03 de dezembro de 2009
Paul Cesar Helleu
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Chuva
Mas firma devagarinho
Com promessas de mais crescer.
Murmura umas distâncias remotas
E joga meu olhar distraído
Para bem longe daqui.
Lá onde pontos de luz no horizonte
Iluminam de prata o verde da grama
E pingam na minha vida
Uns lampejos que dançam irrequietos
Nos olhos, nos vidros, no coração
Na fantasia de um querer sem lógica.
Ribomba nostálgico das profundezas
O trovão do meu peito
Alcançando estas novas mágoas
Em águas que a ideia traz:
É ela, é ela, cabelos molhados
Súbito relâmpago de um corpo nu.
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Fábio Afonso de Almeida
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02 de dezembro de 2009
Albert Lynch
01 de dezembro de 2009
Under A Hat Rim
Of passing footfalls
Beat in my ear like the restless surf
Of a wind-blown sea,
A soul came to me
Out of the look on a face.
Eyes like a lake
Where a storm-wind roams
Caught me from under
The rim of a hat.
I thought of a midsea wreck
and bruised fingers clinging
to a broken state-room door.
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Carl Sandburg
O silêncio: lugar habitado
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Em litorais longínquos
as mulheres deitam-se sobre a areia
junto à rebentação das ondas.
Com os braços em cruz
afastam as embarcações costeiras
e aguardam que a lua inteira
inicie um inesperado bailado
perto de suas bocas.
E não há âncora nem cais
que emudeça o júbilo dos mastros.
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Graça Pires
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30 de novembro de 2009
Paul Cesar Helleu
Passado
ao lixo. Desconsidero. Ocorro saber
sobre o nada. Esconder em histórias
a fantasia do homem em glórias.
Remexo instantes e receio séculos
de ignorâncias. Futuro atravessado
à passagem. Interrompo o andarilho
e o desconsidero como obstáculo.
Recrio o passado em inversões
necessárias à sobrevivência: sou
o personagem
e minha é a lástima.
Repasso atos reproduzidos
em cadáveres e me vejo
olhar aquém da importância.
Remexo o suficiente para me dizer perdido
em amizades: ouso esquecer a cena
dissolvida em homenagens.
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Pedro Du Bois
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No meio das palavras
Quando, nos lábios, começa um continente,
suspenso no apelo líquido dos beijos,
há um barco que cresce nos meus olhos
e, entre búzios verdes, escrevo água.
Nunca a brisa se demora entre as dunas,
onde os barcos navegam sobre a espuma.
Tudo é secreto, se maio se repete
nas marcas da pureza recusada.
Um rosto ou um rio me fascinam,
quando a raiva e o sossego
me revelam a nascente
e, no meio das palavras,
procuro apenas um gesto
ou uma sombra.
GRAÇA PIRES
http://boticelli.no.sapo.pt/graca_pires.htm
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