domingo, 11 de outubro de 2009

Poesia de Natália Correia

In DIMENSÃO ENCONTRADA

  • A Mágica dos Movimentos Perpétuos
  • Para aquela que morreu inexplicavelmente porque era amada
  • Queixa das almas censuradas
  • A Recusa das Imagens Evidentes

A Mágica dos Movimentos Perpétuos


Diego Rivera

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Quando sobe o Teu instante ao meu olhar

Numa centelha da Tua permanência

Há um som que fica por vibrar

Nos instrumentos naturais da consciênicia.

Puxam-se os membros fios irreais

Manejados por mãos sem aparência;

E se volto a cabeça para trás

Ouço o rumor de estranhas confidências.

Assim regresso à era que pressinto

Encerrada e latente no meu pulso.

Pois que o presente não é mais que impulso

Da eternidade onde entro por instinto.

In Dimensão Encontrada,
Poesia Completa

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para aquela que morreu inexplicavelmente porque era amada

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Craig Mullins Craig Mullins

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Chegaste e eras o ar. Agora sei
que era já ar o rosto que tiveste,
Pois no oráculo do vento decifrei
Que não és rosa nem ave nem cipreste.

Talvez que a tua aragem no meu braço
Seja o amor que agora eu te mereça.
Mas se adormeço é sempre em teu regaço
Que os anjos me coroam a cabeça.

Talvez seja eu a morta. E tu ao lado
Não tenhas mãos para me abrir a porta
Nem haja porta se te sinto ao lado.

Talvez nem sejas tu nem eu nem nada
Enrolada no rasto desta estrela
Que me arrastou na sua queda errada.

Talvez outras areias sem areias;
Talvez um outro Abril sem rosas bravas;
Talvez a direcção das tuas veias
Para a esfinge que não te suspeitavas.

Talvez a que já era antes de ti
Agora nos meus limos afogada.
Mas só porque te olhei e não te vi
Tu vens ao cimo e não me dizes nada.

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in Dimensão Encontrada
Poesia Completa

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queixa das almas censuradas

Francesco Clemente Francesco Clemente

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Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

in Dimensão Encontrada,
Antologia Poética

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A recusa das imagens evidentes


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Collection:Ger Stallenberg, Mystic Garden II

I

Rosa que só tens nexo
Fora da tua imagem:
Aqui és só reflexo
Do universo unido
No instante florido
Que ofereces aos que te olham,
Sem te ver, de passagem.

II

Girassol que na retina
Da planície se dissolve.
És a cor mais repentina
Da aragem que te envolve.

Girassol que só te viras
Ao que não te fica perto
E só giras porque giras
Sobre o teu eixo secreto.

Girassol que sem volume
Volume que sem contorno
No despegar-se resume
Só a pressa do retorno.

III

É um outono que não é outono.
Tampouco a estação por que se espera
Na dor de nos deixarern ao abandono
As ninfas que são flores na primavera.

No entanto nas coisas o segredo
De uma só alma põe a sabedoria
Dando à terra repouso no arvoredo
De que o cedro é a sagrada biografia.

IV

Há noites que são feitas dos rneus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca forarn feitas.

Há noites que levarnos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à bainha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
A mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nos fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

V

Há um cipreste que se dissimula
No dia que nos leva pela mão.
E entre brasas de sol que ardem na rua
Uma pomba que faz de coração.

Voa: uma linha recta para a lua
Em sonhos que nos levam de balão.
Perversidade de uma paz futura
Onde só chegaremos de caixão?

E nada nos recorda esse futuro
Escondido atrás das nuvens que trouxeram
Ao nosso rosto os olhos prematuros
Das órbitas reais que nos esperam.

In Dimensão Encontrada,
Poesia Completa

«- Índice da Obra de Natália Correia

Comentário gráfico a um poema

OBRIGADA, VITOR! ADOREI... É O MÍNIMO QUE POSSO DIZER!
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Comentário de Carmen (hi5)

Noticias do Bloqueio

* Egito Gonçalves (Clicar no título do poema, para lê-lo)
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War Pictures, Images and Photos

sábado, 10 de outubro de 2009

O mar pela manhã - Constantino Cavafy

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Deixem-me estar aqui. Que também eu contemple,
um pouco, a natureza - o mar, nesta manhã,
o céu azul sem nuvens, de um e de outro a luz
onde se alonga a amarelada praia.

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Deixem-me estar aqui. Que eu pense que isto vejo
(não é que o vi um instante, quando aqui parei?).
Tudo isto só - e não, também aqui, visões,
memórias, e os espectros do prazer antigo.

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Constantino Cavafy, trad. Jorge de Sena

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009 – Herta Müller

Prémio Nobel da Literatura 2009 – Herta Müller

Posted: 08 Oct 2009 04:08 AM PDT

A escritora alemã (de origem romena) Herta Müller (poetisa, romancista e ensaísta) acaba de ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura, pela «densidade da poesia e a franqueza da prosa», retratando o «universo dos desapossados».

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Nascida em 1953 na Roménia (de uma família da minoria alemã naquele país), vive em Berlim desde 1987. A sua obra trata nomeadamente da vida na Roménia sob a ditadura de Ceaucescu, abordando a questão das minorias alemãs em países da Europa Central, no pós-guerra.

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Em Portugal foram publicados os seus livros: O homem é um grande faisão sobre a terra (Cotovia, 1993) e A terra das ameixas verdes(Difel, 1999).

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In Memória Virtual - qui 08-10-2009 14:08

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Prémio Nobel da Literatura 2009 e Literatura Alemã

Romeno-alemã Herta Müller ganha Prêmio Nobel de Literatura 2009





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in DW.World 2009.10.08
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Na varanda de Florbela - Eugénio de Andrade

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Aqui cantaste nua.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.
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Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.
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Eugénio de Andrade
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Enviado por Cecília (hi5)
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terça-feira, 6 de outubro de 2009

…encruzilhadas da vida… . *Rod*

JP diz:
TEM UMA BOA SEMANA VICTOR. ABRAÇO.


(foto de JP)

…encruzilhadas da vida…
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Vida é água e não pedra
Pois a pedra é sólida e não se adapta
E a agua corre e molda-se por onde passa...
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Vida é luz e não escuridão
Pois na escuridão tudo se torna igual
E na luz tudo é lúcido e bem real...
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Vida é prazer e não sofrimento
Porque o sofrimento magoa
E a vida é significado de felicidade e alegria....
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Vida é amor e não traição
E se traímos é porque na nossa vida
Não há amor, não há verdade
Nem há paixão...
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Vida são os desejos, os sonhos, as vontades,
Sentimentos que nos fortalecem,
Amizades que nos enriquecem,
Momentos de reflexão
E gestos do coração
É a paz interior
A energia de um lutador...
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São assim as encruzilhadas da vida...
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* Rod *
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Enviado por JP (hi5)
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A origem da vida - Courbet e Maria Teresa Horta

O NOVO CANUDO DE BRAGA…..

Courbet - A origem da vida

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A VAGINA

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É cálida flor
e trópica mansamente
de leite entreaberta às tuas
mãos
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feltro das pétalas que por dentro
tem o felpo das pálpebras
da língua a lentidão

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Guelra do corpo
pulmão que não respira

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dobada em muco
tecida em sua água

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Flor carnívora voraz do próprio
suco
no ventre entorpecida
nas pernas sequestrada

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MARIA TERESA HORTA
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Pensamento de Epicuro

"O homem sereno procura serenidade para si e para os outros" Fonte: "Exortações" Autor: Epicuro ATOMO Pictures, Images and Photos
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Enviado por Carmen (hi5)
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Sobre Epicuro ver -

Epicuro - Wikipédia, a enciclopédia livre

Epicuro de Samos foi um filósofo grego do período helenístico. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, ...
Vida - Filosofia e obra
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Epicuro

Origem: Wikiquote, a coletânea de citações livre.

Epicuro
Epicuro
Veja também...
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Epicuro de Samos, do grego Επίκουρος (341 a.C.-270 a.C.), foi um filósofo grego.


  • "A necessidade é um mal, mas não há necessidade algum de viver com necessidade."
- Fonte: Exortações, 9.
  • "As enfermidades duradouras proporcionam à carne mais prazer que dor."
- Fonte: Máximas capitais, IV.
  • "Nada é suficiente para quem o suficiente é pouco."
- Fonte: Exortações, 68.
  • "Não tema deus,
Não se preocupe com a morte
O que é bom é fácil de ter, e
O que é terrível é fácil agüentar.
- Fonte: O “Tetrapharmakos" [τετραφάρμακος], ou “A quarta parte da cura”, de Epicuro, do “Papiro de Herculano”, 1005, 4.9-14, de Philodemo, como traduzido em The Epicurus Reader: Selected Writings and Testimonia (1994) editado por D. S. Hutchinson, p. vi
  • "A vida do justo é pouco perturbada por inquietações, a do injusto é cheia das maiores inquietações."
- Máximas Soberanas, 17

Carta a Meneceu

  • "Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz."
  • "Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade."
  • "Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade."
  • "Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver."
  • "O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal."
  • "Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais."
  • "Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem."
  • "Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveitá-la, e nos prepara para enfrentar sem temor as vicissitudes da sorte."
  • "Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de urna mesa farta que tomam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos."
  • "De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade."
  • "Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas."
  • "O prazer é o princípio e o fim de uma vida feliz."
  • "A morte é uma quimera: porque enquanto eu existo, não existe a morte; e quando existe a morte, já não existo."
- Variante: "A morte, temida como o mais horrível dos males, não é, na realidade, nada, pois enquanto nós somos, a morte não é, e quando esta chega, nós não somos."


Atribuídas

Question book-3.svg Este artigo ou secção não cita as suas fontes ou referências. Ajude a melhorar este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes.
  • "A morte nada é para nós, pois aquilo que já foi dissolvido não possui mais sentimentos. Aquilo, porém, que não possui mais sentimentos, não nos importa."
  • "Faz tudo como se estivesses a ser contemplado."
  • "O apogeu do prazer será alcançado quando todas as dores forem eliminadas. Pois onde entrou o prazer não existem, enquanto ele reinar, nem dores nem padecimentos, ou até ambos."
  • "Quanto à sensação de segurança perante os homens, o poder e o domínio são bens dados pela natureza, a partir dos quais podemos proporcionar-nos segurança."
  • "Se aquilo que ocasiona prazer aos libertos eliminasse os receios do espírito, dos fenômenos da natureza, da morte e das dores, e se ainda ensinasse o conhecimento da limitação das ânsias, nada teríamos a desaprovar nessas pessoas."
  • "A riqueza exigida pela natureza é limitada e facilmente arranjada; aquela, pelo contrário, que ambicionamos possuir num tolo desejo, chega ao infinito."
  • "A segurança, perante os homens, pode ser fortificada, até um certo grau, pelo poder e pela riqueza; aquela, porém, que é conferida pela vida na tranqüilidade e no retiro da massa dos homens é certamente mais genuína."
  • "Verdade é que o homem sensato não evita o prazer, e quando finalmente as circunstâncias o obrigam a deixar a vida, ele não se comporta como se esta ainda lhe devesse algo para a suprema existência."
  • "A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade."
  • "O mesmo conhecimento a que devemos o consolo de que nenhum terror é eterno ou que dure muito tempo, também nos deixa compreender que durante o terror, de duração limitada, a verdadeira segurança nos é proporcionada pela amizade."
  • "Dentre os desejos, alguns são dependentes da natureza e necessários; outros são dependentes da natureza, porém não necessários; outros, ainda, nem são dependentes da natureza nem necessários, mas oriundos duma vã ilusão."
  • "Injustiça por si só não é um mal. O verdadeiro mal reside no receio desconfiado de que o ato possa vir a ser escondido do juiz competente."
  • "Nascemos uma única vez; uma segunda vez não nos é dada, e não nasceremos mais por toda a eternidade."
  • "Se não podemos ver-nos, trocar idéias, nem estar em companhia um do outro, o sentimento do amor evaporar-se-á em pouco tempo."
  • "Toda amizade, por mais desejável que seja por si mesma, é, no fim das contas, contruída sobre o proveito próprio."
  • "Ávidos pelos bens distantes, não devemos desprezar os bens próximos; lembremo-nos de que estes últimos também, outrora, foram ansiosamente desejados."
  • "Quem exige ajuda constante, e, do mesmo modo, quem nunca a presta, não é amigo. O primeiro quer comprar o nosso esforço com o seu afeto; o segundo nos rouba, para todo o futuro, a esperança consoladora."
  • "Soube que a apetência da tua carne te impele exageradamente às relações sexuais. Segue-a, conforme o teu desejo, mas trata de não infringires as leis, não ofenderes a decência, não magoares algum amigo teu, não abalares a tua saúde e não desperdiçares a tua fortuna. É difícil, porém, não ficar emaranhado numa dessas dificuldades. O gozo do amor não traz proveito, devemos até ficar contentes se não for prejudicial."
  • "Cada um sai da vida do mesmo modo como se tivesse acabado de nascer."
  • "Devemos indagar por ocasião de todos os desejos: o que há de acontecer quando o meu apetite for satisfeito, e o que acontecerá se ele não o for?"
  • "Nada faças na vida algo que te cause medo se teu vizinho vier a sabê-lo."
  • "Nada é suficiente para quem julgar o suficiente demasiadamente pouco."
  • "É sem valor pedir aos deuses aquilo que nós mesmos podemos realizar."
  • "Não provamos nosso sentimento ao amigo, compartilhando as suas lamentações, mas sim com a nossa ajuda ativa."
  • "O fruto mais saboroso da auto-suficiência é a liberdade."
  • "Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens se deixa levar a atos que aumentam mais ainda esse medo."
  • "Muitos que alcançaram a riqueza não conseguiram um remédio contra seus males, mas apenas os trocaram por males ainda piores."
  • "As leis existem para os sábios, não para que não pratiquem injustiças, mas para que não as sofram."
  • "Aquele que inspira medo aos outros não está, ele próprio, livre desse medo."
  • "Se queres a verdadeira liberdade, deves fazer-te servo da filosofia."
  • "Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?"
  • "A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem."
  • "Não podemos viver felizes se não formos justos, sensatos e bons; e não podemos ser justos, sensatos e bons sem sermos felizes."
  • "Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade."
  • "Na discussão, o vencido obtém maior proveito, pois aprende o que ainda não sabia."
  • "Não há o que temer na morte. Pode-se alcançar a felicidade e suportar a dor."
  • "Nenhum prazer é em si um mal, porém certas coisas capazes de engendrar prazeres trazem consigo maior número de males que de prazeres."
  • "O homem é rico desde que se familiariza com a pobreza."
  • "O impossível reside nas mãos inertes daqueles que não tentam."
  • "O prazer de fazer o bem é maior do que o de recebê-lo."
  • "O prazer é o primeiro dos bens. É a ausência de dor no corpo e de inquietação na alma."
  • "Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades."
  • "Os prazeres do amor jamais nos serviram. Devemos nos considerar felizes se não nos aborrecerem."
  • "Somente o justo desfruta de paz de espírito."
  • "Tu, que não és senhor do teu amanhã, não adies o momento de gozar o prazer possível! Consumimos nossa vida a esperar e morremos empenhados nessa espera do prazer."
  • "Quem não considera o que tem como a maior riqueza, será sempre desditoso, ainda que seja dono do mundo."
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domingo, 4 de outubro de 2009

Identidade - Mia Couto

* Mia Couto
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IDENTIDADE

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Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta
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Sou pólen sem insecto
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Sou areia sustentando
o sexo das árvores
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Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro
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No mundo que combato
morro
No mundo por que luto
nasço
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MIA COUTO
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Enviado por Cecília (hi5)
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Mais em
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D'Ali e D'Aqui - Mia Couto
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Kant_O XimPi - Mia Couto
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Galeria & Photomaton - Mia Couto
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Asas da Liberdade - Robertson Buse

BOM FIM DE SEMANA VICTOR. ABRAÇO.


(foto de JP)
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Asas da Liberdade
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Asas me levam
E me pousam sobre um penhasco
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E partem céu adentro
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Fico a sós com a minha liberdade
Envergonhado,
Sinto-me nu
Arqueado
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Não estarei mais reconhecendo
Quem está comigo?
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Liberdade vá embora!
Traga de volta
As minhas asas!

...
Para nos conhecermos temos que voar adiante de nós
E voltar pela saudade do que temos de melhor
...
Muitas vezes a nossa liberdade não está nas asas que se abrem...
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(Robertson Buse)
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Enviado por J.P. (hi5)
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Quanto mais claro - Fernando Pessoa

Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar...
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Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.
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(Fernando Pessoa)
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sábado, 3 de outubro de 2009

O Watergate português - Ricardo Araújo Pereira

* Ricardo Araújo Pereira
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No Watergate americano, o fundamental era a informação que saía de uma garganta; em Portugal, é a informação que entra noutras
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"A História repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa". Aqui está mais uma frase de Marx que demonstra o modo como, em certos aspectos, o seu pensamento está desactualizado ou incompleto. Marx não soube perceber (mas quem o censura?) que, quando se repete em Portugal, a História volta na forma de um espectáculo que está vários furos acima da farsa - quer em termos de ridículo, quer quanto à riqueza do enredo. O recente caso do Watergate português merece, por isso, ser analisado mais do ponto de vista humorístico que do ponto de vista político. Felizmente, há muito para dizer.
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A primeira grande diferença entre a complexa história de espionagem americana e a nossa soberba comédia talvez seja o facto de, nos Estados Unidos, as escutas existirem mesmo. Parecendo que não, numa história de escutas, isso faz alguma diferença. Em Portugal, até ver, as escutas são imaginárias, o que confere à história este carácter encantadoramente rocambolesco - e muito português: os americanos agem, colocam escutas, espiam mesmo; os portugueses imaginam que estão a ser escutados, fantasiam sobre espionagem, convidam os jornais a efabularem com eles. Nos Estados Unidos, o presidente mandou colocar escutas na sede dos seus adversários políticos e foi apanhado. Demitiu-se. Em Portugal, a fazer fé na imprensa, o presidente mandou publicar uma suspeita acerca de escutas colocadas na sua residência oficial e foi apanhado. Demitiu o assessor de imprensa. Faz sentido. Nos Estados Unidos era a sério. Cá, era a fingir. Não estava a valer.
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Outra diferença importante: nos Estados Unidos, o Garganta Funda era o informador dos repórteres; em Portugal, a profundidade gutural é uma qualidade dos jornalistas, característica aliás fundamental para a capacidade de engolir uma história tão frágil como absurda. No Watergate americano, o fundamental era a informação que saía de uma garganta; em Portugal, é a informação que entra noutras. Nos Estados Unidos, a investigação jornalística foi publicada em livro e ganhou o prémio Pulitzer. Em Portugal, a investigação jornalística não chegou a existir e a única coisa publicada foi um triste e-mail, cheio de erros ortográficos, o que o torna francamente indigno de participar nesta comédia. Não há razão para que os espectáculos cómicos sejam menos bem escritos que os outros. E, quando se colabora com um elemento ligado à Presidência da República para publicar uma história amalucada, deve vigiar-se o português. Se o Presidente leva a sério a defesa da língua portuguesa e o prestígio da CPLP, deve pugnar para que as tentativas de conspiração que o envolvem sejam, ao menos, ortograficamente irrepreensíveis.
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Ricardo Araújo Pereira
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Enviado por Flor do Deserto (hi5)
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O MEU OLHAR - Fernando Pessoa

Assunto: ALMA NO OLHAR...
Data: 2/Out 15:30

OLHO O AMOR BEM DE FRENTE PARA QUE ELE VEJA A MINHA ALMA E SAIBA QUE, MESMO FERIDA, NUNCA LHE VOLTAREI AS COSTAS, E A CADA DIA QUE ELE SE ME NEGA, CHORO, É VERDADE, MAS AS LÁGRIMAS SÃO A MINHA PERFEITA CERTEZA DE QUE SEREI A VENCEDORA...É COM ELAS QUE CONSTRUO AS AMARRAS QUE ME PRENDEM Á VIDA...EM ANEXO UM BEIJO
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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II - O MEU OLHAR
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O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
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O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
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Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
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FERNANDO PESSOA

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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Poesia e Os azulejos da Praça Deák (Budapeste)

Gábor e seus amigos

January 25, 2009

Os azulejos da Praça Deák

Caro leitor, eu sei que artigos em blogs devem ser curtos mas este será uma exceção, pois envolveu vários meses de pesquisa (que ainda não chegou ao fim).

"A idéia de João Vieira em reunir na estação da Praça Deák do Metropolitano de Budapeste, flashes de versos de seis poetas (três húngaros e três portugueses) é uma obra que se impõe por ela mesma.

A visualização mental deste conjunto é extremamente sedutora, excitante e a sua realização oferece, além do mais, atrativos que, de relance, não poderíamos imaginar.

Ao associar personalidades tão diversas nos seus painéis, o pintor partiu à procura do elo que, a meu ver, une, desde o início, as várias fases do seu percurso. Esta obra em azulejos tem todas as hipóteses de impressionar pelo rigor e pelo cromatismo da sua apresentação."

Assim se inicia o artigo "Um longo caminho interpretativo" de Margarida Botelho, publicado num caderno bilíngue (português e húngaro) intitulado "Painéis para a estação Deák Tér do Metropolitano de Budapeste" e publicado pelo Metropolitano de Lisboa em 1996.

Para quem quiser adquirir um exemplar por 10 euros, aqui vai o site:
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http://www.metrolisboa.pt/Default.aspx?tabid=238&ItemId=61


Mas deixe-me contar a história desde o início e como me interessei por este assunto apaixonante.


Há quase dois anos trabalho algumas horas por dia numa empresa que fica próxima à estação Deák Tér e como vou quase todos os dias de metrô, os azulejos que eu lá via sempre me intrigaram. Sempre correndo, às vezes eu reconhecia algumas palavras em húngaro de um dos lados, outras vezes decifrava uma ou duas em português do outro... mas como estes fragmentos de texto não faziam sentido, achei que era mera coincidência. Até que um dia, movido pela curiosidade, pesquisei o assunto na internet e descobri que um jovem local chamado Géza Papp também tinha as mesmas dúvidas que eu. Trocamos emails, encontramo-nos algumas vezes e apresentamos agora o resultado das nossas pesquisas. Para quem quiser ler uma versão deste artigo em húngaro, visite o blog dele aqui:
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Depois de fotografarmos ambos os lados da estação, ao lado do painel descobrimos uma plaqueta de bronze com o seguinte texto:
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Obra do pintor português JOÃO VIEIRA nascido em 1934 executada em Lisboa na Fábrica Cerâmica Viúva Lamego oferta do Metropolitano de Lisboa ao Budapesti Közlekedési Részvénytársaságnak (assim mesmo, com "nak" no final)
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Inaugurado em 19 de Agosto de 1996 por ocasião das comemorações dos 1100 anos da fundação do Estado Húngaro.
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Do lado oposto há uma outra plaqueta com este mesmo texto, porém em húngaro e sem o erro de concordância mencionado acima. O correto seria sem o sufixo -nak.

Semanas de pesquisa árdua se passaram, montamos finalmente o quebra-cabeças e descobrimos que o artista escolheu 3 poetas húngaros, 3 portugueses e 10 poemas no total, cinco em cada idioma. Aqui vão eles, caro leitor, começando com os portugueses traduzidos para o húngaro.

O primeiro poema, logo no painel da esquerda e bem menor em tamanho que os outros, é "Opiário" de Fernando Pessoa (ou Álvaro de Campos, que foi um de seus inúmeros heterônimos), nascido em 1888 e morto em 1935.

No painel encontramos somente os versos em negrito, os em azul já não couberam... o texto simplesmente termina, mas é compreensível, pois não seria possível ao artista compor uma obra desta envergadura levando em conta todas as letras de todos os poemas.

Podemos perceber, entretanto, que quando montaram o painel (ainda em Lisboa) cometeram alguns pequenos erros. Por exemplo, alguns azulejos trocaram de posição. Estas discrepâncias eu realço em letras vermelhas, caso um dia você, caro leitor, queira verificá-los pessoalmente. Em verde marquei os dois azulejos onde João Vieira substituiu uma letra pelo logotipo do seu atelier, que é uma concha (vide foto). Para conhecer o currículo extenso do artista, clique aqui:


http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/pintura/joao_vieira/curricul.html

















OPIÁRIUM

A LELKEMET NEM ÓPIUM SEBEZTE,
AZ ÉLETTŐL SÁPADOZTAM, DARVADOZTAM,
DE VÍGASZOM RÉMLETT AZ ÓPIUMBAN,
KELET KELETJE CSÁBÍTOTT KELETRE.

MEGÖL, TUDOM, E FEDÉLZETI ÉLET
FEJEMBEN LÁZAS NAPOK KERGETŐZNEK.
EZERSZER JOBB, HA BETEGSÉG GYÖTÖR MEG.
AZ ALKALMAZKODÁSHOZ ÉN NEM ÉRTEK.

AZ ELLENTMONDÁSOS, ROSSZ CSILLAG-ÁLLÁS
ARANY SEBEKKEL UTAMAT KISZABJA.
ÖNÉRZETEM LECSÚSZIK A HABOKBA,
IDEGCSOMÓIM HULLÁMOK CIBÁLJÁK.

A KÉPZELET TORZ LENDÍTŐKERÉKKEL
A KA
TASZTRÓFÁT MŰKÖDÉSBE HOZZA,
EGY KERTBEN RÁLELEK A VÉRPADOKRA,
SZÁRUKAT VESZTETT VIRÁGOK KÍSÉRNEK.

(Tradução de Zsuzsa Takács, de acordo com o livreto editado em Lisboa. É possível, entretanto, que seja tradução de Endre Kukorelly, verificarei em breve!)

Aqui vai a versão original do poema:

FERNANDO PESSOA / ÁLVARO DE CAMPOS: OPIÁRIO
(Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro) - escrito em março de 1914

É ANTES DO ÓPIO QUE A MINH'ALMA É DOENTE.
SENTIR A VIDA CONVALESCE E ESTIOLA
E EU VOU BUSCAR AO ÓPIO QUE CONSOLA
UM ORIENTE AO ORIENTE DO ORIENTE.

ESTA VIDA DE BORDO HÁ-DE MATAR-ME.
SÃO DIAS SÓ DE FEBRE NA CABEÇA
E, POR MAIS QUE PROCURE ATÉ QUE ADOEÇA,
JÁ NÃO ENCONTRO A MOLA PRA ADAPTAR-ME.

EM PARADOXO E INCOMPETÊNCIA ASTRAL
EU VIVO A VINCOS DE OURO A MINHA VIDA,
ONDA ONDE O PUNDONOR É UMA DESCIDA
E OS PRÓPRIOS GOZOS GÂNGLIOS DO MEU MAL.

É POR UM MECANISMO DE DESASTRES,
UMA ENGRENAGEM COM VOLANTES FALSOS,
QUE PASSO ENTRE VISÕES DE CADAFALSOS
NUM JARDIM ONDE HÁ FLORES NO AR, SEM HASTES.

Na parte central do painel (que é bem maior que as duas laterais) encontramos 3 poemas, o primeiro deles de Luís Vaz de Camões (1524?-1580):



















MIT AKARTOK, ÖRÖK VÁGYAKOZÁSOK?

MIT AKARTOK, ÖRÖK VÁGYAKOZÁSOK?
MILY REMÉNYEKKEL ÁLLTOK MÉG ELŐ?
NEM TÉR VISSZA A TOVASZÁLLT IDŐ,
S HA VISSZATÉR IS, VONÁSAI MÁSOK.

JÓL TESZITEK, ÉVEK, HOGY TOVASZÁLLTOK,
MERT
BÁR MINDŐTÖK KÖNNYEN RÖPPENŐ,
HAJLAMOTOK NEM MINDIG EGYEZŐ,
S AZ ÓHAJ NEM ISMER EGYFORMASÁGOT.

MI KEDVES VOLT, MÁS BENNE MÁR A LÉNYEG;
MER
T A NAPOK MÚLÁSA LETÖRÖLTE
A RÁTAPADT ELSŐ GYÖNYÖRŰSÉGET.


REMÉNYT NEKEM TOVÁBBI ÖRÖMÖKRE
NEM HAGY A MEGLÓDULT IDŐ S A VÉGZET,
A BOLDOGSÁG E KÉT KERÉKKÖTŐJE.


(Tradução de Ernő Hárs, embora o livreto editado pelo Metropolitano de Lisboa mencione Árpád Mohácsi – informação a verificar)

Aqui vai o soneto original:


LUÍS DE CAMÕES: QUE ME QUEREIS, PERPÉTUAS SAUDADES?

QUE ME QUEREIS, PERPÉTUAS SAUDADES?
COM QUE ESPERANÇA AINDA ME ENGANAIS?
QUE O TEMPO QUE SE VAI NÃO TORNA MAIS
E, SE TORNA, NÃO TORNAM AS IDADES.

RAZÃO É JÁ, Ó ANOS, QUE VOS VADES,
PORQUE ESTES TÃO LIGEIROS QUE PASSAIS,
NEM TODOS PARA UM GOSTO SÃO IGUAIS,
NEM SEMPRE SÃO CONFORMES AS VONTADES.

AQUILO A QUE JÁ QUIS É TÃO MUDADO
QUE QUASE É OUTRA COUSA; PORQUE OS DIAS
TÊM O PRIMEIRO GOSTO JÁ DANADO.

ESPERANÇAS DE NOVAS ALEGRIAS
NÃO MAS DEIXA A FORTUNA E O TEMPO ERRADO,
QUE DO CONTENTAMENTO SÃO ESPIAS.
O segundo poema do painel central já é de Cesário Verde, outro grande poeta português, que nasceu em Lisboa em 1855 e faleceu em Lumiar em 1886, aos 31 anos de idade.

Ainda não consegui descobrir por que os azulejos com as letras maiores (que destacam os nomes dos seis poetas) mencionam o nome como Cesáro (sem o i). Minha hipótese é que quando escolheram os seis protagonistas contaram as letras dos seus sobrenomes: Camões, Pessoa, József e Petőfi tem seis letras e Ady tem três (que dobrando dá seis, isto é, repetindo as letras daria para fazer combinações de azulejos similares aos dos outros). Cesário entretanto tem sete letras… hmmm… o que fazer? Suponho que o artista primeiro procurou outros poetas portugueses com seis letras e como não encontrou nenhum famoso… pensou que nós húngaros não perceberíamos este deslize e ’comeu’ o i, ficando Cesáro.

BEZÁRT ÉJ

EMLÉKSZEL-E, MONDD, AZ ELMÚLT SZOMBATRA:
LÉPÉSEINK LASSÚ KOPPANÁSAI,
FÖLÖTTÜNK A MERENGŐ GÁZ SÁRGA LÁNGJA,
S A HOLDFÉNY TEJFINOM SIMOGATÁSAI?

A SZŰK UTCÁCSKÁKRA JÓL EMLÉKSZEM ÉN,
HOL KÉZ A KÉZBEN KÓBOROLTUNK KETTEN:
A H
ÁZAK HOMLOKÁN OTT SÁPADT A FÉNY;
S ABLAKUKBAN SZOMSZÉDASSZONYOK FECSEGNEK.

NEM FELEJTEM MINDAZT MIRŐL MESÉLTÉL
EGY DÚSAN FARAGOTT KOMOR TEMPLOMNÁL;
SEM A CÉDRUST, MELY HÁJBÓL S HALÁLBÓL ÉL,
S BÁJOS TEMETŐKERTEK REJTEKÉN ÁLL.

ELINDULTUNK, TUDVA AZ ALKONY KÖZEL,
MÉGIS MEG-MEGÁLLVA HALADTUNK TOVÁBB; –
DE KEDVETLENSÉGEM SEM FELEJTEM EL,
S A SZAGGATOTT JELET: MINT MÚLTAK AZ ÓRÁK.

(Tradução: Éva Bernát)

CESÁRIO VERDE: NOITE FECHADA

LEMBRAS-TE TU DO SÁBADO PASSADO,
DO PASSEIO QUE DEMOS, DEVAGAR,
ENTRE UM SAUDOSO GÁS AMARELADO
E AS CARÍCIAS LEITOSAS DO LUAR?

BEM ME LEMBRO DAS ALTAS RUAZINHAS,
QUE AMBOS NÓS PERCORREMOS DE MÃOS DADAS:
ÀS JANELAS PALRAVAM AS VIZINHAS;
TINHAM LÍVIDAS LUZES AS FACHADAS.

NÃO ME ESQUEÇO DAS COUSAS QUE DISSESTE,
ANTE UM PESADO TEMPLO COM RECORTES;
E OS CEMITÉRIOS RICOS, E O CIPRESTE
QUE VIVE DE GORDURAS E DE MORTES!

NÓS SAÍRAMOS PRÓXIMO AO SOL-POSTO,
MAS SEGUÍAMOS CHEIOS DE DEMORAS;
NÃO ME ESQUECEU AINDA O MEU DESGOSTO
NEM O SINO RACHADO QUE DEU HORAS.

O terceiro poema da parte central é novamente de Fernando Pessoa:

Ő, AZ AZ ARATÓMUNKÁSNŐ ÉNEKEL

Ő, AZ AZ ARATÓMUNKÁSNŐ ÉNEKEL
SZEGÉNY, TALÁN BOLDOG IS, AZT HISZI;
ARAT, S AZ ÉNEK SZÁLL AZ ÉGBE FEL,
DERŰS ÉS NÉVTELEN ÖZVEGYSÉGGEL TELI.

ÉS HULLÁMZIK, MINT EGY MADÁR DALA
AZ ÉGEN, AMELY TISZTA, MINT A KEZDET,
S HAJLIK, AHOGY HAJLIK AZ ÉG FALA,
ÉS LÁGY FOLYAM, ÉS MEG SOHASE RESZKET.

ÖRÖM HALLGATNI ŐT, S ELSZOMORÍT,
E HANGBAN ÉLNEK A MEZŐK S A RÉTEK
S A MUNKA IS, E DAL ÚGY ELBORÍT,
ÉS MI
NTHA MÁS OKA IS LENNE, MINT AZ ÉLET.

Ó ÉNEKELJ, DALOLJ, HA NINCS IS OK!
AZ, AMIT ÉRZEK IS, CSAK GONDOLAT.
A SZÍVEMBEN, AHOL MOST NEM VAGYOK,
ÖNTSD SZÉT GYENGE, HULLÁMZÓ HANGODAT.

Ó HOGYHA ÚGY LEHETNÉK ÉN, HOGY TE LEGYEK!
BOLDOG TUDATLANSÁGBAN LENNI MÁS,
ÉS TUDNI ERRŐL, TUDNI. Ó EGEK!
Ó, MEZŐK! Ó, DAL! Ó, EZ A TUDÁS!

NEHÉZ, S AZ ÉLET CSAK EGY PILLANAT!
VÁLTOZTASSATOK, ÁRADVÁN BELÉM
LELKEMMÉ KÖNNYŰ ÁRNYÉKOTOKAT!
ÉS VIGYETEK, TOVÁBB, EL, MINDENT, AMI ÉN.


(Tradução de Endre Kukorelly)

Aqui vai o poema original para quem quiser conferir:

FERNANDO PESSOA: ELA CANTA, POBRE CEIFEIRA

ELA CANTA, POBRE CEIFEIRA,
JULGANDO-SE FELIZ TALVEZ;
CANTA, E CEIFA, E A SUA VOZ, CHEIA
DE ALEGRE E ANÔNIMA VIUVEZ,

ONDULA COMO UM CANTO DE AVENO
AR LIMPO COMO UM LIMIAR,
E HÁ CURVAS NO ENREDO SUAVE
DO SOM QUE ELA TEM A CANTAR.

OUVI-LA ALEGRA E ENTRISTECE,
NA SUA VOZ HÁ O CAMPO E A LIDA,
E CANTA COMO SE TIVESSE
MAIS RAZÕES P'RA CANTAR QUE A VIDA.

AH, CANTA, CANTA SEM RAZÃO!
O QUE EM MIM SENTE 'STÁ PENSANDO.
DERRAMA NO MEU CORAÇÃO
A TUA INCERTA VOZ ONDEANDO!

AH, PODER SER TU, SENDO EU!
TER A TUA ALEGRE INCONSCIÊNCIA,
E A CONSCIÊNCIA DISSO! Ó CÉU!
Ó CAMPO! Ó CANÇÃO! A CIÊNCIA

PESA TANTO E A VIDA É TÃO BREVE!
ENTRAI POR MIM DENTRO! TORNAI
MINHA ALMA A VOSSA SOMBRA LEVE!
DEPOIS, LEVANDO-ME, PASSAI!

No último painel deste lado "português", bem menor em tamanho, encontramo-nos novamente com Luís de Camões. Este é o quinto e último poema:


HIBÁIM, BALSORS, LOBOGÓ SZERELMEM

HIBÁIM, BALSORS, LOGOBÓ SZERELMEM
ESKÜDTEK AZ ELVESZTÉSEMRE ÖSSZE;
FELESLEGESEN TETT SORS, HIBA TÖNKRE,
MERT ELÉG VOLT ÁMORT MAGÁT VISELNEM.

RÉG MESSZ
E MÁR; DE ITT A KÍNJA BENNEM
MINDENNEK MÉG, MI MÚLTAMAT GYÖTÖRTE,
S VAD KESERVEK MEGGYŐZTEK FELŐLE,
HOGY NEM ÉLHETEK SOHA ÖNFELEDTEN.

ÉVEIM SORÁN MINDIG CSAK HIBÁZTAM;
S HOGY ROSSZ REMÉNYEIMET PORBA SÚJTSA,
BŐSÉGES OKOT ADTAM RÁ A SORSNAK.

RÖVID MARADT MINDEN SZERELMI LÁZAM...
Ó, ELÉGTÉTELT SZEREZNI KI TUDNA
BOSSZÚRA VÁGYÓ ZORD GÉNIUSZOMNAK!


(Tradução de Ernő Hárs, embora o livreto editado pelo Metropolitano de Lisboa diga que foi Árpád Mohácsi – informação a verificar)

E o original, para que o leitor possa desfrutá-lo:

LUÍS DE CAMÕES: ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE

ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE
EM MINHA PERDIÇÃO SE CONJURARAM;
OS ERROS E A FORTUNA SOBEJARAM,
QUE PARA MIM BASTAVA O AMOR SOMENTE.

TUDO PASSEI; MAS TENHO TÃO PRESENTE
A GRANDE DOR DAS COUSAS QUE PASSARAM,
QUE AS MAGOADAS IRAS ME ENSINARAM
A NÃO QUERER JÁ NUNCA SER CONTENTE.

ERREI TODO O DISCURSO DE MEUS ANOS;
DEI CAUSA A QUE A FORTUNA CASTIGASSE
AS MINHAS MAL FUNDADAS ESPERANÇAS.

DE AMOR NÃO VI SENÃO BREVES ENGANOS.
OH! QUEM TANTO PUDESSE, QUE FARTASSE
ESTE MEU DURO GÉNIO DE VINGANÇAS!

Aqui vai um filminho mostrando a tabela Excel que o meu amigo Géza Papp preparou para ajudar-nos a desvendar o mistério:




Do lado oposto da estação encontraremos 3 poetas e 5 poemas húngaros traduzidos para o português. Por sorte deste lado só cometeram um único erro quando colocaram os azulejos, uma simples troca de letras (veja em vermelho).

Curiosamente um dos poemas de é de SÁNDOR PETŐFI (Liberdade, Amor) é o único que foi usado na íntegra.

Primeiramente, o original:

SZABADSÁG, SZERELEM

SZABADSÁG, SZERELEM!
E KETTŐ KELL NEKEM.
SZERELMEMÉRT FÖLÁLDOZOM
AZ ÉLETET,
SZABADSÁGÉRT FÖLÁLDOZOM
SZERELMEMET.


















E agora em português:


SÁNDOR PETŐFI: LIBERDADE, AMOR

AMOR E LIBERDADE!
AMBOS ME SÃO PRECISOS.
PELO MEU AMOR SACRIFICO
A VIDA.
PELA LIBERDADE SACRIFICO
O MEU AMOR.

Tradução: Yvette K. Centeno

Logo em seguida, dentro deste mesmo painel (o menor dos três) vem um segundo poema de Petőfi, mas só dois versos dele...

A NÉP NEVÉBEN

MÉG KÉR A NÉP, MOST ADJATOK NEKI!
VAGY NEM TUDJÁTOK, MILY SZÖRNYŰ A NÉP,
HA FÖLKEL ÉS NEM KÉR, DE VESZ, RAGAD?
NEM HALLOTTÁTOK DÓZSA GYÖRGY HIRÉT?
IZZÓ VASTRÓNON ŐT ELÉGETTÉTEK,
DE SZELLEMÉT A TŰZ NEM ÉGETÉ MEG,
MERT AZ MAGA TŰZ; ÚGY VIGYÁZZATOK:
ISMÉT PUSZTÍTHAT E LÁNG RAJTATOK!

E em português:

SÁNDOR PETŐFI: EM NOME DO POVO

O POVO AINDA PEDE, DAI LHE AGORA!
NÃO SABEIS COMO É TERRIVEL QUAND
O SE REVOLTA.
QUANDO EM VEZ DE PEDIR AGARRA E ARREBATA?
NAO OUVISTEIS FALAR O GYÖRGY DÓZSA?
FOI SENTADO POR VÓS NUM TRONO DE FERRO EM BRASA,
MAS NÃO QUEIMOU O SEU ESPÍRITO ESSE FOGO
POIS ERA O PRÓPRIO FOGO. CUIDADO,
AQUELAS LÍNGUAS PODEM DEVORAR-VOS!

(Tradução: Yvette K. Centeno)

Na parte central do painel (a que está sobre os bancos) novamente encontraremo-nos com três poemas.

O primeiro é „No Danúbio” do poeta Attila József porém o início da obra só encontraremos no último painel deste lado da estação, e só a continuação é que aparece nesta parte central. Vamos deixá-la para daqui a pouco e pular para o segundo poema, de Endre Ady. Aqui veremos o nome dele em letras bem maiores, mas em dobro (ADY / YDA):










ELILLANT ÉVEK SZŐLŐHEGYÉN

TORT ÜLÖK AZ ELILLANT ÉVEK
SZŐLŐHEGYÉN S VIDÁMAN BUGGYAN
TORKOMON A SZÜRETI ÉNEK.
ÓNOS, CSAPÓ ESŐBEN ÁZOM
S VÖRÖS-KÉK SZŐLŐLEVELEKKEL
HAJLÓ FEJEM MEGKORONÁZOM.
NÉZEM A TÉPETT VENYIGÉKET,
HAJTOGATOM RÉSZEG KORSÓMAT
S LASSAN, GŐGGEL MAGASRA LÉPEK.
A CSÚCSON MAJD TALÁN MEGÁLLOK.
FÖLDHÖZ VÁGOM A BOROS-KORSÓT
S VIDÁM JÓÉJSZAKÁT KIVÁNOK.

E em português:

ENDRE ADY: NA VINHA DOS ANOS FANADOS

FESTEJO NA VINHA DOS ANOS
FANADOS E, EM MINHA GARGANTA,
BROTA O CANTO VINDIMO, UFANO.

A CHUVA DE ESTANHO ME ADENSA;
COM PÂMPANOS VERMELHOS-AZUIS
CINJO MINHA CABEÇA PENSA.

CONTEMPLO TRAPOS, DE SARMENTO,
ENVERGO MINHA JARRA TONTA
E SIGO ACIMA, ALTIVO E LENTO.


TALVEZ PARE NO CIMO, LANÇO
AO CHÃO MINHA JARRA DE VINHO,
DESEJO A TODOS BOM DESCANSO.

(Tradução de Nelson Ascher (informação confirmada pelo próprio tradutor, que por coincidência é meu amigo pessoal) e não de Egito Gonçalves, como mencionado no livreto publicado em Lisboa)

O terceiro poema neste painel mais longo é novamente um de Sándor Petőfi, intitulado „O Sonho”.

AZ ÁLOM...

AZ ÁLOM
A TERMÉSZETNEK LEGSZEBB ADOMÁNYA.
MEGNYÍLIK EKKOR VÁGYINK TARTOMÁNYA,
MIT NEM LELÜNK MEG ÉBREN A VILÁGON.
ÁLMÁBAN A SZEGÉNY
NEM FÁZIK ÉS NEM ÉHEZIK,
BÍBOR RUHÁBA ÖLTÖZIK,
S JÁR SZÉP SZOBÁK LÁGY SZŐNYEGÉN.
ÁLMÁBAN A KIRÁLY
NEM BÜNTET, NEM KEGYELMEZ, NEM BIRÁL...
NYUGALMAT ÉLVEZ.
ÁLMÁBAN AZ IFJÚ ELMEGY KEDVESÉHEZ,
KIÉRT EPESZTI TILTOTT SZERELEM,
S OTT OLVAD ÉGŐ KEBELÉN. –
ÁLMAMBAN ÉN
RABNEMZETEK BILINCSÉT TÖRDELEM!

E em português:

SÁNDOR PETŐFI: O SONHO

O SONHO
É O DOM MAIS BELO DA NATUREZA.
ABRE O PAÍS DOS DESEJOS
PARA ENCONTRARMOS NELE
TUDO O QUE FALTA À NOSSA VIDA.
EM SONHOS
O POBRE NÃO PASSA FOME NEM FRIO.
ANDA VESTIDO DE PÚRPURA
SOBRE A MOLE ALCATIFA DE BELAS SALAS.
EM SONHOS
O REI NÃO JULGA, NÃO CASTIGA, NÃO CONCEDE PERDÃO...
SABOREIA A CALMA.
EM SONHOS O ADOLESCENTE ENCONTRA A SUA AMADA
POR QUEM SOFRE DE UM AMOR PROIBIDO
QUE LHE ARDE NO PEITO E O CONSOME.
EU, NOS MEUS SONHOS,
ROMPO AS CADEIAS DOS POVOS ESCRAVIZADOS!

(Tradução: Yvette K. Centeno)

Muito bem, e agora veremos „No Danúbio”, que se inicia no último painel e termina no começo da parte central.


JÓZSEF ATTILA: A DUNÁNÁL

A RAKODÓPART ALSÓ KÖVÉN ÜLTEM,
NÉZTEM, HOGY ÚSZIK EL A DINNYEHÉJ.
ALIG HALLOTTAM, SORSOMBA MERÜLTEN,
HOGY FECSEG A FELSZÍN, HALLGAT A MÉLY.

MINTHA SZÍVEMBŐL FOLYT VOLNA TOVA,
ZAVAROS, BÖLCS, ÉS NAGY VOLT A DUNA.
MINT AZ IZMOK, HA DOLGOZIK AZ EMBER,
RESZEL, KALAPÁL, VÁLYOGOT VET, ÁS,

ÚGY PATTANT, ÚGY FESZÜLT, ÚGY ERNYEDETT EL
MINDEN HULLÁM ÉS MINDEN MOZDULÁS.
S MINT ÉDESANYÁM, RINGATOTT, MESÉLT
S MOSTA A VÁROS MINDEN SZENNYESÉT.

ÉS ELKEZDETT AZ ESŐ CSEPERÉSZNI,
DE MINTHA MINDEGY VOLNA, EL IS ÁLLT.
ÉS MÉGIS, MINT AKI BARLANGBÓL NÉZI
A HOSSZÚ ESŐT – NÉZTEM A HATÁRT:

EGYKEDVŰ, ÖRÖK ESŐ MÓDRA HULLT,
SZÍNTELENÜL, MI TARKA VOLT, A MÚLT.
A DUNA CSAK FOLYT. ÉS MINT A TERMÉKENY,
MÁSRA GONDOLÓ ANYÁNAK ÖLÉN

A KISGYERMEK, ÚGY JÁTSZADOZTAK SZÉPEN
ÉS NEVETGÉLTEK A HABOK FELÉM.
AZ IDŐ ÁRJÁN ÚGY REMEGTEK ŐK,
MINT SÍRKÖVES, DÜLÖNGŐ TEMETŐK.















ATTILA JÓZSEF: NO DANÚBIO

SENTADO NA MAIS ALTA PEDRA DO MOLHE
VIA FLUTUAR AS CASCAS DE MELANCIA.
PENSANDO NO DESTINO, MAL NOTAVA
COMO AS ONDAS SUSSURRAM E O FUNDO SILENCIA.

COMO SE DE MIM SAÍSSE
SÁBIO ERA O DANÚBIO, CONFUSO E GRANDE.
A ONDA, COMO OS MÚSCULOS HUMANOS
QUE LIMA, CAVA, CIMENTA OU MARTELA,

MOVIA-SE, SALTAVA, AMORTECIA,
RODOPIAVA LIVREMENTE. EMBALAVA-ME
COMO MINHA MÃE, CONTANDO HISTÓRIAS
E LAVANDO TODA A ROUPA DA CIDADE.

A CHUVA COMEÇOU A CAIR, DEPOIS CESSOU
DE UM MOMENTO PARA OUTRO, INDIFERENTE.
E EU, COMO QUEM OLHA DE UMA GRUTA,
A CHUVA INFINDÁVEL, OLHAVA O HORIZONTE

CAINDO SEM TRÉGUAS, INSENSÍVEL,
ESCURECIA O PASSADO, ANTES MULTICOR.
O DANÚBIO CORRIA. COMO UMA CRIANÇA
NO SEIO FECUNDO DE MÃE DISTRAÍDA

AS ONDAS BRINCAVAM
ALEGRES,
E PARECIAM ÀS VEZES RIR PARA MIM,
NO DECURSO DO TEMPO, TRÊMULAS
COMO O RUIR DE PEDRAS TUMULARES.
(Tradução: Ernesto José Rodrigues)

Preciso concordar com A. Santos Machado, Presidente do Metropolitano de Lisboa (em 1996) quando escreveu o seguinte: "Numa troca de culturas, de poetas, de línguas e de alfabetos, a arte de Joao Vieira estabelece novas pontes, no tempo e no espaço, entre duas cidades e entre dois países. De Lisboa para Budapeste – na estaçao Deák Tér – uma pauta musical de arte e de poesia, ficará sempre, patente."