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domingo, 27 de dezembro de 2009

¡Qué mala es la gente! - Adriana Baggio

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Quinta-feira, 27/5/2004
¡Qué mala es la gente!
Adriana Baggio
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O ser humano é o único animal capaz de rir. Por ser uma manifestação tipicamente humana, o riso está ligado à inteligência, à racionalidade. Onde há afeto não há espaço para o riso. Ambos são mutuamente excludentes. Esta pode ser uma explicação para o comportamento daquelas pessoas divertidíssimas, irônicas e sarcásticas, das quais se diz que se quer morrer amigo delas. São elas que verbalizam o que todo mundo pensa mas ninguém tem coragem de expor. A chatice do politicamente correto não existe para elas. Por isso, também são consideradas pessoas cruéis, insensíveis, maldosas. São como a Geni do Chico Buarque. Condenadas pela hipocrisia daqueles que se acham guardiães da moral, da boa educação e do bom comportamento, mas também exploradas por eles quando querem uma válvula de escape para a dureza e o ridículo da vida.
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Deve ser por isso que o livro de história em quadrinhos de Quino, o famoso criador de Mafalda, chama-se Que gente má! (Martins Fontes, 2003). Mais conhecido pelas tirinhas da precoce e politizada garotinha argentina, Quino explora nessa obra o futil e medíocre dos humanos, principalmente dos latinos, com todos os seus tabus e valores deturpados. Por isso mesmo o livro é maravilhoso! Rimos de nós mesmos e isso faz com que a gente se sinta melhor com nossos defeitos. É como se ao vê-los desenhados, expostos em preto no branco do papel, nos sentíssemos menos culpados por constatar que o peso dos nossos pecadilhos pode ser dividido com toda a humanidade.
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Através de desenhos e às vezes de palavras, Quino mostra diversos personagens que trazem consigo as fraquezas humanas. É lógico que, quando se fala em fraquezas humanas, a primeira coisa que vem à cabeça é sexo. Que gente má! é repleto de homens obsessivos por sexo e mulheres calipígias. Um dos quadrinhos mais engraçados mostra um garotinho na praia, tentando brincar calmamente com seu castelinho de areia, rodeado por uma profusão de peitos e bundas semi-descobertos. Perturbado, pergunta à sua mãe: “Mamãe, estou sentindo uma coisa, não sei muito bem onde, e não sei o que é. O que é?”.
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Sexo e poder são os temas mais presentes no livro. O sexo, através das temáticas que alimentam a luxúria humana, como a infidelidade de homens e mulheres, homens maduros com mulheres jovens, sonhos eróticos, a safadeza dos velhinhos. O poder, pelas situações de trabalho, a representação dos chefes, dos patrões, da polícia, dos governantes. Quino é produto de uma cultura onde sexo e poder são temáticas arraigadas. A Argentina é tão conhecida pela sensualidade do tango quanto pela violência do seu regime militar. Sem machismo nem revanchismo, Quino retrata com crueza, mas com muito bom humor, o reflexo da experiência com a sensualidade e com o poder no comportamento humano.
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O livro de Quino deveria ser referência bibliográfica para as disciplinas de lingüística e semiótica. O cartunista usa e abusa das possibilidades de significação oferecidas pelos recursos de texto e dos traços. Quino brinca, por exemplo, com o sentido denotativo e conotativo das palavras e desenhos para construir suas idéias. Transforma expressões metafóricas em desenhos figurativos, como no quadrinho em que a mulher percebe que o ex ainda está em sua cabeça quando vai arrumar os cabelos e uma pequena figura masculina aparece presa nos dentes do pente. Já em outro quadrinho, a oposição entre traços grossos e finos é o principal recurso usado pelo autor para representar o deslocamento de poder do homem para a mulher após o casamento. O humor de Quino, além de acessível e familiar pelo seu conteúdo, também utiliza elementos iconográficos da cultura popular e, talvez por isso, provoque uma identificação tão forte com o leitor.
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Quino não perdoa homens, nem mulheres, nem crianças, nem velhos. Faz pouco dos modismos como o culto ao corpo, a alimentação saudável, a vida junto à natureza. Tira sarro do computador e da nova cultura a ele relacionada. Mostra o ridículo de se valorizar demais a tecnologia e o jargão que a acompanha, e que acaba por separar o mundo entre aqueles alfabetizados tecnologicamente e os não-alfabetizados e, portanto, sem acesso às novas formas de convivência social ou profissional.
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O paradoxo de Que gente má! é justamente a humanidade presente em traços e palavras tão cruéis. Por mais realisticamente ridícula que seja a situação retratada, parece que o afeto está prestes a aparecer por trás do riso maldoso que acompanha a leitura de cada quadrinho. Passamos a sentir pena dos outros, e por fim de nós mesmos. Ficamos surpresos de sermos aquilo que está retratado. E como somos condescendentes com nossos próprios defeitos, depois do riso talvez tenhamos uma pequena crise de consciência. É nesse ponto que o humor dá lugar ao afeto. Talvez passemos a nos consolar e nos acarinhar, tentando nos convencer de que se realmente somos aquilo, podemos melhorar. Ou seja, um processo hipócrita de auto-enganação.
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Continuaremos podres, mesquinhos, infiéis e obcecados com os pecados e tabus que povoam nossa cabeça. E dessa matéria prima serão criadas obras como a de Quino, que funcionam melhor que qualquer terapia de autoconhecimento. Com a vantagem que você não precisa falar, só ler. E que terá rido em vez de chorar.
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Para atender aos fãs de Mafalda, Quino encerra o livro com uma participação especial de sua estrela, com direito a ele próprio como personagem. Nesse quadro, ele volta a pena para si e para sua mais famosa criação, talvez para mostrar que não se acha acima das misérias retratadas por traços tão críticos e mordazes.
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Para ir além

Adriana Baggio
Curitiba, 27/5/2004

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http://www.digestivocultural.com/colunistas/imprimir.asp?codigo=1362
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terça-feira, 4 de março de 2008

Dicas para você aparecer no Google


COLUNAS >>> Especial Google


Adriana Baggio


Você é daquelas pessoas que gostam de aparecer? Você adiciona desconhecidos só para ter mais amigos no Orkut? Você fica mandando scraps para os outros só para que eles respondam e aumentem a quantidade de recados no seu perfil? Você participa de todos os fóruns e comentários para ficar conhecido na rede? Você força a barra para seus amigos visitarem seu blog? Você é uma empresa e quer usar a internet para melhorar sua imagem ou suas vendas?

Se respondeu "siiiiiimmmmmm" a pelo menos uma destas questões, então você também está preocupado em aparecer no Google.

O Google é o maior e mais eficiente sistema de buscas da internet. Seu ranking de resultados está baseado na relevância, de acordo com os termos que você digitou no campo "pesquisa". Então, pense cá comigo: se os primeiros resultados são os mais relevantes, significa que estar no alto da página de pesquisa do Google é o equivalente internético de aparecer na TV Globo. Entre as milhares de notícias de todos os dias, ganham espaço somente aquelas que a emissora considera "relevantes" para seu público.

Usar estratégias para ser encontrado pelo Google é como fazer cartazes usando palavras-chave para conseguir ser filmado pela TV durante uma transmissão de jogo de futebol. Se você escreve palavras que são importantes para a emissora, suas chances de ser focado pela câmera são bem maiores (por isso que as pessoas colocam nos cartazes a logomarca da emissora ou o nome do "Galvão"). Se o seu cartaz tiver apenas "mamãe, olha eu aqui", vai ficar mais difícil.

Por conta dessa classificação por relevância, o Google acaba funcionando como um atestado de credibilidade. Para ser alguém na vida da rede, é preciso aparecer no sistema de busca. E assim como as pessoas aprenderam a escrever determinadas palavras nos cartazes para aparecerem na televisão, hoje existem diversas técnicas que auxiliam um site ou alguém a aparecer no Google. De preferência, entre os primeiros resultados.

Não sou nenhuma especialista em internet, muito menos em sistemas de busca, mas aprendi alguns truquezinhos que posso compartilhar (e se eu falar alguma bobagem, alguém me corrija, por favor). Digamos que você tenha um blog e deseje que ele seja listado no Google. O primeiro passo é fazer com que outros sites tenham links para seu blog. Sabe por quê? Porque o sistema de relevância do Google considera mais importantes aqueles sites que são citados por outros. Portanto, se você tem um blog que não é lincado em nenhum outro lugar da rede, você nunca vai aparecer no Google. Estará condenado ao ostracismo virtual.

Mas, como fazer para seu blog ser lincado em outros sites, sem ter que arriscar sua dignidade implorando isso aos amigos? Crie um segundo blog! Assim, em cada um deles você coloca um link para o outro. Porém, esse é apenas o primeiro passo. Para subir na lista do Google, é preciso estar lincado a várias páginas, não em apenas uma. E aí, ao invés de criar mais um monte de blogs "fantasmas", é melhor caprichar no conteúdo do original e tentar despertar para ele a atenção de outras pessoas na rede.

Apesar da importância de se estar presente em outros sites, não é apenas isso que torna o seu espaço mais popular na lista do buscador. Ainda considerando a relevância, é preciso que o conteúdo seja coerente. Um site sobre vinhos, por exemplo, vai estar melhor colocado na relação se o nome, a descrição do site e o conteúdo dele forem integrados, "falem" a mesma língua e sobre o mesmo assunto.

E assim, chegamos à questão do conteúdo. A escolha das palavras certas que levam um site a ser bem colocado no Google é tão importante que virou até disciplina de marketing. Assim como existe marketing de relacionamento, marketing viral, endomarketing e outros, também existe o search marketing.

Um exemplo bem superficial de utilização desta ferramenta é: descobrir quais palavras devem estar no texto do seu site para que ele apareça quando determinados termos forem digitadas na caixa de pesquisa. Se um site especializado na programação cultural da cidade descobre que as pessoas fazem a busca das atrações através da expressão "peças de teatro", é importante que o texto do site contenha essa expressão. Assim, a combinação entre vários links para sua página e conteúdo relevante vai fazer com que a colocação do seu site no Google seja cada vez melhor.

Essas informações valem para quem quer aparecer no site de busca, mas também para aqueles que desejam obter melhores resultados nas suas pesquisas. Se você sabe como o Google funciona, pode navegar melhor pelos sites listados. O primeiro site da lista pode ser o mais relevante segundo os critérios do Google, mas não segundo os seus. Portanto, talvez valha a pena dar uma olhadinha nos últimos colocados da pesquisa.

Para que os objetivos de busca do Google coincidam com os seus, é importante que você escolha as palavras certas para colocar no campo de pesquisa. Um exemplo bem atual: digamos que você deseje achar referências sobre alguém que se chame "Katilce", mas que não tenha nada a ver com felizarda que ganhou um selinho do Bono Vox no show do U2 no Morumbi. Se você digitar somente "Katilce", vão aparecer milhares de páginas com referências à bancária de Volta Redonda. Então, o melhor é você colocar o nome e um sinalzinho de menos (-) antes de "U2". A pesquisa só vai mostrar as "Katilces" que não tenham relação com o show, e daí talvez você encontre a sua (se você não sabe do que estou falando, acompanhe um pouco da história no Blue Bus).

Já os interessados na celebridade instantânea, se fizerem uma busca sobre ela, talvez acabem caindo aqui no texto. Essa "armadilha" é para exemplificar as dicas ali de cima. O Digestivo é um site altamente lincado. Juntando isso às palavras que eu escolhi (Katilce, U2, selinho, Bono Vox – as mais representativas do acontecimento), é muito provável que este texto apareça bem colocado no Google quando alguém pesquisar sobre a moça.

O Google é mais conhecido pelo buscador, mas suas outras ferramentas (Gmail e Google Earth, por exemplo) também são inovadoras e estão provocando uma revolução nos hábitos das pessoas e na forma de fazer publicidade (veja aqui neste fotolog como as empresas que anunciam em telhados ganham mais visibilidade por causa do Google Earth – mais uma dica do Blue Bus). Apesar de tudo, não passam disto: ferramentas. A melhor utilização de cada uma delas, inclusive do buscador, depende muito mais do cérebro humano do que da tecnologia do software.

E um outro alerta, que pode parecer óbvio: por mais que a gente compare o Google a um oráculo e que estar lá signifique algum tipo de credibilidade, é preciso lembrar que nem tudo que está na rede presta, e nem tudo é verdade. Por isso, a busca na internet só está completa depois que os resultados passam por um filtro muito mais poderoso: o do seu discernimento.

Adriana Baggio
Curitiba, 9/3/2006
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Digestivo Cultural -

Quinta-feira, 9/3/2006
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