* `Victor Nogueira / Gemini
No grafito da imagem está escrito "FREAK" em letras grandes estilizadas (com preenchimento branco, contorno preto e detalhes a vermelho), acompanhado por uma figura caricata ao centro e várias inscrições secundárias em redor.
Há autores onde a palavra ou a figura do freak — no seu sentido de marginalidade, estranheza e isolamento — surgem de forma central: Charles Bukowsk e Sylvia Plath,
1. "Lady Lazarus"" – Sylvia Plath Sylvia Plath explora a ideia do freak como o indivíduo exposto ao olhar público, transformado em espetáculo e incompreendido. O poema aborda a alienação e a sensação de não pertencer ao mundo "normal", usando a metáfora das atrações de circo para descrever a dor da exposição interior.
No poema, a multidão junta-se para ver a "ressurreição" do corpo como uma atração mórbida:
"The peanut-crunching crowd / Shoves in to see / Them unwrap me hand and foot — / The big strip tease. / Gentlemen, ladies / These are my hands / My knees."
É essa voyeurização da dor e da alienação — o indivíduo ser transformado num espetáculo para a massa — que faz de "Lady Lazarus" o verdadeiro paralelo poético para a temática do freak.
2. "Freak" – Charles Bukowski Bukowski, o poeta do realismo sujo e da marginalidade urbana, tem poemas onde se autoidentifica expressamente como o freak da sociedade. Em textos como este, o "ser esquisito" é assumido com orgulho e sarcasmo: o indivíduo que recusa a rotina do trabalho convencional, o terno e a gravata, para viver à margem, bebendo, escrevendo e observando a cidade a partir da sarjeta.
O termo surge apenas em contexto no meio da sua vasta produção:
No poema "my vanishing act": É onde ele usa a palavra num tom autobiográfico para descrever o seu papel social nos bares:
"I was their bar freak, they needed me to make themselves feel better..."
Em poemas como "Moyamensing Prison": Onde lista os "freaks" entre a fauna marginal e os excluídos que encontrou nas suas passagens pela prisão.
Para além destas menções pontuais, o conceito de "freak" em Bukowski é apenas um traço geral do seu estilo — a recusa do trabalho convencional de escritório e a vida à margem —, mas não o tema de um poema específico.
Relações Literárias, Musicais e Culturais:
A palavra freak (que em inglês significa "estranho", "aberração", ou alguém fora da norma convencional) carrega um forte legado na cultura pop, na literatura e, muito em especial, na música:
Música (Rock, Funk e Hip-Hop):
"Freak Out!" (1966) – Frank Zappa & The Mothers of Invention: Um álbum concetual histórico que celebrava precisamente a cultura freak como contracultura, não-conformismo e recusa das normas sociais.
"Super Freak" (1981) – Rick James e "Le Freak" (1978) – Chic: Dois grandes clássicos do funk/disco que popularizaram o termo na música de dança.
Cultura Hip-Hop e Street Art: O grafito junta a palavra freak a uma estética típica da animação urbana das décadas de 1980/1990 (a figura com boné com a pala para trás e calças largas), numa clara alusão às formações musicais de hip-hop ("Freak & The..." evoca nomes de bandas e crews da cultura urbana).
Literatura e Banda Desenhada:
"Freak Show" (Geek Love / Aderência ao Grotesco): Na literatura contemporânea (como o romance Geek Love de Katherine Dunn), a figura do freak é reabilitada como símbolo de identidade marginal e orgulho da diferença.
Comics Underground: Recorda a tradição dos underground comix americanos dos anos 60/70 (como os The Fabulous Furry Freak Brothers de Gilbert Shelton), onde personagens caricaturadas e marginais satirizavam a sociedade tradicional.
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