segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

-Oliver Harden - A Ironia Machadiana: Uma Estratégia de Desnudamento da Condição Humana

* Oliver Harden

A ironia é um dos recursos mais marcantes e emblemáticos da obra de Machado de Assis. É o fio condutor que permeia sua escrita, um instrumento que transcende o humor superficial para se tornar uma lente filosófica através da qual o autor examina as complexidades da condição humana. Na obra machadiana, a ironia não é meramente um artifício literário, mas uma estratégia discursiva que desconstrói as convenções sociais, expõe as hipocrisias do indivíduo e da coletividade e revela as nuances mais profundas da psique humana.

Dessa forma, a ironia em Machado não apenas diverte, mas educa; não apenas denuncia, mas contempla. É, sobretudo, uma arma contra a superficialidade e o dogmatismo, um meio de explorar as contradições que habitam o ser humano e de desmascarar as ilusões que sustentam as relações sociais e as aspirações individuais.

A Ironia como Reflexo da Dissimulação Social
Machado de Assis viveu em uma sociedade profundamente marcada pela desigualdade e pela hipocrisia social. No Brasil do século XIX, as relações eram regidas por uma estrutura de aparências, onde o status e as convenções ocupavam o centro da vida pública. A ironia machadiana emerge como uma resposta literária a esse contexto, revelando o abismo entre o que se aparenta ser e o que realmente é.

Essa dissimulação é retratada de maneira exemplar em Dom Casmurro, onde Bento Santiago, o narrador, apresenta-se como vítima de uma suposta traição, enquanto suas próprias falhas morais e seu egoísmo são cuidadosamente ocultados sob o véu de uma narrativa aparentemente racional. Machado utiliza a ironia para desestabilizar a voz narrativa, forçando o leitor a questionar não apenas a veracidade da história contada, mas também a natureza do próprio narrador. Nesse processo, a ironia desconstrói o ideal de certeza e desvela a complexidade das relações humanas.

Ironia e Contradição Humana
Outro aspecto essencial da ironia machadiana é sua habilidade de capturar as contradições que definem a experiência humana. Machado revela, com sutileza, como o ser humano é governado por impulsos conflitantes, muitas vezes inconscientes, que minam sua própria racionalidade e moralidade.~

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, por exemplo, a ironia atravessa toda a narrativa. O narrador, um defunto-autor, confessa abertamente suas falhas e egoísmos, mas faz isso de forma tão espirituosa que o leitor se vê, paradoxalmente, cativado por sua sinceridade. A ironia aqui não apenas expõe as vaidades de Brás Cubas, mas também questiona a própria busca humana por significado, legado e imortalidade. Brás Cubas, em sua autocrítica cínica, não tenta esconder suas fraquezas, mas sim ressignificá-las como parte de sua humanidade.

A Ironia como Ferramenta Filosófica
A ironia machadiana não se limita à esfera literária; ela assume um papel filosófico ao questionar as certezas absolutas e as verdades universalmente aceitas. Machado, influenciado por correntes de pensamento como o positivismo e o cientificismo, utilizava a ironia para desafiar as pretensões de objetividade e racionalidade que marcavam sua época.

Em Quincas Borba, a filosofia do “Humanitismo” é apresentada como uma caricatura do pensamento filosófico contemporâneo, revelando tanto sua pretensão quanto sua futilidade. Através dessa sátira, Machado ironiza as grandes teorias que prometem explicar a existência humana, mostrando como elas frequentemente ignoram as particularidades e contradições do indivíduo.

Nesse sentido, a ironia torna-se uma forma de resistência intelectual. Ao invés de oferecer respostas ou soluções, Machado utiliza a ironia para abrir espaço para o questionamento, para o confronto entre o ideal e o real, entre o que o ser humano aspira ser e o que ele realmente é.

Ironia e a Autonomia do Leitor
Um dos aspectos mais sofisticados da ironia machadiana é sua capacidade de envolver o leitor como participante ativo na construção de significado. A ironia, ao desconstruir as certezas narrativas, exige que o leitor assuma o papel de intérprete, buscando as entrelinhas e desvendando os subtextos.

Em obras como Dom Casmurro, o leitor é desafiado a decidir por si mesmo se Capitu foi ou não infiel, enquanto o narrador apresenta uma versão enviesada dos acontecimentos. Esse jogo irônico não apenas reforça a ambiguidade da obra, mas também questiona a própria ideia de verdade. Para Machado, a verdade não é algo estático, mas um campo de disputa, algo que emerge do confronto de perspectivas.

A Dimensão Ética da Ironia
Embora frequentemente vista como cínica ou corrosiva, a ironia machadiana possui uma dimensão ética profunda. Machado utiliza a ironia para convidar o leitor a refletir sobre as motivações humanas, sobre os jogos de poder e as estruturas de dominação que definem a sociedade. Ao expor as ilusões e autoenganos que sustentam tanto o indivíduo quanto a coletividade, a ironia machadiana torna-se uma ferramenta de autoconhecimento e crítica social.

Essa dimensão ética é evidente em contos como “O Espelho” e “A Igreja do Diabo”. Nesses textos, a ironia questiona não apenas os valores sociais, mas também as próprias narrativas que os sustentam, provocando o leitor a confrontar suas próprias crenças e preconceitos. 

Conclusão
A ironia machadiana é muito mais do que um recurso estilístico; é um instrumento filosófico e ético que ilumina as contradições e complexidades da condição humana. Ao desconstruir as ilusões individuais e sociais, Machado de Assis transforma a ironia em uma lente através da qual podemos enxergar, com maior clareza, tanto nossas fraquezas quanto nossas possibilidades.

Sua ironia não é um exercício de superioridade intelectual, mas uma forma de aproximar o leitor da verdade — uma verdade que nunca é absoluta, mas sempre multifacetada, ambígua e em disputa. Por meio de sua ironia sutil, Machado não apenas expõe os paradoxos de sua época, mas também nos convida a refletir sobre os paradoxos que continuam a moldar nossa existência.

3 de dezembro às 11:04  · 

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domingo, 15 de dezembro de 2024

Rui Pereira - “ELES”



* Rui Pereira

O congresso do PCP não foi suficientemente interessante para que as televisões lhe dedicassem as extensas programações especiais que dedicam aos congressos de outros partidos. Nos canais privados, esse interesse nem mesmo existiu. Um ou outro apontamento noticioso, algum comentário de mau fígado e o vaticínio final: "Estão a desaparecer!" Quem? “Eles!”. “Eles” foi o pronome pessoal com que muitas vozes jornalísticas, comentatoriais e/ou a versão anfíbia de ambas, trataram os sujeitos do acontecimento que cobriam e comentavam, quando o faziam. “Eles” não define exactamente nem os comunistas, nem  o Partido Comunista, o PC,  o PCP por ordem decrescente da frequência com que foram usados os diferentes vocábulos. Não, este “Eles” define-nos a nós. A um "Nós" outros, estabelece uma alteridade insanável em relação aos “Nós” todos quantos, mais diferentes ou mais parecidos entre si, têm em comum uma identidade que definimos como "nossa". “Eles” não. “Eles” são outrem, são estranhos não-comungantes do "Nós" pelo qual nos afirmamos. 

O tratamento mais usual pelo jornalismo e pelo comentariato nas coberturas destes congressos partidários é a designação pelo nome do partido (o PS, o PSD, o Chega, a Iniciativa Liberal…).  Para todos estes, não há um “Eles”, porque eles somos nós.

A mesmidade de tal trato, quando reversa, induz de contrabando, implicitamente, no assunto a tratar, uma distância percebida, desenha uma fronteira intransponível para quem assiste ao tratamento do assunto, mais do que ao assunto (porque, esse, só nas ligações em direto da RTP 3 se ia deixando ver, ainda assim sob o filtro imperativo de “declínio”, da “degradação”, do “óbito”, mesmo que para referir como “Eles” o não reconhecem e acham “manifestamente exagerada” a respetiva certidão).

Todavia, numa destas curtas emissões, um antigo secretário-geral, Carlos Carvalhas, tentou explicar que numa sociedade em que a participação política da maioria das pessoas se restringe ao ato eleitoral, os media têm uma importância drástica, dado que só por intermédio destes é possível chegar às populações. Ora, se os media quando se dignam falar do PCP, o fazem sob o signo de um “Eles” cauterizado, excluído do tempo e do espaço comuns, anacrónico, vazio e decrépito, é natural que as causas dos problemas (políticos, mais do que comunicacionais) da estigmatização estejam menos nos estigmatizados do que nos estigmatizadores. 

Por outras palavras, o facto de a pergunta sobre o fogo partir do próprio incendiário não lhe retira nem esse estatuto nem a respetiva responsabilidade.  

A cobertura deste Congresso “deles”, comunistas, feita por “nós”, media, fornece um eloquente modelo de democracia política, jornalística e ideológica, que dispensa o cronómetro para saber quantas horas e dias de vantagem leva a cobertura do “Nós” por sobre a cobertura do “Eles”.

Tudo isto faz parte da luta política, cultural, ideológica... Mas. pergunta especialmente para jornalistas,  deveria fazer parte da atividade jornalística?

PS 1: Convidado para observar os trabalhos do Congresso, por motivos profissionais não pude assistir. Limito-me a falar, pois, daquilo a que assisti.

PS2: Há uma ressalva. A análise de Raquel Varela na sexta-feira às 21H00 na RTP 3, controversa, é interessante e discute o assunto.

2024 12 15
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Carlos Matos Gomes - O Desafio da Tecnologia à Deontologia



* Carlos Matos Gomes


Discutir o papel da inteligência é discutir o tipo de sociedade que queremos viver. É discutir a democracia. É discutir a responsabilidade individual e coletiva, é discutir os limites dos mandatos que delegamos aos nossos representantes.

Sou militar — ou fui no tempo em que os comandantes se encontravam nos campos de batalha e tinham de dirigir os seus comandados. Conheci grandes comandantes. O que você distingue? A arte de representar a coragem, a arte de representar a incerteza da decisão com a maior verdade, como se fosse o resultado da resposta de um computador que resolvesse a angustia do guarda redes antes do pênalti? (Peter Handle) Ou a do marcador do pênalti.

Dir-me-ão que uma das vantagens da decisão baseada em inteligência artificial é a ausência das emoções. Aparentemente assim é: o robô humanóide que pilota um F35 sobre Gaza não sente qualquer emoção ao lançar uma bomba. Mas as centenas ou milhares de seres humanos que sofrem os seus efeitos sentem e, mais, os milhões de outros seres humanos espalhados pelo planeta que veem as imagens também sentem, emocionam-se e formam opinião. A robotização do piloto — a inteligência artificial que o conduz desde a descolagem até ao alvo — provoca consequências políticas e sociais. Robotizar um ser humano para transformar um assassino de assassinosresponsabiliza quem? O autor da desumanização do humano? O humano se torna inimputável a partir do momento em que cumpre seu programa de inteligência artificial? O capacete de um piloto de caça, de um carro de combate, de um drone, contém inteligência artificial? Quem ou o que está dentro de um capacete de um piloto de bombardeiro ou de um Carro de Combate, ou até na cabeça de um general de cinco estrelas?

Os capacetes que vemos na cabeça dos soldados não servem para proteger a cabeça, mas para determinar o que ele deve realizar, servem para retirar a consciência da consequência de seus atos.

O que define a essência da inteligência não é de modo algum o de ela ser natural ou artificial, mas o que Maquiavel designou como a virtú, que era, como se sabia desde Cícero, indissociável da vida pública. Ou seja, o homem que almeja a virtude não pode perder de vista a noção de dever para com os outros. Mas este dever para com os outros é inerente a todos os seres vivos — das abelhas aos lobos, das formigas aos golfinhos. Quando um gnu fica para trás para servir de presa a um predador e aumentar a possibilidade de sobrevivência do seu grupo essa atitude não poderá ser considerada ética? Por isso a inteligência dos humanos deve ser compatível com a dos outros seres e com o respeito pelo meio ambiente. A Inteligência artificial integra estes fatores nas suas computações elaboradas?

A deontologia é definida como um forte sentido de serviço comunitário, realizado com um profissional com profundo sentido de responsabilidade . Como se atribui sentido de responsabilidade a um artefato obra de um ser humano distinto do sentido de responsabilidade dos interesses de seu criador?

O Manual de Deontologia Militar que constava do currículo na Academia Militar — não sei se a disciplina ainda existe nos currículos das Academias Militares portuguesas ou estrangeiras, ou das modernas escolas de negócios ou tecnologia — apresentado-a como o estudo da especificamente das Forças Armadas e dos princípios que devem reger os seus membros tanto em tempo de guerra como em paz, a identificação da moral, ou do comportamento moral, que deve orientar os militares na sua vida, por forma a que, sem faltarem ao cumprimento dos seus deveres para com sistema operacional camaradas, (subordinados e superiores), os cumpram também e igualmente para com o inimigo, para com a sua Nação e, acima de tudo, para com a comunidade nacional e internacional, as suas leis universais, caso da Carta dos Direitos Humanos da ONU ou da defesa dos bens considerados património da Humanidade.

A Inteligência Artificial anula a Deontologia do ser que está no cockpit de uma aeronave, na lagoa de comando de um navio, na torre de um Carro de Combate? Retira-lhe a qualidade de ser cidadão? De ser julgado? De ser politicamente avaliado? Os tribunais internacionais, marciais, de honram quem é predeterminado, programado, ou quem é determinado e programa?

O que distingue os seres humanos não é a capacidade técnica, é a sujeição a leis — a julgamento. O que distingue os seres humanos dos outros seres não é uma inteligência, mas uma capacidade de entender a sociedade, como um todo, a capacidade de escolher e julgar.

Com a admissão de que a inteligência artificial é um crescimento novo na história do mundo — e não da humanidade — Esopo não escreveria as fábulas onde os animais falam e pensam, porque nos programas apenas os humanos são inteligentes. Nem teríamos o Triunfo dos Porcos, de Orwell.

Uma definição de artificial é algo produzido pela humanidade. É uma definição arrogante: um ninho de uma ave é uma obra mais natural que uma cabana de um hominídeo? Um formigueiro é uma obra natural? Uma teia de aranha? A minha questão não é a existência de uma inteligência natural, mas sim a não existência de uma inteligência que não seja artificial. E mais, que a inteligência não é exclusiva dos humanos. E é o facto de existirem inteligências compatíveis entre espécies que permitem o diálogo entre elas, entre humanos e cães, golfinhos, corvos, serpentes, de cavalos com cães e com aves.

Aquilo que damos o nome de Inteligência Artificial é, na realidade, um ensimesmamento. Uma vida de clausura como a da gruta de Platão. Um onanismo. Um ser humano interroga uma máquina e esta responde. Pura mistificação: o homem apenas obtém as respostas que já se encontra dentro do mundo descoberto, e, mais perigoso, descoberto por outro que o quer explorar. Aquilo que Elon Musk, para citar um personagem conhecido, apresenta como inteligência artificial é a velha técnica do alquimista: vender como ouro o pechisbeque, por novo o que é velho.

A utilização de supercomputadores, agora os computadores quânticos, com cada vez maiores capacidades de resolução não altera as duas questões fundamentais: estamos diante de um produto conhecido e temos de nos concentrar na utilização que é dada a essa renovada velharia. E a velharia renovada é descendente dos velhos astrónomos e adivinhos, de curandeiros e feiticeiros, dos ditadores, dos profetas, dos salvadores, dos pregadores de cruzadas. Os campos de concentração, os mais atrozes instrumentos de tortura foram e são obra da inteligência humana. Importante, pois, é que o sistema político que os gerou seja dominado por aqueles a quem repugnam e não por aqueles a quem servem. E os campos de concentração e tortura criados com o apoio da Inteligência Artificial não são diferentes de seus antecessores, apenas com o aumento da perversidade que os faz parecer mais aceitáveis.

Uma experiência pessoal. No início dos anos 90 fui nomeado para uma comissão técnica que aconselharia o Exército a adquirir um simulador de tiro e tática para carros de combate. Entre as companhias concorrentes encontradas-se uma israelo-americana e fui a Israel apreciaram o desempenho dos aparelhos. Conhecia os CC da geração da II GM e da Coreia — M47 e 48 — os novos CC eram um painel de computadores que na torre quer no compartimento de condução. Os CC atuaram coordenadamente com helicópteros e isso planejou um controle que apenas pôde ser executado por computadores. E as imagens eram sempre a verde ou a preto e branco, independentemente de serem de dia ou de noite e os inimigos eram apenas um ponto luminoso onde o apontador colocava uma cruz e fazia desaparecer. Não havia restos de corpos, nem ruídos, apenas a voz dos auscultadores, belo tiro .

Nos anos 90, a voar cerca de 30 km da marginal de Beirute, o ecrã do painel de instrumentos de um helicóptero israelense lia as matrículas das viaturas com um instrumento designado FLIR e uma arma poderia ser apontada através do eixo de visão do apontador.

Os sistemas modernos de há 20 anos já tinham um dispositivo designado IFF — Identificação amigo — inimigo — com um código de reconhecimento e regras estritas de emprego. Vi a filmagem de um incidente causado pela tecnologia, dois helicópteros dos EUA, um do Exército e outro dos Marines voam no mesmo campo de batalha, cumprindo missões diferentes interrogam-se através do IFF, são visíveis as silhuetas dos helicópteros, ainda hoje em utilização dos Black Hawk e dos Sea Hawk, americanos, do mesmo fabricante, a Sikorsky. A resposta do presidente dos fuzileiros navais não foi reconhecida pelo Exército e este disparou sobre ele automaticamente.

São exemplos de há mais de um quarto de século. Hoje interrogo-me a que ponto de desumanização chegámos quando o jovem piloto israelense, aos comandos do mais avançado caça um F35, superprotegido por toda a tecnologia, toca com um dedo num ecrã e sabe que duas toneladas de explosivos vão destruir uma escola, um hospital, um campo de refugiados. E o que pensam os dirigentes políticos que foram eleitos quando investem os recursos da inteligência humana para preparar seres robotizados que executem essas ações?

A associação da guerra à tecnologia, sendo o motor da civilização, é também o detonador da destruição. E todos nós conhecemos, mesmo que seja do cinema, o que é um explosivo – um aparelho (antigo) com um manípulo e que apenas um especialista manejava à ordem de fogo.

Hoje existem nuvens de explosivos comandados por sistemas em que os cidadãos não conhecem a lógica de disparo. Não há democracia, nem cidadania. Os cidadãos regressaram à condição de serviço.

A tecnologia pode e está a destruir os valores que consideramos basilares para a sociedade: a capacidade de alterar comportamentos nos decisores de todos os níveis dos mais altos aos mais baixos. De seleção de decisores e operações de sistemas programados para tomar determinadas decisões possíveis reais. Não há Deontologia que possa ser ensinada porque há meios tecnológicos para cortar o acesso a essas áreas do cérebro, como se cortava e corta com vesicante os tendões dos cavalos para eles não sentirem dor ao galopar e ao saltar.

2024 12 15

https://cmatosgomes46.medium.com/o-desafio-da-tecnologia-%C3%A0-deontologia-9bb2510b84bd

Carlos Matos Gomes - Inteligência Artificial e Perversidade Natural (1)


* Carlos Matos Gomes

Aquilo que para feitos de propaganda passou a ter a designação de Inteligência Artificial nada mais é que a aplicação de uma tecnologia para impor um domínio. Os nossos antepassados também utilizaram as suas capacidades físicas e intelectuais para afiar pedras de sílex porque estas lhes garantiam vantagens na luta contra os inimigos. Não por acaso ao longo da história os departamentos de guerra dedicaram tantos recursos a desenvolver meios tecnológicos que lhes permitissem ganhar vantagem sobre o inimigo. Um mero exemplo: o GPS é gerido pelo Departamento de Defesa dos EUA não é a voz de Inteligência Artificial que nos diz para viráramos à esquerda e direita num cruzamento é um instrumento de domínio político e social. É uma arma real, operada por dirigentes políticos reais, para atingir objetivos políticos reais pela força.

No caso dos seres humanos, que têm a perversidade como o pilar da ação para impor um domínio, o que atualmente se designa por inteligência artificial, é a versão atual da perversidade natural do homem que o leva a cumprir o seu desígnio: dominar, seja os seres da sua espécie, os das outras e o meio onde existem.

A descoberta da pólvora, da roda, do ábaco, da escrita, da bussola, do radar e do computador resultam de expansões das capacidades humanas. A fissão nuclear é uma expansão de capacidades existentes e coloca à humanidade o mesmo tipo de questão que já constava em quase todas as grandes religiões — os sistemas ideológicos: o Dilúvio, o Fogo devorador e destruidor, o Apocalipse, o Julgamento Final colocam desde o início da sua história enquanto espécie distinguível dos outros seres vivos, como os humanos se confrontam com os fenómenos naturais e que respostas lhes dão. Darwin encontrou uma resposta para a questão: os seres humanos resultaram da evolução de outros que procuraram melhores soluções de sobrevivência e domínio. Melhores defesas, melhores locais de ataque. Houve seres que voaram para as alturas, outros que mergulharam nas profundezas das grutas ou dos oceanos. Uns protegeram-se com carapaças, outros com venenos, outros com a agilidade e a velocidade. Em todo o caso, a inteligência enquanto condição de sobrevivência.

Aristóteles defendia que as coisas naturais podiam produzir mudanças dentro de si mesmas, enquanto as coisas artificiais não se podiam autoproduzir, nem existencialmente nem em mudanças, porque apenas o natural possui uma essência; o artificial apenas possui apenas matéria da qual é feito. A propriedade gerativa do artificial está na alma do artesão. Não existe inteligência artificial. Ou então somos criaturas artificiais!

Decisivo, na história do mundo que conhecemos, é saber quem controla o saber que permite impor um poder. As religiões, com os seus Criadores do Universo, foram o mais poderoso e eficaz meio de domínio da humanidade com a crença da existência (artificial) de um ente super inteligente. O computador absoluto e omnipotente. O computador que se criou a si mesmo.

Cabe interrogar se os Dez Mandamentos que segundo a narrativa bíblica foram entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai são obra de inteligência dita natural ou artificial? Que razões levaram Deus a criar os Mandamentos, a não ser a ameaça da desobediência, ou do desprezo, ou da troca pelo Bezerro de Oiro? Deus, pela voz dos seus sacerdotes, recorreu à inteligência artificial para vencer uma ameaça e impor o seu domínio? Ou ao medo natural para obter a aceitação do seu domínio? Ou à perversidade para converter os infiéis, isto é, os que não o reconhecem?

O bem de maior valor no interior de um computador é o poder que a informação confere. Trata-se do domínio político do saber. Tão velho como o controlo do Oráculo de Delfos. Quem estava por detrás dele? Ou do espião que descobriu a brecha nas ameias do castelo, ou de Josué que com o seu exército conquistou toda a região do Negueve, da área das planícies costeiras e das montanhas escarpadas. Liquidaram toda a gente da terra, segundo a ordem do Senhor, Deus de Israel; desde Cades-Barneia até Gaza e desde a terra de Gosen até Gibeão. Tudo realizado numa só campanha, porque o Senhor, o Deus de Israel, estava a lutar pelo seu povo. Só depois disso é que as tropas de Israel, sob a chefia de Josué, regressaram ao seu acampamento em Gilgal.

Quando os atuais manipuladores da opinião colocam a metade da humanidade mais informada a discutir se existe uma inteligência natural dentro das caixas cranianas e uma artificial no interior de uma caixa de computador estão a desviar a atenção do essencial e que é o poder político e económico que a informação contida nas bases de dados confere.

O que se encontra por detrás do que o marquetingue designou como IA é o poder, é a essência da política: que grupo domina a sociedade. Todos os artefatos produzidos pela inteligência são artificiais e todos servem a imposição de um poder. Tecnologia ao serviço do poder. Política em estado puro. Nada mais do que a tecnologia resultado da inteligência se encontra embarcada num bombardeiro F35, mas também nada mais que inteligência se encontra na manobra da águia que leva o corvo até uma altitude em que ele não consegue respirar em vez de gastar energia a sacudi-lo.

A IA coloca em causa a nossa civilização. A Inteligência Artificial tem e deve ser tomada pelos cidadãos, pelos políticos e pelos atores sociais como um negócio sujeito às mesmas regras que podemos encontrar em qualquer outro em que um detentor de uma posição dominante corrompe um decisor para manter os seus privilégios. Elon Musk não é um génio da inteligência — seja natural ou artificial — é apenas um pirata que se estabeleceu num ponto dominante e o defende. Tal como George Rooke, um inglês, fez ao ocupar Gibraltar com forças anglo-holandesas em 1704. Ou como fez Afonso de Albuquerque com a estratégia de ocupação de estreitos no Índico.

Os construtores de opinião forçam-nos a acreditar que existe uma inteligência natural e uma outra artificial. A inteligência de Elon Musk ou do falecido Kissinger é natural ou artificial, e a de Trump, ou de Biden, ou de Putin, ou de Netanyahou ou de Xi Ji Ping? E que importância tem essa discussão a não ser a de nos cegar para o essencial que eles pretendem dos cidadãos: obediência e fé. Regressamos ao fundamentalismo da Idade Média. E é obediência e fé que os humanos do século XXI pretendem que os seus sistemas políticos lhes ofereçam enquanto seres dotados de inteligência? É? Fica a interrogação para os eleitores e devoradores de telejornais.

2024 12 15

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Rodrigo Guedes de Carvalho - A vida tal como ela não é

Nasci sem telemóveis sequer no horizonte da imaginação e também lá passo mais tempo do que o saudável

Somos um planeta inteiro de turistas japoneses. Lembram-se, certamente, há muitos anos, quando só se conseguiam fotografias com máquinas para o efeito. Eram caras e conferiam estatuto. Os pais aprendiam a fotografar o melhor que conseguissem, a fim de registar a evolução da família, com as férias em lugar especial. Era preciso saber focar, ajustar a luminosidade, ter intuição, olho e velocidade para apanhar o instantâneo dentro de um movimento. Fotografava-se com fé. A cruzar os dedos, na esperança de que tivesse ficado bem, o que só se saberia semanas depois, após a revelação em casa da especialidade.

Uma boa câmara fotográfica pendurada ao pescoço provocava curiosidade e alguma inveja. Depois vieram os japoneses e democratizaram. Nasceram marcas mais acessíveis ao bolso e à aselhice. Claro que não só de um mesmo país. Lá dos orientes. A expressão turistas japoneses era um óbvio lato sensu. Designava os que apareciam pela Europa a disparar a tudo o que mexia ou imóvel permanecia há séculos. Eram molhos de turistas em frente aos históricos monumentos, a carregar nos gatilhos sem cessar. Comentávamos duas coisas, se bem se recordam. Que iam de certeza ficar com uma tralha enorme de fotografias iguais. E, acima de tudo, que pareciam mais interessados em gravar o momento do que em vivê-lo. Adiavam para o diferido. Veriam depois, quando regressassem a casa.


Algumas décadas passadas, somos todos esse turista. Já nem vou à declaração que se tornou, ela própria, um cliché: hoje está toda a gente agarrada ao telemóvel, a toda a hora. E sim, está. Deixou de ser indicativo de juventude, de modernidade, de nova geração para novos tempos. Nasci sem telemóveis sequer no horizonte da imaginação e também lá passo mais tempo do que o saudável. Tal como o meu pai. Como certamente o meu avô, se ainda andasse por cá. É uma máquina maravilhosa, pelas possibilidades cada vez mais infinitas. Cliché número dois: é o mundo na palma da mão. O que me preocupa é o hipnótico. Talvez seja coisa minha, pois que tenho sérios problemas com a sensação de falta de controlo. Não gosto de me meter num carro que não serei eu a conduzir. Tal como sempre foi o único real desconforto com os aviões.


O concerto importa-me pouco, importa-me que o concerto contou com a minha presença, e tenho aqui horas infindas de provas para exibir


Aflige-me o que não depende de mim. Por isso refiro a palavra hipnose. Há toda uma biblioteca de Alexandria com relatos de assombrosas sessões em que pacientes com traumas fundos resolvem muito assunto da cabeça e coração com uma boa hora em que foram conduzidos por um doutor que hipnotiza. Não é para mim. Não, não é por receio de deixar sair muitos segredos. Não tenho muitos, muito menos dos interessantes. É mesmo porque não acredito. E julgo saber que a hipnose tem de encontrar um mínimo de recetividade. Salvam-se, espera-se, as boas intenções terapêuticas, mas ninguém pode negar que há um manobrador e um manobrado.

É aqui, nesta curva, nesta intersecção, que coloco o telemóvel, ou as tecnologias, por atacado. Espero conseguir sempre perceber o ponto, a linha perigosa em que deixo de retirar da máquina o que me interessou para permitir-lhe que seja ela a retirar-me comando, ou mesmo vontade. Quando a máquina, depois de anos a aprender as minhas buscas, me começa a alimentar à boca saborosas coincidências. Turistas japoneses? Gente que nos espantava porque só parecia interessada em ver o mundo num ecrã? Que grava em vez de viver? Por favor. Hoje é autorretrato da Humanidade inteira. Vejam qualquer imagem do público que enche pavilhões ou estádios em concertos. Um mar de luzinhas. Em permanência. Poucos olham para o palco com os olhos de ver, olhos para absorver, para transformar mais tarde numa memória gratificante, daquelas que com o tempo se modificam, como as nuvens arrastadas pelos ventos lá em cima. E como essa sucessão de incertezas sobre o que vivemos afinal nos dava espaço para construir, moldar, remendar sentimentos. Já ninguém quer isso. Não vão aos concertos para sentir ou viver, ou para experimentar estados de alma. O estado de alma limita-se à frieza de um profissional de TV em serviço. Música após música, escolhem o filtro, a cor, as legendas sim ou não. Estão a realizar um filme que não veem. Nem no momento, nem depois. Ou alguém me quer convencer que estas filmagens infindas de concertos serão depois apreciadas com muita calma em casa? Serão esquartejadas em clips, stories, reels, fotos com efeitos, cuja finalidade (que começou logo na compra do bilhete) é dizer aos companheiros da rede social: eu estive aqui, eu estive lá. O concerto importa-me pouco, importa-me que o concerto contou com a minha presença, e tenho aqui horas infindas de provas para exibir. Também tenho centenas de fotos de pequenos-almoços de hotel. Não me lembro bem o que comi ou se me soube bem. Mas aqui está a prova. Nunca saímos do quadro de Magritte — isto não é um cachimbo. As pessoas sorriam, que parvoíce, é perfeitamente um cachimbo. Não era. Era a pintura de um cachimbo.  

Expresso SEMANÁRIO#2720 - 13/12/24

 

Raul Luis Cunha - Como obter e tratar a informação sobre a guerra na Ucrânia?

* Raul Luis Cunha

13 de dezembro de 2023  · 

Penso que a resposta é multidimensional. Não existe uma solução mágica para a questão de estar preparado para resistir contra a propaganda. Eu vejo isso em termos de dados bons e maus, tentando a remoção do aspecto “emocional” e sentimental. Podem-se desenvolver fontes de dados confiáveis ao fim de um longo período de tempo, sabendo quais são aquelas em que se pode confiar com base numa repetida confirmação do seu produto. Eu sigo as fontes para as quais desenvolvi uma boa aceitação ao longo do tempo, através de uma espécie de processo mental que as avalia quanto à sua credibilidade e baseado em quão escrupulosas foram durante um largo período na limpeza da sua informação.

É claro que o próximo aspecto é executar grandes quantidades de referências cruzadas. Em especial se for um tipo de afirmação importante, nunca podemos acreditar apenas na palavra de uma só fonte e devemos cruzar referências das alegações, tanto quanto possível, o que inclui tanto as do lado russo como as do lado ucraniano.

O próximo aspecto é psicológico. Eu sinto que há que entender a psicologia de cada nível das pessoas envolvidas, para avaliar adequadamente as informações que delas vêm. Um exemplo disto é que há muitos relatos vindos da linha da frente pelos próprios soldados que têm de ser filtrados com uma certa compreensão de que os soldados relatam as coisas de uma maneira particular, por vezes colorindo-as com eufemismos ou com um chauvinismo sobrecarregado que poderá adulterar um pouco o relato. Entretanto, quadros superiores, como alguns oficiais de imprensa, também têm dimensões psicológicas que precisam de ser compreendidas, como sejam, as pressões políticas para relatar os factos de uma determinada maneira, o minimizar de certas realidades “desconfortáveis”, etc.

Em suma, é necessária uma verdadeira experiência de longo prazo para desenvolver um instinto para todas essas coisas, instinto esse que começa a trabalhar de forma autónoma, levantando sinais de alerta e objecções sempre que necessário.

É claro que, no final de contas, nada supera uma quantidade brutal de dados para processar. Esta é a única área onde a maioria dos analistas falha, simplesmente devido ao seu compreensível tratamento desta área como se tratasse de um “part-time hobby”, pelo que acabam por não ter tempo para percorrer as enormes quantidades de dados com origem em todas as fontes concebíveis e, assim, obter uma boa noção do que está sustentado por várias verificações cruzadas e do que é mais frágil. Eu próprio pesquiso muitos mais destes “dados brutos” do que a generalidade dos analistas, e sinto que isso me dá uma imagem muito mais precisa do que realmente está a acontecer nas frentes de combate. E isso inclui seguir muitas fontes russas e muitas ucranianas e pró-ocidentais e observar constantemente as coisas a partir das suas perspectivas.

É óbvio que as fontes de alto nível, como personalidades, figuras políticas e propagandistas famosos, são na sua maioria inúteis, mas existem muitas fontes internas de contas reais das linhas da frente russas e ucranianas que relatam os factos de uma forma bastante pura e não adulterada ajudando a criar um quadro completo. Algumas delas são conversas internas entre as próprias tropas russas ou ucranianas e os seus camaradas, onde falam muito francamente, sem quaisquer das habituais “colorações” agressivas para consumo das massas.

Por último, quando tudo o resto falha, tenho as minhas próprias fontes pessoais, que muitas vezes também me podem dar perspectivas únicas.

Mas, como conselho geral para outros analistas, o mais importante é seguir as fontes de ambos os lados e não se resignar apenas a uma bolha de informação ou a uma câmara de eco. É preciso muita experiência para desenvolver o conhecimento e o instinto para separar fontes boas e confiáveis das más, não importa de que lado estejam. Além disso, seguir fontes de pelo menos três níveis diferentes da hierarquia, ou seja, militares no terreno, com relatos directos em primeira mão. Depois, relatos de nível médio e de segunda mão de correspondentes de guerra credíveis e outros que tais. Finalmente, cruzar tudo isso com os relatos das fontes “oficiais” de mais alto nível.

Nota: Este texto foi coligido da transcrição de parte de um dos artigos integrando um conjunto recebido via internet e depois adaptado para ficar conforme os meus procedimentos.

https://www.facebook.com/rauliscunha/posts/ 

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

John & Nisha Whitehead -- É melhor ter cuidado: o estado de vigilância está a fazer uma lista e você está nela



* John & Nisha Whitehead


“Ele vê-o quando está a dormir
Ele sabe quando está acordado
Ele sabe quando foi mau ou bom
Por isso, seja bom, pelo amor de Deus!
- O Pai Natal está a chegar à cidade”

É melhor você tomar cuidado, é melhor não fazer beicinho, é melhor não chorar, porque eu vou te dizer o porquê: neste Natal, é o Estado de Vigilância que está fazendo uma lista e verificando duas vezes, e não importa se você foi bom ou mau.

Você estará nesta lista, quer você goste ou não.

A vigilância em massa é a versão do Estado Profundo de um “presente” que continua dando… de volta ao Estado Profundo.

Redes de arrasto de geofencing . Centros de fusão. Dispositivos inteligentes. Avaliações de ameaças comportamentais. Listas de vigilância de terrorismo. Reconhecimento facial. Linhas de denúncias. Scanners biométricos. Pré-crime. Bancos de dados de DNA. Mineração de dados. Tecnologia precognitiva. Drones. Aplicativos de rastreamento de contato. Leitores de placas de veículos. Verificação de mídia social . Torres de vigilância .

O que tudo isso representa é um mundo em que, a qualquer dia, uma pessoa comum é monitorada, vigiada, espionada e rastreada de mais de 20 maneiras diferentes , tanto pelos olhos e ouvidos do governo quanto pelas empresas.

A Big Tech unida ao Big Government se tornou o Big Brother.

A cada segundo de cada dia, o povo americano está sendo espionado por uma vasta rede de voyeurs digitais, bisbilhoteiros eletrônicos e bisbilhoteiros robóticos.

Essa nova era assustadora de espionagem governamental/corporativa — na qual estamos sendo ouvidos, observados, rastreados, seguidos, mapeados, comprados, vendidos e visados ​​— foi possível graças a um exército global de tecno-tiranos, centros de fusão e voyeurs.

Considere apenas uma pequena amostra das ferramentas que estão sendo usadas para rastrear nossos movimentos, monitorar nossos gastos e farejar todas as maneiras pelas quais nossos pensamentos, ações e círculos sociais podem nos colocar na lista negra do governo, independentemente de você ter feito algo errado ou não.

Rastreando você com base no seu telefone e movimentos : Os celulares se tornaram de fato informantes, oferecendo um fluxo constante de dados de localização digital sobre os movimentos e viagens dos usuários. Por exemplo, o FBI conseguiu usar dados de geofence para identificar mais de 5.000 dispositivos móveis (e seus donos) em uma área de 4 acres ao redor do Capitólio em 6 de janeiro. Essa última tática de vigilância pode levá-lo à prisão por estar no "lugar e hora errados". A polícia também está usando simuladores de sites de celular para realizar vigilância em massa de protestos sem a necessidade de um mandado. Além disso, os agentes federais agora podem empregar uma série de métodos de hacking para obter acesso às atividades do seu computador e "ver" o que você está vendo no seu monitor. Softwares maliciosos de hacking também podem ser usados ​​para ativar remotamente câmeras e microfones, oferecendo outro meio de vislumbrar os negócios pessoais de um alvo.

Rastreando você com base no seu DNA. A tecnologia de DNA nas mãos de funcionários do governo completa nossa transição para um Estado de Vigilância . Se você tiver o azar de deixar seus rastros de DNA em qualquer lugar onde um crime foi cometido, você já tem um arquivo em algum banco de dados estadual ou federal — embora possa ser um arquivo sem nome. Ao acessar seu DNA, o governo logo saberá tudo o mais sobre você que ele ainda não sabe : seu mapa familiar, sua ancestralidade, sua aparência, seu histórico de saúde, sua inclinação para seguir ordens ou traçar seu próprio curso, etc. Afinal, uma impressão de DNA revela tudo sobre “ quem somos, de onde viemos e quem seremos ”. Também pode ser usada para prever a aparência física de possíveis suspeitos. É apenas uma questão de tempo até que a perseguição do estado policial aos criminosos se expanda para o perfil genético e uma caça preventiva aos criminosos do futuro .

Rastreando você com base no seu rosto : o software de reconhecimento facial visa criar uma sociedade na qual cada indivíduo que sai em público é rastreado e registrado enquanto realiza suas atividades diárias. Juntamente com câmeras de vigilância que cobrem o país, a tecnologia de reconhecimento facial permite que o governo e seus parceiros corporativos identifiquem e rastreiem os movimentos de alguém em tempo real. Um programa de software particularmente controverso criado pela Clearview AI foi usado pela polícia, pelo FBI e pelo Departamento de Segurança Interna para coletar fotos em sites de mídia social para inclusão em um enorme banco de dados de reconhecimento facial. Da mesma forma, o software biométrico, que depende dos identificadores exclusivos de uma pessoa (impressões digitais, íris, impressões de voz), está se tornando o padrão para navegar em filas de segurança, bem como contornar fechaduras digitais e obter acesso a telefones, computadores, prédios de escritórios , etc. Na verdade, um número maior de viajantes está optando por programas que dependem de sua biometria para evitar longas esperas na segurança do aeroporto. Os cientistas também estão desenvolvendo lasers que podem identificar e vigiar indivíduos com base em seus batimentos cardíacos, cheiro e microbioma .

Rastreando você com base em seu comportamento : Avanços rápidos na vigilância comportamental não estão apenas possibilitando que indivíduos sejam monitorados e rastreados com base em seus padrões de movimento ou comportamento, incluindo reconhecimento de marcha (a maneira como alguém anda), mas deram origem a indústrias inteiras que giram em torno da previsão do comportamento de alguém com base em dados e padrões de vigilância e também estão moldando os comportamentos de populações inteiras. Um sistema de vigilância "anti-motim" inteligente pretende prever motins em massa e eventos públicos não autorizados usando inteligência artificial para analisar mídias sociais, fontes de notícias, feeds de vídeo de vigilância e dados de transporte público.

Rastreando você com base em seus gastos e atividades de consumo : Com cada smartphone que compramos, cada dispositivo GPS que instalamos, cada conta X/Twitter, Facebook e Google que abrimos, cada cartão de comprador frequente que usamos para compras — seja no supermercado, na loja de iogurte, nas companhias aéreas ou na loja de departamentos — e cada cartão de crédito e débito que usamos para pagar nossas transações, estamos ajudando as empresas americanas a construir um dossiê para seus equivalentes governamentais sobre quem conhecemos, o que pensamos, como gastamos nosso dinheiro e como gastamos nosso tempo. A vigilância do consumidor, pela qual suas atividades e dados nos reinos físico e online são rastreados e compartilhados com anunciantes, se tornou um grande negócio, uma indústria de US$ 300 bilhões que rotineiramente coleta seus dados para obter lucro . Corporações como a Target não apenas rastreiam e avaliam o comportamento de seus clientes, particularmente seus padrões de compra, há anos, mas o varejista também financiou uma grande vigilância em cidades por todo o país e desenvolveu algoritmos de vigilância comportamental que podem determinar se os maneirismos de alguém podem se encaixar no perfil de um ladrão .

Rastreando você com base em suas atividades públicas : Corporações privadas em conjunto com agências policiais em todo o país criaram uma rede de vigilância que abrange todas as principais cidades para monitorar grandes grupos de pessoas perfeitamente, como no caso de protestos e comícios. Eles também estão se envolvendo em extensa vigilância online, procurando por quaisquer indícios de “ grandes eventos públicos, agitação social, comunicações de gangues e indivíduos criminalmente predicados ”. Os contratados de defesa estão na vanguarda desse mercado lucrativo . Os centros de fusão, US$ 330 milhões por ano, centros de compartilhamento de informações para agências federais, estaduais e de aplicação da lei, monitoram e relatam comportamentos “suspeitos”, como pessoas comprando paletes de água engarrafada , fotografando prédios governamentais e solicitando uma licença de piloto como “atividade suspeita”.

Rastreando você com base em suas atividades nas redes sociais : Cada movimento que você faz, especialmente nas redes sociais, é monitorado, minerado em busca de dados, processado e tabulado para formar uma imagem de quem você é, o que o faz funcionar e como melhor controlá-lo quando e se for necessário colocá-lo na linha. Como o The Intercept relatou , o FBI, a CIA, a NSA e outras agências governamentais estão cada vez mais investindo e confiando em tecnologias de vigilância corporativa que podem minerar discursos constitucionalmente protegidos em plataformas de mídia social como Facebook, Twitter e Instagram para identificar extremistas em potencial e prever quem pode se envolver em futuros atos de comportamento antigovernamental. Essa obsessão com as mídias sociais como uma forma de vigilância terá algumas consequências assustadoras nos próximos anos . Como Helen AS Popkin, escrevendo para  a NBC News , observou: "Podemos muito bem enfrentar um futuro em que algoritmos prendem pessoas em massa por fazer referência a downloads ilegais de 'Game of Thrones' ... o novo software tem o potencial de rolar, no estilo Terminator, mirando em cada usuário de mídia social com uma confissão vergonhosa ou senso de humor questionável."

Rastreando você com base em sua rede social : Não contentes em apenas espionar indivíduos por meio de suas atividades online, agências governamentais agora estão usando tecnologia de vigilância para rastrear a rede social de alguém , as pessoas com as quais você pode se conectar por telefone, mensagem de texto, e-mail ou por mensagem social, a fim de descobrir possíveis criminosos. Um documento do FBI obtido pela Rolling Stone fala sobre a facilidade com que os agentes conseguem acessar dados da agenda de endereços do WhatsApp do Facebook e dos serviços iMessage da Apple a partir de contas de indivíduos visados ​​e indivíduos não investigados que podem ter um indivíduo visado em sua rede. O que isso cria é uma sociedade de "culpa por associação" na qual todos somos tão culpados quanto a pessoa mais culpada em nossa agenda de endereços.

Rastreando você com base no seu carro : Leitores de placas são ferramentas de vigilância em massa que podem fotografar mais de 1.800 números de placas por minuto, tirar uma foto de cada número de placa que passa e armazenar o número da placa e a data, hora e local da foto em um banco de dados pesquisável, depois compartilhar os dados com a polícia, centros de fusão e empresas privadas para rastrear os movimentos de pessoas em seus carros. Com dezenas de milhares desses leitores de placas agora em operação em todo o país, afixados em viadutos, carros de polícia e em setores comerciais e bairros residenciais, ele permite que a polícia rastreie veículos e execute as placas em bancos de dados da polícia para crianças sequestradas, carros roubados, pessoas desaparecidas e fugitivos procurados. Claro, a tecnologia não é infalível: houve vários incidentes em que a polícia erroneamente confiou em dados de placas para capturar suspeitos apenas para acabar detendo pessoas inocentes sob a mira de uma arma.

Rastreando você com base em sua correspondência : Quase todos os ramos do governo — do Serviço Postal ao Departamento do Tesouro e todas as agências entre eles — agora têm seu próprio setor de vigilância , autorizado a espionar o povo americano. Por exemplo, o Serviço Postal dos EUA, que vem fotografando o exterior de cada pedaço de correspondência em papel nos últimos 20 anos, também está espionando textos, e-mails e postagens de mídia social dos americanos. Liderado pela divisão de aplicação da lei do Serviço Postal, o Programa de Operações Secretas da Internet (iCOP) está supostamente usando tecnologia de reconhecimento facial, combinada com identidades falsas online , para descobrir possíveis encrenqueiros com postagens "inflamatórias". A agência alega que a vigilância online, que está fora de seu escopo de trabalho convencional de processamento e entrega de correspondência em papel, é necessária para ajudar os funcionários dos correios a evitar " situações potencialmente voláteis ".

Agora o governo quer que acreditemos que não temos nada a temer desses programas de espionagem em massa, desde que não tenhamos feito nada de errado.

Não acredite.

A definição do governo de um "bandido" é extraordinariamente ampla e resulta na vigilância sem mandado de americanos inocentes e cumpridores da lei em uma escala impressionante.

Como deixo claro no meu livro Battlefield America: The War on the American People e em sua contraparte fictícia The Erik Blair Diaries , a vigilância, o stalking digital e a mineração de dados do povo americano — armas de conformidade e controle nas mãos do governo — não tornaram a América mais segura. E certamente não estão ajudando a preservar nossas liberdades.

De fato, a América nunca estará segura enquanto o governo americano tiver permissão para destruir a Constituição.

WC: 1897


09 de dezembro de 2024

https://osbarbarosnet.blogspot.com/2024/12/e-melhor-ter-cuidado-o-estado-de.html
https://www.rutherford.org/publications_resources/john_whiteheads_commentary/surveillance_state_is_making_a_list_and_youre_on_it

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Luís Osório - A história de amor de Carlos Paredes com a jovem guitarrista por quem se apaixonou


* Luís Osório 

Na última semana antes do 25 de Abril, a história de uma amor improvável entre o génio Carlos Paredes e a jovem guitarrista por quem se apaixonou

1.

Conheci Carlos Paredes quando ele já só podia sorrir.

Em criança tinha estado com ele várias vezes, mas aí não conta, aí os adultos passam pelos filhos dos amigos como vinha vindimada, dão beijinhos e abraços, mas os beijinhos e abraços não são, na maior parte das vezes, vínculos de futuro.

O grande mestre da guitarra portuguesa era amigo do meu pai.

E foi nessa condição, de filho do meu pai, que a Luísa Amaro, sua companheira me desafiou para o ir ver ao Lar Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa.

Corria o ano de 1994 ou 1995, por aí.

Fez trinta anos que entrei no seu quarto e ele me sorriu.

Já não falava, mas ouvia música.

E ainda via televisão.

2.

Infelizmente não voltaria a tocar.

A doença neurológica deixou-o dependente de cuidados durante nove anos.

Entrou no lar em 1993 e partiu no verão de 2004.

Quando a notícia chegou aos ouvidos dos portugueses alguns julgavam que já tinha morrido.

Acontece-nos muito, não é?

Deixamos de aparecer e morremos antes de morrer.

Carlos Paredes, o génio mais humilde que este país já conheceu, a partir de certa altura foi para dentro. Tinha os olhos abertos, mas já não via, deixara de sorrir.

Mas Luísa Amaro esteve sempre à beira da sua cama.

Caminhou para o lar todos os dias durante nove anos.

3.

Carlos convidara-a para tocar com ele.

Luísa acabara de fazer 25 anos e era uma enorme esperança da guitarra portuguesa. Católica e empenhada na carreira apaixona-se por Paredes depois do primeiro espetáculo que fizeram juntos.

Viveram dez anos dedicados um ao outro.

E depois Luísa viveu mais dez anos totalmente dedicada a Carlos Paredes.

Luísa Amaro, é justo que se diga, sofreu na pele o preconceito de uma sociedade que condenava as mulheres a serem párias.

Ouviu de tudo e ouviu até de alguns músicos – que estava com Carlos por interesse, que desejava aproveitar-se do seu nome e projeção, que não tinha direito a nada se ele morresse.

4.

Só que Carlos Paredes caiu numa cama e deixou de ser falado.

E ouvido.

Mas Luísa Amaro caminhou todos os dias para aquela cama onde se sentava, onde punha música, onde tocava para ele as partituras que compunha, onde lhe contava de temas domésticos, onde esperou até ao último minuto que voltasse a sorrir.

Nesta última semana antes do 25 de Abril quis recordar Paredes.

E homenagear essa extraordinária compositora, guitarrista e mulher de Carlos Paredes a quem voltarei a aplaudir no meu monólogo na Figueira da Foz.

2024 04 16

https://antena1.rtp.pt/programas-antena-1/a-historia-de-amor-de-carlos-paredes-com-a-jovem-guitarrista-por-quem-se-apaixonou

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Carlos Matos Gomes - A cultura das tias de Cascais

* Carlos Matos Gomes -


Quem não tem vergonha todo o mundo é seu. Pinto Balsemão não é conhecido por ser uma personalidade coerente, nem ter um pensamento político estruturado, nem sequer por se orientar por princípios. 

A cultura das tias de Cascais e dos meninos da Quinta da Marinha não produz exemplares de caráter. Nem fiáveis. É malta mais de canapés do que de boa fé. Mais de valores da bolsa do que dos de inteligência moral. 

Pinto Balsemão abrilhantou com um toque de modernidade e burguesia pós II Guerra a ditadura do Estado Novo. Foi deputado de uma ditadura. Fundou um jornal importante para lavar a cara da ditadura. Mas quanto a ditaduras e Balsemão, ele deve estar convenientemente esquecido que foi chefe do 8º governo constitucional de 1983 a 1985. Não viu qualquer inconveniente em defender regimes como a ditadura brasileira (1964-1988) e a do Chile (1973-1990) e de defender o regime de ditadura teocrática da Arábia Saudita.

É fruste a justificação que Pinto Balsemão dá para apoiar a aliança do partido que começou por ser Popular e nunca chegou a ser Social Democrata (aonde se acolheram os órfãos da União Nacional, crismada Ação Nacional Popular) com os fascistas do Chega, de o PCP defender o regime da Coreia do Norte (o que é falso tanto quanto li nos escritos do PCP que se limita a defender o direito da Coreia do Norte a existir num contexto muito complexo, entre a China e os EUA - mas o que interessa a verdade?).

É fruste, mas revela as fracas raízes democráticas de Balsemão (como de alguns dos fundadores do PPD/PSD) e essa fraqueza de princípios dos mentores de um dos  partidos mais  importantes do regime após o 25 de Abril de 1974 explica muitas das dificuldades de implantação de Estado de direito e e de justiça. Explica fenómenos desviantes como os de Cavaco Silva ou de Passos Coelho...  

É que se os mais asseadinhos e ilustradinhos dos fundadores do PPD/PSD (expressão de outro produto da mesma frutaria) está disposto a estes convívios com os sucessores dos antigos legionários e graduados da MP, como será o maralhal da geral? 

2024 11 29
https://foicebook.blogspot.com/2024/11/a-cultura-das-tias-de-cascais.html

Ricardo Araújo Pereira - Considerações sobre arte e bananas

Estranho Ofício
 
* Ricardo Araújo Pereira  

Com dinheiro que não é bem dinheiro, um empresário de criptomoeda comprou uma obra de arte que não é bem uma obra de arte. Parece-me apropriado

Durante a II Guerra Mundial, em resultado das restrições impostas pelo racionamento, os merceeiros do Reino Unido punham na janela um cartaz dizendo “Yes! We have no bananas” (“Sim! Não temos bananas”). Era uma referência a uma música muito conhecida, composta uns 20 anos antes, e pretendia contrariar, com alguma alegria, o infortúnio de não haver bananas. No entanto, por muita falta que as bananas fizessem, ninguém se lembraria de dar 6,2 milhões de dólares por uma, como acabou de fazer um empresário de criptomoedas. (Empresário é o nome que os jornais lhe dão. Eu chamo feiticeiro, porque não percebo o produto que ele transacciona nem o feitiço através do qual ele passa a ter valor. Os especialistas explicam que se trata de uma moeda digital com tecnologia blockchain criada através do processo de mining, o que significa que os especialistas também não sabem o que é.) Foi esse empresário que comprou a obra de arte que consiste numa banana colada à parede com uma fita adesiva cinzenta. Na verdade, ele não comprou exactamente a obra de arte. Ele comprou, digamos, a ideia da obra de arte. A troco de 6,2 milhões de dólares, ficou com um conjunto de instruções sobre o modo de expor a obra e um certificado de autenticidade que assegura que, sempre que ele colar uma banana à parede com aquela fita adesiva, essa será a obra verdadeira, diferente de qualquer outra banana que um de nós possa colar à parede com a mesma fita — que será apenas um objecto estúpido, a caminho de apodrecer e ir parar ao lixo. Ou seja, com dinheiro que não é bem dinheiro, ele comprou uma obra de arte que não é bem uma obra de arte. Parece-me apropriado.


JOÃO FAZENDA

Podemos considerar uma idiotice dar 6,2 milhões de dólares por uma banana, mas isso é ser insensível às qualidades da banana. 
Não contem comigo para ser insensível às qualidades da banana. A banana não é um fruto qualquer. A sua versatilidade, muito superior à das outras frutas, permite-lhe ser convocada para o universo humorístico, por causa da casca, para o universo sexual, por causa da forma, para o universo musical, por causa das suas três divertidas sílabas. Além disso, a banana é o único fruto que é também um insulto. Perante uma pessoa particularmente passiva ou cobarde, ninguém diz, pretendendo ofender: tu és mesmo umas uvas. Só a banana tem a potência necessária para ultrajar. A grande lição deste caso é esta: um banana comprou uma banana — o que acrescenta nova camada artística a uma obra já tão rica em significados.

Ricardo Araújo Pereira escreve de acordo com a antiga ortografia 

https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2718/html/revista-e/estranho-oficio/opiniao/consideracoes-sobre-arte-e-bananas