* Carlos Coutinho
O horror bíblico, superior ao próprio inferno, por ser verdadeiro e ter datas, pode exprimir-se em muitas línguas e, sendo referido a factos diferentes no tempo e no modo, não deixa de ser a moeda de duas faces que de um lado tem o holocausto e do outro a Nakba, o custo real da existência humana, quando o seu ADN é o expoente máximo da crueldade politizada, ora por Deus, ora pelo Diabo.
Hoje, o dia que recebe uma das datas mais hediondas do calendário judaico-árabe, celebra-se a criação do Estado de Israel, acaso histórico ocorrido a 14 de Maio de 1948, mais de metade do mundo sabe o que foi o Holocausto, aquela multitudinária matança físico-química e pós-pogromes que o justificou, mas, em contrapartida, muitos menos são os terráqueos com uma noção, mesmo que só aproximada, do que foi a Nabka, apesar dos seus trágicos prolongamentos na Palestina ocupada e nos territórios adjacentes.
Se é certo que a Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU estabeleceu no dia 29 de novembro de 1947 a divisão da Palestina histórica em doois estados, um hebraico e outro, a verdade é que a proclamação do Estado de Israel foi feita de forma unilateral pelos dirigentes sionistas, à revelia das Nações Unidas, acompanhada por uma orgia de violência que nem Hitler desdenharia e que Netanyahu gostosamente prolonga, com Trump a assobiar para o lado e a arquitetar negócios próprios e milionários para o teatro do morticínio, sem câmaras de gás nem fornos crematórios, mas com palacetes de luxo à beira-praia.
Os 78 anos decorridos desde maio de 1948 têm sido uma permanente nabka. A ocupação de territórios internacionalmente reconhecidos como palestinianos e a violência sistemática e brutal praticada por Israel são agora a continuação de um genocídio que não terminou, apesar do “cessar-fogo” e do “plano de paz” anunciados por Trump.
Hoje, os dirigentes israelitas proclamam abertamente o objetivo de expandir o Estado sionista e não apenas com a ocupação de todo o território histórico da Palestina, do rio até ao mar, o tal “Grande Israel” que é muitas vezes descrito como indo do Nilo ao Eufrates.
No terreno prossegue a ocupação de vastas zonas da Palestina e da Síria, a tentativa de ocupação o sul do Líbano, além de repetidas agressões ao Irão, em conjunto com os EUA.
O historiador israelita Ilan Pappe, que só pode ser tomado como insuspeito, escreve que, ao longo de poucos meses, “mais de metade da população nativa da Palestina, cerca de 800 000 pessoas, foi expulsa de suas casas”, uma ação planeada, o Plano Dalet, e que “as ordens dadas incluíam uma descrição pormenorizada dos métodos a serem empregues para expulsar a população pela força: intimidação em larga escala; sitiar e bombardear aldeias e centros populacionais; atear fogo a casas, propriedades e bens; expulsões; demolições e, finalmente, colocar explosivos entre os destroços para impedir o regresso dos habitantes”. Houve “dezenas de massacres” e até o “o envenenamento de fontes de Acre com tifo
2026 05 13
https://www.facebook.com/carlos.coutinho.7
Sem comentários:
Enviar um comentário