quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Poesia de Alberto Caeiro

#
Victor Nogueira É dourada a cor do trigo em flor e dourado o Mar da Palha, i.e., o Estuário do Rio Tejo, dizem.
há 39 minutos · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar...
#
(...)
#
Alice Coelho
‎(Alberto Caeiro)

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
...Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

alberto caeiro
há 26 minutos · Não gostoGosto · 1 pessoa
#
Victor Nogueira
.
É Talvez o Último Dia da Minha Vida

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, para lhe dizer adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
.
Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas noites,
E a minha voz contente dá as boas noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,

A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.
.
Alberto Caeiro
.
Escrito em 12-4-1919.

Uma gargalhada de raparigas soa do ar da estrada.
Riu do que disse quem não vejo.
Lembro-me já que ouvi.
Mas se me falarem agora de uma gargalhada de rapariga da estrada,
Direi: não, os montes, as terras ao sol, o Sol, a casa aqui,
E eu que só oiço o ruído calado do sangue que há na minha vida dos dois lados da cabeça.
. Alberto Caeiro
há 11 minutos · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar...
.
#
Alice Coelho ‎"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."
há 7 minutos · 
#
Victor Nogueira
‎:-)
Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.
...Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas cousas,
É o de quem olha para árvores,
E de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E anda a reparar nas flores que há pelos campos ...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarros...
.
.
Alberto Caeiro, citado por um homem da cidade e da beira mar e do espaço sem fim de Angola, meu país para mim perdido deixando-me estrangeiro na terra de ninguém. Mas vou parar, pk como diriam os meus filhos "Lá está o pai com o brilhozinho nos olhos" e não quero que se transformem em cataratas tumultuosas :-)
há alguns segundos
.
.

Sem comentários: