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quinta-feira, 8 de março de 2018

Carlos Barbosa de Oliveira - A Visita


quinta-feira, 8 de março de 2018


A Visita

Dedicado a todas as mulheres solitárias deste mundo

A noite caiu há muito, está escuro como breu,  uma chuva miudinha rega  a terra seca  pelo prolongado estio.  Isilda chega à janela, afasta o reposteiro, abre a vidraça para sentir o cheiro da terra húmida,  procura  luzes  acesas em alguma das casas próximas. De Monfortinho a Monsanto toda a gente  já se foi deitar. Como sempre ela é a última, esteve até àquela hora a fazer companhia às personagens da telenovela que todas as noites lhe entram em casa. Com elas bebe chá ou café, no verão um refresco, quase sempre limonada, porque limões é coisa que tem em casa com fartura.

Isilda tem a sensação que as visitas  hoje se foram embora mais cedo. Olha para o relógio a confirmar, está parado nas 11 e 23 desde a morte do tio Marcelino, porque ela nunca mais deu corda àquela geringonça. Dá uma volta pela casa a certificar-se se está tudo bem fechado, um relâmpago ilumina o corredor escuro  e logo de seguida um trovão  ribomba, fazendo estremecer as frágeis paredes da casa.
Isilda tem medo, aconchega melhor o xaile ao corpo e pede protecção a Santa Bárbara.

Santa Bárbara, Bendita
Que no céu está escrita
Com papel e água benta
Para espantar esta tormenta
Espalhe-a lá para bem longe
Onde não haja eira nem beira
Nem raminho de oliveira
Nem raminho de figueira
Nem mulheres com meninos
Nem ovelhas com borreguinhos
Nem vacas com bezerrinhos
Nem pedrinhas de sal
Nem nada que faça mal…
Amen!

Um segundo trovão leva-a de volta à sala. Fica à espera. Passam alguns minutos, mas nada.  Vai para o quarto.Antes de apagar a luz beija o retrato do marido que há 24 anos repousa na cabeceira até que alguém lhe dê outro destino, quando Isilda morrer e com ele se for encontrar. Pelo menos é assim que ela pensa... Não consegue dormir. Volta a acender a luz, pega no livro de orações e finalmente adormece.
(…)
Acorda com o sr. Abílio que lhe traz o pão à porta.Fala-lhe do quarto.
Já tiraste o leite à vaca, Abílio?
Já D. Isilda. Está tudo direitinho. Quer vir ver?
Não, já vou buscar.
 A Júlia vem trazer-lhe o almoço à hora do costume. Hoje tem um petisquinho especial!
Ela que não se atrase, ouviste?
Esteja descansada!
Isilda levanta-se.  Liga o rádio enquanto toma o pequeno almoço. Está um belo dia de sol. Talvez dê uma volta pelo jardim, mas não pode demorar muito, porque- lembra-se- é dia de o filho lhe telefonar da Suíça.
Vai arranjar-se. Já não olha para o espelho, porque não quer ver  as rugas que lhe sulcam o rosto , outrora fascínio de  bela moçoila requestada em todos os bailes de Idanha, pelos rapazes desde Monfortinho a Castelo Branco.  Sai para o jardim. Corre uma aragem húmida e opta por ficar no alpendre enquanto espera a chegada das visitas. A Estrela troca mugidos com o Loiro da D. Ester, namoro antigo, o ti Tono passa com o rebanho e saúda-a com um bom dia, ela volta para dentro, esqueceu-se de pôr as jóias, apressa-se porque as visitas estão a chegar.
Senta-se no sofá em frente ao televisor , a Praça da Alegria já regurgita de gente.
Bom dia sr. Gabriel, Bom dia menina, Sónia. Então de que vamos falar hoje?

Em tempo: Este post foi publicado no crónicas on the rocks em Maio de 2012

terça-feira, 24 de maio de 2016

Porto Sentido ( um post para perder alguns amigos)

terça-feira, 24 de maio de 2016


Ontem, à hora do almoço, fui confrontado por pessoa amiga com o post que escrevi sobre o livro de Henrique Raposo, "Alentejo Prometido".

Quem me acompanhava na amesendagem  interpelou-me directamente:

- Se alguém  nascido tripeiro escrevesse um livro sobre o teu tão amado Porto, denegrindo a cidade, reagirias com a mesma fleuma?

A resposta saiu-me espontânea, rápida e sem rodeios:

Sem dúvida que sim. Depois de ler o livro e antes de escrever o post, coloquei-me nessa posição e não demorei muito tempo até encontrar a resposta. Se escrevesse um dia um livro sobre a minha infância e juventude no Porto, não seria meigo. 

A minha rejeição à cidade começou aos 12 ou 13 anos. Foi com essa idade que percebi que me tinha de pirar de lá. Apesar dos amigos, da vida feliz que aparentemente levava, sentia-me amarrado a um colete de forças. Sem espaço para respirar e poder ganhar asas para voar.

 Escolhi Direito para vir para Lisboa, porque detestava a claustrofobia do Porto, mais parecido com um bairro grande onde todos se conheciam e intrometiam na vida uns dos outros. Sempre adorei a história e a arquitectura do Porto mas, socialmente, o Porto era uma cidade detestável. Não suportava o bairrismo , a auto contemplação e aquela imagem superlativa que as pessoas   projectavam de si próprias para o exterior, que tresandava a provincianismo- versão pobre de bairrismo bacoco. Como se para além das fronteiras do Porto não existisse vida, ou a cidade fosse o centro de um mundinho onde as pessoas se sentiam estrelas bizarras de uma companhia provinciana. 

 Tive momentos muito felizes na cidade, sem dúvida, mas quando vim para Lisboa suspirei de alívio- apesar das saudades dos amigos.Foi como se me libertasse de um colete de forças e sentisse finalmente a vida a oferecer-se, desnuda, à minha frente. Sabia que Lisboa seria apenas uma etapa. O meu objectivo era saltar além fronteiras e correr mundo como, felizmente, veio a acontecer.

Não é certamente por acaso que hoje em dia os meus melhores amigos do Porto sejam os que tal como eu saíram de lá para estudar, ou logo que terminaram os estudos. Rumaram aos Estados Unidos ou à Europa e só regressaram décadas depois. Alguns estiveram em Macau numa terceira ou quarta experiência além fronteiras.  Como eu.

Alguns reencontraram-se com o Porto depois de uma passagem prolongada por Macau. Foi esse também o meu caso. Apaixonei-me pelo Porto aos 50 anos, mas não pelo Porto que conheci na adolescência. Esse está bem morto e enterrado e se por vezes o recordo neste Rochedo, é para lembrar as reminiscências de coisas boas.

A cidade hoje está muito mudada.Para melhor, obviamente. Cosmopolita, aberta, moderna e descomplexada (apesar de alguns resquícios de bairrismo que se reflectem em notas picarescas). Isso não impediria, obviamente, que escrevesse o que pensava ( e penso) do Porto dos anos 50/60/70. Tal como as pessoas, as cidades também mudam com a idade. Umas pioram, outras tornam-se melhores. Rejeitar isso é iludirmo-nos, ou mesmo mentir. Estás satisfeita com a resposta?

- Estou, mas creio que se escrevesses um post no teu Rochedo ou no FB a relatar esta conversa, ias arranjar alguns inimigos...

- Talvez tenhas razão, mas prefiro ter inimigos a falsos amigos. 

A frontalidade é uma característica que eu aprecio muito nos tripeiros genuínos.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Carlos Barbosa de Oliveira - O abcesso e o antibiótico




quarta-feira, 9 de março de 2016

* Carlos Barbosa de Oliveira

 O abcesso e o antibiótico

Todos os que por aqui passam sabem que não votei Marcelo e que lhe tenho feito múltiplas críticas ao longo dos anos.

Essa constatação não me impede, porém, de me sentir aliviado. A saída de cena de Cavaco é um alívio para  mim e - penso eu- para o país não troglodita.

Sinto-me como se me tivesse visto livre de um abcesso, depois de tomar um antibiótico.

Marcelo é o antibiótico de que o país precisava para aliviar as dores que lhe foram provocadas pelo abcesso Cavaco.

Não sou tão ingénuo, ao ponto de confundir  Marcelo com um redentor. O seu mérito é  ser culto, humano, inteligente e  revelar alguma sensibilidade com os problemas das pessoas,  receita que parece suficiente  para nos aliviar da boçalidade, arrogância e dor provocada pelo abcesso que hoje foi extirpado em Belém.

O facto de Passos Coelho ter recusado  ir ao almoço de Marcelo, demonstra bem que os últimos meses mudaram muito mais neste país, do que se vê à vista desarmada.

Precisamos, no entanto, de estar conscientes que os antibióticos fazem desaparecer os abcessos, mas não curam as infecções. 

Eu sei que se não tratar o dente,  passado algum tempo o abcesso regressa. Porventura com mais dores e obrigando a uma extracção dolorosa.

Não nos deixemos, pois, adormecer pelas palavras bonitas e pelos sinais de esperança que Marcelo hoje enviou aos portugueses. Precisamos de continuar atentos e não descurar o tratamento do dente infectado que continua a minar a nossa democracia.

Por uns instantes sentimos o alívio da dor, mas as causas da infecção permanecem.

Temos um presidente e um pm civilizados, mas não temos uma democracia consolidada, suficientemente robusta para combater as desigualdades e erradicar a pobreza. E nunca a teremos se entregarmos essa tarefa a um antibiótico.


Postado por Carlos Barbosa de Oliveira às quarta-feira, março 09, 2016 

http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2016/03/o-abcesso-e-o-antibiotico.html

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Discursos de Salazar (3)- Uma semana (quase) perfeita




Segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Discursos de Salazar (3)- Uma semana (quase) perfeita


Portugueses!
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Esta vai ser uma semana (quase) perfeita para o nosso país e quero compartilhar convosco a alegria que sinto por Portugal ainda estar impregnado dos valores dos 3 EFES que ao longo de 40 anos procurei incutir no bom povo português: Fado, Fátima e Futebol. É com muita alegria que constato que a mentalidade das nobres gentes portuguesas se mantém inalterável neste trinómio que nos engrandeceu e de que me orgulho ter sido o garnde obreiro.
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Ontem o SL Benfica sagrou-se campeão nacional e o povo português saiu à rua do, Minho a Timor, para celebrar a vitória do mais popular clube português. Foi uma noite linda, que me levou a sintonizar o televisor na RTP Memória, para recordar os tempos gloriosos em que dirigi a nossa Nação. É certo que vi muitos pretos a celebrar a vitória do SLB nas ruas de Lisboa, mas isso certamente deve-se a essa coisa das novas tecnologias que permite a qualquer um dos nossos colonos de além mar ir a Lisboa enquanto o demo esfrega um olho e regressar ao fim da noite, para que as ruas de Lisboa se apresentem, logo pela manhã, com o vaivém habitual da gente alva e laboriosa que dignifica a nossa Raça. 
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Hoje, o sr. seleccionador nacional vai divulgar ao país ( espero que em notícia de abertura de todos os telejornais) o nome dos 23 bravos portugueses que irão tentar repetir , na África do Sul, o feito dos Magriços em Inglaterra, em 1966. Seria para mim muito gratificante, saber que os portugueses nos honrariam nesse grande país que sempre foi um fiel e digno aliado da nossa política em África e onde um punhado de bravos rapazes continua a querer manter a preponderância dos nossos genes em terras africanas.
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Foi também com uma lágrima de profunda emoção que assisti hoje àquela embaixada de economistas a prestar vassalagem ao sr. Presidente da República, recordando-o dos valores que a Nação deve continuar a respeitar: dar aos ricos o que é dos ricos e obrigar os pobres a contribuir com o seu trabalho para que eles se tornem ainda mais ricos e assim enobreçam o nome de Portugal além fronteiras. Espero é que o sr Presidente da República não cometa o mesmo erro do Marcelo, caso contrário, daqui a umas semanas vamos ter a populaça na rua!
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Mas esta semana também vai ficar memorável pela visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, a Fátima. Trata-se de uma visita de profundo significado, pois Sua Santidade terá certamente oportunidade de reforçar, perante o mundo inteiro, o seu apoio à presença de Portugal em África, onde tem contribuído como nenhum outro país do mundo, para evangelizar aquelas pobres almas que, por desconhecimento dos caminhos da Fé, não são tementes a Deus.
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Confesso que fiquei surpreendido quando li , no Jornal Celeste on -line, que Sua Santidade se vai encontrar amanhã com 1400 homens da cultura , da política e da comunicação. Não percebo como foi possível reunir tanta gente! Quem estará presente nesse encontro a representar a cultura portuguesa? Só vejo dois ou três nomes do meu tempo mas, tal como eu ,estão agora comigo nesta corte celestial onde nos acolheram com tanto carinho e ainda ontem trocámos algumas impressões sobre o assunto. Quem é que lá vão mandar, para além do César das Neves e do Graça Moura? Confesso que nenhum de nós está a ver mais ninguém com estatura intelectual e estofo moral, para ombrear com Sua Santidade…
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Quanto à política, já me parece mais fácil indicar alguns nomes.. Para além do sr. Presidente do Conselho há aquele rapaz, o Paulo (Portas), que muito se tem esforçado em devolver a Portugal os princípios que me nortearam enquanto dirigi a nossa Nação. Este rapazito muito bem vestido e com ar de quem cumpre escrupulosamente as suas obrigações cristãs, o Pedro, ( Passos Coelho) também me parece um miúdo com futuro, mas ainda está um bocado verde. Dizem-me que estará lá uma senhora chamada Manuela ( Ferreira Leite) mas vocês sabem que eu sempre fui contra a ingerência das mulheres na política. O lugar das mulheres é no lar, junto da Família, educando os filhos. Não é fomentando a promiscuidade com os homens que estaremos a contribuir para um Portugal melhor, onde as mulheres devem cumprir , obedientes, as grandes directrizes traçadas pelos seus esposos, mais talhados para estas coisas da governação , porque são profundos conhecedores dos interesses do país e das linhas de rumo que ele deve seguir. Não gostaria nada de saber que estará lá a Maria José ( Nogueira Pinto). Aliás, não compreendo como um nobilíssimo português como o Jaime, não consegue impôr a ordem lá em casa. Mas ele sempre foi um fraco, coitado!
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Na comunicação social também não vejo quem possa ombrear com Bento XVI. O Dutra Faria e o João Coito já estão entre nós, já não há jornais que apoiem o governo, como no meu tempo, que vão lá fazer meia dúzia de bolcheviques, senão denegrir o nome de Portugal, dando uma imagem de insubmissão ao poder político que me parece intolerável?
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Mas tirando este episódio- que atribuo a um deficiente serviço de informações que terá levado Sua Santidade a cometer o erro de receber umas centenas de incréus- acredito que a visita vai ser linda e cumprirá o grande objectivo de restituir o espírito de Fátima ao povo português que, de há uns anos a esta parte, tem vindo a enfraquecer, fruto da dissolução de costumes na sociedade portuguesa . 
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É por isso que compreendo muito bem a decisão do sr. Presidente do Conselho de declarar tolerância de ponto em vários dias desta semana. No entanto, sempre lhe recomendo que mande vigiar os funcionários públicos e expulse do Estado aqueles que , aproveitando a sua benevolência, em vez de irem à Missa ao Terreiro do Paço fiquem em casa a cultivar a luxúria e a preguiça, ou demandem o Algarve, essa Terra Prometida que está transformada em Terra de Pecado, desde que a dissolução de costumes a infectou como um vírus peçonhento.
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Para esta semana ser perfeita, só falta mesmo terminar com um grande festival de Fado, a nossa canção nacional que Amália Rodrigues tão bem divulgou além fronteiras. Falam-me de algumas fadistas portuguesas de grande sucesso mas, confesso, não tive oportunidade ainda de as ouvir, o que significa que não devem ser tão importantes como o Ramiro Valadão me quer fazer crer. Por mim, confesso-vos que tenho mais confiança no encontro que se realiza hoje ou amanhã entre o sr Presidente do Conselho e o Pedro (Passos Coelho) . Dizem que ele é líder da oposição, mas só tenho pena de não ter tido uma oposição assim no meu tempo. Tive de enfrentar os comunistas e toda a corja de bolcheviques e o único remédio foi mandá-los para o Tarrafal que infelizmente hoje já não nos pertence, mas ainda seria de grande utilidade para albergar uns perigosos comunistas que andam inconscientemente a defender os direitos dos trabalhadores. Eles não sabem que a maior glória dos trabalhadores portugueses deve ser apenas a Honra de servir os seus amos ? 
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Tenho Fé em Deus que essa conversa seja iluminada e abençoada pelo Santo Padre ( como acontecia sempre que eu tinha de falar com o Tomás) para que eles tomem as decisões certas e devolvam ao nosso bom povo português a dignidade perdida. Onde já se viu os portugueses reclamar salários, férias e saúde de graça? 
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Já lhes enviei um telegrama a saudá-los e dei-lhes um conselho: 
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Tenham mão dura para essa mandriagem que vive de subsídios de desemprego. Obriguem-nos a trabalhar e, se insistirem em pedir aumento de salários, eu estou disposto a dar uma ajuda, pedindo aqui ao Rosa Casaco que vá aí a baixo com duas dúzias de diligentes profissionais da extinta PIDE/ DGS e os ensinarem a cantar o Fado. 
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Espero que não tenham de me pedir ajuda e resolvam entre eles o problema, porque assim será mesmo uma semana perfeita e terei o prazer de assistir a um grande festival de Fado no próximo fim de semana em Bruxelas. 
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Tenham todos uma boa semana
A Bem da Nação
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Os interessados podem ler aqui outros dois discursos que proferi recentemente
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