domingo, 9 de agosto de 2026

(70) Nicolau Tolentino — A Bocage (Bocage, cujo engenho o mundo admira)

 

Setúbal Av, República Guiné Bissaus - Paibel de azulejos no antigo Cinema Bocage (Foto victor nogueira  IMG_9589) AUTORES: Louro de Almeida e Rogério Chora (1979)  

 Nicolau Tolentino — A Bocage

Tolentino (1740 / 1811) , mestre da sátira e do retrato de costumes do século XVIII, manteve um diálogo poético acutilante e bem-humorado com o jovem Bocage.


Bocage, cujo engenho o mundo admira,

Que em rimas fluídas, fáceis e sublimadas,

Vês as musas do Tejo encantadas

Ouvir o som da tua áurea lira;

 

Se a inveja contra ti seu dardo atira,

E as mentes vis, de raiva perturbadas,

Querem ver tuas glórias eclipsadas

Com a cega fúria com que o vulgo gira:

 

Despreza o ganido dessa matilha insana,

Que a fama, que os teus versos te assegura,

Não se apaga com sopro de áurea vã;

 

Segue o teu rumo, ó génio da pintura,

Que a glória do teu nome, sobre-humana,

Há-de vencer o tempo e a sepultura.


Sem comentários: