* Tiago Franco
Tento explicar aos meus filhos, quando eles mostram paciência para me ouvir, que as palavras significam algo e que o discurso, por mais simples que seja, revela o nosso pensamento.
Não há ingenuidade, engano ou desatenção na comunicação de um alto funcionário europeu como Kaja Kallas.
Quando se identifica o que se passa no leste europeu como "guerra russa na Ucrânia" e a chacina de Gaza e invasões da Cisjordânia como "conflito no médio oriente", passa-se a mensagem que de facto se quer passar.
Para Kaja Kallas, uma das caras da UE que a todos nos representa (eu sei, ninguém lhe pediu), no Donbass há uma invasão russa e uma guerra levada à Ucrânia (não é mentira). O agressor está prefeitamente identificado, aos olhos desta dirigente.
Já no médio oriente, o genocídio de Gaza, a expulsão de pessoas na Cisjordânia, os assassinatos no sul do Líbano ou o bombardeamento de crianças numa escola do Irão, são parte de um conflito. Ponto. Sem agressor, sem invadidos. Apenas um conflito entre partes.
Isto é importante porque mostra, ao fim de vários anos de sucessivos crimes de guerra do regime de Netanyahu e massacres sem fim, com apenas um exército em campo e do outro lado movimentos de resistência, mesmo assim, a UE continua a sem conseguir condenar o governo de Israel.
Mesmo com 80 palestinianos mortos para cada vítima do 7 de Outubro, a UE não tem coragem de tomar a posição da decência e condenar os crimes israelitas.
Sempre fui favorável ao projecto europeu.
Mas esta UE, estes dirigentes, envergonham-me.
7 de novembro de 2026
https://www.facebook.com/tiago.franco.735

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