quarta-feira, 13 de maio de 2026

O anticomunismo serôdio e as exemplares mistificações dos ilusionistas liberais, até dizer ...chega



* WHISTLEBLOWER.Pt
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O cartaz não mente. 

Está ali, preto no branco: a ausência dos comunistas na receção a um representante do parlamento ucraniano e a citação de Paula Santos a lamentar o fim da União Soviética. 

Para quem desfila no 25 de Abril sob as bandeiras da Liberdade e da Democracia, a contradição é tão estrondosa que só uma cegueira ideológica profunda a pode disfarçar. 

Mas essa cegueira não é uma falha acidental. É o requisito fundamental para manter de pé uma narrativa que a realidade já desmontou há muito.

O verdadeiro hino à hipocrisia não está apenas no gesto de se ausentarem. 

Está no sistema de pensamento que torna esse gesto possível. 

Está na resposta às três perguntas que nenhum comunista consegue responder sem recorrer a ginásticas mentais que insultam a inteligência de quem trabalha.

1. "Fascismo? Em Portugal??"
A pergunta é retórica porque a resposta é óbvia para qualquer pessoa que não tenha a vista queimada pela ideologia. 

Não, não vivemos numa ditadura fascista. Nem no tempo de Salazar. Era um Regime autoritário, nao fascista.

Mas a narrativa precisa do fantasma do "fascismo" para sobreviver. 

Precisam de chamar fascismo ao liberalismo, ao centro-direita, à troika, ao patrão da fábrica, ao senhorio. Porquê? 

Porque sem um inimigo absoluto e desumanizado, a lógica binária do "nós contra eles" desmorona-se. 
Se admitissem que Portugal é uma democracia imperfeita mas real, teriam de admitir que os seus métodos e os seus dogmas são uma resposta para um problema que já não existe nos termos que eles colocam. 

A inflação retórica do termo "fascismo" é o primeiro sintoma da cegueira: para verem o mundo a preto e branco, têm de chamar preto a todos os tons de cinzento.

2. A maioria dos comunistas trabalha para capitalistas.
Esta é a verdade que devia fazer tremer a cátedra de qualquer teórico de gabinete. 

O militante do PCP, a base que enche os comícios, acorda todos os dias e vende a sua força de trabalho a um capitalista. 

Recebe um salário, paga impostos, desconta para a Segurança Social num sistema que o partido quer derrubar. 

A resposta clássica – "é a condição de explorado" – é tecnicamente verdadeira, mas moral e existencialmente vazia. 

O que esta esquizofrenia quotidiana prova não é a exploração do trabalhador (essa é real e combatível), mas a impossibilidade prática do mundo que defendem. 

Vives no capitalismo, sobrevives graças a ele, e ainda assim passas a vida a desejá-lo morto, sem nunca apresentares uma alternativa funcional. 

Não é hipocrisia da pessoa; é a hipocrisia estrutural de uma ideologia que só sobrevive no mundo das ideias, nunca no mundo real do trabalho que diz defender.

3. A pergunta que nenhum congresso responde: os pés que fogem
E aqui chegamos ao ponto onde a cegueira se torna obscenidade moral. 

"Se o imperialismo é tão mau como dizem, porque foge o povo, quando pode, para países capitalistas?".
A pergunta não é só justa; é um tiro de misericórdia. 

Os fluxos migratórios do último século são o referendo silencioso e implacável sobre os dois sistemas. 

Milhões de pessoas arriscaram a vida em botes, arames farpados e desertos não para chegar a uma Cuba, a uma Coreia do Norte ou ao que resta da Venezuela herdeira do "socialismo do século XXI". Fogem para a "Europa imperialista", para os "Estados Unidos opressores", para o "capitalismo selvagem". 

Fogem porque, mesmo na sua exploração, o capitalismo democrático ofereceu historicamente mais pão, mais liberdade e mais futuro do que qualquer paraíso socialista real.

A resposta do PCP a este facto é o cúmulo da ginástica mental: a culpa é do colonialismo, do imperialismo, da NATO. 

Mas isso é responder a uma pergunta com um lamento, não com uma análise. 

Se o teu sistema é tão superior, porque é que ninguém foge para ele? 

Porque é que os cubanos não fogem em massa para a China e os chineses não arriscam a vida para entrar na Rússia? 

A verdade é dura: o socialismo real falhou tão redondamente em criar prosperidade e liberdade que os seus próprios povos, quando puderam, votaram com os pés... em direção ao "inimigo" fascista...

A anatomia da cegueira

A cegueira ideológica não é não ver a realidade. 

É olhar para ela e recusar-se a aceitar o que os factos gritam. 

É precisar de manter viva a chama de uma "União Soviética" que Paula Santos lamenta como um "avanço extraordinário para o povo", ignorando deliberadamente o Gulag, a fome, a repressão, o atraso económico. 

É olhar para um parlamento ucraniano eleito e ver um "bando de neonazis", mas olhar para Moscovo e não ver o poder vertical de Vladimir Putin. É clamar por Liberdade no 25 de Abril e ausentar-se da solidariedade a um povo invadido.

O hino à hipocrisia está completo quando, no mesmo fôlego, se celebra a Revolução dos Cravos – que derrubou uma ditadura e exigiu eleições livres – e se nega a um povo soberano o direito de escolher as suas alianças. 

A falta de vergonha está em instrumentalizar o nome da Liberdade para atacar os que resistem a tanques, enquanto se desce a avenida de braço dado com a memória do império que esmagou tanques na Hungria, em Praga, em Cabul.

Ser "Fascista" é ver isto sem filtros. É aceitar que, por trás da liturgia, do cartaz e da frase feita, há uma corrente de pensamento que trocou a análise da realidade pela repetição de mantras. 

E que insulta todos os que, cá dentro ou lá fora, lutam por uma democracia sem adjetivos.
2026 05 09
 

Verdade e factos
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