sexta-feira, 10 de abril de 2026

Mahmoud Darwish. - Sobre esta terra


Mural concluído pelo artista Marco Yumare jovens artistas parlamentares e o povo das comunas da Costa Guairena. - Praça Brion de Maiquetia, Caracas, Venezuela.  "Texto em Verde: "Sobre esta tierra hay algo que merece vivir: la madre de todos los comienzos" (Sobre esta terra há algo que merece ser vivido: a mãe de todos os começos). Origem da frase: Esta é uma citação célebre do poeta palestino Mahmoud Darwish, do seu poema "Sobre esta terra".  Na Praça Brión de Maiquetía, o artista Marco “Yumare9”, jovens, artistas, parlamentares e o povo das comunas da Costa Guaireña se uniram, junto ao MST, para reafirmar: Palestina livre! A ação integra a Jornada Internacional Muros pela Palestina e se ergue como um abraço à distância, uma denúncia do genocídio em curso e uma afirmação da solidariedade internacionalista.


O poema "Sobre esta terra" (Ala Hadhihi al-Ard) é uma das obras mais emblemáticas de Mahmoud Darwish. Ele resume a conexão profunda, dolorosa e esperançosa do poeta com sua terra natal.

Sobre Esta Terra

Mahmoud Darwish

 Sobre esta terra há o que merece viver:

A hesitação de abril,

o cheiro do pão ao amanhecer,

as opiniões de uma mulher sobre os homens,

os escritos de Ésquilo,

o começo do amor,

a grama sobre as pedras,

mães que vivem no fio de uma flauta

e o medo que os invasores têm das recordações.


Sobre esta terra há o que merece viver:

O fim de setembro,

uma senhora que sai dos quarenta com todo o seu viço,

a hora de sol na prisão,

nuvens que imitam um rebanho de criaturas,

as aclamações de um povo para aqueles que sobem à morte sorrindo

e o medo que os tiranos têm das canções.


Sobre esta terra há o que merece viver.

Sobre esta terra está a senhora da terra,

a mãe de todos os começos,

a mãe de todos os fins.

Chamava-se Palestina.

Chama-se, agora, Palestina.

Minha senhora: eu mereço, porque tu és minha senhora,

eu mereço viver.



Um toque de contexto

Darwish escreveu este poema com uma estrutura de catálogo, listando detalhes sensoriais e cotidianos que, juntos, formam a identidade de um povo.

  • A dualidade: Ele contrasta a beleza da vida (o cheiro do pão, o amor) com a dureza da ocupação (a hora de sol na prisão, o medo dos tiranos).

  • A "Mãe": Quando ele se refere à "mãe de todos os começos", ele está personificando a terra não apenas como um território geográfico, mas como a origem de toda a dignidade e história de seu povo.

É uma leitura poderosa, especialmente considerando que ele afirma o direito à vida como algo conquistado pela simples existência dessa terra. (Google Gemini) uma denúncia do genocídio em curso e uma afirmação da solidariedade internacionalista.

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