quinta-feira, 5 de junho de 2008

25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (31)

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AINDA SOBRE HUMBERTO DELGADO (1)

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* Artur Silva
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Num país em que metade da população passa fome, enquanto a outra metade enche os aviões para Cuba, para o Brasil e para o Dubai, falar sobre o General Humberto Delgado não será a situação mais preocupante para o povo que está na miséria.

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Os portugueses, ainda que em muitos casos de forma escondida, porque tem vergonha de viverem no limiar da miséria, estão mais preocupados com o não poderem comprar o pão e o leite em quantidade que satisfaça as suas necessidades.

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Mas, mais um livro surge sobre a morte de Humberto Delgado. O autor é o neto que tem todo o direito de escrever sobre o avô. Será até um dever de consciência.

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Mas parece-me que ao lançar a polémica sobre a forma como Humberto Delgado morreu, tem o objectivo de atingir Salazar, o que na verdade aconteceu na apresentação do livro. Pezarat Correia afirmou publicamente que Salazar sancionou “a missão criminosa” da PIDE.

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Sobre Salazar podem destilar todo o veneno que quiserem, chamando-lhe autoritário, ditador, fascista, e tudo o mais, mas estúpido ninguém terá a coragem de lhe chamar.

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Qualquer pessoa, com um mínimo de inteligência, saberá que não seria nada conveniente a Salazar a morte de um opositor e muito menos com o estatuto do General Delgado.

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Humberto Delgado aceitou o apoio dos comunistas para a sua campanha eleitoral numa altura em que o poderio soviético subjugava grande parte da Europa martirizando as populações.

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Humberto Delgado sabia perfeitamente dos malefícios do comunismo no mundo e da repressão que sofriam os povos que estavam debaixo do jugo Marxista-Leninista, mas aceitou a ajuda do partido comunista. Mas vamos considerar várias questões:

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— Será que Delgado ganhou as eleições?

Se alguém ainda vai na treta de que Delgado ganhou as eleições, é porque não conhecia o Portugal de então. Em todas as localidades do interior do país o povo era esmagadoramente anticomunista, como tal nunca apoiaria Delgado para Presidente da República. O resto são mentiras convenientes politicamente para denegrir o Estado Novo.

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— Será que a Pide queria assassinar Humberto Delgado?

Pezarat Correia considerado “lacaio do comunismo”1, disse em 7 de Maio (2008), na apresentação do livro de que é autor o neto de Delgado, que “Salazar soube e sancionou a missão criminosa” da PIDE que levou à morte do general, em 1965. Seja qual for o motivo que levou à morte de Delgado, logicamente não havia interesse da PIDE em criar um mártir. E um opositor político quando morre é sempre um mártir.

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1 “Lacaios do comunismo” é a opinião do General Silva Cardoso em relação a Pezarat Correia, Rosa Coutinho e Emílio da Silva, referido na pág. 130, no livro “25 de Abril de 1974 A Revolução da Perfídia”.

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— Então quem o matou Delgado?

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Sobre esse assunto o Tribunal Militar entendeu ter sido Casimiro Monteiro. Mas teria existido qualquer influência externa sobre Casimiro Monteiro?

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Eurico de Melo do PSD, entrevistado por Margarida Marante em 17-2-95 na "SIC", inquirido sobre a morte do general Delgado, disse que o Emídio Guerreiro lhe afirmara, que quem atraiu o general à cilada foi o partido comunista.

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Será que Emídio Guerreiro mentiu?

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— Será que a PIDE queria proteger Delgado e possibilitar-lhe o regresso a Portugal?

Eram do conhecimento geral os problemas com que Delgado se confrontou desde a sua saída de Portugal. Pelo que era absolutamente natural que quisesse regressar a Portugal onde viveria em paz. Certamente que a PIDE o queria proteger perante o interesse evidente da “oposição” em arranjar um mártir.

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Seria muito conveniente poderem culpar Salazar e a PIDE se Delgado fosse assassinado, o que infelizmente aconteceu.

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— Será que a PIDE tinha ordens para defender Delgado com a própria vida?

Naturalmente que sim. Daí que outra brigada, que noutro local e em data anterior, também aguardou a chegada do General, tivesse recebido ordens rigorosas para o protegerem. (dizia, o subinspector, chefe dessa brigada, “eles” querem matá-lo).2

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Era óbvio, que se Delgado morresse de forma a poder-se atribuir a responsabilidade à PIDE e a Salazar, seria muito conveniente para a oposição.

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2 O “eles” era referente ao Pc e a toda a oposição, em especial o chamado grupo de Argel.

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— Teria Delgado morrido em resultado de agressão física?

O Tribunal Militar que julgou os elementos da brigada chefiada por Rosa Casaco, considerou que a morte de Delgado foi resultante de ter sido atingido a tiro. O neto do general afirma que a morte foi resultado de agressões físicas e não por ter sido baleado e que os juízes do Tribunal Militar são “fascistas”. O neto afirma que a autópsia feita em Espanha indica que a causa da morte foi agressão física. É estranho o Tribunal Militar de Santa Clara não ter considerado essa hipótese. Mas será o resultado dessa autópsia credível? Claro que há a possibilidade do resultado da autópsia ter sido manipulado. Bastava ter sido realizada por médicos contrários ao regime de Franco e como tal também de Salazar.

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— Sobre a morte, qualquer das hipóteses é de considerar.

Humberto Delgado, habitualmente trazia pistola à cinta 3. Tanto Casimiro Monteiro como Humberto Delgado eram fisicamente robustos e pode ter acontecido um confronto físico.

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Delgado era um indivíduo “militarão” (palavras do neto na entrevista feita por António Sala, na Rádio Renascença que ouvi em directo), rijo, duro, teimoso até mesmo no seio da família. Nos Estados Unidos, (disse o neto), obrigou a família a durante 3 meses só se alimentarem com leite e bananas. Certamente que não recusaria uma luta corpo a corpo.

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Pessoalmente, acho mais plausível ter sido baleado. Mas para o caso tanto faz. O ideal era não ter morrido.

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3 Diz o General Silva Cardoso na pág. 196 do livro da sua autoria “25 de Abril de 1974” A Revolução da Perfídia — Ele puxou da pistola que sempre trazia à cinta).

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— Como era o ambiente político em que Delgado vivia em Argel?.

Ninguém gostava dele. Em Argel tudo fizeram para lhe tornar a vida impossível. Ele estava sozinho e em guerra com todos os sectores da oposição da Argélia e com o Pcp.

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O sujeito era realmente indesejável e a sua morte resolvia duas situações:

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— O afastamento de quem estava a ser incómodo e arranjar um conveniente mártir.

Perante esta situação, sem dúvida que Delgado queria entregar-se às autoridades portuguesas. Aqui seria respeitado. Só teria de se desligar totalmente da vida política, da qual tudo indicava já estar saturado.

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— Humberto Delgado era da CIA?

Julgo que com verdade só a CIA poderá responder. Mas a minha opinião é a que o partido comunista tinha na altura da campanha eleitoral em que Delgado se opôs a Américo Tomás.

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Assisti à inscrição a tinta, nas paredes de Lisboa, do slogan: Delgado = CIA. Essas inscrições depressa desapareceram quando o Pcp passou a apoiar Humberto Delgado.

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Essa mudança aconteceu após a desistência de Arlindo Vicente e também coincidiu com uma reunião num restaurante que existia na altura na praça do Areeiro em Lisboa.

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— Humberto Delgado era um herói?

Ser opositor a um governo leva a que se considere que seja herói? Sendo assim, actualmente grande parte dos portugueses são heróis. Embora sujeitos a graves repressões, mais de metade do povo português opõe-se ao governo e diz mal do Primeiro Ministro, o Sr. Engenheiro Sócrates.

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— Obviamente demito-o

A frase — “obviamente, demito-o” não é de qualquer forma uma frase heróica, é apenas uma frase política, empolada pela imprensa e principalmente pela oposição. Tal frase não tem nada de heróico e julgo que nem sequer era inédita. Mas há frases que ficam, como por exemplo “chapéus há muitos” e “o T… lava mais branco”, etc.

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— Se o General fosse eleito Presidente da República demitia Salazar?

Sobre isso não havia dúvidas, porque era óbvio que o general estava muito ofendido por Salazar não o ter nomeado Embaixador de Portugal nos EUA ou Governador do Banco Nacional Ultramarino. Parece ter sido uma questão de Tacho ou Vaidade ferida.

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— A designação de “General sem medo” é apenas um título publicitário.

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O professor Fernando Charrua, que foi expulso por ter contado uma anedota sobre o Sr. engenheiro Sócrates, também deve ter o cognome de “Professor sem mêdo”.

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A Delgado também lhe poderiam ter dado o nome de “General conflituoso, irascível e déspota”.

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— Esta foi a opinião da “Associação Humberto Delgado” no Brasil, onde este foi recebido e passados oito dias expulso, segundo o que os responsáveis deste órgão deram a conhecer em comunicado, em que dizem:

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— “Jamais ouviu o parecer de qualquer membro daquele organismo, numa postura de grande exaltação, arrogância e déspota, tratando-nos como se fossemos crianças ou ignorantes” 4

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4 O texto copiado da Página 196 do Livro “25 de Abril de 1974” A Revolução da Perfídia – da autoria do General Silva Cardoso).

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— Mas será que falar de Delgado é o que mais interessa a Portugal?

Sem qualquer intuito de publicidade, neste momento, é muito importante que todos os interessados na Verdade sobre Angola, leiam o Livro “HOLOCAUSTO EM ANGOLA” de Américo Cardoso Botelho.

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Depois de ler a opinião do socialista António Barreto sobre este livro, considerei ser um dever adquiri-lo. Não é publicidade ao livro. Custou-me 25 euros. Considero-o um documento histórico. É impressionante o testemunho de quem passou e assistiu ás atrocidades inconcebíveis feitas em Angola pelos esbirros do MPLA, por militares cubanos, alemães (da ex-RDA) e nortecoreanos.

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-- Entre outras humilhações, os interrogatórios às mulheres eram feitos com elas nuas, para mais as humilhar e entre outras selvajarias, sadicamente enterravam-lhes canos de armas nas vaginas.

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-- Aos homens, entre muitas outras sevícias, além de choques eléctricos, atavam-lhes o pénis e os testículos com arames e puxavam, provocando dores horríveis. Alguns interrogadores divertiam-se a perfurar o ânus dos prisioneiros. Uma das situações que até agora mais me impressionou neste livro vem descrita na página 89 que aqui transcrevo:

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… o interrogado não estava a dizer aquilo que o inquiridor pretendia. Furibundo, Carlos Jorge (da DISA, polícia política Angolana), ordenou-lhe que abrisse a boca; quando a viu aberta escarrou-lhe para dentro. A expressão de repulsa do interrogado foi imediata, mas Carlos Jorge, gritando “… engole… engole…” e desferindo golpes rudes no rosto já desfigurado, não deixou que o interrogado cuspisse para fora da boca aquele escarro nojoso.

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Foi a estes assassinos que os responsáveis pelo 25 de Abril entregaram grande parte do território português, levando as suas populações a sofrerem atrocidades horríveis. Em certas regiões os seres humanos que lá viviam foram simplesmente chacinados.

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Muitos dos fuzilados, para que não ficassem as ossadas como testemunho da morte, eram regados com gasolina e os corpos incinerados. Foram vividas situações inacreditáveis de horror e humilhação humana.

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Mas já chega de Delgado.

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O caso foi julgado e a conclusão foi que Casimiro Monteiro, matou Humberto Delgado.

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Morte desnecessária que só veio favorecer os opositores de Salazar.

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Quanto a Casimiro Monteiro. Foi um indivíduo, que de forma um pouco estranha tinha sido admitido ao serviço da PIDE. Consta que teria sido o director Major Silva Pai, que para fazer um favor a um amigo de alta patente do Exército autorizou a sua admissão.

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As brigadas do serviço externo que tinham como missão a vigilância política, receberam ordens para evitar qualquer contacto com o Casimiro.

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Pessoalmente lamento a morte do ser humano Humberto Delgado.

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E também porque sendo adepto fervoroso de Salazar, reconheço que esta morte prejudicou a imagem do regime. E até admito ter sido esse o objectivo.

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Mas perante tanta atrocidade que os comunistas, de quem Delgado se tornou aliado, fizeram e têm feito pelo mundo, sinceramente fico insensível perante este caso.

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Quem se alia aos comunistas é como eles. Que tenha morrido com um tiro ou de qualquer outra forma, será um assunto de interesse para o neto.

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Para a maioria do povo que já passa fome, não é relevante.

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Os melhores cumprimentos de

Artur Silva -- Santarém

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in PortugalClub - qui 05-06-2008 1:15

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ver

Série - Portugal - «Eleições» de 1945 a 25 de Abril de 1974

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A «cartilha» continua a ser a mesma, a de Santa Comba ? - Victor Nogueira

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (30)




Relato"ABRILprisõesMIL"
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Relato de Manuel Maria Múrias
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Já não sei quem foi que disse:Quando ouço gritar: — Viva a Liberdade — volto-me logo a contar os presos...Em Portugal, nestes últimos vinte meses tem sido rigorosamente assim: — temos passado a vida a contar os prisioneiros, por entre o estrondear dos vivas à liberdade...
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No dia 26 de Abril de 1974, para reacender a luz da liberdade e da democracia escurecida pela longa noite do fascismo saíram da cadeia 150 pessoas — e entraram 2.000. Seis meses tornados, no 28 de Setembro, para assegurar melhor a liberdade e a democracia prenderam-se mais duas ou três centenas. Por volta do 11 de Março, o glorioso M.F.A., sempre no saudável intento de defender a liberdade e a democracia endemicamente periclitantes encarcerou outras tantas centenas de homens, até aí libérrimos. Um semestre passado, no 25 de Novembro, de novo para garantir a liberdade e a democracia agredidas violentamente pelas quadrilhas contra-revolucionárias, democraticidas e liberticidas que, até aí, as tinham defendido, detiveram-se cuidadosamente novos rores de gente. Fundadora das grandes penitenciárias e dos campos de concentração (os primeiros instituiram-nos os ingleses na guerra dos boers) a democracia clássica alimenta e vivifica com carinhos extremos uma já velha tradição carcereira...
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Em Portugal, por junto e contado, o horroroso fascismo, em quase meio século de existência, nunca foi tão longe. O Marquês de Pombal revelou-se-nos muito mais modesto; miguelistas e liberais, em relação aos nossos dias, portaram-se com parcimónia; os velhos republicanos românticos, embora democratíssimos, não se podem comparar. A história de Portugal não regista em tempo algum grande fervor prisional; batemos agora todos os nossos antigos níveis de repressão policial. Nunca fomos tão livres — com tantos presos. O Pina Manique ao pé do ex-general Otelo é um anjinho com asas de tarlatana; o Teles Jordão(*) ao lado do comandante Xavier é um néné de nanar.(*) – Teles Jordão, comandante do Forte da Junqueira, prisão miguelista.
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Diz-se para aí que só a verdade é revolucionária. A frase é bonita. Se não for só um blague dos políticos, sempre me atreverei a dizê-la. Já agora estou velho para começar a mentir; suficientemente jovem ainda, porém, para distinguir uma revolução duma substituição — e dizê-lo.
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No pensamento político português pouco especulado e comentado, a primeira missão do poder é fazer justiça. E fazer justiça é, no melhor pensamento político português, defender o fraco do forte, distribuir equitativamente a riqueza, recriando-a e aumentando-a, garantir as liberdades, não abusar do poder, nem da autoridade, julgar insensatamente. De Garcia de Resende ao Padre António Vieira, passando por João de Barros e por Bernardes, a teoria do poder político em Portugal resume-se em fazer justiça. Daí que se não possa fazer política — sem fazer justiça. O que se passa neste momento em Portugal, nesse transcendente plano, deve ser considerado como uma infâmia que nos emporcalha a todos, portugueses, livres e presos.
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Não quero falar, por agora, dos perseguidos, dos exilados, dos desalojados, dos espoliados, dos desempregados, dos arruinados — de tantos milhões de portugueses que o deixaram de ser por simples decisão do poder político. Não. Quero limitar-me aos presos, aos meus camaradas de tantos meses, vítimas inocentes do ódio demo-comunista que nos sufoca ainda. Quero referir-me só a esses porque talvez sofrendo menos que a maioria acompanhei doloridamente o seu espantoso calvário. Não queria esquecer nenhum: — tenho-os todos na alma. Homens de quase oitenta anos com a genica e a coragem de jovenzitos de vinte; sempre impecáveis, sempre sorridentes, com a dignidade de quem não deve nem teme. Rapazelhos de dezasseis e dezassete anos a comportarem-se com a maturidade e a força de quem já sofreu muito. Lembro-os a todos: — milhares de lições de coragem.
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Às vezes, durante este longo ano, esparramado no meu catre de Caxias ou na minha cela da Penitenciária entretido a contar percevejos (tive a subida honrada de oferecer um ao Vice-Presidente da Cruz Vermelha Internacional que, amavelmente, me visitou pour rien...) — a minha situação parecia-me completamente irreal. Ainda estou para saber porque fui preso — e naqueles momentos, embora a curiosidade me não matasse, o sentir-me personagem de Kafka dava-me um certo gozo intelectual. Depois, mirando os meus companheiros (um pide, um arquitecto, um lubrificador de ascensores, um contínuo, um electricista, um tenente-coronel, dois estudantes, um banheiro, tantas e tantas centenas...) sentia agudamente o que sofriam. E revoltava-me. E perguntava. Como é possível?Como é possível estarmos nós aqui — e o país a ruir lá fora? Como é possível, estando eu preso aqui com mais duas mil pessoas — haver um Ministro da Justiça com o desplante de declarar que, em Portugal, não há presos políticos? Como é possível?
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in PortugalClub - sáb 31-05-2008 22:36
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Aliança NacionalPonto de Encontro Nacionalista
Informações e forum de ideias. Ponto de encontro nacionalista.
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2003/10/24
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AS MINHAS MEMÓRIAS DO MANUEL MARIA MÚRIAS(I)
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* António da Cruz Rodrigues
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Morreu no ano em que morria o século, com 72 anos, o Manuel Maria Múrias, porventura de tanto ter sido um Homem plenamente do seu tempo, tão ardentemente envolvido que andou nos nossos maiores combates da segunda metade do séc. XX. Com o Manuel Maria, desde 1968, o ano em que pessoalmente nos conhecemos, vivi períodos diversos, todos intensos, de aproximação e amizade. Mas os sete anos de 1989 a 1995 foram de proximidade espiritual total e muito profunda, com longas conversas muitas vezes diárias, no mínimo semanais e muito apoio mútuo: sete anos que me dão jus a acreditar que o conheci como poucos. Pelo que, como poucos, fora dos seus familiares, poderei dizer que ao perdê-lo morreu substancial parte de mim mesmo, impedida que ficou essa parte de crescer e renovar-se como se renovava constantemente no convívio com ele. O conversador, o escritor, o jornalista Porque era, como todos os que o conheceram sabem, um conversador incomparável e com os mais imprevisíveis rasgos de humor, com frequência derrapando em catadupas de sarcasmos sangrentos e vingativos. Na noite do velório, quando fomos cumprimentar a família, vim cá fora abraçar o irmão Nuno e ficámos ambos muito comovidos a falar do Manuel Maria. Quando instantes depois demos por nós, calámo-nos de repente, confundidos por repararmos que sem querer tínhamos começado quase à gargalhada a lembrarmo-nos de tantas blagues e situações verdadeiramente hilariantes vividas com o Manuel Maria. Apesar do insólito, recordar Manuel Maria daquela maneira não deixava de ser uma grande homenagem para que a sua memória espontaneamente e ternamente nos arrastava. Esse espírito de grande humor e vivacidade crítica está presente em muitos dos seus artigos e colaborações na Imprensa. Mas também está no livro que é a sua obra mais completa e profunda e que muito me orgulho de lhe ter «encomendado» para uma editora que pensava lançar e viria a ser a Nova Arrancada: o livro é «De Salazar a Costa Gomes», a reflexão apaixonada e lúcida e a mais fascinante que terá sido escrita sobre um dos mais graves períodos de transição da nossa História. Pouco antes tinha ele acabado o «Chiado - Do séc. XII ao 25 de Abril», que através da Universidade Livre também combinara com o Manuel Maria, com o propósito de ser um roteiro capaz de ajudar à ressurreição do Chiado, ardido em 1998, mas que o A. transformaria na belíssima história social e cultural do famoso bairro de Lisboa, que a N. A. igualmente viria a publicar. Em 1997, propus ao Manuel Maria que organizássemos uma 2ª edição do «Chiado», revista por ele e que fosse muito ilustrada. A sua saúde, que o foi ajudando cada vez menos, impediu a concretização da ideia. Hoje lamento-o profundamente, mesmo com a certeza de que essa tentativa foi a única fracassada das várias, para não dizer muitas, em que juntos nos empenhámos. Porque me lembro com alegria e orgulho de tantas em que fomos bem sucedidos, mesmo quando derrotados pela força de certas circunstâncias. Foi o caso do Bandarra. Fora o Múrias quem me deu de chofre a notícia da militarada de Abril, telefonando-me para casa às quatro da madrugada. Eu tinha publicado dois meses antes na Resistência o editorial dirigido ao Spínola, com o título «Demita-se, Senhor General!» Diga-se que o editorial causou um grande impacto nos meios políticos da situação e que muitos consideravam ter dado mais um empurrão decisivo na demissão do general pelo governo Caetano. Múrias, pelo telefone, não deixou de mo lembrar por meias palavras. Fossem quais fossem os revoltosos, não iriam perdoar-mo, deixou entender: «Você acautele-se! Vêm aí tempos péssimos...», desligou. De facto, os vencedores não me perdoaram. Mas a ele também não. Fomos ambos dos primeiros suspensos nos respectivos serviços do Estado e proibidos de aí voltar: ele na R. T.P.; e eu no Ministério das Corporações, logo em 2 de Maio, ambos ficando a aguardar a demissão compulsiva. Éramos peste. Os crimes dele, a avaliar por tudo o que veio a sofrer, seriam ainda piores que os meus. Pois que eu, em processo sem direito a defesa, apenas vim a ser acusado de delitos de opinião cometidos na Resistência, principalmente o editorial publicado contra o Spínola e o artigo que depois aí escrevi também contra o homem, em Junho, a propósito do seu discurso de anúncio da descolonização que havia de revelar-se exemplar. No fundo, eles tinham razão. Éramos não só peste mas pior ainda, indomáveis. O Múrias, porque nos mantínhamos sempre em contacto, sei que não parou; e eu, com alguns amigos do Vector - o Agnelo Galamba de Oliveira, o Adelino Felgueiras Barreto, o Pedro Garcia Rocha, o João Manuel Cortez Pinto e mais três novatos - no dia oito de Maio já estávamos clandestinamente, num pinhal perto de Conímbriga, a encontrarmo-nos com o velho António Sousa Machado, o Fernando Meira Ramos, o Joaquim Mendes de Vasconcelos e o Nuno Bigotte Chorão, idos do Porto, para decidirmos a criação do M.P.P. - Movimento Popular Português. Apoiando-nos secretamente e na sombra, veio logo o Henrique Martins de Carvalho, que tinha estado um mês antes do 25/04 em Lausanne com a numerosa delegação do Vector ao Congresso do Office lntemational desse ano, donde viera espantado com a força das nossas ligações nacionais e internacionais. Mais tarde lamentaria eu não ter ligado às apreciações que o Manuel Maria me veio a fazer da personagem. O M.P.P. foi um dos primeiros «partidos» daquela vaga de «partidos» surgidos como cogumelos logo a seguir ao 25/04 - para desaparecerem aliás, em geral, com o 28 de Setembro (1974) ou com o 11 de Março (1975). Mas foi sobretudo o primeiro de todos, e muito antes de todos, a atacar frontal e expressamente o P.C.P., alto e bom som, por sinal num então famoso folheto de 16 páginas intitulado «PCP Partido Fascista», distribuído aos milhares, e em muitas dezenas de grandes cartazes afixados por Lisboa inteira, tudo a partir da sede da Resistência e do Vector, na Rua Nova de São Mamede. Uma coisa era certa: nós no M.P.P., já em Maio/Junho de 1974 não tínhamos dúvida alguma sobre quem então era o principal inimigo de Portugal e dos Portugueses. Mas, apesar de tanto, naqueles primeiros meses de Revolução do 25 de Abril ao 28 de Setembro, talvez o mais bonito de tudo tenha sido mesmo o Bandarra. Como nasceu o Bandarra Em Abril/Setembro de 1974, eu e mais dois amigos, o Agnelo Galamba de Oliveira e o José Francisco Rodrigues, éramos já os únicos accionistas e administradores que nos aguentávamos de pé e activos na Editorial Restauração, dona do semanário Debate e editora de várias obras muito significativas, de carácter histórico e doutrinário, os três vendo debandar outros e com muitas e mais antigas responsabilidades. Como o Debate não tivesse resistido a essa debandada*, o Manuel Maria procurou-me um dia a perguntar-me se eu e a Restauração não quereríamos editar um novo semanário. Já tinha nome, Bandarra. Obtido por mim o acordo dos meus colegas de administração, respondi-lhe rapidamente que sim, desde logo pondo à disposição do novo semanário as instalações para o funcionamento da sua direcção e redacção e o pessoal que tínhamos, os inesquecíveis e mesmo heróicos e sacrificados irmãos Lopes. Com tudo isso, passados poucos dias, já o Manuel obtinha a garantia de apoio financeiro de importantes senhores da nossa praça. Assinadas e avalizadas pelos três administradores em exercício as livranças que ficavam a garantir o empréstimo bancário facultado pelos aludidos senhores, o Bandarra pôde arrancar. Em glória, como todos sabem, tal foi a onda de surpreendido entusiasmo e jubilosa esperança que imediatamente começou a chegar-nos. Talvez não seja excessivo dizer-se que o Bandarra terá sido uma das causas da feroz reacção comunista triunfante com o 28 de Setembro. De facto, os comunas e apaniguados podiam lá tolerar aquela tão clara manifestação anti e contra-revolucionária, dum vigor como depois do 25 ainda se não vira? O 28 de Setembro é o claro desmascarar do PREC até aí mais ou menos tacteante e às apalpadelas e o Bandarra e o seu principal mentor jornalístico, o M.M.M. - grandemente apoiado pelo Miguel Freitas da Costa -, não podiam deixar de ser das primeiras e das principais vítimas do PREC. O Múrias foi para o RALIS e logo para o Forte de Caxias, ainda em 28, depois para a Penitenciária, aí permanecendo até perto do Natal de 1995, um dos últimos criminosos reaccionários da vaga do 28/09 a serem libertados; e o Bandarra, assaltadas e vandalizadas as instalações da Travessa de São Pedro (em Lisboa), impedidos pessoal e dirigentes de lá entrarmos durante meses, queimado à porta, na rua, pela populaça, os exemplares do número dois, não pôde continuar a publicar-se. Digamos que o fracasso do Bandarra foi no mínimo, mesmo assim, uma derrota honrosa. Algum tempo depois fui chamado a Caxias para prestar declarações. Queriam saber porquê e como tinha nascido o Bandarra. Quando me interrogaram sobre o Múrias e lhes respondi que o considerava o maior jornalista português vivo, os dois tenentes que me ouviam - tenho ideia que não passavam de tenentes, se não mesmo de alferes – olharam-me como ET's e não quiseram mais nada; puseram-se a redigir o auto de declarações, que assinei, e mandaram-me logo embora. Não voltaram a incomodar-me, nem a nenhum dos restantes administradores. Mas outros o tinham já feito ou viriam a fazê-lo, por causa da Resistência e do Vector... Ainda uma nota curiosa sobre o rescaldo do Bandarra: surpreendentemente, nunca ninguém viria a exigir, nem aos avalistas, o pagamento das letras do empréstimo bancário à Restauração, todo gasto nos três números publicados. Coisas do 28/09 e do 11 de Março, e suas nacionalizações, que deixaram os prequianos empanturrados, incapazes de digerir e organizar as suas conquistas, ou sequer de travar o caos por eles e elas desencadeado... _____________________________________ * o último número do "Debate" saiu ainda esse sábado, a seguir a 25/04/74, porque já estava na tipografia.


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AS MINHAS MEMÓRIAS DO MANUEL MARIA MÚRIAS (II)
António da Cruz Rodrigues (continuação do post de 2003/10/24) Depois da prisão: a Rua. Sem ironia... Quando saiu da Penitenciária, depois de quase catorze meses de prisão sem culpa formada - visitei-o lá duas vezes e continuava feroz e pronto para a blague como sempre - o Múrias vinha ansioso e pronto para novas batalhas e a transbordar da sua verve combativa, como que renovada e reciclada pela grandeza da experiência que para ele foi a prisão. Talvez de tão injusta, que por isso não o diminuiu nem na sua inteligência, nem na sua dignidade, antes pelo contrário. Pedi-lhe que relatasse para a Resistência, que eu dirigia - quase a única e a mais duradoura sobrevivente à Revolução das publicações de análise doutrinária, de crítica e de combate de antes de Abril - pedi ao Múrias que relatasse para aí as suas experiências e meditações da prisão, tão fascinado me senti com os seus relatos orais. Ele era aliás um velho colaborador da revista. Correspondeu por isso prontamente ao meu convite, em artigo que convido os leitores de agora a ler ou reler se tiverem a Resistência à mão, para imaginarem ou recordarem as extraordinárias impressões que causou *. Foi ali que o Múrias renasceu para o jornalismo - e com que brilho! - depois de libertado, antes de lançar-se, um ano e tal mais tarde, na criação, direcção e redacção da Rua, em cuja origem e vida nada tive, talvez porque andávamos ambos exclusivamente absorvidos e dominados cada um por seu projecto: ele a Rua e eu a Universidade Livre e comigo todo o grupo do Círculo de Estudos Sociais Vector e alguns convidados. Julgo que um dos maiores prejuízos - ou crimes? - causados - cometidos? - pelo PREC foi ter sequestrado na prisão, entre Caxias e a Penitenciária, durante o longo período de 14 meses, uma parte muito importante da elite social e cultural portuguesa. Atrevo-me a dizer que não tanto pela duração do período de prisão, e prisão sem provas nem pronúncia, mas sobretudo pelo que esse período, coincidente com o PREC, significou para a vivência nacional dos Portugueses. Sob esse aspecto, terá sido mesmo - creio firmemente - o período mais importante destes 50 anos da vida dos Portugueses como entidade colectiva nacional, agudamente consciente de si mesma, período só sobrepujado pela grandeza da mobilização nacional durante alguns anos das guerras do Ultramar. Deste ponto de vista, o Múrias foi seguramente uma das grandes vítimas do PREC abrilino. Cuidadosamente guardado como ele dizia, em Caxias e na Penitenciária pelo pavor que os donos do PREC tinham da reacção (nacional) - talvez o maior factor da derrota final deles - o Múrias não pôde viver na carne e no convívio ombro a ombro, de todos os dias, como todos nós os que ficámos cá fora, a magnitude e o sublime dessa experiência espontaneamente colectiva, durante esses meses e sobretudo entre 13 de Março e 25 de Novembro de 1975, numa apoteose épica que atirava os Portugueses como um homem só ou uma só família, numa só e única expectativa, contra a frente comunista e anti-nacional dos partidos e organizações militares ou civis de esquerda. Ao Múrias, como a tantos outros companheiros seus de cadeia, ficou a faltar-lhes seguramente essa experiência intransmissível para compreenderem que, finda ela, o combate que se impunha à Direita já não era o mesmo combate de antes do 28 de Setembro. Já não se impunha tanto o combate político-polémico do Bandarra, retomado pela Rua, mas outro, o combate cultural, de que a maior expressão, na sociedade civil, viria a ser - o que até hoje ninguém foi capaz de negar - a criação da Universidade Livre. Uma constatação se impõe, porém: se a Rua foi derrotada por carência já de ambiente oportuno, a Universidade Livre também foi derrotada, ainda que pelo contrário, isto é, por excesso de receptividade ambiente. Muitos videirinhos do meio universitário entenderam a Universidade privada antes de mais como uma formidável oportunidade de negócio, e não descansaram enquanto não convenceram o Ministro da Educação a dar-lhes, duma assentada, outras quatro ou cinco universidades — que acolheram os alunos da Universidade Livre, para isso a tempo impedida de funcionar pelo ministro cúmplice — seguidas essas, nos dois ou três anos depois, de mais quatro ou cinco novas privadas. Os tristes resultados já públicos de certas dessas universidades não impedirão de reconhecer que, seja como for e embora transformado em negócio chorudo o objectivo principal imediato da maioria das universidades portuguesas privadas, o facto essencial é que graças à incidência do ensino universitário privado, inventado pela Universidade Livre, o tendencial monolitismo esquerdista da sociedade portuguesa a seguir a Abril foi definitivamente derrotado. Por decidida opção, aliás, da sociedade civil que tão rápida e largamente correspondeu à sua criação. Tudo visto, creio não exagerar dizendo que durante alguns anos muito ou quase tudo o que era elite portuguesa de Direita, por esta congregado ou satelitizado, esteve efectivamente alinhado à volta d' a Rua e da Universidade Livre. Mais importante que isso, porém, será reconhecer que sem o caminho aberto pela U.L. muitas dezenas, mesmo centenas de milhares de jovens portugueses não teriam tido acesso ao ensino universitário. Sem esquecer que a U.L. foi a principal vítima sacrificada da mais feroz guerra de facções dentro da Direita portuguesa, após Abril. Outra vítima terá sido a Rua? O polemetista: de como Manuel Maria Múrias calou Mário Sores Nos tempos que seguiram ao fim d’a Rua, eu e o Manuel Maria recomeçamos a encontrar-nos com certa frequência. E aí por 1988, quando a Universidade Livre, vítima de muitos ódios e em especial o ódio do Ministro João de Deus Pinheiro, já me deixava tempo desocupado, e quando ele Múrias já se apresentava recuperado da queda d'a Rua, de novo cheio de criatividade intelectual e capacidade de afirmação, foi então que se me proporcionou, por razões pessoais que aqui não interessam, propor ao Manuel Maria que fizesse para nós, a Sogelivre, proprietária da U .L., um livro sobre o Chiado, que tinha ardido quase dois anos antes e era preciso "reconstruir" ou não deixar perder, no imaginário nacional. Debatemos muito o assunto entre nós ao longo de muitas conversas quase diárias e, depois de muitas incertezas, ele acabou por decidir-se, e eu aceitei, pelo que viria a ser um belíssimo roteiro histórico, cultural e social do Chiado. Mas, enquanto pesquisava nas bibliotecas e arquivos, com vista ao roteiro, o Múrias foi congeminando e desenvolvendo a ideia, que me propôs e eu também aceitei sem hesitar, do livro "De Salazar a Costa Gomes", que começou a escrever mal acabou o Chiado. Foi-mo "contando" com crescente entusiasmo enquanto o livro crescia e eu crescendo na certeza de estar a assistir à génese duma grande obra, talvez genial. Tinha-se celebrado entretanto o centenário do nascimento do Doutor Salazar, em 1989. Logo a seguir, a partir de um grupo dos que, por iniciativa do Vector, nos deslocámos às comemorações do Vimieiro, em 28 de Julho, nomeadamente o Adelino Felgueiras Barreto, o Herlânder Duarte, o Manuel Arnao Metello e o José Carlos de Athayde de Tavares, a que se juntaram outros, como José Pinheiro da Silva, Francisco Ferro, Rui da Palma Carlos, Eduardo Conceição, decidiu-se criar o Núcleo de Estudos Oliveira Salazar, ou N.E.O.S.. O Manuel Maria era pouco afeito a comemorativismos e talvez ainda menos a grupismos. Não se interessou, portanto, por aí além, pelo N.E.O.S. em regime de comissão instaladora, a que presidi - mas apanhei-o distraído e consegui dele o que viria a ser, admito, um dos mais se não o mais importante estudo em defesa da personalidade de Oliveira Salazar promovido até hoje pelo N .E.O.S.. Conto a história simples. Um dia, creio que em Abril ou Maio de 1991, ia eu a entrar ou a sair da estação do Cais do Sodré, a pensar indignado nas aleivosias produzidas por Mário Soares num artigo publicado nessa manhã no Público, quando inesperadamente dou com o Manuel Maria a sair ou a entrar, a quem logo perguntei se lera o texto insultuoso. «Li, li — disse-me — li, li aquela merda». «Pois então torne a ler e prepare a resposta que você é a pessoa indicada que temos para responder-lhe» — exigi eu em nome do N.E.O.S. «Bem, vou pensar. Não vejo para quê pegar-lhe» — respondeu dubitativo. Mas fiquei com a certeza de que ele não falharia. De tal modo o fez que passados poucos dias me entregou o feroz e lucidíssimo artigo que viríamos logo a publicar em forma de opúsculo e se acha hoje entre as doze colaborações do volume também editado pela Nova Arrancada, com o título de Salazar Sem Máscaras. Em substância, defendia nele o Manuel Maria que na sua catilinada não fazia Soares outra coisa senão, meio consciente ou subconsciente, dar largas a uma espécie de complexo edipiano: atacando o Dr. Salazar, vingava-se por queixas mais ou menos recalcadas que teria contra o próprio Pai dele, o Dr. João Soares. Segundo o Múrias, pois, ao vilipendiar a memória de Salazar, o que Mário Soares fazia inconscientemente ou subconscientemente era limitar-se a matar a memória do Pai. A verdade é que nunca mais se ouviram os tonitruantes ataques de Mário Soares contra o Dr. Salazar, de tão certeira foi a contra- ofensiva do Múrias. Certo é que as melhores inspirações nos vêm muitas vezes dos piores adversários. O Múrias contou-me como foi. Mal me deixara no encontro do Cais do Sodré, quando deu com o estendal dum desses livreiros ambulantes ali costumeiros. Logo os olhares lhe terão caído num qualquer livro sobre psicanálise, que não hesitou em comprar e ler entusiasmado para concluir que a carapuça psicanalítica enfiava como uma luva no Mário Soares denegridor do antigo Presidente do Conselho. Tive, por isso, a talvez excessiva prudência de submeter a resposta do Múrias ao parecer técnico dum psiquiatra, naturalmente seguro conhecedor dos conceitos e descobertas de Freud e seus epígonos. O já referido Dr. Eduardo Conceição, psiquiatra, por mim a tal respeito ouvido, e como disse membro do N .E.O.S., não teve dúvidas em assegurar-me que a resposta do Múrias era perfeitamente conforme aos cânones psicanalíticos. O artigo foi um êxito. E Mário Soares não só não voltou a vilipendiar o Doutor Salazar, como até veio a produzir alguma coisa em defesa, no fundo, de Salazar: lembram-se do célebre relatório por ele subscrito sobre a política de Salazar, durante a 2ª Guerra Mundial, em relação com a famosíssima questão do ouro dos Judeus? Será que, consciente ou subconsciente, o artigo do Múrias terá ajudado Soares a descartar-se, e airosamente, daquela alhada que lhe armaram?... ____________________________________ * Números 115/116 da "Resistência" de 15/12/74. (continua num próximo post)


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AS MINHAS MEMÓRIAS DO MANUEL MARIA MÚRIAS(III)
António da Cruz Rodrigues (continuação do post de 2003/10/27) A Guerra do Golfo, os E.U.A. e os judeus O meu rol de recordações relacionadas com Múrias é, como se vê, variado e extenso. Mas o mais singular ainda será, talvez, que nunca entre nós tenha havido o menor desentendimento ou núvem ameaçadora do clima de militante simpatia que cedo e rapidamente se criou entre nós. Isso não nos impediu, nem quereríamos, de termos frequentes divergências amigáveis em matéria de opinião e de juízo sobre pessoas e acontecimentos. Poderia referir vários casos, mas dou só um exemplo, por o considerar particularmente elucidativo do tipo das nossas divergências de opinião. Era em 1991, durante a chamada Guerra do Golfo, tinha a U.R.S.S. acabado de soçobrar, desfazendo-se em repúblicas e territórios autónomos e ficando a tal ponto impotente que os E. U A. puderam lançar-se, hoje diria sem pudor, na aventura oportunista, bem calculada e bem premeditada, mesmo genialmente articulada por Bush, pai, da guerra contra Saddam Hussein, o presidente do Iraque. Aliás, mais tarde mediocremente imitada e mais mediocremente executada por Clinton em 1998/1999, contra Milosevic da Sérvia, por causa pretensamente do Kosovo. Múrias era por Saddam contra os E.UA.; eu contra Saddam. Ele pretendia que os E.UA. precisavam dum lição contra a sua arrogância agravada pela vitória final na Guerra Fria, então acabada de obter com a implosão do império comunista russo; eu ainda desconfiado do súbito esmagamento da U.R.S.S., não queria consentir nenhum trunfo que eventualmente permitisse, por então, a recuperação comunista, como poderia acontecer se os Americanos e o Ocidente ficassem humilhados na perda daquela cartada mundial. Ele achava que também Israel precisava de um bofetada bem assente, para ver se não continuava, com as suas querelas contra o resto do Médio e Próximo Oriente, a pôr ciclicamente em perigo a paz mundial, arrastando-nos a todos para uma nova Guerra Mundial, em defesa dos seus exclusivos interesses; eu pensava que os Árabes, e os Muçulmanos em geral, mais tarde ou mais cedo se encarregariam disso, de derrotar Israel sem que tivéssemos nós de comprometermo-nos, mas que, por então, prevalecia a necessidade de não deixar os comunistas recuperarem da sua derrota recente, voltando a assumir na sua periferia papel decisivo no vazio que os Americanos, uma vez humilhados, lá deixariam. Ele rematou a discussão com uma ironia: «Só há uma coisa em que você tem razão é que assim não teremos de voltar a receber na Europa, nos próximos tempos, milhares ou milhões de judeus em fuga de Israel, caso os E.UA. percam ou não ganhem esta guerra». Ambos estávamos longe de pensar na altura quanto, passados menos de dez anos, Israel viria a estar realmente ameaçado de soçobrar a uma simples, mas complexa Intifada e o Mundo ocidental efectivamente ameaçado de ter de entrar numa guerra que pode generalizar-se, em defesa só dos interesses judaicos e limitadamente americanos. Excluída a ironia, a discussão era, pois, toda ela muito... séria, porque, como se vê, os problemas do Médio e Próximo Oriente, conservam a plena actualidade, e cada vez mais, até. Nós que os vivemos, outra vez, agora intensamente, adivinhamos onde a discussão de há dez anos, continuada na actualidade, acabaria por levar. Descendente de judeus - ele de portuguesíssima cultura Mas, mudando de assunto, se me perguntarem o que me parece que melhor caracterizava a personalidade do Manuel Maria Múrias, responderei sem hesitar que era o seu profundo e enorme portuguesismo, ele que também afirmava alto a sua descendência de judeus cristãos-novos do nordeste de Portugal, pelo lado materno, Baptista, nome que igualmente usava. Filho de um grande jornalista e escritor, erudito e historiador, o Dr. Manuel Múrias, o que intelectualmente de certo modo mais avultava na formação do Manuel Maria era a sua marca de herdeiro espiritual, seguidor, contemporâneo ou interlocutor de três ou quatro gerações duma grande elite cultural portuguesa do séc. XX. Como que para lembrar bem as suas origens e clima em que foi criado, e as suas dívidas culturais, ele gostava de lembrar que aos onze anos já assistia com deleite às conversas entre seu Pai, comissário para Exposição do Mundo Português, e o ministro da tutela, nada mais nada menos que o Eng. Duarte Pacheco, ou, um pouco mais tarde, às tertúlias no gabinete de seu Pai, director da Biblioteca Nacional, com intelectuais portugueses e não raro o romeno Mircea Eliade e o espanhol Ortega y Gasset, o primeiro então adido cultural à embaixada da Roménia e o segundo refugiado da Guerra Civil de Espanha. Mas isso eram apenas vagas recordações de infância, porque o que nele se revelava único e definitivo era a sua cultura toda radicada no substracto duma assídua e regular convivência e familiaridade de autores de sucessivas gerações que sedimentaram a grandeza da inteligência portuguesa no séc. XX. Estou certo de que ele evocaria facilmente estes que recordo, entre mortos e vivos, um pouco ao acaso da memória, necessariamente com as lacunas que o Manuel Maria saberia evitar: o próprio Pai, Manuel Múrias, naturalmente, Rodrigues Cavalheiro, os Caetano Beirão, Pai e Filho, João Ameal, Damião Peres, Barradas de Oliveira, Domingos Mascarenhas, Amândio César, Eduardo Freitas da Costa, Manuel Gama, Augusto Gil, Alberto de Monsaraz, Ladislau Patrício, António Alves Martins, Guilherme de Faria, Álvaro Pinto, Nuno Sampayo, Manuel Alves de Oliveira, o Homem Cristo Filho, Leitão de Barros, Cotinelli TeImo, António Lopes Ribeiro, Fernando Garcia, Perdigão Queiroga, Manoel de Oliveira, Amadeo Sousa Cardoso, Luís Reis Santos, Diogo de Macedo, Ivo Cruz (Pai) e Manuel Ivo Cruz, Luís e Pedro de Freitas Branco, Francisco Franco, Almada Negreiros, António Duarte, Leopoldo de Almeida, Raul Lino, Manuel Lapa, Júlio Gil, Marcelo de Morais, António Pedro, António Lino, Santa Rita Pintor, Jorge Barradas, Mário Saa, Teixeira de Pascoais, Leonardo Coimbra, Fernando Pessoa, Afonso Lopes Vieira, António Corrêa de Oliveira, Luís de Montalvôr, Augusto de Castro, Fernando de Sousa, António Ferro, João de Castro Osório, Fernanda de Castro Ferro, Alfredo Pimenta, José Osório de Oliveira, Armando da Silva, Virgílio Godinho, Mascarenhas Barreto, António Sardinha, Hipólito Raposo, Xavier Cordeiro, José Pequito Rebelo, João do Amaral, Eugénio Tamagnini, António Patrício, Luís Forjaz Trigueiros, Miguel Trigueiros, César Augusto de Oliveira, António de Navarro, Óscar Paxeco, Horácio Bessa Ferreira, José Pacheco, Joaquim e Anrique Paço d'Arcos, António de Oliveira Salazar, Paulo Merêa, Luís Cabral de Moncada, Mário de Figueiredo, Mário de Albuquerque, Fezas Vital, Quirino de Jesus, Arnaldo Miranda Barbosa, Gomes Teixeira, Hernâni Cidade, Tomás de Figueiredo, Francisco Costa, Mário Beirão, Nuno Montemor, Conde de Aurora, Antero de Figueiredo, Alberto Monsaraz, Pedro Homem de Mello, Francisco José Velozo, Vitorino Nemésio, Agustina Bessa Luís, Miguel Torga, Folgado da Silveira, Reis Ventura, Natércia Freire, Ester de Lemos, João Correia de Oliveira, António de Cértima, Rachel Bastos, Vítor Martins, David Mourão-Ferreira, Joaquim Navarro de Andrade, Armando Cortesão, António José Saraiva, Marcelo Alves Caetano, Luís da Câmara Pina, Silvino Silvério Marques, Kaúlza de Arriaga, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Guilherme Braga da Cruz, Manuel Rodrigues, Beleza dos Santos, José Pires Cardoso, Francisco Leite Pinto, Alberto Franco Nogueira, Reynaldo dos Santos, Diogo Pacheco de Amorim, José e Femando Bayolo Pacheco de Amorim, Afonso Rodrigues Queiró, Luís Ribeiro Soares, Jorge Borges de Macedo, José Dias Ferreira, Virgínia Rau, Francisco e João Manuel Cortez Pinto, Pedro Correia Marques, António de Sèves, Eduardo Brazão, Fortunato de Almeida, Fidelino de Figueiredo, A. Mendes Corrêa, Sampaio Bruno, Álvaro Ribeiro, Adriano Moreira, Afonso Botelho, António Quadros, Orlando Vitorino, Agostinho da Silva, Ruy Cinatti, José Marinho, António Braz Teixeira, Henrique Barrilaro Ruas, António TeImo, Femando Sylvan, Azinhal Abelho, Tomás Kim, José Hermano Saraiva, Pedro Soares Martinez, Henrique Martins de Carvalho, Manuel Gomes da Silva, António Manuel Pinto Barbosa, António Jacinto Ferreira, Joaquim Veríssimo Serrão, Daniel Serrão, D. Manuel Trindade Salgueiro, D. Francisco Maria da Silva, D. Manuel Mendes da Conceição Santos, D. António Reis Rodrigues, D. Manuel Almeida Trindade, D. José Patrocínio Dias, Mons. Miguel de Oliveira, Mons. Moreira das Neves, P.e Raul Machado, P.e Domingos Maurício dos Santos, P.e João Maia, P.e Joaquim de Jesus Guerra, P.e Henrique Rêma, P.e João Evangelista, P.e João Seabra, P.e José Quelhas Bigote, António José de Brito, António de Pina Martins, Ricardo Saavedra, António Manuel Couto Viana, Fernando Guedes, Manuel e Artur Anselmo, Fernando Jasmins Pereira, António Banha de Andrade, Herlânder Duarte, Jaime Nogueira Pinto, Rodrigo Emílio de Mello, Goulart Nogueira, João Bigotte Chorão, Miguel Castelo Branco, Luís Pinto Coelho, José Guimarães, Amorim de Carvalho, António Silva Resende, João Manuel Andrade, Mário Mendóça Frazão, Carlos Eduardo Bastos Soveral, Fernando Campos, Pinharanda Gomes, João Conde Veiga, Armor Pires Mota, Fernanda Leitão, Mário Saraiva, Francisco Hipólito Raposo, Barroso da Fonte, António Maria Zorro, Beckert d' Assunção, José O'Neill, José Vale de Figueiredo, Nuno Rogeiro, José Miguel Júdice, etc., etc., etc. Herdeiro, contemporâneo ou interlocutor da gente desta pléiade de mestres e exemplos de portuguesismo, Manuel Maria Múrias era um deles e, se foi discípulo e seguidor de muitos, foi exemplo e referência dos outros, como modelo de português de uma só peça, de antes quebrar que torcer, português de lei porque bebeu o essencial da sua cultura em raízes acima de tudo portuguesas. Raízes que, aliás, iam buscar seiva aos grandes expoentes da cultura portuguesa de todos os séculos, mas, talvez mais acentuadamente ainda, aos grandes modelos de portuguesismo cultural do séc. XIX, como Eça de Queiroz, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, João de Deus, Conde de Arnoso, Oliveira Martins, os irmãos António e Jacinto Cândido... Quero em suma dizer que o Manuel Maria Múrias era verdadeiramente, como poucos ou nenhuns, o herdeiro e devedor directo duma formidável elite intelectual e cultural portuguesa. O que lhe bastava inteiramente. Dispensava, por isso, ser ou apresentar-se como herdeiro e devedor de qualquer outra das grandes tradições culturais da matriz judaica, cristã e europeia; fosse ela espanhola, italiana, inglesa, alemã, russa ou mesmo francesa, por muito grandes que tenham sido ou sejam. O homem de profunda fé católica E contudo, a imagem do Manuel Múrias ficaria radicalmente amputada se, recordando-o como homem de cultura e de espírito, o não recordássemos, com igual vigor e justiça, como homem de funda espiritualidade. Quem o conheceu, intimamente ou não, ou quem leu certos dos seus escritos, sabe como era capaz de se mostrar terrivelmente duro com sacerdotes e Bispos que julgasse no essencial traidores à tradição da Fé ou adversos a Portugal. Manuel Maria Múrias seria tudo, menos um clericalista. Mas sempre o conheci irrepreensivelmente fiel à sua Fé de católico, apostólico romano, ao magistério dos Papas, portanto. No meio dos seus constantes e prolongados sofrimentos dos últimos anos ou das suas iras de sempre de Português quando ferido no seu portuguesismo, jamais o senti tergiversar na sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja, pelo contrário. Mas - Santo Deus! - uma capacidade como poucas para estigmatizar e cobrir de sarcasmos padres e Bispos de pechisbeque. Por isso, porque foi, enquanto a saúde lhe deixou, batalhador temido e intemerato e sem repouso, justifica-se bem que lhe apontemos o voto sagrado, catolicíssimo e portuguesíssimo: Que Deus o tenha em Sua santa guarda!


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Oposição á OPOSIÇÂO e CANTIGAS DE MAL-DIZER

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1. - Oposição á OPOSIÇÂO - por Manuel O. Pina
2. - CANTIGAS DE MAL-DIZER - por Rosário
3. - O 25 de Abril – Os Prós e os Contras da Democracia no PortugalClub - por Victor Nogueira
4. - Campanha pelo direito à vida ... - por Victor Nogueira
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Oposição á OPOSIÇÂO
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* Manuel O. Pina
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Caro Sr. Casimiro Rodrigues,
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Só agora consegui ler a sua mensagem por duas razões: no passado dia 19 fui operado a um dos olhos, a terceira operação este ano, a oitava nos últimos 5 anos; entretanto o meu computador pifou e está em reparação. Neste momento estou usando um outro computador.Não quero deixar de reconhecer a sua acuidade ao identificar-me como originador da mensagem. Foi um teste que resolvi fazer e, resultou em pleno - se tinha dúvidas deixei de as ter.Mas gostaria de fazer um esclarecimento: não mandei nenhuma carta para São Paulo a opor-me à sua homenagem. Mandei sim, uma carta a demitir-me da ONE em virtude da homenagem que lhe ia ser prestada no dia 25 de Abril. Parece a mesma coisa mas não é. Eu não tinha nada que me opor à sua nomeação dado que ninguém me perguntou nada mas, em função dessa nomeação, apresentei a minha demissão da ONE. Os motivos foram bem explícitos nas duas cartas que enviei ao Sr. Verdasca dos Santos, na sua qualidade de Presidente da ONE, pelo que não terei que lhe explicar.Um dos motivos que apresentei para a minha demissão foi a falta de ética e deontologia por parte do Sr. Casimiro no tratamento de algumas mensagens minhas. Essa falta de ética continuou patente quando, unilateralmente, o Sr. Casimiro cortou o meu endereço e-mail do Portugalclub. Tratou-se apenas de um acto de vingança sem sentido. Aliás, também me custa a perceber porque é que o Sr. Verdasca informou o Sr. Casimiro da carta que lher enviei. Mas tudo bem, cada um fica com os actos que pratica. O meu foi um acto de consiência, pois não faz nenhum sentido que o Sr. Casimiro fosse homenageado numa data que ele próprio, no ano passado, quis tranformar em dia de luto nacional. Pareceu-me e continua a parecer-me, uma completa falta de coerência.
Cumprimentos
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Manuel O. Pina
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CANTIGAS DE MAL-DIZER
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* Rosário
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Em cantigas de mal-dizer, o Portugalclub é campeão, não há ninguém que lhe chegue aos pés ou aos tornozelos.
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Tirando o grosso da maralha, que mal sabe escrever e muito menos expressar-se correctamente, houve alguns artigos de participantes que gostei de ler Estranhamente verifico que esses participantes se eclipsaram e não mais apareceram para dizer coisas mais equilibradas. À excepção do Potêncio, com as suas crónicas sempre irreverentes, o resto da malta desapareceu - ficaram apenas os coroneis e os tenentes-coroneis. Que é feito do José Pires, do António Freire, do Cipriano, do Rui Silva do Canadá, do Renato Nunes, que foi relegado para outro lado com as suas 'tonterias' conservadoras? Fugiram? E o Manuel Pina com os seus artigos de lesa-magestade como os dos segredos de Fátima? Que é que aconteceu ao Verdasca, que não mais nos deu os seus sermões de Domingo (gostava de ser padre) ou as prosas cheias de referências etimológicas, para vincar bem o sentido e significado das palavras?
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É pena. O Justo, com as suas crendices teológicas também foi relegado para o outro lado, aquele lado que ninguém ou quase ninguém lê. O Abrantes lá continua a lamber os pés aos bispos, como se dali viesse alguma coisa que o ajude a elevar o seu partido a concorrente sério em próximas eleições.
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Resta o Casimiro Rodrigues, o grande timoneiro como nos tempos de antigamente (acima, acima, gageiro...), que não é jornalista nem sabe escrever, mas acha que pode corrigir quem sabe e está a anos luz em termos culturais. Ele até recebeu um prémio no 25 de Abril... Será que ele é um dos abrilistas ou aquilo foi a piada do ano? E não querem que os brasileiros contem piadas sobre os portugueses...
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Volta e meia vem à baila o acordo ortográfico, que é mais desacordo do que acordo. A cultura lusitana está contra, a brasileira nem por isso, pois já falam e escrevem tão mal, que diferença fará? Eu por mim quero que o acordo se lixe, vou continuar a escrever como sempre escrevi, em português da minha terra, que é o original, portanto os outros que baixem a cabeça, não importa quantos habitantes tenham. E se no Brasil quiserem transformar o poruguês em brasileiro, que lhes faça bom proveito e talvez um dia acordem a falar castelhano ou portinhol.
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Rosário
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OI Caro Sr Pina
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Tudo bem consigo...?
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Mesmo sendo analfabeto, não sinto muita dificuldade em reconhecer aqui sua 'Cultura Erudita'
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Olhe Sr Pina Obrigado pela Carta que enviou para SP se Opondo a minha pessoa ser homenageado.
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Um Abraço Casimiro
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ver
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O 25 de Abril – Os Prós e os Contras da Democracia no PortugalClub
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Publicada por Victor Nogueira no Kant_O_XimPi em Quinta-feira, Abril 19, 2007
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Anónimo disse...
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Em Portugal as crianças já foram condenadas ao Aborto pelo Sistema Fascista Vigente de Esquerda. As creanças de Portugal estão até proibidas de nascer....São assassinadas no ventre das mães....Com Apoio do Fascismo de Esquerda , comunistas \ Socialistas....
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Casimiro
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NOTA - Resposta pessoal do Presidente do PortugalClub a este texto que lhe enviei para publicação, site cujo Presidente decretou luto pesado pelo 25 de Abril e onde são publicadas ameaças de morte a socialistas e comunistas
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Victor Nogueira no Kant_O_XimPi - Segunda-feira, Maio 21, 2007
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Povo explorado

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* Jú Terreiro do Paço
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Os bancos abusam, roubam em tudo, até nos arredondamentos e o que faz o Banco de Portugal? Nada. Por aquilo que se viu no caso do BCP nem sequer evita os abusos dos administradores que. As petrolíferas usam e abusam das cotações do crude na bolsa e o que faz a Autoridade da Concorrência? Nada! Para que houvesse um estudo aos preços dos combustíveis este teve que ser encomendado pelo ministro da Economia.
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As empresas que vendem acessos à web cobram o que querem e praticam qualidades inferiores às oferecidas e o que faz a ANACOM? Nada! Os clientes que paguem e se calem.
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Não admira que aconteça o que acontecer os lucros da banca, das petrolíferas e das empresas de telecomunicações não evidenciem sinais de crise. Se as cotações do crude sobem nas bolsas o preço da gasolina sobe na estação de serviço horas depois, assim as petrolíferas não precisam de aumentar os capitais para suportar o negócio, os consumidores financiam as compras a novos preços. Se os bancos enfrentam dificuldades limitam-se a aumentar os juros por questões de segurança, mas aumentam os juros a todos os clientes e independentemente do risco.
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Numa economia sem regras onde reguladores e empresas são farinha no mesmo saco, num mercado sem concorrência as nossas empresas praticam os maiores preços possíveis, obtendo benefícios dignos de monopólios. As nossas elites transformaram a sociedade portuguesa numa imensa máquina de enriquecimento pessoal, de um lado as elites enriquecem, do outro lados todos os outros portugueses empobrecem.
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É por isso que entre as nossas elites todos se dão bem, o dr. Constâncio é amigo dos banqueiros e até promove um funcionário do banco que está ausente, a gerir a SIBS. Os senhores da concorrência são apreciados e elogiados pelos grandes empresários. São todos amigos uns dos outros, hoje estão num organismo regulador, amanhã estarão numa empresa do ramo, hoje são governadores do Banco de Portugal, amanhã serão administradores de um banco comercial. Andaram nas mesmas escolas, fizeram a carreira juntos, todos querem enriquecer o mais depressa possível, todos juntos são os grandes detentores do poder e da riqueza, uns possuem-na, outros vivem, de migalhas generosas.
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O cidadão comum ganha o menos possível a bem da competitividade das empresas e da economia, depois paga o mais possível por tudo e mais alguma coisa igualmente a bem da competitividade das mesmas empresas e da economia. Nas nossas empresas não há a menor preocupação ou sentido de Nação, os seus administradores estão indiferentes à miséria que alastra e ajudaram a provocar, apenas lhes interessa obter resultados a qualquer custo para alcançarem prémios de rendibilidade de fazer corar muitos gestores de outros países mais ricos.
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Talvez esteja na hora de questionar o país que somos ou que queremos ser, se o desenvolvimento do país se consegue à custa de miséria então talvez seja melhor ter um país mais pobre mas mais justo. Estas elites da treta estão-se nas tintas para o país e para os portugueses, abotoam-se o mais depressa possível. Muitos deles já o seu apartamento em Londres ou em Paris, as contas depositadas em offshores e na hora da crise apanham o primeiro avião. Depois, quando tudo voltar à normalidade, regressam para salvar o país de mais uma crise profunda.
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É tempo de os portugueses reagirem e começarem a boicotar as empresas abusadoras. A única linguagem que estes proxenetas entendem é a dos números dos lucros.
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in PortugalClub - sex 23-05-2008 22:31
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25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (29)

Rio de Mouro, 20 de Maio de 2007
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* Victor Manuel Elias
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..........Senhores membros do Governo deste País:

------Se alguma vez me apeteceu escrever a V.Exªs., o que é verdade, nunca o foi com tanta vontade como agora, dado o caminho desastroso que vêm trilhando na ânsia de mostrar aos ingénuos cidadãos eleitores que têm uma política sustentável, apetecível, inimitável para qualquer força política da Oposição, porque vocês são os tais Socialistas que têm sempre razão e nunca se enganam, ao contrário de uns e outros, que não conseguem arripiar caminho... porque não encontram sequer caminhos para percorrer... talvez por falta de JPS.
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------O inefável Primeiro Ministro deste execrável Governo, do alto da sua sapiência, que poderá ter sido adquirida na Universidade Independente graças às Licenciaturas obtidas em 4 horas - isso não poderá esclarecer-se, graças ao rasgo de inteligência do diligente Ministro, que a encerrou antes de surgirem problemas de maior - gosta muito de falar na demagogia, que é praticada por todos menos pelos seus Camaradas, pois estes são pessoas impolutas e sérias, que não praticam actos demagógicos, e isso é provado pelos titulares da Economia, dos Assuntos Parlamentares, da Presidência, do Trabalho e Solidariedade, a expert da Educação, o líder da Defesa... não devendo ser esquecido esse paladino da verdade absoluta, em cujos cabelos brancos jamais alguém poderá botar defeito, que é ínsigne detentor das Finanças... e do Fisco, pois então
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------Quem, por desgraça, alguma vez votou neste naipe de tão ilustres personalidades, ter-se-há apercebido que perdeu tempo e dinheiro. Tempo porque fez uma caminhada para a Secção de Voto lá do sítio... e isso foi um desastre de oportunidade perdida, pois mais valeria ter ido beber umas "bujecas" na tasca da ti'Balbina, antes que os abutres da ASAE dessem por lá uma volta. E perdeu dinheiro porque está a saír carote ter de pagar - e não bufar - as coisas cada vez mais caras, dos alimentos (que escasseiam) aos combustíveis, que são um roubo; desde a educação - sempre em convulsão - à assistência médica e medicamentosa - o Serviço Nacional de Saúde é coisa do passado - com a agravante de não haver possibilidades no encontro de uma consulta em tempo útil... com a agravante de taxas moderadores que nos são impostas a esmo. Naquilo que aos Reformados concerne... quanto mais depressa morrerem os "velhos" que apenas dão despesa ao Estado, pelo que há que dificultar as coisas a esses tipos, fechando-lhes os Centros de Saúde ou as Urgências hospitalares, retirando-lhe assim a possibilidade de eles poderem ter acesso aos meios capazes de lhes dar a tal esperança de vida que lhes era reconhecida.
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------ Mas será que são os nossos des-Governantes os únicos culpados pela falta de trabalho, mesmo precário, pela falha na assistência a todos os níveis, por não haver uma justiça igual para todos, pelo inssucesso da educação e pelas gritantes falhas na saúde, pela insegurança em todos os parâmetros da sociedade? Não! O Governo tem uma herança do passado, é certo... mas já é tempo de não atirar com as culpas para cima dos outros, assumindo por uma vez as soluções que se impõem, produzindo as Leis necessárias a esse fim! Era óptimo saber que as grandes empresas deste País não são feudos para os antigos governantes garantirem uma velhice descansada, com avultados vencimentos que lhes são dados... sem que tenham de cumprir os tais 40 anos de serviço preconizados para o cidadão comum. Seria uma benção saber-se que não aumentam os vencimentos de um tipo que há 8 anos está num tacho bem remunerado, mas tem desde já a garantia de ser aumentado o volume da sua carteira, logo que regresse ao posto no Banco de todos nós (leia-se de Portugal) mas que dá apenas dividendos aos infatigáveis trabalhadores que lá têm o gabinete... porque estão nas boas graças do Partido que lhes sustenta os tachos.
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----- Portugal deixou de ser um País, passando a coutada feudal, onde apenas se pode caçar por convite e com quotas em dia. A caça livre proibiu-se, simplesmente, porque o pobre não tem direitos nesta terra de brandos costumes...mesmo sendo dono dela. Podemos estar cientes que, num qualquer outro País, já teria acontecido haver um Ministro a ajustar contas com o Povo, aliás, como aconteceu na Lisboa Joanina, decorria o ano de 1383, quando o Povo, no dizer de Fernão Lopes, tratou de recordar quem mandava no Reino. Como eles, apetece agora gritar:
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- " ACUDAM TODOS, POIS LIXAM O POVO LÁ PRÓS PAÇOS DE SÃO BENTO!"... "ACUDI AO POVO, QUE OS DO RATO O QUEREM COMER!".
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------Resta a consolação que as eleições já são amanhã... e a memória do Povo não vai perder-se! Os prevaricadores que se acautelem com tudo o que agora andam a semear, pois não gostarão daquilo que podem vir a colher . E quem bem os avisa...
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in PortugalClub - sex 23-05-2008 19:42
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NOTA de VN - Pois ... mas o tom dominante no PortugalClub e seus heterónimos é laranjinha com acintoso ódio à rosa e aos cravos e um silêncio sobre o vermelho como o diiabo foge da Cruz.
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25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (28)

Senhor CEMFA,
Excelentíssimos Senhores:

Passados que são mais de três meses após vos ter enviado, por esta via em 8-2-08 uma carta, com o suporte de algumas fotografias como demonstração do que se passava no Hospital da Força Aérea venho, por isso, lamentar a descortesia da ausência de qualquer resposta - com excepção do Gab.1ºM que se limitou a acusar a recepção - bem como a resolução das anomalias nela apontadas. É com muita preocupação pessoal, em consonância com a evidencia manifestada em sede própria pelas Associações Militares, que prevejo um futuro dramático para os militares, especialmente os de postos mais modestos, cujo motivo se situa na política de desprezo e desconsideração dos governos, mormente o actual.
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O Senhor 1º Ministro obstina-se em querer comparar o que não é comparável. Confunde Forças Armadas com Função Pública, cujas funções e compromissos são diferentes pois é aquelas, e não a esta, que se exige disponibilidade total e a oferta da vida pela Pátria se necessário for. Fui militar de carreira e esse foi o meu juramento. Sem desprimor, mas com todo o respeito que a F.P. me merece até pelos problemas que também enfrenta, não é possível comparar, por exemplo, um elemento de uma tripulação de uma aeronave de busca e salvamento, de um barco de patrulha ou das Forças de Segurança cuja farda é, por si só, um alvo a atingir em alguns locais, com um funcionário que se senta à secretária à hora "x" e sai à hora "y" para sua casa, sem mais preocupações, embora não se releve o sentir na sua pele os efeitos das medidas com que o Governo os tem atingido.
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As F.A. são, em todo o Mundo, tratadas de maneira especial, como especial é a sua função e em Portugal não pode ser de maneira diferente. Não é agora, como constou que algures terá dito o Senhor MDN – ele que é filho de militar – que o País se pode orgulhar das suas F.A. Só agora? Se a esmagadora maioria dos membros do Governo e da A.R. sofresse o que foram aqueles 13 anos trataria, certamente, com mais atenção os que passaram por tudo aquilo. As comissões de serviço em África ; o fazer e desfazer de casa ; mudanças de local de trabalho ; ausência da família com reflexo, em alguns casos, na educação dos filhos ; a guerra no seu contexto geral com a incerteza de regressar vivo, morto ou com partes de corpo a menos ; as sequelas que ficaram e tudo isto é hoje "compensado" com as mais severas medidas de retirada de alguns direitos – ( não regalias como se pretende fazer crer)- as quais afectam de maneira mais cruel os que, como eu hoje reformados, mais carecidos somos.
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Os reformados tinham a totalidades dos medicamentos, foi-lhe retirada; não descontavam na sua pensão para o subsistema (ADM), passaram a descontar; tinham assistência grátis para a esposa, deixaram de ter. Para toda a gente muitos medicamentos deixaram de ser comparticipados e outros aumentaram de preço com piores consequências para as classes mais desfavorecidas. Os aumentos das pensões estiveram condicionados e houve até um ano em que recebi menos porque aumentaram a pensão em 1% e o IRS em 1,5% o que se traduziu em saldo negativo. É claro que a todos é pedido esforço para a recuperação económica do País, mas que se poupe quem já tem menos e que esse esforço não seja nivelado por baixo. Atente-se nas somas que se gastam com pensões milionárias com quem esteve meia dúzia de anos na A.R., nos serviços que renovam com frequência os carros topo de gama, nos altos vencimentos e acumulações de cargos superiores, subsídios, indemnizações, etç, etç., a pessoas a quem 1000 Euros por mês fazem menos falta do que a mim uns meros 50. O que todos sabemos. E já agora, quais são os subsistemas de saúde de que beneficiam? Para tornar tudo mais revoltante sabe-se que a Constituição prevê um Serviço Nacional de Saúde tendencialmente gratuito mas o Estado arrecadou 71,14 milhões de Euros em Taxas Moderadoras e Internamentos no Hospitais Públicos, donde se infere que, afinal, o SNS é uma fonte de receita.
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Senhor 1ºMinistro, todos sabemos que o Senhor não gosta de ser contrariado nem de dar o braço a torcer e é espectável que, com o aproximar das eleições, mude o tom dos seus inflamados discursos, com os quais já pouco convence – em oratória política que vem dos anos de experiencia nesta actividade - , mas gostaria de lhe poder afirmar, plagiando alguém do seu Governo: "Alcochete, Jamé"; Maioria absoluta, Jamé. Faço votos para que tenha de esperar sentado, fumando o seu cigarrito, mesmo em local proibido. À partida vai poder contar, ou não contar, com professores, militares no activo e fora dele, forças de segurança e funcionários públicos o que dá, só nestes sectores, uns bons milhares de votos. Do que é Ditadura conheço o bastante porque nasci nela e não gostei, mas talvez o novo acordo ortográfico acrescente uma nova designação para a política que é a de Ditadura Democrática.
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Exmos. Senhores, se estou a violar alguma lei ou regulamento é sem o saber, por isso peço antecipadamente desculpa, prometendo não voltar a repetir. Como humano, também eu posso estar enganado.
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Quanto a um dos temas da minha anterior carta que era a assistência da ADM – vulgo Hospital da F. Aérea – verifica-se que foram tomadas meras medidas de operação de cosmética. Como eu referia na carta que só havia um médico de Gastro a dar consulta, retirou-se dos placards a lista dos médicos e respectivas especialidades não se sabendo, agora, quais a valências médicas ali existentes. Desapareceram, também, as listas dos doentes para cada consulta, passando a existir apenas a designação da especialidade, do médico, da sala e da hora de início. Com esta prática o doente deixou de poder controlar a sua posição na lista de consulta e até pode, assim, admitir que seja consultado alguém que nem tenha consulta marcada. Escondem-se dados, vá lá saber-se porquê. Fizeram-se reuniões devido ao alarido provocado pela visão das fotografias mas as coisas só alteraram na forma, que não no conteúdo e que era o mais importante.
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Acabaram-se as humilhantes filas pela madrugada, à chuva e ao frio, mas as dificuldades para a marcação de algumas consultas de especialidade são rigorosamente as mesmas e algumas soluções adoptadas ainda vieram piorar mais as coisas, o que faz supor que as filas vão voltar a aparecer. No dia 7 de Maio, depois de durante toda a manhã ter tentado o contacto telefónico fui informado, já de tarde, que para marcar consulta de Urologia para determinado médico só o poderia fazer no dia 6 de Junho e para Setembro. Não sabem dizer quantas vagas há e disseram-me que era bom ir cedinho. Este cedinho não tardará a ser de madrugada novamente. Também no dia referido consegui uma vaga de Otorrino para fins de Julho. Se aquele hospital foi construído para os doentes da F. Aérea, como é que é este o serviço que obtenho pela inventada ADM e para o qual pago todos os meses? E mais uma achega. Além do preço dos medicamentos ser igual ao dos receituários do Centro de Saúde da minha zona, a minha mulher paga menos de Taxa Moderadora ali do que no HFA. Também os tratamentos de fisioterapia feitos numa entidade privada, com acordo, são mais baratos do que no HFA.
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Será que o Senhor CEMFA sabe destas coisas, ou também se vai sentir ofendido comigo por dizer algumas verdades? Julgo que uma das funções básicas de qualquer Chefe, em especial tratando-se de um Chefe militar, é zelar para que o seu pessoal tenha condições para o desempenho das suas missões. Lamentavelmente só agora é que se começa a notar que antigos militares de altas patentes se apercebem das intenções de subalternização e subserviência a que os governos vêem tentando submeter as F.A.. Eu já não tenho missões a cumprir mas quando as tive fi-lo com todo o empenho, dedicação, orgulho e a honra de ter servido, não as outras, mas a minha Pátria (que agora não me contempla, mercê dos governantes que possui), terminando a carreira com o modesto posto de sargento, mas sargento de Portugal.
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Julgo ter direito a um tratamento mais respeitoso e saibam V. Exªs. que me é indiferente qualquer acção de represália. Aliás, já o afirmei na anterior carta se é que se deram ao trabalho de a ler. Acredito que sim, porque ela também estava no Blogue do Snr. Cor. Fraga e que originou o processo disciplinar que lhe foi aplicado.
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Senhor CEMFA, julgo ser um pouco mais velho do que o Senhor e permita-me que faça, com todo o respeito que sempre tive para com os meus superiores, só este comentário: não é com castigos que se resolvem este problemas.

Respeitosamente
Carlos Sousa da Silva Nuno
Sargento-Chefe reformado Em,19-05-08
Carlos Nuno
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in PortugalClub - seg 19-05-2008 18:54
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Pobre ficou também o inspector-geral da ASAE

Pobre inspector-geral da ASAE
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* Jú.Terreiro.do.Paço
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Esta foi a semana da pobreza em Portugal, até Manuela Ferreira Leite, depois de estar no governo várias vezes, descobriu quase as 70 anos de idade que há pobreza em Portugal. Mas como andamos muito distraídos nem demos pelo fenómeno, foi necessário a EU ir buscar os dados estatísticos de há alguns anos à dispensa para produzir um relatório que deixou Soares à beira de uma crise de nervos. Afinal o país não é apenas o do oásis, das auto-estradas, dos planos tecnológicos e do tudo feito no dia, também é um país cheio de pobres.
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Enquanto o país se entretinha a digerir a sua pobreza, esta ganhou novas formas no debate político em torno das directas do PSD. Concluiu-se um mês em que os candidatos a candidato a primeiro-ministro mostraram que a pobreza pode ter muitas formas para além da social, exibiram uma confrangedora de ideias, até Pedro Passos Coelho que tinha começado a apresentar um projecto com novidades soçobrou à pobreza colectiva e dedicou uma semana à questão do IRS.
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Pobre, pobre ficou Pedro Santana Lopes que já os votos estavam quase contados e ainda esperava ficar com a liderança com os trocos que ainda não tinham dado entrada em caixa. Ainda há poucos dias andava por aí com a sua liderança parlamentar aberta, para agora ter sido derrotado pelo partido que julgava ser seu, arriscando-se a ter que andar por aí até ao termo da sua carreira política. Ainda por cima, com Manuela Ferreira Leite arrisca-se a nem sequer vir a ser candidato a uma autarquia, arriscando-se a ter que enfrentar o desemprego.
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Ainda mais pobres do que já estão vão ficar os pescadores que decidiram servir de carne para canhão da guerra aberta pelos armadores para conseguirem mais subsídios. Enquanto vão destruindo meia dúzias de caixas de sardinhas pertencentes a pequenos comerciantes, os camiões de peixe vindo de Espanha vão abastecendo o MARL e as grandes superfícies.
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Mais pobre ficaram também as petrolíferas que desceram o preços de combustíveis, deixando de ganhar um cêntimo por litro, generosidade nunca vista nos últimos doze meses, durante os quais houve sempre um aumento nas bolsas que justificou sucessivos aumentos de preços. Foi preciso o país chegar à beira de uma crise de nervos para que mostrassem a sua infinita generosidade.
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Mais pobre ficou também o inspector-geral da ASAE depois de o governo ter decidido atribuir ao ministério da Agricultura uma parte das competências que lhe permitiram transformar-se no homem mais poderoso e temido do país. O governo terá percebido que era um sinal de pobreza de espírito permitir a este senhor dominar a comunicação social com os seus disparates.
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in PortugalClub - dom 01-06-2008 23:29
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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Imperialidades: Guerras entre Roma e «Mesopotamos» e Ciro

Organização dos Países Exportadores de Petróleo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Redirecionado de OPEP)
Bandeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP
Bandeira da Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP
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Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP ou, pelo seu nome em inglês, OPEC) é uma organização composta por países que retêm algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, como é o caso da Arábia Saudita.

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A OPEP é o exemplo mais conhecido de cartel: seu objetivo é unificar a política petrolífera dos países membros, centralizando a administração da actividade, o que inclui um controle de preços e do volume de produção, estabelecendo pressões no mercado.

Índice


Membros

Países membros da OPEP
Países membros da OPEP
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A organização tem agora 13 países membros. Estão listados abaixo, com as datas da sua entrada na organização:
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Membros atuais
África
América do Sul
  • Venezuela (Setembro 1960)
  • Equador (de 1973 até 1992, retornou como membro em dezembro de 2007)
Sudeste Asiático
  • Indonésia (Dezembro 1962. A sociedade encontra-se actualmente sob revisão, pois a Indonésia não é mais considerada pela OPEP como um país exportador líquido de petróleo.)
Oriente Médio

Ex-Membros

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Embora sete dos treze membros e ex-membros da OPEP sejam nações árabes, a língua oficial da organização é a inglesa.

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História

Sede da OPEP em Viena
Sede da OPEP em Viena
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Foi criada em 17 de Setembro de 1960 como uma forma dos países produtores de petróleo se fortalecerem frente às empresas compradoras do produto, em sua grande maioria pertencentes aos Estados Unidos, Inglaterra e Países Baixos, que exigiam cada vez mais uma redução maior nos preços do petróleo.

Guerra do Yom Kippur

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A persistência do Conflito israelo-árabe forçou a OPEP a tomar atitudes drásticas. Logo após a Guerra dos Seis Dias em 1967, os membros árabes da OPEP fundaram a Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo com o propósito de centralizar a política de actuação e exercer pressão no Ocidente, que apoiava Israel. O Egito e a Síria, embora não fossem países exportadores usuais de petróleo, passaram a fazer parte da nova organização. Em 1973, a Guerra do Yom Kippur alarmou a opinião pública árabe. Furiosos com o facto de que o fornecimento de petróleo havia permitido que Israel resistisse às forças egípcias e sírias, o mundo árabe impôs um embargo contra Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão.

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O conflito israelo-árabe provocou uma crise. Os membros da OPEP pararam de exportar petróleo para o Ocidente, fazendo com que tivessem que reduzir os gastos anuais com energia, aumentar os preços, e ainda vender mercadorias com preço inflacionado para os países do Terceiro Mundo produtores de petróleo. Isto foi agravado pelo Xá do Irã Reza Palhevi , que era o segundo maior exportador de petróleo mundial e aliado mais próximo dos Estados Unidos na época. É claro que [o preço do petróleo] vai aumentar, disse ele ao New York Times em 1973. Certamente, e como...; Vocês [países do Ocidente] aumentaram o preço do trigo vendido a nós em 300%, o mesmo ocorreu com o açúcar e com o cimento...; Vocês compram nosso petróleo bruto e nos vendem ele de volta beneficiado na forma de produtos petroquimícos, por uma centena de vezes o preço que vocês o compraram...; Seria no mínimo justo que, daqui pra frente, vocês paguem mais pelo petróleo. Poderíamos dizer umas 10 vezes mais.

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Produção

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Os países membros possuem 78% (OPEP, 2004) das reservas mundiais de petróleo. Suprem 40% da produção mundial e 60% das exportações mundiais. Graças à OPEP, os países são os mais bem pagos pelo seu petróleo. Em 2004, as reservas de petróleo existentes que pertencem aos membros são calculadas em 896000 milhões de barris[carece de fontes?]. As reservas mundiais são calculadas em 1144000 milhões de barris[carece de fontes?].

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Ver também

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Referências externas

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