sábado, 12 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - partido.comunista.

* Filipe Chinita

 
partido.comunista.
português.
mesmo 
em toda a 'calamitosa' situação 
para o meu heróico e amado 
partido
(aquele 
que vivi eu... 
24 horas/dia no chão do alentejo)
- e até! por isso... mesmo! -
sempre! enquanto 
ele tiver 
o 
nome 
de comunista.
e se propuser 
como seu objectivo... o socialismo
e como seu fito e fim último o comunismo.no planeta terra
devo esclarecer... que 
sendo clara.mente materialista.histórico/dialéctico
sou eu! contra! toda a actividade 
f(r)accionista
mesmo 
em todos os desvios... de esquerda ou de direita 
que possamos ter tido ao longo 
da nossa longa 
história
.
que cousa... triste
exactamente... nos 100 anos do nosso partido
.
e 
em toda 
a minha impotência 
trans.formadora.de práticas concretas

resta-me únicamente a poética.escrita
como forma de intervir
neste processo
.
e 
não!
não me quero separar
de nenhum dos meus camaradas...

excepto.apenas! daqueles que se tornam anti/comunistas
.
com 
o meu obrigado! 
a todos.os que um dia... combateram por nós!
.
fj
21.11
12.02.2022

Filipe Chinita - comunistas/comunismo

* Filipe Chinita

comunistas/comunismo

1.
não.
nós não queremos - apenas - 
estilhaçar o capitalismo 
e construir o 
socialismo
2.
nós 
acometemo-nos o comunismo.
enquanto nova 'civilização' 
- como diz o meu outro -
de um.mesmo.
mas já outro
in.comum
humano
3.
lentamente formado
em novas circunstâncias 
de aprendizagem e vida 
em sociedade
humana
- e não 
desabrochando num ápice
qual varinha de condão... 
num instantâneo 
passe de 
magia -
.
vida
e aprendizagem
educada
sensível
e 
culta
que 
desde 
o nascimento cresça
- sem propriedade.s.nem poder.es.posse.s.inveja.s.ciúme.s.e ódio.s -
em novas circunstâncias.humanas! 
de efectiva igualdade.de todos.
na liberdade maior.e concreta.
na fraternidade.toda.
na talentosa 
diferença 
de cada 
um.
único
4.
senão 
não 
nos chamaríamos 
- desde sempre -  de comunistas
do
- manifesto do partido comunista - 
d(esd)e marx e engels
(nem)... 
ainda lénine 
nada riscava
5.
se  
for o caso 
de havermos desistido de tal....
se 
for o caso 
de já não acreditarmos 
pelo que durante séculos lutámos
deixemos então - como fizeram outros 
com as visíveis... consequências -
de nos auto.designar.mos 
- como sempre nos 
chamámos -
de 
partido 
comunista.(o) português
6.
mas eu 
- e decerto que muitos outros -
comunista... o continuarei sendo.sempre
7.
pois que lutar contra o capitalismo 
para lhe corrigir as desigualdades 
e lhe aplainar '
os defeitos'
nunca foi.
nem 
é.
nem nunca será 
o meu/nem 
nosso... 
único 
fim
8.  
porque isso 
qualquer um outro partido
de um nome outro 
(o) poderá... 
fazer
porque isso 
é e seria (o) absolutamente nada
porque isso
não mobilizaria ninguém... 
para nada... de humanamente grandioso
porque isso 
seria o estúpido e tão proclamado 'fim da história'
9.
e 
no entanto 
ela... nunca parou.nem parará 
de se mover... e para 
diante! 
- malgré 
todos os aparentes passos atrás -
avante! 
pelo social.ismo adiante
rumo ao comunismo
10.
que 
só poderá resultar
da empenhada.lúcida.
inteligente.sensível.individual.culta e colectiva acção humana
a 
bem 
da vida 
no planeta terra
levando atrás de si 
quasi.todos os humanos - todos! os que connosco queiram vir -
e tudo! 
o que de melhor! até então os humanos aprenderam e construíram
11.
o 
comunismo 
é e será o nosso humano céu... na terra!
'a juventude do mundo' como dizia o outro
a 'civilização' de todos os iguais.diferentes.
12
e 
já! 
sem resquícios 
de classe.s nem de deus.es...
porque entretanto 
a propriedade,o poder,a posse.a violência.as guerras.as religiões
e todas demais explicações não cientificas 
da vida.do mundo.e do universo
já se terão - mui
lentamente - 
apagado
e trans.formado numa 
culta e sensível 
inteligência 
cientifica
e
humana!
só de humanos
(ou de outros vivos seres... 
inteligentes e sensíveis
que os haja... p'lo 
espaço/tempo
sideral)
.
fj
07.29
17.01.2021
sem revisões...
Filipe Chinita a cumprir uma suspensão de 30 dias imposta pelo facebook.

Elias Quadros - MENINA DOS OLHOS TRISTES



* Elias Quadros

Foto: Google

— Em nome de Sua Excelência o General Comandante-Chefe das Foças Armadas em Angola, os meus sentidos pêsames! Um bravo que, no campo da honra, tombou ao serviço da Pátria!...

Estas dolorosas missões de condolências às famílias -- impostas ao oficial mais 'moderno' – eram limitadas, porém, a funerais de militares da Província, pois os caixões dos outros eram simplesmente armazenados no Cemitério da Estrada de Catete, aguardando embarque para a Metrópole...

«Menina dos olhos tristes / O que tanto a faz chorar? / O soldadinho não volta / Do outro lado do mar»…

A vida não lhe corria de feição desde que – naquela manhã de 4 de agosto de 1970 – chegara à cidade a que Paulo Dias de Novais dera, em 1575, o nome de São Paulo da Assunção de Luanda. Terra aquela já calcorreada pelos portugueses desde que – 90 anos antes – Diogo Cão por ali andara, a plantar padrões das quinas de Portugal. 

Diretamente do Vera Cruz, um jeep levou-o para o Grafanil. Mas ele – com os distúrbios com que, toda a noite, os presos de Elvas viraram do avesso o quartel – mal pregara olho quando um furriel, muito aflito, o despertou para o acompanhar ao Quartel-General do Exército. 

De facto, desde matinas que o procuravam para entrar de 'oficial-de-dia'. Ora – como lhe haviam dito que a sua especialidade não fazia serviços – ele nem sequer camuflado levara. Porém, logo ali o 'desenrascaram' e o capitão, que ia render, foi tão camarada que nem chegou a 'participar' dele. Pior foi quando lhe passou o serviço – em não mais de cinco minutos – chamando a atenção para os espaços que deviam ser neutralizados pelo fogo, caso viesse o edifício a ser atacado. Mas que não se preocupasse que tudo estava bem claro nas NEPs-Normas de Execução Permanente que lhe entregava. Brochadas como grossas listas telefónicas, sobrepostas bem perfariam um metro de altura. 

Desistiu às tantas de tão cativante leitura que, a bom ritmo, daria para meses. Durante o dia não se registaram ocorrências de monta. Mas, pelas quatro da madrugada, uma mensagem solicitava o envio de quatro caixões que deveriam seguir, por via aérea, para o Leste. Foi o 'oficial de prevenção' que lhe valeu em tal circunstância e a macabra encomenda lá seguiu conforme as NEPs.

De manhã – rendido no posto que tanta angústia lhe causara – recebeu 'guia-de-marcha' para o Comando-Chefe, na Fortaleza de São Miguel. Na secretaria, disseram-lhe que fosse almoçar pois o Coronel Chefe da 5.ª Secção só o receberia da parte da tarde. Porém, mal saído para a parada – dependurado de um 'português suave' – bate pala a um militar com uns vermelhos nos ombros que ele tomou por 'cabo readmitido'. 

Realmente – por não ir à bola com a tropa e, por motivo de altura andar sempre na cauda do pelotão – ele nunca aprendera a acertar passo nas formaturas nem a identificar os postos militares. Assim, não é que o raio do brigadeiro o queria logo mandar prender por desrespeito! Valeu-lhe ter surgido Costa Gomes que interrompeu a cena, pedindo ao tal oficial general que o acompanhasse ao almoço. E ordenou ali mesmo ao alferes que se apresentasse de tarde no seu gabinete. 

Agora, sozinho, em mesa do mesmo restaurante – de toalha branca reservado aos 'senhores oficiais e famílias' e onde a refeição custava 40 paus – dizia mal da vida desde que às pressas arrancara da Figueira da Foz, na véspera de São Tomé. 

Naquela mesma tarde – pago de T/V e abonado de R/R para 𝓧 dias (T/V, 'todos os vencimentos'; R/R, 'ração de reserva') – recebeu no Comando-Chefe a missão de ir aos Dembos proclamar, a todo um batalhão, a importância económica e social das vias de comunicação que o destacamento de engenharia – a que o batalhão de caçadores dava proteção –  rompia por aquelas inóspitas matas.

Matas que, durante séculos, se rebelaram sempre hostis ao Império.B

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - ou da liberdade'

* Filipe Chinita 

Sáb, 12:58
2022 02 05

ou
da liberdade'
.
dizem-se 
pela liberdade...
.
(que nós! 
é que somos... pelas 'ditaduras'... do proletariado
que  nem bem sabem... 
o que isso foi 
ou é)
.
mas 
no entanto!
nunca os vimos ao nosso lado
.
quando 
durante uma inteira vida.48 anos!
foi necessário lutar... por ela 
com o corpo a vida 
o sangue e até 
a morte
.
a nossa
.
para que lhes fosse possível
a eles... dela usufruírem
sem sequer... nunca! 
nos dizerem... um 
- obrigado!
.
ignorantes.pesporrentos
(quando não mesmo boçais)
que deveras! foram 
são e continuam
d.esventrados
de qualquer funda
humanidade 
funda!
.
nunca!
por nada!
de transcendente
na (sua) inteira vida... lutando
senão... pela tranquila vidinha... deles.próprios
.
Fj

11.57
05.02.2022

e 
na sua boca... 
nós! é que ainda! somos 
defensores/amantes de ditaduras....

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - A luz

 * Filipe Chinita


Qui, 14:05

2022 02 03 


a luz

.

a luz

material ela era.

chamava-se luísa e não subia... a calçada.

ou melhor... fê-lo de um todo.outro.modo

.

acordo a saber

que já me morreu

mais uma querida amiga

mas 

acima de tudo 

uma grande mulher criadora

tão! quanto 

o seu belo mordaz e faíscante olhar verde

que 

viu sempre 

para além 

da sua classe

e do seu tempo

.

honra-me 

ter feito com ela (e com ele) duas exposições

- em diferentes tempo.na fio de prumo e na de.sign.arte -

que 

em forma 

de objectos e discurso... in.fraccionavam

infraccionaram sempre! por completo... em arte!

esta desigual e desumana sociedade

em que calados 

quais ovos no cu da galinha

nos permitimos continuar 

a sobre.viver... de cócoras... 

sem efectivamente

nos levantarmos!

pelo.s outro.s

e

nem sequer

por nós

.

ela 

chamava-ve... 

luísa coder

e 

era 

uma luz 

no seu olhar

de agitadas águas verdes.

com uma cobra 

de morda.cidade ardente

na sua boca... de sempre! 

vermelho.s

.

ela 

nunca deixava por dizer 

em sua bela e estranha voz

o que a dizer 

tinha

.

ela

era 

uma livre

mulher livre

mui além

da classe... em que nasceu

e do tempo... (em) que lhe foi dado viver

.

ela

era... (a) toda a classe.

em seu eterno 

de...fumar

.

morreu decerto... 

do que tanto 

amou:

o viver

a 

vida!

.

teu

fj


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Filipe Chinita - ou do 'marxismo-leninismo'.

* Filipe Chinita

ou
do 'marxismo-leninismo'.
sim
enquanto 
nos limitarmos 
e nos entret(iv)ermos
com a mera gestão burguesa.liberal.'socialista' do capital.ismo
- de dez! euros para cá.de dez euros para lá... -
mal habituando as pobres! massas... 
a essa concreta miséria... moral! 
como solução... de vida!
nunca mais! a 
lado algum 
iremos...
- que 
a ver tenha... 
com o verdadeiro! socialismo e o comunismo -
como 
mal... acabou 
de se...
ver
.
fj
14.23
02.02.2022

de 
tal modo... assim é
que até! a toda a direita.do capital
chama... deliberadamente... a isto:
de... socialismo... 
contra o qual 
estariam... 
contra

vou 
descer à rua... 
espa.ventosa dos humanos 
andar sobre as pernas... apanhar sol 
comprar as laranjas e os yogurtes.para minha mãe
que 
já não aguento (mais) estar aqui sentado 
sobre... as feridas... 
nádegas... em
sangue
para
rigorosamente... nada 
de 
tão alienada! que está... a mente humana
.
fj
13.46
02.02.2022

ficai de bem...
que 
eu ainda não decidi... 
se ganho (a) coragem... de ir ver 
os meus outros... 'zonzos'
vermelhos
 
a 
gestão 
'socialista' do capitalismo
não me/nos interessa...
para nada de nada!
.
ficai de pança...
cheia
.
ah
e arrotai
e peidai
bem
.
fj
13.16
02.02.2022

vivam! 
os nabeiros 
e 
os nababos
mas há quem... se entretenha com tal!
 
eu só 
queria saber...
quantas páginas/poemas terei eu escrito... ao momento! 
ao meu in.comum partido
e à definição de uma sociedade/civilização comunista...
sem que sequer ninguém! 
(nele ou fora dele) 
tenha dado valor
algum a... 
tal
.
fj
12.55
02.02.2022

basta!
agora
irei apenas calar-me 
para todo o sempre

'acho' que 
- nos próximos 4 anos -
me vou/irei calar... 
para todo o 
sempre
.
nada mais... 
terei a dizer sobre nada
.
a 
não ser... 
que continuarei 
silenciosa.mente
vermelho.ateu
comun.ista
matéria
e pó
.
fj
12.26
02.02.2022

que nada mais sou

Lídia Borges - Da companhia

* Lídia Borges 

Até há pouco era bom ser sozinho.
Mesmo não sendo sozinho
saber como fazer para ser sozinho:
um recanto qualquer onde a luz não magoasse,
uma música miúda para encostar a cabeça,
um bloco de notas, um lápis…

Quando escrevo, esqueço-me
mesmo que pela lembrança,
seja o esquecimento.
Não há como chegar inteiro ao presente
Sem calcorrear o passado.

O pior de tudo agora é
saber como ir ao Futuro.
Mas… havemos de ir ao futuro,
assim nos garante Filipa Leal, num poema,
e eu acredito. Eu acredito.

Todavia acontece que nesta primavera
sem marços, sem nardos
as palavras massacram-me, molestam-me
e as leituras ardem-me nos olhos
como lágrimas artificiais às quais
faço sérias alergia.

E de repente,
gostava que me pegassem no braço,
de pegar noutro braço
e outros braços se dessem
e, por um dia que fosse,
sermos muitos os “da companhia”.

O que eu mais queria,
nesta primavera sem marços nem nardos,
era abraçar as pessoas todas da minha rua.

[Mas onde estão as pessoas todas
da minha rua que as não oiço,
que as não sinto?]
_________________

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - a vergonha de um povo

* Filipe Chinita

28.01.2022

a 
vergonha 
de um povo 
num restaurante 
na (minha) amada vila viçosa
.
e 
dizer...
que tais 
anormalidades
'humanas'... foram criadas... 
nesta e por esta... pseudo... democracia

que 
de há muito 
já nada tem a ver... com abril
mas apenas com o plástico.alienado.e consumista 
das mentes... vítimas da propaganda contínua do capital dominante
.
o.s pimba.s triunfaram de/sobre todos os partidos

Sex, 14:44
 
eu
ateu
.
eu
anti-fascista
anti-rascista.s
anti-machista.s
anti-capital.ismo
anti-homofóbicos
anti-toda a humana alienação
anti-todo o plástico na 'humana' mente 
e na barriga dos peixes... 
de alto mar
anti tudo! o que degrade o cada humano
e a vida planetária.em culta! natureza
anti-todas as armas e todas! as guerras entre humanos

eu.
comunista
simples rapaz de um escoural.milenar
.
seja 
o que 'deus' quiser... 

e o que nós.permiti(r)mos...
.
que 
os únicos
ir.responsáveis.culpados! 
s(er)ão quem o 
permitiu
/r

que 
nunca!
eu
.
sempre
vosso
fj


28.01.2022
Sex, 21:09
 
portugal.
5%
para 42% da riqueza.
viva a liberdade e a democracia.do capital.ismo
.
fj
20.51
28.01.2022

ainda assim! não sabeis em quem votar?!
sois então... mui 
estúpidos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - sem o.s outro.s não haveria vida...

* Filipe Chinita 
26.01.2022

sem 
o.s outro.s 
não haveria vida... 
e 
sem 
cada um 
dos seus militantes 
não haveria... 
colectivo... 
algum
.
úm colectivo...
é tal e qual uma equipa de futebol
que sempre se entreajuda e cobre os erros do outro
ou não é! cousa... alguma 

senão 
um conjunto 
de 'individualidades' bacocas
(como gostava de dizer o tuy)
ao desbarato... de si.mesmas
26/01/2022, 15:43
Filipe
Filipe Chinita
o
comunismo.sim!
.
eu.humano.
eu.político.até à última casa da vida.
eu.marxista.de toda uma una e inteira vida
não me reconheço em líder.es 
que não são capazes 
de enunciar... 
de um.só perceptível fôlego
profundamente humano.sentido
e claramente emocionado 
aos olhos... coração 
e mente... de 
todos! 
os que (n.os) 
escutem
qual 
é o seu/nosso 
programa político
para o momento presente
e para o instante
futuro!
.
e 
no 
nosso caso 
ainda mui menos o perdoo

pois que 
até deixámos de enunciar 
em cada 
fala!

que 
o nosso fito último
é o derrube e fim 
do capital
ismo
.
que 
só isso! 
(e não a mera gestão do capitalismo)
nos distingue de todos os demais.
enquanto humano projecto 
do futuro... imediato
.
a 
sociedade 
sem classes.de todos os livres.iguais 

e 
(a sempre.'humana') construção 
do comunismo
.
até
porque 
de outro modo 
nem poderia
(mos) 
ser
.
livres.iguais.
conscientes.responsáveis
em toda a nossa talentosa 
diferente.única.e irrepetível individualidade 
exprimindo-se sempre! em todos os unos.colectivos 
_______________________________________________________
e 
dizê-lo... 
todos os dias!

em orgulhosa 
(e) alta 
voz

pública
.
sem 
o fim.de vez! do capitalismo
sempre! as todas as formas de fascismo tornarão e campearão!
.
só 
a humana! 
e planetária sociedade nova 
de humanos... outros...
o exterminará
de vez
.
fj
15.25
26.01.2022
abaixo o fascismo! 
e todos... os que ainda! lhe dão língua
e lhe.s desguarnecem 
os frágeis...
flancos
Qua, 18:10
Filipe
Filipe Chinita
em 
tudo! o quanto faças...
trabalha ainda melhor.
dando o melhor de ti.
que não há outro 
caminho. para 
a felicidade.
interior.
a cada
um
.
fj
17.33
26.01.2022

Sex, 13:59

o 
meu 
(talvez.último) voto
.
diga-se
antes que sejam lançados os votos

levados ao colo pela 'liberdade' 
da comunicação social privada

que eu nada tenho  a ver
com esta forma... de 
democracia
e 
mui menos 
com esta vergonha... 
de 'eleições' em plena pandemia
.
pedem 
cuidados 
para ir votar
enquanto se movem 
em cardumes estupidificados...
atrás de 'líderes'
ir.risórios
.
só 
espero...
que a toda a esquerda
não tenha cumprido a vontade 
do presidente da 
república
(de 
direita!)
colocando
a toda a direita 
de novo do poder

sob 
o seu beneplácito... 

e a decisão do 
achega-te 
aqui
.
eu 
pela 
minha parte
votarei nos meus

apenas...
pela memória 
dos que... p'la verdadeira liberdade 
lutaram toda uma vida 

apenas...
para me sentir... 
de bem! comigo.e com a minha consciência

de comunista!

e
até ao fim...

pelo socialismo 
e pelo comunismo
.
fj

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - o imperialismo à beira de um novo crash

* Filipe Chinita

24/01/2022, 21:24

o 
imperialismo 
à beira de um novo crash

e 
ainda! 
mal fugido 
com o rabinho entre as pernas... do atrasado afeganistão

já enviou... novas! armas de guerra para a fronteira da ucrânia
.
(que belo! é o negócio! para a grande frontão privado armamentista da bacoca pátria... 
dita da liberdade...

como podem!?)
.
e 
diz-se... 
que já se prepara... 
para enviar nova carne (do seu povo) para canhão 
.
e 
tudo 
em nome da 'liberdade' de ter armas nucleares 
apontadas à rússia... na sua.própria fonteira...
.
cousa 
que claro! nunca quis... em cuba

nem tem! nem permite!
em nenhum outro país... que lhe faça fronteira!
.
porque eles... 
nem os mexicanos deixam entrar
no seu... bem mais longo... 'muro de berlim'

quão mais... as armas nucleares...

que eles.próprios
despejaram
sobre 
nagazaqui e hiroschima...

sem necessidade 
outra

que 
o prazer... sádico! 
de dizimar... milhões de vidas.inocentes...
e 
que 
lançar o medo... 
sobre os povos do inteiro mundo

em particular 
sobre 'os países da cortina de ferro'

pois que nós... por cá! 
'ocidente'

abençoado.s... 
pelo deus.dinheiro
do alienado.consumismo de tudo!

já tinhamos a 'cortina... nuclear'
___________________________________
abaixo! o negócio das armas.
viva a paz! na europa
e no mundo
.
fj
20.43
24.01.2022
26/01/2022, 13:20
Filipe
Filipe Chinita
ou
de ti
e do.s outro.s
.
o teu problema...
é que não dás 
valor...

nenhum

a 
nada! 
do tudo!
que te faço eu
.
e 
infeliz.mente
é quasi.a mesma cousa
(o que se passa) no plano colectivo
.
não damos valor algum... ao tudo 
que da nossa vida individual 
demos e damos 
ao colectivo

que sempre!
amámos...
.
mesmo
quando
e
se
discordando
.
são 
sempre os outros 
que te estão em dívida

e nunca tu.indivíduo
ou tu.colectivo

ao cada.um
outro

que
o
sustenta

material 
e ideal.mente
.
fj

Filipe Chinita . o que procuro

* Filipe Chinita 

21/01/2022, 13:17
o que procuro

a beleza
o belo
que há em cada ser humano
o belo e a feiura
e o como bastas vezes
se interpenetram
e um é afinal
o outro
o erotismo
o olhar.olhos nos olhos
o tecermo-nos.no enquanto (n)o outro tecemos
a fome.do corpo do outro
da 'alma'.do outro
a paixão
até ao fundo dos
fundos
o perdurável
amor
a revolução
o fim da fome e das injustiças
o fim da miséria e da miséria das mentalidades
a revolução
de um conjunto determinante de humanos
- ou de todos eles caso ainda! o apre(e)ndam em tempo útil -
capaz de (re)criar um planeta
de (novo) uno
uma nova relação
entre homem e natureza o homem e a natureza
o concreto humano e esta concreta natureza que hoje enfrentamos
fruto das muitas aleivosias/malfeitorias
que sobre ela já praticámos
procurando agora
evitar as catástrofes naturais
e antecipar na medida
do possível...
as medidas
a tomar
- só um mundo
só o vasto conjunto dos humanos
vivendo no comunismo
pode fazer
face
a tão gigantesca tarefa
cuidando do planeta
como se fora de todos
e de cada um e
não apenas
de alguns
cuidando do planeta
como se fora a nossa causa
e a nossa casa
comum
como de facto
é
frágil e única
como nós
e não!
como simples forma
de o explorar
explorando
em simultâneo a sua vida
as suas múltiplas riquezas colectivas
e os outros humanos (seres)
nossos iguais
pensando apenas
na ganância
do lucro
pensando apenas
em ser cada vez mais rico
ou mais conhecido
ou mais poderoso...
que os demais
explorando
os outros.humanos
sem os quais não há qualquer espécie de vida - privada -
qualquer hipótese de vida (em) comum –
nesta variegada natureza
neste belíssimo planeta
rolando sobre si mesmo
sem que nada... dele
extravase
este planeta.terra
esta natureza.mãe
de que somos (frágil) parte
e não senhores...
repito
.
o comunismo
será enfim
a vida!
o
início da vida
da sempre efémera vida
que só então poderá começar a ser vivida por inteiro
em inteira liberdade
por todos
e por cada um
de nós
seres vivos
vivos seres
quando
enfim formos seres
autenticamente livres e iguais
na nossa eminente
diferença
.
a vida
e a morte
que inapelável nos espera
um dia.numa hora.num instante
por vezes quando menos a esperamos
- dia a dia.instante a instante (assim) acontece -
numa esquina próxima
ou distante
a morte
que tudo determina
que tudo afinal determina
a vida de todos
e de cada
um
.
por isso
só em constante dádiva
de nós mesmos
em tudo
o que - individual e colectiva.mente -
empreendemos
deveríamos
viver
e
assim vivendo
só em comunismo deveríamos/poderíamos viver
para que retiremos de nós
retirando de todos
e de cada
um
- na máxima igualdade.de oportunidades -
as potencialidades
que nos afirmam
como seres
únicos
e
irrepetíveis
para que
preservemos o planeta
para que ele esgote
sem mais maléficas interferências humanas
todo o (seu) natural
ciclo de
vida
o nosso
.
quando um dia
aprendermos a lidar com o planeta
compreenderemos em simultâneo
que só com a lenta instauração do comunismo
em verdade o poderemos
fazer
.
ousemos salvaguardar o planeta/ousemos construir o comunismo
o mais rápido o mais consistente
o mais sustentadamente
que possamos
é.será
a mais humana das tarefas
que em vida
pode(re)mos empreender
façamo-la
então
essa construção.em união até ao céu
essa união.em construção até ao céu
.
os nossos únicos (humanos) limites
serão os do(s) próprio(s).humano(s)
e os do próprio
planeta
terra
.
fjc
julho 2010
o quasi 1º texto publicado no face
assim como quem define
propósitos

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Carolina Deslandes - Eco


#colors #carolinadeslandes #eco


* Carolina Deslandes


Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco

[Verso]
Não escrevas empatia se não queres saber
Olha p'rá Palestina e p'rás casas a arder
Olha p'rá Colômbia e p'ró apelo à liberdade
P'rá polícia, p'rá milícia, para a agressividade
E queres falar do quê?
Da loja que fechou, da festa que alguém cancelou
Da roupa que não compraste
E 'tás a falar do quê? Das amigas que não viste
Quando a tristeza insiste em pintar a cidade
Não te vale o hashtag se a alma é pequena
Não há cardinal que salve, nem clout que roube a cena
O sangue corre nas ruas, bombas que caiem do céu
De famílias como a tua que ninguém socorreu
Não me ouças, não me sigas, se tu não te importas
Eu vim p'ra abrir ao pontapé todas as portas
Vim p'ra falar de genocídio, de racismo ao microfone
Há quem se esconda no cinismo, eu meto a boca no trombone
E rezo a Deus, acendo a vela, e pergunto:
"Porque é que nos deste a Terra, se não governaste o mundo?"
"Porque é que nos deste a guerra e a vontade de querer tudo?"
"Porque é que quem sofre, berra, e quem governa, é surdo?"
Abraço os meus filhos esta noite, com firmeza
Agradeço a paz e a comida na mesa
E só penso em quem ficou sem nada
Na sopa dos pobres, na sopa da mágoa
Não escrevas empatia só para aparecer
Ser empático, é comparecer
É sofrer por ver alguém sofrer
É a ferida no corpo dum outro que insiste em doer
Que insiste em doer, que insiste em doer
Que insiste em doer

[Refrão]
Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco

Silêncio, do silêncio eu faço um grito
E o corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco


Portuguese singer/songwriter @Carolina Deslandes delivers a velvety performance of her new single ‘Eco’ (produced by AGIR).

COLORSxSTUDIOS is a unique aesthetic music platform showcasing exceptional talent from around the globe. COLORS focuses on the most distinctive new artists and original sounds in an increasingly fragmented and saturated scene. All COLORS shows seek to provide clear, minimalistic stage that shines a spotlight on the artists, giving them the opportunity to present their music without distraction.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Filipe Chinita - entre monte.mor.as vendas novas e lisboa

* Filipe Chinita

 entre
monte.mor.as vendas novas e lisboa
.
o partido
- e muito bem! - 
é que conta.
e não!
(só) 
o 
nome 
de (um) qualquer quem
por 
mais alto que seja 
ou 
as.sim se julgue
. 
aqui 
trata-se 
da política e do ser social
de 
um colectivo 'generoso' 
e in.comum!
de tudo!
em que todos os nomes 
deve(ria)m ter 
expressão
concreta
.
pois que 
o partido é feito 
de todos! e de cada um dos seus militantes
sem o que... nada mais! far(i)á sentido...
.
fj

00.22
16.01.2022
mas
pelos vistos 
a vida morte corpo e 'alma' dos comunistas
só serviu... para vos d(o)ar a liberdade... 
e a democracia... que nunca! 
devidamente... (volto 
a dizer!) lhes haveis 
agradecido
_____________________________________________________________
ficai de bem
com a vossa consciência
.
os comunistas 
esses... lutarão sempre! e até ao fim! - qualquer que ele seja -
pelos mais altos ideais... humanos.
de igualdade fraterna livre consciente responsável e solidária
entre todos os humanos
humanos!
______________________________________________________________
o partido de que falo
cujos ideais transcendem a vida a liberdade e a própria morte
só pode ser um:
o comunista
português

15:00
Filipe

 
não poder escrever e publicar
durante um mês! (eleitoral)
foi mesmo a última
machadada
que me poderiam
dar no ligeiro
fio
que ainda me 
prendia à 
vida
.
fj

13.58
20.01.2022

resta-me... 
apenas ir escor.regar 
ao sol e em ti.humano
(de caderno e lápis no bolso)
na mesma sábia... lentidão... que 
o caracol em seu rasto.de goma.s

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 


Manuela Vieira da Silva

O namoro de Fernando Pessoa e Ofélia. Belíssimo trabalho de Victor Barroso Nogueira!

«Só me dá vontade de enfiar pelo telefone e ir ter com o meu queridinho, mas está vedado o trânsito de "vespas" pelas linhas telefónicas...» Se fosse hoje com messenger e outras facilidades, como seria entre eles? Histórias de amor que não se repetem nem a poesia será a mesma. .
 
Conteúdo partilhado com: Público
Público
Uma delícia conhecer a ofélia ! Um encanto ... de pessoa e para mim ! Vale a pena ler até ao fim
🙂
~~~~~~~~~~~~~~~
CARTA XLI
Ex.ma Senhora D. Ofélia Queirós:
Um abjecto e miserável indivíduo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V. Ex.a considerando que o estado mental dele o impede de comunicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha seca (exemplo da obediência e da disciplina) que V. Ex.a está proibida de:

(1) pesar menos gramas,
(2) comer pouco,
(3) não dormir nada,
(4) ter febre,
(5) pensar no indivíduo em questão.
Pela minha parte, e como íntimo e sincero amigo que sou do meliante de cuja comunicação (com sacrifício) me encarrego, aconselho V. Ex.a a pegar na imagem mental, que acaso tenha formada do indivíduo cuja citação está estragando este papel razoavelmente branco, e deitar essa imagem mental na pia, por ser materialmente impossível dar esse justo Destino à entidade fingidamente humana a quem ele competiria, se houvesse justiça no mundo.
Cumprimenta V. Ex.a
Álvaro de Campos
eng. Naval
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
carta de Ofélia Queiroz a Álvaro Campos
Ex.mo Senhor Engenheiro Álvaro de Campos
Permita-me que discorde por completo com a primeira parte da sua carta, porque, nem posso consentir que Vª Exª trate o Ex.mo Sr. Fernando Pessoa, pessoa que muito prezo, por abjecto e miserável indivíduo nem compreendo que, sendo seu particular e querido amigo o possa tratar tão desprimosamente. Como vê estamos sempre em completa desarmonia, nem podia deixar de ser, pedindo-lhe por especial fineza, que não volte a escrever-me. Quanto às observações que me faz, como foram ditadas pelo Sr. Fernando Pessoa, farei quanto em mim caiba por lhe ser agradável. Agradeço o conselho que me dá, mas já que me puxa pela língua, deixe-me dizer-lhe que quem eu de boa vontade há muito tempo teria, não deitado na pia, mas debaixo dum comboio, era Vª Exª. Esperando não o tornar a ler, subscreve-se com respeito a 26-09-1929
Ofélia Queiroz
~~~~~~~~~~~~~
CARTA 59
Meu querido amor
Que triste ideia teve em encarregar o Sr Engenheiro Álvaro de Campos de escrever-me? Ele afinal não é seu amigo, trata-o tão mal! E não sendo seu amigo também o não é meu, e não sendo meu amigo eu também não sou amiga dele, portanto não gosto dele, detesto-o pronto. Peço-lhe meu querido Fernandinho que não volte a encarregá-lo de me escrever, e que por fineza lhe entregue a minha carta, que por não saber a sua direcção junto à sua. Ele afinal só pretende desacreditá-lo, mas eu não o poupo, e decerto não me escreverá mais.
Agora outra coisa: Gosto tanto que me telefone à noite! Já que nos não podemos ver, ao menos sempre é mais agradável falar assim um pouco mais intimamente. Só me dá vontade de enfiar pelo telefone e ir ter com o meu queridinho, mas está vedado o trânsito de "vespas" pelas linhas telefónicas... Que grande me vai parecer a noite de hoje e parte do dia de amanhã. Quase que fazia oito dias sem o ver. O Fernandinho não lhe custa estar tantos dias sem ver a sua Ofelinha? Gosta muito dela, gosta[,] amor? Então seu maroto, eu na minha carta d'hoje mostrava um princípio de afeição? Só princípio? E acho-me eu exigente mas ainda bem que também o é, entender-nos-emos assim melhor, porque sentimos da mesma forma, não é Fernandinho? Mas não me disse se lhe agrado para sua mulherzinha. Se lhe agrado Fernandinho? Se lhe agrado, e agradando-me o meu querido amor tanto para maridinho (parecia-me um sonho eu um dia vir a tratá-lo assim) não retardemos uma felicidade tão grande e tão desejada, pelo menos da minha parte. Mas estou convencida que Fernandinho, também há-de gostar muito de ter um dia o seu lar, com uma mulherzinha muito ao seu gosto e que torne o lar alegre e o Fernandinho feliz. Diga-me, não são estes os seus desejos? A não ser que não seja eu a mulherzinha (porque eu não chego a ser mulher) muito a seu gosto...
A mim encanta-me só a ideia de o vir a ser, de viver consigo uma vida inteira, sempre muito amigos e carinhosos! Mas não receberei de boa vontade na nossa casinha o tal Senhor Engenheiro, isso não. Sobre o assunto do meu encontro, escreveria muito, mas receio maçá-lo. Só lhe digo que tenho ânsia de ser sua esposa, e o Fernandinho, não tem, de ser meu esposo? Se gostar tanto de mim como eu de si, tem a mesma.
É isto que me tira o sono! Fica agora sabendo?
Adeus, meu amor, eu não lhe roubo mais tempo com as minhas cartas sempre tão mal redigidas, mas o Fernandinho já me conhece, em deixando escrito o que sinto é o principal, não é? Góta de mim? Góta munto? Góte chim?
Manda-lhe muitos beijinhos a sempre muito sua
Ofélia
26-9-929
Cartas De Amor
19.408 Visualizações
Caixa Postal 147
(Acróstico de Fernando Pessoa dedicado a OPHÉLIA)
Onde é que a maldade mora
Poucos sabem onde é
Há maneira de o saber
É em quem quando diz que chora
Leva a rir e a responder
Indo em crueldade até
A gente não a entender
Nota: Relato da Exma Senhora Dona Ophélia Queiroz, destinatária destas Cartas de Fernando Pessoa, recolhido e estruturado por sua sobrinha-neta Maria da Graça Queiroz.
Um dia faltou a luz no escritório. O Freitas não estava e o Osório, o «grumete», tinha saído a fazer um recado. O Fernando foi buscar um candeeiro de petróleo, acendeu-o e pô-lo em cima da minha secretária.
Um pouco antes da hora de saída, atirou-me um bilhetezinho para cima da secretária, que dizia: «Peço-lhe que fique». Eu fiquei, na expectativa. Nessa altura já eu me tinha apercebido do interesse do Fernando por mim, e eu confesso, também lhe achava uma certa graça…
Lembro-me que estava em pé, a vestir o casaco, quando ele entrou no meu gabinete. Sentou-se na minha cadeira, pousou o candeeiro que trazia na mão e, virado para mim, começou de repente a declarar-se, como Hamlet se declarou a Ofélia: «Ó, querida Ofélia! Meço mal os meus versos; careço de arte para medir os meus suspiros; mas amo-te em extremo. Oh! até do último extremo, acredita!»
Fiquei pertubadíssima, como é natural, e, sem saber o que havia de dizer, acabei de vestir o casaco e despedi-me precipitadamente. O Fernando levantou-se, com o candeeiro na mão, para me acompanhar até à porta. Mas, de repente, pousou-o sobre a divisória da parede; sem eu esperar, agarrou-me pela cintura, abraçou-me e, sem dizer uma palavra, beijou-me, beijou-me apaixonadamente, como louco.
Surgem assim os primeiros versos que me dedicou; versos que infelizmente depois me desapareceram, mas que nunca esqueci:
Fiquei louco, fiquei tonto,
Meus beijos foram sem conto,
Apartei-a contra mim,
Enlacei-a nos meus braços,
Embriaguei-me de abraços,
Fiquei louco e foi assim.
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos,
Preso nos abraços teus,
Eu não sinta a própria alma, ave perdida
No azul-amor dos teus céus.
Boquinha dos meus amores,
Lindinha como as flores,
Minha boneca que tem
Bracinhos para enlaçar-me
E tantos beijos p’ra dar-me
Quantos eu lhes dou também.
Botão de rosa menina,
Carinhosa, pequenina,
Corpinho de tentação,
Vem morar na minha vida,
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração.
Não descanso, não projecto,
Nada certo e sempre inquieto
Quando te não vejo, amor,
Por te beijar e não beijo,
Por não me encher o desejo
Mesmo o meu beijo maior.
Ai que tortura, que fogo,
Se estou perto d’ela é logo
Uma névoa em meu olhar,
Uma núvem em minha alma,
Perdida de toda a calma,
E eu sem a poder achar.
Fui para casa, comprometida e confusa. Passaram-se dias e como o Fernando parecia ignorar o que se havia passado entre nós, resolvi eu escrever uma carta, pedindo-lhe uma explicação. É o que dá origem à sua primeira carta-resposta, datada de 1 de Março de 1920.
Assim começámos o «namoro».
Confira a primeira carta de Fernando Pessoa para Ophélia Queiroz, clique aqui.
Carta - 01/03/1920
Ophéliazinha:
Para me mostrar o seu desprezo, ou pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da serie de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-m’o. Assim, entendo da mesma maneira, mas doe-me mais.
Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Opheliazinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação - creio eu - de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama.
Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as cousas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar».
Porque não é franca comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal - nem a si, nem a ninguém-, e quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lh’a venham acrescentar creando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça.
Reconheço que tudo isto é cômico, e que a parte mais cômica d’isto tudo sou eu.
Eu-proprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra cousa que não fosse não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim…
Ahi fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugenio Silva.
01/03/1920
Fernando Pessoa

Sílvia Mendonça - O AMOR PODE SER UMA BÚSSOLA DESGOVERNADA


* Sílvia Mendonça
.

Assim como algumas canções e bebidas, passei a evitar alguns tipos de pessoas quando percebi certas provocações e desinteresse. Hoje, vivo à margem, observadora de uma janela virtual, como uma "sujeita" qualquer dissidente do seio seguro. Me especializei na arte de estancar sensações, liberar emoções -  e vigiar lembranças presas em velhos armários. 

Vivo com o alerta automático de quem não paga mais para ver uma amizade ou romance até o fim. Não mais, vale ressaltar. Tantos amigos e amores -  não  necessariamente nesta ordem - cruzaram meu caminho. Alguns, partiram no primeiro trem, sem sequer se despedir. Outros, me feriram, até sangrar - sangue que não se estanca em cicatrizes. Não tão rápido!

Às vezes o amor funciona como uma bússola com defeito – não adianta tentar achar o norte. Por que ele/ela vai fugir pelo caminho que inventar quando não houver mais ímã e atração. E esse rompimento acontece o tempo todo, nas aparências das melhores fotografias e no brilho das alianças mais bem polidas.

Um belo dia, depois de um abandono por desengano, lá estava eu, esmurrando as paredes, os parafusos soltos da cabeça, o cabelo grudado no canto da boca. Nervosa, engasgando de raiva no próprio soluço. A passagem marcada para Buenos Aires, vários pedidos de desculpas presos embaixo da língua. Da minha, como se fosse eu a culpada. 
 
Fiquei sentada no sofá da sala do apartamento, quieta, envolta em   inércia, não sei por quanto tempo, olhando as luzes intermitentes, como se ali fosse o verdadeiro olho do furacão. E era. Pois, não aguentava mais silêncios brincalhões "gritando" sem nada acontecer ao redor. Esperei aquela sensação arrastada de velório impertinente passar.  Fixa, feito um vegetal que não sente, come ou dorme.

E até hoje espero - de olho no calendário   e nas mensagens  "reveladoras" do biscoitos da sorte.

[20 de março de 1995] 
[Reeditado] 
[Foto: Hanna Brescia in Pictures]
19 de janeiro de 2014

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Eleições ao Pôr-do-sol, por José Gabriel




* José Gabriel 

Hoje, infortunium meu, vi aquela coisa do Marques Mendes assessorado, desta vez, por Clara de Sousa. Nós vemos e ouvimos aquilo e, apesar de habituados a todas as modalidades de lixo televisivo, não acreditamos. Em estado de enlevo, o parzinho esqueceu-se completamente daqueles truques com que, habitualmente, tentam fazer com que os incautos – só a estes, mas estes ainda são muitos – pensem que aqueles tipos de programas são sérios e independentes. Na verdade, a sessão de hoje foi praticamente dedicada a grelhar, em lume brando, António Costa.

Considerando que tudo e todos os demais são irrelevantes e já estão arrumados, Mendes & Sousa, operaram uma manobra tática que consiste em, ignorando todo o restante cenário político, agir como se só existisse Costa, o incumbente, e Rio, o desafiante. Portanto, como Rio não tem assunto, há que malhar no primeiro-ministro como se não houvesse amanhã. É assim que vai ser a partir de aqui. Costa e Rio.

Não é só o facto de o segundo ir ao colo da esmagadora maioria dos comentadores. É a transformação das eleições numa farsa audiovisual – e digo audiovisual porque a vida continua cá fora, queiram os mainatos televisivos ou não – distorcendo mais que o habitual – que já não era pouco – a natureza das eleições – estamos a eleger 230 deputados, não um qualquer iluminado mandante – o seu significado e os seus resultados.

Desfila uma fauna colorida: comentadores cartomantes, psicanalistas que interpretam a cor das gravatas, as posturas -sentados, de pé, de gatas; psicossociólogos mais psico e socio que ólogos; analistas de mico expressões, sondadores de sondagens várias, queimadores de servil incenso, enfim, há de tudo neste circo.

Há equilibristas, palhaços, animais – não há leões nem leopardos, mas há muitos burros. Tudo ao serviço das duas atracões.

(Não se esperem, nesta encenação, críticas procedentes e sérias; não é disso que se trata)

Tudo se passa com se, em vez de uma eleição parlamentar, fossemos obrigados a assistir a uma espécie de duelo de western spaghetti eleitoral, com os contendores apoiados pelas respetivas claques jornalísticas, cena a decorrer numa fedentinosa rua mediática, numa terreola a oeste da realidade e a leste dos problemas das populações.

O xerife e o juiz, como soem nestas histórias, estão ao serviço do rancheiro rico, claro. Os índios, esses, estão sempre lixados.

17/01/2022
https://estatuadesal.com/2022/01/17/eleicoes-ao-por-do-sol/