quinta-feira, 13 de agosto de 2026

(74) 'Imprensa e Jorna/listas' nas paredes

 * Victor Nogueira / Gemini

Os muros, libertando-se, podemtornar-se espaços de liberdade, contando histórias ou registando, mesmo que efemeramente, factos e acontecimentos, como se fossem jornais de parede. As fotos seguintes registam alguma dessa 'imprensa', pintada nas paredes ou 'imprensa' em jornais de papel.

A rua, enquanto suporte de comunicação, funcionou nos anos subsequentes ao 25 de Abril  como uma extensão das redações e das tipografias. Nos registos que aqui apresento, a imagem é o ponto de partida para observar esta relação entre o papel e o reboco, dividida em três eixos:

1. A memória dos jornalistas e dos jornais na cidade

A arte urbana contemporânea tem servido para eternizar figuras que fizeram da palavra a sua ferramenta de trabalho. É o caso de Fialho de Almeida, cronista e polemista incontornável das letras portuguesas, lembrado em murais em Setúbal, ou de Mário Zambujal, nome maior do jornalismo desportivo e generalista, homenageado no mural da Estrada de Benfica, em Lisboa. São registos que ligam a memória de quem viveu o jornalismo à presença física e perene na cidade.

2. O jornal partidário como palavra de ordem

No calor do PREC, o jornal de partido deixou de ser apenas algo que se comprava na banca para passar a ser algo que se lia no muro.

  • O Avante!: Mural de 1977 que celebrava a publicação e a festa do jornal do PCP, provando a força desta imprensa na ocupação simbólica da cidade.

  • O Grito do Povo: As imagens da UDP (na Ajuda ou na Rua de S. Jorge, entre 1975 e 1976) mostram o apelo direto: "Lê e discute com os teus camaradas". O mural funcionava como uma "primeira página" de rua, alertando para temas políticos e para a organização política da época.

3. Os "Jornais de Parede": a imprensa de base

Os 'joenaus de parede'  são outra faceta da  "imprensa de rua", como em Alcácer do Sal e Mora. Em 1974 e 1975, quando a informação precisava de chegar rapidamente a todas as localidades, a parede tornava-se o suporte principal. Comissões de moradores e forças políticas (como a UDP e o PCP) afixavam comunicados, palavras de ordem e notícias – como o apelo "Vingaremos Catarina", com alertas e palavras de ordem, criando uma rede informativa que precedia, ou substituía, a tiragem dos jornais de papel.

Estes registos fotográficos são o que resta dessa imprensa efêmera. Pintada à escova, colada com cola de farinha ou gravada na memória urbana, ela continua a contar a história de um tempo em que os muros também eram, de facto, jornais.

Nos dias de hoje, em que a imprensa em papel é marginalizada pela imprensa on line e redes sociais, os garfitos, mais ou menos elaboados, mais ou menos artísticos. são a nova expressão dos 'jornais de parede' nos anos da pré-revolução.


Foto victor Noguera - Alcácer do Sal – Jornal de Parede – UDP – Catarina Eufémia 


foto Victor Nogueira - 1974-75 - cartazes e murais de abril 03 Alcácer do Sal  - UDP - Vingaremos Catarina


Foto Victor Nogueira - 1974 -75 - cartazes e murais de abril 01 - Mora (Alto Alentejo)



Fotos Victor Nogueira Mural de homenagem a Fialho de Almeida na R 
ua Ramalho Ortigão, em Setúbal (IMG_2943 e l IMG_2945)

Liisboa 2022 Mário Zambujal Mural de Mariana Duarte Santos Estrada de Benfica 299 Foto Ana Luísa Alvim CM Lxa


Foto Victor Nogueira - Mural em Lisboa. Av. da Junqueira e Av. Marginal 1977 - Jornal e Festa Avante


Lisboa    1975 AJUDA- Lê e discute  com os teus camaradas  o jornal comunista   O Grito do Povo


Foto Victor Nogueira - Lisboa, Rua de S. Jorge  1976-   [UDP] Contra a] USA CIA  O Grito do Povo  jornal comunista

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