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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Diderot, o enciclopedista, e sua História da Filosofia

Quarta-feira, 10/11/2010

Julio Daio Borges






Digestivo nº 473 >>> Não faz muito tempo, quando alguém resolvia atacar a Wikipedia, invocava, na hora, a tradição dos primeiros enciclopedistas, a saber: Diderot e D’Alembert. A Wikipedia era sempre acusada de imprecisão, de parcialidade e quase de “improbidade administrativa”. Mas, depois de ler Diderot, a pergunta que fica é: “Será que os acusadores da Wikipedia leram os primeiros enciclopedistas?”. Porque Diderot, ao contrário do que se poderia imaginar, é personalíssimo. Nesta continuação da sua História da Filosofia (que integra a famosa Enciclopédia, pela editora Perspectiva), ele não poupa elogios a Francis Bacon, quem nem é tão lembrado hoje, e desanca, por exemplo, Spinoza, porque, no alto do Iluminismo, Diderot não admitia um filósofo que não fosse minimamente religioso. O que é espantoso, mesmo para os padrões da Wikipedia ;-) Por incrível que pareça, o que há de mais saboroso nessa História da Filosofia são, justamente, as anedotas, as vidas dos filósofos, mais do que as filosofias propriamente ditas. Diverte-nos – outro exemplo – saber que Aristóteles, além de ser “A Inteligência”, na Academia de Platão, era um brincalhão, e tirava a concentração dos colegas, para a irritação do mestre. Diderot não se furta a colocar Leibniz nas alturas – mais um exemplo de personalismo –, afinal ele lançou as bases para a consagração do termo “enciclopédia”; mas, ao mesmo tempo, lamenta que, na França de sua época, se ensine mais “filosofia inglesa”, de Newton – embora não dedique ao precursor de Einstein nenhum capítulo... Objeções virão no sentido de considerar Newton um “físico” e não um filósofo propriamente dito, mas o capítulo extremamente elogioso sobre Galileu confirma que o nosso Diderot foi parcial, sim. (Jimmy Wales, pai da Wikipedia, talvez merecesse, como Galileu, a fogueira, a depender dos nossos inquisidores off-line...) Nomes como Thomasius, a quem Diderot consagra algumas dezenas de páginas, praticamente se perderam no limbo. E Malebranche, embora não esteja 100% esquecido, perdeu historicamente a influência. Por outro lado, suas apostas em Hobbes e Heráclito se revelam corretíssimas; o primeiro, por seu Leviatã, ensinado até hoje; e o segundo, por haver sido reabilitado, pela filosofia alemã. A propósito: nenhuma palavra, por parte de Diderot, sobre Kant, seu contemporâneo. Esse último dado talvez explique por que a História da Filosofia da modelar Enciclopédia se sirva (ainda) da escolástica, mesmo com alguns laivos de filosofia moderna... E ai de alguém que, a título de experiência, reproduzir um único (e escasso) verbete do mestre Diderot, na Wikipedia – será desancado através dos séculos... em nome da... da... Enciclopédia (não lida)!
>>> Diderot: Obras VI - O Enciclopedista - História da Filosofia I
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Diderot Obras VI - O Enciclopedista

Conceito do Leitor:  Seja o primeiro a opinar
Autor: GUINSBURG, J.
Autor: ROMANO, ROBERTO
Editora: PERSPECTIVA
Assunto: FILOSOFIA
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Julio Daio Borges
Editor

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Sobre o autor:

ROMANO, ROBERTO
Roberto Romano é professor de Filosofia na Universidade Estadual de Campinas e ensaísta com presença marcante no debate de idéias, no Brasil. Voltado sobretudo para os temas e problemas – contemporâneos ou clássicos – da ética, da política e da estética, seu pensamento crítico vem se traduzindo em larga colaboração na imprensa e em palestras e conferências, bem como em numerosos estudos e ensaios publicados em revistas especializadas ou em livros. É autor de 'Brasil, Igreja contra Estado'; 'Conservadorismo Romântico'; 'Corpo e Cristal. Marx Romântico'; 'Lux in Tenebris'; 'Silêncio e Ruído' e 'O Caldeirão de Medéia'.
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sábado, 24 de julho de 2010

A Questão dos Livros, de Robert Darnton

DIGESTIVOS >>> Literatura

Terça-feira, 13/7/2010
Literatura
Julio Daio Borges




Digestivo nº 466 >>> A Questão dos Livros, de Robert Darnton
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Ao contrário dos jornais que passaram anos ignorando a questão da internet para depois se relançar como “do futuro”, o mercado editorial brasileiro se comportou de forma mais madura, e depois do Kindle (e do iPad), resolveu encarar o assunto da digitalização. A Companhia das Letras saiu na liderança com, justamente, A Questão dos Livros, de Robert Darnton, ex-professor de Princeton e atual diretor da biblioteca da Universidade de Harvard. O volume foi considerado datado pela imprensa e, de fato, Darnton coligiu seu ensaios antes do iPad (a Amazon, por exemplo, surge mais como livraria do que como editora ou distribuidora de livros eletrônicos). Possivelmente redigido no auge do Google – antes da Apple ultrapassá-lo em valor de mercado –, o livro discute basicamente o avanço do gigante das buscas em direção ao acervo de bibliotecas públicas. Darnton escreve à maneira de um acadêmico francês com aversão ao capitalismo, mas seu argumento faz sentido (embora tenha perdido a força): o Google Book Search está se apoderando de um patrimônio comum, para veicular anúncios e “monetizá-lo”, atropelando editores, autores e guarda-livros. O tom de A Questão dos Livros é apocalíptico, e alguém que o ler sem as últimas informações do iPad e do Kindle, vai se preparar para a débâcle da civilização. O fato é que, em matéria de livro eletrônico, a Amazon tomou a dianteira e a Apple lançou sua versão de leitor apenas neste ano. Outros fabricantes, como a HP, também devem consolidar seus aparelhos, mas a verdade é que o Google não se definiu em matéria de tablet (apesar dos rumores). Ninguém imaginava, ainda, que o iPhone (2007) fosse se consagrar como plataforma e, na sua esteira, o promissor iPad. Assim, os temores de Darnton se revelaram infundados, porque o Google Book Search não se tornou tão hegemônico. Mais um exemplo: Tim O'Reilly, o editor e visionário da Web 2.0, teme, hoje, muito mais a Apple do que o Google (em termos de monopólio). A digitalização dos livros é, definitivamente, um fato, mas A Questão dos Livros serve para nos mostrar que a discussão de ontem não é a de hoje, muito menos os vaticínios e os temores.
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>>> A Questão dos Livros
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ISBN: 8535916768
ISBN-13: 9788535916768
Livro em português
Brochura
- 21 x 14 cm 1ª Edição - 2010


232 pág.

Sinopse

O historiador norte-americano Robert Darnton decidiu reunir em um único volume seus artigos abordando a questão do livro, depois de verificar que, na última década, ele havia sido convidado a um grande número de conferências sobre a suposta 'morte do livro', levando-o a suspeitar que estes, ao contrário, deviam estar muito vivos. Abordando questões como - 'Estaria a era do livro em papel encadernado chegando perto do fim, em face dos avanços trazidos pelas tecnologias digitais?', Darnton discute alguns temores que esta paisagem suscita. Por exemplo, será que a iniciativa do Google de digitalizar livros de grandes bibliotecas públicas americanas sinaliza uma tendência monopolística visando apenas ao lucro? E como ficarão os interesses de editores e autores em um processo que pode assumir características predatórias, como ocorreu com a indústria fonográfica? 
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Sobre o autor:

DARNTON, ROBERT
Nasceu em 1939, em Nova York. Filho de jornalistas, graduou-se em história em Oxford. Entre 1964 e 1965 trabalhou como repórter policial no jornal The New York Times, mas abandonou definitivamente a imprensa para aprofundar suas pesquisas sobre a França pré-revolucionária. Atualmente é professor de história européia na Princeton University.



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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Prólogo, com um Prólogo dos Prólogos, de Jorge Luis Borges



Terça-feira, 8/6/2010
Prólogo, com um Prólogo dos Prólogos, 
de Jorge Luis Borges
Julio Daio Borges





Digestivo nº 464 >>> Talvez mais que um escritor, Borges fosse um leitor. Possivelmente, o maior leitor do século XX. A impressão, em seus escritos, é a de que leu tudo e que, embora vítima de cegueira progressiva, alcançou uma espécie de clarividência em vida. Como entregou sua existência à literatura, esta parece que escolheu-o como seu porta-voz. Ler Borges, ouvir Borges ou, ainda, ler as transcrições das falas de Borges é tomar contato com a melhor tradição da literatura. Borges conseguiu ser a literatura em pessoa. E seus contos podem ser tomados como verdadeiros ensaios literários. Não é diferente neste Prólogo, com um Prólogo dos Prólogos (1975), que a Companhia das Letras acaba de reeditar. Conforme sugere o título, o volume reúne prefácios que Borges escreveu para obras ou autores que conhecia intimamente, ou para alguns contemporâneos (ninguém é perfeito). Logo, Prólogo... é Borges no seu elemento, falando de literatura, como o leitor de maior autoridade do seu tempo. Nesta coleção de prólogos, estão naturalmente as obsessões, como Cervantes (obsessão comum a quase todos os autores de língua espanhola e à maioria dos romancistas em qualquer língua): “As frases truncadas do realismo de nosso tempo lhe teriam parecido uma grosseria indigna da arte literária”. Carlyle – também uma leitura de Nietzsche –, ainda que seu gosto aristocrático chocasse a futura correção política: “A história do mundo é a biografia dos grandes homens” (alguém falou aí em povo?). Também Emerson (outro preferido de Nietzsche, e de Harold Bloom), Gibbon, e, para sempre, Kafka: “Sua mais indiscutível virtude é a invenção de situações intoleráveis(...) Preferia ter escrito uma obra feliz e serena, não a uniforme série de pesadelos que sua sinceridade lhe ditou”. Somos brindados, ainda, com análises do Bartleby, de Melville, Folhas de Relva, do imenso Whitman, e até Valéry. Sem contar, a tentação de “obras de amigos” como Adolfo Bioy Casares. Quem ama a literatura, no nosso século, terá Borges para sempre como guia. E este Prólogos é mais uma oportunidade de retomar essa rica tradição.
>>> Prólogo, com um Prólogo dos Prólogos
Julio Daio Borges
Editor

Sinopse

Em 1975, quando foram reunidos os exercícios críticos que Borges vinha publicando desde a década de 1930 na imprensa de seu país, muito se revelou do pensamento do escritor argentino do século XX. De sua leitura depreende-se não só a erudição, mas também sua variedade de leituras - dos poetas gauchescos argentinos a E. A. Poe, de Cervantes a Lewis Carroll, de Gibbon a Kafka. Redefinido por ele como uma 'espécie lateral da crítica', o prólogo funcionou para Borges como instrumento de penetração na obra literária, revelando a teia subjacente de relações entre um livro e sua cultura, um autor e seus pares. A obra 'Prólogos, com um prólogo de prólogos' convida o leitor a reviver o percurso de descobertas e surpresas trilhado pelo escritor argentino.

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Sobre o autor:


BORGES, JORGE LUIS
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Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires no dia 24 de agosto de 1899. Em 1914, viajou com a família para a Europa e instalou-se em Genebra, na Suíça, onde completou o curso secundário. Em 1919, tendo se mudado para a Espanha, entra em contato com o movimento ultraísta. Ao retornar a Buenos Aires, funda com outros escritores a revista Proa, em 1922, e, no ano seguinte, publica seu primeiro livro de poemas, Fervor de Buenos Aires. Colabora a partir de então em 'Martin Fierro', 'La Prensa', 'Síntesis', e, mais tarde, em 'Crítica', 'Sur' e 'El Hogar'. Artigos em jornais e revistas, críticas literárias, livros de poesia, ensaios e contos completam a produção desses anos em que seu nome tem difusão no ambiente literário local. Com Ficções (contos) publicado em 1944, obtém o Grande Prêmio de Honra da Sociedade Argentina de Escritores. Logo depois, funda e dirige a revista 'Anales de Buenos Aires' (1946-1948) e preside a Sade (Sociedade Argentina de Escritores) de 1950 a 1953. Em 1955, passa a fazer parte da Academia Argentina de Letras e é nomeado diretor da Biblioteca Nacional - cargo que ocuparia até se aposentar, em 1973. Também ensina literatura inglesa na Universidade de Buenos Aires. De sua vasta produção, cabe citar obras narrativas como História universal da infâmia, Ficções, O informe de Brodie e O livro de Areia; ensaios como Evaristo Carriego, História da Eternidade, Discussão e Outras Inquisições; e doze livros de poesia, o último deles - Os conjurados - publicado em 1985. O Prêmio Formentor (compartilhado com Samuel Beckett), outorgado em 1961 pelo Congresso Internacional de Editores, lhe valeu o reconhecimento no mundo todo. Começa então a receber importantes homenagens de universidades e governos estrangeiros, assim como numerosos prêmios, entre eles o Cervantes, em 1980. Sua obra foi traduzida para mais de 25 idiomas e adaptada para o cinema e a televisão. Prólogos, antologias, traduções, cursos e conferências são testemunho do trabalho infatigável deste escritor - morto em Genebra, em 14 de junho de 1986 - que mudou o panorama da literatura universal e valorizou a língua espanhola.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

2000 - 2009 - Uma década na Literatura




Literatura >>> Literatura em 2000-2009

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O início da década do novo século, obviamente, seria "assombrado" pela literatura do século anterior. Assim, os primeiros anos da década de 2000 assistiriam a reedições de monstros como Guimarães Rosa (pela Nova Fronteira, com direito a exposição no Museu da Língua, Centenário e 50 anos do Grande Sertão); Nélson Rodrigues (que continuaria crescendo pós-Ruy Castro, com edições de Caco Coelho, e mudança da Companhia das Letras para a Agir); Rubem Fonseca (com bons livros de contos, romances medianos e também migração para a Agir); e Dalton Trevisan (com obras como Pico na Veia e Macho Não Ganha Flor, merecendo, ainda, o epíteto de mestre do conto, e mantendo-se na Record). Mais para o final da década, seriam reeditados, igualmente, Jorge Amado, Vinicius de Moraes e Jorge Luis Borges, pela Companhia das Letras. Graças ainda à editora de Luiz Schwarcz - acompanhada de quase todas as grandes -, a década de 2000 ficaria conhecia como aquela em que o livro de bolso, finalmente, decolou no Brasil (com selos como Companhia de Bolso e Sabor Literário). Também a década dos eventos literários, capitaneados pela Flip; e dos prêmios literários, com destaque para o Portugal Telecom. A Geração 90 continuaria assombrando, com seus autores de qualidade duvidosa, e a chamada Geração 00 ficaria eternamente associada à internet (aos sites literários e aos blogs). O principal autor internacional do período continuaria sendo Philip Roth (mais um Nobel-que-não-foi). E o principal autor nacional do período seria Milton Hatoum, com Dois irmãos, Cinzas do Norte e Órfãos do Eldorado. Ainda se destacariam, na prosa, Cíntia Moscovich, Michel Laub e Daniel Galera; na poesia, Paulo Henriques Britto, Douglas Diegues e Fabrício Carpinejar (este oscilando um pouco); e, na crônica, Ricardo Freire, Antonio Prata e Ana Elisa Ribeiro. A principal editora a surgir, entre as tantas ligadas à internet, seria a Livros do Mal - que, além do mesmo Galera, revelaria Daniel Pellizzari e Clarah Averbuck. O principal crítico literário, no Brasil, se revelaria Sérgio Rodrigues, de NO. e NoMínimo; e, dos anos 2000, Paulo Polzonoff Jr., com passagens pelo Rascunho, por este Digestivo, por blogs e por livros como O Cabotino. A década veria, ainda, a consolidação de editoras (com, por exemplo, as aquisições do Grupo Ediouro); e a chegada das espanholas, como Planeta e Prisa-Santillana. E se pairou a ameaça da digitalização de volumes, promovida pelo Google, o livro atravessaria a década longe da pirataria (ao contrário de CDs e DVDs, no mesmo período). A nova década, contudo, acenaria com o Kindle - e o negócio do livro, então, mudaria para sempre...
>>> Mais Literatura
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domingo, 27 de dezembro de 2009

DENTRO DA BALEIA E OUTROS ENSAIOS - George Orwell

 DIGESTIVOS

Sexta-feira, 24/2/2006
Digestivo nº 267
Julio Daio Borges








Literatura >>> Política versus literatura

Há muito tempo ouvimos falar dos ensaios de George Orwell, o autor de 1984 e A Revolução dos Bichos. Sua obra de não-ficção é quase tão célebre quanto seus dois clássicos como romancista. Orwell viveu intensamente a primeira metade do século XX, experimentando os impactos diretos e indiretos de duas guerras mundiais, sendo um militante de esquerda e, depois, desiludindo-se com política. Fora a aventura de ser escritor (um salve-se-quem-puder em qualquer época, mesmo que em inglês). Um pouco dessa intensidade está em Dentro da Baleia e outros ensaios (2005, Cia. das Letras, 227 págs.), com organização de Daniel Piza e orelha de Sérgio Augusto. E Orwell vale sempre pela sua honestidade intelectual. Inesquecíveis as passagens em que ele desmonta a esquerda, apontando que a melhor motivação para alguém se converter ao socialismo é a falta de trabalho ou dinheiro. Ou então desconstruindo a classe conservadora da Inglaterra, derrubando totens como Johnatan Swift, de Viagens de Gulliver – que, para Orwell, só podia ser impotente sexualmente, para ter tanto horror ao corpo... E é incrível que, de lá pra cá, o mundo tenha mudado muito, mas não tenha, ao mesmo tempo, mudado tanto. Orwell já via sinais de decadência no maniqueísmo de esquerda & direita antes da metade do século XX – mas continuam praticando-o até hoje. No Brasil... Fora os insights literários que valem, igualmente, o livro. As vivências do escritor como resenhista e até profissional do mercado livreiro, num sebo. A fatalidade de assistir à execução de um prisioneiro de guerra; o desconcerto de ter de matar um elefante; e, de repente, o dever de ter de desmascarar Gandhi (ou qualquer outro herói com alguma aura “santa”). Orwell combina a incisividade de um bom filósofo com a clareza de um grande prosador. Sempre será um autor inevitável, para quem quiser revisitar as idéias do século passado.
Dentro da Baleia e outros ensaios (trecho) - George Orwell - 2005 - 277 págs.
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Sinopse

Os brasileiros conhecem bem o George Orwell de '1984' e 'A Revolução dos Bichos', duas fábulas políticas que marcaram época pelas críticas ao totalitarismo em imagens fortes. Mas a faceta de jornalista e ensaísta, apresentada em 'Dentro da Baleia', merece igual atenção. Sua prosa de não-ficção tem a mesma capacidade de prender o leitor e, de tão cristalina e flexível, tornou-se um estilo que as boas escolas de jornalismo estudam no mundo todo. Seus temas continuam vivos por obra e graça de sua transparência corajosa poder descritivo. Mesmo as reflexões políticas circunstanciais falam ao leitor de hoje. A organização do livro, a cargo do jornalista Daniel Piza, procura abarcar a variedade de assuntos que interessava a Orwell. Na primeira parte, o autor escreve sobre a carreira de escritor e lembra o período em que trabalhou como vendedor num sebo de livros. Ele também discute a arte da resenha e cria a categoria dos 'bons livros ruins', aqueles que seguimos lendo com empolgação mesmo cientes dos defeitos. Na segunda parte, temos o Orwell memorialista e analista político. Textos como 'Um enforcamento' e 'O abate de um elefante' são clássicos do jornalismo literário. Em 'Reflexões sobre Gandhi', Orwell causa controvérsia ao criticar a vaidade do pacifista mais famoso do século XX. Na terceira e última parte, literatura e política se misturam ainda mais, e ele examina autores como H. G. Wells, Tolstoi, Swift e Mark Twain à luz de suas opções políticas.

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O que a imprensa diz sobre: DENTRO DA BALEIA E OUTROS ENSAIOS
Estado de Minas  / Data: 11/2/2006
Política no ventre da baleia
João Paulo
George Orwell (1903-1950) entrou para a história como autor de dois romances políticos de denúncia, A revolução dos bichos e 1984. Entrar para a história não é apenas força de expressão. Com os dois volumes, ele se tomou um dos mais importantes críticos da experiência stalinista e do autoritarismo velado das chamadas sociedades livres, mesmo que pela força da metáfora. Orwell era um homem de esquerda, no sentido forte da palavra: era contra as injustiças, acreditava na ação política e confiava na direção civilizadora da história. De esquerda, mas nunca comunista. Antes de ser romancista - e talvez muito além de ficcionista -, George Orwell foi um jornalista ligado no seu tempo. Sua crítica e visão de mundo vêm exatamente de sua ética profissional: ele analisava o que se passava à sua volta, criticava o poder e apresentava seu olhar de maneira sempre clara. Não são muitos, atualmente, os jornalistas que agem assim, tanto na inteligência como na forma. Por isso a coletânea Dentro da baleia e outros ensaios tem, ainda hoje, grande interesse. O livro se divide entre os dois campos que tomaram a atenção de Orwell: a política e a arte. A seleção de Daniel Piza é equilibrada e inteligente. Na primeira parte, "Palavras, palavras", estão reunidos textos confessionais, que explicam de forma corajosa algumas das posturas do autor. No artigo "Por que escrevo", por exemplo, ele entrega: "Todos os escritores são vaidosos, egocêntricos e ociosos". Ao falar sobre o comércio de livros, confessa que está cansado de volumes antigos e, no texto sobre resenhas, afirma que a maioria dos livros não merece esse esforço. E completa: há mesmo livros considerados ruins que são mais úteis que obras-primas. Ao tratar de política, George Orwell se desdobra em duas vertentes. Numa, mostra sua vocação jornalística, ao narrar fatos da ocupação britânica e denunciar as condições subumanas de hospitais europeus. Orwell conhecia a realidade da classe trabalhadora e sabia que o sucesso da esquerda se devia mais ao desemprego que à ideologia marxista. A outra vertente, da crítica do poder, está representada no já clássico texto sobre Gandhi, em que parece mostrar o que todos viam e não tinham coragem de apontar: o projeto medievalista incapaz de resolver as grandes questões do país e a porção de vaidade presente na ação do líder indiano. George Orwell foi ainda bom analista de literatura, capaz de intuições argutas sobre Tolstoi, H.G. Wells e Henry Miller. Mas também de erros, como considerar a literatura de Mark Twain inferior à de Anatole France. Para um defensor da liberdade, é uma mancha sua participação na elaboração de listas de intelectuais criptocomunistas. Seu empenho era transformar política em arte. Talvez tenha falhado, ao achar que era possível estetizar a política. Mesmo nos erros, em muito menor número que os acertos, foi homem de seu tempo.

Veja  / Data: 21/12/2005
O paranóico lúcido
Sombrio nas previsões e certeiro na crítica ao totalitarismo, George Orwell foi um dos maiores ensaístas do século XX
Jerônimo Teixeira Naquela que é sua previsão central, George Orwell errou. "Estamos rumando para uma era de ditaduras totalitárias", escrevia ele, em 1940, no artigo que dá título a Dentro da Baleia e Outros Ensaios (tradução de José Antonio Arantes; Companhia das Letras; 228 páginas), coletânea organizada pelo jornalista Daniel Piza. Os novos tempos que se anunciavam seriam os mais sombrios da história: o "indivíduo autônomo" seria eliminado da existência. Naquele momento, com a II Guerra Mundial em seus princípios, o prognóstico de Orwell talvez não fosse tão exagerado. Mas, mesmo depois da derrota de Hitler, o escritor ainda sustentaria a mesma tenebrosa profecia no seu último e mais conhecido romance. Escrito em 1948 e publicado no ano seguinte, 1984 descrevia um mundo opressivo no qual os cidadãos vivem sob a permanente vigilância de um Estado autoritário. Essa projeção ficcional felizmente não se concretizou. Os anos 80 do século XX, pelo contrário, assistiram ao início da derrocada do comunismo soviético, a inspiração mais imediata de 1984. Não é por nada que já se falou até de um componente paranóico na obra de Orwell. Mas foi esse alarmismo militante que o manteve firme na recusa de toda e qualquer forma de tirania. Ele foi dos poucos intelectuais da esquerda européia que não flertaram com o stalinismo. Pelo contrário, fez da denúncia da barbárie comunista uma de suas missões como jornalista e escritor. Orwell era uma contradição ambulante: o paranóico lúcido. Filho de um funcionário colonial inglês, George Orwell (nome literário de Eric Arthur Blair) nasceu na Índia, em 1903. Na juventude, tentou seguir os passos do pai e serviu como policial numa colônia britânica, a Birmânia (atual Mianmar). Data daí sua profunda desilusão com a violência do colonialismo, expressa em dois dos mais poderosos textos da coletânea, Um Enforcamento e O Abate de um Elefante. De volta à Europa, no fim dos anos 20, viveu entre Paris e Londres, trabalhando como vendedor de livraria, resenhista de livros e jornalista. Foram anos duros, que o autor relatou em Down and Out in Paris and London (algo como Na Pior em Paris e Londres). Chegou a viver entre mendigos, embora haja quem diga que ele romantizou esse trecho da própria biografia: o que era apenas vida boêmia e dissipação foi transformado em pobreza e privação. Mas o empenho de Orwell pelas causas políticas e sociais estava longe de ser apenas festivo. Em 1936, ele viajou para a Espanha para lutar pelos republicanos na Guerra Civil. Foi ferido no pescoço, o que lhe deixou seqüelas permanentes. Dali em diante, só conseguiria falar em tom baixo (o que não o impediu de trabalhar para a rádio BBC durante a II Guerra). Foi com um devastador ataque aos rumos autoritários da revolução russa que Orwell alcançou o sucesso de público como escritor. A fábula A Revolução dos Bichos, de 1945, é uma bela realização de um ideal do autor: transformar a escrita política em arte. Mas é como ensaísta que o poder de fogo de Orwell se mostra mais certeiro e destruidor. Impecáveis tanto na elegância do estilo quanto na lógica argumentativa, os artigos de Orwell desmontam enganos e contradições do pensamento esquerdista. Embora tenha sempre se declarado um socialista, o escritor se recusava a obedecer a qualquer linha partidária. "A aceitação de qualquer disciplina política parece ser incompatível com a integridade literária", escreve Orwell. Sua integridade, porém, sofreu um golpe póstumo grave quando se descobriu, nos anos 90, que Orwell entregara uma lista de "criptocomunistas" aos serviços de informação britânicos, em 1949 (um ano antes de morrer de tuberculose). Entre os "companheiros de viagem" do Partido Comunista apontados pelo dedo duro de Orwell encontravam-se escritores como J.B. Priestley e atores como Charles Chaplin. Apenas um dos acusados era de fato um espião a serviço dos soviéticos – o jornalista Peter Smollett, também suspeito de ter aconselhado um editor inglês a recusar A Revolução dos Bichos. Ao que parece, a lista destinava-se apenas a evitar que o governo inglês contratasse comunistas em potencial, e nenhum dos acusados sofreu alguma forma de retaliação (a Guerra Fria na Europa não produziu os efeitos histéricos que se viram nos Estados Unidos do macarthismo). Mas é melancólico saber que o escritor tenha se rebaixado à delação anônima – logo ele, que em 1984 criticou a vigilância estatal do "Grande Irmão" (o Big Brother, ironicamente convertido em nome de reality show). George Orwell acabou traído por sua própria paranóia.
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http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/imprensa/imprensa_diz.asp?nitem=3185276&sid=184105107111226645935820425&k5=39F72278&uid=
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Na pior em Paris e Londres - George Orwel






Digestivo nº 292 Confessions of a dishwasher
Mais de 55 anos se passaram desde a morte de George Orwell, mas, ao contrário de outras velharias do século passado, ele continua obrigatório como leitura. Não só por causa de 1984, de A Revolução dos Bichos e do Big Brother (expressão que ganhou vida própria, em encarnações as mais variadas) – mas por causa dos seus ensaios. Orwell derrubou o seu Muro de Berlim antes de que fosse erigido o próprio. É leitura mais que indicada para fundamentalistas de esquerda, mas não vamos perder tempo, aqui, com política. Sua mais recente aparição, pela editora Companhia das Letras, é Na pior em Paris e Londres (Down and out in Paris and London, no original), com posfácio de Sérgio Augusto. Não propriamente um livro de ensaios de Orwell, mas um testemunho sobre sua experiência em matéria de pobreza na Europa dos anos 20 – com direito a “pegadas” ensaísticas, em alguns capítulos, inevitáveis. Orwell é subempregado, passa fome e mendiga. Arrisca a vida, causa danos irreparáveis à sua saúde e convive com a escória da humanidade. (Ainda que defenda seus colegas de infortúnio em muitas passagens.) É seu primeiro livro e, quando foi publicado, mereceu a pecha de exagerado. Nosso S.A. conta que na edição do próprio Orwell, recuperada recentemente em um sebo, alguns trechos mais picantes estão marcados com “this happened very much as described”. Depois de ler, e ponderar, o leitor descobre que pouco importa se tudo é 100% verdade. É George Orwell. Também indicado – no tempo em que nossos escrevinhadores confessam suas misérias on-line – para provar que gênio não se adquire, necessariamente, com uma boa passagem pela sarjeta. Orwell queria a experiência, sim, mas antes já era George Orwell (essa é que é a diferença).
>>> Na pior em Paris e Londres - George Orwell - 256 págs. - Companhia das Letras
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Sinopse

'1984' não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar para o cenário antevisto em '1984', o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo.


Vídeos relacionados


Trailer - 1984
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Hei de lembrar-te sempre com ternura - Júlio Caio Borges


DIGESTIVOS >>> Literatura

Quarta-feira, 23/12/2009
Literatura
Julio Daio Borges





Digestivo nº 302 >>> Hei de lembrar-te sempre com ternura
Do mesmo jeito que tem gente que acusa Antonio Carlos Jobim de não ser maestro coisa nenhuma, tem gente que acusa Vinicius de Moraes de não ser poeta. É uma controvérsia que se propaga pelas gerações afora de letristas de MPB. Carlos Heitor Cony, por exemplo, acha que Noel Rosa escreveu versos comparáveis aos de Camões. Já os Irmãos Campos se apoiaram na teoria de Ezra Pound, presente no seu ABC da Literatura, para definir Chico Buarque como “mestre” e Caetano Veloso como “inventor”. O fato é que a poesia – e não as letras de música –, de Vinicius de Moraes, vêm novamente à baila com o lançamento do seu Livro de sonetos em formato de bolso. Tem, lógico, o “Soneto de separação” (“De repente do riso fez-se o pranto...”), tem o “Soneto de fidelidade” (“(...) que seja infinito enquanto dure”) e tem a “Poética” (“Meu tempo é quando”), que Tom Jobim adorava citar de memória. Mas, embora João Antônio afirme ser Vinicius “um dos altos sonetistas que o idioma teve”, vida e obra se misturam sempre no caso do Poetinha, provocando confusão. Manuel Bandeira exagera ao compará-lo aos “parnasianos”, aos “simbolistas”, aos “românticos” (!), mas acerta ao classificá-lo como “homem bem do seu tempo”. Antonio Candido, idem, quando – mais carinhoso do que rigoroso – conclui: “A espontaneidade foi a sua mais bela construção”. Como conseqüência, apesar de ser magro o volume, em alguns momentos se arrasta a leitura, provocando, em nós, mais o prazer do reconhecimento, em algumas passagens (musicadas?), do que propriamente o prazer da surpresa e da novidade. É; tinha amigos influentes, o Vinicius... Até que ponto João Cabral de Melo Neto estava sendo sincero quando afirmou que Vinicius de Moraes poderia ter sido “o nosso grande poeta”? Não poderia ter sido; tanto que não foi. Acontece que a personalidade do Poetinha continua inebriante, para nós, contemporâneos seus – então vamos continuar perdidos em seu labirinto, sem coragem de fazer uma avaliação justa do que ele deixou.
  Livro de sonetos - Vinicius de Moraes - Companhia das Letras - 96 págs.
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SONETO DE SEPARAÇÃO
Vinícius de Morais
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
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De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
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De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
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Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Antologia Poética)

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http://www.veraregina.com.br/cantinho/portugue/poe-bras/20.htm
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Soneto de Fidelidade
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Vinicius de Moraes
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        De tudo ao meu amor serei atento
        Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
        Que mesmo em face do maior encanto
        Dele se encante mais meu pensamento.
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        Quero vivê-lo em cada vão momento
        E em seu louvor hei de espalhar meu canto
        E rir meu riso e derramar meu pranto
        Ao seu pesar ou seu contentamento
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        E assim, quando mais tarde me procure
        Quem sabe a morte, angústia de quem vive
        Quem sabe a solidão, fim de quem ama
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        Eu possa me dizer do amor (que tive):
        Que não seja imortal, posto que é chama
        Mas que seja infinito enquanto dure.
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Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
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Conheça a vida e a obra do autor em "Biografias".
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http://www.releituras.com/viniciusm_fidelidade.asp
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De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
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A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
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Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
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Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
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Nova York, 1950

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http://mundanado.wordpress.com/2009/12/14/poetica-vinicius-de-moraes/
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Antologia Poética
Rio de Janeiro . (2ª ed. aumentada, Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960); Editora A Noite .1954