociais e as misérias e grandezas da alma humana.

Isto se observa com a evolução da mundivisão do gênio maior da literatura russa. Pela origem e educação que recebeu, Tolstoi pertencia à nobreza proprietária de terras, mas a vida mesma lhe fez compreender o parasitismo de sua classe de origem e as injustiças da ordem social em que se assentava seu domínio, até chegar à conclusão de que se tornava necessário mudar as relações entre a nobreza e o campesinato.

Tolstoi nasceu em 9 de setembro de 1828 em Iasnaia Poliana, nos arredores de Moscou, onde viveu quase toda a sua vida. Estudou na Faculdade de Kazan línguas orientais e direito, sem atribuir grande importância a essa atividade. Em 1851 serviu como oficial do exército czarista no Cáucaso. O contato com os montanheses, gente simples, forte e orgulhosa, aumentou em Tolstoi o sentimento de respeito para com o povo e a fé na sua força, conhecimento e sentimentos que lhe deram a matéria-prima para o romance Os Cossacos, que escreveria mais tarde.

Sua primeira obra foi Infância, parte de uma trilogia autobiográfica que escreveu entre 1852 e 1857, ano em que viajou à Europa Ocidental e conheceu de perto a civilização burguesa. Em Paris presenciou uma execução pública de sentença de morte, ao passo que em Lucerna, na Suíça, testemunhou uma repugnante cena: toda noite um cantor pobre se apresentava para uma malta de burgueses, sem nada receber em troca. Em três dias, o gênio russo escreveu o conto Lucerna, no qual desmascara a falsa moral burguesa, a indiferença dos ricos para com as pessoas simples, sua ignorância e seu desprezo pela arte.

Entre os anos de 1863 e 1869, Tolstoi escreveu a grande epopeia popular da nação russa, Guerra e Paz, obra que se refere a um grande período histórico, de 1805, quando ocorreu a primeira guerra entre a Rússia czarista e a França bonapartista, a 1820, quando começavam a tornar-se perceptíveis os sinais da insurreição dos dezembristas. São 15 anos da história da Rússia, repletos de acontecimentos decisivos. O ambiente histórico impetuoso é o cenário em que vivem os personagens do romance. Tolstoi conduz o leitor através de cenários variados, da vida pacífica às batalhas militares, numa teia de acontecimentos multifacéticos incidindo sobre a vida do povo, herói coletivo da epopeia, e dos personagens individuais da vida privada e familiar.

Guerra e Paz é uma obra-prima da literatura russa e da literatura mundial de todos os tempos. "É como a Ilíada", diria o escritor, com a consciência do que havia realizado. A extraordinária criatividade de Tolstoi, seu conhecimento da psicologia humana, sua percepção da história e da vida social se manifestam com genialidade tanto na descrição de grandes acontecimentos como na criação de personagens, entre os quais avultam Pedro Bezukhov e um ser tão elevado, nobre e belo como Natasha.

A outra grande obra que levou Leon Tolstoi ao panteão da literatura universal foi Ana Karenina. O que o burguês hipócrita de hoje, tal como o aristocrata da época, considera a “história de uma mulher infiel”, de uma mulher “bem casada” dos círculos sociais elevados que “se perde”, é verdadeiramente a história de uma bela e forte mulher que luta pelo mais elementar direito do ser humano: a felicidade.

Por amor e em busca desse direito, ainda que enganada em sua busca, Ana decide romper com o estado de solidão espiritual em que se encontrava, mercê de um matrimônio infeliz contraído segundo cânones reacionários de uma época reacionária em uma sociedade reacionária.

Em Ana Karenina, o autor agiganta-se como um artista que conhece profundamente a alma humana, atingindo um nível raro de interpretação psicológica e de perfeição artística. Tolstoi retrata, através do amor e da tragédia de Ana Karenina, a decadência moral da aristocracia e a falsidade das suas concepções.

Também ocupa lugar especial na obra de Tolstoi A Morte de Ivan Ilitch. Segundo Paulo Rónai, tradutor da Comédia Humana, de Balzac, muitos críticos consideram-na como "a novela mais perfeita da literatura mundial; a agonia de um burocrata insignificante serve de pretexto ao autor para nos contar uma história que diz respeito ao destino de cada um de nós e que é impossível ler sem um frêmito de angústia e de purificação".

Boris Schnaiderman diz sobre A morte de Ivan Ilitch: “É justamente no período mais intenso destas suas preocupações, na maturidade e na velhice, que atinge o máximo de perfeição num gênero que vinha praticando desde moço - a novela -, e que escreve alguns dos seus contos mais extraordinários. É como se o passar dos anos lhe desse maior capacidade de síntese, como se a reflexão se cristalizasse mais e se decantasse. A Morte de Ivan Ilitch (1884-86), celebrada geralmente como o ápice do gênero novela em toda a literatura mundial, é na realidade o inicio de uma série de trabalhos neste sentido, alguns dos quais podem ser colocados praticamente no mesmo nível”.

Ao homenagear o grande gênio da literatura russa, Prosa, Poesia e Arte não pode deixar sem referência outra das suas grandes obras: Ressurreição. Escrito no apagar das luzes do século 19, último dos seus grandes romances, é a expressão mais clara da cólera tolstoiana contra as bases sobre as quais se soerguia o regime czarista, contra a moral e a cultura da sociedade aristocrática.

* José Reinaldo Carvalho é editor do Vermelho. Urariano Mota é jornalista e escritor pernambucano e colunista do Vermelho 
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A Neve - Virgílio Ferreira


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beiratv | 11 de Março de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Cruzados em palco, cinco contos de Vergílio Ferreira recriam histórias de uma aldeia onde a condição humana é posta à prova. MAIS VÍDEOS EM: WWW.BEIRATV.PT  - Teatro das Beiras
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divulgaTB | 8 de Fevereiro de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
O espectáculo A Neve, construído a partir de cinco contos de Vergílio Ferreira: O Encontro, A Palavra Mágica, A Fonte, A Galinha e A Estrela. São histórias que, interligadas, revelam um humor triste e alguma nostalgia em relação à condição humana. Memórias de um tempo, que não foi assim há tanto tempo, em que o coração dos homens era frio como a neve.

Adaptação, dramaturgia e encenação: José Carretas | Interpretação: Fernando Landeira, Pedro Damião, Pedro da Silva, Rui Raposo Costa, Sónia Botelho e Teresa Baguinho | Cenografia: Nuno Lucena e José Carretas | Música Original: Telmo Marques | Figurinos: Margarida Wellenkamp | Vídeo: João Lopes
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domingo, 5 de dezembro de 2010

A dança dos Anjos

Para: Victor
Assunto: anjos amigos
Data: 5/Dez 9:24
A Dança dos Anjos 
Momentos especiais pra você

A Dança dos Anjos
Uma noite olhei para o céu e vi as estrelas a brilhar.
Mas tinham um brilho triste…
Nessa altura, surge um anjo vindo de uma constelação.
Esse anjo chorava.
Perguntei-lhe a razão e ele disse-me que
protegia alguém que nem olhava para o céu…
Olhei melhor e reparei
em milhões de anjos que lá se encontravam.
Todos tão lindos…
Tão mágicos…
Tão misteriosamente frágeis…
Todos com cabelos de prata,
olhos de safira e asas de cristal…
Majestosos, imponentes,
mas doces, meigos e carentes.
Os seus olhares penetrantes penetraram minha alma,
percorreram meu corpo,
elevaram a minha mente.
Lindos… Eles estavam lindos…
Mas sós… Eles estavam tão sós…
O que fazer para dar um pouco de felicidade
a seres tão especiais,
que pareciam ter toda a felicidade existente?
Um olhar, um sorriso, um aceno, um obrigado…
Só isso?! Perguntei.
Sim, é o que é preciso para que os anjos dancem
e voltem a viver e brilhar no seu explendor…
Nessa altura sorri, olhei, acenei, agradeci
e vi a festa dos anjos nas estrelas…
Um baile de magia em tons de prata…
Dancei com todos os anjos…
A partir dessa noite,
olho para o céu e procuro os anjos…
Anjos… Almas lindas,
meigas, suaves e deliciosamente puras…
Anjos… Aqueles olhares sorridentes
de quem apenas quer um carinho…
Anjos… Aqueles
que temos no céu e na terra…
Anjos… Amigos…
Esses seres que estão sempre por perto…
Anjos… Belos anjos…
E agora eu tenho um só a cuidar de mim….
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Days Pictures Upload Photos Photo Sharing

Fotos de Alice Coelho - love

Foto 31 de 37 


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The Freedom of the Moon by Robert Frost
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I've tried the new moon tilted in the air
Above a hazy tree-and-farmhouse cluster
As you might try a jewel in your hair.
I've tried it fine with little breadth of luster,
Alone, or in one ornament combining
With one first-water start almost shining.

I put it shining anywhere I please.
By walking slowly on some evening later,
I've pulled it from a crate of crooked trees,
And brought it over glossy water, greater,
And dropped it in, and seen the image wallow,
The color run, all sorts of wonder follow.
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Adicionado a 26/11

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(...)
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Victor Nogueira Gostaria de dizer qualquer coisa de belo, fora do banal. Mas hoje, hoje chego ao pé de ti com as mãos vazias e deixo-te apenas o pouco que é um beijo do Kant_O, com o sabor que lhe quiseres dar :-)
há 5 minutos
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sábado, 4 de dezembro de 2010

A primeira feira do livro fotográfico


04 Dezembro, 2010


a primeira...


Em boa hora se decidiu organizar uma feira de livros relacionados com fotografia. A iniciativa, que quer tornar-se "regular", tem tudo para ser mais uma semente no cultivo do interesse pelos foto-livros e demais obras do universo da fotografia em Portugal. Nesta primeira edição, que decorrerá em Lisboa no espaço da Fábrica do Braço de Prata, entre os dias 10 e 12 de Dezembro, participam fotógrafos, editores, livrarias, alfarrabistas e galerias com obras a preços baixos (descontos até 20%) e edições limitadas e de autor.
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A declaração de intenções dos organizadores (Os Suspeitos, Filipa Valladares e Exposições Fábrica do Braço de Prata) é clara: "Queremos divulgar as edições fotográficas, abrindo o interesse do público para este mercado e criando uma plataforma para o diálogo sobre este meio específico dentro da fotografia, cruzando-o com áreas como o design, as artes plásticas, o jornalismo, o cinema ou a edição em geral." E para além da feira, haverá 2 conferências que abordarão a relação do meio fotográfico com a impressão em livro e com a imprensa (papel e digital).
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Que venham mais.

Participantes:
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A Estante
#Alexandria Livros
#Arquivo Municipal de Lisboa – Núcleo Fotográfico
#Chromma
#Fundació Foto Colectania
#Gustavo Gili
#Inc. Livros e edições de autor
#KameraPhoto
#Pente 10
#Pierre Von Kleist
#Vera Cortês – Agência de arte/TIJUANA Lisboa
#Livraria Braço de Prata (Assírio & Alvim, Relógio d’Agua e Cotovia)

Conferências:
Sábado, 11, 17h30
Fotógrafos que também são editores
José Pedro Cortes, André Cepeda, Patrícia Almeida, Carlos Lobo

Domingo, 12, 17h30
Para acabar de vez com o fotojornalismo?Fotógrafos da Kameraphoto: Céu Guarda (editora de fotografia do Jornal i) e Martim Ramos

Horário da feira:
Sexta-feira: das 18h00 às 24h00
Sábado e Domingo, das 16h00 às 23h00
Entrada livre até às 21h30


Club 13, Nils Petter Löfstedt, Pierre von Kleist Editions
© Pierre von Kleist Editions


"Solidão" e Saudade" - Poemas de Mia Couto e Cesário Guedes da Costa

Fotos de Alice Coelho - variossss!!!!

Foto 24 de 28


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**beijonhos e um óptmo fim de semana para vócês meus AMIGOS**
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Solidão

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo

Mia Couto
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(...)
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Victor Nogueira
Ai, Alix, onde deixaste as maravilhas ?
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Saudade
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Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
...dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono

Mia Couto 
há 5 minutos


Alice Coelho ‎*victor* ohhhh amigo .... as maravilhas de momento não estão...foram com as águas da chuva....
há 11 horas
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(...)
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Cesário Guedes da Costa
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SOLIDÃO

Pinheirais
Que me arrastais
Para essa vida escura
...Se vossa brisa sombria
Não passa da nostalgia
Qual é a vossa formosura?
É a que mais tem valor
Solidão
Alívio à dor
Paz mórbida
Candura
Crime, castigo ou pecado
Tudo nos é perdoado
Com a absolvição que dura
Do berço à tumba
Do adeus à cova funda
Só tu
Solidão tão pura

Cesário Costa
há 32 minutos
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(...)
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Victor Nogueira
Para Alix, com um bjo do Kant_O.
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Alice Coelho 
‎*victor*obrigado victor...sempre na hora e no momento certo...o comentário certo!!!! obrigado meu amigo!!!!
Ontem às 17:08 · GostoNão gosto · 1 pessoaNelinha Barros gosta disto.
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Saudade - Mia Couto




Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
sói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono


Mia Couto
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olá amigos(as)

Para: Victor
Assunto: olá amigos(as)
Data: 3/Dez 19:28
Eu segurei muitas coisas em minhas mãos, e eu perdi tudo; mas tudo que que eu coloquei nas mãos de Deus eu ainda possuo." Martin Luther King
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smileys falando
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jcardellis | 6 de Janeiro de 2009 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 1 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Mensagem de amizade





Mais Boa Noite Recados e Mensagens para Orkut

Maria

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Momentos - Fernando Pessoa e Nuno Rocha

Assunto: RE: Sem palavras ... repasse!
Data: 1/Dez 7:29


"Momentos"


O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,

mas na intensidade com que acontecem.

Por isso existem

momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis e

pessoas incomparáveis.
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Fernando Pessoa 
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LGlifesgoodPortugal | 24 de Maio de 2010 | utilizadores que gostaram deste vídeo, 8 utilizadores que não gostaram deste vídeo
Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu.

Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo.
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.Maria

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

 

03/12/10

Hoje no «JN»



A Alice recorda Carlos Oliveira
Carlos de Oliveira em quadro de Mário Dionísio
Crónica de Alice Vieira, hoje no JN: - «Recordando Carlos de Oliveira - .
«Quando chega Dezembro, começamos a notar que à mesa familiar falta cada vez mais gente. "Mesa familiar" é, no fundo, a metáfora que usamos para nesta altura abraçarmos um pouco mais os amigos e ficarmos felizes só pelo facto de eles estarem ao nosso lado. Mas ao nosso lado vai havendo cada vez mais lugares vagos. A minha mesa familiar ainda não se habituou às ausências do João Aguiar, da Rosa Lobato de Faria, da Matilde Rosa Araújo, do Raul Solnado, da Mariana Rey Monteiro, todos eles ainda tão dentro de mim.
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Mas, de repente, chega-me uma terrível e inesperada saudade de alguém que há muitos anos desapareceu da minha mesa.
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Tudo por causa de um programa que a RTP2 passou, dedicado aos "Grande livros".
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Naquela noite, o livro era "Uma abelha na chuva", do Carlos de Oliveira.
É um grande romance da nossa literatura e foi bom recordarmos as imagens do filme do Fernando Lopes, e ouvir falar dele (a Laura Soveral e a sua voz incomparável...)
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Mas o que sobretudo me marcou foi o rosto do Carlos de Oliveira - aquele olhar que entrava dentro de nós e nos dizia tudo o que era preciso, aquele sorriso que me recebia sempre, quando eu chegava à sua mesa do "Monte Carlo".
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Ele e o Zé Gomes Ferreira - sempre. Depois, às vezes por lá caíam o Abelaira, o Mário Dionísio, tantos outros.
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Mas o Carlos e o Zé Gomes eram a minha âncora. E foram a minha verdadeira universidade. Eu, 20 e poucos anos, deslumbrada no convívio diário com gente que nunca pensara vir a conhecer.
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E, de repente, quando a revolução de Abril dava os seus primeiros passos, o Carlos de Oliveira morre. De um dia para o outro.
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Nunca perdoei ao destino, e acho que aquela geração mais nova que privou com ele nunca mais se recompôs.
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Fosse o que fosse que fizéssemos ou escrevêssemos, pensávamos sempre: "O que é que o Carlos dirá disto".
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Ele era o rigor, a coerência, a lucidez em estado puro.
Ele era a nossa consciência moral.
Nunca mais tivemos outra.»
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Romance escrito no Facebook suspende linha divisória entre autor e leitor

Cultura | 18.07.2010

 

Autor húngaro radicado em Viena constrói narrativa junto com usuários no Facebook e afirma que esse 'work-in-progress' online poderá contribuir para chamar a atenção dos jovens para a literatura tradicional.

 
A história começa com dor, piercings e sangue. O livro é para ser lido em fragmentos de apenas poucas linhas, tendo como protagonista um personagem de nome Zwirbler. Os adeptos do Facebook, contudo, podem modificar a história como quiserem, ou simplesmente comentar o que foi escrito ou o que está acontecendo. O resultado pode ser, às vezes, poético e penoso.
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Os co-autores têm a opção de continuar a linha de pensamento do autor ou de desviar a história para um lado completamente diferente. Ou podem dar conselhos. Como no primeiro registro, em que Zwirbler cogita receber assistência médica. O próximo participante do romance aconselha que ele vá ao hospital, já que é de madrugada.
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"Espero aprender muito, ler muitas ideias interessantes oferecidas pelos usuários e ter agradáveis surpresas", disse à Deutsche Welle o autor Gergely Teglasy a respeito de suas expectativas em relação ao romance escrito em tempo real.
 
Novo fio na rede interativa

Romances interativos existem aos montes na internet, mas o autor Gergely Teglasy (ou TG, como ele se autointitula), de 40 anos, diz que o seu  é o primeiro no Facebook. Lançado no início deste mês, em alemão, para usuários acima de 17 anos, o romance já contabiliza mais de três mil pessoas entre aqueles que "curtiram" a página. Os fãs podem ainda assinar um podcast semanal dos episódios. 
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Teglasy procura adicionar sempre uma novidade no Zwirbler, como um novo capítulo, por exemplo, a fim de manter a página suficientemente atraente para os leitores, embora tome o cuidado de não congestionar o feed de notícias deles.
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"Todos nós somos fãs de certas páginas do Facebook, mas geralmente de forma passiva. Com o Zwirbler, os usuários podem colocar-se em ação. Quanto mais gente envolvida, mais interessante fica", diz Teglasy.
 
 
Bildunterschrift:

O autor salienta que, embora a internet tenha modificado o hábito de leitura das pessoas nas últimas décadas, isso não significa que o tenha restringido. Ao contrário, afirma, o Facebook pode enriquecer a experiência com a literatura, ao incentivar as pessoas a continuarem lendo.

Amigos distantes

Alguns críticos do Facebook apontam que a comunidade online seria um substituto para uma comunidade real. Seguindo esse raciocínio, o romance Zwirbler de Teglasay poderia ser visto como um mero substituto da literatura real? "Não", responde prontamente o autor. "É literatura em uma nova forma, sem o propósito de tomar o lugar da literatura tradicional, mas sim de complementá-la". 
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O autor – que nasceu em Budapeste, mas estudou Teatro, Cinema e Mídia em Viena – observa que muita gente não tem mais tempo para ler um romance longo, no formato tradicional, embora essas pessoas fiquem felizes com uma leitura rápida no Facebook, quando estão sentados diante de seus computadores ou usando seus iPhones.

O romance de Teglasay não se assemelha, contudo, às obras escritas apenas com mensagens de texto, em linguagem abreviada. Nem tampouco é composto, como é o caso de romances recentes, apenas de e-mails trocados entre os personagens.
 
O autor é o chefe

Mesmo que o romance Zwirbler soe pioneiro, poderia-se suspeitar que tudo não passa de preguiça do autor, que delega aos usuários continuar a história quando ele não está se sentindo inspirado o suficiente para escrever ele próprio alguma coisa.
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Afinal, como comenta o diário Welt Kompakt, quando Teglasy "empaca" em algum momento da história, ele simplesmente pode delegar a seus leitores (os "amigos" do Facebook) a função de continuar a narrativa. Ou, ainda, alterar a linha narrativa simplesmente excluindo contribuições que não lhe agradam.
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Mas o autor diz que só deleta posts no Facebook quando estes não estão diretamente relacionados com o tema do romance, como por exemplo registros que são, na verdade, publicitários. Todo o resto é permitido, garante. 
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"E isso é que é a coisa mais interessante: há coisas que podem ser ditas no Zwirbler, que eu, pessoalmente, jamais diria. O personagem irá certamente acabar pensando e agindo de uma forma que eu jamais teria experimentado ou que me é estranha, até detestável", completa o autor.
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O nome tanto do romance quanto do protagonista – Zwirbler – significa em alemão retorcer, enrolar. Um Zwirbler é alguém que gira, entrelaça. Neste sentido, cada pessoa que contribui para escrever o romance no Facebook mantém a narrativa enredada e retorcida.

Autora: Louisa Schaefer (sv)
Revisão: Alexandre Schossler
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Diderot, o enciclopedista, e sua História da Filosofia

Quarta-feira, 10/11/2010

Julio Daio Borges






Digestivo nº 473 >>> Não faz muito tempo, quando alguém resolvia atacar a Wikipedia, invocava, na hora, a tradição dos primeiros enciclopedistas, a saber: Diderot e D’Alembert. A Wikipedia era sempre acusada de imprecisão, de parcialidade e quase de “improbidade administrativa”. Mas, depois de ler Diderot, a pergunta que fica é: “Será que os acusadores da Wikipedia leram os primeiros enciclopedistas?”. Porque Diderot, ao contrário do que se poderia imaginar, é personalíssimo. Nesta continuação da sua História da Filosofia (que integra a famosa Enciclopédia, pela editora Perspectiva), ele não poupa elogios a Francis Bacon, quem nem é tão lembrado hoje, e desanca, por exemplo, Spinoza, porque, no alto do Iluminismo, Diderot não admitia um filósofo que não fosse minimamente religioso. O que é espantoso, mesmo para os padrões da Wikipedia ;-) Por incrível que pareça, o que há de mais saboroso nessa História da Filosofia são, justamente, as anedotas, as vidas dos filósofos, mais do que as filosofias propriamente ditas. Diverte-nos – outro exemplo – saber que Aristóteles, além de ser “A Inteligência”, na Academia de Platão, era um brincalhão, e tirava a concentração dos colegas, para a irritação do mestre. Diderot não se furta a colocar Leibniz nas alturas – mais um exemplo de personalismo –, afinal ele lançou as bases para a consagração do termo “enciclopédia”; mas, ao mesmo tempo, lamenta que, na França de sua época, se ensine mais “filosofia inglesa”, de Newton – embora não dedique ao precursor de Einstein nenhum capítulo... Objeções virão no sentido de considerar Newton um “físico” e não um filósofo propriamente dito, mas o capítulo extremamente elogioso sobre Galileu confirma que o nosso Diderot foi parcial, sim. (Jimmy Wales, pai da Wikipedia, talvez merecesse, como Galileu, a fogueira, a depender dos nossos inquisidores off-line...) Nomes como Thomasius, a quem Diderot consagra algumas dezenas de páginas, praticamente se perderam no limbo. E Malebranche, embora não esteja 100% esquecido, perdeu historicamente a influência. Por outro lado, suas apostas em Hobbes e Heráclito se revelam corretíssimas; o primeiro, por seu Leviatã, ensinado até hoje; e o segundo, por haver sido reabilitado, pela filosofia alemã. A propósito: nenhuma palavra, por parte de Diderot, sobre Kant, seu contemporâneo. Esse último dado talvez explique por que a História da Filosofia da modelar Enciclopédia se sirva (ainda) da escolástica, mesmo com alguns laivos de filosofia moderna... E ai de alguém que, a título de experiência, reproduzir um único (e escasso) verbete do mestre Diderot, na Wikipedia – será desancado através dos séculos... em nome da... da... Enciclopédia (não lida)!
>>> Diderot: Obras VI - O Enciclopedista - História da Filosofia I
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Diderot Obras VI - O Enciclopedista

Conceito do Leitor:  Seja o primeiro a opinar
Autor: GUINSBURG, J.
Autor: ROMANO, ROBERTO
Editora: PERSPECTIVA
Assunto: FILOSOFIA
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Julio Daio Borges
Editor

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Sobre o autor:

ROMANO, ROBERTO
Roberto Romano é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Campinas e ensaísta com presença marcante no debate de idéias, no Brasil. Voltado sobretudo para os temas e problemas – contemporâneos ou clássicos – da ética, da política e da estética, seu pensamento crítico vem se traduzindo em larga colaboração na imprensa e em palestras e conferências, bem como em numerosos estudos e ensaios publicados em revistas especializadas ou em livros. É autor de 'Brasil, Igreja contra Estado'; 'Conservadorismo Romântico'; 'Corpo e Cristal. Marx Romântico'; 'Lux in Tenebris'; 'Silêncio e Ruído' e 'O Caldeirão de Medéia'.
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