– O imigrante não determina os salários. Não decide sobre os despedimentos. Não fecha as fábricas nem deslocaliza as empresas. Não é dono dos grandes grupos industriais nem controla os bancos.
– A extrema-direita não cria necessariamente a raiva. Dá-lhe uma orientação reacionária.
* El Hadj Mohamed Brahim [*]
Ventura atiça o ódio e procura bodes expiatórios para a crise.
A extrema-direita está a ganhar terreno na Europa. Na Alemanha, o peso eleitoral da AfD é uma das manifestações mais visíveis desse fenómeno. Em vários outros países, forças nacionalistas, xenófobas e autoritárias estão a ganhar terreno, explorando o descontentamento de uma parte crescente da população.
Esta ascensão é frequentemente explicada pelo aumento do racismo, pelo medo da imigração, pelo nacionalismo, pela desinformação ou ainda pela influência de líderes populistas. Estes fenómenos existem, sem dúvida. Mas não bastam para explicar por que razão a extrema-direita encontra hoje um terreno tão favorável. Para compreender esta evolução, é preciso partir da realidade social.
