O ensaio / conferência "Libertação Nacional e Cultura" (La libération nationale et la culture), proferido por Amílcar Cabral a 20 de fevereiro de 1970 na Universidade de Syracuse, é um texto longo e estruturado. Embora não seja possível reproduzir aqui o ensaio de dezenas de páginas na íntegra, os seus pontos fundamentais e passagens estruturais centrais assentam nas seguintes premissas teóricas fundamentais:
Resumo dos Eixos Centrais de "Libertação Nacional e Cultura"
A Cultura como Fundamento da Resistência:
Cabral defende que a dominação colonial visa essencialmente a destruição ou a peiorização da identidade cultural do povo oprimido. O colonialismo só se mantém se conseguir convencer os colonizados da sua inferioridade cultural.
Por isso, a luta de libertação nacional só é genuína e duradoura se for um ato de regresso à fonte cultural própria e de afirmação da dignidade histórica do povo.
A Cultura como Força Motriz (Fator de Cultura):
A cultura não é apenas um património estático ou um conjunto de tradições folclóricas do passado; é uma força dinâmica em permanente evolução.
Durante a luta armada ou o processo político de emancipação, o povo transforma-se, superando divisões tribais ou regionais e criando uma nova cultura nacional unificada.
A Relação entre Movimento de Libertação e as Massas:
Amílcar Cabral insiste que os quadros revolucionários e os intelectuais devem "morrer enquanto classe" para renascer com as aspirações reais das massas trabalhadoras (camponeses e operários), que são os verdadeiros portadores e criadores da cultura nacional.

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