segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Farewell, Ilyich! Farewell, Leader!", by Leon Trotski

"Lenin is no more. We have lost Lenin. The dark laws that govern the work of the arteries have destroyed his life. Medicine has proved itself powerless to accomplish what was passionately hoped for... hat millions of human hearts demanded.
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How many, unhesitatingly, would have sacrifice their own blood to the last drop to revive, to renew the work of the arteries of the great leader, Lenin-Ilyich, the unique, who cannot be replaced. But no miracle occurred where science was powerless. And now Lenin is no more. These words descend upon our consciousness like gigantic rocks falling to the sea. Is it credible, can it be thought of?
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The consciousness of the workers of the whole world cannot grasp this fact; for the enemy is still very strong, the way is long, and the great work, the greatest of history, is unfinished; for the working class of the world needed Lenin as perhaps no one in the history of the world has yet been needed.
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The second attack of illness, which was more severe than the first, lasted more than ten months. The arteries 'played' constantly, according to the bitter expression of the physicians. It was a terrible play with the life of Lenin. Improvement could be expected, almost complete recovery, but also catastrophe. We all expected recovery, but catastrophe happened. The breathing center of the brain refused to function and stifled the center of that mind of great genius.
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And now Vladimir Ilyich is no more. The party is orphaned. The workmen's class is orphaned. This was the very feeling aroused by the news of the death of our teacher and leader.
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How shall we advance, shall we find the way, shall we not go astray? For Lenin, comrades, is no longer with us!
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Lenin is no more, but Leninism endures. The immortal in Lenin, his doctrine, his work, his method, his example, lives in us, lives in the party that he founded, lives in the first workmen's State whose head he was and which he guided.
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Our hearts are now so overcome with grief, because all of us, thanks to the great favor of history, were born contemporaries of Lenin, worked with him, and learned from him. Our party is Leninism in practice, our party is the collective leader of the workers. In each of us lives a small part of Lenin, which is the best part of each of us.
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How shall we continue? With the lamp of Leninism in our hands. Shall we find the way? — With the collective mind, with the collective will of the party we shall find it!
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And tomorrow, and the day after, for a week, a month, we shall ask, Is Lenin really dead? For his death will long seem to us an improbable, an impossible, a terrible arbitrariness of nature.
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May the pain we feel, that stabs our harts each time we think that Lenin is no more, be for each of us an admonition, a warning, an appeal: Your responsibility is increased. Be worthy of the leader who trained you!
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In grief, sorrow, and affliction we bind our ranks and hearts together; we unite more closely for new struggles. Comrades, brothers, Lenin is no longer with us. Farewell, Ilyich! Farewell, Leader!"
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— Leon Trotsky, "Lenin Dead". Tiflis Station, January 22nd, 1924.
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O Wikimedia Commons possui multimédia sobre: Lenin.
Wikiquote
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Lenin (Vladímir Ilitch Uliánov).
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Principais obras para leitura

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domingo, 13 de setembro de 2009

A Hora de Ser Feliz in A Maçã


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Posted: 12 Sep 2009 05:42 AM PDT
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Clicar aima para ver o poema formatado
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Somos caracóis, somos naves. A hora de ser feliz passa muito rápido. Somos estradas, somos artérias. A hora de ser feliz é tão esquiva.. Eu quero escrever um poema sobre a hora de ser feliz. Qual é a hora de ser feliz? É a hora das chuvas? É a hora do sol? A hora de ser feliz talvez seja a hora do vento. Quem sabe a hora da tempestade. A hora de ser feliz é um X. Não sei nada sobre ela, mas pesquiso. Quando a hora de ser feliz vier, Quero estar pronto. A hora de ser feliz é uma hora de anúncios. É uma hora de fogos, uma hora de muitos sons. Talvez seja a hora da música. Vamos ver: a hora de ser feliz é uma hora magnífica. Nela, tudo se torna possível. A hora de ser feliz é a noite? Mas pode ser o dia, com as claridades. Eu acho, francamente, que a hora de ser feliz É uma hora muito inesperada. Ninguém vai avisar: “É hora de ser feliz.” Eu mesmo vou ter que pressentir. Quando a hora de ser feliz vier, quero estar lindo. Quando a hora de ser feliz vier, quero estar muito leve. Eu ouvi dizer que a hora de ser feliz acontece quando a gente viaja. Não sei se é verdade isso. Alguns dizem que a hora de ser feliz é muito colorida, Cheia de clarões e flashes e texturas. Mas, veja só, pode ser uma hora muito simples. Pode ser uma hora muito pacata. Eu arrisco o seguinte: a hora de ser feliz é subterrânea. Quando ela vem, pega você de surpresa. Vem devagarinho, como a brisa vem – Quando você viu – já foi. Por isso é que deve-se estar atento à hora de ser feliz. Ou, melhor dizendo – deve-se estar distraído. Uma hora ela chega - e bum! – a pessoa é feliz. Pelo que eu já percebi, a hora de ser feliz É uma hora muito difícil: Não consigo pegar ela com palavras. Talvez nem exista, talvez nem apareça, Talvez seja agora, talvez foi ontem, talvez foi anteontem, Pode ser que a hora de ser feliz tenha sido mês passado Ou quando eu tinha vinte e cinco anos. A hora de ser feliz é um Y. Que pode vir às dez da manhã ou às cinco da tarde. E quando ela vem, é algo que paralisa a pessoa. A pessoa não diz nada, fica muda, só sentindo. Quem está em volta nem percebe, nem tem idéia Da dimensão do acontecimento. A pessoa que vive a hora de ser feliz Dá uma desculpa qualquer e se afasta do grupo: Ela precisa ficar sozinha. Porque ser feliz é sozinho. Ser feliz só funciona sozinho. Mas enfim: quem é capaz? Talvez o Zero seja capaz, quem sabe? Eu sempre achei que o Zero é uma pessoa capaz de ser feliz. Quanto a mim, eu fico pesquisando, escrevendo Sobre essa coisa estranha que é a hora de ser feliz.

2 comentários
por ygor
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12/09/09, 12:42.
in Blog A Maçã no Escuro
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sábado, 12 de setembro de 2009

Amiga da vida - Cecília Meireles

Assunto: AMIGA DE VIDA
Data: 7/Set 18:11

NOSSOS RISOS BRINCAM AINDA Á MINHA VOLTA....VIDA FALSA QUE NOS LEVA PARTES DA ALMA SEM AVISAR...TAMBÉM FICOU TUA FIGURA, TEUS OLHOS E A FORMA IMPOSSÍVEL COMO ACENDIAS O CIGARRO....FICOU O CARINHO, A PROXIMIDADE, O BEM QUERER....ONDE ESTÁS AGORA AMIGA? ME DÓI...EM ANEXO UM BEIJO

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Distribuída por Moranguinho Pereira (hi5)

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A AMIGA DEIXADA
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Antiga
cantiga
da amiga
deixada.
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Musgo da piscina,
de uma água tão fina,
sobre a qual se inclina
a lua exilada.
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Antiga
cantiga
da amiga
chamada.
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Chegara tão perto!
Mas tinha, decerto,
seu rosto encoberto...
Cantava — mais nada.
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Antiga
cantiga
da amiga
chegada.
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Pérola caída
na praia da vida:
primeiro, perdida
e depois — quebrada.
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Antiga
cantiga
da amiga
calada.
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Partiu como vinha,
leve, alta, sozinha,
— giro de andorinha
na mão da alvorada.
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Antiga
cantiga
da amiga
deixada.
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CECÍLIA MEIRELES

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Coisas, pequenas coisas - Fernando Namora

Assunto: PEQUENAS ALEGRIAS...
Data: 11/Set 16:42
É DAS PEQUENAS COISAS QUE NASCEM AS GRANDES ALEGRIAS INTERIORES....SORRIMOS SE OUVIRMOS, LONGÍNQUA UMA GARGALHADA DESENFREADA DE UMA CRIANÇA....SEGUIMOS ENCANTADOS A DANÇA QUUE A BORBOLETA EXECUTA PERANTE O NOSSO OLHAR....O INICIO BALBUCIANTE , CRISTALINO E SUSSURRANTE DE UM RIO É MUITO MAIS BELO QUE O SEU IMENSO ENCONTRO COM O PAI MAR...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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COISAS, PEQUENAS COISAS
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Fazer das coisas fracas um poema.
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Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.
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Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.
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FERNANDO NAMORA
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Visão - Fernando Pessoa

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Há um país imenso mais real
Do que a vida que o mundo mostra Ter
Mais do que a Natureza natural
À verdade tremendo de viver.
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Sob um céu uno e plácido e normal
Onde nada se mostra haver ou ser
Onde nem vento geme, nem fatal
A idéia de uma nuvem se faz crer,
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Jaz - uma terra não - não há um solo
Mas estranha, gelando em desconsolo
À alma que vê esse país sem véu,
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Hirtamente silente nos espaços
Uma floresta de escarnados braços
Inutilmente erguidos para o céu.

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Fernando Pessoa
CANCIONEIRO
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Enviado por Gioconda do Porto (hi5)
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Segredo - Miguel Torga


6/Set/2009 14:00


SEGREDO
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Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
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-Miguel Torga-
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Enviado por Isabel - VFC (hi5)
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Prazo de Vida - Cecília Meireles

Data: 6/Set 23:07

Prazo de Vida
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No meio do mundo faz frio,
faz frio no meio do mundo,
muito frio.
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Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!
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No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.
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Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
Tão sombrio!
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No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.
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O universo ficou vazio,
porque a mão do amor foi partida
no vazio.
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Cecília Meireles

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domingo, 6 de setembro de 2009

Sugestão - Cecília Meireles

Assunto: SUGESTÃO
Data: 6/Set 15:04

UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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SUGESTÃO
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Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
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Flor que se cumpre,
sem pergunta.
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Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.
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Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
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Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.
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Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.
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À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.
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Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
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Não como o resto dos homens.
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CECÍLIA MEIRELES

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sábado, 5 de setembro de 2009

Galileo Galilei - António Gedeão

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* António Gedeão (Rómulo de Carvalho)

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Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

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Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!

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Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.

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Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.

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Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.

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Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

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Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.

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Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

POEMA XX - Pablo Neruda

Trouxe um poema de Pablo Neruda para embelezar a tua página,
beijinhos de terna amizade!

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Enviado por Gioconda do Porto

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POEMA XX

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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
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Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe”.
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O vento da noite gira no céu e canta.
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis.
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Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
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Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
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Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.
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Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
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Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
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Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
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A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
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Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
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De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
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Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
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Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
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Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo.

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Pablo Neruda, poeta chileno (1904-1973)

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http://www.jefferson.blog.br/2008/08/poema-20-de-pablo-neruda.html

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Nas águas vosso amor ponde - Cecília Meireles

Assunto: SUPERCOMMENTS
Data: 4/Set 13:23

COM TODO O CARINHO!

PERGUNTO BAIXINHO AO MAR QUAL O NOME DO MEU AMOR....EI-LO QUE SE REVOLTA, LEVANTA BRUSCAS ONDAS, DE CLAMOR SE ENDOIDECE, EM REMOINHOS SE ESPRAIA E DE ESPUMA SE COROA.... DE REPENTE SE AQUIETA E NUMA LÍNGUA SE ESPRAIA E VEM ATÉ AOS MEUS PÉS....E LENTAMENTE NA AREIA ESCREVE AS LETRAS DO TEU NOME....SORRIO.....JÁ O SABIA...EM EM ANEXO UM BEIJO!

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From Moranguinho Pereira (hi5)

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NAS ÁGUAS VOSSO AMOR PONDE
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A palavra que te disse,
talvez por ser tão pequena,
em tais desprezos perdeu-se
que não deixou nem pena.
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Murmurei-a a uma cisterna
de turvas águas antigas
e foi-se de cova em cova
em múltiplas cantigas.
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Amadores deste mundo,
nas águas vosso amor ponde;
que elas vos darão resposta,
quando ninguém responde.
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CECÍLIA MEIRELES

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Se te Abaixasses, Montanha . Cecília Meireles

AMIGO VICTOR:
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COMO COMBINADO AQUI VAI O 'SUPER COMMENTS DO DIA 2 DE SETEMBRO DE 2009.
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BEIJINHOS!
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Moranguinho Pereira (hi5)
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Se te Abaixasses, Montanha
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Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a mão
daquele que não me fala
e a quem meus suspiros vão.
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Se te abaixasses, montanha,
poderia ver a face
daquele que se soubesse
deste amor talvez chorasse.
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Se te abaixasses, montanha,
poderia descansar.
Mas não te abaixes, que eu quero
lembrar, sofrer, esperar.
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Cecília Meireles
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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Um poema de Fernando Pessoa

OI ! VITOR ,FOGO ! ÉSTERRIVIEL,COMOSABES QUE GOSTO DE TODAS AS CANÇÕES DO ZECA AFONSO !! QUANDO O OIÇO MINHAS LÁGRIMAS CAEM,PELO MEU ROSTO! GRANDE CAMARADA !
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XUAC!,OB.POR TERES COLOCADO MAIS UMA DO CAMARADA1! ZECA AFONSO.
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Enviado por Ana Vieira (hi5)
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Um pensamento de Vinícius de Morais



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Enviado por Ana Vieira (hi5)
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Recado aos amigos distantes - Cecília Meireles


Assunto: AMIGO/A
Data: 1/Set 18:35

HOJE O MEU PENSAMENTO LEVOU-ME ATÉ TI....O QUE ÉS PARA MIM? ALGO QUE É VIRTUAL É PORQUE NÃO EXISTE NA REALIDADE DAS NOSSAS VIDAS....MAS, AFINAL, ESTOU AQUI COMINICANDO CONTIGO, E A LOUCURA AINDA NÃO TOMOU CONTA DE MIM....PORTANTO TU ÉS, TU EXISTES E SE ME COMUNICO CONTIGO É PORQUE GOSTO DE TI!.......EM ANEXO UM BEIJO ( MAIS UMA PROVA QUE TU EXISTES E ÉS REAL)

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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RECADO AOS AMIGOS DISTANTES
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Meus companheiros amados,
não vos espero nem chamo:
porque vou para outros lados.
Mas é certo que vos amo.
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Nem sempre os que estão mais perto
fazem melhor companhia.
Mesmo com sol encoberto,
todos sabem quando é dia.
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Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
Por vosso amor é que penso
e me dou tantos trabalhos.
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Não condeneis, por enquanto,
minha rebelde maneira.
Para libertar-me tanto,
fico vossa prisioneira.
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Por mais que longe pareça,
ides na minha lembrança,
ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.
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CECÍLIA MEIRELES

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Devo-te - Victor Matos e Sá

Data: 31/Ago 16:24

MEU BARCO SAIU DO PORTO, CARREGANDO APENAS MEUS SONHOS.....EU FIQUEI AQUI SENTADA Á ESPERA, OS PÉS BALANÇANDO NAS ÁGUAS PARADAS, SORRINDO AO SOL, DANDO O ROSTO Á BRISA E SORRINDO POIS SEI QUE QUANDO ELE RETORNAR IRÁ TRAZER NOVOS SONHOS E DEITOU OS OUTROS Á SAGRADA ÁGUA DO MAR QUE TUDO LAVA E TRANSFORMA EM REALIDADE...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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DEVO-TE
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Devo-te tanto como um pássaro
deve o seu voo à lavada
planície do céu.
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Devo-te a forma
novíssima de olhar
teu corpo onde às vezes
desce o pudor o silêncio
de uma pálpebra mais nada.
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Devo-te o ritmo
de peixe na palavra,
a genesíaca, doce
violência dos sentidos;
esta tinta de sol
sobre o papel de silêncio
das coisas - estes versos
doces, curtos, de abelhas
transportando o pólen
levíssimo do dia;
estas formigas na sombra
da própria pressa e entrando
todas em fila no tempo:
com uma pergunta frágil
nas antenas, um recado invisível, o peso
que as deixa ser e esquece;
e a tua voz que compunha
uma casa, uma rosa
a toda a volta - ó meu amor vieste
rasgar um sol das minhas mãos!
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VÍTOR MATOS E SÁ

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domingo, 30 de agosto de 2009

Um poema de Eugénio de Andrade

"Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."

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Eugénio de Andrade

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Enviado por Gioconda do Porto (hi5)

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Uma mão cheia de nada , outra de coisa nenhuma - Irene Lisboa

Uma Mão Cheia de Nada Outra de Coisa Nenhuma

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Uma mão cheia de nada , outra de coisa nenhuma *
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E se a vida não for isto?
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E se o que estou a viver agora for apenas um sonho, um pesadelo, uma mescla disto e de tudo o mais?
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E se eu for uma pedra, uma árvore ou uma mulher sentada na ombreira duma porta qualquer, os olhos perdidos no fio do horizonte, os lábios gretados e o rosto tão marcado como um tecido velho e rasgado?
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A mulher olha sem ver. E tanto pode ter na sua frente um deserto árido e áspero, como uma outra porta mesmo encostada ao rosto, sem lhe deixar sequer estender as pernas.
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Não tem idade e sonha dia e noite com a minha vida e por isso mesmo vive aparvalhada, sem perceber o que se passa, ao que veio e o que vai ser dela.
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Se isto não for realmente a vida, então assim eu compreendo esta sensação permanente, este mal-estar que dói dentro de mim, este atordoado na minha cabeça, com tantas vozes a falarem ao mesmo tempo, tanta gente que eu não conheço, tantos sítios que vejo e que não posso saber porque nunca lá estive.
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Eu estou aqui e agora mas não estou nunca aqui e agora.
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Metade de mim ficou presa no passado e a outra metade anda perdida no futuro. No futuro da mulher sem idade agachada na soleira da porta a olhar o nada.
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Mas nunca estou a viver o hoje.
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E é terrível! É tão triste não saber saborear aquilo que vem com os dias, o sol, as trovadas secas e a música da chuva.
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É tão triste este viver sem viver e estar sempre com um pé no que foi e outro no que podia vir a ser.
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Às vezes, já nem é uma tristeza, é antes um vazio que gela os ossos, gela tudo o que me rodeia onde quer que esteja porque é como se eu trouxesse comigo o vazio do Universo, o buraco negro do Cosmos.
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A mulher que se calhar sou eu, sentada na soleira da porta, com a saia a comer o pó da terra, não tem olhos, afinal.
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Tem dois buracos negros e em vez de lábios tem uma prega caída, uma em baixo, uma em cima.
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Foram os bichos que lhe devoraram as carnes, de tanto estar queda e imóvel, tomaram-na por morta, por uma pedra ou uma árvore.
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*Titulo de livro de contos de Irene Lisboa, 1955
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sábado, 29 de agosto de 2009

De expugnatione Lyxbonensi (Da captura de Lisboa) -


De expugnatione Lyxbonensi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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De expugnatione Lyxbonensi (em português Da captura de Lisboa) é o nome pelo qual é conhecida uma carta em latim escrita por um cruzado que participou do cerco e conquista de Lisboa em 1147, durante a Segunda Cruzada. A tomada de Lisboa aos mouros foi realizada por uma força conjunta de cruzados oriundos do norte da Europa e portugueses sob comando do rei Afonso Henriques. A carta descreve com riqueza de detalhes as negociações políticas entre o rei e os cruzados estrangeiros, assim como as ações militares que levaram à conquista de Lisboa, sendo a principal fonte histórica da conquista da cidade.

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Índice

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Autoria

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A carta começa com uma fórmula abreviada de saudação: Osb. de Baldr. R. salutem. As ambiguidades do latim medieval fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e quem o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuída a Osb. de Baldr. e é dirigida a R.; porém também é possível que tenha sido escrita por R. e dirigida a Osb.. Este Osb. é Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk). R. é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul.

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Seja quem for o autor, o importante é que era um cruzado de formação religiosa (um clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia, e que foi testemunha ocular dos acontecimentos da tomada de Lisboa aos mouros em 1147. A qualidade do latim empregado por ele e as características do texto indicam que era um homem culto.

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Texto

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Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preparatórias até o período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em junho de 1147. Os cruzados são recebidos pelo bispo do Porto, Pedro Pitões, enviado do rei Afonso Henriques, que tenta convencê-los em ajudar os portugueses na conquista de Lisboa.

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O próprio rei português se encontra com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los de participar na conquista da cidade. Também o condestável inglês, Hervey de Glanville, faz um discurso e termina de convencer as tropas. O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exatidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos (a Reconquista era considerada parte das Cruzadas) quanto à promessa de botim da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras na região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos. O arcebispo de Braga, João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes se recusam. Este último discurso é muito interessante por explicitar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da península Ibérica no século VIII.

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O longo cerco começa em julho de 1147. O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De maneira geral, o autor anglo-normando descreve de maneira favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também é tensa por vezes.

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De expugnatione Lyxbonensi também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, interceptadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Afonso Henriques.

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Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte -, que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo, por parte do rei, e Hervey de Glanville, um dos condestáveis dos anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.

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Finalmente, no dia 25 de outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados. Apesar de que Afonso Henriques ordenou que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram a muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa muçulmana, enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitando os acordos. Já espoliada de seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.

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Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.

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Manuscrito

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O manuscrito latino da carta conserva-se atualmente no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Várias traduções tanto ao português como ao inglês foram publicadas.

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Ver também

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Referências e ligações externas

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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Autobiografia - Victor Matos e Sá

Assunto: DOU-VOS A BELEZA...
Data: 27/Ago 15:21

SER POETA! SER O BISTURI DA REALIDADE....CORTANDO SEMPRE MAIS FUNDO O QUE OS OUTROS APENAS PODEM VER A SUPERFÍCIE....E QUANTA BELEZA EU ACHO, QUANTA TRAGO EM MIMHAS MÃOS E A DISTRIBUO AOS AMIGOS E AO MUNDO...A PARTIR DO MOMENTO QUE A TOCO PASSA A SER EU....POR ISSO QUANDO DOU, ESTOU-ME A DAR A MIM PRÓPRIA A QUEM ME LÊ...EM ANEXO UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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AUTOBIOGRAFIA
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Estive convosco em muitas palavras.
Algumas levaram-me ainda mais perto.
Com outras fiquei apenas mais só.
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De muitas não vi que rosto as guardava.
Por outras me dei a quem não pedia.
Onde foram mentira alguém me faltava.
Mas todas cumpri por quem me cumpria.
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E passaram ardendo em novos combates,
cobriram silêncios, provaram mistérios,
fizeram amigos que nunca terei.
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Por serem verdade me trazem aqui.
E quando as sonhais na vossa esperança,
Um irmão me procura por entre as cidades
com todos os rostos que perdi.
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VÍTOR MATOS E SÁ

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Poesia - Victor Matos e Sá

Assunto: VISITA...
Data: 28/Ago 13:56

VENHO VISITAR-TE, POESIA, QUANDO A VIDA ME É PESADA, QUANDO ESQUEÇO QUE O SOL ESTÁ ATRÁS DAS NEGRAS NUVENS, QUANDO A MINHA ALMA PESA COM A DÔR, QUANDO MEU CORAÇÃO SE APERTA E SUAS GARRAS ME DESLIZAM SOBRE O ROSTO EM FORMA DE LÁGRIMAS...É AÍ, POESIA, QUE TU ALIVIAS AS MINHAS PENAS, E AO CHEGAR AOS MEUS LÁBIOS, ME FAZES SORRIR OUTRA VEZ...EM ANEXO, UM BEIJO

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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POESIA
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é a visita do tempo nos teus olhos,
é o beijo do mundo nas palavras
por onde passa o rio do teu nome;
é a secreta distância em que tocas
o princípio leve dos meus versos;
é o amor debruçado no silêncio
que te cerca e que te esconde:
como num bosque, lento, ouvimos
o coração de uma fonte não sei onde...
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VÍTOR MATOS E SÁ

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Modus vivendi - Poesia

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27 de agosto de 2009

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A manhã

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(gentileza de Amélia Pais)

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A manhã nasce entre as muitas janelas
invadindo meu corpo fatigado,
sede dos meus caminhos sem cancelas,
na luz de muitos astros albergados.

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Casa onde me recolho das mazelas,
dos louros, derroteiros, lado a lado,
para ouvir de mim, franco, das seqüelas:
Ecce Homo! Eis o triste camuflado.

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Essa tristeza de há muito em residência
às vezes se constrói em face alegre,
máscara sem eu mesmo em aparência

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num carnaval escuro no seu frege.
O que me salva, cor nessa vivência,
é saber que a poesia é quem me rege.

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Aníbal Beça

26 de agosto de 2009

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Dança II

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as máscaras de espuma, fende-as a luz; e restitui
os rostos sem defesa
à erosão do mar;
alguns estudos sobre o vento
dizem que não regressará
tão cedo a esta praia;
incapaz de transpor a exalação
de fossas e algas; a muralha
que se prolonga, opaca,
às últimas camadas
onde é possível respirar;
e assim, faltando o vento, essência da leveza, cessa
a progressão aérea
que a dança subentende:

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Carlos de Oliveira

conspiracy of love

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Blessed is the season which engages the whole world in a conspiracy of love.
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Hamilton Wright Mabi

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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Veja abaixo a Carta Testamento do Presidente Getúlio Vargas:


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"Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
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Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
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Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
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Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
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Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.
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E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."
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(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

1 comentários
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Poesia de Manuel de Andrade



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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Modus vivendi - Poesia

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25 de agosto de 2009

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Dança

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Dançam na praia;
na orla onde se vai acumulando
uma primeira espuma;
de que surge a segunda;
que segrega, por sua vez,
o antídoto do mar;
usado sobre os rostos,
contra a acidez do sal, do lodo;
e esse trabalho atrasa mais
o movimento já difícil
de quem dança
desde o crepúsculo; talvez
possam chegar à madrugada;
mas não podem
refugiar-se noutra noite,
ao fim do túnel diurno:

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Carlos de Oliveira

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Learn to labour and to wait.

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Let us, then be up and doing,
With a heart for any fate;
Still achieving, still pursuing,
Learn to labour and to wait.

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Henry Wadsworth Longfellow

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Algarve

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Estas dunas intactas sem cacos
sem restos de gestos e palavras amanhecendo
virgens da sua noite dormida com o vento

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Teresa Rita Lopes

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Diálogo - Albano Martins

Assunto: SEGREDOS...
Data: 24/Ago 14:10
VISITA O RIO NA NASCENTE....PEGA NAQUELAS POUCAS GOTAS DE ÁGUA E SUSSURRA-LHES BAIXINHO TEUS SONHOS E DESEJOS. PELO CAMINHO ELAS VÃO-NOS COLHENDO UM A UM E QUANDO, ENORME, CHEGA AO MAR JÁ OS JUNTOU NUMA ONDA....AÍ SÓ TENS DE ESPERAR QUE ELA CHEGUE - SABERÁS RECONHECÊ-LA PORQUE CONTÉM AS GOTAS DE ÁGUA QUE TIVESTE NAS MÃO - E ESCUTA COM TERNURA E AGRADECIMENTO TUDO O QUE ELA TE DIZ... DEPOIS, VAI FELIZ VIVER A VIDA QUE SEMPRE SONHASTE.
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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DIÁLOGO
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Levarás
pela mão
o menino
até ao rio. Dir-lhe-ás
que a água é cega
e surda. Muda,
não. Que o digam
os peixes, que em silêncio
com ela sustentam
seu diálogo
líquido, de líquidas
sílabas
de submersas
vogais.
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ALBANO MARTINS
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Modus Vivendi - Arte e Poesia

24 de agosto de 2009

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Franz Xavier Winterhalter

Victoria_and_her_cousin%2C_1852Franz%20Xaver%20Winterhalter.jpg

pormenores em tom oitocentista

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Arte Poética

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Dar
ao poema
a forma
o feitio

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o único
certo
feitio

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com que do fundo
do mar
foi expulsado

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seixo tronco
osso
lenho
arrebatado
noutra idade

.

agora
mansa
violentamente
restituído
à praia

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ao litoral
de mim

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Teresa Rita Lopes

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23 de agosto de 2009

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Learn to labour and to wait

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Let us, then be up and doing,
With a heart for any fate;
Still achieving, still pursuing,
Learn to labour and to wait.

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Henry Wadsworth Longfellow

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domingo, 23 de agosto de 2009

Modus Vivendi - Arte e Poesia

23 de agosto de 2009

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Books

Books to the ceiling,
Books to the sky,
My pile of books is a mile high.
How I love them! How I need them!
I'll have a long beard by the time I read them.

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Arnold Lobel

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Os Dias Espaçosos

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Se és meu amigo
oferece-me um barco
e deixa-me no meio do mar
sozinha

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Se gostas de mim
inventa para hoje
uma ilha

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e deixa-me nua
na areia

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Apenas o corpo das dunas
apenas a ansiedade dos juncos
apenas a pressentida viagem dos peixes

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Apenas a alta sombra fresca
dos pássaros
passando

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Teresa Rita Lopes

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22 de agosto de 2009

Franz Xavier Winterhalter

Winterhalter_-_Queen_Victoria_1843.jpg

uma imagem da Rainha Victoria em 1843

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O cúmplice - Jorge Luís Borges

Assunto: O CÚMPLICE
Data: 23/Ago 14:02

....UM BEIJO!

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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)

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O CÚMPLICE

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exacto do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.

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JORGE LUIS BORGES

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A kiss is more than a touch of lips - Fernando Pessoa

Olá Víctor,
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Boa Tarde e beijinhos de amizade!
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"A kiss is more than a touch of lips -
it is a touch of two hearts,
of two souls,
of two glowing portions of the life spirit."

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"Un beso es más que un roce de labios -
Es el roce de dos corazones,
De dos almas,
De dos luminosas porciones del espíritu de la vida."

Fernando Pessoa

http://www.fpessoa.com.ar/

"Subway Kiss"


Marty Hatcher

Marty Hatcher is from Dallas, Texas where, she found acceptance and encouragement for her love of art.

http://martyhatcher.com/

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Enviado por Gioconda do Porto

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Precisão - Clarice Lispector

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Assunto: SABOR A INFINITO...
Data: 22/Ago 13:05
QUANDO OLHO PARA O CÉU TENHO A IMPRESSÃO QUE A MINHA ALMA SE VAI ESPALHANDO PELO INFINITO....SINTO-ME ÁGUIA VOANDO SOBRE O MUNDO E OBSERVANDO O QUE SE PASSA AQUI EM BAIXO....QUANDO OLHO O INFINITO SINTO O SABOR DA LIBERDADE E O SEM TAMANHO QUE PODE TER A FELICIDADE...EM ANEXO UM BEIJO!
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Distribuído por Moranguinho Pereira (hi5)
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PRECISÃO
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O que me tranquiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
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CLARICE LISPECTOR
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