sábado, 24 de fevereiro de 2024

Carlos Coutinho - Folias

* Carlos Coutinho


   Dois dias depois do Domingo Gordo, nunca falha uma foliona terça-feira com o seu Entrudo e, pelo menos para os católicos e seus vizinhos do lado, lá vem também a Quarta-Feira de Cinzas, que sempre dá início ao mórbido percurso da Quaresma

   É tradição no Domingo Gordo, aquele que precede o Carnaval e em muitos lugares é precedido pelo Domingo Magro, sendo que este só serve para meditar e orar, enquanto que no gordo se come à fartazana iguarias pesadas, como o cozido à portuguesa, uma das diversas feijoadas que são quase nacionais, ou as papas de sarrabulho que, ao contrário da vulgaridade nortenha, sobretudo minhota, são cozinhadas com mel e miolo de noz - uma sobremesa deliciosa na minha infância duriense. 

   Geralmente, em tempos antigos, com a matança do porco por alturas do Natal, as carnes mais gordas eram cuidadosamente guardadas e salgadas pelas famílias para serem saboreadas neste dia.

   Quanto ao Entrudo, sabe-se que é coisa tão antiga que até se julga haver recebido o nome do latino introitum historicamente também designado como entroydo e ontroydo (século XIII), entruido (século XIV) e entrudo (século XV). Por cá era um folguedo galaico-português realizado nos três dias que antecedem a entrada da Quaresme e nos quais os foliões arremessavam baldes de água, limões de cheiro, ovos, tangerinas, pastelões e luvas cheias de areia, golpeavam-se com vassouras e colheres de pau e sujando-se com farinha, gesso, etc. 

   Depois vinha a Quarta-Feira de Cinzas (Feria quarta cinerum, em latim) que é, como se sabe, o primeiro dia da sorumbática Quaresma, que, no calendário católico, é quando se recebe aqueles restos de fogueira devidamente peneirados que neste dia são um símbolo da reflexão a ter sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a passageira, transitória, efémera fragilidade da vida humana, sujeita à necessária e implacável morte. O desgraçado étimo quaresma  é originário do latino ‘quadragesima dies’ (quadragésimo dia).

  Já quanto à Quinta-Feira Santa,  ou Quinta-Feira de  Endenças, ou Grande e Sagrada Quinta-Feira, é o quinto dia da Semana Santa no cristianismo ocidental o sexto no oriental (que  tem também o Sábado de Lázaro, anterior ao Domingo de Ramos. É neste dia que se comemora o lava-pés e a Última Ceia, segundo o relato dos evangelhos canónicos e a enigmática pintura de Da Vinci.

   Já a Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão ou Sexta-Feira Maior é uma data religiosa cristã que relembra a crucificação do Mestre e a sua morte no Calvário enquanto o  Sábado de Aleluia (em latim: Sabbatum Sanctum), também conhecido como Sábado Santo é a véspera da Páscoa, 

   Em termos litúrgicos, o Sábado Santo vai até às 18 horas consideradas o início do crepúsculo, começando logo a Vigília Pascal  que inicia oficialmente a Época da Páscoa. 

   No mundo o ortodoxo, este dia, conhecido como Grande e Santo Sábado, é chamado também Grande Sabá  pois foi neste dia que Jesus “descansou”. Nas tradições coptas, etíopes e eritreias, este dia é conhecido como Sábado de Alegria.

   Os ramos que os fiéis levam são um desastre para muitos milhões de árvores, por esse mundo fora, mas ainda não havia ecologia ambiental quando tal tradição se estabeleceu. 

Coisas…

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