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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Tatuagem

( Ricardo em merecidas vacances: lembrei-me que tinha este poema. Envio-te com um abraço. )

TATUAGEM

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* Fernando Manuel Pereira

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Neste desacerto
O mais certo é o silêncio
(minha obsessão...)
Que passa com enorme precisão
A medir o tempo para
lá da vidraça
Mancha Imaculada
Que por vezes me anima e inspira


O labirinto
Meus amigos é esta alucinação
Como fotografia densa e oblíqua
Espero a lentidão da madrugada
Uma palavra no quadro
Antes dela já tinha nascido um rosto
E um gesto


Uma tela cega sem passado
Cala a oculta aparição de mim mesmo
Um poema está exposto como se não existisse
Para lembrar alguém.
Acabarei por me lembrar de ti.


--
Fernando Manuel Pereira/ Poeta/ Setubalense

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terça-feira, 19 de agosto de 2008

Poesia enviada por Ricardo Cardoso


Arestas de Vento



Ricardo diz:
19/Ago/2008 15:44
Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O’Neill, in No Reino da Dinamarca

Ricardo diz:
22/Jul/2008 18:29
As mãos pressentem...

As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olhar

ergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada

Al Berto
Nas fotografias - Ricardo Cardoso de Arestas de Vento