As “coisas novas” da primeira
encíclica de Leão XIV
Este Papa não esperou que
amadurecesse o debate sobre o impacte da IA. Leão XIV arrisca a sua palavra
quando muitos outros responsáveis ainda nada disseram sobre as “coisas novas”
do nosso tempo.
Jorge Wemans
7 de Junho de 2026
É sobre “a sede de inovações que se apoderou das sociedades” esta encíclica. A
frase escreveu-a Leão XIII em 1895 a abrir a encíclica Rerum Novarum,
mas aplica-se por inteiro à Magnifica Humanitas de Leão XIV. Há 150 anos
a Revolução Industrial, hoje a Inteligência Artificial (IA). Tempos e questões
diferentes, uma mesma preocupação: que “temíveis conflitos” são criados e
alimentados por estas inovações, que humanidade edificam? O olhar do actual Papa
sobre os desafios do mundo de hoje leva-o a inovar em múltiplos aspectos, de
tal forma que esta sua encíclica difere de todas as anteriores dedicadas à
“questão social”.
Desde logo é o próprio Leão XIV que
sublinha essa necessidade de um pensamento católico em constante evolução,
contrariando o preconceito ainda reinante na Igreja Católica de que tudo é
imutável nela e na sua missão, porque já foi tudo dito e feito por Jesus
Cristo. Pelo contrário, escreve o actual bispo de Roma, o pensamento católico
tem de recorrer ao “essencial contributo da filosofia e das ciências humanas e
sociais, que ajudam a compreender e a analisar mais profundamente as dinâmicas
culturais, económicas e políticas”.
E é por isso que afirma que a
“doutrina social da Igreja surge, não como um manual de princípios e normas a
aplicar, mas como um caminho de discernimento comunitário (…) deixa-se
interrogar pelos sinais dos tempos; nutre-se dos contributos das ciências, das
culturas e das experiências humanas”. Consequente com esta afirmação, a Magnifica
Humanitas não se apresenta como a última palavra sobre a IA e as suas
consequências, mas como o início de “um discernimento partilhado, capaz de
penetrar nas raízes espirituais e culturais das transformações em curso”.
Leão XIV coloca-se, assim, muito
longe da “Igreja mestra da última palavra” e cita o Papa Francisco para
explicar como quer que a sua palavra seja entendida: “A Igreja não pretende
oferecer ‘uma palavra definitiva’, mas reconhece a importância de ouvir a
investigação científica e favorece um intercâmbio sério e leal entre
estudiosos, acolhendo a diversidade de opiniões”. Talvez seja este seu
posicionamento que lhe permite usar expressões tão fortes e exprimir conclusões
tão veementes nesta sua primeira encíclica.
Outra das grandes inovações deste
texto diz respeito ao tempo em que ele é publicado. Este Papa não esperou que
amadurecesse o debate sobre o impacte económico, social e cultural da IA e dos
seus futuros desenvolvimentos. O Papa Prevost arrisca a sua palavra quando
muitos outros responsáveis ainda nada disseram de substancial sobre as “coisas
novas” do nosso tempo. E, desse modo, afirma-se como alguém à frente do seu
tempo.
O tempo da escolha decisiva
Num tempo acelerado como aquele em
que vivemos, Roma não quer ficar à margem, maldizendo a rapidez com que os
acontecimentos se sobrepõem e os processos se sucedem. Mantendo uma reflexão
crítica sobre a euforia do passageiro, o Vaticano parece ter entendido a
colossal diferença entre erguer a sua voz hoje ou amanhã. E o contraste com o
passado é, ele mesmo, abissal.
Leão XIII escreveu sobre as
consequências da Revolução Industrial um século depois de ela ter começado. Era
o tempo do “esperar para ver”, da palavra última e definitiva que exigia uma
longa e demorada avaliação dos fenómenos sociais. O Vaticano intervinha
empurrado por uma realidade que já transformara boa parte do mundo e sobre a
qual quase tudo já havia sido dito.
Por sua vez, o Papa Francisco
recuperou décadas de atraso da Igreja Católica em relação à “questão ambiental”
que as outras Igrejas já tinham relevado como incontornável. Fê-lo com uma
encíclica memorável, a Laudato si’. A Igreja Católica chegava tarde ao
debate sobre a crise climática, mas, graças à genialidade espiritual de um Papa
e ao inquestionável conhecimento científico dos conselheiros de que se rodeou,
marcava de forma irrevogável o futuro da “questão ambiental”.
Francisco veio propor uma nova
interpretação das causas profundas da destruição do planeta e oferecer uma
visão abrangente e articulada das crises que a humanidade enfrentava e
enfrenta. Ao mesmo tempo, na sua Laudato si’ cunhava conceitos e
expressões que se tornariam parte incontestada do património de quantos
defendem a sustentabilidade do planeta. A Igreja chegava no século XXI a uma
“questão social” vinda do século anterior, mas conseguia unificar as suas
anteriores intervenções parcelares e acções dispersas num documento poderoso
que a academia recebeu com respeito e agrado.
A urgência que agora move o Papa
americano, não é a do desejo de protagonismo, ou a do medo que dele se
esqueçam. O que o move é a consciência de que, perante os avanços da IA, a
Humanidade — que Deus criou tão amorosamente que merece ser apelidada de “magnífica”
— enfrenta uma “escolha decisiva”: ou a aproveita para “fazer amadurecer a
história como um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a
justiça promovida e a fraternidade possibilitada”; ou permite que com ela se
construa “um mundo desumano e mais injusto”.
Esta é também uma dupla inovação
trazida ao pensamento social católico pela Magnifica Humanitas: não se
trata de ponderar os efeitos positivos e os negativos de uma nova tecnologia —
aplicando erroneamente às questões sociais o famoso “sim, mas também” que tão
bons serviços prestou à teologia —, ou de apelar a grupos ou classes sociais
para que encontrem soluções que permitam superar os conflitos. Nada disso. Do
que se trata é de desafiar todos e cada um a contribuir, aos diferentes níveis
de responsabilidade, para um desenvolvimento controlado da IA que garanta em
cada momento a promoção do desenvolvimento integral de cada ser humano.
Controlados por um poder opaco
Optar entre aqueles dois pólos
daquela “escolha decisiva” parece simples, fácil e indiscutível. Entre um mundo
que salvaguarde a dignidade de cada pessoa e um mundo desumano e injusto,
haverá dúvidas sobre qual escolher?
Há. Mais do que dúvidas. Há práticas,
opções, comportamentos e processos quotidianos que criam relações e realidades
desumanas e injustas favoráveis à consolidação de uma “lógica da eficiência, do
domínio e do lucro que governe por si só as escolhas pessoais, sociais e
económicas”.
A mentalidade dominante, não apenas
em países do Ocidente, mas um pouco por todo o mundo, é condicionada pelo
“paradigma tecnocrático em que estamos imersos, potencializado pela revolução
digital e pela IA”, paradigma que faz “parecer justa e normal uma visão
anti-humana, segundo a qual a plenitude da vida consistiria em possuir mais”. E
possuir mais parece ser a ambição que todos querem ver preenchida.
Sobretudo numa época em que os
antagonismos são favorecidos pelas “redes de comunicação, os ambientes
informativos fragmentados e os algoritmos que privilegiam o confronto” e,
assim, amplificam “a polarização e o ressentimento, aceleram a propaganda e dificultam
o discernimento comum”. Por esta via se “consolida uma cultura do poder, na
qual a disponibilidade de meios e a capacidade de dominar tendem a ditar a
agenda e os critérios de decisão”.
A esta cultura de poder que “penetra
na sociedade, altera relações e comportamentos”, o Papa junta os mecanismos de
desinformação que criam uma falsa “identidade colectiva construída contra um
inimigo”, alimentada por “narrativas nas quais cada um se apresenta como vítima
com direito à vingança” criadas a partir das “simplificações — ‘primeiro, eu’,
‘amigo-inimigo’, ‘nós-eles’”.
Mas, para além dos que se deixam
persuadir de que todos estão contra eles, os ditos “ambientes informativos
fragmentados e os algoritmos” ajudam a criar o “súbdito ideal do
totalitarismo”, que, “como escreveu a filósofa Hannah Arendt, não é tanto o
ideologicamente convencido, mas ‘aquele para quem já não existe a diferença
entre o facto (isto é, a realidade da experiência) e a ficção, nem a diferença
entre verdadeiro e falso (que constituem os critérios do pensamento)’”.~
Vive-se, deste modo, num patamar onde
o risco que a Humanidade enfrenta “não é apenas que algumas tecnologias sejam
mal usadas”. O perigo consiste no facto da técnica ter deixado de ser um mero
instrumento e se ter tornado o critério, ou seja, é ela que “acaba por
determinar o que é importante e o que pode ser descartado, reduzindo a criação
a objecto de exploração e as pessoas a engrenagens de um sistema que quer ser
sempre mais eficiente”.
Se a decisão sobre o que “é
importante e o que pode ser descartado” deixa de pertencer às pessoas e às
sociedades, ela também não é prerrogativa dos Estados, pois “no contexto
digital, o controle das plataformas, das infra-estruturas, dos dados e da capacidade
de computação” pertence a “grandes atores económicos e tecnológicos que, na
prática, estabelecem as condições de acesso, as regras de visibilidade e as
próprias possibilidades de participação”.
Ora, conclui o Papa, “quando um poder
desta magnitude se concentra na mão de poucos, ele tende a tornar-se opaco e a
fugir ao controle público, aumentando o risco de um desenvolvimento distorcido
que gera novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades”.
Críticas de dentro e de fora
Por todo o mundo a Imprensa saudou
calorosamente a entrada de Leão XIV no debate sobre a Inteligência Artificial.
De tal modo que ao fazer para o jornal 7MARGENS a recensão dos títulos de primeira página e dos
editoriais que os jornais europeus e das Américas dedicaram à encíclica, o
jornalista Eduardo Jorge Madureira escreveu: “Ninguém diria que uma encíclica
papal se poderia apresentar como um tema jornalisticamente relevante. (…) As
conhecidas proclamações sobre a irrelevância da voz da Igreja Católica não
foram escutadas”.
Tão rápidas quanto as apreciações
laudatórias, surgiram as críticas. Vindas do interior e do exterior da Igreja
Católica. De dentro, o desinteresse distanciado das correntes mais
espiritualistas para as quais o Papa não tem de perder tempo com estas questões,
pois o seu múnus específico consiste no anúncio das verdades evangélicas e
tratar da alma e do espírito, dedicando-se às coisas de Deus.
Se estas vozes se exprimem em
surdina, já de Silicon Valley vieram críticas bem audíveis atestando que “o
Vaticano não pode ter uma posição sobre a IA, porque não a entende”. Pelo mesmo
diapasão alinhou Doug Burgum, membro da Administração Trump em entrevista à Fox
Business: “Não sabia que opinar sobre tecnologia fazia parte do papel do Papa”.
Outra crítica surgiu de meios
eclesiais de diferente cariz, acusando Leão XIV de ter caído no logro que
denúncia ao dar eco e direitos de cidadania “ao tema que está em todas as
conversas, que os bilionários de Silicon Valley tornaram o assunto do momento”,
levando a Igreja a entrar “no debate que o hemisfério Norte, as empresas mais
poderosas do mundo, definiram como central” e “ao entrar nele — mesmo que
criticamente — legitima-o como o debate que importa”.
Para estes críticos, nada do que o
Papa escreve está errado. Mas gostariam que a encíclica desse conta de que “há
um mundo enorme que não debate algoritmos e que vive com problemas que a IA não
vai resolver” — esse mundo “merecia ser o ponto de partida” para uma avaliação
crítica dos desenvolvimentos da Inteligência Artificial à luz da tradição
evangélica.
Tal como se apresenta, o texto papal
parece dar a primazia à IA e permite a interrogação: “A IA é importante. Mas é assim
tão mais importante do que a fome, a água, as guerras que já existem, as
migrações forçadas, a solidão que corrói as sociedades por dentro?”. E à
interrogação, segue-se a crítica: “O documento toca em tudo isso — mas de
passagem, como contexto para a questão tecnológica. A IA é o primeiro plano. O
resto é cenário”.
Mais contundente é a apreciação
negativa das propostas de Leão XIV para controlar os desenvolvimentos da
Inteligência Artificial e garantir que estes são colocados ao serviço de todos
e do aprofundamento da dignidade humana de cada um. A ideia de que “os Estados
e as instituições supranacionais são chamados a garantir regras justas e
tutelas efectivas” sobre os produtos da IA é fustigada por quantos vêem nela um
apelo “aos burocratas de Bruxelas” e “às ineficazes intervenções das Nações
Unidas” que apenas adiam o desenvolvimento tecnológico, sem democratizar as
suas aplicações.
A IA e a guerra permanente
Para um Papa que começou o seu
pontificado com a invocação de “uma paz desarmada e uma paz que desarma”, o
tema da guerra não podia estar ausente quando discorre sobre a IA, tanto mais
que esta se tornou essencial na preparação, no desenho e na concretização das
acções de guerra mais violentas.
Leão XIV constata o que todos
sabemos: “Assistimos a uma verdadeira mudança de paradigma no discurso público
e nas decisões em matéria de rearmamento, com uma preocupante reabilitação da
guerra como instrumento de política internacional”. Ao mesmo tempo, degradam-se
“os critérios éticos que tinham limitado o seu uso” como meio de resolver os
conflitos e, em simultâneo, confere-se, ilicitamente, “decisões letais a
sistemas artificiais”.
Resumindo, a visão do Papa americano
é a de que a guerra é hoje uma opção normalizada pelo discurso armamentista e
ninguém se assume como responsável pela decisão de onde, quem, quando matar e
destruir. A Inteligência Artificial é que decide. Contra este estado de coisas,
Leão XIV é peremptório: “Não existe algoritmo que possa tornar a guerra
moralmente aceitável”.
Enquanto o mundo assiste à explosão à
distância que apenas mata e destrói no espaço do inimigo e muitos se
congratulam com o facto de os “nossos rapazes” não serem sequer beliscados
porque se encontram a milhares de quilómetros do conflito, acompanhando sistemas
auto-inteligentes que levam a cabo operações antes protagonizadas por soldados,
aviadores e marinheiros, o Papa escreve uma encíclica para exigir que “a
responsabilidade e eventuais culpas [no uso das armas] não se dissolvam ‘na
máquina’, ou em processos pouco transparentes ou automatizados”.
Quando estão em jogo vidas humanas, a
decisão de matar ou de as poupar não pode ser deixada ao arbítrio de um
qualquer sistema artificial por mais sofisticado que seja. Coerente com a sua
cruzada em favor da paz e do diálogo como meio de resolução dos conflitos, Leão
XIV exige que “a cadeia de responsabilidades deve permanecer identificável e
verificável: quem projecta, quem treina, quem autoriza e quem utiliza [armas
incorporando IA] deve poder prestar contas das suas escolhas”.
A formulação destas exigências
representa um sobressalto num tempo em que “a guerra não só não é combatida,
como é preparada culturalmente através de narrativas simplistas, lógicas de
amigo-inimigo, desinformação e medo” e “a violência é apresentada como
necessária, inevitável ou mesmo ‘limpa’ e a humanidade se encontra a resvalar
para a cultura violenta do poder, onde a paz já não aparece como uma tarefa a
assumir, mas como um intervalo precário entre conflitos”.
É preciso, diz o Papa, fazer uma
pausa na corrida à Inteligência Artificial e ponderar prudentemente que mundo e
que humanidade ela está a construir, mesmo que disso não tenhamos consciência.
E essa reflexão não pode ser feita apenas pelos poucos que pensam controlá-la,
mas que na realidade mais não fazem do que direccioná-la. É preciso
responsabilizar o seu uso, torná-lo transparente e garantir que a todos
beneficia. Mas é também necessário conhecer os contornos da guerra cultural que
ela veio potencializar.
Para evidenciar os pressupostos
culturais que acompanham a revolução digital em curso, o Papa identifica
“algumas correntes que colonizam o imaginário colectivo de forma simplificada,
especialmente nos meios de comunicação e nas redes sociais” nos quais tratam de
confundir o progresso com a “superação do humano”, estimulando o “entusiasmo
pelas novas tecnologias com uma visão futurista do ‘homem aperfeiçoado’ ou do
‘homem hibridado’ com a máquina”.
Essas correntes, apostadas num
projecto de poder capaz de “eliminar o imprevisto, controlar tudo” e “reduzir a
fragilidade humana” articulam-se, quer no transumanismo, que, em linhas gerais,
“imagina um aperfeiçoamento do ser humano através das tecnologias (biomedicina,
engenharia corporal, dispositivos, algoritmos), aspirando a aumentar o seu
desempenho e capacidades”, quer no pós-humanismo que aponta para “uma forma de
hibridação entre o ser humano, a máquina e o ambiente, chegando a imaginar uma
transição em que a humanidade se superará a si própria, entrando num novo
estádio de evolução”.
Mas que risco, que perigo real
representam tais correntes científico-ideológicas que parecem pertencer mais a
um enredo de ficção-científica do que ao mundo concreto em que vivemos?
Mantendo uma reflexão crítica sobre a
euforia do passageiro, o Vaticano parece ter entendido a colossal diferença
entre erguer a sua voz hoje ou amanhã. Jorge Wemans
O alerta do Papa Prevost pode sintetizar-se deste modo: a promessa de um homem
sem limites, liberto de todas as fragilidades, do erro e eventualmente da
própria morte, é um horizonte de desumanização em que o ser humano será
“tratado como matéria a aperfeiçoar ou a ultrapassar” e será “mais fácil
aceitar que alguns sejam considerados menos úteis, desejáveis e dignos”.
Já, actualmente, sublinha o documento
papal, “tudo o que se apresenta como ‘limite’ — incapacidade, doença, velhice,
sofrimento, vulnerabilidade — tende a ser interpretado, antes de mais, como um
defeito a corrigir, e não como um espaço onde o humano amadurece e se abre à
relação”.
Em contracorrente com esse pensamento
dominante, o Papa recorda “que o humano não floresce apesar dos limites, mas,
muitas vezes, através dos limites” e, mais: “É precisamente na nossa limitação
que encontram espaço a compaixão, a sincera preocupação perante as necessidades
dos outros, a generosidade que surpreende mesmo no meio da escuridão e do
fracasso, a experiência espiritual e a adoração de Deus”.
É essa a escolha decisiva, resume
Leão XIV, que a magnífica humanidade criada por Deus tem perante si: erguer uma
nova torre de Babel, personificação de um poder humano sem limites, mas em que
ninguém se entende; ou construir a cidade edificada com base na cooperação de
todos e o contributo de cada um, em que Deus e a humanidade habitam juntos.
Jornalista. Editor do jornal 7MARGENS

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