Este mural encontra-se cna cidade de São Luís, capital do estado do Maranhão, no Brasil. O painel, criado por Eduardo Kobra, celebra os 405 anos da cidade.
A Homenagem à Literatura Maranhense: O mural assume a forma visual de uma enorme estante de livros, prestando tributo a grandes expoentes da literatura e da cultura do Maranhão.
Figuras e Obras Retratadas: Destacam-se capas e retratos de autores consagrados como Gonçalves Dias (Canção do Exílio, I-Juca-Pirama), Josué Montello (Os Tambores de São Luís), Aluísio Azevedo (O Cortiço), Graça Aranha (Canaã) e Ferreira Gullar (Dentro da Noite Veloz, Poema Sujo), além de elementos da arquitetura de azulejos típicos da cidade.Gonçalves Dias – Canção do Exílio: É um dos poemas mais emblemáticos da literatura brasileira. Podes associá-lo à ideia de deslocação, identidade e memória que a arte urbana muitas vezes retrata nas ruas
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1. Gonçalves Dias — Canção do Exílio
O poema mais célebre da literatura maranhense
«Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá, As aves, que gjejeiam lá, Não gjejeiam como aqui.»
2. Gonçalves Dias — I-Juca-Pirama
Um dos grandes épicos indianistas
«Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das matas, Caudilho que habita As selvas por vir.»
3. Josué Montello — Os Tambores de São Luís
Uma obra monumental sobre a escravidão e a cultura afro-brasileira
«Os tambores da minha terra não batem apenas com o som dos couros; batem com as dores e as esperanças de uma raça inteira.»
4. Aluísio Azevedo — O Cortiço
O clássico do Naturalismo
«E aquilo a pouco e pouco se ia animando a um canto e a outro, num sussurro abafado de colmeia laboriosa, que acordava.»
5. Graça Aranha — Canaã
Uma reflexão profunda sobre o choque cultural e a imigração no Brasil
«O homem civilizado trazia na alma a desarmonia do mundo, enquanto a terra virgem pedia apenas paz e comunhão.»
6. Ferreira Gullar — Dentro da Noite Veloz ou Poema Sujo
Do aclamado Poema Sujo (escrito no exílio), podes extrair estes versos viscerais sobre a cidade e a memória
«A cidade me aperta, me cinge, me esmaga... Mas trago-a dentro de mim como a cicatriz de uma longa viagem.»
Para concluir esta publicação, um texto de Ferreira Gullar
A Cidade, a Memória e a Poesia: O Pulso de Ferreira Gullar
«A cidade me aperta, me cinge, me esmaga, mas trago-a dentro de mim como a cicatriz de uma longa viagem. Não a vejo apenas com os olhos da rua; vejo-a com o peso dos dias, com o som dos passos que se cruzam no asfalto, com o ferro e o sonho que compõem a pele do mundo.
A arte urbana não inventa a cidade; revela-a. Quando um rosto se desenha numa empena cega, quando a literatura salta das páginas empoeiradas das bibliotecas para se estampar nos muros de São Luís ou de qualquer metrópole, é porque a rua também quer falar. E nos livros de quem cá deixou a alma — seja na denúncia social de um cortiço, no ritmo dos tambores que ecoam na história, ou no verso cortante de um exílio — encontramos a verdadeira tinta com que a cidade se pinta a si mesma.»

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