"Espanha da minha vida" (España de mi vida), embora partilhe toda a força e a temática de combate de Vientos del pueblo me llevan.
Ambos pertencem ao mesmo período em que Miguel Hernández combatia na frente de batalha e escrevia para dar coragem e expressar a dor do seu povo.
Aqui tem a versão integral do poema, com o texto original em espanhol e a respetiva tradução para português:
Versão Original (Espanhol)
España de mi vida
Te veo, oh patria, encadenada y rota, con el alma en un hilo de amargura, sufrir bajo la bota de la más negra y cruel desventura.
Los campos que sembró tu mano buena hoy cosechan espinas y lamentos, y tu sangre serena corre empujada por malditos vientos.
Pero no te has rendido, madre mía, que en el pecho del pueblo late el fuego, y habrá de llegar el día en que recobre la razón tu ruego.
Se ha levantado la España, de los relámpagos rota, atropellada sin remedio, gritando amargamente...
¡Ay, España de mi vida! ¡Ay, España de mi muerte!
Tradução para Português
Espanha da minha vida
Vejo-te, oh pátria, acorrentada e rota, com a alma num fio de amargura, sofrer debaixo da bota da mais negra e cruel desventura.
Os campos que a tua mão boa semeou colhem hoje espinhos e lamentos, e o teu sangue sereno corre empurrado por malditos ventos.
Mas não te rendeste, minha mãe, pois no peito do povo bate o fogo, e haverá de chegar o dia em que a razão recupere o teu rogo.
Levantou-se a Espanha, pelos relâmpagos rasgada, arrebatada sem remédio, gritando amargamente...
Ai, Espanha da minha vida! Ai, Espanha da minha morte!
Nota sobre a estrutura e o Mural
O pintor do mural de Orgosolo selecionou cirurgicamente as duas últimas estrofes porque sintetizavam perfeitamente o espírito da Guernica de Picasso: o sofrimento da pátria "atropelada" pelas bombas e o grito de dor agonizante que o quadro tão bem ilustra através da mãe e do cavalo.
Aqui tem a versão integral e autêntica da "Canción del esposo soldado" (Canção do Esposo Soldado), o poema completo de Miguel Hernández de onde foi retirada a belíssima quadra que está pintada no mural.
Versão Original (Espanhol)
Canción del esposo soldado
He poblado tu vientre de amor y sementera, he prolongado el eco de sangre a que respondo y espero sobre el surco como la ardiente espera de los minerales fondos.
El futuro relumbra soberbio en tus entrañas. Un clavel en el alba, con un color de espanto, rompe las ligaduras de la carne y las mañas de un mundo puesto en llanto.
Miro hacia ti, hacia el hijo que en tu interior se asila, y un viento de ceniza me asalta y me destruye, mientras que la batalla deshoja su corola, y el humo se diluye.
Es preciso matar para seguir viviendo. Un día iré a la sombra de tu pelo lejano, y en un país de bueyes, de paz y de campanas, te estrecharé la mano.
Con el alma en un vilo de amargura, cantando espero la muerte, que hay ruiseñores que cantan encima de los fusiles y en medio de las batallas.
Tradução para Português
Canção do esposo soldado
Povoei o teu ventre de amor e sementeira, prolonguei o eco de sangue a que respondo e espero sobre o sulco como a ardente espera dos minerais fundos.
O futuro reluz soberbo nas tuas entranhas. Um cravo na alvorada, com uma cor de espanto, rompe as ligaduras da carne e as artimanhas de um mundo posto em pranto.
Olho para ti, para o filho que no teu interior se asila, e um vento de cinza assalta-me e destrói-me, enquanto a batalha desfolha a sua corola, e o fumo se dilui.
É preciso matar para seguir vivendo. Um dia irei à sombra do teu cabelo distante, e num país de bois, de paz e de sinos, apertar-te-ei a mão.
Com a alma num fio de amargura, cantando espero a morte, pois há rouxinóis que cantam em cima dos fuzis e no meio das batalhas.
O Contraste do Poema
Note como o poema inteiro flutua entre a vida que nasce (a gravidez da esposa, a esperança no futuro filho) e a morte que cerca o soldado nas trincheiras. É essa dualidade entre o amor e a brutalidade que torna a última estrofe — a escolhida para o mural de Orgosolo — uma das mais poderosas da poesia do século XX.» (Google Gemini)

Sem comentários:
Enviar um comentário