. "Epitáfio a
Bocage", de Tomás Ribeiro
(1831 / 1901)
Aqui jaz quem da vida fez
brinquedo,
Quem rindo da ilusão chorou a
sério;
Quem não teve do mundo nem do
medo
A chave de fechar o seu mistério.
Aqui jaz o Poeta da tristeza,
Que o amor cantou em notas de
amargura;
Quem teve por rainha a Natureza,
E por abrigo esta caverna escura.
Passante, que de longe o nome
escutas
Do grande Elmano que aqui jaz
desfeito,
Se pelas mesmas dores também
lutas,
Deixa uma lágrima caindo no seu
peito,
E diz chorando à terra que o
encerra:
"Nunca tal alma se encontrou
na terra!"
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A placa compõe-se de três partes principais:
Identificação: Assinala a peça como parte da coleção Pasmadinhos de Setúbal by Maria Pó, dedicada a Bocage.
Nota Histórica: Refere Bocage como o expoente do iluminismo português, nascido em Setúbal a 15 de setembro de 1765 e falecido em Lisboa a 21 de dezembro de 1805. Destaca a sua poesia libertária, contestatária e lírica, cuja atitude de transgressão perante as autoridades lhe valeu a censura e a perseguição.
Autoria e Escultura: Explica que o conceito original dos Pasmadinhos em cerâmica pertence a Elsa Rodrigues e Jacek Piatkiewicz (Maria Pó), e que a peça de grande escala instalada no Parque do Bonfim foi moldada pelo escultor Hélder Silva.
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