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cartas de fernando pessoa a ofélia
CARTAS A OFÉLIA
folha de poesia
domingo, 27 de dezembro de 2009
Cartas, de Antônio Vieira
Digestivo nº 386 >>> Cartas, de Antônio Vieira
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Cartas, V.1
Autor: VIEIRA, ANTONIO (PADRE)Organizador: AZEVEDO, JOAO LUCIO DE
Editora: GLOBO
Assunto: BIOGRAFIAS, DIÁRIOS, MEMÓRIAS E CORRESPONDÊNCIAS
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Este é o primeiro volume, de três, das 'Cartas do padre Antônio Vieira'. A presente edição conta com uma apresentação do especialista brasileiro em Vieira da atualidade, Alcir Pécora - que, além de comentar a edição original, o conteúdo das cartas e seu contexto histórico e biográfico, também analisa o estilo epistolar da época em geral e de Vieira em particular.
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| Opinião do Leitor: Plinio Luiz Nunes Dias / Data: 13/3/2009 Conceito do leitor:
Antonio Vieira irrepreensível
Trata-se de obra específica para os apreciadores do ilustríssimo Vieira. Muito bem organizada, obra fundamental para os interessados em textos luso brasileiros do século XVII. Talvez devêssemos fazer algum reparo ao acabamento da obra. Edições que possam se tornar clássicas ou obrigatórias nas bibliotecas poderiam ser mais duráveis e luxuosas quanto ao papel, capa e impressão. Mas isso é uma opinião muito pessoal. Leitura necessária. |
| Saiu na Imprensa: O Estado de S. Paulo / Data: 2/8/2008 Cartas com esperança e com afeto
Primeiro volume de correspondências do padre jesuíta, organizado por João Lúcio de Azevedo, ganha edição inédita no Brasil
Francisco Quinteiro Pires Com esperança e com afeto. Todas as cartas de padre Antônio Vieira apresentam esses recursos para conquistar a simpatia do destinatário. “Mas suas correspondências não têm nada de estritamente pessoal, ou íntimo, da forma como pensamos hoje”, diz Alcir Pécora, um dos maiores especialistas brasileiros em Vieira, cujos 400 anos de nascimento são comemorados neste ano. Ele assina o prefácio do primeiro volume de "Cartas" (Globo, 484 págs.), organizado pelo historiador português João Lúcio de Azevedo e editado pela primeira vez no Brasil. “Vieira via basicamente o ato de escrever como um ato negocial, uma forma de atuação fortemente política”, diz Pécora. Essa concepção, no entanto, não impedia o jesuíta de usar recursos emocionais para conquistar a boa disposição do leitor. Ele imprimia um “temperamento” às correspondências, por meio das quais estimulava uma partilha solidária com o destinatário, transformado em cúmplice. Se existe um caráter particular nas correspondências, ele aparece no comprometimento, até a medula, do jesuíta com suas crenças religiosa e política. “A meu ver, o destinatário virtual ou ideal de todas as cartas de Vieira é o Príncipe, aquele que exercia no momento o mando.” Padre Antônio Vieira acreditava na idéia de uma monarquia cristã universal. Ele via o império português como o Estado que concretizaria essa monarquia no mundo todo. Era o Quinto Império, fundado por um rei português, um longo período de paz na terra, antes da chegada ao anti-Cristo e do Juízo Final. “Pode-se dizer que essa crença está pressuposta em todas as cartas”, diz Pécora. “Mas sempre de forma dramática, problemática, por vezes contrariada, por vezes no limite do desengano.” O volume 1 contém a carta conhecida como Esperanças de Portugal, V Império do Mundo, de 29 de abril de 1659. O Tribunal do Santo Ofício de Coimbra se baseou nela para acusar Vieira. A esperança no Quinto Império teria de vir com a graça dos céus, mas ela só se concretizaria se o rei de Portugal a transformasse numa razão de Estado. “Esta, entretanto, na perspectiva de Vieira, invariavelmente faltava ao governo português.” Pécora lembra que o jesuíta se valia das cartas para reforçar “o corpo místico” do poder imperial. O padre Antônio Vieira (1608-97) chamava para si a missão de interpretar os sinais divinos para daí aconselhar o rei que lhe desse ouvidos. Não à toa, d. João IV, seu protetor, foi um dos principais correspondentes. Alcir Pécora explica que Antônio Vieira obedecia a procedimentos ditados pela Companhia de Jesus para escrever as cartas. Era a ars dictaminis, que previa a seguinte divisão da estrutura do texto: salutatio (saudação ou cumprimento); captatio benevolentiae (obtenção de simpatia ou boa disposição); narratio (narrativa e relação); petitio (pedido, solicitação); e conclusio (fecho, conclusão). Embora sejam práticas de escrita convencionais, as cartas e os sermões têm diferenças no que se refere às suas determinações. “No sermão, o fundamental é a demonstração de um tema extraído do Evangelho do dia, tendo em vista o calendário litúrgico e o tempo histórico vivido pelo auditório”, diz Pécora. “Nas cartas, o que conta é a composição de uma narrativa que desemboca num pedido: os procedimentos de conquista são mais desenvolvidos”, completa. Autor de "História de Antônio Vieira", a mais completa biografia do jesuíta, dividida em dois tomos, João Lúcio de Azevedo adotou um procedimento cronológico de organização. O volume 1 reúne 93 cartas, escritas entre 1646 e 1661, disposta em cinco seções. Previsto para ser lançado em outubro, o 2 apresenta 321 correspondências, redigidas entre 1662 e 1673, distribuídas em duas seções. Previsto para dezembro, o terceiro volume tem 305 epístolas, escritas entre 1674 e 1697, dividido em cinco seções. Pouquíssimas cartas surgiram depois dessa organização, feita entre 1925 e 1928. Os três volumes são considerados a compilação mais sólida das cartas de Antônio Vieira. |
| Sobre o autor:
AZEVEDO, JOAO LUCIO DE
João Lúcio de Azevedo nasce em 1855 em Portugal e morre em 1933. Aos 18 anos, embarca para Belém do Pará, onde torna-se caixeiro de uma grande livraria, da qual viria a ser chefe ao casar-se com a filha do proprietário. Autodidata, aprende várias línguas e começa a escrever suas obras. Ainda no Pará, publica cinco artigos que, reunidos, formariam seu primeiro livro Estudos de História Paraense. Depois de morar alguns anos em Paris, volta a Portugal iniciando o período mais produtivo, publicando diversas obras importantes, como O Marques de Pombal e a sua época, História de Antônio Vieira, A evolução do sebastianismo e História dos cristãos-novos portugueses. Organiza ainda a melhor edição das cartas do Padre Antônio Vieira. Um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, é editado regularmente em Portugal até hoje. Amigo dos historiadores brasileiros Capistrano de Abreu e Oliveira Lima, dedicou-lhes seu livro Épocas de Portugal Econômico. |
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Saiu na Imprensa:
O Estado de S. Paulo / Data: 2/8/2008
Cartas com esperança e com afeto
Francisco Quinteiro Pires
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Com esperança e com afeto. Todas as cartas de padre Antônio Vieira apresentam esses recursos para conquistar a simpatia do destinatário. “Mas suas correspondências não têm nada de estritamente pessoal, ou íntimo, da forma como pensamos hoje”, diz Alcir Pécora, um dos maiores especialistas brasileiros em Vieira, cujos 400 anos de nascimento são comemorados neste ano. Ele assina o prefácio do primeiro volume de "Cartas" (Globo, 484 págs.), organizado pelo historiador português João Lúcio de Azevedo e editado pela primeira vez no Brasil.
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“Vieira via basicamente o ato de escrever como um ato negocial, uma forma de atuação fortemente política”, diz Pécora. Essa concepção, no entanto, não impedia o jesuíta de usar recursos emocionais para conquistar a boa disposição do leitor. Ele imprimia um “temperamento” às correspondências, por meio das quais estimulava uma partilha solidária com o destinatário, transformado em cúmplice. Se existe um caráter particular nas correspondências, ele aparece no comprometimento, até a medula, do jesuíta com suas crenças religiosa e política. “A meu ver, o destinatário virtual ou ideal de todas as cartas de Vieira é o Príncipe, aquele que exercia no momento o mand
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Padre Antônio Vieira acreditava na idéia de uma monarquia cristã universal. Ele via o império português como o Estado que concretizaria essa monarquia no mundo todo. Era o Quinto Império, fundado por um rei português, um longo período de paz na terra, antes da chegada ao anti-Cristo e do Juízo Final. “Pode-se dizer que essa crença está pressuposta em todas as cartas”, diz Pécora. “Mas sempre de forma dramática, problemática, por vezes contrariada, por vezes no limite do desengano.” O volume 1 contém a carta conhecida como Esperanças de Portugal, V Império do Mundo, de 29 de abril de 1659. O Tribunal do Santo Ofício de Coimbra se baseou nela para acusar Vieira.
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A esperança no Quinto Império teria de vir com a graça dos céus, mas ela só se concretizaria se o rei de Portugal a transformasse numa razão de Estado. “Esta, entretanto, na perspectiva de Vieira, invariavelmente faltava ao governo português.” Pécora lembra que o jesuíta se valia das cartas para reforçar “o corpo místico” do poder imperial. O padre Antônio Vieira (1608-97) chamava para si a missão de interpretar os sinais divinos para daí aconselhar o rei que lhe desse ouvidos. Não à toa, d. João IV, seu protetor, foi um dos principais correspondentes.
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Alcir Pécora explica que Antônio Vieira obedecia a procedimentos ditados pela Companhia de Jesus para escrever as cartas. Era a ars dictaminis, que previa a seguinte divisão da estrutura do texto: salutatio (saudação ou cumprimento); captatio benevolentiae (obtenção de simpatia ou boa disposição); narratio (narrativa e relação); petitio (pedido, solicitação); e conclusio (fecho, conclusão). Embora sejam práticas de escrita convencionais, as cartas e os sermões têm diferenças no que se refere às suas determinações. “No sermão, o fundamental é a demonstração de um tema extraído do Evangelho do dia, tendo em vista o calendário litúrgico e o tempo histórico vivido pelo auditório”, diz Pécora. “Nas cartas, o que conta é a composição de uma narrativa que desemboca num pedido: os procedimentos de conquista são mais desenvolvidos”, completa.
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Autor de "História de Antônio Vieira", a mais completa biografia do jesuíta, dividida em dois tomos, João Lúcio de Azevedo adotou um procedimento cronológico de organização. O volume 1 reúne 93 cartas, escritas entre 1646 e 1661, disposta em cinco seções. Previsto para ser lançado em outubro, o 2 apresenta 321 correspondências, redigidas entre 1662 e 1673, distribuídas em duas seções. Previsto para dezembro, o terceiro volume tem 305 epístolas, escritas entre 1674 e 1697, dividido em cinco seções. Pouquíssimas cartas surgiram depois dessa organização, feita entre 1925 e 1928. Os três volumes são considerados a compilação mais sólida das cartas de Antônio Vieira.
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| Sobre o autor:
AZEVEDO, JOAO LUCIO DE
João Lúcio de Azevedo nasce em 1855 em Portugal e morre em 1933. Aos 18 anos, embarca para Belém do Pará, onde torna-se caixeiro de uma grande livraria, da qual viria a ser chefe ao casar-se com a filha do proprietário. Autodidata, aprende várias línguas e começa a escrever suas obras. Ainda no Pará, publica cinco artigos que, reunidos, formariam seu primeiro livro Estudos de História Paraense. Depois de morar alguns anos em Paris, volta a Portugal iniciando o período mais produtivo, publicando diversas obras importantes, como O Marques de Pombal e a sua época, História de Antônio Vieira, A evolução do sebastianismo e História dos cristãos-novos portugueses. Organiza ainda a melhor edição das cartas do Padre Antônio Vieira. Um dos maiores historiadores portugueses do início do século XX, é editado regularmente em Portugal até hoje. Amigo dos historiadores brasileiros Capistrano de Abreu e Oliveira Lima, dedicou-lhes seu livro Épocas de Portugal Econômico. |
AZEVEDO, JOAO LUCIO DE
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Carta aos amigos - Gabriel Garcia Márquez
(foto de JP)
Carta aos amigos
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse um fragmento de vida, possivelmente não diria tudo o que penso mas em definitivo pensaria tudo o que digo. Daria valor as coisas, não pelo que valem, senão pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais se detêm, despertaria quando os demais dormem. Escutaria quando os demais falam, e como desfrutaria um bom sorvete de chocolate! Se Deus me obsequiasse um fragmento de vida, vestiria simples, me atiraria de bruços ao sol, deixando des- coberto, não somente meu corpo senão minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo, esperaria que saísse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que lhes ofereceria à lua. Regaria com minhas lágrimas as rosas, para sentir a dor de seus espinhos, e o encarnado beijo de suas pétalas... Deus meu, se eu tivesse um fragmento de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer as pessoas que quero, que as quero. Convenceria a cada mulher ou homem de que são meus favoritos e viveria enamorado do amor. Aos homens lhes provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de enamorar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de enamorar-se! A criança lhe daria asas, porém lhe deixaria que sozinho aprendesse a voar. Aos velhos lhes ensinaria que a morte não chega com a velhice senão com o esquecimento. Tantas coisas tenho aprendido de vocês, os homens... Tenho aprendido que todo o mundo quer viver no topo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Tenho aprendido que quando um recém nascido aperta com seu pequeno punho, pela primeira vez, o dedo do pai, o tem apanhado para sempre. Tenho aprendido que um homem só tem o direito de olhar a outro com o olhar baixo quando há de ajudar-lhe a levantar-se. São tantas coisas as que tenho podido aprender de vocês, porém real- mente de muito não haverão de servir, porque quando me guardarem dentro dessa mala, infelizmente estarei morrendo"
sábado, 29 de agosto de 2009
De expugnatione Lyxbonensi (Da captura de Lisboa) -

De expugnatione Lyxbonensi
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
De expugnatione Lyxbonensi (em português Da captura de Lisboa) é o nome pelo qual é conhecida uma carta em latim escrita por um cruzado que participou do cerco e conquista de Lisboa em 1147, durante a Segunda Cruzada. A tomada de Lisboa aos mouros foi realizada por uma força conjunta de cruzados oriundos do norte da Europa e portugueses sob comando do rei Afonso Henriques. A carta descreve com riqueza de detalhes as negociações políticas entre o rei e os cruzados estrangeiros, assim como as ações militares que levaram à conquista de Lisboa, sendo a principal fonte histórica da conquista da cidade.
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Índice. |
Autoria
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A carta começa com uma fórmula abreviada de saudação: Osb. de Baldr. R. salutem. As ambiguidades do latim medieval fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e quem o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuída a Osb. de Baldr. e é dirigida a R.; porém também é possível que tenha sido escrita por R. e dirigida a Osb.. Este Osb. é Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk). R. é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul.
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Seja quem for o autor, o importante é que era um cruzado de formação religiosa (um clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia, e que foi testemunha ocular dos acontecimentos da tomada de Lisboa aos mouros em 1147. A qualidade do latim empregado por ele e as características do texto indicam que era um homem culto.
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Texto
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Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preparatórias até o período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em junho de 1147. Os cruzados são recebidos pelo bispo do Porto, Pedro Pitões, enviado do rei Afonso Henriques, que tenta convencê-los em ajudar os portugueses na conquista de Lisboa.
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O próprio rei português se encontra com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los de participar na conquista da cidade. Também o condestável inglês, Hervey de Glanville, faz um discurso e termina de convencer as tropas. O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exatidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos (a Reconquista era considerada parte das Cruzadas) quanto à promessa de botim da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras na região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos. O arcebispo de Braga, João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes se recusam. Este último discurso é muito interessante por explicitar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da península Ibérica no século VIII.
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O longo cerco começa em julho de 1147. O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De maneira geral, o autor anglo-normando descreve de maneira favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também é tensa por vezes.
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De expugnatione Lyxbonensi também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, interceptadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Afonso Henriques.
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Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte -, que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo, por parte do rei, e Hervey de Glanville, um dos condestáveis dos anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.
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Finalmente, no dia 25 de outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados. Apesar de que Afonso Henriques ordenou que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram a muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa muçulmana, enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitando os acordos. Já espoliada de seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.
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Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.
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Manuscrito
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O manuscrito latino da carta conserva-se atualmente no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Várias traduções tanto ao português como ao inglês foram publicadas.
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Ver também
Referências e ligações externas
- Excertos de De expugnatione Lyxbonensi (em inglês)
- Da carta do cruzado sobre a conquista de Lisboa, no Portal da História
- Discurso de João Peculiar, arcebispo de Braga, aos mouros, no Portal da História
- A mentalidade de cruzada em Portugal (sécs. XII-XIV) por Ricardo da Costa
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