O mural de homenagem a Anne Frank executado em 2016, é da autoria de Eduardo Kobra, localizando-se em Amesterdão.
Anne Frank (1929–1945) foi uma adolescente judia de origem alemã, símbolo global das vítimas do Holocausto. Tornou-se mundialmente famosa postumamente por escrever O Diário de Anne Frank, que relata dois anos escondidos do regime nazista.
A partir de julho de 1942, com 13 anos, Anne escondeu-se com mais sete pessoas em um anexo nos fundos da empresa de Otto (Prinsengracht 263, Amsterdã).O Diário: Ganhou um caderno no 13º aniversário e nele registrou o medo, o silêncio diário, conflitos familiares e reflexões sobre amadurecimento e liberdade.
Em 4 de agosto de 1944, o esconderijo foi descoberto após denúncia. Deportada para Auschwitz e depois para Bergen-Belsen. onde morreu de tifo em fevereiro/março de 1945, aos 15 anos, pouco antes da libertação do campo. Otto Frank (único sobrevivente da família) publicou o diário em 1947 (Het Achterhuis).
* Anne Frank
Vejo-nos aos oito, aqui no anexo, como se fôssemos um pedaço de céu azul rodeado por ameaçadoras nuvens negras. O local perfeitamente circular onde nos encontramos ainda é seguro, mas as nuvens estão a avançar sobre nós, e o anel que nos separa do perigo que se aproxima é cada vez mais estreito. Estamos rodeados por escuridão e perigo e, na nossa busca desesperada de uma saída, vamos constantemente de encontro uns aos outros. Olhamos para a guerra por baixo de nós e para a paz e beleza por cima. Entretanto fomos isolados pela massa escura de nuvens e não podemos subir nem descer. Esta ergue-se à nossa frente como uma parede impenetrável, tentando esmagar-nos, mas ainda sem o conseguir. Posso apenas gritar e implorar:
— Oh, anel, anel, abre-te e deixa-nos sair!
Tua, Anne
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Excertos do Diário de Anne Frank
"Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como minha mãe ou a sra. Van Daan e todas aquelas mulheres que cumprem suas obrigações e mais tarde são esquecidas. Eu preciso ter algo mais que um marido e filhos, algo a que possa me devotar totalmente. Quero continuar vivendo depois da minha morte..." (20 de junho de 1942)
"Preciso tornar-me boa através de meu próprio esforço, sem exemplos e sem bons conselhos. Então, mais tarde, deverei ser bem mais forte. Quem além de mim lerá estas frases? A não ser comigo, com quem posso contar? Um sem-número de amigos foram para um triste fim. Ninguém é poupado, cada um e todos se juntam na marcha da morte." (20 de outubro de 1942)
"Devo ficar pensando sobre todos os que estão morrendo, seja o que for que esteja fazendo? E se eu quero rir de alguma coisa, deveria parar imediatamente e sentir-me envergonhada por estar contente?"(20 de novembro de 1943)
"Não acredito que apenas os homens de projeção, os políticos e os capitalistas sejam culpados pela guerra. Não, o homem comum também é... Há uma urgência nas pessoas em destruir e matar, e até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma grande mudança, as guerras se sucederão." (3 de maio de 1944)
"É realmente inexplicável que eu não tenha deixado de lado todos os meus ideais, porque eles parecem tão absurdos e impossíveis de se concretizarem. Mesmo assim eu os conservo, porque ainda acredito que as pessoas são boas de coração. Simplesmente não posso edificar minhas esperanças sobre alicerces de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo gradativamente se tornando uma selvageria. Escuto o trovão se aproximando, cada vez mais, o que nos destruirá também; posso sentir o sofrimento de milhões e ainda assim, penso que tudo irá se corrigir, que esta crueldade também terminará. Enquanto isso, preciso adiar meus ideais para quando chegarem os tempos em que talvez eu seja capaz de alcançá-los." (15 de julho de 1944) a.
"Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como minha mãe ou a sra. Van Daan... Quero continuar vivendo depois da minha morte..." (20 de junho de 1942) [1]
"O papel tem mais paciência do que as pessoas." (20 de junho de 1942)
"Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser..." [1]
"Apesar de tudo, eu acredito que todas as pessoas têm realmente um coração bom. Eu simplesmente não posso construir as minhas esperanças baseadas em confusão, miséria e morte." [1]
"Não acredito que a culpa da guerra seja só dos governantes e capitalistas. Não, o homem da rua também tem a sua culpa, pois não se revolta." [1] (Gemini)
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