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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ayahuasca: patrimônio da cultura brasileira



A Amazônia Brasileira tem particularidades que só entende com mais precisão quem nela mora ou quem, como muitos, resolvem adotá-la em seu coração. Dizem os mais antigos que aqueles que entram na floresta, que se banham nos igarapés ou ouvem o som dos pássaros da mata não se esquecem jamais. Nisso eu acredito.

Por Perpétua Almeida*



Nessa vasta diversidade cultural, que é influenciada pelos costumes indígenas e pelas crenças trazidas pelos que chegaram para morar na Amazônia, nasce uma religião tipicamente brasileira. Falo do daime, ayahuasca, chá, vegetal. Dentre outras, são estes os nomes dados à união de duas plantas oriundas da floresta que num processo de infusão das folhas da Psychotria Viridis – rainha ou chacrona (um arbusto) e da Banisteriopsis Caapi - mariri ou jagube (um cipó) surge um chá que é usado em rituais culturais e religiosos. Temos ainda que considerar o uso milenar pelos indígenas nos seus rituais específicos, que vêm dos povos pré-colombianos da América do Sul. Mas é no contexto urbano, há cerca de 40 anos, que a expansão chegou a diversas cidades brasileiras e até no exterior.


O Conselho Nacional Anti-Drogas publicou, em novembro de 2006, um relatório produzido por um grupo interdisciplinar onde se fizeram presentes representantes das três linhas originárias: o Alto Santo - criado pelo Mestre Raimundo Irineu Serra e aqui não abro um parêntese, mas meu coração para registrar o profundo respeito e carinho pela Madrinha Peregrina; a Barquinha - pelo Mestre Daniel Pereira Mattos, através do qual manifesto também a grande consideração por Francisco Araújo; e o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal - pelo Mestre José Gabriel da Costa, segmento com o qual tenho profundas ligações emocionais através dos meus padrinhos de batismo Sr. Gaim e dona Amaríades que pertencem a União do Vegetal, e que foram fundamentais no meu processo de construção como ser humano, ensinando-me através de seu exemplo a convivência pacífica, democrática e engrandecedora com outras religiões. Destas três linhas, a União do Vegetal se origina em Rondônia e as demais no Acre.


O relatório, de um órgão ligado diretamente à Presidência da República, reitera a liberdade do uso religioso da ayahuasca, considerando a inviolabilidade de consciência e de crença, além da garantia de proteção do Estado às manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, com base na Constituição Federal. Aponta ainda que a liberdade religiosa e o poder familiar devem servir à paz social, à qual se submete a autonomia individual.


Há ainda os que confundem a bebida com droga, por conta das reações percebidas por cada pessoa. Pesquisas científicas nas modalidades da farmacologia, pscicologia, antropologia, direito, química, dentre outras áreas acadêmicas, apontam para a comprovação que o governo brasileiro já publicou: o chá não é droga.


Os adeptos desse sincretismo religioso somam milhares e milhares de famílias. Ligados umbilicalmente à preservação da natureza, porque dela precisam para o plantio do cipó e da folha, esses cidadãos contribuem para a busca de uma sociedade mais justa e pacífica, com respeito à legislação nacional.


Na Amazônia, com mais intensidade no sul do estado do Amazonas, nos estados do Acre e Rondônia o uso em rituais religiosos é comum e conhecido na sociedade. Faz parte da cultura, da vivência de homens e mulheres que convivem com a floresta.


No início de 2007 fizemos uma primeira reunião com um grupo de pessoas, com a proposta de garantir que o uso religioso do chá fosse reconhecido como patrimônio imaterial da cultura brasileira.


Estudamos, pesquisamos, pedimos auxílio. Não tivemos pressa, mas também não esmorecemos. Preferimos não dar publicidade na mídia, porque essa não é uma bandeira política, é uma questão de reconhecimento e reflexão. Coloquei meu mandato à disposição e estamos chegando a um momento importante. Conseguimos excelentes contribuições de vários intelectuais, entre eles, Jair Facundes, Toinho Alves, Edson Lodi e do historiador Marcus Vinicius e toda a equipe da Fundação Garibaldi Brasil.


A atual legislação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional prevê que o reconhecimento deve ser dado à uma prática, uma representação social, à conhecimentos e técnicas que as comunidades ou grupos reconhecem como parte integrante da cultura, que seja transmitido de geração em geração e tenha sua interação com a natureza. Chegamos a conclusões e começamos a dar os encaminhamentos.


Estávamos marcando uma ida para Brasília, para fazermos no Ministério da Cultura, no IPHAN e no Congresso Nacional um grande ato. Mas os mistérios e as oportunidades se apresentam, como se orquestradas por um Grande Maestro. Nada mais importante e sublime que a simplicidade da nossa terra, dos nossos ares. Chegou a oportunidade.


Na próxima quarta-feira, dia 30, o Ministro Giberto Gil vem ao Acre. Além de cumprir uma importante agenda com o nosso governador Binho Marques, conseguimos um espaço pra que ele receba um documento assinado pelos representantes das três linhas originárias. Um documento simples, sem pretensões acadêmicas, mas que traz no seu seio algo sublime e bonito de se ver: que o governo brasileiro reconheça essa cultura, essa manifestação religiosa que tem na sua matriz a floresta amazônica.


* Perpétua Almeida é deputada federal pelo PCdoB do Acre

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in Vermelho - 29 DE ABRIL DE 2008 - 18h59

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quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Brasil na vida e na obra de Ferreira de Castro

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* Maria Saraiva de Jesus
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Poucos autores como José Maria Ferreira de Castro possuem uma obra tão inextricavelmente ligada à sua vida..

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A sua experiência de vida na Amazónia, dos 12 aos 16 anos, é apro­veitada para as intrigas de Criminoso por Ambição (1916), Carne Faminta (1922), «O Escravo Redimido» (texto integrado no volume de novelas Sendas de Lirismo e de Amor - 1925), A Selva (1930) e Instinto Supremo (1968). A observação da vida de outros emigrantes serviu-lhe para a escrita de Emigrantes (1928), tendo localizado no estado de São Paulo uma intriga que certamente seria também verosímil em outros estados do Brasil.

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Das três primeiras obras citadas pouco se sabe, pois o autor não permitiu a sua reedição, considerando-as apenas experiências de juventude.
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Criminoso por Ambição, redigida no seringai Paraíso, quando o autor tinha 14 anos, é, no entanto, estudada por José Tavares 1, que dela transcreve extensos parágrafos. De Ossela, freguesia onde nasceu Ferreira de Castro, parte o herói, pobre e digno, para o Brasil, a fim de ganhar fortuna que o possa aproximar da sua amada, menina rica que lhe corresponde na paixão, mas que é também pretendida por um homem rico e de mau carácter. Após algumas aventuras, Simão vai trabalhar para um seringal, nas margens do rio Purus, no alto Amazonas, mas não alcança por esse meio a fortuna pretendida. E com um bilhete da lotaria que enriquece, deixando a seguir o Pará para ir casar com a sua amada a Ossela. Nesta ingénua narrativa de acção, o cenário brasileiro do Amazonas e do Pará está apenas brevemente marcado, como o está em Carne Faminta e em «O Escravo Redimido».
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Estas duas novelas são analisadas por Alexandre Cabral como ante­cedentes d'A Selva 2, pois também se passam em seringais amazónicos, apresentando algumas coincidências de enredo que serão mais desenvolvidas n'A Selva. Carne Faminta trata de um incesto entre mãe e filho, num espaço social em que não há outras mulheres. Também A Selva sublinha a frustração sexual dos seringueiros e demais empregados, num cenário em que as mulheres escasseiam e as poucas existentes são guardadas pelos maridos, que não hesitariam em matar a hipotética adúltera e o seu amante. Em «O Escravo Redimido», tal como n'A Selva, aparece o ex-escravo Tiago, em ambas as obras também conhecido pela alcunha «Estica», por coxear de uma perna, e em ambas este negro incendeia o barracão, causando a morte do dono do seringai. Nas duas obras o negro Tiago solidariza-se, no episódio do incêndio, com os seringueiros, vítimas do sistema esclavagista posto em prática pelo patrão. Em «O Escravo Redimido» os actos esclavagistas são provocados pela revolta dos seringueiros, causada pelo aumento dos preços dos géneros alimentícios, num contexto de desvalorização da borracha, e Tiago recebe claramente a soli­dariedade do autor, o que, aliás, é evidente no título da novela. N'A Selva, o acto de Tiago é directamente provocado pelo facto de o patrão ter mandado prender a um tronco cinco fugitivos com débito e de os ter mandado chicotear até provocar sangue com um peixe-boi. Alberto imagina-se num tribunal, como advogado de acusação de Tiago, e a atitude de solidariedade do autor fica, assim, mais diluída.
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O facto de o autor apenas aflorar a sua experiência amazonense nestas obras de juventude deveu-se ao misto de medo e fascínio com que o autor considera as suas reminiscências daquele «inferno verde», nas palavras sugestivas de Olavo Bilac. O autor confessa-o na introdução que escreveu para a edição comemorativa d'A Selva, de 1955:
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Foi também por isso, talvez, que durante muitos anos tive medo de revivê-la literariamente. Medo de reabrir, com a pena, as minhas feridas, como os homens lá avivavam, com pequenos machados, no mistério da grande floresta, as chagas das seringueiras. [...] .
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Esse velho terror dominou-me sempre que tentei aproximar-me da selva nos meus primeiros livros; e das poucas vezes que o fiz, para eles colhi apenas alguns ramos marginais, nunca indo além do passeante distraído que estende o braço e, sem parar, arranca a folha do arbusto erguido à beira do seu caminho 3.
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É A Selva a obra que mais coincidências oferece com a vida do autor, apesar dos elementos fictícios. Tal como Alberto, Ferreira de Castro também emigra para Belém, capital do Pará, recomendado a um conterrâneo, que logo se descarta da responsabilidade de o sustentar, enviando-o para o seringai Paraíso, numa das margens do rio Madeira, no alto Amazonas. Mas enquanto Ferreira de Castro emigra com apenas 12 anos, após a conclusão do ensino primário, Alberto é um jovem estudante do 4.º ano de Direito e tem 26 anos, quando se vê forçado a ir para Espanha e daí para o Brasil, para fugir à perseguição de que são alvo os monárquicos, após a derrota de Monsanto. No caso de Alberto, é um tio que o recebe em Belém do Pará e que o convence a ir para o seringai Paraíso. Tanto Ferreira de Castro como Alberto para lá se dirigem na terceira classe do barco «Justo Chermont»; Ferreira de Castro regressa a Belém do Pará no «Sapucaia» e para Alberto também se anuncia o retorno a Belém no mesmo barco. Ferreira de Castro regressa com 16 anos, tendo passado quatro no seringai, primeiro como seringueiro e depois como empregado no armazém aviador do seringai. Alberto também começa a trabalhar como seringueiro, passando para o armazém e o escritório, devido às circunstâncias de não produzir muito na colecta da borracha, de ter habi­litações superiores às de todas as outras personagens e também pelo facto de Binda, o antigo empregado do armazém, ser necessário para a fiscalização do seringai. Alberto e Ferreira de Castro têm várias outras tarefas, entre elas a de limparem e conservarem aceso o farol que indicava à navegação a localização do seringai. Mas, quando se consegue libertar, após alguns meses, Alberto planeia a partida imediata de Belém para Portugal, e Ferreira de Castro passa ainda cinco anos em Belém, totalmente abandonado pelo conterrâneo que se incumbira da sua protecção. Foram anos em que passou da extrema miséria, em grandes períodos de desemprego ou ocupando-se de actividades mal remuneradas, à relativa consideração que as suas actividades jornalísticas e a publicação em folhetins do seu primeiro romance, Criminoso por Ambição, lhe granjearam. Assim, em 1918 visita Manaus, convidado por uma associação de poveiros, e em 1919 faz uma viagem ao Sul do país, visitando o Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades.

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Foi provavelmente nessa viagem que obteve os vastos conhecimentos sobre a paisagem e as relações de trabalho que se verificavam no estado de São Paulo, de que dá mostras no romance Emigrantes.

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Tanto Emigrantes como A Selva possuem personagens individualizadas, no percurso das quais se centra a acção. No primeiro caso trata-se de Manuel da Bouça, pobre camponês analfabeto que emigra para o Brasil em busca de melhor sorte, com a esperança de ganhar um dote para a filha e de poder comprar as terras circunvizinhas às suas courelas, onde pensa construir uma casa nova. No segundo caso, é Alberto que centraliza os eventos narrados.

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Tanto Manuel da Bouça como Alberto regressam a Portugal tão pobres como tinham partido.

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Manuel da Bouça, após nove anos de dura labuta no interior e na cidade de São Paulo, vem mesmo muito mais pobre, porque entretanto perdera as suas courelas, hipotecadas para pagar os gastos da viagem de ida, e porque lhe morrera a mulher. O trabalho no Brasil não permite a nenhum deles sequer pagar a viagem de regresso. Manuel da Bouça só pudera comprar a passagem devido ao facto de, durante a confusão originada por uma revolução, ter roubado os anéis, a corrente e um relógio a um morto. Alberto só logra libertar-se da situação de quase escravidão que vivera no seringai Paraíso por a sua mãe se ter sacrificado para lhe enviar o dinheiro da viagem, depois de saber que os monárquicos tinham sido amnistiados em Portugal.
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N'A Selva assume maior importância a experiência de vida no Brasil. Por isto o romance inicia-se em Belém do Pará, desenvolve a descrição da viagem de vários dias no «Justo Chermont» e centra os episódios mais importantes na descrição da floresta amazónica e na vida vivida no seringai. Uma primeira macro-sequência passa-se em Belém, no barco e na chegada ao seringai, consistindo nos primeiros quatro capítulos. A macro-sequência que narra a vida na selva está estruturada em três sequências menores. Do capítulo V ao VIII, descreve-se a selva e o trabalho dos seringueiros. Do capítulo IX ao XIV, apresentam-se as relações sociais de Alberto com as personagens que vivem mais próximas do patrão e narra-se a fuga de cinco seringueiros, com c auxílio de Alberto. No capítulo XV prepara-se a partida de Alberto, com a recepção da personagem que o vem substituir, narra-se a chegada dos cinco seringueiros capturados, o castigo que lhes é aplicado e o incêndio do barracão.
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Emigrantes compõe-se de um percurso transatlântico que se organiza em três macro-sequências: Portugal - Brasil - Portugal. A primeira parte, introdutória, localiza-se do primeiro ao capítulo IX e apresenta as experiências na aldeia e na vila, aonde Manuel da Bouça vai tratar da documentação, os vários passos que dá em Lisboa, a viagem na terceira classe do navio «Darro» e os primeiros contactos com a paisagem brasileira, quando da entrada na baía da Guanabara e do passeio por algumas ruas do Rio de Janeiro. A parte referente à vida no Brasil, mais extensa, pode subdividir-se em três sequências menores. Na primeira ( do capítulo X até ao XI) desenvolve-se a consciencialização da dificuldade de encontrar trabalho em Santos e a contratação de Manuel da Bouça para ir trabalhar num cafezal do interior de São Paulo. A segunda sequência ( do capítulo XII ao XV) centra na fazenda Santa Efigénia as várias experiências das personagens, migrantes brasileiros e estrangeiros. A terceira sequência (desde o início da «Segunda Parte» até ao capítulo V) localiza na capital uma nova experiência de trabalho de Manuel da Bouça. Carregador num armazém, Manuel da Bouça encontra nesta tentativa o mesmo insucesso. Contacta com outro emigrante que vem na mesma ilusão de enri­quecimento e com outras personagens pobres, tendo algumas delas esperanças de construírem uma sociedade melhor, com uma revolução contra o governo. Manuel da Bouça, na sua alienação, pouco compreende e pouco participa na revolução. Embarcando em Santos, regressa a Portugal. A terceira macro-sequência (entre o capítulo VI da segunda parte e o capítulo VIII), cuja acção se localiza em Portugal, mostra na personagem a consciência de que já não tem lugar na sua aldeia. Envergonhado do seu fracasso, Manuel da Bouça mente, dando a impressão de que tivera sucesso, e vai para Lisboa esconder a pobreza, destinado «a uma outra vida que era ainda, para ele, um enigma» 4 . Na aldeia, num contraste irónico com as expectativas da partida, descobre que quem fizera um palacete na terra que pretendia comprar fora o Nunes, que lhe tinha tratado do passaporte e da passagem, agora enriquecido com a emigração de outros camponeses iludidos. Este facto não causa surpresas ao leitor, pois na primeira macro-sequência já o narrador omnisciente tinha revelado as mentiras da propaganda que o Nunes faz imprimir num jornal.
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Apesar de Emigrantes e A Selva possuírem protagonistas individualizados, torna-se evidente que ambos representam outras personagens, iden­tificadas nos títulos.
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Por detrás de Alberto, está a grande personagem da obra: a própria selva, da qual faz parte o grupo humano que nela vive, tentando domesticá-la para a extracção das suas riquezas. Em numerosos trechos, a selva encontra-se animizada, dotada de um poder de agressão comparado ao das suas feras, e mesmo antropomorfizada, como uma força oculta que combate o avanço dos seringueiros:
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Era um mundo à parte, terra embrionária, geradora de assombros e tirânica, tirânica! [...] Ali não existia mesmo a árvore. Existia o emaranhado vegetal, louco, desorientado, voraz, com alma e garras de fera esfomeada. Estava de sentinela, silencioso, encapotado, a vedar-lhe todos os passos, a fechar-lhe todos os caminhos, a subjugá-lo no cativeiro. Era a grande muralha verde e era a guarda avançada dos arbustos que vinham crescer em redor da cacimba e, degolados pelo terçado de Firmino, brotavam de novo, numa teima absurda e alucinante. A selva não aceitava nenhuma clareira que lhe abrissem e só descansaria quando a fechasse novamente, transformando a barraca em tapera, dali a dez, a vinte, a cinquenta, não importava a quantos anos - mas um dia! [...] A ameaça andava no ar que se respirava, na terra que se pisava, na água que se bebia, porque ali somente a selva tinha vontade e imperava despoticamente. Os homens eram títeres manejados por aquela força oculta, que eles julgavam, ilusoriamente, ter vencido com a sua actividade, o seu sacrifício e a sua ambição [p. 158].
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A Selva é, nitidamente, um romance de espaço, na clássica classificação de Wolfgang Kayser 5. É, sobretudo, um espaço geográfico e telúrico, em que se vem inscrever o espaço social. A função de Alberto, personagem com maior capacidade de reflexão, é a de orientar a focalização do mundo narrado, vendo os seres e as situações com olhos críticos, veiculando assim a visão do mundo do autor textual. Reagindo face aos mistérios e à exuberância da selva, Alberto está preparado para se dar conta do drama da luta insana dos cearenses maranhenses e pernambucanos que dela tentam arrancar meios para a sobrevivência, num sistema de trabalho que os acorrenta ao dono do seringai, numa dívida constante que os escraviza. Trata-se, também aqui, de migrações internas e externas, que vêm fazer incidir a luz sobre o drama do homem transplantado do seu meio, na luta pela vida.
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Mas é em Emigrantes que a temática da emigração mais tipicamente se revela. Trata-se de um romance de espaço social. Manuel da Bouça é um tipo social que representa todos os emigrantes, como se torna evidente no plural do título. A divisão em três cenários (Portugal - Brasil - Portugal) vem representar o percurso do emigrante português que foi típico no século XIX e na primeira metade do século XX.
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Joel Serrão comenta um quadro de João Evangelista que revela o destino dos emigrantes portugueses no continente americano. Entre 1880 e 1960, o Brasil recebeu 75,7 % da emigração portuguesa 6. Noutro quadro de João Evangelista apresenta-se o número de repatriados em estado de indigência. Entre 1919 e 1930, do Brasil regressam 9 596 indigentes, num total de 10 496 distribuídos pelo Brasil, os Estados Unidos da América, a França, a Espanha e diversos 7.

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Apesar desses dados, o Brasil representava então o Eldorado, paraíso de todas as opulências. A América do Norte também já começava a mitificar-se, através da propaganda dos engajadores, como se torna evidente na primeira macro-sequência da obra e na queixa final de Manuel da Bouça, ao pensar que, se tivesse ido para a América, talvez tivesse enriquecido.
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Mas não apenas em Portugal se difundia o mito do Brasil-Eldorado. De toda a Europa saíam pobres camponeses em busca das milagrosas riquezas do Brasil. As descrições do grupo humano da terceira classe dos navios e também no Brasil mostra italianos, espanhóis, polacos, romenos, russos, sérvios, croatas e eslovenos, etc. - personagens que embarcam no limiar da miséria, esperando ascender, pelo valor do seu trabalho, a um nível de vida verdadeiramente humano, e que afinal vão encontrar a mesma miséria no Brasil. São descritos por um narrador enternecido, em imagens colectivas que consideram globalmente o grupo humano: são «o rebanho» [pp. 88, 136, 141, 153, etc], «dóceis animais» [p. 87], «o grupo» [p. 135], «o feixe humano» [p. 135], «a sinistra manada» [p. 137], «o magote de homens» [p. 154]. A terceira classe em que viajam é o «curral humano» [p. 253].
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São Paulo, interessado em fazer produzir a lavoura no interior, organizava a recepção a estes emigrantes, oferecendo-lhes durante seis dias comida e estadia numa hospedaria, aonde iam ter os engajadores que lhes ofereciam trabalho nas fazendas. Alguns iam a expensas do governo estadual, com a promessa de ganharem grandes lotes de terra para cultivo. Depois, na Hospedaria dos Imigrantes, viam que as promessas se reduziam a um trabalho rude e mal pago por algum coronel proprietário que com eles queria enriquecer depressa. O dono da fazenda vendia-lhes a crédito ferramentas e géneros alimentícios, pelo dobro do seu valor. Daí que, com o seu pequeno salário, não conseguissem saldar a dívida e muito menos economizar dinheiro para a ascensão tão desejada.

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Também A Selva apresenta uma relação de trabalho semelhante, com a agravante de os produtos serem vendidos aos migrantes pelo triplo e até pelo quádruplo do seu valor, num contexto de desvalorização progressiva da borracha. Os seringueiros estavam quase sempre em débito, pelo que dificilmente conseguiam saldar a dívida e regressar ao seu estado. Quando algum tentava fugir, tinha atrás de si a polícia e era geralmente levado para o seringai, onde recebia duro castigo.
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Referem-se ainda imigrantes japoneses, vistos no «Justo Chermont», para o cultivo de mandioca, cana e milho, nos seringais pouco produtivos. No contexto da crise mundial dos anos 20 e 30, no Brasil a única saída para a imigração era então a agricultura, tendo passado o tempo em que, no comércio das cidades, havia lugar para os portugueses que se estabeleciam e que em alguns casos faziam sócios os seus caixeiros, como aparece na literatura do século XIX, em especial na obra de Camilo Castelo Branco. Tanto Alberto como Manuel da Bouça, nas cidades em que aportam, são esclarecidos sobre a falsidade dessa ilusão. A ficção certamente contribuiu para se difundir o mito do Brasil-Eldorado, mas já no século XIX Gomes de Amorim representa, no romance Aleijões Sociais (1870), a consciência das mentiras dos engajadores e o sistema de exploração a que eram sujeitos os imigrantes no Brasil.
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Para além das obras referidas, Ferreira de Castro publica em 1968 a sua última obra, cuja acção é passada em cenário brasileiro. Trata-se de Instinto Supremo, novela que narra a missão de pacificação dos índios parintintins, na selva amazónica, por um grupo de discípulos do general Cândido Rondon. O famoso lema de Rondon orienta a acção dos homens enviados pelo Serviço de Protecção aos índios e transmite-se aos trabalhadores por eles recrutados: «Morrer se necessário for; matar, nunca!» 8 . O etnólogo Curt Nimuendajú, um alemão naturalizado brasileiro, é a personagem que assume maior relevância, servindo de porta-voz do autor, na defesa da civilização a que querem levar os índios:
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Não há dúvida que a civilização está cheia de contradições. Está. [...] Mas só quem for cego pode admitir que a vida primitiva e a ignorância trazem a felicidade aos homens, como pensam alguns. Há muitas pequenas e grandes satisfações que somente os espíritos instruídos podem ter. E elas compensam largamente as nossas responsabilidades e mesmo alguns novos sofrimentos que a nossa evolução nos tenha dado e nos dê [p. 983].
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A evolução da acção é linear. Uma primeira macro-sequência pode ser identificada até ao capítulo VI, com a derrubada da mata para o acampamento, a chegada de Nimuendajú, o recrutamento da turma expedicionária e a ida para a floresta. No capítulo VII ergue-se o acampamento e, no terceiro dia, realiza-se o primeiro contacto, hostil, com os índios. Vários episódios de con­fronto e tentativas de pacificação preenchem esta segunda macro-sequência. Finalmente, o capítulo XII pode consistir numa última macro-sequência, pois nele dá-se a pacificação dos índios. Com a actuação de um intérprete, a comunicação entre civilizados e selvagens torna-se mais eficaz. A novela conclui-se com um telegrama em que se dá a notícia das pazes feitas e pede-se roupas e um professor primário. A obra baseia-se em factos históricos, acontecidos em 1922, indicando o autor a bibliografia em que se baseou. Mas, para Jacinto do Prado Coelho, «O Instinto Supremo é muito menos uma novela histórica que uma epopeia: se o episódio narrado tem raízes na história recente do Brasil, amplifica-se no espírito do leitor pelo seu vasto significado, como expressão da luta vitoriosa do Homem contra a Natureza - essa luta que dá um sentido à vida e um motivo para o Homem se orgulhar da sua dignidade» 9.

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Nas três obras da fase de maturidade cuja acção se passa no Brasil, estão bem representadas as características da realidade brasileira. Os diálogos utilizam um léxico e uma organização sintáctica típicos do português do Brasil, estando nalguns casos marcada a pronúncia das classes populares. Sobretudo A Selva, mas também O Instinto Supremo, apresentam um riquíssimo conjunto de informações sobre a fauna e a flora da região amazónica. Podemos, portanto, reafirmar o grande enriquecimento que ofereceu a Ferreira de Castro a sua experiência de vida no Brasil, apesar de todos os obstáculos que teve de enfrentar.

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Folhas, Letras & Outros Ofícios, Ano II, N.º 3 . Aveiro: Grupo Poético de Aveiro (Junho, 1998), 30-37.

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1 - JOSÉ TAVARES, Homenagem de Oliveira de Azeméis a Ferreira de Castro, separata do Arquivo do Distrito de Aveiro, Aveiro, 1970.
2 - ALEXANDRE CABRAL, «Antecedentes de "A Selva"» in Livro do Cinquentenário da Vida Literária de Ferreira de Castro: 1916-1966, Lisboa, Portugália Editora, 1967, pp. 43-56.
3 - FERREIRA DE CASTRO, A Selva, Lisboa, Guimarães & Ca, [s.d.], pp. 19-20. Daqui para diante, as páginas desta obra serão indicadas no corpo de trabalho.
4 - FERREIRA DE CASTRO, Emigrantes, Lisboa, Guimarães & Ca, [s.d.], p. 290. Daqui para diante, as páginas desta obra serão indicadas no corpo de trabalho.
5 - Cf. WOLFGANG KAYSER, Análise e Interpretação da Obra Literária (Introdução à Ciência da Literatura), 6a ed. revista pela 16.ª alemã por Paulo Quintela, Coimbra, Arménio Amado, Editor, Sucessor, 1976, pp. 399-406.
6 - Cf. JOEL SERRÃO, A Emigração Portuguesa: Sondagem Histórica, 4.ª edição, Lisboa, Livros Horizonte, 1982, p. 46.
7 - Cf. Idem, ibidem, p. 38.
8 - FERREIRA DE CASTRO, Obras de Ferreira de Castro, 3.ª ed., vol. Ill, Porto, Lello & Irmão - Editores, 1979, 4 vols., p. 959. Outra página desta obra será indicada no corpo do trabalho.
9 - JACINTO DO PRADO COELHO, «"O Instinto Supremo": quando a ética se torna humanitária», in In Memoriam de Ferreira de Castro, intr. e estruturação de Adelino Vieira Neves, [Cascais], Arquivo Bio-Bibliográfico dos Escritores e Homens de Letras de Portugal, 1976, pp.47-49 (p. 49).
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Gravura - A Selva: romance / Ferreira de Castro; [capa de Bernardo Marques]. - [1.ª ed.]. - Porto: Civilização, 1930. - 333 p.; 19 cm. - Broch.
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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Meio Ambiente & Geopolítico

por Eron Bezerra*
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O Instituto Mauricio Grabois -IMG e o Partido Comunista do Brasil - PCdoB, através da Secretaria Nacional de Meio Ambiente, acabam de realizar um seminário para tratar da questão do meio ambiente e as suas implicações ecológicas e geopolíticas.


A realização do evento, por si só, já é digna de registro. Demonstra uma prática política contemporânea, de debater os grandes temas, tanto dos de natureza essencialmente teóricos quanto os temas que polemizam e antagonizam as variadas correntes de pensamento.


O evento foi aberto pelo Presidente Nacional do PCdoB, Renato Rabelo, pelo Secretário Nacional de Meio Ambiente, Aldo Arantes, e pelo Presidente do IMG, Adalberto Monteiro, que situaram as pretensões e os limites daquele debate, alertando especialmente para as implicações ideológicas que esse debate enseja.


As mesas que se sucederam trataram do marxismo e meio ambiente, do aquecimento global e de Amazônia e Biodiesel.


Nossa modesta contribuição, numa mesa com o Professor Enio Candoti e o ilustre Presidente da ANP, Haroldo Lima, foi sobre o caráter ideológico desse debate, destacando que ela se insere dentro de uma estratégia global do imperialismo.


Do ponto de vista teórico iniciei sublinhando que “na natureza, como na sociedade, todos os fenômenos estão interligados, interconectados e são interdependentes”, de onde se conclui que não há desenvolvimento sem sustentabilidade e nem sustentabilidade sem desenvolvimento.


A sustentabilidade ambiental, portanto, é uma exigência produtiva e não um mero capricho ecológico. Mas não se pode ter ilusões quanto ao seu uso ideológico. Muitos atores esgrimam a questão ambiental por mera motivação geopolítica.


Para os países imperialistas a questão ambiental é predominantemente ideológica. Faz parte de toda uma tática, usada ao longo dos tempos, como forma de se assenhorear de áreas que eles entendem como reservas estratégicas de recursos naturais, como a Amazônia, por exemplo. O imperialismo já utilizou o militarismo, a ciência, a teoria do arrendamento, a economia, a “defesa” dos povos indígenas e, atualmente, o ambientalismo.


Assim, a negativa de utilização do espaço amazônico não está associada, necessariamente, a questões ambientais. Expressa, na maioria dos casos, um posicionamento ideológico, assentado na concepção “santuarista”, que entende a Amazônia como “patrimônio da humanidade”.


Da “Companhia Comercial Londrina” (1832) até a recente declaração do presidente alemão, Horst Kohler (2007), defendendo a gestão compartilhada de nossas florestas, a Amazônia sempre foi vista como reserva estratégica do imperialismo.


Quanto a polemica em si, se há ou não aquecimento global, a mim parece resolvido. O mundo aquece e, talvez, tenda a aquecer ainda mais. O que não há unanimidade é quanto às causas que levaram a esse aquecimento. Enquanto o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) sustenta que o aquecimento decorre da emissão de CO2, dezenas de outros pesquisadores argumentam que o aquecimento decorre da própria mutação solar. É uma polêmica que promete.


Mas, igualmente importante, é saber quem polui. O mundo, com seus 6,5 bilhões de habitantes, produzem 49 bilhões de toneladas de CO2 por ano, com uma média de 7,5 tonelada/habitante. Um americano ou europeu é responsável por uma média de 17 toneladas dessa poluição, enquanto brasileiro ou chinês responde por menos de 03 toneladas.



Mesmo assim os “ricos” exigem, para reduzirem suas emissões, que os países em “desenvolvimento”, especialmente Brasil e China, reduzam na mesma proporção. Em verdade não querem é competidores. O encontro do G8, recém concluído na Alemanha, remeteu para até 2050 a data limite para que os países ricos adotem medidas para reduzirem em 50% suas emissões de CO2, o que evidencia o descompromisso desses países com a questão ambiental.


A pressão sobre a Amazônia em particular é claramente de natureza geopolítica. Considerando que a Amazônia “queime” 1 milhão de hectares por ano ela seria responsável por uma emissão de 100 milhões de toneladas de CO2 (0,2% da emissão total). Sua floresta, entretanto, seqüestra algo como 350 milhões de toneladas de CO2. O saldo é de 250 milhões de toneladas de CO2. Significa que a Amazônia limpa e não polui o meio ambiente como de maneira geral nós somos levados a acreditar pela propaganda unilateral. Em boa parte essa propaganda é estimulada pelo unilateralismo dos financiadores de projetos de caráter ambiental na Amazônia. Como regra, bancada por capital estrangeiro.


É possível usar a Amazônia com sustentabilidade, especialmente pelos seus diversos biomas. A Amazônia pode ser desde uma grande produtora de alimentos a partir dos milhões de hectares de várzea que possui até um grande centro de biotecnologia, em decorrência de sua extraordinária biodiversidade. Pode, também, fornecer peixe para o mundo, suprir boa parte de nossa dependência energética, gerar milhares de reais com a atividade turística e, inclusive, reflorestar boa parte de suas áreas degradadas com o dendê e substituir usinas a diesel por biodiesel. As alternativas são várias e, creio, o seminário ajudou a abrir essa polêmica.




*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.


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in Vermelho - 15 DE ABRIL DE 2008 - 20h10
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