quinta-feira, 25 de março de 2021

Joaquim Pessoa - Último soneto

* Joaquim Pessoa 

De tanta mágoa já se cansa o vento.
Em tanta teia já se enreda a fala.
O meu Abril é um país cinzento.
O cravo não é cravo. É uma bala.
.
Na minha rua a lua é dos soldados
e brilha como o aço dos punhais.
No meu abril que foi dos namorados
o vento sopra. E dói ainda mais.
.
Tão grande... meu amor... é a cidade
como é pequeno quem se morre nela
coberto com o linho da saudade.
.
Aqui    abri de vez esta janela:
que me importa morrer pela verdade
se nunca morre quem morrer por ela.


Joaquim Pessoa, in "Amor Combate". ed. Litexa, 1977

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