Opinião
* Manuel Cardoso Humorista
Os concelhos de Oeiras e da Amadora estão à beira de um conflito. É essencial compararmos as capacidades militares destas duas potências para melhor acompanharmos o desenrolar das hostilidades
01 abril 2026
Os concelhos de Oeiras e da Amadora estão à beira de um conflito. Isaltino Morais denunciou uma "invasão" do território oeirense por parte de uma urbanização da Amadora e tentou erguer uma barreira arbórea, que um grupo de cidadãos amadorenses acaba de embargar. Resta saber em que dia é que a guerra vai eclodir, porque neste momento parece inevitável. Para já, é essencial compararmos as capacidades militares destas duas potências para melhor acompanharmos o desenrolar das hostilidades.
No que diz respeito a infraestruturas militares, Oeiras tem o Forte de São Julião da Barra; a Amadora tem o Estado Maior da Força Aérea. No que toca à geografia, Oeiras tem a grande vantagem de ter acesso ao mar e de contar com a armada de veleiros atracados na sua marina. Porém, situa-se num vale e está exposta aos ataques vindos da Serra de Carnaxide. A Amadora está cercada por terra mas, por outro lado, a sua malha urbana complexa, plena de becos e ruelas, favorece as emboscadas e dificulta avanços no terreno a qualquer exército.
Em matéria de base potencial de mobilização, à partida as duas potências parecem estar equilibradas. No entanto, a população de Oeiras é mais envelhecida, enquanto a Amadora conta com mais homens em idade militar. Neste aspecto, há uma ligeira superioridade amadorense. Em termos do moral das populações para a guerra, Oeiras parte na frente. O culto ao chefe consolidado há décadas aliado à ideia de que foram atacados primeiro ajudarão a granjear apoio para o conflito armado junto dos oeirenses. Menos sorte tem o autarca da Amadora, Vítor Ferreira: ninguém vai para a guerra por um homem que não publica o seu almoço nas redes sociais.
Devemos estar atentos à política de alianças. Oeiras contará certamente com o apoio de Cascais, mas só isso não chega. Apenas com o apoio e a infraestrutura de Lisboa poderá almejar uma vitória nesta guerra. Amadora conta com a lealdade de Odivelas, Loures e Sintra. Se a capital apoiar Isaltino, poderá ter sérias dificuldades. Contudo, se conseguir convencer Almada a escolher o seu lado - estamos a falar de um concelho que tem a capacidade geográfica de apontar artilharia a Paço de Arcos - Isaltino capitulará certamente.
Vamos aguardar pelas próximas semanas. É bem possível que Isaltino tente, primeiramente, anexar o IKEA. Contará, para esse efeito, com as milícias da minoria oeirófila que reside em Alfragide. Depois, talvez tente surpreender, abrindo uma segunda frente pelas Portas de Benfica e tomando as instalações da Rádio Renascença. Porém, a longo prazo, não tem qualquer chance. Deve conter-se e tentar resolver o conflito pela via diplomática, que ainda considero possível. Até porque se há líder mundial que gosta de se sentar à mesa é Isaltino.
https://expresso.pt/opiniao/2026-04-01
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