sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

França admite parceria com Google na sua própria biblioteca digital

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França admite parceria com Google na sua própria biblioteca digital

Publicado por Casa dos Bits às 13.47h no dia 13 de Janeiro de 2010 |
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França tem sido um dos mais activos países europeus nas críticas aos projectos da Google. Desde que a empresa americana anunciou planos para criar a maior biblioteca digital do mundo, com o Google Books, que França, através dos seus mais altos dirigentes, tem insistido na ideia da Europa ripostar ao projecto.

A principal preocupação demonstrada pelos responsáveis tem sido a de garantir que as línguas alternativas ao inglês também garantam espaço de relevo na Internet, sobretudo a herança histórica e cultural dos países e que o projecto da Google não crie uma espécie de hegemonia anglo-saxónica.
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Em conjunto, a Europa tem procurado responder a este desafio através da Biblioteca Digital Europeia, a Europeana, mas França acaba de apresentar um relatório com detalhes sobre um projecto unilateral que também pretende desenvolver com o mesmo objectivo de assegurar a representatividade da sua língua na Internet e a Google pode vir a ser parceira da iniciativa.
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O ministro francês da cultura admitiu que a Google pode ser o veículo para impulsionar a presença do espólio francês na Internet, através de um projecto designado por Gallic, que por agora tem acesso restrito a profissionais.
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Pelo Gallic, coordenado pela Biblioteca Nacional francesa, tem passado boa parte do esforço de digitalização de livros e outros documentos que França tem vindo a realizar e que, de acordo com dados revelados anteriormente, já mereceu um investimento de 750 milhões de euros.
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Globalmente este projecto conta com perto de um milhão de documentos digitalizados, mas no âmbito de uma parceria publico-privada o Governo pretende torná-lo um competidor do Google Books, que reúne actualmente cerca de 10 milhões de livros digitalizados.
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O Gallic será a base de um novo portal a partir do qual nascerá o candidato a concorrente do Google Books, baseado num modelo idealizado num estudo financiado pelo Governo e apresentado ontem.

As negociações com a Google e outros players podem surgir no sentido de partilhar custos na dispendiosa tarefa de digitalização dos livros, de forma a aumentar o espólio disponível, mas segundo o ministro da cultura francês, apenas se a empresa norte-americana aceitar "jogar pelas regras francesas", disse numa conferência de imprensa.
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Um acordo com a Google poderia também visar a troca de livros digitalizados pela Google - a maior parte em universidades americanas - por livros e documentos em francês, já digitalizados no âmbito do projecto Gallic.
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Os autores franceses visados pelas digitalizações terão o poder de decisão relativamente à porção do livro que fica disponível online. Se o utilizador quiser ter acesso ao restante é encaminhado para uma loja online, explica o responsável pelo estudo citado pela Associated Press. A exploração comercial desta Biblioteca Digital vai ser assegurada por publicidade.
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Numa entrevista ao Le Monde o ministro francês da cultura criticou ainda as condições em que muitas empresas ou entidades europeias aceitaram negociar com a Google, sobretudo no que se refere à exclusividade dos acordos anunciados.
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Frederic Mitterrand, que pretende visitar em breve os escritórios da Google nos Estados Unidos, assegurou ainda que França negociará com a empresa norte-americana sempre numa base aberta e de não exclusividade de acesso aos conteúdos..
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