Meus Senhores e de Senhores,
Amigos, Terceirenses, Aquenses :-
Ha quinhentos anos... a 14 de Agosto de 1385. Um grupo de homens serenos, fêz-se ouvir perante as pêsas hastes. Gigantes, sim, mas serenos no seu e especial modo de conceber a soberania popular.
A força do exército - o exercito, assim de Povo - o mais que nada mais édo que uma agremiação de homens escolhidos para a defesa do Pais. E o Povo compreendia bem que assim e só assimplhe conviria.
Fortes era a idéia de defender a sua patria e a sua auto soberania - e a forma imperiosa e infinitamente nobre.
A 28 de Maio, infelizmente para os portugueses, esqueceram a Pátria e todos os erros que daí nos vêm. Como pois, o Senhor não devia ser o mais generoso!
Portugueses, Terceirenses!-
Ah! Fates ha vir que ao Governo se deviam as honrarias de uma Epopeia e chamaram depois a expedição que teve a ver com execuções de baixesa, na saha da Silva a coluna do desrespeito nacional; mas preferiram impor a um Povo sincero o culto do militarismo da meia-duzia. E é isto o que se está a tentar nos teatros onde se assiste, de um modo novo, a repressão com o concurso da policia.
Nós já tivemos oportunidade de poder falar do Povo, mas o termo que dele tem se mostrado nas multidões, revela a reacção da essa metade e dos que tèm mostrado ser de duro, quando já não tem duvidas, hoje nos é exigido a coragem e a palavra que aqueles não têm, mas nos deviam ter feito e que se nos exige o dever para dar, como a mim me exige o me u dever.
Desde 18 de Maio na Praça do Comercio, onde começou esse despejo de o-dio, basta colocar nas notas da imprensa as dezenas de facas, tacos de golfe e as escopetas de caça da multidão a perturbar a paz, provocando, agredindo, insultando, insultado os sargentos e praças da policia contra o Povo que os NÚMEROS nos mostram, mas o Povo e sereno, e a cada a págia que nos deixa indignados e honra a nossa honra, a mim me dizem que tudo este no-ticiario lido em Coimbra, se escreve a um tom igual em todo o Paiz para iludir-se se esse Povo não se lembra de levas como essa, e para o que me vale na sua fé na hora do voto.
Pessoas, apontais que os abusos de autoridade praticados ha dois anos, sobressai a propaganda do sistema, não se enganem dizendo o nosso numero - porisso o que importa é declarar todos esses tumultos... Nós nos iremos a fa-zer-nos anunciar no Porto se for preciso, a fim de expor a verdade a essa gente, com a de-terminação de ser-se quem precisa de ser sincero.
Mais ainda: se de um lado nos dizem que tudo esta calmo nas ruas que nos deixaram na comédia que querem as reações, e como na hora eleitoral, e de
número forçosamente reduzido dada a cilada montada pelo Govêrno ao Povo de Lisboa, desviando-me da Baixa.
Coitados; habituados às homenagens preparadas com camionetas e dispensa de trabalho dos manifestantes, tudo apoiado, bem guardado pelas polícias, tudo pago pelo nosso bolso, até do pouco que nos resta têm inveja.
E sabeis porquê ? Porque a alma, entusiasmo, fé e valentia, sem as costas cobertas por baionetas, são coisas que se não compram. Nem tudo se compra com dinheiro, nem mesmo reforçando os gastos confidenciais do Ministério do Interior como acabam de fa
Têm dinheiro, o nosso, mas não têm s
Vós assistiteis em Lisboa. Dizem-me que grupos de polícia politica, desordeiros a soldo do Govêrno, capitaneados por um alto servidor do Estado, pretenderam realizar uma contra-manifestação, até com a colaboração de elementos que tiveram o cuidado de meter na carruagem em que viajei, e me barravem a porta para eu não sair do comboio. Que métodos Nasis, meus Senhores ! Mas coitados, não contavam com a vóz do Povo, que não tem pão, mas que tem alma e coragem. Depois, Forças Armadas dependentes do Ministério do Interior, obrigaram-me a seguir um trajecto de modo a evitar que o Candidato Independente à Presidência da República atravessasse as ruas do centro da cidade, onde na véspera, a convite das várias direcções do Ministério da Educação Nacional, e perante a indiferença da população, se organizaram com cartazes e alto-falantes uma das tais manifestações expontâneas de "desagravo" do Dr. Oliveira Salazar. Depois de vários incidentes, e de Lisboa ter assistido a cargas de cavalaria e tiroteio, fiquei detido pela PIDE e por forças policiais na minha residência. Ao querer dirigir-me para a Séde dos serviços da minha candidatura, elementos que deviam ser da PIDE e sem qualquer respeito pelas minhas prerrogativas de oficial general, resistiram à minha tentativa para sair de casa.
Enquanto eu estava prisioneiro do Govêrno, na presença do Ministro da Presidência e do Ministro do Interior, o Secretário da Informação, entregava aos jornalistas uma nota oficiosa em que se atribuia ao povo as desordens provocadas pelas forças da polícia. Curioso ! Canc na Russia. São êstes os métodos usados pelos nossos adversários. Mas Senhores que somos nós? Um rebanho ou nove milhões de portuguêses ?
Já na minha viagem ao Norte, a comitiva que me acompanhava, se viu reduzida de dezenas de automóveis, a três, ou vá lá quatro, porque a Guarda Republicana barrando as estradas, não deixava passar mais !! Depois em Lisboa, sob a ameaça do fogo de metralhadoras das forças repressivas do vosso entusiasmo, êste número foi limitado a um só carro, ao carro onde seguia o Candidato à Presidência da República.
Não foi reduzido a zero o número de carros, acabando com o meu, não porque lhes faltasse vontade, mas porque ao menos por agora seria escândalo de mais liquidarem-me. Mais: os jornais receberam ordens para não publicarem fotografias de aspectos da multidão do Porto ! Onde se desceu meus Senhores não sabe a Nação. A Censura não deixou.
Sim, eu convido o Sr. Presidente de Conselho, Ministro da Presidência e Ministro do Interior, a negarem em nota oficial que a imprensa foi proibida de apresentar fotografias referentes à multidão que me apoia ! Sim, se minto que se diga.
E então só deixaram publicar aquelas em que parece que estou só.
Já é mêdo, Senhores !
O copo transbordou, sedento de justiça mas o Govêrno não quere ver. Continua a pontificar como professor para meninos !!
A nota oficiosa, alarmante, mistificadora, no estilo sibilino tão conhecido pretende explicar em termos de desordem a impopularidade de um Govêrno e a falência de um chefe, disciplo amoleto de Hitler e Mussolini. Mas já não eludem ninguem a não ser a União Nacional e os sugadores do Povo, do tipo daquele que pode receber só num ano três mil contos pelo seu trabalho, a dirigir os belos diamantes, ao mesmo tempo que desgraçados chefes de família vivem com os seus em regime de subalimentação, bem como os seus filhos, com menos por mês do que êles gastam em charutos por dia.
Escolhido o caminho da Liberdade, da justiça e da conciliação nacional, nem as balas do Rossio já vos amedrontam e, portanto, o Govêrno está perdido. Nós somos a Paz como se viu há dias na Povoa de Varzim, quando a polícia em massa batia nos meus adeptos só por gritarem o meu nome e eu impus a ordem em duas palavras, passando depois no maior silêncio para pôr a coroa no Monumento aos Mortos na Grande Guerra. Cinquenta polícias e um capitão do Exército, que nem me queria mostrar a cara, fizeram menos do que um homem pacífico.
Homem do Povo e ao serviço do Povo, do Povo nada tenho a temer. Por isso andar no meio dêle, apesar dos esbirros pagos para fazerem de provocadores. Por isso posso fazer o que não pode aquele que se esconde e oculta, aquele que há trinta anos, sombrio e taciturno, sempre mal disposto nos oprime. Sim, êsses tem mêdo, êsse que nunca conheceu o prazer, a alegria de viver e comunicar com o Povo. Entre êle e a Nação uma muralha policial — o silêncio, a Censura, a propaganda paga. Tudo tenebroso desde as torturas aos prêsos que tambem a Censura eliminou em entrevista que dei. A falta de pudor vai ao ponto de os jornais de ontem terem completamente dilacerado a notícia referente à conferência de imprensa.
Êles que usam alto-falantes pagos por nós, para as suas manifestações expontâneas, mandaram apreender o pequeno alto-falante de mão que um voluntário usava à frente do meu carro, nos arredores do Porto. Pois isto, meus Senhores, não pode dizer-se aos jornais, apesar de eu ter aqui comigo o recibo que exigi ao tenente da Guarda Republicana, que, pareceu-me até com certa vergonha, cumprir está ordem, como era seu dever. Quere dizer: o Govêrno apesar da falta de pudor, às vezes envergonha-se tanto do que faz que não quere que se saiba...
Onde se desceu.
E agora já não admira que em época de eleições, o Ministro da Defeza, um capitão que se promoveu até coronel sem um dia de quartel - venha pôr a Fôrça Armada ao serviço do partido do Govêrno, ao afirmar publicamente que a "Força Armada, toda a Fôrça Armada de Portugal, está, estará, e ficará sempre ao lado do Sr. Almirante Américo Tomás".
No meu entender e no dos milhares dos meus adeptos, isto constitue um [insulto] aos oficiais das Forças Armadas, pois êstes têm direito ao voto, e podem querer votar noutro que não seja o Sr. Almirante Américo Tomás. Esta afirmação, vinda de quem vem, implica uma ameaça militar à Nação inerme, ofende a Constituição, diminue o candidato da União Nacional, pois parece que êle se apoia em balas em vez de votos, além de criar um ambiente de alarme colectivo, espécie de prelúdio de guerra civil, que me cumpre denunciar, como cidadão pacífico.
Sim, o Sr. Santos Costa é muito pouco nêste País para se permitir dizer que milhares de oficiais lhe empenharam a sua consciência de eleitores. Quantos ouviu ?
Protesto, pois, com veemência e tanto mais que não é a primeira vez que se exerce esta pressão abusiva em campanhas eleitorais.
As Fôrças Armadas não pertencem ao Sr. Santos Costa nem à União Nacional, pertencem à Nação.
Pedem alguns ingénuos e sequazes do Govêrno que esta candidatura apresente um programa mais pormenorizado. Bem se explica na proclamação que o Presidente da República não governa nem legisla. Dentro do que o País anseia, a minha candidatura foi bem clara no programa que propus e se baseia fundamentalmente nos meios necessários para criar a pacificação da Família Portuguêsa, através da implantação do artº.8º. da Constituição que garante as liberdades primordiais negadas pelo actual Govêrno tirano, e pela Amnistia geral que brutalmente êste continua a negar.
Depois de eleições sérias gerais e livres, e que a Nação dite o seu destino.
Sem liberdade quanto se perde ! E assim junto ao clamor do Povo que me acompanha e incita, sedento de liberdade e de pão, pronuncia-se o melhor, o mais rico da inteligência portuguêsa — os intelectuais perseguidos, os universitários sem meio de trabalho; os artistas abandonados, os escritores humilhados pela censura, os técnicos impossibilitados de dar o seu pleno rendimento, os jornalistas amordaçados, enfim, tudo o que noutros povos representa o verdadeiro nivel de cultura.
O que possa haver de dureza nas minhas palavras tem um significado — apenas a defeza do que é vital para o nosso povo.
Na vida de concórdia que ambicionamos não haverá lugar para vencidos e vencedores, mas sim para um povo humilde e livre.
Duvida-se, porém, que o "facies" despótico e estático do actual govêrno permita que o povo português tenha suficiente confiança nele para presidir às eleições, depois de tanta promessa que fez e a que faltou de forma que nem desejo classificar nêste comício público.
A Sua Excelência o Senhor Presidente da República, eu transmito o anseio de uma Nação que pede se demita êste governo descreditado perante tudo o que é do conhecimento geral, e nomeie outro, neutro, que com o apoio digno das Forças Armadas, que só pretendemos enobrecer, permita que a Nação faça realmente a sua escolha, fora de um ambiente de terror e de pressão.
Meus Senhores! que esta noite acabe com a minha homenagem ao povo de Lisboa, que liberal, galharda e valente, soube mostrar ao Govêrno que não tinha mêdo, ao portar-se como se portou.
E a êsse mesmo Govêrno, repetimos como no Porto: Cansaram-nos ! Cansaram-nos! Reformem-te ! Reformem-se ! Vão-se embora ! Vão-se embora !
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