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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

hélder moura - (551) Histórias da carochinha …


* hélder moura 

Tudo agora parece uma guerra em que vale tudo. O que acontece é que parece que sempre tem sido assim, cá dentro e lá fora.

 

A história americana está repleta de exemplos de comportamentos presidenciais pouco sérios em relação à Constituição, Napolitano.

 

Deus voltou-se de costas e chorou, Zizek.

 

As máquinas mandam nas casas, nas fábricas, nos escritórios, nos seus escritórios, nas plantações agrícolas, nas minas e nas ruas das cidades, onde nós peões somos incómodos que perturbam o trânsito, Galeano.

 

 

 

Do futebol à política (não que sejam assim tão diferentes), temos vindo a assistir treinadores a utilizarem como incentivos para melhorar a atuação dos seus jogadores, expressões/conteúdos como  “Força, vamo-nos a eles, vamos matá-los!”, a comentadores desportivos a relatarem “Que grande tiro!”, “Um autêntico míssil”, “Fuzilou a baliza”, a epítetos altamente injuriosos  “!!!” dirigidos aos adversários/inimigos berrados pelas claques com seus filhos  ao lado, talvez com a piedosa intenção para que a educação seja convenientemente passada à geração seguinte e que assim mantenha aquelas caraterísticas rácicas que tão bem nos definem tentando deste modo compensarem um esquecimento ou engano da Criação, aos inocentes e cada vez mais repetidos separadores televisivos com o hino nacional a ser cantado pelos desportistas mais reconhecidos “Contra os canhões, marchar, marchar!” transformando um simples jogo num combate que inevitavelmente conduzirá à morte, aos desvarios estudados dos políticos que não se coibindo alto e bom som querem mandar para a prisão todos os adversários que não gostam numa imitação provinciana e desajeitada do amigo americano, esse sim que pelo menos é presidente e tem forças armadas.

Tudo isto e muito mais faz com que haja quem pense que atualmente se vive num mundo muito violento, sem regras, muito “polarizado”, em que as pessoas se agridem e insultam umas às outras, sem qualquer respeito umas pelas outras.

Tudo agora parece uma guerra em que vale tudo. Acontece que parece que sempre tem sido assim, cá dentro e lá fora.

 

Atente-se, por exemplo, no que nos diz o juiz americano do Supremo Tribunal de New Jersey, Andrew Napolitano:

 

Quando os monarcas britânicos se queriam ver livres de adversários inconvenientes, acusavam-nos frequentemente de crimes vagos, pois podiam definir o crime da forma que bem entendessem. São Tomás More, ex-Lorde Chanceler de Henrique VIII, foi executado pelo seu silêncio. O alvo do monarca recebia um julgamento rápido e, em seguida, frequentemente uma morte pública lenta e excruciante – para enviar uma mensagem.

Cientes dos impulsos tirânicos dos monarcas e familiarizados com a história britânica, e até mesmo pessoalmente conscientes de pessoas nas colónias acusadas de crimes em Londres – onde nunca tinham estado – e transportadas para lá para serem processadas, Thomas Jefferson e James Madison, os Pais Fundadores mais responsáveis ​​por cristalizar o ethos americano dos direitos naturais e do devido processo legal, elaboraram documentos fundadores que articulavam condenações e proibições de tirania e comportamento tirânico nos Estados Unidos.

Assim, as palavras de Jefferson na Declaração de Independência caracterizam os direitos humanos como uma dádiva do Criador, que não pode ser retirada por decreto executivo ou promulgação legislativa – mas apenas por um veredicto do júri.

E as palavras de Madison na Quinta Emenda da Constituição declaram que "nenhuma pessoa será... privada da vida, da liberdade ou da propriedade sem o devido processo legal". O uso da palavra "pessoa" torna óbvio que o devido processo legal se aplica a todos os seres humanos.

O devido processo legal exige um julgamento justo por júri, com advogado e a oportunidade de confrontação de testemunhas e provas produzidas pelo governo. Exige também prova de culpa para além de qualquer dúvida razoável e com certeza moral perante um júri neutro, e não perante o acusador. E exige a condenação antes da imposição de uma pena prescrita por lei.

Isto era novo e radical em 1791, quando a Declaração dos Direitos foi ratificada, mas não é novo nem radical hoje. Hoje, o devido processo legal é a base do direito americano. É o que os advogados chamam a lei da letra preta: espera-se que aqueles que estão no governo a conheçam, a compreendam e a cumpram.”

 

E Napolitano continua:

 

A história americana está repleta de exemplos de comportamentos presidenciais pouco sérios em relação à ConstituiçãoJohn Adams processou pessoas pelos seus discursos. Abraham Lincoln prendeu os seus críticos sem julgamento. Woodrow Wilson processou estudantes por lerem a Declaração de Independência à porta dos gabinetes de recrutamento. Franklin Roosevelt encarcerou americanos com base na raça. George W. Bush iniciou a vigilância em massa sem mandado. Barack Obama assassinou americanos não violentos e sem acusação no Iémen.

 

Alguma coisa disto aumentou a liberdade pessoal ou a segurança pública? Claro que não. Mas aumentou o medo público de um tirano na Casa Branca.

O valor constitucional subjacente é que os indivíduos são soberanos e o governo é limitado. Esta é a presunção unânime dos Fundadores na criação da República Americana. Os indivíduos são livres de exercer direitos naturais, e o governo é limitado pelo consentimento dos governados e pela Constituição que o definiu e, seguindo Jefferson, o acorrentou.

E isto exige que aqueles em cujas mãos depositamos a Constituição para salvaguarda a leiam, a compreendam e a cumpram — e cumpram os seus juramentos de a preservar, proteger e defender.

 

 

 

Atente-se também no que nos diz Slavoj Zizek, quando, de uma forma ligeira e divertida, nos vai chamar a atenção para o facto de as sociedades consideradas como as mais desenvolvidas da nossa época, serem muito idênticas no que se refere ao tipo e aos métodos de desenvolvimento que prosseguem. Todas elas seguem sistemas económicos capitalistas, cada vez mais assentes na vigilância e direção eletrónica consentida ou não dos seus cidadãos, numa construção totalitária devidamente articulada, em maior ou menor grau, entre empresas privadas e estado. 

Conta-nos então uma anedota que corria nos tempos da guerra fria, passada entre Richard Nixon dos EUA, Leonid Brezhnev da URSS e Eric Honecker da RDA, quando resolveram interrogar Deus para saberem qual seria o futuro reservado para os seus respetivos países.

Em resposta, Deus disse a Nixon: “No ano 2050, os EUA serão comunistas.” Nixon voltou-se de costas e começou a chorar. A Brezhnev, Deus disse: “No ano 2050, a União Soviética será uma província da China.” Brezhnev voltou-se de costas e começou a chorar. E finalmente Honecker perguntou: “E o que acontecerá à minha amada RDA?” Deus voltou-se de costas e começou a chorar.

Zizek vai depois transportar esta anedota para a atualidade, agora com novos personagens, desta vez com Putin, o presidente chinês Xi Jinping e Donald Trump. Eis a resposta de Deus para Putin: “A Rússia estará controlada pela China”. Putin voltou-se de costas e chorou. Para Xi, Deus disse: “A China continental será dominada por Taiwan”. Xi voltou-se de costas e chorou. E quando Trump faz a mesma pergunta sobre os EUA, Deus voltou-se de costas e chorou.

 

 

E já agora,  relembrar a “Brevíssima Síntese da História Contemporânea” de Galeano:

 

“Há já uns séculos que os súbditos se disfarçaram de cidadãos e que as monarquias se preferem chamar repúblicas.

As ditaduras locais, que se dizem democracias, abrem as portas à entrada avassaladora do mercado universal. Neste mundo, reino dos livres, somos todos um só. Mas somos um ou somos nenhum? Compradores ou comprados? Vendedores ou vendidos? Espiões ou espiados?

Vivemos presos entre garras invisíveis, atraiçoados pelas máquinas que simulam obediência e mentem, com cibernética impunidade, ao serviço dos seus patrões.

As máquinas mandam nas casas, nas fábricas, nos escritórios, nos seus escritórios, nas plantações agrícolas, nas minas e nas ruas das cidades, onde nós peões somos incómodos que perturbam o trânsito. E as máquinas mandam também nas guerras, onde matam tanto ou mais que os guerreiros fardados.”

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01.10.25

https://otempoemquevivemosotempoemquevivemos.blogs.sapo.pt/

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Eduardo Galeano - "Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?"

Eduardo Galeano [*]

Para se justificar, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que essa carnificina de Gaza, que, segundo seus autores, pretende acabar com os terroristas, logrará multiplicá-los. Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito de eleger seus governantes. Quando votam em quem não se deve votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma ratoeira sem saída desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições de 2006. Algo parecido ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições em El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com nenhuma pontaria sobre as terras que haviam sido palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E, ao desespero, ao ponto mesmo da loucura suicida, é a mãe de todas as bravatas a que nega o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto as muito eficazes guerras de extermínio estão negando, há anos, o direito de existência da Palestina. Já resta pouca Palestina. Israel a está apagando do mapa.

Os colonos invadem e, atrás deles, os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em legítima defesa. Não há guerra agressiva que não diga ser uma guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel traga outro pedaço da Palestina e os almoços seguem. O devoramento justifica-se pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu e pelo pânico que geram os palestinos que observam.

Israel é um país que jamais cumpre as recomendações e as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que zomba das leis internacionais. É também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros. Quem lhes deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com a qual Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não pode bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA nem o governo britânico pode arrasar a Irlanda para liquidar com o IRA. Por acaso a tragédia do holocausto implica uma licença de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência imperialista que mais manda e que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata para causar horror. Às vítimas civis, chamam de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam-se aos milhares os multilados, vítimas da tecnologia de despedaçamento humano que a indústria militar está ensaiando exitosamente nesta operação de limpeza étnica.

E, como sempre, sempre o mesmo em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte o outro bombardeio, a cargo dos meios de manipulação de massa, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel ou que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e belicistas? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos se atribuem quando fazem teatro? Ante a tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial vem à luz uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Ante a tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E, como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza como de perversidade, derrama uma ou outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus sempre foi um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.

(Este artigo é dedicado a meus amigos judeus, assassinados pelas ditaduras militares latino-americanas que Israel assessorou)

2012

[*] Escritor, 1940-2015, pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Galeano. Algumas das suas obras podem ser descarregadas em https://resistir.info/livros/livros.html

A tradução encontra-se em

www.novacultura.info/post/2023/11/03/galeano-quem-deu-a-israel-o-direito-de-negar-todos-os-direitos

Este artigo encontra-se em resistir.info

domingo, 3 de setembro de 2023

A FOME vista por Galeano

* Eduardo Galeano


 UMA COLÓNIA SUPERPOVOADA

Não saía fumo das chaminés. Em 1850, depois de quatro anos de fome e de pragas, os campos da Irlanda despovoaram-se, e pouco a pouco as casas desabitadas ruíram. Os habitantes tinham partido para o cemitério ou para os portos da América do Norte.

A terra nem batatas dava. Só a produção de loucos crescia. O manicómio de Dublin, pago por Jonathan Swift, tinha noventa internos quando foi inaugurado. Um século depois, havia mais de três mil.

Durante a fome, Londres enviou alguma ajuda de emergência, mas a caridade acabou passados alguns meses. O império decidiu não continuar a socorrer esta colónia incómoda. Conforme explicou o primeiro-ministro, lorde Russell, o ingrato povo irlandês pagava esta generosidade com rebeliões e difamações e isso caía muito mal à opinião pública.

E Charles Trevelyan, alto funcionário encarregado da crise irlandesa, atribuiu a fome à Divina Providência. A Irlanda tinha a mais alta densidade demográfica de toda a Europa, e uma vez que o excesso de população não podia ser evitado pelos homens, Deus solucionava-o em toda a sua sabedoria, de forma imprevista, inesperada, mas com grande eficácia.



DESASTRES NATURAIS

Um deserto vazio de passos e de vozes, apenas pó fustigado pelo vento.

Muitos chineses se enforcam, antes que a fome os leve a matar ou antes que a fome os mate.

Os triunfantes mercadores da guerra do ópio fundam em Londres o Fundo de Socorro para a Fome na China.

Esta instituição de caridade promete evangelizar o país pagão por via digestiva: do Céu choverão alimentos, enviados por Jesus.

*

OUTROS DESASTRES NATURAIS

Em 1879, depois de três Invernos sem chuva, há menos nove milhões de indianos.

A culpa é da natureza:

– São desastres naturais – dizem os que sabem.

Mas na Índia, nesses anos atrozes, o mercado castiga mais do que a seca.

Como lei do mercado, a liberdade oprime. A liberdade de comércio, que obriga a vender, proíbe comer.

A Índia é uma plantação colonial, não uma misericórdia. O mercado manda. Sábia é a sua mão invisível, que faz e desfaz; e ninguém tem razão para corrigi-la.

O governo britânico limita-se a ajudar a morrer uns quantos moribundos, nos seus campos de trabalho chamados Campos de Socorro, e a exigir os impostos que os camponeses não conseguem pagar. Os camponeses perdem as suas terras, que se vendem ao desbarato; e ao desbarato se vendem os braços que nelas trabalham, enquanto a escassez eleva até às nuvens o preço  dos grãos que os empresários açambarcam.

Os exportadores vendem mais do que nunca. Montanhas de trigo e de arroz são despejadas nos portos de Londres e de Liverpool. A Índia, colónia esfomeada, não come, mas dá de comer. Os britânicos comem a fome dos indianos.

É muito cotada no mercado esta mercadoria chamada fome, que multiplica as oportunidades de investimento, reduz os custos de produção e aumenta os preços dos produtos.

*

O PAI DA CRUZ VERMELHA

A Cruz Vermelha nasceu em Genebra, fruto da iniciativa de alguns banqueiros suíços, para socorrer os feridos abandonados pelas guerras nos campos de batalha.

Gustave Moynier, o primeiro presidente, encabeçou o Comité Internacional durante mais de quarenta anos. Ele explicava a Cruz Vermelha, instituição inspirada na moral evangélica era bem recebida nos países civilizados, mas deparava com muita ingratidão nos países colonizados.

— A compaixão — escreveu — é desconhecida por aquelas tribos selvagens, que praticam o canibalismo. Este sentimento é-lhes tão estranho que as suas línguas não têm nenhuma palavra para expressar essa ideia.

*

CHURCHILL

Todo-poderosa era a influência dos herdeiros de lorde Marlborough, conhecido como Mambru; graças à sua família, o jovem Winston Churchill conseguiu entrar num dos batalhões de lanceiros que iam combater no Sudão.

Ele foi soldado e cronista da batalha de Omdurman, em 1898, nos arredores de Cartum, nas margens do rio Nilo.

A coroa britânica estava a criar um corredor de colónias que atravessasse África do Cairo, a norte, a Cidade do Cabo, no extremo sul. A conquista do Sudão era fundamental para esse projecto de expansão imperial, que Londres explicava dizendo:

— Estamos a civilizar África através do comércio,

em vez de confessar:

— Estamos a comercializar África através da civilização.

Esta missão redentora abria caminho a ferro e fogo. Como os raquíticos cérebros africanos não conseguiam compreendê-la, ninguém se dava ao trabalho de lhes pedir opinião.

Nos bombardeamentos da cidade de Omdurman, reconheceu Churchill, morreu um grande número de infelizes não-combatentes, vítimas do que passou a chamar-se, um século depois, danos colaterais. Mas, finalmente e segundo as suas palavras, as armas imperiais obtiveram o triunfo mais eloquente jamais alcançado pelas armas da ciência contra as armas da barbárie, a derrota do exército selvagem mais poderoso e mais bem armado alguma vez amotinado contra um moderno poder europeu.

De acordo com os dados oficiais dos vencedores, este foi o resultado da batalha de Omdurman:

nas tropas civilizadas, cerca de dois por cento de baixas;

nas tropas selvagens, cerca de noventa por cento de baixas.

(Eduardo Galeano, “Espelhos – Uma História Quase Universal. Antígona, 2018.)

https://temposdecolera.blogs.sapo.pt/a-fome-vista-por-galeano-119778?fbclid=IwAR18acpxl2-IGfXzyZIMaSPGjS_ND5k_qJoAl6j8pDX1MgsI2GA3mfyi1WI

sábado, 7 de setembro de 2019

Eduardo Galeano - Porrque escrevo

* Eduardo Galeano
Quero contar a vocês uma história que, para mim, foi muito importante: a primeira vez em que me senti desafiado pelo ofício de escrever.

Aconteceu no povoado boliviano de Llallagua, na zona mineira. No ano anterior, ali esmo tinha acontecido a matança de San Juan. Os mineiros estavam celebrando a noite de San Juan, bebendo, dançando. E lá dos morros que rodeiam o povoado, o ditador Barrientos mandou metralhar todos eles. Uma matança atroz. Cheguei por lá mais ou menos um ano depois, em 68, e lá fiquei por um tempo, graças às minhas habilidades de desenhista. Porque, entre outras coisas, eu sempre quis desenhar – conseguia desenhar retratos, por exemplo. E retratei todas as crianças dos mineiros, e fiz também alguns cartazes do carnaval e outros eventos. Então me adotaram e passei muito bem, naquele mundo gelado e miserável, onde a pobreza era multiplicada pelo frio. Chegou a noite da despedida. Os mineiros meus amigos, armaram uma despedida com muita bebida – bebemos, cantamos, contamos piadas… cada uma pior que a outra. E eu sabia que às cinco ou seis da manhã, soaria a sirene que os chamaria para o trabalho na mina. E seria a hora de dizer adeus. Quando o momento estava chegando, eles me rodearam e me pediram uma coisa. Disseram: – Conta, conta pra gente como é o mar. E eu fiquei atônito porque não me vinha nenhuma ideia. Os mineiros eram homens condenados a uma morte antecipada nas tripas da terra, por causa do pó de sílica. A média de vida era de trinta, trinta e cinco anos, não mais. Eu sabia que eles jamais veriam o mar, que iam morrer muito antes de qualquer possibilidade de ver o mar, porque estavam condenados pela miséria a nunca sair daquele povoado. Então eu tinha a responsabilidade de levar o mar a eles, de encontrar palavras que fossem capazes de molhar todos eles, para que pudessem sentir o gosto e o cheiro do mar. E esse foi meu primeiro desafio de escritor, a partir da certeza de que escrever serve para alguma coisa.

Eduardo Galeano – “O Caçador de Histórias” – Ed. L&PM

http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2019/09/por-que-escrevo.html 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Eduardo Galeano - El lenguaje 3

Eduardo Galeano

En la época victoriana, no se podían mencionar los pantalones en presencia de una señorita. Hoy por hoy, no queda bien decir ciertas cosas en presencia de la opinión pública:

el capitalismo luce el nombre artístico de economía de mercado;

el imperialismo se llama globalización;
las víctimas del imperialismo se llaman países en vías de desarrollo, que es como llamar niños a los enanos;

el oportunismo se llama pragmatismo;

la traición se llama realismo;

los pobres se llaman carentes, o carenciados, o personas de escasos recursos;

la expulsión de los niños pobres por el sistema educativo se conoce bajo el nombre de deserción escolar;

el derecho del patrón a despedir al obrero sin indemnización ni explicación se llama flexibilización del mercado laboral;

el lenguaje oficial reconoce los derechos de las mujeres, entre los derechos de las minorías, como si la mitad masculina de la humanidad fuera la mayoría;

en lugar de dictadura militar, se dice proceso;

las torturas se llaman apremios ilegales, o también presiones físicas y psicológicas;

cuando los ladrones son de buena familia, no son ladrones, sino cleptómanos;

el saqueo de los fondos públicos por los políticos corruptos responde al nombre de enriquecimiento ilícito;

se llaman accidentes los crímenes que cometen los automóviles;

para decir ciegos, se dice no videntes;

un negro es un hombre de color;

donde dice larga y penosa enfermedad, debe leerse cáncer o sida;

repentina dolencia significa infarto;

nunca se dice muerto, sino desaparición física;

tampoco son muertos los seres humanos aniquilados en las operaciones militares:

los muertos en batalla son bajas, y los civiles que se la ligan sin comerla ni beberla, son daños colaterales;

en 1995, cuando las explosiones nucleares de Francia en el Pacífico sur, el embajador francés en Nueva Zelanda declaró:

«No me gusta esa palabra bomba. No son bombas. Son artefactos que explotan»;

se llaman Convivir algunas de las bandas que asesinan gente en Colombia, a la sombra de la protección militar;

Dignidad era el nombre de unos de los campos de concentración de la dictadura chilena y Libertad la mayor cárcel de la dictadura uruguaya;

se llama Paz y Justicia el grupo paramilitar que, en 1997, acribilló por la espalda a cuarenta y cinco campesinos, casi todos mujeres y niños, mientras rezaban en una iglesia del pueblo de Acteal, en Chiapas.


Eduardo Galeano,  Patas arriba. La escuela del mundo al revés

sexta-feira, 18 de julho de 2014

um poema de eduardo galeano



AqJá resta pouco da Palestina.
Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa.
Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira.
As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa.
Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva.
Hitler invadiu a Polónia para evitar que a Polónia invadisse a Alemanha.
Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo.
Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel engole outro pedaço da Palestina, e os almoços continuam.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Nosotros decimos no, de Eduardo Galeano

Poemas del Alma


La decisión de leer todo aquello que tenga el inconfundible sello de Eduardo Galeano lleva al interesado a conocer propuestas como “Las venas abiertas de América Latina”, “Los días siguientes”, “Su majestad el fútbol” y “Memoria del fuego”, trabajos que no sólo revelan la extraordinaria capacidad del autor uruguayo para seducir a través de las palabras sino que también brindan la posibilidad de apreciar las aptitudes periodísticas de este hombre que nació en Montevideo el 3 de septiembre de 1940.
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Nosotros decimos noDentro de la amplia variedad de libros de su autoría también está “Nosotros decimos no”, un material que surgió en 1989 (hacia la misma época de aparición de “El libro de los abrazos”) y que agrupa las creaciones de perfil periodístico y algunos discursos que Galeano desarrolló entre 1963 y 1988.
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Como podrán descubrir aquellos que accedan al contenido de esta obra, el texto que ha inspirado el título de la propuesta que hoy ha querido recordar Poemas del Alma forma parte de las palabras que pronunció el autor en Santiago de Chile en el marco de la inauguración de unas jornadas. En él, Galeano se valió del plural para sostener ideas como “Decimos no al elogio del dinero y de la muerte. A un sistema que pone precio a las cosas y a la gente, donde el que más tiene es el que más vale y decimos no a un mundo que destina a las armas de guerra dos millones de dólares cada minuto mientras cada minuto mata treinta niños por hambre o enfermedad curable”.
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Más adelante, el uruguayo aprovecha la trascendencia internacional que tienen sus dichos para agregar que también está allí para oponerse “a un sistema que no da de comer ni da de amar, que a muchos condena al hambre de comida y a muchos más condena al hambre de abrazos”.
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El texto sigue y ofrece otras reflexiones interesantes, pero para no abrumarlos con información y mantener su curiosidad al respecto, mejor será que, si desean leer los artículos de Eduardo Galeano, consigan un ejemplar de “Nosotros decimos no”.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dias y Noches de Amor y de Guerra de Eduardo Galeano

Dias y Noches de Amor y de Guerra
Editorial: Catalogos I.S.B.N : 950-9314-01-3 Clasificación: Ficción Y Literatura Cuentos / Relatos Formato: Rústica Disponibilidad: Actualmente sin stock (pedido especial) Paginas:202 Publicación: 01/01/1984 | Idioma: Español .
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Días y noches de amor y de guerra de Eduardo Galeano:

Las prosas cortas que componen este libro no son prosas dispersas. Pese a que no las une ninguna trama, las une y anima un solo motivo: la necesidad de recordar los días y noches —en Guatemala, en Uruguay, en Argentina; también en Cuba, en Brasil y en todas partes adonde los exiliados fueron a dar— en que el amor y la guerra lo significaban todo. De hecho, algo más que la necesidad de la memoria es lo que entreteje a todas estas prosas, breves, precisas e inolvidables: el placer de recordar a muchos que ahora están muertos y a otros que aún están con vida. En este libro, Galeano acopia recuerdos —pavorosos muchos, tiernos otros, jocosos algunos, hermosos todos— de gente y situaciones que la máquina de muerte de las dictaduras quisiera borrar para siempre. Es un libro conmovedor, notable por dos razones: porque su tema es la tragedia de un continente y porque es una celebración de la resistencia, de la memoria y de la vida.
  Ha participado en esta ficha: loreana 
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http://www.lecturalia.com/libro/14566/dias-y-noches-de-amor-y-de-guerra
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Eduardo Galeano
Eduardo Galeano: Nació en Montevideo en 1940. Allí se inició en el oficio periodístico, y allí publicó su primer libro. A comienzos de 1973, vivió exiliado en la Argentina y en la costa catalana. A principios de 1985 regresó a Montevideo, donde actualmente vive. En dos ocasiones fue premiado por la Casa de las Américas y por el Ministerio de Cultura del Uruguay. Recibió el American Book Award de la Universidad de Washington por su trilogía "Memoria del fuego", y el Premio a la Comunicación Solidaria, de la ciudad española de Córdoba, entre otros. En 2008 los países miembros del MERCOSUR lo designaron primer ciudadano ilustre.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008


Eduardo Galeano


"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: È proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja, ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca"
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O jornalista e escritor Eduardo Hugbes Galeano nasceu no inverno de 1940, em Montevidéu. Aos 14 anos já publicava desenhos que assinava como “Gius”. Galeano fez de tudo: foi mensageiro, desenhista, peão em fábrica de inseticida, cobrador, taquígrafo, caixa de banco, diagramador, editor e peregrino pelos caminhos da América. Em Montevidéu dirigiu um semanário chamado Marcha e foi diretor do jornal Época. Preso pelo regime militar uruguaio, em 1973 começa seu exílio na Espanha. Transfere-se para a Argentina, onde funda a revista Crisis com Julio Cortázar, escritor e jornalista argentino. Em 1985, após 12 anos de exílio, Galeano retorna ao Uruguai. Para ele, as lembranças dos regimes militares ainda lhe causam muita dor. Quando ocorreu o golpe na Argentina, em março de 1976, vários de seus companheiros desapareceram e outros foram torturados. Nessa época, o escritor de Veias Abertas corria risco de vida, pois seu nome fazia parte de uma lista de procurados. Em uma entrevista, o escritor disse que a única maneira para a brutalidade das ditaduras não se repetir é manter a história viva.
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A história é um profeta com olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será. Essa frase é do escritor uruguaio Eduardo Galeano e foi publicada na contracapa do livro As Veias Abertas da América Latina, que está completando 30 anos de seu lançamento em 1971. Em uma época que a maioria dos países latinos convivia com as mordaças das ditaduras militares, Galeano rompeu o silêncio e denunciou os instrumentos de espoliação, as injustiças à sombra do poder e o saque ao continente. Fatos, como ele mesmo diz, que insistem em se apresentar como obra do destino e do acaso. Aos 60 anos, idolatrado pelas esquerdas, Galeano tornou-se símbolo de resistência à exploração dos povos oprimidos do continente latino-americano. Sua voz não cala e suas palavras continuam encantando leitores de todos os continentes. Durante a abertura do Fórum Social Mundial, a atriz Celina Alcântara subiu ao palco de seios à mostra e, cercada por desempregados e trabalhadores sem-terra, recitou uma crônica escrita por Galeano em 1998. A interpretação do texto O Direito ao Delírio, que fala de um século 21 sem pobres, guerras e meninos de rua, emocionou a platéia. 
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A capacidade que Galeano tem de encantar e de transmitir seus sonhos e a teimosia em querer transformar o mundo levaram mais de 700 pessoas a disputar um lugar no Teatro da PUC, durante a sua palestra no FSM. Todos queriam ver o autor com quem compartilham planos, frustrações e esperanças. Em sua primeira frase o escritor já arrancou aplausos: “Se podemos organizar toda essa gente aqui, somos mesmo capazes de tudo”, referindo-se ao princípio de tumulto causado pela superlotação do auditório. Em seguida, leu uma série de crônicas suas, onde retrata as dores e os projetos da humanidade e a barbárie dos tempos que instituíram “o medo global”.
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Questionado sobre as perspectivas para América Latina, passados 30 anos da publicação de Veias Abertas, Eduardo Galeano diz que a América Latina empobreceu, perdeu sua soberania e diminuiu sua autonomia, ao mesmo tempo em que o sistema neoliberal global foi se articulando e tornando-se unânime, alimentando-se das desigualdades, que são cada vez maiores. Por isso, a América Latina tem um imenso desafio e vamos ver como reage frente a ele. Poderá ser uma cópia do mundo desenvolvido e dos países que nos governam ou poderá seguir o seu próprio caminho, o caminho das suas próprias esperanças. Esse é o desafio que está diante de nós. E acredito que o melhor que temos no mundo é a quantidade de mundos existentes, as diferentes culturas e as mais variadas formas das coletividades se expressarem. Ou nos afirmamos com nossos próprios ideais ou vamos nos converter em uma sociedade que aceita a história oficial, nos tornando uma caricatura dos países ricos, que roubam nossa memória e as nossas riquezas. Diz que a situação da América Latina hoje piorou em relação aos 30 anos que se passaram, desde a publicação de Veias Abertas. Versão.
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Com relação ao neoliberalismo e a globalização, Galeano afirma: "O sistema de poder vende a si mesmo como eterno, o amanhã é outro nome de hoje, e nos convida à aceitação como modo de vida. Estamos paralisados por este sistema de poder. É assim porque assim será e nós estamos nos acostumando a esta eternidade e aceitamos tudo como se fosse inevitável. Estamos cada vez mais prisioneiros do dinheiro. A globalização, para além do comércio internacional, nos impõe uma cultura universal que se apóia no medo. Esse é um mundo paralisado pelo medo que impede de nos mover, até de tomar medidas que eventualmente não sejam aceitas pelo FMI. Nunca o mundo havia sido tão desigual nas oportunidades que oferece e tão igual nos costumes que impõe. O símbolo perfeito é o McDonald’s. Aconteceu a “mcdonaldização” do mundo. De certa forma, os pobres comem melhor que os ricos, que aceitam essa comida de plástico." 
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Com relação ao genocídio na América Latina, Galeano afirma: "Os países que mais armas vendem ao mundo são os mesmos países que têm a seu cargo a paz mundial. Felizmente para eles, a ameaça da paz está se debilitando e o mercado de guerra se recupera e oferece promissora perspectiva de rendas e de carnicerias ao sul do mundo. Este é um mundo criminalmente organizado. Mata-se muito à bala, vende-se cada vez mais armas. De acordo com números de organismos internacionais é possível afirmar que se o mundo dedicasse 12 dias, apenas 12 dias, do dinheiro que gasta em armamentos para ajudar as crianças pobres do planeta, estas crianças poderiam ter escola, assistência médica e comida. Portanto não se mata apenas à bala. Mata-se também de fome e de doenças curáveis. E não se matam só os corpos, mas também a alma. Há corpos a andar por aí sem vida. E matam o ar, a água e a terra. E matam o mundo." 
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[Fonte: República das Letras
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Bibliografia: Los días siguientes (1963), China (1964), Guatemala (1967), Reportagens (1967), Los fantasmas del día del léon y otros relatos (1967), Su majestad el fútbol (1968), As veias abertas da América Latina (1971), Siete imágenes de Bolivia (1971),Violencía y enajenación (1971), Crónicas latinoamericanas (1972), Vagamundo (1973), La cancion de nosotros (1975), Conversaciones con Raimón (1977), Días y noches de amor y de guerra (1978), La piedra arde (1980), Voces de nuestro tiempo (1981), Memória do fogo (1982-1986), Aventuras de los jóvenes dioses (1984), Ventana sobre Sandino (1985), Contraseña (1985), El descubrimiento de América que todavía no fue y otros escritos (1986), El tigre azul y otros artículos (1988), Entrevistas y artículos (1962-1987), O Livro dos Abraços (1989), Nós Dizemos Não (1989), América Latina para entenderte mejor (1990), Palabras: antología personal (1990), An Uncertain Grace com Fred Ritchin, Ser como ellos y otros artículos (1992), Amares (1993), Las palabas andantes (1993), úselo y tírelo (1994),O futebol de sol a sombra (1995), Bocas del Tiempo (2004), O Teatro do Bem e do Mal (2002)]. 


Memoria del fuego, de Eduardo Galeano

Poemas del Alma



31
Ago
 
Publicado por Julián Pérez Porto
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El uruguayo Eduardo Galeano era ya un escritor de fama internacional cuando comenzó a desarrollar la trilogía que se daría a conocer en la década del “�80 bajo el nombre de “Memoria del fuego”.
Memoria del fuego.
La serie, que se caracteriza por combinar las referencias históricas con detalles propios de la poesía épica, recursos del ensayo y elementos de la novela, se inició en 1982 con el título “Los nacimientos”, se amplió dos años más tarde a través de “Las caras y las máscaras” y llegó a su fin en 1986 con “El siglo del viento”.
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En ella, el también creador de “Las venas abiertas de América Latina”, “Los días siguientes” y “Su majestad el fútbol” ha logrado plasmar con gran maestría la visión indígena sobre la fundación de América, así como también ha podido cubrir todo lo acontecido en el territorio latinoamericano desde el siglo XV hasta el año 1700.
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Esta colección que no pretende ser una antología sino una propuesta con base documental narrada por un autor que se negó, al menos en este caso, a ser objetivo, ha sido elogiada por numerosos expertos y despertó admiración en cientos de lectores alrededor del mundo.
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En “Le Monde”, por ejemplo, este trabajo de Galeano fue presentado como “la memoria de los pueblos latinoamericanos”, mientras que Dan Bellm lo definió en “San Francisco Review” como “una obra maestra que desafía las categorías de la historia y de la ficción”.
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Si este antiguo texto desarrollado por el escritor nacido en Montevideo el 3 de septiembre de 1940 aún provoca curiosidad y conserva lectores es por atesorar una cuidadosa recreación de la opresión padecida por los indios, contar cómo los pueblos necesitan quitarse las máscaras impuestas por los invasores para poder hacer valer sus derechos y rescatar la historia de América para evitar que sus habitantes pierdan la memoria colectiva.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Poesia no CECAC

CeCAC - Literatura
Elogio da Dialética - Bertolt Brecht
Allende - Mario Benedetti
El nacedor - Eduardo Galeano
Perguntas de um operário que lê - Bertold Brecht
Dura Elegia - Pablo Neruda
O Manifesto - Bertolt Brecht
As cinco dificuldades para escrever a verdade - Bertolt Brecht
Meu último suspiro - Luís Buñuel
Operário em construção - Vinícius de Moraes
O Cobre e A Herança - Pablo Neruda
Carta a Stalingrado - Carlos Drumond de Andrade
António de Oliveira Salazar - Fernando Pessoa
Os Homens da Terra - Vinícius de Moraes
Cantar de mãe alemã - Bertolt Brecht
Quando o fascismo se tornava cada vez mais forte - Bertolt Brecht
Elogio do Aprendizado - Bertolt Brecht
Mãos Dadas - Carlos Drumond de Andrade
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Esta página encontra-se em www.cecac.org.br
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Direitos Humanos: Muros

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* Eduardo Galeano
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.O Muro de Berlim era notícia diariamente. De manhã à noite líamos, víamos, escutávamos: o Muro da 
-->O Muro de Berlim era notícia diariamente. De manhã à noite líamos, víamos, escutávamos: o Muro da Vergonha, o Muro da Infâmia, a Cortina de Ferro...
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Por fim, esse muro, que merecia cair, caiu. Mas outros muros surgiram, continuam surgindo no mundo e, embora sejam muito maiores do que o de Berlim, deles, pouco ou nada, se fala. 
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Pouco se fala do muro que os Estados Unidos estão a erguer na fronteira mexicana e pouco se fala dos muros de Ceuta e Melilla. Quase nada se fala do Muro da Cisjordânia, que perpetua a ocupação israelita de terras palestinianas e daqui a pouco será 15 vezes mais comprido do que o Muro de Berlim. E nada, nada de nada, se fala do Muro de Marrocos, que há 20 anos perpetua a ocupação marroquina do Saara Ocidental. Este muro, minado de ponta a ponta e de ponta a ponta vigiado por milhares de soldados, mede 60 vezes mais do que o Muro de Berlim.
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Por que será que há muros tão altissonantes e muros mudos? Será por causa dos muros da falta de comunicação, que os grandes meios de comunicação constroem a cada dia?
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Em Julho de 2004, a 'Corte Internacional de Justiça de Haia' determinou que o Muro da Cisjordânia violava o Direito Internacional e mandou que fosse demolido. Até agora, Israel não fez nada. Em Outubro de 1975, a mesma Corte havia determinado: "Não se estabelece a existência de vínculo algum de soberania entre o Saara Ocidental e Marrocos". Ficamos aquém, se dissermos que Marrocos foi surdo. Foi pior: no dia seguinte ao desta resolução, desatou a invasão, a chamada 'Marcha Verde' e pouco depois apoderou-se a sangue e fogo dessas vastas terras alheias e expulsou a maioria da população.
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E por aí vai...
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Mil e uma resoluções das Nações Unidas confirmam o direito à autodeterminação do povo saaraui. De que serviram essas resoluções? Seria realizado um plebiscito, para que a população decidisse o seu destino. Para garantir a vitória, o monarca de Marrocos encheu de marroquinos o território invadido. Pouco depois, nem mesmo os marroquinos foram dignos da sua confiança e o rei, que havia dito sim, disse quem sabe?... E depois de um ano disse não, e agora o seu filho, herdeiro do trono, também diz não. A negativa equivale a uma confissão. Negando o direito de voto, Marrocos confessa que roubou um país.
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Continuaremos aceitando tal coisa? Aceitando que, na Democracia Universal, os súbditos só podem exercer o direito de obediência? De que serviram as mil e uma resoluções das Nações Unidas contra a ocupação israelita dos territórios palestinianos? E as mil e uma resoluções contra o bloqueio de Cuba? O velho provérbio ensina: "A hipocrisia é o imposto que o vício paga à virtude".
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O patriotismo é hoje, um privilégio das nações dominantes. Quando praticado por nações dominadas, o patriotismo torna-se suspeito de populismo ou terrorismo, ou simplesmente não merece a menor atenção. Os patriotas saarauis, que há 30 anos lutam para recuperar o seu lugar no mundo, conseguiram o reconhecimento diplomático de 82 países. Entre eles, o meu país, o Uruguai, que recentemente se somou à grande maioria dos países latino-americanos e africanos.
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Porém, a Europa não. Nenhum país europeu reconheceu a República Saaraui. A Espanha tão pouco. Este é um grave caso de irresponsabilidade, ou talvez, de amnésia, ou, pelo menos, de desamor. Até há 30 anos atrás, o Saara era colónia de Espanha e a Espanha tinha o dever legal e moral de amparar a sua independência.
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O que deixou ali o domínio imperial? Após um século, quantos universitários formou? No total, três: um médico, um advogado e um perito mercantil. Só isso. E deixou uma traição. A Espanha serviu de bandeja essa terra e essa gente para que fossem devoradas pelo reino de Marrocos.
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Desde então, o Saara é a última colónia de África. Teve usurpada a sua independência.
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Por que será que os olhos se negam a ver o que está diante deles? Será por serem os saarauis uma moeda de troca, oferecida por empresas e países que compram de Marrocos o que Marrocos vende, embora não seja seu? Há dois anos, Javier Corcuera entrevistou, num hospital de Bagdad, uma vítima dos bombardeios contra o Iraque. Uma bomba tinha destroçado um dos seus braços. E ela, que tinha oito anos de idade e tinha sofrido 11 cirurgias, disse: "Tomara não tivéssemos petróleo".
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Talvez o povo do Saara seja culpado porque no seu longo litoral reside o maior tesouro pesqueiro do Oceano Atlântico e porque sob a imensidade de areia, que parece tão vazia, existe a maior reserva mundial de fosfatos e, talvez, também de petróleo, gás e urânio.
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No Alcorão poderia estar escrito, embora não esteja, esta profecia: "As riquezas naturais serão a maldição das pessoas".
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Os acampamentos de refugiados, ao sul da Argélia, estão no mais deserto dos desertos. É um vastíssimo nada, cercado de nada, onde só crescem as pedras. E mesmo assim, nessa aridez, e nas zonas libertadas, que não são muito melhores, os saarauis foram capazes de criar a sociedade mais aberta, e a menos machista, do mundo muçulmano.
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Este milagre dos saarauis, que são muito pobres e muito poucos, não só se explica pela sua firme vontade de serem livres, algo que sobra nesses lugares onde tudo falta: também se explica, em grande parte, pela solidariedade internacional.
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E a maior parte da ajuda provém dos povos de Espanha. A sua energia solidária, memória e fonte de dignidade, é muito mais poderosa do que o vai-e-vem dos governos e dos mesquinhos cálculos das empresas. Digo solidariedade, não caridade. A caridade humilha. Não se equivoca o provérbio africano que diz: "A mão que recebe está sempre por baixo da mão que dá".
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Os saarauis esperam. Estão condenados às penas da angústia perpétua e da perpétua nostalgia. Os acampamentos de refugiados levam os nomes das suas cidades sequestradas, os seus perdidos lugares de encontro, as suas querências: El Aaiún, Smara...
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Eles se chamam filhos das nuvens, porque desde sempre perseguem a chuva. Há mais de 30 anos perseguem, também, a Justiça, que no mundo do nosso tempo parece mais esquiva do que a água no deserto.
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(Eduardo Galeano) Escritor e jornalista uruguaio, autor de "As Veias Abertas da América Latina" entre muitos outros livros 
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http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=1715
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(Eduardo Galeano) Escritor e jornalista uruguaio, autor de "As Veias Abertas da América Latina" entre muitos outros livros  - Montevidéu, 26/04/2006, (IPS).