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domingo, 30 de março de 2008

Negócios do “terço”, do turismo e do imobiliário

“Ratzinger criou agora a fama, entre as elites capitalistas, de ser um grande gestor. Num só ano de papado, o “óbolo de S. Pedro” aumentou 75 milhões de euros. Não só devido ao regresso à liturgia obscurantista mas também por altas manobras da banca do Vaticano. Só o Governatorato (administração do Estado Pontifício) fechou 2006 com lucros de 228 milhões de euros”.
Jorge Messias* - 08.09.07

É urgente salientar que as políticas de Sócrates e da sua “clique” de banqueiros estão a resultar num estrondoso fracasso. As falhas deste governo não se traduzem somente nos números do desemprego, do ensino, da saúde ou da segurança social. São evidentes, também, na incapacidade de Sócrates atingir os limiares das metas que ele próprio, pessoalmente se comprometeu a cumprir. As grandes obras públicas profusamente anunciadas, derrapam constantemente e, em norma, acabam por se afundar em escândalos financeiros. Os novos milionários dos “rankings” das fortunas juntam-se aos velhos capitães argentários dos tempos de Salazar o qual, para eles, continua a ser uma figura emblemática. A maquilhagem oficial que é dada ao desemprego e ao trabalho precário não consegue já ocultar o facto de que os índices crescem assustadoramente, com mais desempregados, mais falências, mais crédito mal parado e mais funcionários públicos remetidos para as “prateleiras”; e que o desmantelamento de áreas sociais (como a Saúde, o Ensino ou a Segurança Social) prossegue a bom ritmo mas à custa de mais miséria e da entrega à iniciativa privada de atribuições que a Constituição reserva como competências do Estado. Portugal está na cauda de todas as estatísticas comunitárias.

Tudo isto aparte, também é notório que Sócrates nem sequer entre amigos consegue brilhar. A tão celebrada Presidência da Europa está a terminar e as chefias portuguesas nada mais conseguiram senão agravar os problemas já existentes. Kosovo, Turquia e Afeganistão, imigração, segurança, bolsas de pobreza, desemprego, inflação, tudo na comunidade europeia vai de mal a pior. Com os ricos cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres, os fortes cada vez mais fortes e uma vasta multidão de homens e mulheres que o avanço tecnológico marginaliza, é altura de se perguntar, como Mário Soares tardiamente parece ter descoberto, que resultados finais trará a globalização?

Não poderão as “democracias” virem a ser substituídas pela manta de retalhos das oligarquias? É evidente que esse risco existe. Nós diríamos de outra maneira: é possível que a tentativa de globalização económica venha a traduzir-se na substituição das democracias virtuais ainda existentes por Estados fascistas organizados como grupos económicos e dominados pelas elites dos mais ricos. Para aí se caminha. Para uma ditadura de mercado.

Da presidência portuguesa da União Europeia não reza a história. A inépcia dos funcionários de Sócrates revelou-se ao longo destes últimos seis meses de pretensa glória. Subsistiram e agravaram-se as contradições entre os membros da Comunidade e é altamente duvidoso que a ardilosa proposta de tratado europeu seja consensualmente aprovada até Outubro próximo. Mesmo com todas as artimanhas que as maquiavélicas mentes de Durão e de Sócrates possam ter urdido. Com ou sem consulta popular. A Europa imperial sonhada pelos ricos é um sonho mau – um pesadelo – mas será apenas um sonho dos que dividem para reinar mas cada vez mais se isolam no Poder. Sócrates recorre agora às últimas tábuas de salvação: vende o património nacional e promete o Paraíso... para mais tarde, sempre para depois. Vende os próprios créditos públicos e quer, agora, vender Lisboa. Assim vamos com este governo às costas – de esquerda, laico, socialista - ao qual em tão má hora o eleitorado concedeu a maioria absoluta.

A face laico-clerical

Que a igreja católica aspira desde sempre ao poder político e ao dinheiro, é dado antigo da História. Mas nunca, em eras anteriores, esta ambição foi tão evidente como agora. É o progresso tecnológico. Os meios de comunicação actuam fulminantemente. Nem tudo se conhece, longe disso, mas no essencial descobrem-se os elementos-chave que explicam os contextos.

Frequentemente, nas notícias sobre a igreja católica institucional, tudo se opõe a si mesmo. São os enredos da intriga e da contradição. Procuremos apresentar alguns exemplos recentes.

O Papa Bento XVI (o antigo cardeal Ratzinger) gosta de apelar à imagem de uma igreja católica moderna, dinâmica, onde a filosofia do dogma coabite com o constante progresso do conhecimento científico. Pois esta preocupação estratégica central, sempre proclamada, não o impediu de recentemente apelar aos católicos a que regressem à prática tridentina do Rosário do Terço (15 dezenas de avé-marias todas as semanas, com missas e mistérios agrupados por séries, como nas telenovelas – mistérios gozosos, mistérios dolorosos e mistérios gloriosos). A recitação do Rosário pode ser feita individualmente ou em grupos, em voz alta e desfiando um colar de contas. A prática é depois compensada com bênçãos, bulas e perdões que, em geral, suscitam no crente a necessidade de ser materialmente generoso para com a Hierarquia. Ratzinger criou agora a fama, entre as elites capitalistas, de ser um grande gestor. Num só ano de papado, o “óbolo de S. Pedro” aumentou 75 milhões de euros. Não só devido ao regresso à liturgia obscurantista mas também por altas manobras da banca do Vaticano. Só o Governatorato (administração do Estado Pontifício) fechou 2006 com lucros de 228 milhões de euros.

O povo português, quando observa situações contraditórias deste tipo, costuma dizer que "a letra não joga com a careta", isto é, não há racionalidade e obscurantismo, nem pobreza apostólica e lucros financeiros. Sobretudo, está naturalmente impedido à Igreja regressar às práticas ancestrais das " lavagens ao cérebro".

Porém, se assim acontece no plano religioso outra é a Igreja que conduz as oportunidades de negócios.

Ainda muito recentemente, na área financeira, o Vaticano fez revelações inesperadas e sensacionais. A Santa Sé vai investir em sectores até aqui exclusivamente explorados por empresas capitais laicas. Segundo as regras concorrenciais dos mercados capitalistas.

Por exemplo, no Turismo religioso vai oferecer aos católicos novos produtos, promovendo as ligações aéreas, a baixos custos, entre os Santuários Marianos, nomeadamente Roma, Lurdes, Fátima, Santiago de Compostela, etc. São vôos regulares que em breve cobrirão todos os lugares sagrados da Europa e do Médio Oriente. Naturalmente que, a administração de Fátima se apressou a saudar esta decisão da Cúria Romana, salientando esperar que o Santuário movimente, em breve, cerca de 150 mil passageiros/ano, mesmo antes de reequipar e alargar, com infra-estruturas modernas, o pequeno aeródromo da Cova da Iria. Depois se verá, quando for lançado o TGV, quando as Misericórdias fizerem a sua reconversão no sentido do turismo religioso e da área assistencial subsidiada, etc. Cada problema se resolverá na devida altura.

Mas as "grossas" novidades não ficam por aqui.

Há notícias sobre a União das Misericórdias, confirmadas pelo seu presidente, que apontam para o envolvimento dessas IPSS no turismo e nas energias renováveis.

Manuel de Lemos levantou uma ponta do véu sobre as intenções das misericórdias na área do Turismo: " Este é o século do lazer e temos um vasto património imobiliário que poderemos rentabilizar, vocacionando-o para o turismo: hotéis e palacetes que podem ser reconvertidos, reservas de caça no Alentejo, um enorme espólio de peças de arte que pode ser exposto numa rede de museus que iremos lançar, as possibilidades abertas pelo turismo "sénior", etc., enquanto nos instalamos noutras áreas como as da construção de centrais fotovoltaicas, as actividades no campo da Segurança Social e o aproveitamento da rede das 398 Misericórdias sem fins lucrativos existentes no terreno e especializadas em serviços prestados às populações.

Este esclarecimento sugere, a proximidade com uma outra situação vivida em Reguengos de Monsaraz, onde uma figura destacada do Opus Dei, o engenheiro José Roquete (também ligado à SOMAGUE), pretende instalar hotéis de luxo com 17 mil camas, campos de "golfe", centros cinegéticos, etc., à custa da exploração dos recursos reunidos na Barragem do Alqueva!

Todos estes negócios e outros que se preparam, têm a assessoria da Universidade Católica que, para maior eficiência, acaba de criar o seu "Centro de Ética Económica" (CEE), dirigido pelo conhecido fundamentalista padre João Seabra, secretariado por outro membro da "Obra", o professor João César das Neves. O CEE irá formar, nos quadros da “ética cristã“, alunos das ciências empresariais e gestores de empresas ou grupos de empresas capitalistas. Ou seja, vai explicar a esses “condutores de homens”, o que fazer e como fazer para que a prática da exploração pareça humana.

De surpresa em surpresa, o Vaticano de Bento XVI não pára de surpreender.

Foi oficialmente anunciado que a Santa Sé entrou no mercado de compra e venda das quotas de poluição por dióxido de carbono. Conhecem-se alguns contornos deste negócio conduzido pela Secretaria do Estado do Vaticano e pelo Morgan Stanley (também conhecido conhecido como o banco do Papa nos EUA). Completam este grupo investidor (três mil milhões de dólares disponíveis para os negócios do carbono) outras instituições bancárias internacionais, bem cotadas nas Bolsas devido às suas ligações com o capital eclesiástico: o Citigrup, o Crédit Suisse e a Merill Lynch. A transacção em curso é negociada entre o grupo investidor e a Hungria e pode descrever-se da seguinte maneira: o Vaticano é grande poluidor e vai aumentar, no ano corrente, os níveis da poluição que produz. Deste modo, recorre ao mercado e compra a um outro Estado parte da quota que lhe foi atribuída na emissão de dióxido de carbono. Posto isto, a acção poluidora do Vaticano fica legalizada. Continuará a poluir a atmosfera, como se nada fosse. Em contrapartida, lá longe, nos confins da Hungria, o Papa irá participar financeiramente em parte da reflorestação do Parque Nacional de Bukk.

Basta de histórias do “ toma lá, dá cá ...”. Que mundo é aquele em que vivemos e como será possível aceitar toda esta farsa das democracias que cultivam, conscientemente a próxima ditadura, das religiões que dormem nas camas dos banqueiros, das igrejas que se prostituem, dos socialistas que roubam o poder democrático, da ética vendida como produto a quem mais der, dos pobres, miseráveis e famintos, tratados a pontapé pelos opulentos milionários cristãos?
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Ecoam na nossa memória os sermões ocos das metanoias, das reconciliações, das alternativas à luta de classes, das subsidiariedades, da defesa dos direitos do Homem entregues a verdadeiras mafias, dos socialistas sem ideologia nem códigos de honra, da coragem atribuída àqueles que tapam a honra e destapam a desonra, da conversão dos banqueiros ou das cruzadas de recristianização.
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Para além de tudo o mais, lutar e permanecer na luta é um acto de higiene mental... Não pode ser de outra maneira.


* Jorge Messias é amigo e colaborador de odiario.info

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sábado, 19 de janeiro de 2008

A matança dos «inocentes», segundo a História do Senhor M. Lima (Parte 2)


* Victor Nogueira
Introdução.
1. A Monarquia como sistema de Governo.
2. Sobre as eleições nos regimes republicano ou monárquico
3. Sobre Franco pela Graça de Dios e o pé descalço, irresponsável se votar pelo socialismo real, no entender de Kissinger.
4. - Serão legítimas a 1ª República e a Monarquia Portuguesas?
5. - Serão legítimas as independências dos EUA, do Canadá, do Brasil e de outros países da América Latina?
6. - As colónias portuguesas na Monarquia e na 1ª República
7. - Engano muito propagandeado e mentiras, com algumas linhas sobre D. António Barroso, Bispo do Porto
8. – Em jeito de conclusão
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Introdução.
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Há no PortugalClub, qualquer que seja o nome com que vai aparecendo na Caixa do Correio Electrónico, uma liberdade evidente: a de se poder escrever com total irresponsabilidade e fundamentação o que se quiser dentro de certos pârametros e a leviandade no tratamento de questões.
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Mas apesar da eventual leviandade, deficiente esclarecimento ou irresponsabilidade de quem vota, eu não esqueço a célebre frase de Lincoln. «Pode enganar-se todo o Povo durante algum tempo, pode enganar-se algum povo durante todo o Tempo, mas não pode enganar-se todo o Povo durante todo o Tempo».
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Para quem não saiba, Lincoln era membro do Partido Republicano, na altura progressista, foi um dos Grandes Presidentes, eleito, dos EUA e foi assassinado por defender o fim da Escravatura dos Negros, conseguida após uma sangrenta guerra civil entre esclavagistas e abolicionistas, embora o racismo e a segregação racial tenham persistido. Por isso não entrego a minha parcela de poder, de decisão, de responsabilidade, de inteligência e de liberdade a um qualquer pretenso Salvador da Pátria e dos Povos. Nem usurpo a dos outros e outras. E muito menos tenho essa arrogância ou infantilidade.
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Há pessoas cujos escritos aprecio, porque apesar das nossas discordâncias, sempre aprendo algo ou repenso alguma ideia ou argumento. Sem menosprezo por outros, refiro o Manuel O. Pina, o José Pires, o António Justo, o Brasilino Godinho, o Albino Pinho, o Henrique Lacerda Ramalho, o Luís Fraga, o Rui Silva, o Manuel Abrantes, o Jú e outros, que não trato por senhores, não por desrespeito, mas porque os considero meus iguais, seres pensantes, apesar da dificuldade de por vezes chegarmos à fala ou da evidente discordância que possa haver quanto aos argumentos ou posições que expressam.
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1. A Monarquia como sistema de Governo.


O senhor M. Lima aprecia o rei e defende a monarquia. Está no seu pleníssimo direito de entender que há «uma» família ou casa «real» cujos membros têm o exclusivo direito a governar, hereditária e vitalíciamente. Eles são os «iluminados», os bem educados, os sábios, os de «sangue», azul, porque não trabalhavam nem mourejavam de sol a sol ou como negros. Porque o Sol tisna ou bronzeia, com veias como tendões escuros à flor da pele e não linhas azuis numa pele esbranquiçada. Mas o que corria e corre dentro das veias de uns e outros tem a mesma cor: VERMELHA.
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Portanto há os eleitos por graça divina que podem governar hereditária e vitaliciímente, com um poder absoluto que só à força e por vezes sangrentamente foram obrigados a largar. E há os eleitos por voto popular, mas que não tendo «educação de berço» nem sangue azul, não podem aspirar a ditadores ou governantes vitalícios, como Chavez, ao contrário de Pinochet que instaurou uma ditadura sangrenta contrária ao voto popular, Senador Vitalício por sua própria decisão, para escapar a qualquer julgamento.
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Mas basta olhar para a história e ver que entre a realeza, portuguesa ou não, ao longo dos tempos, abundam os casos de traição, assassínio, casamentos de conveniência ou consanguíneos, infidelidade conjugal e filhos bastardos quanto baste, incesto, homossexualidade, pedofilia, pais que matam ou prendem filhos ou vice-versa, reis que assassinam cunhados à punhalada (Duque de Beja), ou que tiram o poder a irmãos acusados de demência, ou que perseguem poderosas casas rivais como os Távoras ou os Duques de Aveiro, etc, etc, etc. E os primeiros reis de Portugal seriam mesmo analfabetos e tinham outros que por eles escreviam e liam. Nem consta que os senhores D. Pedro IV e D. Miguel I, por exemplo, pouco mais fossem que analfabetos sem grande cultura. Ou que D. Manuel II tivesse tido qualquer educação para ser rei ou que seus pais o tivessem previsto.
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E note-se que os Conventos, Terras e Riquezas da Igreja já haviam sido expropriados no tempo da Monarquia e do Senhor D. Pedro I, ex-Imperador do Brasil cuja independência proclamara. Portanto, o senhor M. Lima, possivelmente mal informado ou sem «educação de berço», atribui à 1ª República «horrores» e «barbaridades» já feitas na Monarquia e que beneficiaram muito português emigrante, «o brasileiro torna-viagem», emigrando com uma mão atrás e outra à frente, regressando ricos do Brasil, que os reis portugueses seguintes «honraram» com Comendas, Viscondados, Marquesados ou Condados, meramente honoríficos e que também se podiam comprar ao Rei. Sem ofensa, até há um dito popular português que reza: «Foge cão, que te fazem barão! P’ra onde, se me fazem visconde?!” Prática seguida noutras Grandes Monarquias, como a do Reino Unido, onde se concedem títulos nobiliárquicos honoríficos a gente em cujas veias não corre o tal sangue azul nem teve e tal «educação de berço» de que falam o senhor M. Lima e uma comunista por ele citada mas não identificada.
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E, nas «democracias» actuais, o «Rei» é uma figura decorativa um corta-fitas, como no no Reino Unido desde o século XVII. Não manda nem governa. Tal como a Câmara dos Lordes. O Monarca é um homem ou mulher como outro qualquer, com qualidades, defeitos, perversidades, insanidade mental… Até já casam fora das casas monárquicas porque os laços de consanguinidade eram já de tal monta que a natureza cobrava os seus pesados direitos quanto à sanidade mental de muitos monarcas dos séculos XIX e XX. E que às vezes, apesar de fabulosamente ricos, lá acabam por ter de «pagar» impostos e já não têm o «direito de pernada», isto é, de tirar o cabaço ou desvirginar as raparigas do povo, antes do noivo.
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E lá vem o Porto à baila; durante séculos, ao contrário do que sucedia noutras terras, os Senhores, Rei incluído, não tinham o direito de aboletar ou hospedar-se em casa dos súbditos, sem consentimento do dono da casa, obrigado a sustentá-lo e à sua comitiva, à borla, como sucedia nas outras vilas e cidades de Portugal. E também no Porto o Rei ou os Nobres não podiam construir palácios ou permanecer mais de três dias, porque essa era a vontade da burguesia, Talvez aqui a força da burguesia conseguisse aproveitar do despique pelo Poder entre o Rei e o Bispo do Porto.
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2. Sobre as eleições nos regimes republicano ou monárquico
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Eu bem sei que as eleições são na maior parte das vezes uma fraude, em que ganha quem tem maiores apoios financeiros. E quem apoia financeiramente, não o faz por amor aos pobres e aos sem trabalho. Nem os quer esclarecidos e conscientes da sua força. Daí a trapaça feita pelos capatazes e mandaretes a soldo de ocultos mandantes e verdadeiros beneficiários, de barriga bem cheia e bolsa bem aviada.
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Ainda assim, embora se conheçam por exemplo as falcatruas eleitorais nesse Grande País defensor da democracia conhecido como os EUA, onde se assaltam sedes de partidos gémeos ou vencem candidatos menos votados (Watergate e Bush Jr são bons exemplos) e onde são adoptados modelos de boletim de voto ou métodos de votação e de apuramento de votos que são tudo menos simples e transparentes, eu continuo defensor da limitação temporal de mandatos ou candidaturas. Eu bem sei que nas «democracias» ocidentais, todas a Leste dos EUA, os governante eleitos alternam entre si num corrupio entre as cadeiras do Governo e as cadeiras dos Conselhos de Administração de Grandes e Lucrativas empresas, embora como simples mandaretes mesmo que queiram convencer o pagode do contrário e afastá-lo do «nojo» e «porcaria» da politica.

Mas resta a ilusão ou não de que o meu voto e o de outros consigam um dia correr com os verdadeiros mandantes de mandaretes «governantes» trapaceiros, vendidos e conluiados com redes criminosas, de narco-tráfico, pedofilia, prostituição e de armamento, ou amigos de «ditadores» como Pinochet, Saddam, Noriega, Fulgêncio Baptista, Sekou Touré, Suharto, Mobuto, Marcos ou os Al-Saud, enquanto não puserem em causa os interesses da escassa minoria que efectivamente governa ou não sejam corridos pela ralé.
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No entanto reconheço o direito à existência de quem se considere de menoridade mental, incapaz de decidir e assumir as consequências das suas opções, preferindo a sombra tutelar dum qualquer ditador, mesmo que disfarçado com nomes que são aparência para iludir os incautos ou menos esclarecidos.
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3. Sobre Franco pela Graça de Dios e o pé descalço, irresponsável se votar pelo socialismo real, no entender de Kissinger.
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A história da Guerra de Espanha e de Franco, senhor M. Lima, tal como a de Pinochet, está mal contada. É que eles encabeçaram movimentos minoritários apoiados pelos ricos para contrariar o voto popular. Tal como a história dos «inocentes» da Igreja Católica, cujos sacerdotes até são condenados em Boston por pedofilia. Para não falar daquele Padre da Madeira que fugiu para o Brasil.
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E que se saiba também houve Padres que alinharam em Espanha pela República e foram fuzilados em nome da Fé e de Cristo pelas milícias franquistas. Tal como padres católicos que ao lado dos comunistas e de outros democratas fizeram parte da resistência ao nazismo e ao fascismo em França ou na Itália. Ou países como Bulgária, a Finlândia e a Dinamarca cuja população se recusou colectivamente a entregar os judeus aos nazis, passando mesmo o Rei dum dos países nórdicos a ostentar a Estrela de David. Mas esses não constam do rol das santidades em altar e veneração. Franco e Pinochet afinal seriam «mais» esclarecidos, melhor educados e sabiam melhor que o pé descalço o que para estes convinha. Afinal Franco e Pinochet, lídimos defensores da Civilização Cristã e Ocidental, morreram confortados com os Sacramentos da Santa Madre Igreja. Mas com Chavez e Fidel ou Salvador Allende ou Chico Mendes, aí a história já é outra, pintada com tenebrosas cores e cabeça a prémio em nome da «democracia».
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E Salazar, que terá morrido confortado com os mesmíssimos Sacramentos da Santa Madre Igreja, nunca ostentou ao peito a Estrela de David, antes perseguiu o monárquico, católico, abastado e conservador consul de Bordéus Aristides de Sousa Mendes, que morreu proscrito e na miséria, por dar vistos a torto e a direito para salvar judeus da barbárie nazi-fascista e ter ousado desrespeitar as ordens expressas do católico Chefe do Governo Português.
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Pensa ainda assim que neste mundo, senhor M. Lima, ao contrário do que Cristo pregou, uns são filhos de Deus e outros do Diabo? E que também há raças e povos superiores e povos e raças inferiores, como os nazis consideravam os europeus latinos, incluindo os portugueses? Tal como os Portugueses, incluindo Salazar e Caetano, consideravam a maioria dos portugueses e os negros ou cafres?
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Sabe que até há um beatificado Juan Diego, inventado pela Igreja Católica, o que «descobriu» ou «recebeu» a mensagem da Virgem de Guadalupe, milagreira e de muita devoção popular na América Latina? Já pensou na quantidade de dinheiro que os pobres deixam nesses santuários e em muitas igrejas?
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É como as histórias de Saddam e de Noriega, um sanguinário ditador, outro narcotraficante ditador, «apeados» em nome da «democracia», um porque quis mudar para a zona Euro o que provocaria o descalabro da ficcionada fortaleza do dólar, outro porque quis que o Canal do Panamá regressasse à soberania deste país e deixasse de estar sob o domínio dos EUA. Como outra personagem de ficção, um Bin Laden, ex-sócio de Bush nas negociatas do petróleo,
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4. - Serão legítimas a 1ª República e a Monarquia Portuguesas?
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A linhas tantas escreve o senhor M. Lima «Recordo-lhe que em Portugal, os democratas republicanos não conquistaram o poder de forma legítima».
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Bem, voltemos à realeza: face à legitimidade da época, D. Afonso Henriques quebrou o seu juramento de vassalagem ao Rei de Leão, «pagando» ao Papa para que este legitimasse a sua traição e, reconhecida esta, deixou de pagar tributo a Roma. E assim o condado Portucalense nasceu duma ilegitimidade «perdoada» pelo Papa a troco de dinheiro, papa que se viu defraudado no pagamento anual do «imposto». Sabia lá D. Afonso Henriques que estava a dar origem a um novo País. Sabiam lá os servos da gleba que tinham passado a ser portugueses com efeitos retroactivos. Seria D. Afonso Henriques um homem de vistas largas, desinteressado e de honrada palavra? Sobre a honradez até no tempo de Salazar se falava na história de Egas Moniz, poderoso e rico senhor feudal, aio de Afonso Henriques, ter ido de baraço no pescoço com a sua família perante o Rei de Leão por causa da quebra de palavra do seu pupilo.
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Face à legitimidade da época, em 1383 os Reinos de Portugal e de Castela deveriam unificar-se e Portugal submeter-se a Espanha. Num acto de traição, apoiados pelo Povo e pela Burguesia, o mestre de Avis, filho bastardo de D. Pedro I, e D. Nuno Álvares Pereira e outros nobres, revoltaram-se. Portugal manteve a independência – 2ª ilegitimidade – e os nobres que respeitaram o dever de vassalagem ao legítimo herdeiro foram expropriados, em benefício de «traidores», face à legitimidade da época. Do casamento dum filho bastardo do rei D. João I, Mestre de Avis, com uma filha legítima do riquíssimo D. Nuno Àlvares Pereira, transformado em poderoso Senhor pelo seu apoio ao Mestre, nasceu a ainda mais poderosa Casa de Bragança, produto de bastardias várias. Isto, de misturas de viril e másculo «sangue» azul» com plebeias. Note-se que D. João I, mestre duma ordem religiosa, teve de pedir autorização ao Papa para quebrar o obrigatório voto de castidade e assim assegurar descendência.
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Em 1580 Filipe II de Espanha , face à legitimidade da época, tornou-se rei de Portugal. Um outro bastardo, D. António, o Prior do Crato, sede doutra Ordem Religiosa, embora apoiado pelo Povo, foi derrotado. O seu pai, também Prior do Crato e filho legítimo de D. Manuel I, apesar do obrigatório voto de castidade, casou secretamente e à revelia da autorização do Papa com uma mulher da pequena nobreza. E foi um timorato D. João, rico, poderoso e acomodado Duque da Casa de Bragança, que «restaurou» a independência» de Portugal, com êxito porque o Rei de Castela estava ocupado com outra ilegitimidade: a revolta na Catalunha contra o domínio Espanhol. D. João IV era filho duma Dama da Nobreza espanhola e casado com uma Dama da Alta nobreza espanhola, que o teria incentivado a tomar a coroa nas mãos, com o argumento de «antes rainha uma hora que duquesa toda a vida». Face à Lei e aos costumes da época, D. João IV e D. Luísa de Gusmão poderiam ser acusados e julgados por Alta Traição. Ou não?
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Ah! Não esquecer a preciosa ajuda diplomática desenvolvida pelo jesuíta e católico Pe. António Vieira, junto das Cortes Europeias, para reconhecerem a legitimidade do ilegítimo acto que retirou o Governo de Portugal das «mãos» dos Filipes. Êxito a que não seriam alheios os interesses do Rei de França, apoiante da revolta na Catalunha, interessado em quebrar o poder do Rei de Espanha, tal como o Reino Unido.
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Portanto, Portugal existe graças a uma sucessão de ilegitimidades, traições, quebras de palavra e de juramentos de fidelidade, mancebias, bastardias e misturas com sangue plebeu, pelo que, em coerência com o pensamento do senhor M. Lima acerca da 1ª República Portuguesa, deveria restaurar-se a monarquia e entregar-se o Trono a Juan Carlos de España. Ou teríamos de recuar a tempos mais antigos? De qualquer modo com uma chamada de atenção – os bastardos e revoltosos usurpadores, D. João Mestre de Avis, e D. António, prior do Crato, eram Administradores de poderosas ordens religiosas ligadas à Igreja Católica, que já perdera o poder com os sucessivos cismas «protestantes» na Alemanha, nos Países Baixos, no Reino Unido, que prosperaram enquanto em Portugal se queimavam e perseguiam, judeus, que naqueles outros países encontraram condições para enriquecerem e permitirem o desenvolvimento do Capitalismo.
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Esclareça-se que a Constituição do 25 de Abril, para além de estabelecer a soberania popular e o direito de resistência, estabelece como único regime legítimo o da República. Mesmo Salazar nunca permitiu a restauração da Monarquia.
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Sabe o senhor M. Lima que o PPD/PSD tentou numa revisão constitucional alterar aquela norma constitucional, à revelia de qualquer consulta popular, deste modo abrindo as portas para que a Monarquia fosse restaurada? Ou seria para facilitar a anexação pela Espanha? Andam para aí a bramar contra o PS e o PCP, mas foi o voto destes que tal não permitiu. Iberistas no PS? Talvez! E monárquicos no PSD? Com que finalidade?
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5. - Serão legítimas as independências dos EUA, do Canadá, do Brasil e de outros países da América Latina?
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Ainda a talhe de foice, todas as «independências» nas Américas, Ásia, África ou Oceania foram contra a legitimidade estabelecida pela Igreja Católica em dividir o mundo entre Portugal e Espanha (Tratado de Tordesilhas) e depois, face ao nascimento duma nova legitimidade (a da ocupação efectiva), a soberania dos Reinos de Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e também da França e da Holanda foram desrespeitadas.
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Todos estas colónias proclamaram a República e a igualdade (até agora ainda fictícia) entre os homens/mulheres, o regime democrático e a separação de poderes legislativo, executivo e judicial. Ligeirezas que os Reis Absolutistas foram forçados a aceitar, face a novas legitimidades entretanto surgidas na França, nos EUA, nos Países Baixos, no Reino Unido.
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Uma única excepção: o «liberal» e legítimo herdeiro do trono Português, num acto de traição, proclamou a independência do Brasil, de que se tornou Imperador Mas esse «traidor» calmamente resignou a favor da filha D Maria, antes combinando o incestuoso casamento dela com o absolutista tio infante D. Miguel. Apesar destas traições qualquer destes personagens ocupou o Trono de Portugal, sem oposição que se visse. Mas por coerência, Senhor M. Lima, o Brasil deveria voltar a ser uma Província de Portugal e Portugal uma Região Autónoma ou não do Reino de Castela e de Juan Carlos? Ou seria ao Reino de Leão?
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Note-se que os absolutistas monarcas iluminados que diziam que o seu poder era de origem divina, nisso tendo o apoio da Igreja Católica, foram mais ou menos violentamente pressionados a ceder ou conceder que a soberania era outorgada não por Deus mas sim pelo Povo e neste reside, tendo mesmo alguns perdido literalmente a cabeça no cadafalso, como Carlos I de Inglaterra ou Luis XVI e Maria Antonieta de França.
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Quanto a D, Carlos I de Portugal, a Wikipedia» diz que « foi um homem considerado pelos contemporâneos como bastante inteligente mas dado a extravagâncias. O seu reinado foi caracterizado por constantes crises políticas e consequente insatisfação popular» É do seu reinado a crise do Mapa cor de rosa e da pequena história as inúmeras amantes e o facto de considerar Portugal uma choldra».
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Mas sobre a monarquia constitucional basta ler Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão ou mesmo o «pacífico» Júlio Dinis. E não esquecer que foi D. Carlos I que dissolveu o Parlamento, instaurando ilegitimamente uma ditadura seguida de plenos poderes a João Franco para governar. E D. Manuel II, apesar de não ter havido cuidado em educá-lo para ser rei, ainda tentou instaurar algumas medidas favoráveis às classes trabalhadoras e ao pé descalço. E já no tempo de D. Carlos ! Portugal estava na bancarrota e era de facto uma colónia inglesa. Bancarrota herdada pela I República.

6. - As colónias portuguesas na Monarquia e na 1ª República


Quanto à I República, não teve só defeitos. Teve virtudes. E também teve Presidentes da República que até morreram pobres e andavam de eléctrico misturados com a populaça, sem carros blindados de vidros fumados e motas parando o trânsito para dar passagem aos governantes e seus guarda-costas, infringindo todos os limites de velocidade e que nunca tiveram o alcunha de senhor Esteves, como Salazar, que aliás nunca pôs os pés nas colónias portuguesas.


Mas se outro mérito a 1ª República não devesse ter para o senhor M. Lima, é justo que este em coerência reconheça que foi graças à entrada de Portugal na I Grande Guerra que se conservaram as colónias portuguesas e falhou a tentativa de dividi-las entre o Reino Unido, o fiel Aliado, e outras potências europeias, tal como em parte conseguira D. Carlos I. O que não impediu que a ameaça duma canhoneira inglesa fossa bastante para que a Monarquia Portuguesa abrisse mão do Mapa Cor de Rosa, como sucedeu.
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Não fosse a I República e a independência das colónias viria a ser dada depois da II Grande Guerra pelo Reino Unido e pela Alemanha e não haveria saudosos do Império nem «retornados» ou «espoliados» do Ultramar e os colonos portugueses teriam de ir reclamar junto dos Governos Inglês, Francês, Alemão ... Ou então não teriam necessidade disso porque as independências seriam uma fachada para que tudo continuasse na mesma - os brancos e alguns negros privilegiados, a maioria da população na mesma miséria.

Não tivesse Timor petróleo e não fosse Angola um dos países mais ricos do Mundo cujo desenvolvimento industrial Portugal e Salazar sempre travaram e não haveria guerras nem pretextos para choros hipócritas pela «matança» de inocentes. Afinal quem mandava em Angola, para além de alguns grandes capitalistas portugueses de mentalidade atrasada, excepção a Champalimaud, eram, por exemplo, os Americanos e os Belgas. E em qualquer Escola ou Faculdade Portuguesa de Economia e nos Gabinetes Técnicos Estatais, antes do 25 de Abril de 1974, na era Marcelista, os técnicos e os professores e muitos alunos sabiam que ou a guerra terminava rapidamente ou Portugal entrava na bancarrota e na miséria ainda mais extremas, com o Povo na rua ou uma ditadura ainda mais feroz.

E se não houve o banho de sangue e a «vacina» defendidas por Kissinger e pelos EUA, foi porque Mário Soares, 1º Secretário Geral dum Partido Socialista previdentemente fundado em 1973 na República Federal Alemã o conseguiu convencer do contrário com a ajuda de Carlucci, que, nomeado embaixador em Portugal, veio mais tarde a ser Director da CIA.

7. - Engano muito propagandeado e mentiras, com algumas linhas sobre D. António Barroso, Bispo do Porto


Não sou admirador ou defensor de Mário Soares e muito menos do Partido Socialista. Mas pensava que já estava mais que provado que é pura mentira salazarista que Mário Soares tenha injuriado a Bandeira Portuguesa, Reconheça-se que Mário Soares é demasiado inteligente e político para cometer uma barbaridade dessas e assim dar armas ao inimigo.


E vamos ao que me levou a escrever esta longa crónica - D. António Barroso, Bispo do Porto e que foi primo do meu avô materno. O então Bispo do Porto, corajosa e conscientemente, foi um dos dois únicos Bispos Portuguêses que mandou ler na sua diocese, a do Porto, a «Pastoral do Episcopado Português» e por isso foi exilado (por duas vezes), tal como posteriormente D. António Ferreira Gomes, também Bispo do Porto, mas este por ordem de Salazar. Mas senhor M. Lima, essa de D. António Barroso ter sido violado, tal como freiras, onde foi desencantá-la? É que não encontrei até agora tal informação nem consta das histórias da minha família! Nem que alguma vez tenha sido «eliminado» (assassinado?), quer por Afonso Costa, quer por outro alguém. Morreu em liberdade, na sua cama, quando findou a sua passagem pelo Mundo.


Sei da história e dos escritos de D. António Barroso, filho de camponeses pobres, embora houvesse na família lavradores abastados, como o «ramo» do meu avô materno. D. António Barroso, que casou os meus avós maternos, foi, ao que me consta, conhecido como o «pai dos pobres». Como D. Manuel Martins, também proveniente da diocese do Porto, 1º Bispo de Setúbal, era o Bispo Vermelho, tal como D. Helder Câmara, no Brasil. Mas em paz e na cama não morreu Oscar Romero, Arcebispo de Santiago, em El Salvador, onde a Ditadura apoiada pelos EUA fuzilou 1500 sacerdotes católicos que estavam do lado dos pobres. Óscar Romero, defensor do Direitos Humanos e do Povo e dos miseráveis, foi deliberadamente assassinado com rajadas de metralhadora em plena missa, a mando da ditadura, cujo executante nunca foi julgado nem condenado e muito menos os mandantes!


Pois é, senhor M. Lima. Voltemos a D. António Barroso. Depois do 25 de Abril tive oportunidade de calcorrear Portugal inteiro.

Em Remelhe, continua lá uma avenida com o nome dele, que termina na porta do cemitério. Cá fora, um cuidado memorial com o busto em bronze, Lá dentro, logo à entrada, a capela com o seu caixão, bem cuidada e com exemplares dum folheto periódico livremente distribuído, relativo ao Bispo, tendo o pároco a meu pedido oferecido-me uma colecção quase completa. Por detrás da capela, um cuidado obelisco onde primitivamente fora colocado o caixão.


Em Barcelos, em lugar de destaque, uma cuidada estátua dele, em corpo inteiro, no Largo com o mesmo nome, entre o edifício da Câmara e o antigo Palácio Ducal/Museu Arqueológico, ao lado da Igreja Matriz. A principal rua comercial de Barcelos (antiga Rua Direita), lá continua com o seu nome. Nas férias de Verão, quando vou ao Norte, em Barcelos as lojas ostentam cartazes impressos para avisar da romagem no final de Agosto até Remelhe, com inscrições, para assistir à missa pelo seu falecimento. Cordialmente, peço sempre um cartaz numa das lojas e simpaticamente mo oferecem quando digo que sou da família do Senhor D. António.


No Porto é que fia mais fino. No tempo de Salazar só encontraram uma ruela esconsa para lhe dar o nome. Lá continua triste, feia, bem perto da Rotunda da Boavista. Ah! E junto ao Convento de Santa Clara (é este o nome, parece-me) há um memorial recente e bem cuidado, salvo erro mandado edificar por uma associação de benemerência com o seu nome. E uma Associação ou Comissão para a sua beatificação, mas esse processo anda parado, não por causa do 25 de Abril, mas porque Roma tem dado prioridade ao fundador da Opus Dei, aos padres fuzilados pela República Espanhola ou aos pastorinhos de Fátima, os do Santuário.


Mas pelo Código Postal verifica-se que o nome de D. António Barroso figura em artérias de outras localidades – Águas Santas (Maia), Ermesinde (Valongo), Cernache de Bom Jardim (Sertã), Valejas (Oeiras), Ronfe (Guimarães), S. Miguel da Carreira (Barcelos). E participou no Concurso dos Grandes Portugueses, com uma modesta votação e lá tem a sua biografia no site da RTP.


O site da eb1-remelhe faz-lhe referência. Há um site na internet - http://www.remelhe.bcl.pt/antoniobarroso.htm. e livros sobre ele podem ser adquiridos. Regularmente leio nos jornais referências a ele e ao seu processo de canonização. E no site da diocese do Porto lê-se «A sua memória nunca foi esquecida. Provam-no a Capela-jazigo no cemitério de Remelhe, erguida por subscrição pública, logo após a sua morte; o I Congresso Missionário Português, em Barcelos, no ano 1931; a sua estátua imponente no centro de Barcelos; os painéis de azulejo com cenas da sua vida missionária, no Seminário de Cernache do Bonjardim (hoje, da Sociedade Missionária da Boa Nova); as romagens ao seu túmulo dos "Amigos de D. António Barroso", através dos anos, até aos nossos dias; a fama persistente de santidade, que levou a Diocese do Porto a introduzir o seu processo de canonização, em 1993, e que está em curso nas instâncias do Vaticano.
Para mim é-me indiferente a canonização de D. António Barroso. Não fico mais rico ou mais pobre e, sobretudo, não acredito em milagres e santuários nem no regresso de D. Sebastião, seja numa manhã de nevoeiro ou num dia de sol. E só falo disto porque também sobre este caso o senhor M. Lima está ou foi mal informado.
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8. – Em jeito de conclusão


Como se viu, a Monarquia Portuguesa e as independências das colónias, face à legitimidade que vigorava em cada época, são todas sucessivamente ilegítimas, feitas fora da Lei daquele tempo. E o ser traidor ou herói, depende de quem vê e conta a história. De traição em traição, de quebra de voto ou juramento em quebra de voto ou juramento, onde chegaremos atrás na história de Portugal e dos que tiveram uma «educação de berço»?

E como não consta do Novo Testamento que Deus tenha criado ricos e pobres ou países e povos eleitos e escolhidos pelo Senhor, como não consta que Cristo tenha defendido os ricos e até consta que correu à chibatada com os vendilhões no templo, receio que se hoje voltasse à terra fosse considerado um perigoso comunista, um terrorista, e se escapasse talvez estivesse a passar paradisíacas férias em Guantanamo, onde os hóspedes estão sujeitos à Carta dos Direitos Humanos e tratados com respeito pelas liberdades e garantias reconhecidas pela ONU, pelo Direito Internacional, pelas Convenções de Genebra e pela Constituição dos EUA.

Ainda para mais Cristo teria sido mandado pelo Pai para substituir o Deus colérico e violento que este era no Antigo Testamento, para em sua substituição pregar a Boa Nova (Novo Testamento) propondo a criação dum mundo de fraternidade, de respeito pela diferença representada pela Samaritana, pelo cobrador de impostos, pelos cegos e leprosos, ou por Maria Madalena, um reino de fraternidade baseado não nos laços familiares mas na irmandade entre os pobres, os excluídos, os famintos de sede e de justiça. Foi Cristo que teria dito “Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (S.Mateus,30).
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Acha, senhor M. Lima, que já chegou o tempo de separar o Trigo do Joio e de ceifar a Seara? Não me parece que Cristo entendesse que tal decisão competisse aos Ricos, aos Avarentos, a César. Mas sim àqueles que multiplicaram o pão e os peixes para saciar a fome da multidão que os havia amassado ou pescado! Que o não guardaram para si, aferrolhados, mas os distribuir para matar a fome e a sede de justiça. Se não, porque teria ele corrido à vergastada com os vendilhões do Templo?
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Regressando a D. António Barroso, que foi Bispo do Porto, este não foi ostracizado pela 2ª República, iniciada a 25 de Abril de 1974, que também não proíbe a organização de colóquios nem de romagens, nem apagou o seu nome ou destruiu os monumentos nem inibe que a imprensa fale dele ou extinguiu a Obra de Benemerência com o seu nome ou proibiu a venda e circulação dos seus escritos.


Houve um rei Português, D. Sebastião, que andou a abrir as arcas tumulares dos seus antepassados indo morrer ingloriamente em terras do norte de África, descuidando os negócios do Governo da Monarquia e não assegurando descendência prévia, sabe-se lá porquê! Esta obsessão pelos esqueletos já vem de longe, do tempo do rei Afonso IV que mandou assassinar a nora indiferente ao sofrimento do filho. É lenda que D. Pedro I tivesse mandado exumar o cadáver de D. Inês para coroá-la rainha e obrigar ao beija-mão real dum esqueleto ou dum cadáver pútrido.


E tal como alguém aqui disse, chega de chorar pelo D. Sebastião ou abrir campas para desenterrar mortos, para esconder o medo de sair da sombra protectora da Mãe e da Autoridade Severa e mais ou menos benevolente do Pai. Ser adulto significa ter capacidade de decidir em consciência e de exigir e lutar pelo respeito, pelos outros, dessas qualidades.


Por isso, senhor M. Lima, eu e muitos cidadãos, em Portugal e pelo Mundo fora, não lhe passaram procuração nem subscreverão a sua conclusão: «Em suma: Deus, Pátria, Família e Rei, deve ser o lema de todo o Português que preza Portugal e tem orgulho no seu Grandioso passado, orgulho nos milhões de Portugueses que labutam por esse Mundo fora, sendo os Grandes Obreiros de boa imagem que temos, e sobre a qual já ouvi vários testemunhos, e que está de olhos postos no futuro, com Fé, Esperança e Caridade.»


Ao contrário de si, senhor M. Lima, acredito nos homens e nas mulheres, acredito na inteligência e capacidades, na igualdade apesar das diferenças. Acredito na força do pé descalço quando se libertar das amarras que o prendem. E acredito no respeito que todos devem merecer, excepto os que querem espezinhar, enganar e esmifrar o próximo para seu proveito e grandeza, mesmo que minúscula e feita de migalhas ou lentilhas, embora todos nasçamos nús e despidos e acabemos comidos pelos vermes, mesmo que embalsamados.


E com as mãos e a inteligência acredito que o pé descalço venha a ser capaz de construir um mundo com base na Liberdade, na Igualdade, na Solidariedade, na Justiça Social, na Paz e na Democracia, no respeito pela Natureza e pelo Meio-Ambiente. Sem necessidade de andar subserviente, de espinha curvada, olhos no chão e chapéu na mão com a outra estendida à Piedade e à Caridade na Esperança duma esmola de quem quer que seja, capataz, cacique, reizinho de paróquia ou patrão.
Victor Nogueira
2008.01.15
De: HEROISdoMAR [mailto:heroisdomar@-------]
Enviada: segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008 0:59
Para: Undisclosed-Recipient:;
Assunto: A matança dos «inocentes»,

De: HEROISdoMAR [mailto:heroisdomar@----]
Enviada: segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008 1:08
Para: Undisclosed-Recipient:;
Assunto: «inocentes», segundo a História ( Conclusão )
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Ver também
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vaticano-beatifica-498-espanhóis.franquistas, por Pedro Chaveca
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ESCLARECIMENTO DO EDITOR DESTE BLOG.
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Nenhum dos comentários subsequentemente reproduzidos é de minha autoria. Todos eles foram retirados das mailing list que regularmente o PortugalClub despeja na minha caixa de correio, com minha permissão.
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Eu escrevi o texto que está neste post e o PortugalClub publicou.
Reconheço que o PortugalClub publica os que cada vez mais espaçasamente para lá envio, sem deturpações (o que não sucede com outros), mas logo de seguida vem um chorrilho de textos como estes que surgiram depois da publicação.
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Seguramente haverá quem me censure acerbamente por reproduzir textos que eu nunca subscreveria. Cada um/a tem a liberdade de lê-los e fazer os seus juízos e subscrições .
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Há quem me censure por ler o Correio da Manhã e ter deixado de gastar dinheiro com «quotidianos» ou semanários de referência. Mas o CM é o Jornal do Povo com muito lixo mas mesmo assim com secções e comentadores (todos estes do centrão) com um mínimo de nível. E a leitura dos comentários dos leitores no CM on line ou ua ausência são um indicador relativamente credível do que pensa o bom povo português.
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Victor Nogueira