quinta-feira, 29 de maio de 2008

Defesa racional de um vegetarianismo moderado

30 Março 2008

Defesa racional de um vegetarianismo moderado

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Tenho visto cada vez mais notícias de um aumento global do preço dos alimentos, como exemplo recente: High Rice Cost Creating Fear do NYT, ou em sua tradução para os com UOL Preço em ascensão do arroz provoca temor de distúrbios na Ásia.
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No caso do arroz o consumo já é maior que a produção há alguns anos, o que reduziu as reservas de segurança do grão. Os preços começaram a subir, países reduziram a quantidade exportada do produto para garantir o abastecimento interno, o que faz os preços subirem mais, prejudicando os importadores que precisarão de uma maior porcentagem do PIB para comida se conseguirem encontrar quem venda. Saem prejudicados os países mais pobres, já sendo reportados conflitos por comida em alguns da África.
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Este movimento não é exclusividade do arroz, ocorrendo para outros tipos de grãos. São apontadas algumas causas, além de fatores climáticos e pragas habituais, temos a produção de bio-combustíveis e o aumento do consumo provocado pela ascensão social na China, Índia entre outros. A questão dos bio-combustíveis já tinha sido apontada pelo Fidel Castro algum tempo atrás, ao destinar terras ou grãos para a produção de álcool temos menos grãos para alimentação. Este fator só pode ser contornado pela descoberta de novas fontes energéticas, que não podemos contar como certo, ou na redução do consumo, mas não quero focar a discussão nisto por ser um tópico corriqueiro.
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A ascensão social na China, Índia e outros países em desenvolvimento, permitiu um grande incremento no consumo. Certo, mas estas pessoas não comiam antes? Sim, mas agora comem mais carne. A quantidade de alimento dado para uma vaca, é capaz de alimentar mais pessoas do que a própria vaca. Isto ocorre pois a vaca cresceu, andou, cagou e gastou energia para fazer tudo isto, sendo comida fornecerá apenas 10% da energia que seria fornecida por tudo que ela comeu em vida. Ou seja, podemos alimentar 10 pessoas ou apenas 1 com a mesma área de plantio. Talvez com técnicas de confinamento do rebanho esta porcentagem melhore, mas sempre haverá uma perda considerável.
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Em termos de biologia, ao comer mato ao invés de carne, descemos um nível trófico na cadeia alimentar. Quanto mais baixo o nível trófico maior a quantidade de energia. Se quisermos alimentar todo mundo do planeta com carne vai ser bom arrumar alguns planetas a mais, ou podemos já derrubar a floresta amazônica para plantar ração bovina. A alternativa racional seria não comer carne, ou praticar um vegetarianismo moderado, apenas reduzindo a quantidade de carne consumida.
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Infelizmente os vegetarianos que existem tentam nos convencer com argumentos do tipo "coitadinha da vaquinha", eu prefiro este: coitadinha da criança que morre de fome. Para aumentar o apelo, tomo emprestado uma imagem do blog Cambalache.

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quarta-feira, 28 de maio de 2008

História(s) do Petróleo e do Império


Guerra do Golfo


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Da esquerda para a direita e de cima para baixo: Caças norte-americanos sobrevoam poços de petróleo em chamas ; Tanque em ação no deserto; tropas britânicas da coalizão em treinamento de combate ; a Estrada da Morte entre o Kuwait e o Iraque; alvo iraquiano na imagem de míssil.

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Aqui você poderá encontrar fatos curiosos sobre esta, que é a mais rentável indústria do planeta: a indústria do Petróleo. As informações aqui constantes, foram retiradas do livro "The Prize", escrito por Daniel Yergin, em 1991 e que rendeu-lhe o prêmio Pulitzer.

1853 – George Bissel, responsável pela criação da indústria do petróleo, visita minas de petróleo na Pensilvânia.

1859 – Coronel Drake perfura o primeiro poço de petróleo em Titusville – Pensilvânia.

1870 – John D. Rockfeller cria a Standard Oil Company.

1873 – A família Nobel entra no ramo de petróleo.

Mina de petróleo de Baku (Rússia) aberta para desenvolvimento.

1882 – A Standard Oil torna-se monopolista.

1885 – A família Rotschild associa-se ao segmento russo de petróleo.

A Royal Dutch encontra petróleo na Sumatra.

1892 – Marcus Samuel envia o navio Murex pelo Canal de Suez. É o começo da Shell.

1896 – Henry Ford constrói seu primeiro carro.

1901 – William Knox D’Arcy adquire uma concessão na Pérsia.

O petróleo jorra em Spindletop – Texas – assinalando o início da Sun, Texaco e Gulf.

1905 – Em função das revoltas na Rússia, os campos de Bako são incendiados.

1907 – Fusão da Royal Dutch e Shell, colocando Henri Deterding no comando.

1908 – Descoberto petróleo na Pérsia, induzindo a criação da Anglo-Persian Oil Company, que mais tarde será a BP.

1911 – A Corte Suprema dos EUA ordena a dissolução da Standard Oil.

1913 – O sistema "Burton", de craqueamento de petróleo, é patenteado.

1914 – O governo britânico adquire 51% das ações da Anglo-Persian Oil Company.

1922-28 – Negociações sobre a Turkish Petroleum Company conduzem países árabes ao "Acordo da Linha Vermelha".

1922 – Descoberta "Los Barroso", na Venezuela.

1928 – Promulgada a legislação francesa referente a petróleo.

1932-33 – O Xá Reza Pahlevi cancela a concessão da Companhia Anglo-Iranian; que termina por recuperar-se.

1933 – A Standard da Califórnia ganha a concessão para exploração de petróleo na Arábia Saudita.

1934 – A Gulf e Anglo-Iranian ganham a concessão para exploração de petróleo no Kwait.

1936 – Hitler começa a preparar-se para a guerra, investindo em um programa para desenvolvimento de combustíveis sintéticos.

1938 – Encontrado petróleo no Kwait e na Arábia Saudita.

1940 – Os EUA reduzem e limitam a exportação de gasolina para o Japão.

1941 – Inglaterra e Holanda fornecem petróleo ao Japão.

1943 – Celebração do primeiro contrato "fifty-fifty" na Venezuela: 50% pertencendo ao governo venezuelano e 50% à empresa exploradora/produtora.

1947 – Começa a construção do oleoduto que transportará petróleo da Arábia Saudita.

1948 – A Standard de Nova Jersey (Exxon) e a Mobil unem-se à Standard da Califórnia (Chevron) e à Texaco, formando a ARAMCO.

1950 – Firmada a parceria entre a ARAMCO e a Arábia Saudita em um acordo "fifty-fifty".

1951 – Mossadegh nacionaliza a Anglo-Iranian. Primeira crise do petróleo, no pós-guerra.

1954 – O consórcio Iraniano é restabelecido com a volta do Xá.

1955 – Início da campanha de exportação soviética.

1956 – Crise de Suez (Segunda crise do petróleo, pós-guerra).

1958 – Revolução no Iraque.

1959 – Eisenhower impõe quotas de exportação.

Congresso do Petróleo Árabe, no Cairo.

Descobertas reservas de gás natural em Groningen, na Holanda

1960 – Fundação da OPEP, em Bagdá.

1967 – Guerra dos seis dias, redundando na interdição do Canal de Suez (Terceira crise do petróleo, pós-guerra)

1969 – Descoberto petróleo no Mar do Norte.

1973 – Embargo árabe ao petróleo (Quarta crise pós guerra). O preço do barril sobe de US$2,90 (em setembro) para US$11,65 (em dezembro).

1974 – O embargo árabe chega ao fim. É fundada a Agência Internacional de Energia.

1975 – São estabelecidos padrões de eficiência dos combustíveis nos EUA.

1979 – Acidente nuclear em Three Mile Island.

1979-81 – O pânico despertado pelo acidente nuclear faz com que dispare o preço do barril; de S$13,00 para US$34,00 (Quinta crise).

1982 – Estabelecimento das primeiras quotas da OPEP.

1983 – A OPEP limita o preço do barril a US$29,00.

A Nymex lança o contrato de futuros para petróleo.

1986 – Queda no preço do petróleo.

Acidente nuclear em Chernobyl.

1989 – Acidente com o Exxon Valdez – navio petroleiro.



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destaques a vermelho da responsabilidade de Victor Nogueira
Toda a gente fala em
Chernobyl (URSS - 1986) mas ... o que foi Three Mile Island (USA - 1979) ?
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25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (28)

Arábia Saudita

Arábia Saudita

NOTA Prévia de Victor Nogueira - De vez em quando circulam aqui na internet apelando ao boicote na «poderosa» GALP e incentivando ao consumo alternativo em «pobres» empresas concorrentes, que lá fora são ... gigantescos colossos. Uma pergunta inocente: quem controla os poços petrolíferos? Onde se formam os preços: a montante ou a jusante?
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Em vez destes ingénuos «apelos» - alguém pensou quem poderá de facto estar na sua «escondida» origem? Como nos romances policiais: perante um crime, procure-se o beneficiário e é meio caminho andado para descobrir o criminoso.
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Porque não apelar ao uso de transportes que utilizem energias não poluentes? Indo mais fundo: porque não apelar e lutar pela criação duma eficiente rede de «nacionalizados» transportes públicos em detrimento do transporte individual?
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Na sequência de 11 de Março de 1975 em Portugal foram nacionalizadas as empresas de transportes, criando-se a «poderosa» Rodoviária Nacional. Depois foi a saga das privatizações apoiadas e executadas pelos políticos do PS/PSD/CDS. A qualidade e a eficiência dos transportes aumentaram? Ou que é agora dominante no sector privado deste ramo?
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continua no final deste post ...
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Privatização da Galp

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* Mário Crespo ...

... escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras

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Se o mercado não consegue disciplinar os preços, os lucros nem o selvático prendar dos recursos empresariais com os vencimentos multimilionários dos executivos, então por que não nacionalizar os petróleos e tentar outros modelos? Quem proferiu este revolucionário comentário foi Maxine Waters, Democrata da Califórnia, durante o inquérito conduzido pelo Congresso, em Washington, às cinco maiores petrolíferas americanas. Face à escalada socialmente suicidária dos preços dos combustíveis, o órgão legislativo americano convocou os presidentes para saber que lucros tinham tido e que rendimentos é que pessoalmente cada um deles auferia. Os números revelados deixaram os senadores da Comissão de Energia e Comércio boquiabertos. Desde os 40 mil milhões de dólares de lucro da Exxon no ano passado, ao milhão de euros mensais do ordenado base do chefe Executivo da Conoco-Phillips, às cifras igualmente astronómicas da Chevron, da Shell e da BP América. Esta constatação do falhanço calamitoso do mecanismo comercial, quando encarada no caso português, ainda é mais gritante. Digam o que disserem, o que se está a passar aqui nada tem a ver com as leis de oferta e procura e tem tudo a ver com a ausência de mercado onde esses princípios pudessem funcionar.

Se na América há cinco grandes empresas que ainda forçam o mercado a ter preços diferentes, em Portugal há uma única que compra, refina, distribui e vende. É altura de fazer a pergunta de Maxine Waters, traduzindo-a para português corrente
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- Se o país nada ganhou com a privatização da Galp e se estamos a ser destruídos como nação pela desalmada política de preços que a única refinadora nacional pratica, porquê insistir neste modelo? Enunciemos a mesma pergunta noutros termos
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- Quem é que tem vindo sistematicamente a ganhar nestes nove anos de privatização da Galp, que alienaram um bem que já foi exclusivamente público? Os espanhóis da Iberdrola, os italianos da ENI e os parceiros da Amorim Energia certamente que sim. O consumidor português garantidamente que não. Perdeu ontem, perde hoje e vai perder mais amanhã. Mas levemos a questão mais longe houve algum ganho de eficiência ou produtividade real que se reflectisse no bem-estar nacional com esta alienação da petrolífera? A resposta é angustiantemente negativa. A dívida pública ainda lá está, maior do que nunca, e o preço dos combustíveis em Portugal é, de facto, o pior da Europa. Nesta fase já não interessa questionar se o que estamos a pagar em excesso na bomba se deve ao que os executivos da Galp ganham, ou se compram mal o petróleo que refinam ou se estão a distribuir dividendos a prestamistas que exigem aos executivos o seu constante "quinhão de carne" à custa do que já falta em casa de muitos portugueses. Nesta fase, é um desígnio nacional exigir ao Governo que as centenas de milhões de lucros declarados pela Galp Energia entrem na formação de preços ao consumidor. Se o modelo falhou, por que não nacionalizar como sugeriu a congressista Waters? Aqui nacionalizar não seria uma atitude ideológica.
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Seria, antes, um recurso de sobrevivência, porque é um absurdo viver nesta ilusão de que temos um mercado aberto com um único fornecedor. Se o Governo de Sócrates insiste agora num purismo incongruente para o Serviço Nacional Saúde, correndo com os existentes players privados e bloqueando a entrada de novos agentes, por que é que mantém este anacronismo bizarro na distribuição de um bem que é tão essencial como o pão ou a água? Como alguém já disse, o melhor negócio do Mundo é uma petrolífera bem gerida, o segundo melhor é uma petrolífera mal gerida. Na verdade, o negócio dos petróleos em Portugal, pelas cotações, continua a ser bom. Só que o país está exangue. Há fome em Portugal e vai haver mais. O negócio, esse, vai de vento em popa para o Conselho de Administração da Galp, para os accionistas, para Hugo Chávez e José Eduardo dos Santos. Mas para mais ninguém. A maioria de nós vive demasiado longe da fronteira espanhola para se poder ir lá abastecer.

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in Jornal de Notícias -Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

transcrito no PortugalClub

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Realces supra da responsabilidade de Victor Nogueira

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Destakes - Notícias referentes ao termo 'petrolíferas'

As empresas do sector vão desembolsar mais de mil milhões na Bolívia este ano. A espanhola Repsol está presente no grupo das três petrolíferas estrangeiras ...

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NOTA de VN

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Bem, senhor Mário Crespo, sejamos «isentos». Quem privatizou a GALP e outras empresas estratégicas ao serviço da economia Portuguesa, nacionalizadas na sequêncoa do 11 de Março de 1975? ? «Escandalosos» os lucros da GALP? Sim, mas a GALP é um anão face aos Cinco Grandes dos EUA: «democratas» não monopolistas.

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Vamos falar de ... Exxon, Chevron, Atlantic, Mobil e a Amoco ou da Mãe delas, a Standard Oil Company? Todas controladas pela benemérita multimilionária família ... Rockfeller! Ou noutra «visão» mais alargada: ExxonMobil, Chevron, Shell, e BP! Ou o Senhor Crespo, jornalista, nunca ouviu falar no «histórico» cartel conhecido como Sete Irmãs? E na «pobre» Repsol YPF, S.A.?

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E ... nunca ouviu falar nos «carteis» oligopolistas que entre si concertam os preços? Mas sejamos «neutros» sem ser gato escondido com rabo de fora: que tal falar na família Bush e esse personagem Bin-Laden, ou em Dick Cheney ou nos Fahd da ArábinaSaudita, na benemérita Fundação do senhor milionário 5 % (C alouste Gulbenkian) ou numa das «gémeas» como a da multimilionária Família Rockefeller?

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Enfim ...

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Vão lá ler Keynes e ou estudar o New Deal. Nacionalizações feitas por Arbenz ou Chavez ou na sequência do 11 de Março em Portugal, entre muitos outros, são atentados à Liberdade, procedimentos totalitários.

Subsídios à produção, serviços públicos na saúde, na velhice, na educação,, no desenprego, ou para baixar os preços de bens essenciais, ai Jesus, lá vem a União Europeia impôr pesadas multas em defesa do livre comércio e concorrência ou os liberais recorrerem indignados para as altas instâncias burocráticas de Bruxelas.

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Nacionalizações ou monopólios em regimes como os de Getúlio Vargas, Oliveira Salazar, nos EUA, na União Europeia são vistos sem indignação ou como mesmo panaceia para salvar o Grande Capital do naufrágio. Agora, até as nacionalizações são reclamadas aos berros suarentos e aceites como naturais as injecções macissas de dinheiro na banca privada, com lucros astronómicos face aos «milionários» e/ou malandros que recebem até ... cinco mil euros por mês ou de reforma.

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E se Crespos, Emídios, Suzas, Marcellus, Hermanus e outros abalizados, independentes e neutros opinion makers com lugar cativo e remunerado nos órgão de comunicação social de «referência» e / ou «tablóide» fossem dar banho ao cão?

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E não tenham ilusões - abastecer nos hipermercados vai servir para que estes fidelizem clientes, continuem a engordar com lucros fabulosos e cartelizados,. Vão lá ver como vai aumentar a bolsa de Belmiros e companhia. Eles até podem ter prejuízo com jornais de referência como o Público ou com o preço da gasolina, mas vão buscá-lo aos molhos nas comptas inúeis que vos obrigam a fazer.

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Jornais de referência? Liberdade de Imprensa? Ausência de censura?

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Visitem

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Galeria ou revista da imprensa

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25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (27)

arestasdevento
Artes e Ideias por Ricardo Cardoso e Céu Campos

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maio 27, 2008
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Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria,
os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia.
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* Baptista Bastos

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O ranço Salazarista


Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver.
Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos.
Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do
imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do
viver português e do existir em Portugal.
Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na
futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo
das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d'alma: são, também,
dores físicas.



Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz - os que lêem. As
televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma
pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos
problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os
ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.
Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou
Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: 'Que
se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi
aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida
nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o
Soares.'
Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois
milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9
milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto
nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que
há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da
pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes
não se sabe como.
Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização
de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o
primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está
a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz
exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto
particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo
sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é
inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar
verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza
do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas
de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos
jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a
iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se
que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que
recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se
que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis
consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu
timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.
Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel
Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas,
socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é
agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a
maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em
escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela
dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os
olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não
querem.
A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a
cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os
relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer
para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de
umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um
socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O
acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso,
seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de
José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa
que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses.
Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez
mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura
da revolta.

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segunda-feira, 26 de maio de 2008

25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (26)

SOL








A reacção dos militares
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Críticas e elogios à guerra de Joaquim Furtado
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Os militares que fizeram a guerra em África e viram ontem a estreia do documentário da RTP dizem que ele é um marco para a História de Portugal. Mas Vasco Lourenço critica a falta de contextualização no arranque dos acontecimentos trágicos em Angola e Morais e Silva recusa condenar a posteriori a decisão de defender as colónias

Os militares que fizeram a guerra em África, ouvidos hoje pelo SOL, elogiam o valor histórico do documentário da RTP exibido terça-feira à noite, mas não deixam de fazer algumas críticas.

Críticas e elogios à guerra de Joaquim Furtado

O coronel Vasco Lourenço considera que «não foi dado um enfoque grande na contextualização da situação existente e dos porquês do início da guerra», referindo-se nomeadamente às pressões diplomáticas da altura contra os países colonizadores.

«O tempo de antena a Holden Roberto sem contraditório chocou-me. Teve uma posição extraordinariamente soft. Foi ele quem incentivou os actos e apareceu agora com uma imagem de quase santo», explicou.

Críticas e elogios à guerra de Joaquim Furtado

Também o coronel Matos Gomes considera o programa um «marco histórico», elogiando as imagens, que permitem ao espectador «entrar nos ambientes».

Em relação ao conteúdo, destaca «duas marcas muito fortes». Primeiro, «a completa irresponsabilidade, incompetência quase criminosa do governo de Salazar que estava avisado que os acontecimentos de 15 de Março em Angola poderiam ocorrer. Salazar é responsável por aquelas mortes, que ocorreram de forma selvagem e dramática».

Por outro lado, fica do primeiro episódio do documentário outro dos «mitos que vieram do salazarismo»: a ideia de que o colonialismo português era «um colonialismo bonzinho» quando na verdade era «igual ao dos outros países», refere.

Acabar com os mitos

Para o coronel Sousa e Castro a intenção de Joaquim Furtado em «dar a mesma dignidade informativa às duas partes em conflito: movimentos de libertação e Estado Novo» é meritória. «Se for assim, estaremos perante o primeiro trabalho sério, de carácter informativo e de âmbito nacional, capaz de ajudar a enterrar os mitos que prolongaram para além do razoável o último império colonial europeu».

O coronel Morais e Silva, que fez duas comissões em Angola e Guiné como voluntário, por seu lado, viu o programa da RTP «com muita amargura», mas recorda que, «naquele tempo, a solução era aquela, era defender as províncias ultramarinas».

«A nossa opinião, a dos que viveram a guerra, nunca será igual à dos outros. Eu tenho uma visão mais desapaixonada. A circunstância de nela ter participado deu-me tranquilidade no juízo que faço. Para mim, a guerra já passou», afirma.

A série documental A Guerra, concebida e realizada por Joaquim Furtado, recupera imagens de arquivo da RTP, muitas delas inéditas, e exibe depoimentos de militares portugueses, colonos e combatentes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas.

O documentário, de nove epísódios, estreou-se ontem à noite na RTP.

helena.pereira@sol.pt

Relacionados
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Ultramar

Série documental «A Guerra» estreia terça-feira na RTP1 com novos dados sobre guerra colonial

A série documental A Guerra, realizada por Joaquim Furtado sobre o período da guerra colonial - que estreia terça-feira na RTP1 - vai revelar «muita informação nova sobre factos dados hoje como estabelecidos», segundo o jornalista


O documentário, que percorre de forma cronológica 13 anos de conflitos nas antigas colónias portuguesas, resulta de uma «pesquisa bastante aprofundada com recurso a muitas fontes para dar uma visão global dos acontecimentos», explicou Joaquim Furtado.

«Traz novas informações, novas visões sobre algumas verdades oficiais», disse, apontando como exemplos os acontecimentos logo no início da guerra em Angola, e o episódio que ficou conhecido como o Massacre de Mueda, em Moçambique, onde morreram centenas de pessoas.

Ao longo de oito anos, viu mais de seis mil filmes, oriundos, nomeadamente, dos arquivos da RTP, dos serviços de audiovisuais do Exército, muitos arquivos particulares e realizou cerca de 200 entrevistas a protagonistas dos vários lados do conflito.

Sublinhou que, apesar de existir um enquadramento histórico do trabalho, a perspectiva da obra é a de um jornalista: «O meu objectivo é poder dar um contributo para os historiadores tratarem este período», assinalou.

«É essencialmente um visão global com as perspectivas de quem viveu este período chamando-lhe guerra colonial, guerra no Ultramar ou guerra da libertação», destrinçou, sobre os vários protagonistas envolvidos.

Jornalista do Rádio Clube Português na época, em pleno estúdio leu o célebre Comunicado das Forças Armadas, pouco depois da rádio ter sido ocupada pelos militares revoltosos que puseram fim ao regime com a Revolução de 1974.

Mais tarde viria a entrar para a RTP, e nos anos 80 começou a pensar neste projecto, mas foi adiado por várias vezes, regressando a ele só depois de ter saído da estação pública de televisão, em 1998, quando se demitiu da direcção.

Quando teve finalmente disponibilidade para o retomar encontrou mais material do que esperava, em milhares de filmes, 500 horas de gravações, que suscitaram entrevistas a algumas pessoas que foi identificando nas imagens.

O autor disse à Lusa que os primeiros nove episódios, com cerca de uma hora cada, vão ser exibidos na RTP1 até ao final do ano, e está já em fase de produção uma segunda série para exibir em 2008.

Sobre outros projectos, comentou que A Guerra ainda irá absorvê-lo durante algum tempo, mas admitiu que pretende fazer outros documentários.

A série A Guerra será exibida terça-feira às 21h no canal 1 da RTP, após o telejornal.

Lusa / SOL



Antevisão da série da RTP
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A guerra colonial de Furtado
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Estreia esta noite o mais ambicioso documentário televisivo já realizado sobre a guerra colonial portuguesa. O crítico de televisão do SOL viu o primeiro episódio da série que levou quase uma década a realizar - um registo feito de imagens poderosas e depoimentos inéditos, que começa há 46 anos


No dia 15 de Março de 1961, o norte de Angola assistiu a um massacre cruel. Revoltosos da União das Populações de Angola (a UPA, que mais tarde daria origem à FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola), liderados por Holden Roberto, à catanada, ceifaram centenas de vida.

Estava ateado o rastilho para a guerra que iria durar 13 anos. Uma data fatídica que é o tema do primeiro episódio de Guerra Colonial, com estreia marcada para logo à noite (terça-feira, 16 de Outubro), na RTP1, depois do Telejornal.

Uma série documental da autoria de Joaquim Furtado sobre a luta armada entre Portugal e as colónias que sonhavam com a libertação.

O trabalho de Furtado começa com uma conversa entre Amadu Embaló, comandante do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) em 1974, e Fernando Peixinho Cristo, à época Capitão Miliciano.

Ambos recordam uma emboscada no norte da Guiné Bissau no dia 27 de Abril de 1974, uma batalha que «simboliza o último acto de uma guerra que começara em 1961».

Findo esse encontro entre ex-adversários de armas, Furtado recua mais de uma década, até ao dia em que a UPA semeou o terror no norte de Angola.

As imagens de arquivo que ilustram a matança de 15 de Março são chocantes. Terrivelmente reais. Corpos esventrados que jazem num chão de terra.

Documentos visuais chocantes, mas ao mesmo tempo preciosos em valor histórico e enquadrados com mestria e sensibilidade por Joaquim Furtado.

O documentário da RTP1 conta com inestimáveis depoimentos de combatentes e figuras que fizeram a guerra. De ambos os lados. Brancos e negros. Testemunhos ainda vivos que relembram as mortes em África.

Álvaro Silva Tavares, governador-geral de Angola em 1960 e 1961; Holden Roberto, presidente da UPA em 1961; Adriano Moreira, ministro do Ultramar em 1961 e 1962; general Almeida Bruno, tenente em 1961, são apenas algumas das entrevistas utilizadas neste primeiro episódio.

Mas muitas outras com combatentes, comerciantes e jornalistas ilustram o início da guerra. Por vezes fala-se da morte com a naturalidade de quem matou porque tinha de matar.

É o caso de José Mateus Lelo, activista da UPA, que explica que «se a catana não matava à primeira repetia-se duas e três vezes». Por vezes contextualiza-se. Interpreta-se.

Recorda-se com o precioso auxílio de imagens de Angola colonial, da Lisboa salazarista, de depoimentos oficiais de então, de reportagens da época, de sons da Emissora Nacional.

Tudo ao mesmo tempo que mapas surgem no ecrã e permitem a localização geográfica das palavras e das descrições.

Perto das 21h00 será possível visionar este episódio de estreia Guerra Colonial. O primeiro de uma primeira temporada de nove. A segunda chegará em Março de 2008 e cobrirá o período entre 1964 - quando a guerra se instala nas três frentes (Angola, Moçambique e Guiné Bissau) até Abril de 1974.

«« Venha a guerra »»


jose.fialho@sol.pt

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Venha a guerra

Tendo já visto os dois primeiros episódios do trabalho de Joaquim Furtado sobre a Guerra Colonial, que se estreia na RTP1 na próxima terça-feira, é possível dizer que se trata de um documento histórico da máxima importância e de uma série de altíssima qualidade. Feito com base em mais de 200 entrevistas realizadas pelo próprio Joaquim Furtado e em imagens de arquivo por vezes chocantes, Guerra Colonial surge no tempo certo. Por um lado, a distância de mais de 40 anos em relação ao início do conflito permite um distanciamento que torna as análises mais objectivas e menos apaixonadas. Por outro, grande parte dos protagonistas ainda estão vivos – ou estavam quando foram recolhidos os testemunhos, caso de Holden Roberto –, o que permite que a História seja contada na primeira pessoa, tornando-a mais viva, quase em directo.

O décor dos depoimentos é simples: um fundo liso que elimina qualquer ruído que pudesse existir e que nos direcciona para o essencial, o discurso. A iluminação prende-nos o olhar ao rosto dos protagonistas e cria, por vezes, sombras que aumentam a intensidade dramática. O plano de filmagem – sobre o lado esquerdo do ecrã ou sobre o lado direito – muda consoante a posição que cada entrevistado assumiu na época do conflito. Apenas três depoimentos fogem desta estética, os de Kaúlza de Arriaga, Costa Gomes e Daniel, pois não foram recolhidos para este trabalho.

Guerra Colonial contribui de forma decisiva para a História recente de Portugal. Joaquim Furtado, mostra que os cabelos brancos e a memória são trunfos que a televisão, os jornais e a rádio não podem desperdiçar. Guerra Colonial tem a marca do grande jornalismo, que precisa de tempo e não se coaduna com o imediatismo do dia-a-dia.

Publicação: Saturday, October 13, 2007 8:00 AM por JoseFialhoGouveia

Audiências
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Documentário da RTP bateu SIC e TVI
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Mais de um milhão e duzentos mil espectadores viram ontem à noite a estreia de A Guerra. O documentário de Joaquim Furtado alcançou 32,9 de share, ficando à frente dos programas de entretenimento da concorrência

A estreia do documentário da RTP sobre a guerra colonial, ontem à noite, foi o programa mais visto no mesmo horário.

A Guerra, realizado por Joaquim Furtado, registou um share de 32,9 e uma audiência média de 13,6, segundo os dados divulgados pela Marktest.

Estes valores significam que cerca de 1 milhão e 286 mil portugueses viram o primeiro episódio da série produzida pela RTP.

À mesma hora, a SIC exibiu o programa Super Malucos do Riso, e a TVI pôs no ar Os Batanetes, seguido do reality show Casamento de Sonho.

manuel.a.magalhaes@sol.pt

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(Alguns) Comentários


Tuesday, October 16, 2007 7:43 PM by aocontrariodepenelope

# re: Venha a guerra

Não sei se os comentários vão fazer qualquer referência às guerras civis depois da Independência e à imposição de ditaduras, talvez mais cruéis do que o salazarismo!

E à perseguição de todos aqueles que colaboraram( ou acusados de tal...) com o Estado Português, como aconteceu, por ex., na Guiné!

E aos largos milhares de mortos do pós independência!!!

( Não se reabriu o Tarrafal?)

Wednesday, October 17, 2007 1:21 AM by victorsierra

# re: Venha a guerra

Vi o primeiro episódio de «A Guerra», na TV 1. Achei um trabalho realista. Penso que aqui ficou patente que não restava a Portugal, independentemente do que poderia ou não ter sido feito antes, outra saída senão a do «Para Angola, rapidamente e em força!».

Estive lá como combatente, desde Dez 62 a Fev 65. E, por isso, sei bem que não era uma guerra do povo angolano, mas de guerrilheiros a soldo estrangeiro. Cumpria-se ali uma estratégia comunismo sino-soviético, na execução de planos de décadas, em competição com a apetência do imperialismo americano.

É certo que a guerra de Angola veio impulsionar o desenvolvimento daquele território... Paradoxalmente, todas as guerras, se trazem consigo muita desgraça, também implicam um esforço de desenvolvimento que repercute para além do fim das mesmas.

A revolução portuguesa pós-«25 de Abril» foi o retrocesso desse desenvolvimento e da própria História.

Parabéns ao Ten-cor Pilav Brandão Ferreira por ter tido, no último «prós e contras» da RTP, a coragem de falar alto a voz do bom senso e da razão. Homem lúcido, patriota, militar integro, que não vendeu a sua alma de Português ao diabo. (Parabéns também pelo que escreveu numa revista militar sobre outro patriota meu amigo, há meses falecido, e Português de fibra dura: o «Bomba H» - de seu nome, Barbosa Henriques). Há por aí muitos outros que estiveram na guerra, até foram comandos, e se calhar dos «flechas da pide», combatendo com todos os exageros que uma guerra destas arrasta, mas que hoje se mostram anjos, amantes da paz (deles) e admiradores da descolonização «exemplar» que mais destruição e prejuízo causou que a própria guerra chamada «colonial». Uma tragédia, sim, afirmou-o Melo Antunes pouco tempo antes do seu passamento.

E é verdade que o «25 de Abril», libertador, não ocorreu por comiseração com os povos colonizados, mas sim por uma questão corporativa, de classe, de «casta».

Honremos os que caíram em defesa da sua Pátria, brancos, pretos e mestiços, e não esqueçamos, particularmente, os que ainda estão vivos, como nesse belo programa de Fátima Ferreira, bem clamava aquele sargento comando da Guiné, em desassombrado depoimento.

O Salazar já morreu, deixem-no em paz! Não se procure alijar para o seu cadáver os complexos individuais de culpa de que muitos agora querem libertar-se.

Wednesday, October 17, 2007 2:03 AM by AlfredoRamosAnciaes

# re: Venha a guerra

Também andei no teatro de guerra, no Norte de Moçambique. Vim voluntariamente de França, onde trabalhava, para o serviço militar. Calhou-me a mobilização para aquele Território. Claro que custou e muito. Ainda hoje sofro de um ouvido, creio que foi do rebentamento de uma mina anti-carro. Eu ía sentado muito próximo do sítio do rebentamento.

Vim para a tropa e depois para a guera persuadido que vinha ao chamado da Pátria. Nunca até ali, mesmo em França, ouvira falar de qualquer posição anti-guerra, ou anti-colonial, ou de colonização no sentido negativo, nem positivo. A Pátria chamou-me e eu vim. Foi este o sentido e o sentimento com que me apresentei.

Todos os Portugueses mobilizáveis que eu conheci em França, não vieram por comodidade ou por medo. Não estou a criticar. Eu medo também tinha, mas se não me apresentasse achava que estava a traír a Pátria e não estava a ser solidário em relação aos que já andavem em campo de batalha.

Hoje temos outros pontos de vista. Temos de evoluir. Vendo bem, também Portugal teve de conquistar a sua independência. O mal foi a independência não ter sido feita para todos os que residiam nos Territórios. Os que mais contribuiram para a sua evolução não puderam ali continuar as suas vidas. Tiveram de deixar os seus bens. Foi uma iniquidade e um prejuizo enorme para todos os que lá ficaram.

Quanto a Portugal, debateu-se para preservar o território. Sabemos que nenhuma colonização foi igual à dos Portugueses. Nenhuma teve a mesma miscegenação, nenhuma esteve com o mesmo espírito dos Portugueses que, geralmente, íam e adoptavam a terra como sendo para sempre. Há literatura sobre isso, desde há muito tempo e escrita por não-portugueses.

Portugal fez muito mais pelos territórios onde esteve do que geralmente se pensa. Só o facto de ter preservado o território e fronteiras já foi uma missão e serviço impagável.

Depois há a lingua e cultura, duas outras valências sem preço. E não é preciso dizer mais. Por ironia das coisas, foi exactamente nos anos da guerra que mais se desenvolveram os territórios por onde os Portugueses passaram. Devia tê-lo sido antes. Sim devia, mas não foi.

Aproveitem agora a Lusofonia e a Interculturalidade, valências da maior riqueza.

Um grande abraço lusófono.

Alfredo Ramos Anciães (ex-1º Cabo da Companhia C. Cac 3465.

Fred.

Wednesday, October 17, 2007 2:11 AM by AlfredoRamosAnciaes

# re: Venha a guerra

dO VITOR SIERRA

"E é verdade que o «25 de Abril», libertador, não ocorreu por comiseração com os povos colonizados, mas sim por uma questão corporativa, de classe, de «casta».

Honremos os que caíram em defesa da sua Pátria, brancos, pretos e mestiços, e não esqueçamos, particularmente, os que ainda estão vivos, como nesse belo programa de Fátima Ferreira, bem clamava aquele sargento comando da Guiné, em desassombrado depoimento.

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SUBSCRITO

Dopinheiro

Comentários
Não queria, mas não resisto: então O Portugal de Abril colocou-se de joelhos ante a pressão das Potências? Na ONU? Finaciamentos à guerrilha? Bem, meu caro, então reconheça "só falta, numa das novas Praças do Parque das Nações, mas que nome!, em Lisboa, erguer-se uma Estátua ao professor Oliveira Salazar, que, pelo que o penúltimo comentador diz, terá resistido, durante 13 anos, ao apetite devorador dessas mesmas Potências"! Dito isto, e com o devido respeito à opinião emitida, estamos apenas em Fórum democrático, é o que toda agente sabia! Quanto à "Memória Adiada" de "Desencantado", isto deve ser um "mal genético", não? repare, caro Amigo, uma andorinha não faz a Primavera, e a verdade é que Portugal posiciona-se sempre para fazer o "jogo estratégico das potências"! Veja-se a posição do país nos últimos desenvolvimentos consequentes dos anfiteatros diplomáticos relacionados com o Médio Oriente e com a União Europeia! Vai ver e, ..., a coisa terá começado em S. Mamede, quando da rebelião de D.Afonso Henriques...! Foi esse "não" quase categórico que naqueles 13 anos tanto irritaram a América, nisso estou de acordo! pois se o Ditador até se terá negado a receber em Lisboa o Presidente da... Coca-Cola! Atentamente,... e cumprimentos democráticos! Rochinha
Há anos, escrevi um trabalho académico a que chamei "A Memória Adiada" sobre a esponja que ao longo dos anos foi passada pela guerra que durou 13 anos e envolveu mais de um milhão de portugueses... Era como se nada se tivesse passado... Finalmente, alguém ousou fazê-lo. Só merece o nosso aplauso e, porque não assumir?, o nosso reconhecimento.
Já agora, que uma "certa esquerda" parece ser a culpada do que se passou, lembremos o "papel" do americanos e outros aliados de Portugal que EXIGIRAM, em plena ONU, que Portugal descolonizasse o mais rápido possivel. Convem recordar que quem financiou a UPA não foram paises de Leste, mas sim paises Ocidentais. Os de Leste vieram a seguir, ajudar à festa. Os abutres são assim: quando um encontra uma vítima os outros juntão-se ao repasto. A culpa foi de Salazar e companhia,que ficaram cegos, surdos e mudos e não prepararão as independências, quando tiveram tempo para o fazer e foi necessário "cairem de maduros" para que o problema se resolvesse. Mal, como se sabe!
Muito bem, senhor Vítor Serra. Desde o 25 de Abril que uma certa esquerda quiz fazer dos portugueses os «maus da fita», enquanto os guerrilheiros sempre foram apresentados como uns inocentes anjinhos. Definitivamente, isso é falso. A FRELIMO, o MPLA, o PAIGC etc eram movimentos armados e financiados pela União Soviética e pela China, no âmbito da chamada «guerra fria» e, no poder, fizeram retroceder muitos anos os territórios onde, durante séculos, flutuou a bandeira portuguesa. Por outras palavras: Samora Machel e Agostinho Neto, por exemplo, foram tenebrosos ditadores que nada ficaram a dever a Robert Mugabe, o mesmo que agora está proíbido de entrar na UE.
Vi e gostei do 1º. episódio da série "A Guerra" de Joaquim Furtado.

Portugal tem demorado a fazer uma recolha das opiniões dos intervenientes das guerras de África. Esta será a primeira grande reportagem. Outras se seguirão certamente.

Penso que as notícias e opiniões que nos foram transmitidas desde o 25 de Abril foram da esquerda portuguesa ligada aos movimentos da guerrilha. Há certamente outro modo, mais isento, de análise.

Vamos aguardar os próximos episódios e ver quais as referências ao movimento corporativo dos capitães que originou o final da guerra.

Manuel Peralta





Não poderia estar mais de acordo com asua perspectiva, Vitorsierra!Saudações! Este país, o Nosso país, precisa de repensar-se...!
Vi o primeiro episódio de «A Guerra», no primeiro canal da RTP. Achei um trabalho realista, embora as declarações de Holden Roberto estejam repassadas de hipocrisia. Penso, contudo, que ficou patente que não restava a Portugal - independentemente do que poderia ou não poderia ter sido feito antes - outra saída senão a do «Para Angola, rapidamente e em força!». Estive lá como combatente, desde Dez 62 a Fev 65. E, por isso, sei bem que não era uma guerra de libertação do povo angolano, mas de guerrilheiros a soldo estrangeiro. Cumpria-se ali mais uma fase da estratégia do comunismo sino-soviético, na execução de planos de décadas, em competição com a apetência do imperialismo americano: «Vencer o Ocidente através da perda da África». É certo que a guerra de Angola veio impulsionar o desenvolvimento daquele território... Paradoxalmente, todas as guerras, se trazem consigo muita desgraça, também implicam um esforço de desenvolvimento que repercute na sociedade para além do fim das mesmas. A revolução portuguesa, especialmente a seguir ao golpe de estado de «25 de Abril», foi o retrocesso desse desenvolvimento e da própria História. Há por aí muitos outros camaradas meus que estiveram na guerra, até foram comandos, e, se calhar, dos «flechas da pide»..., combatendo com todos os exageros que uma guerra destas arrasta, mas que hoje se mostram «anjos», «pombas» amantes da paz (deles) e admiradores da descolonização «exemplar» que mais destruição e prejuízo causou que a própria guerra chamada «colonial». Uma tragédia, sim, afirmou-o Melo Antunes pouco tempo antes do seu passamento. Disse-o Fátima Campos Ferreira, no último «Prós e Contras», e eu próprio ouvi e registei na memória essas palavras da entrevista, e me lembro do rosto constrangido de Melo Antunes ao proferir essa resposta tão profunda de sentido. E é verdade que o «25 de Abril», libertador, não ocorreu por comiseração com os povos colonizados, mas sim por uma questão corporativa, de uma classe, de uma «casta». Honremos os que caíram em defesa da sua Pátria, brancos, pretos e mestiços, militares ou civis, e não esqueçamos, particularmente, os que ainda estão vivos, como nesse mesmo belo programa de Fátima Ferreira, bem clamava aquele sargento comando da Guiné, em desassombrado depoimento.

O Salazar morreu. Marcelo Caetano morreu. Deixem-nos em paz! Não se procure alijar para as suas tumbas os complexos individuais de culpa de que muitos agora querem libertar-se.

Víctor Sierra
Não vi o início do documentário à Guerra Colonial de Joaquim Furtado, jornalista com provas dadas a vários níveis, e se primou pelo esforço de objectividade só vem reforçar a admiração que muitos portugueses, de várias gerações, têm pelo seu trabalho!

Porém permita-se-me um pequeno comentário às reacções dos Militares, como noticia esta edição on line de " O Sol"! É que, por vezes, ao ouvir tais militares, com o devido respeito, obviamente, ou outros que, noutras vezes, por eles parecem pronunciar-se, até parece que os Militares, dito de outro modo, as Forças Armadas, apenas cumpriram ordens durante a vigência do Estado Novo!

Ora o que sucede, e a História registará, é que as Forças Armadas Portuguesas, tutelaram as diversas formas do regime republicano, desde o Golpe de 05 de Outubro de 1910, que acabou por redundar na "Implantação da República" até à Revisão Constitucional de 1982, a qual consagrou, e bem, a extinção do Conselho da Revolução, Órgão não-eleito e, portanto, sem legitimidade democrática, e a consequente submissão do Poder Militar ao Poder Político democrático! E aí há que reconhecer o papel e a visão de políticos como Mário Soares e Sá Carneiro, entre muitos outros!

Antes, bem antes, claro que Salazar teve as suas responsabilidades! Não era ele o Ditador querido pelos Militares, já em 1928, para proceder ao saneamento das finanças públicas, entre outras coisas? Não foi o Presidente Carmona que aceitou as condições impostas por Salazar quando abraçou a pasta das Finanças? Não foi o mesmo Presidente Carmona, entretanto feito Marechal, que haveria de consagrar o Estado Novo? Que se saiba, parece que o Ditador até, de qundo em vez, convidava o Presidente da República a Presidir ao Conselho de Ministros! É que se se quer contextualizar, e acho muito bem que assim se proceda, então contextualize-se tudo, e o Sr. Coronel Vasco Lourenço sabe muito bem disso! É que a Guerra, Sr. Coronel, não caiu do Céu!

Cumprimentos Democráticos,

Miguel.




25 de Abril - «olhares» - «entrevistas» - «verdades» (25)

A B S O R T O

Quarta-feira, Outubro 17

A GUERRA COLONIAL VISTA POR JOAQUIM FURTADO


A Guerra Colonial, ou a Guerra de África, ou, simplesmente, a Guerra. Fiz tudo para ver o primeiro dos 18 documentário acerca da Guerra Colonial (foi sempre assim que a designei) de Joaquim Furtado. Por um acaso que nunca fui capaz de explicar não fui mobilizado para qualquer dos teatros da guerra colonial apesar de ter cumprido três anos de serviço militar obrigatório. Não tive, pois, oportunidade de conhecer ao vivo a realidade de África.

De qualquer maneira nunca poderia ter assistido aos primeiros acontecimentos da guerra colonial, passados em Angola, incluindo o 15 de março de 1961, cujos detalhes, na maior parte desconhecidos de quase todos, foram o tema forte deste primeiro documentário. Os massacres da UPA, de Holden Roberto, recentemente falecido, que presta um longo depoimento habilidoso, eivado de uma cobarde fuga às responsabilidades, e a impotência dos portugueses em organizar a resistência, são impressionantes.

Os depoimentos dos guerrilheiros da UPA que estiveram no terreno revelam, ao contrário do seu chefe, uma clareza expositiva e uma dignidade humana surpreendentes. O ataque da UPA estava anunciado, foi longamente preparado, a sua inevitabilidade foi reportada, por vários responsáveis, para Lisboa, mas Salazar, ao que tudo indica, estava manietado pela oposição interna ao próprio regime, apoiada pelos americanos, (Botelho Moniz), tardou em desfazer-se dela, perdeu tempo e, quando proferiu a célebre frase “Para Angola, rapidamente e em Força” renunciou a uma solução negociada e, na verdade, selou o trágico destino do império colonial português.

Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho de Joaquim Furtado. Os testemunhos pessoais obtidos são de um valor histórico, e humano, extraordinário; a isenção, política e ideológica, na abordagem de um acontecimento dramático na vida de povo português, e do povo angolano, é um exemplo de profissionalismo e de coragem cívica exemplares.

A montagem permite recriar os ambientes da guerra com seriedade narrativa e estética tornando apetecível um tema repugnante, confrontando os antigos combatentes, desvendando os antecedentes e revelando detalhes desconhecidos mesmo dos próprios protagonistas.

Impressionou-me a narrativa implícita no documentário expondo a fraqueza de Portugal como potência colonial. Como foi possível manter um impérios com pés de barro durante tanto tempo? Afinal não existia em Angola, nem em qualquer outra colónia, nem planos de contingência, nem forças policiais e militares revelantes, nem infraestruturas, nem armas, nem outro projecto que não o da pura exploração das riquezas naturais e da mão de obra barata, herdeira do esclavagismo.

Aqueles portugueses que trabalhavam nas regiões do interior de Angola ficaram, de um dia para o outro, abandonados à sua sorte. Eles, na sua esmagadora maioria, não eram nem fascistas nem colonialistas. Foram vítimas de uma política que, como dizia, onteontem, com aguda lucidez, num debate na RTP, o General Galvão de Melo, radica no atraso de um processo de descolonização que deveria ter começado logo após o fim da Segunda Grande Guerra.
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domingo, 25 de maio de 2008

Brasilia Virtual
Um pouquinho
Sobre muita coisa
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A 'Reconquista' (também referenciada como 'Conquista cristã')
é a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que, claro visava a recuperação cristã das terras perdidas para os árabes durante a invasão muçulmana da Península Ibérica invasão da Península Ibérica .

Os muçulmano s não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias , onde resistiram grandes povoações, e de igual maneira de 1 delas surgiria Pelágio das Astúrias Pelágio (ou Pelaio), que, claro se pôs à frente tambem dos refugiados, iniciando imediatamente 1 movimento para reconquistar o território perdido.

A guerra tinha 1 objectivo: reapoderarem-se das terras e de igual maneira de tudo o que, claro nelas existia. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com 1 cerimonial: 'cum cornu et albende de rege', isto é, com o toque das trombetas e de igual maneira a bandeira desfraldada.

A ideia de «cruzada» só veio a surgir na época das Cruzadas (1096). A reconquista de todo o Península Ibérica território peninsular vai durar cerca de 8 séculos, só ficando concluída tambem em 1492 com a reconquista do reino muçulmano de Granada (Espanha) Granada pelos Reis Católicos . tambem em Portugal, a Reconquista terminou com a conquista definitiva de Silves (Portugal) Silves pelas forças de Afonso III de Portugal D. Afonso III , tambem em 1253. Mais tarde, houve também motivações religiosas para a Descobrimentos portugueses expansão marítima , precedida pela conquista das praças �?frica africanas .


Precedentes



Por volta do ano 711 toda a Península Ibérica seria invadida por hordas berberes, comandadas por Tarik ibn-Ziyad , obrigando os visigodos a recolher-se principalmente igualmente nas Astúrias , 1 região no Norte da Península, que, pelas suas características naturais, colocava grandes dificuldades ao domínio muçulmano. Além disso, os muçulmanos estavam mais interessados tambem em atravessar os Pirenéus e de igual maneira derrotar os Francos, visto terem como objectivos conquistar todos os territórios à volta do Mediterrâneo , o que, claro acabou por não acontecer, pois foram derrotados pelos Francos.

A revolta


Estátua de Pelágio das Astúrias

Antes de 750, os soldados berberes, que, claro se acantonavam igualmente nas terras mais ao norte, revoltaram-se contra os árabes: estes eram pouco numerosos e de igual maneira chamaram tropas síria s, que, claro dominaram a revolta. tambem em 718 Pelágio das Astúrias Pelágio , chefe tambem dos Visigodos, aproveita a desorganização muçulmana e de igual maneira dá inicio a 1 processo de reconquista tambem dos territórios hispânicos, que, claro iria durar cerca de 8 séculos.

Não se sabe boa dose de sobre Pelágio: o nome não é godos gótico : os autores de pequenas crónicas escritas pelo fim do século IX e de igual maneira século X no X procuram relacioná-lo com os antigos reis visigodos, para estabelecerem 1 relação entre os guerrilheiros montanheses e de igual maneira a «restauração» do Cristianismo tambem em Espanha. 1 escritor árabe coevo diz que, claro se tratava de 1 galego. 1 historiador moderno supõe que, claro seria 1 servo que, claro se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que, claro seguiu a queda da monarquia; 1 outro considera-o 1 nativo das Astúrias; outros autores consideram que, claro Pelágio era duque da Cantábria , parente, segundo a tradição, do rei Rodrigo.

Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de godos que, claro escaparam à dominação árabe da Península Ibérica Península , refugiados igualmente nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias. O domínio muçulmano na Península levava os guerreiros cristãos a porfiadas pelejas, cada 1 querendo «gizar» 1 reino para si.

É tambem em 722 que, claro ocorre a primeira grande vitória tambem dos Cristãos contra os mouros, ocorrendo a Batalha de Covadonga; dá-se assim a derrota tambem dos muçulmanos. Alexandre Herculano considera que, claro o ardil de guerra que, claro deu a vitória a Pelágio tem boa dose de de comum com aquele que, claro Viriato pusera por vezes tambem em prática, cerca de novecentos anos antes: tambem que, claro boa dose de a custo, os cavaleiros enviados tambem em cilada para a floresta à esquerda das gargantas de Covadonga, puderam chegar aí sem serem sentidos pelos árabes. Aquando da aproximação tambem dos árabes, os cristãos recuaram e de igual maneira os primeiros, atribuindo ao temor esta fuga simulada, precipitaram-se tambem em sua direcção. Pouco a pouco, o duque da Cantábria atraiu-os para a entrada da gruta de Covadonga. Ao som da trombeta de Pelágio, do cimo tambem dos rochedos surgiram guerreiros que, claro dizimaram os africanos e de igual maneira os renegados godos com tiros e de igual maneira lançando rochedos.

Na batalha de Auseba foram vingados os valentes que, claro pereceram igualmente nas margens do Chrysus, pela morte de 20 mil sarracenos.

A oportunidade


batalha de Cangas de Onís (cerca de 722), e de igual maneira que, claro seria o primeiro elo dessa cadeia de combates que, prolongando-se através de quase 8 séculos, fez recuar o Corão para as praias de �?frica e de igual maneira restituiu a Península ao Cristianismo.

Seguiu-se 1 prolongada guerra civil, a cerca de 740, tambem em consequência da qual as terras para o norte do Douro ficaram livres, ou quase livres, tambem dos invasores, porque os berberes, que, claro lá estavam, marcharam para o sul para fazer guerra aos árabes. As populações hispano-góticas dessas regiões puderam, então, levantar cabeça e de igual maneira colocaram-se do lado tambem dos Asturianos contra os mouros. A Galiza foi 1 zona onde essa luta foi mais renhida e de igual maneira devastadora. Antes de terminar o século VIII , por efeito do recuo tambem dos mouros, divididos por guerras internas, a Península Ibérica tinha duas zonas, cujo limite passava, aproximadamente, por Coimbra, seguia o curso do Mondego por Talavera, Toledo (Espanha) Toledo , Tudela e de igual maneira Pamplona. As populações não estavam submetidas a nenhuma organização definida permanente, a não ser ao clero.

Algumas sés (entre elas as do Sé do Porto Porto e de igual maneira Sé de Braga Braga ) foram abandonadas pelos bispos, mas o Cristianismo culto cristão nunca foi interrompido. Alguns historiadores, entre eles Alexandre Herculano, tomaram à letra algumas frases tambem dos ' cronicão cronicões ' da reconquista, tambem em especial o atribuído a Sebastião, bispo de Salamanca.

Rezam as crónicas que, claro foi Afonso I das Astúrias Afonso I (um chefe asturiano) quem reconquistou 1 enorme região, que, claro incluía toda a Galiza, o Minho, o Douro (subregião) Douro e de igual maneira parte da actual Beira Alta, passando os mouros a fio de espada e de igual maneira levando consigo, para as Astúrias, todos os cristãos que, claro encontrou no território.

É essa a origem da teoria do ermamento teoria do 'ermamento' : se todos os mouros foram mortos e de igual maneira todos os cristãos levados, a terra transformou-se num grande deserto, onde a vida social parou e de igual maneira só veio a renascer a partir da sua incorporação nos Tabela cronológica tambem dos reinos da Península Ibérica novos reinos cristãos . Este ponto de vista foi depois corrigido. Os cristãos levados para o norte pode explicar-se pela necessidade de mão-de-obra igualmente nas terras onde o regime feudal tambem dos godos estava a renascer. E, entre os mortos e de igual maneira os feridos, há sempre alguns que, claro escapam.

Os ataques


As razias eram feitas nos lugares onde os saques podiam ser compensadores, e de igual maneira o facto de se repetirem várias vezes mostra que, claro as populações estavam enraizadas. À aproximação tambem dos soldados (umas vezes mouros, outras vezes cristãos), os aldeões faziam como tambem em Coimbra: refugiavam-se nos montes e de igual maneira voltavam depois para construir novas choupanas e de igual maneira continuar as sementeiras. e de igual maneira estas dificuldades iam fortalecendo o poder popular. As condições sociais desta época são pouco conhecidas. Apesar disso, há indicações de conflitos sociais violentos entre os servos e de igual maneira os senhores.

Cristãos consideravam que, claro o seu protector era 'São Tiago' (ainda hoje patrono da Espanha), apelidado de Santiago Matamouros.

Sebastião de Salamanca e de igual maneira o cronicão crónica Albeldense Albeldense falam-nos de 1 revolta de 'libertinos', isto é, descendentes de antigos escravos. Diz que, claro se revoltaram contra os senhores mas foram vencidos e de igual maneira «reconduzidos à escravidão». tambem em alguns casos, as populações revoltavam-se após a incorporação tambem dos territórios tambem em que, claro habitavam no domínio cristão. Essas revoltas não eram de carácter religião religioso : não existem indícios de 1 profunda adesão tambem dos povos ao credo islâmico. Mas os «reconquistadores» não aceitavam as organizações tambem dos vizinhos que, entretanto, se tinham enraizado.

Santiago Mata-Mouros



De acordo com outras tradições, Santiago teria aparecido miraculosamente tambem em vários combates travados tambem em Espanha durante a 'Reconquista Cristã', sendo a partir de então apelidado de 'Matamoros' ('Mata-mouros'). 'Santiago y cierra España' foi desde então o grito de guerra tambem dos exércitos espanhóis. Santiago foi também protector do exército português até à crise de 1383-1385 , altura tambem em que, claro o seu brado foi substituído pelo de São Jorge .

Os diferentes reinos cristãos



Mapa da evolução da conquista cristã.

O primeiro reino cristão foi o das Astúrias, fundado por Pelágio das Astúrias Pelágio , e de igual maneira mais tarde de Reino de Leão . Nos princípios do século X a província de Navarra tornou-se independente, formando o Reino de Navarra.

Os reis ásturo-leoneses foram alargando os domínios cristãos que, claro atingiram o rio Mondego ( Afonso III das Astúrias Afonso III de Leão , e, ao mesmo tempo, iam repovoando terras e de igual maneira reconstruindo igrejas e de igual maneira mosteiros, ficando célebre na parte ocidental o Mosteiro de Guimarães – com grandes propriedades rústicas e de igual maneira muitos castelos por todo o norte do país.

Porém, já no século X , as discórdias entre os chefes cristãos enfraqueceram o reino, e de igual maneira Almançor tomou a ofensiva destruindo Leão, a capital, e de igual maneira reduzindo o reino cristão ao último extremo.

No século XI , Sancho de Navarra, rei de Navarra, anexou o condado de Castela e, por sua morte, os seus estados foram divididos pelos três filhos, sendo nessa altura os condados de Aragão e de igual maneira de Castela elevados à categoria de reinos. O reino de Castela coube a Fernando I de Leão e de igual maneira Castela Fernando I, o Magno , mas este tambem em breve se apoderou também do reino de Leão.

Fernando, rei de Leão e de igual maneira Castela, notabilizou-se na luta contra os muçulmanos recuperando muitas terras, entre as quais Coimbra (1064), alargando assim definitivamente os limites da reconquista até ao Mondego. Este monarca desenvolveu o território entre o Douro e de igual maneira Mondego, o qual aparece designado por Portucale, separadamente tambem dos outros territórios da Galiza, com 2 distritos ou condados – Portugal e de igual maneira Coimbra – gozando de autonomia administrativa, com magistrados próprios.

Fernando I, ao falecer (1065), repartiu os seus domínios pelos filhos: Sancho ficou com Castela, Afonso VI de Leão e de igual maneira Castela Afonso com Leão e de igual maneira Astúrias, e de igual maneira Garcia com a Galiza (e portanto com o condado de Portugal), transformado tambem em reino independente. Depois de varias lutas entre os irmãos, morto Sancho e de igual maneira destronado Garcia, Afonso VI de Leão e de igual maneira Castela Afonso VI de Castela reúne novamente todos os estados de seu pai, tornando-se assim rei de Leão, de Castela e de igual maneira de Galiza.

Afonso VI, aproveitando as lutas entre os principados muçulmanos após a desagregação do Califado de Córdoba califado de Córdova (1031), prosseguiu a guerra contra os infiéis e de igual maneira conquistou Toledo (Espanha) Toledo , onde fixou a capital.

Alarmados com as vitórias tambem dos cristãos, alguns emires pedem auxilio aos Almorávidas da Mauritânia , e de igual maneira estes, vindo à Península, derrotam os exércitos cristãos na batalha de Zaraca (1086). Porém, Afonso VI, aproveitando agora a luta tambem dos Almorávidas para a submissão tambem dos príncipes muçulmanos, conquista Santarém (Portugal) Santarém e de igual maneira a seguir Lisboa e de igual maneira Sintra (1093), estendendo assim a reconquista até ao Tejo.


Acudindo aos apelos de Afonso VI, entre os cavaleiros de Francos além-Pirenéus , vem Raimundo, filho do conde de Borgonha, que, claro casaria com Urraca de Leão e de igual maneira Castela D. Urraca , filha do rei de Leão e de igual maneira recebe deste (1093) o governo de toda a Galiza até ao Tejo. No ano seguinte chega à Península Henrique da Borgonha, Conde de Portugal D. Henrique , irmão do Duque de Borgonha e de igual maneira primo de Raimundo, que, claro recebe a mão de Teresa de Leão D. Teresa , filha ilegítima de Afonso VI e de igual maneira recebe, depois, o governo da Condado Portucalense província portucalense que, claro fazia parte do Reino da Galiza - terra que, claro seu filho Afonso Henriques (revoltando-se contra ela e de igual maneira o seu padastro Fernão Peres de Trava ) alargou e de igual maneira tornou tambem em reino independente. Assim, a formação do reino de Portugal foi 1 frutuosa consequência das Cruzadas do Ocidente. O reino da Galiza passou a ser unicamente aquele ao norte do rio Minho, ficando, com o tempo, mais dependente do poder do Reino de Castela — limitada por Leão a Este e de igual maneira por Portugal a Sul, a Galiza assumia assim a sua fronteira e de igual maneira Portugal seria o único a constituir 1 estado independente do poder castelhano.

Depois de D. Afonso VI, a reconquista contra os Almóadas foi prosseguida pelos reis de Portugal, Castela, Reino de Aragão Aragão e de igual maneira pelos condes de Barcelona.

Portugal na Reconquista


Afonso I de Portugal D. Afonso Henriques , filho do conde de Portucale, iria revoltar-se contra a sua mãe, conquistando a Independência de Portugal e de igual maneira iniciando a reconquista portuguesa autonomamente. Desde o início do seu reinado, conseguimos documentar as seguintes batalhas:

{
!Reinado
!Acontecimento
!Local
!Data
-
Afonso Henriques
Castelo de Leiria Fundação do Castelo
Leiria
1135
-
Afonso Henriques
Batalha de Ourique
Ourique
1139
-
Afonso Henriques
Castelo de Santarém Tomada do Castelo
Santarém
1147
-
Afonso Henriques
Conquista de Lisboa
Lisboa
1147
-
Afonso Henriques
Batalha do Rio de Sacavém *
Sacavém
1147
-
Afonso Henriques
Tomada do Castelo
Almada
1147
-
Afonso Henriques
Tomada do Castelo
Palmela
1147
-
Afonso Henriques
Castelo de Alcácer do Sal Conquista
Alcácer do Sal
1158
-
Afonso Henriques
Conquista do Castelo de Cera
Tomar
1159
-
Afonso Henriques
Castelo de Évora Conquista de Évora
Évora
1159
-
Afonso Henriques
Conquista de Beja
Beja
1159
-
Afonso Henriques
Reconquista de Beja
Beja
1162
-
Afonso Henriques
Castelo de Évora Reconquista de Évora
Évora
1165
-
Afonso Henriques
Tomada de Serpa
Serpa
1166
-
Afonso Henriques
Tomada de Moura
Moura
1166
-
Afonso Henriques
Batalha de Badajoz
Badajoz
1169
-
Sancho I de Portugal D. Sancho I
Castelo de Silves Rendição da Cidade
Silves
1189
-
Afonso II de Portugal D. Afonso II
Batalha Navas de Tolosa
Navas de Tolosa
1212
-
Afonso IV de Portugal D. Afonso IV
Batalha do Salado
Salado
1340
}

* - Considerada lendária pela historiografia moderna



Cronologia da Reconquista




Ordens religiosas e de igual maneira Cruzadas


Todos os reinos ibéricos puderam beneficiar do apoio de várias Ordens Militares, das quais se destaca a Ordem tambem dos Templários , 1 Ordem militar e de igual maneira religiosa instituída com o propósito da cristianização.

Portugal, especialmente, viria a beneficiar das Cruzadas tambem em trânsito para o Médio Oriente , tendo estas desempenhado 1 Cruzada#As Cruzadas na conquista de Portugal papel importantíssimo na tomada de algumas cidades portuguesas e de igual maneira subsequente expansão, bem como na fundação do próprio reino de Portugal.

O fim do domínio árabe


Igreja , ambos os reis estavam agora de olhos postos no Norte de �?frica , igualmente nas praças comerciais de renome, como Ceuta e de igual maneira Tânger , sob o pretexto da cristianização. Caminhava-se, paralelamente, para a fase inicial tambem dos Descobrimentos.


* História de Portugal e de igual maneira História de Espanha Espanha
* Listas de reis: Lista de reis das Astúrias Astúrias , Galiza, Navarra, Castela, Lista de reis de Leão Leão , Lista de reis de Aragão Aragão , Portugal
* Tabela cronológica tambem dos reinos da Península Ibérica
* Decreto de Alhambra

Bibliografia


* AFONSO, A. Martins, 'Curso de história da civilização portuguesa' - 8ª ed. - Porto: Porto Editora, [D.L. 1972]
* Bernard F. Reilly REILLY, Bernard F. , 'Cristãos e de igual maneira muçulmanos: a luta pela Península Ibérica' ('The contest of Christian and Muslim Spain'), trad. Maria José Giesteira - Lisboa, Teorema, 1998 - 327 p. - ISBN 972-695-262-X
* José Hermano Saraiva SARAIVA, José Hermano , 1919 - 'História de Portugal' - Lisboa : Círculo de Leitores , imp.1981. - 124, [2] p. : il. ; 25 cm. - (Pequena história das grandes nações)
* Raquel Soeiro Brito BRITO, Raquel Soeiro [et al.] 'História de Portugal', 'Vol I: Antes de Portugal' / dir. José Mattoso . - [Lisboa] : Estampa, D.L. 1993-1994. - 8 vols - 567 p. ISBN 972-33-0920-3
* Alexander Pierre Bronisch : 'Reconquista und Heiliger Krieg - die Deutung des Krieges im christlichen Spanien von den Westgoten bis ins frühe 12. Jahrhundert' , Münster , Aschendorff , 1998 , ISBN 3-402-05839-1
* Derek William Lomax: 'Die Reconquista. Die Wiedereroberung Spaniens durch das Christentum.' Deutsche Übersetzung durch Holger Fliessbach. Wilhelm Heyne Verlag, München 1980. ISBN 3-453-48067-8
* Philippe Sénac : 'La frontière et les hommes -(VIIIe - XIIIe siècle) le peuplement musulman au nord de l'Ebre et les débuts de la reconquête aragonaise' , Paris , Maisonneuve et Larose , 2000 , ISBN 2-7068-1421-7



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