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sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Luísa Semedo - Portugal, terra de islão

 OPINIÃO

Por um lado, gostamos de nos dizer cosmopolitas, os reis da miscigenação por esse mundo fora; e por outro, existe a busca, dentro de fronteiras, de uma caricata brancura pura, inexistente.

Luísa Semedo

25 de Janeiro de 2024, 6:41


Quando se vive em França, num dos países com maiores comunidade muçulmanas da UE, conhece-se bem o que é a islamofobia nas suas mais diversas expressões, desde as microagressões às agressões mais violentas, do discurso descomplexado do comentariado televisivo até a políticas governativas, passando pela violência e controlo policial com base étnico-racial. São vítimas de islamofobia não somente as pessoas efetivamente muçulmanas, mas também as que pareçam muçulmanas, árabes, magrebinas, na qual me incluem muitas vezes porque não sou imediatamente identificável como “luso-cabo-verdiana”.

Muitos portugueses em França também vivem esta experiência de por vezes serem racializados como árabes e muçulmanos

Muitos portugueses em França também vivem esta experiência de por vezes serem racializados como árabes e, portanto, como muçulmanos, visto existir em França uma verdadeira dificuldade em separar duas realidades que podem, evidentemente, ser distintas. Não é só em França que os portugueses podem ser vistos como não-brancos ou como “brancos honorários” – para tomar emprestada a expressão da socióloga Margot Delon, no seu artigo Des 'Blancs honoraires'? –, nos EUA isso também acontece e os neonazis do Norte da Europa costumam gozar com a “aparência magrebina” dos nossos neonazis nacionais. A racialização é uma construção fluida que pode variar “conforme a hora e o local onde estiverem”.

Em Portugal, vive-se uma relação ambígua com todas estas complexidades: por um lado, gostamos de nos dizer cosmopolitas, os reis da miscigenação por esse mundo fora; e por outro, existe a busca, dentro de fronteiras, de uma caricata brancura pura inexistente. Esta relação é problemática quando se trata de pessoas negras, mas também em relação a pessoas de origem árabe e muçulmana. Existe uma espécie de “apagão”, como se séculos de presença e a persistência de tantos vestígios e influências ainda tão visíveis, inclusive a nível cultural e linguístico, nunca tivessem existido. No contexto da guerra genocida contra a Palestina, assistimos, por exemplo, à identificação de portugueses com Israel através da sua redução a um país branco ocidental, fazendo parte do “eixo da civilização”, resistente face a palestinianos, árabes e muçulmanos que pertencem ao “eixo do mal”, tão longe de quem somos, esquecendo não somente a história do judaísmo, mas também da história árabe e muçulmana em Portugal.

Esta semana, o canal francês público France 2 difundiu uma reportagem que deveria ser mostrada nas escolas em Portugal, justamente sobre esta realidade, intitulada “Portugal, terra de islão”, com a intervenção essencial, entre outras, de Marc Terrisse, especialista em história árabe e muçulmana em Portugal, autor dos livros Lisbonne, dans la ville musulmane e – a sua obra mais recente, apresentada na Gulbenkian em Paris – Variations sur le Portugal, que será apresentado no Instituto Francês em Lisboa na próxima semana, a 1 de fevereiro.

Este “apagão” reforça a arabofobia e a islamofobia, em particular neste momento contra imigrantes de origem sul-asiática, que cresceram de forma preocupante em Portugal, nomeadamente em Lisboa, como, por exemplo, no bairro histórico da Mouraria. Grupos de neonazis publicitaram a intenção de organizar uma manifestação extremista para esse local e vários coletivos antirracistas já apelaram – através de uma carta aberta assinada por, até ao momento, cerca de duas mil pessoas, na quais me incluo – à sua anulação, dirigindo-se ao Presidente da República, ao Governo e a outras instâncias do Estado.

O Estado tem a obrigação de proteger os residentes no seu território, sejam estrangeiros ou nacionais. Relembro, o que deveria ser óbvio, que existem também portugueses muçulmanos e o Estado não pode deixá-los desprotegidos, é para isso que existem leis antidiscriminação e de proibição de incitamento ao ódio e à violência. O racismo, em todas as suas formas, tem incidência não somente em quem está em Portugal, mas também na vida dos portugueses no estrangeiro. Tomando emprestada e "remixando", desta vez, a expressão de Fanon: "Quando ouvires falar mal do muçulmano, presta atenção, estão a falar de ti."

A autora é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o novo acordo ortográfico

Professora de Filosofia do ensino secundário 


https://www.publico.pt/2024/01/25/opiniao/opiniao/portugal-terra-islao-207800

domingo, 21 de agosto de 2011

Alhambra (Granada) | Poemas de La Alhambra (XIV sec.), Francisco Tarrega


http://youtu.be/e7MEdlOYH7Y

www.youtube.com
Alhambra (Granada) Music: - "Jalla man qad sagha badran" - Poemas de la Alhambra: "Leones de la Guerra", "La Mansion del Trono Real" (text by Ibn Zamrak, min...


Tu, Carmen Montesino e Hakkı Dogan Peker gostam disto.

(...)
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Victor Nogueira Olá, Carmen :-)*
há 5 horas · Gosto

Carmen Montesino Olá, Victor : )
há 5 horas · Não gosto · 1 pessoa

Victor Nogueira Vou partilhar. Em Portugal já fiz a rota das mjudiarias e do Islão. E gostaria de visitar Granada e Córdova, mas se calhar ia ficar desiludido. Seria quase como passear por Conímbriga. Nunca iria a visitar o que resta da Roma romana, só cacos
há 5 horas · Gosto
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Victor Nogueira Preferia visitar a Sicília que exerce sobre mim um mágico fascínio
há 4 horas · Gosto
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Victor Nogueira tal como Veneza
há 4 horas · Gosto

Carmen Montesino Não conheço Granada, mas penso que não ias ficar desiludido
há 4 horas · Gosto
Victor Nogueira ‎:-)
há 4 horas · Gosto
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*****
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Carregado por  em 31 de Ago de 2009
Alhambra (Granada)

Music: - "Jalla man qad sagha badran"- Poemas de la Alhambra: "Leones de la Guerra", "La Mansion del Trono Real" (text by Ibn Zamrak, minister and poet 1333-1393)performed by Ensemble Morkos- Recuerdos de la Alhambra by Francisco Tarregaguitar: Enno Voorhorst

L'Alhambra è un complesso palaziale andaluso a Granada. Etimologicamente, Alhambra in arabo è "al-Hamrā'" (la Rossa, الحمراء), dal momento che il suo nome intero era Qalˁat al-hamrā' (Fortezza rossa). Secondo talune versioni il nome veniva dal colore rosato delle mura che circondavano l'Alhambra. L'Alhambra è una vera città murata (medina) che occupa la maggior parte del colle della Sabika, mentre per parte sua Granada fruiva di un altro sistema di mura protettive di cinta. Pertanto l'Alhambra poteva funzionare in modo autonomo rispetto a Granada. Nell'Alhambra vi erano tutti i servizi propri necessari agli abitanti che vi vivevano: moschee, scuole, botteghe e altro.Nel 1238 fece il suo ingresso a Granada dalla Porta di Elvira, per occupare il Palazzo del Gallo del Vento, Muhammad ibn Nasr (noto anche come Nazar), chiamato al-Hamar, "Il Rosso", perché aveva la barba di colore rossiccio, fondatore della dinastia nasride.Quando Muhammad ibn Nasr entrò trionfatore a Granada, la popolazione lo accolse al grido di Benvenuto al vincitore per la grazia di Dio ( marhaban li-l-Nāsir ), al quale egli rispose dicendo: Non v'è altro vincitore se non Dio ( wa lā ghālib illā Allāh ). Questo è il motto dello stemma nasride ed è scritto in tutta l'Alhambra.Muhammad ibn Nasr fece edificare il primo nucleo del palazzo. Suo figlio Muhammad II, che fu amico di Alfonso X di Castiglia, lo fortificò. Lo stile granadino nell'Alhambra rappresenta il punto supremo raggiunto dall'arte andalusa, che non si realizzò fino alla metà del secolo XIV con Yusuf I e Muhammad V nel 1333 e 1354.Nel 1492, con la conquista di Granada da parte dei Re Cattolici, l'Alhambra passò ad essere palazzo reale dei re castigliani e questo salvò il complesso dalla distruzione patita invece da tanti altri monumenti islamici per la rancorosa vendetta voluta dalla Chiesa e da una parte importante della nobiltà. Il Comitato del patrimonio mondiale dell'UNESCO ha dichiarato l'Alhambra e il Generalife di Granada Patrimonio Culturale dell'Umanità nella sua sessione del giorno 2 novembre 1984.

Altre info: http://it.wikipedia.org/wiki/Alhambra

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"O Ocidente esquece seus vizinhos árabes", diz escritor sírio


Mundo | 13.02.2011

O escritor sírio Rafik Schami vive na Alemanha desde 1971. Em entrevista à Deutsche Welle, ele comenta a onda de protestos no mundo árabe e critica as posturas hesistantes da UE e dos EUA em relação à região.

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Deutsche Welle: Em seu romance Die dunkle Seite der Liebe (O obscuro lado do amor), de teor parcialmente autobiográfico, o protagonista Farid luta contra represálias de um regime autocrático, mas sem sucesso. Por que essa consciência da necessidade de justiça, liberdade e democracia envolve as sociedades do Oriente Médio como um todo exatamente agora, de tal forma que surgem até movimentos de massa a partir daí?

Rafik Schami: Muita coisa aconteceu. Por um lado, os governantes ficaram, de fato, 30, 40 anos sem fazer nada. Isso foi se acumulando e as mentiras perderam, com o tempo, sua credibilidade perante a maioria da população. No início, apenas cidadãos críticos – intelectuais talvez, professores universitários e jornalistas – percebiam que tudo era mentira. Mas a maioria é sempre lenta. Até que entendam, é preciso de tempo.

Por outro lado, os meios de comunicação de massa sofreram uma revolução. O intercâmbio crescente de informação levou a uma concentração do ódio. A pobreza, a humilhação e a postura fraca dos soberanos frente à nação – que pensam, acima de tudo e de forma brutal, no enriquecimento próprio – contribuíram. Reunindo tudo isso, poderia-se explicar por que isso tudo está acontecendo agora e não aconteceu há 10 ou 20 anos. 

Em sua obra, você denuncia o profundo marasmo cultural e as incongruências tanto em sua terra natal, a Síria, quanto em outros países árabes. A mudança política, que observamos ali no momento, é uma mudança de toda a sociedade ou apenas fogo de palha, que vai se apagar daqui a pouco?

Para não ser ingênuo, é preciso cogitar as duas possibilidades. Há sempre a possibilidade de um retrocesso. Sempre houve revoluções que se autodevoraram e se transformaram em ditaduras sangrentas. Mas os egípcios criaram uma nova alternativa. Como povo antiquíssimo, eles conduziram, pela primeira vez na história da humanidade, uma revolução pacífica, com o apoio de oito a nove milhões de cidadãos, que agora reconhecem o quanto são capazes de agir.

Esses cidadãos carregam agora as flores que brotam, como na primavera, dessas novas conclusões. Mas para que daí surjam frutos, é necessário abelhas, como sabemos em analogia ao universo das plantas. E é preciso haver ajuda de fora e situações favoráveis. Esses jovens não só deixaram para trás os intelectuais, como também ignoraram todos os partidos.

Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudançasBildunterschrift: Jovens egípcios tomaram a frente em prol de mudanças
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Se os partidos fossem sinceros, eles precisariam admitir que estão ficando defasados. Quais serão os efeitos disso na consciência da população? Ainda não se pode dizer. Só é possível esperar que tudo não acabe em uma guerra civil. Para um povo que destituiu um ditador de forma pacífica, o conceito da "paz" é muito fértil.

Acabamos de ver que o impulso da revolução veio diretamente do povo, dos jovens. Os países ocidentais não intervieram. Como você vê o papel do Ocidente na região depois dos últimos acontecimentos?

Para ser sincero, acho o papel do Ocidente vergonhoso, principalmente essa hipocrisia dos EUA. De súbito, eles ficam preocupados com a liberdade e tal. E eles nos repreendem diante da possibilidade de que a Irmandade Muçulmana possa assumir o poder. É tudo mentira. A Irmandade Muçulmana representa uma força política de aproximadamente 10%. Ou seja, eu não iria agora questionar a democracia porque um partido mais à direita governa.

No Egito, há uma ampla gama de todas as forças políticas: religiosas, nacionalistas, liberais, socialistas, independentes, mentes absolutamente livres, talvez também anarquistas. Esses são os egípcios e o Ocidente fica olhando. Há três semanas, as pessoas lutam por meio do bem mais precioso da democracia, ou seja, através das manifestações pacíficas. E ninguém lhes ajuda. As pessoas percebem que se o Ocidente quisesse ajudar, reagiria de outra forma.

Na sua opinião, o Ocidente passou tempo demais observando e apoiando Estados árabes autocráticos?

Sim, mas acredito que nem tenha sido com más intenções. Acho que o Ocidente confia rápido demais nos governantes; confia demais no silêncio tumular, que impera nesses países; confia rápido demais que o consumo poderia mudar alguma coisa. Isso é um lado, mas o Ocidente – e me refiro aqui, em primeira linha, à Europa – esquece muito rapidamente que os países do Mediterrâneo são seus vizinhos.

Nicolas Sarkozy e Ben Ali, em 2008: 'apoio constrangedor', diz Schami 
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A Itália está localizada em frente à Tunísia e ao Norte da África. Aqui ainda não se tem de forma alguma a consciência, de que aquilo que acontece lá, também diz respeito ao Ocidente. Quando se vê como os governantes em todos os países europeus, não somente na Alemanha, reagem, e quando se vê como a França apoiou Ben Ali até o último minuto, percebe-se o quanto a situação é estimada de maneira errônea. A imbecilidade dessa oferta a Ben Ali foi tamanha que dava para quase ter pena de Sarkozy.

Por muito tempo acreditou-se que os povos árabes não estavam preparados para uma democracia. E que só podiam escolher entre ditadura e Estado religioso. Qual é sua opinião sobre isso?

Já ouvi esse argumento com frequência e tive também meus medos, porque faço parte de uma minoria cristã. Mas, depois de um tempo, passei a não acreditar mais nisso. É sempre possível haver retrocessos, mas eles também podem existir em uma democracia. A população foi mantida quieta, anos a fio, sob mão de ferro. Os islâmicos e a Irmandade Muçulmana eram o único grupo protegido pela Arábia Saudita: com recursos financeiros, propaganda, treinamentos.

E o Ocidente via isso com prazer. Enquanto eles podiam ser instrumentalizados como anticomunistas, eram até cortejados. Mais tarde, as forças conservadoras autocráticas pareciam ser a única alternativa. Mas tudo aquilo que estava fermentando entre a população, isso a mídia não entendeu, nem a árabe, nem a europeia.

Rafik Schami (65) é um conceituado escritor sírio, radicado na Alemanha desde 1971. Entre suas obras mais conhecidas estão O obscuro lado do amor, de 2004, e O segredo do calígrafo, lançado em 2008.

Entrevista: Nader Alsarras (sv)
Revisão: Carlos Albuquerque
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Livro anti-islâmico gera indignação na Alemanha mesmo antes do lançamento

Alemanha | 28.08.2010 DW World

Após divulgação de trechos do polêmico livro, o Partido Social-Democrata rechaça opiniões de Thilo Sarrazin, do Banco Central Alemão. Em 2009, episódio semelhante custou punição leve ao então vice do Bundesbank.


Antes mesmo de seu lançamento, programado para a próxima segunda-feira (30/08), o livro de Thilo Sarrazin vem provocando ondas de indignação. Com o título Deutschland schafft sich ab: Wie wir unser Land aufs Spiel setzen (A Alemanha se extingue a si mesma: Como estamos colocando em risco o nosso país), o membro do conselho executivo do Bundesbank (Banco Central alemão) redigiu o que o jornal online FAZ.net define como "um dossiê antimuçulmano".
Livro acusa muçulmanos de tornar 'mais burra' a sociedade alemã 
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Entre tantas outras generalizações, Sarrazin acusa os membros da comunidade islâmica de se terem se beneficiado muito mais da previdência social do país do que contribuíram para a mesma. 
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Além disso, correligionários social-democratas e a imprensa alemã consideram inequivocamente racista sua afirmação de que a sociedade alemã estaria "emburrecendo" pelo fato de os muçulmanos gerarem mais filhos do que a população "nativa".
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"Na Alemanha, um exército de encarregados de imigração, especialistas em estudos islâmicos, sociólogos, politólogos, representantes de associações trabalha de mãos dadas com uma horda de políticos ingênuos, na minimização, auto-ilusão e na negação de problemas", escreve Sarrazin, acrescentando que a política estatal de migração da Europa tem sido "predominantemente anti-histórica, ingênua e oportunista". Acima de tudo, ele diz querer evitar que os alemães se tornem estranhos em sua própria terra.
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O periódico popular Bild antecipou o lançamento de Deutschland schafft sich ab publicando trechos seletos do livro, em seis capítulos. Notório por suas opiniões reacionárias, desde junho último o ex-secretário de Finanças de Berlim vinha ocupando as manchetes alemãs com observações anti-islâmicas. Entretanto, numa entrevista ao semanário Die Zeit, ele se exonerou de acusações de racismo: "Não sou racista. O livro aborda limites culturais, não étnicos".
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Déjà-vu... ou farsa?
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O presidente da Federação Turca da Alemanha, Kenan Kolat, exigiu neste sábado que a chefe de governo alemã, Angela Merkel, demova Sarrazin do cargo no Bundesbank. Kolat declarou que, com esse livro, ele haveria ultrapassado uma fronteira. "É o ápice de um novo racismo intelectual, e prejudica a imagem da Alemanha do exterior."
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Sigmar Gabriel, presidente do Partido Social Democrata (SPD) 
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O Partido Verde e A Esquerda apoiam as exigências de Kolat. Os social-democratas (SPD), por sua vez, se distanciaram das afirmativas do correligionário Sarrazin. O chefe do partido, Sigmar Gabriel, classificou-as de "violentas", comentando: "Se os senhores me perguntarem por que [Sarrazin] ainda quer estar afiliado a nós, eu digo que não sei".
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Todo o atual episódio ganha um ar de déjà-vu, se não de farsa, quando se considera que, em outubro de 2009, Thilo Sarrazin, então vice-presidente do Bundesbank, causara acalorada polêmica ao distinguir, numa entrevista à revista de cultura Lettre International, entre os "bons" e "maus" imigrantes na sociedade da Alemanha. Entre suas afirmações na época constava a de que a maioria dos árabes e turcos de Berlim, por exemplo, não tem "nenhuma função produtiva, a não ser no comércio de frutas e verduras".
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Apesar de veementes exigências de punição, o social-democrata natural do Leste alemão foi apenas destituído de parte de suas funções no Banco Central.
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Autoria: Richard Connor / Augusto Valente
Revisão: Simone Lopes

sábado, 10 de abril de 2010

Taslima Nasreen denuncia al gobierno indio

Poemas del Alma

Taslima Nasreen denuncia al gobierno indio


Hay ocasiones en que el mundo islámico no se lleva bien con el mundo de la literatura. O mejor dicho, existen ciertos sectores musulmanes que no ven con buenos ojos la libertad con la que escriben algunos autores. Es famoso el caso de Salman Rushdie, sobre quien pesa una fatwa (condena de muerte islámica) por su libro “Versos satánicos”.
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Taslima NasreenLa escritora bangladeshí Taslima Nasreen también conoce de cerca a las amenazas. En agosto, un grupo de clérigos anunció que premiará con 100.000 rupias (cerca de 1.800 euros) a quien logre asesinarla.
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Lamentablemente para la autora de “Vergüenza” (donde describió los abusos que sufren las mujeres y la minoría hindú en Bangladesh), los problemas no terminan allí. Ayer, el gobierno indio instó a Nasreen a permanecer en Nueva Delhi (la ciudad donde se encuentra exiliada) o a marcharse del territorio indio. Es decir, la escritora no puede trasladarse libremente por el país.
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El Poder Ejecutivo indio aseguró que su decisión obedece a razones de seguridad, para evitar los atentados. Sin embargo, Nasreen es escéptica: “No creo que tenga nada que ver con la seguridad. Yo lucho por los derechos humanos. ¿Por qué no puedo ver a mis amigos?”, señaló. La escritora planeaba visitar la ciudad de Calcuta, en el estado de Bengala, para encontrarse con familiares y amigos. “Amo Calcuta, la lengua y la cultura bengalí”, explicó la autora.
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Cabe recordar que Bangladesh es una escisión de la región india de Bengala, cuando a comienzos del siglo XX se separaron los territorios de la población hindú y de la musulmana.
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Nasreen, quien debió abandonar Calcuta por las amenazas de los grupos fundamentalistas, fue más allá en sus acusasiones y aseguró que el gobierno indio la ha puesto bajo arresto domiciliario en Nueva Delhi, ya que no tiene autorización para realizar apariciones públicas. La escritora está refugiada en un sitio no revelado de la capital india, bajo la supervisión de agentes de seguridad e inteligencia.
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“No soy una criminal”, se quejó la escritora. Dado que su visa vence el 17 de febrero de 2008, los medios consideran que el gobierno intenta convencerla de que abandone el país.

Publicado por Julián Pérez Porto el 21 de Diciembre de 2007
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Recompensa por asesinar a la escritora Taslima Nasreen

De acuerdo a la singular propuesta lanzada por un grupo de clérigos musulmanes, cualquier ciudadano que pueda terminar con la vida de la polémica escritora bangladeshí Taslima Nasreen, que en 1994 se exilió de su país debido a las amenazas de un grupo de integristas islámicos, será recompensado con 100.000 rupias (cerca de 1.800 euros).
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Taslima NasreenLa orden de ejecución contra la escritora fue hecha pública por los clérigos durante una reunión desarrollada en la capital de Bengala, Calcuta, donde también dejaron trascender la invitación para que, en un plazo máximo de un mes, Nasreen abandone la India.
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En declaraciones reproducidas por la agencia IANS, entre otros medios, el imán de la mezquita de Tipu Sulta, Syed Noor-ur-Rehman Barkati, aseguró que “cualquier persona que la elimine recibirá 100.000 rupias (unos 1.800 euros) y otras recompensas si ella no abandona la India”. Según considera, la escritora ha insultado al Islam y no deja de crear problemas. Además, manifestó que se ven obligados a emitir esta orden “porque el Gobierno no está usando sus facultades constitucionales para expatriarla del país”.
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Cabe recordar que, días pasados, Nasreen había sido agredida por un centenar de personas durante un acto público que tuvo lugar en Hyderabad, en el estado sureño de Andhra Pradesh. Además, es importante señalar que estas propuestas en contra de la escritora no son novedosas: en 2004, el mismo clérigo había ofrecido cerca de 360 euros de recompensa para quien se atreviera a pintarle la cara de color negro o le colgara un par de zapatos al cuello, uno de los peores insultos en la India. El año pasado, Barkati incrementó la recompensa hasta 900 euros para el que le pintara la cara y consiguiera expulsar a Nasreen de la ciudad bengalí de Calcuta.
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En 1994, la escritora se había exiliado de Bangladesh luego de sufrir una serie de manifestaciones contra ella y recibir amenazas de muerte por parte de grupos integristas islámicos luego de la publicación de “Vergüenza”, una novela donde Nasreen describió los abusos que sufre la mujer y la minoría hindú en Bangladesh. Tanto en su propio país, como en Pakistán y la India, varios libros de su autoría se encuentran prohibidos.
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Nasreen no es la primera escritora perseguida por “ofender” al Islam. Tal vez el caso emblemático sea el de Salman Rushdie, condenado a muerte por el ayatola Ruhollah Jomeini.

Publicado por Julián Pérez Porto el 20 de Agosto de 2007
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sábado, 23 de janeiro de 2010

Uma Biblioteca Árabe no Brasil - Lejeune Mirhan *


 

Colunas

Vermelho - 24 de Setembro de 2009 - 19h52

Uma Biblioteca Árabe no Brasil

Lejeune Mirhan *

Nestes quase oito anos ininterruptos de coluna sobre Oriente Médio no Portal Vermelho, fizemos, na maior parte das matérias, análise sobre a situação política no mundo árabe. Algumas vezes falamos de poesia, cultura, tradições árabes. E apenas uma vez, fizemos uma entrevista. Desta feita, publicamos uma segunda entrevista com o Prof. Dr. Paulo Daniel Farah, da USP, um dos mais renomados arabistas e tradutores de árabe de nosso país.

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Quem é Paulo Daniel Farah?


Paulo Daniel Farah é Professor Doutor no programa de graduação e de pós-graduação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado em Linguística e em Computação e doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada. Fez pós-doutorado em História Social. Além de lecionar na FFLCH-USP, orienta diversas pesquisas em literatura, linguística, história e cultura árabe, em nível de pós-graduação, na própria USP.
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É autor de diversas obras, entre elas Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali (obra em português, árabe e espanhol). Rio de Janeiro, Argel, Caracas: Edições BibliASPA em co-edição com Fundação Biblioteca Nacional, Bibliothèque Nationale d’Algérie e Biblioteca Nacional de Caracas, 2007, 476 pp, ABC do Mundo Árabe (São Paulo: SM, 2006; traduzido para o espanhol e o francês e editado na América Latina e na Europa), O Islã (São Paulo: Publifolha, 2000) e Glossário de Termos Islâmicos (São Paulo: Cálamo, 1996), entre outras obras, e co-autor de Diálogo América do Sul - Países Árabes, de Por que nós brasileiros somos contra a guerra no Iraque e de Edward Said.
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Morou durante vários anos no Oriente Médio e na África, onde participou de diversos cursos de pós-graduação na área de literatura e história, incluindo a Universidade do Cairo, no Egito, a Universidade de Damasco, na Síria e a Universidade do Kuwait.
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Traduziu diversas obras do árabe, francês, inglês, alemão e quissuaíli, entre elas O Edifício Yacubian. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, de Alaa al-Aswani, e A terra nos é estreita e outros poemas. São Paulo: Edições BibliASPA, 2009, de Mahmud Darwich, O Dicionário e Outros Contos de Machado de Assis (tradução do português para o árabe). São Paulo: Edições BibliASPA, 2009, A Terceira Margem do Rio e Outros Contos de João Guimarães Rosa (tradução do português para o árabe). São Paulo: Edições BibliASPA, 2009, O Beco do Pilão (São Paulo: Editora Planeta, 2003), de Naguib Mahfuz. Compreende, fala, lê e escreve em português, árabe, francês, quissuaíli, espanhol, inglês, italiano e alemão.
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É membro da Brasa (Brazilian Studies Association), co-fundador e membro da diretoria do grupo internacional de estudos árabes e islâmicos MELN. É também pesquisador do CNPq, onde atua como parecerista desse órgão e de outros (incluindo a Edusp e a Fapesp) e edita a Revista Fikr de Estudos Árabes, Africanos e Sul-americanos (que pode ser lida no site www.bibliaspa.com.br).
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Diretor da BibliASPA (Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul - Países Árabes, www.bibliaspa.com.br), da qual participam acadêmicos de mais de 40 países que estudam literatura, linguística, antropologia e história, entre outras temáticas.
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Sobre a BibliASPA

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A BibliASPA foi formada a partir de 2003. Desde seu início, teve o intuito de realizar pesquisas, estimular a produção cultural e promover o conhecimento mútuo e a reflexão crítica entre árabes e sul-americanos, através de publicações, traduções e edições. Ela publica obras diversas, como a Revista Fikr de Estudos Árabes, Africanos e Sul-Americanos, editada em cinco idiomas (árabe, português, espanhol, francês e inglês) e com um Conselho formado por especialistas de mais de 25 países.
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O portal deste centro de pesquisa (www.bibliaspa.com.br) promove, em mais de 20 seções, um fórum de debate aberto à participação de todos. O portal é totalmente trilíngue (português, espanhol e árabe), oferece obras eletrônicas na íntegra para leitura, possui seções de poemas, textos e artigos sobre temas das humanidades, como literatura, história, geografia, linguística, antropologia, sociologia, artes plásticas e cinema, entre outros.
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Na perspectiva de contemplar representações e reflexões, ademais de questionar visões de sociedade e do pensamento limitantes e que acabam por promover distâncias e exclusão, as Edições BibliASPA propõem-se a publicar textos que contemplem as principais áreas de conhecimento relacionadas às letras, artes e ciências humanas. A intenção é formar acervos bibliográficos especializados em temas sul-americanos, árabes e africanos a fim de suprir a carência nessa área.
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Entre as obras, a BibliASPA se destacou pela publicação de Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali, de Paulo Daniel Farah, que trata do relato de viagem pelo Brasil de um clérigo muçulmano no século XIX, no período do Império. Uma obra monumental em três línguas, publicada com apoio inclusive do Itamaraty.
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O Centro Educativo e de Formação da BibliASPA visa à conscientização social acerca das culturas representadas por meio de cursos diversos sobre música, literatura, história, linguística e dança, entre outros temas. Alguns exemplos de curso referem-se ao Curso de Música Árabe em seis módulos, Curso de História da África, em três módulos, o Curso de Contos Árabes, Africanos e Sul-Americanos, oferecidos a 200 estudantes e professores da rede pública de São Paulo e a públicos semelhantes em Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras cidades.
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Ademais, a BibliASPA organiza seminários, palestras, exposições de artes plásticas, fotografias, esculturas, apresentações de música e dança árabe, africana e sul-americana e mostras de cinema acompanhadas de debate. Para isso, congrega pesquisadores em mais de 40 países, de áreas diversas, que promovem o respeito à diversidade e ao multiculturalismo e procuram tornar o saber acessível ao maior número possível de pessoas. São diversas as linhas de pesquisa.
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A intenção é unir pelo conhecimento. Sabe-se que os estereótipos culturais e as representações politicamente motivadas acerca de árabes, africanos e sul-americanos só podem ter seu efeito negativo contrabalançado pela produção constante de saberes, embasados em pesquisas empíricas de qualidade, bem como pela disponibilidade em português/espanhol de textos representativos da produção cultural árabe e africana e, em idioma árabe, de textos representativos da produção cultural sul-americana.
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A entrevista com Paulo Daniel Farah
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Temos a honra de realizar esta entrevista. Você enobrece o povo e a nação árabe com seu valoroso trabalho de difusão da língua e da literatura árabe. Em primeiro lugar, queremos saber um pouco de sua trajetória, sua vida pessoal, suas origens árabes, sua família, seu nome, enfim, fale-nos sobre quem é Paulo Farah.
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Nasci em uma família de origem árabe que sempre prezou a leitura, o estudo e as artes. Entre outras pessoas importantes, admiro meu avô, por seus escritos que considero especiais tanto do ponto de vista formal quanto do de conteúdo. Era um homem bastante espiritualizado, e em minha família sempre houve – e continua a haver – uma diversidade religiosa marcada por respeito e aprendizado mútuo. Sabemos que contemos “multitudes”, para usar o termo de Whitman.
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Procurei desde cedo me dedicar à literatura, à música (toco alguns instrumentos) e à pintura. Tenho muito apreço pelo ensino, em ser educador, desde jovem, pois acredito plenamente na capacidade de transformação que a educação possui. Ainda na adolescência, lecionei em escolas de idiomas e de literatura e sempre procurei participar de projetos educativos.
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Conte-nos agora sua trajetória de jornalista, bem como a trajetória acadêmica, o mestrado, doutorado, pós-doutorado, o ingresso na USP.
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Ingressei no jornalismo jovem, escrevi, sobretudo a respeito de cultura, literatura, linguística, história, religião e política internacional. Fui editor de cadernos de notícias internacionais em jornais de grande circulação e fiz coberturas de conflitos, congressos, festivais artísticos e religiosos, entre outros.
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Minha trajetória acadêmica é marcada por cursos de pós-graduação no Brasil e no exterior que tiveram importante papel em minha carreira e em minha atuação como educador e pesquisador.
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Na década de 1990, comecei a lecionar na universidade, depois de ter ensinado em diversos outros locais. Atualmente, leciono na graduação e na pós-graduação e oriento vários alunos na iniciação científica e na pós-graduação, além de escrever artigos acadêmicos e livros e redigir pareceres.

Você já possui diversas obras publicadas, por várias editoras. Fale-nos um pouco delas todas, a qual gostou mais, a que mais lhe deu trabalho ao escrever.
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Escrevi obras de ficção e de não-ficção, muitas delas com o objetivo de mostrar que as identidades múltiplas do humano devem ser respeitadas e valorizadas. Entre as obras que publiquei, posso destacar algumas pelas quais nutro um afeto especial. ABC do Mundo Árabe foi traduzido para o espanhol e o francês e recebeu prêmio literário, O Islã procura demonstrar que não existe um choque de civilizações, mas um choque de desconhecimentos e Por que nós, brasileiros, dizemos não à guerra no Iraque teve como intuito demonstrar a insanidade da guerra. O livro Deleite do Estrangeiro em Tudo o que é Espantoso e Maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali reúne a tradução anotada e o estudo de um manuscrito do século XIX sobre a estada do imã bagdali Abdurrahmán al-Baghdádi no Brasil. Após chegar a bordo de um navio do Império Otomano, morou no Rio de Janeiro, em Salvador e Recife ao longo de três anos, em meados do século XIX.
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Redigido em caracteres árabes, o manuscrito contém termos em árabe, turco otomano, persa, francês, grego, português e tupi. Constitui o principal documento acerca da situação dos muçulmanos no Brasil no século XIX, especialmente após o levante dos malês (1835), muçulmanos de origem africana que lideraram a principal revolta de escravos urbanos das Américas, o levante dos malês, em 1835, na cidade de Salvador. Trata-se também do único registro até agora conhecido de um olhar árabe - e muçulmano - sobre a paisagem tropical e a sociedade multiétnica e multiconfessional que se formava à época no Brasil.
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No manuscrito, o imã discorre ainda sobre a fauna, a flora, as tradições e as populações brasileiras sob o prisma de um erudito. A obra, editada pela Biblioteca América do Sul - Países Árabes (BibliASPA), em co-edição com as Bibliotecas Nacionais de Argel, Caracas e Rio de Janeiro e a Biblioteca Ayacucho (Venezuela), reproduz todo o manuscrito original. Inteiramente trilíngue, em árabe, português e espanhol, faz-se introduzir por textos de análise e comentário e possui um caderno de imagens do século XIX.
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Erudito muçulmano que estudara árabe, persa, literatura, jurisprudência e teologia, entre outras disciplinas, Al-Baghdádi veio ao Brasil do Oitocentos em um navio a vapor do Império Otomano. A corveta, enviada em 1865 (1282 da hégira) pelo sultão Abdulaziz (1277-1293 da hégira ou 1861-1876 d.C.), de Istambul a Basra, teve sua rota desviada por uma série de tempestades (segundo seu relato) e veio a aportar no Rio de Janeiro, onde o imã árabe decidiu permanecer após identificar na cidade a presença de muçulmanos de origem africana.
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Convidado pela comunidade muçulmana da Bahia e de Pernambuco a prolongar a missão de cunho didático que atribuíra a si e o fizera abandonar o vapor para instalar-se na capital do Império do Brasil, ao passo que seu comandante prosseguiu rumo a Basra, Al-Baghdádi continuou seu périplo e relato, no qual descreve, de forma minuciosa e especializada, as práticas e as crenças da comunidade muçulmana e, em particular, dos remanescentes dos malês na Bahia.
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Fonte de informação histórica, geográfica, antropológica, política, religiosa e literária sobre o Brasil, a África, os árabes e os otomanos, este manuscrito apresenta uma linguagem rebuscada e poética. No relato de Al-Baghdádi, o africano escravizado e o índio ocupam um lugar especial, em uma época marcada pela Guerra do Paraguai (1864-1870) e pela guerra civil norte-americana (1861-1865), à qual faz alusão em seus escritos.

A tradução anotada desse testemunho detalhado que abrange cerca de três anos (como atestam os três Ramadãs que Al-Baghdádi jejuou no Brasil) e a pesquisa minuciosa integram um esforço de ampliar as pesquisas e a produção de conhecimento acerca da América do Sul, dos países árabes e da África.
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Há também um conjunto de traduções já feitas no Brasil direto do árabe, sob sua responsabilidade direta. Fale-nos sobre essas obras, de como você as seleciona no mundo árabe e do grau de dificuldades nesses trabalhos.
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Temos a preocupação de selecionar obras de épocas distintas com o intuito de demonstrar que a cultura árabe já produziu importante reflexão crítica e que continua a fazê-lo. Dessa forma, trabalhamos com obras escritas um milênio ou alguns anos atrás. A intenção tem sido publicar obras traduzidas diretamente do árabe (ou do português para o árabe) e contemplar distintas áreas do conhecimento.
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São diversas as obras traduzidas. Para citar algumas mais recentes, traduzimos pela primeira vez para o árabe João Guimarães Rosa e Machado de Assis, autores que têm sido muito bem recebidos pelos leitores de expressão árabe.
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Como sabemos, Guimarães Rosa utiliza-se de arcaísmos, regionalismos, indigenismos, neologismos e onomatopéias; revela-se, assim, um dos escritores que mais se utilizam das potencialidades da língua portuguesa. Nesta tradução, procuramos reproduzir essas características, seus experimentos linguísticos, e preservar ao máximo a riqueza lexical nas denominações da fauna e da flora. Para citar um exemplo, em “Famigerado”, ao descrever os três cavaleiros que observavam à porta o médico inquirido, o escritor diz que estavam “mumumudos”. Em árabe, repetimos a primeira sílaba do vocábulo correspondente três vezes e procuramos explicar em nota de rodapé que o autor lançou mão da repetição para permitir que o leitor observasse cada uma das personagens.
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A importância que Guimarães Rosa atribui à linguagem é tão expressiva que esse é o tema do conto citado, no qual o conhecimento e o domínio linguístico determinam as posições sociais. E o poder da força (Damásio) opõe-se ao poder da instrução e do saber.
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Já a obra de Machado de Assis abrange praticamente todos os gêneros literários. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, na contística refletiu sobre a cultura popular urbana e retratou o ambiente político, cultural e social do Rio de Janeiro no século XIX e na virada para o século XX. No decorrer do quase meio século da produção literária de Machado de Assis, de 1864 até sua morte, o Brasil testemunhou um ciclo de modernização, que aparece na obra do autor com suas contradições e dilemas. Em seus romances e contos, além das crônicas, pode-se acompanhar a história do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil e microcosmo de sua história urbana.
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Algumas outras obras traduzidas são O Beco do Pilão, de Naguib Mahfuz (Prêmio Nobel de Literatura em 1988), Poemas de Mahmud Darwich, descrito por Edward Said, em Reflexões sobre o exílio, como um “artista que dá voz a exilados enraizados e às dificuldades dos refugiados presos em armadilhas, a fronteiras em dissolução e identidades em mudança, a exigências radicais e novas linguagens”, e o romance Homens ao sol, de Ghassan Kanafani. Publicado em 1963, é um marco da literatura árabe e palestina – descrito por alguns críticos como a principal criação literária palestina. A caracterização das personagens é complexa e abriu caminho para uma tendência no romance palestino.
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A obra narra a história de três palestinos que não se conhecem, mas que estão, ao mesmo tempo, em Basra (Iraque), de onde tentam cruzar ilegalmente a fronteira para o Kuait. Cada um deles descobre que não pode pagar o preço exigido pelos contrabandistas profissionais e tenta, à sua própria maneira, descobrir um meio de partir, até que finalmente se encontram uns aos outros e ao contrabandista que se oferece para levá-los ao Kuait por um valor menor, mas ainda elevado. Esse contrabandista, Abul-Khayzuran, é motorista de um caminhão-pipa que pertence a um rico comerciante kuaitiano.
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O plano de Abul-Khayzuran para contrabandeá-los do Iraque para o Kuait mostra-se simples. Como ele é obrigado a voltar com o caminhão vazio para o Kuait, pode levar os três homens. Durante a maior parte da viagem, eles vão ao seu lado na cabine, mas, um pouco antes da fronteira, devem se esconder dentro do tanque de água vazio. Depois de a polícia conferir seus documentos e ele se distanciar um pouco da fronteira, eles podem sair e completar a viagem ao seu lado. Os três palestinos não gostam do plano. Abu-Qays, o mais velho, não ficara satisfeito desde o início, pois compreende que é uma aventura extremamente arriscada. Ele está mais inclinado a viajar com um contrabandista profissional, apesar do preço exorbitante. Marwan, o mais jovem, se sente confuso e não consegue se decidir. Assim, recai sobre As‘ad, o mais consciente politicamente, a responsabilidade de tomar a decisão.
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As‘ad faz Abul-Khayzuran admitir que seu trabalho não é realmente o de transportar água, mas, sim, o de contrabandear mercadorias para o comerciante kuaitiano. O tráfico de seres humanos é um trabalho que lhe proporciona uma renda extra. O fato de que Abul-Khayzuran admite realizar essas atividades ilegais e aceita receber o pagamento na chegada ao Kuait, não antes (como exigira insistentemente desde o início das negociações), dá autoridade a As‘ad para fazer com que Abu-Qays e Marwan concordem com a decisão que ele próprio tomou. Ele aceita o risco porque, na verdade, não tem outra escolha.
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Abul-Khayzuran diz “prestar um serviço” aos outros ao promover o tráfico de seres humanos. Garante que já fizera isso antes com sucesso. Nessa viagem, contudo, sua sorte muda. Enquanto o caminhão fica exposto ao sol do deserto, os burocratas da fronteira começam a fazer piadas sobre a vida sexual de Abul-Khayzuran. Suas tentativas de encerrar a conversa dos oficiais da fronteira são inúteis e, quando ele retorna ao caminhão, dirige-o por uma curta distância e pára para abrir o tanque, mas já é tarde demais. Os três homens estão mortos, sufocados.
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Ferido pelo remorso, inicialmente ele planeja oferecer um enterro decente aos corpos, mas o choque da tragédia logo se dissipa e ele decide que é mais fácil descarregar os corpos, na calada da noite, em um depósito de lixo municipal nos arredores da cidade do Kuait. Ele faz isso, mas não antes de roubar o relógio de Marwan e de despojar os outros corpos de todas as suas escassas posses. Dessa forma, ele os deixa tão pobres e anônimos na morte como foram em vida.
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As quatro personagens palestinas do romance – Abu-Qays, As‘ad, Marwan e Abul-Khayzuran – pertencem a quatro faixas etárias diferentes e fornecem, assim, uma amostra significativa do povo palestino.
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Uma série de flashbacks introspectivos familiariza o leitor com o passado das personagens ao oferecer uma descrição de seus sonhos, esperanças, objetivos e medos mais íntimos. Homens ao sol enfatiza, além disso, a futilidade do esforço dos refugiados palestinos em procurar um novo lar, um novo futuro e uma nova identidade fora da Palestina. A tentativa de buscar trabalho no exterior passa pela provação do deserto entre Basra, no Iraque, e o Kuait, mas o deserto não leva à redenção. Ao contrário, sufoca até a morte os que vêm da Palestina. O autor afirma que é preciso vencer o deserto para chegar à Palestina, não para abandoná-la.
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O deserto causticante em Homens ao Sol representa uma antítese à terra na qual as personagens viveram um dia, um não-lugar, uma negação de sua própria existência. Os pensamentos das personagens transitam rapidamente entre o presente e o passado conforme o sol e a areia brilhante do deserto atacam a consciência. Em um trecho do livro, o sol brilhante se torna a luz da sala de operações na qual o contrabandista palestino acordara após a batalha na qual se ferira em 1948. Em outro momento, a areia molhada próxima ao canal do Chatt Al-‘arab torna-se o solo umedecido pela chuva do campo perdido de Abu-Qays.
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No próximo mês, será publicada a importante obra Rihla, de Ibn Battuta. Nascido em Tanger, Muhammad Ibn Battuta (1304-1368) viajou durante mais de 30 anos por uma parte considerável da África, da Europa e da Ásia. Vinha de uma família de jurisconsultos que praticavam a profissão em Marrocos e na Andaluzia. Em sua juventude, Ibn Battuta aprendeu as ciências religiosas e jurídicas – exegese corânica, as tradições do Profeta (ahadith), gramática, retórica, teologia, lógica e direito. E logo se revelou um alim (sábio).
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A civilização islâmica era altamente cosmopolita no século XIV em dois aspectos. Em primeiro lugar, as cidades islâmicas tinham as populações mais heterogêneas de habitantes e visitantes transitórios do mundo. Isso se aplicava especialmente às cidades do interior do mundo islâmico, em parte porque a região entre o Egito e a Pérsia (denominada atualmente de Oriente Médio) era geograficamente o local através do qual passavam as rotas comerciais entre o Ocidente e o Oriente. Árabes, persas, judeus, curdos, berberes, turcos, gregos, italianos e catalães viviam em Damasco, Alepo, Jerusalém, Tabriz, Alexandria e Cairo.
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Entre os viajantes que se dispunham a enfrentar as trilhas de caravanas e as rotas marítimas do século XIV, os muçulmanos predominavam. Como as terras do Islã dominavam o centro do hemisfério oriental, os mercadores e os sábios muçulmanos se moviam por entre as maiores regiões da Eurásia e da África. Muitos faziam a peregrinação sagrada a Meca (o hajj) e Medina, na Arábia, uma jornada que um peregrino pobre podia levar vários anos para realizar. Outros ainda viajavam como emissários diplomáticos, mensageiros imperiais, místicos, andarilhos ou estudiosos em busca de livros e professores renomados.
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O internacionalismo islâmico também era evidenciado na vida coletiva dos ulemás, os muçulmanos versados na lei e na religião. De acordo com a tradição islâmica, valorizavam-se os indivíduos que viajavam para fazer o hajj ou para aprimorar a sua educação nas ciências religiosas. Ibn Battuta iniciou sua viagem com o intuito de realizar a peregrinação para dedicar-se ao estudo da geografia, da história e das sociedades que visitava.
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Os muçulmanos letrados do norte da África (caso de Ibn Battuta) ou do sul da Espanha estavam particularmente inclinados a fazer longas viagens ao exterior, em parte para realizar as obrigações religiosas do hajj, em parte para fazer viagens de estudo a outros centros de saber, como o Cairo, Damasco e outras cidades universitárias do Oriente Médio.
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Ibn Battuta testemunhou acontecimentos trágicos como a Peste Negra e os problemas econômicos, os colapsos políticos e as transformações sociais que dela advieram. Viu e analisou mais do Dar al-Islam (as terras do Islã) do que qualquer outra pessoa já vira anteriormente. E viajou também entre territórios não-muçulmanos.
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A “Rihla” representa ainda o único relato de testemunha ocular que temos sobre as cidades-estado da África oriental e o império mali no século XIV; seu relato inclui descrições detalhadas do governo real desse império.
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O relato de Ibn Battuta sobre as cidades da África oriental de Mogadishu, Mombasa e Kilwa é extremamente informativo historicamente. Suas descrições de Damasco, Jerusalém, Meca, Kufa (no atual Iraque), Cairo e muitas outras cidades testemunham de forma ímpar os eventos históricos, as paisagens, a arquitetura, as culturas e o modo como essas sociedades viviam; de fato, muitas das tradições por ele retratadas e dos cenários por ele descritos se mantêm. Por essas razões, a obra que descreve seu périplo de 30 anos tornou-se uma referência fundamental para geógrafos, historiadores, críticos literários, lingüistas e antropólogos, entre outros.
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Agora, queremos saber um pouco da BibliASPA, de como surgiu essa ideia, de quais países principais estão dando apoio, dos grandes projetos que você tem para os próximos anos. Soube inclusive que a Biblioteca terá uma nova sede nos próximos meses, onde será possível realizarmos cursos, exposições, passarmos filmes árabes.
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A BibliASPA surgiu da constatação da existência de uma grande carência por ações na área da cultura e da educação vinculadas a temas árabes, africanos e sul-americanos. Entre seus objetivos, propõe-se a promover a integração entre entidades (não-sectárias) ligadas à literatura, às humanidades e à cultura, em geral, e à cultura sul-americana, árabe ou africana, em participar; promover a aproximação e o conhecimento mútuo entre a América do Sul, a África e os países árabes; incentivar a reflexão crítica, a pesquisa, a produção e a difusão de saberes entre as regiões envolvidas e aprofundar a pesquisa sobre a presença árabe na América do Sul (temos muitos projetos nesse campo).
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Quanto à nova sede, com certeza continuará a desenvolver e intensificará a realização de cursos, palestras, mostras de cinema e exposições, pois de fato há muito que fazer nessa área.
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São muitos os países que atuam neste projeto, em diversas instâncias. A participação de importantes intelectuais, tanto no Brasil quanto no exterior, desde o início foi essencial. Edward Said, com quem tive a oportunidade de conversar, entre outros temas, sobre essa necessidade de refletir criticamente a respeito dessas temáticas fundamentais, foi um dos incentivadores para que esse processo ocorresse.
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A BibliASPA tem atraído apoios importantes em universidades e centros de cultura e pesquisa, ademais de órgãos governamentais e não-governamentais. O lançamento do livro Deleite do Estrangeiro em Tudo o que é Espantoso e Maravilhoso: estudo de um relato de viagem bagdali, por exemplo, contou com a presença do então ministro da Cultura, Gilberto Gil, e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Nessa ocasião e em outras, ambos enfatizaram a importância do projeto. Sem dúvida, o respaldo e o interesse têm sido muito claros.
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Convido a todos a acessar nosso portal, a ler a Revista Fikr de Estudos Árabes, Africanos e Sul-americanos e a participar de nossas atividades. Será um prazer conversar com os interessados. Ahlan wa Sahlan!
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Gostaríamos agora de falar um pouco de política em geral. É possível difundir a cultura milenar árabe sem entrar em questões políticas que tanto envolvem os países no Oriente Médio? Como é o seu engajamento pessoal nas questões de solidariedade ao povo árabe em geral e aos palestinos em particular?
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Generalizações indevidas caracterizam, na maioria das vezes, a visão que europeus e norte-americanos têm dos países árabes. E a representação que se faz dessas culturas com frequência têm objetivos políticos de deturpação.
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Quanto maior o afastamento, mais distantes da realidade se revelam as representações.
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Uma forma clara de aproximação passa pelo respeito de ambas as partes e por políticas externas que não privilegiem um determinado grupo unilateralmente. Nesse sentido, é fundamental implementar as resoluções internacionais da ONU, por exemplo, no que diz respeito à Palestina, para garantir a desocupação dos territórios ocupados, um Estado viável e uma convivência pacífica entre os diversos grupos.
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A Assembléia Geral ou o Conselho de Segurança da ONU já aprovou diversas resoluções referentes à questão palestina que propõem uma solução pacífica para o conflito que leve ao fim da ocupação; é necessário implementá-las o quanto antes.
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Os eventos que sucederam à criação de Israel tiveram um triste impacto sobre o povo palestino. Ao final do processo inicial de desapropriação, mais de quatrocentas cidades e aldeias árabes da Galiléia, da região costeira, da área entre Jaffa e Jerusalém e da região sul da Palestina tinham sido despovoadas. 
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Uma questão central é identificar (e buscar soluções para) questões cruciais do conflito, entre as quais: Jerusalém, os recursos hídricos e os refugiados.
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Entendo que uma solução pacífica para a questão da Palestina e que restitua os direitos de seu povo terá consequências positivas para a região e para o mundo todo e reduzirá instabilidades e focos de conflito, além de significar o reconhecimento e a valorização do humano.

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* Presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, escritor, arabista e professor. Membro da Academia de Altos Estudos Ibero-Árabe de Lisboa e da International Sociological Association.
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* Opiniões aqui expressas não refletem necessáriamente as opiniões do site.
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  • Paulo Farah

    14/10/2009 7h21
    Adorei conhecer Paulo Farah. Gostaria que ele, ou alguém com quem tenha contato, me indicasse onde encontrar artigos sobre a história do povo árabe, em Português, se possível. Se a fonte estiver na internet, tanto melhor; favor indicar o "caminho".Eu escrevo para vários jornais virtuais e gostaria de escever algo interessante e inédito, se possível, sobre o povo ou folclore (melhor seria)árabe.Alguém me ajuda?
    ACAS
    São Paulo - SP
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sábado, 29 de agosto de 2009

De expugnatione Lyxbonensi (Da captura de Lisboa) -


De expugnatione Lyxbonensi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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De expugnatione Lyxbonensi (em português Da captura de Lisboa) é o nome pelo qual é conhecida uma carta em latim escrita por um cruzado que participou do cerco e conquista de Lisboa em 1147, durante a Segunda Cruzada. A tomada de Lisboa aos mouros foi realizada por uma força conjunta de cruzados oriundos do norte da Europa e portugueses sob comando do rei Afonso Henriques. A carta descreve com riqueza de detalhes as negociações políticas entre o rei e os cruzados estrangeiros, assim como as ações militares que levaram à conquista de Lisboa, sendo a principal fonte histórica da conquista da cidade.

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Índice

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Autoria

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A carta começa com uma fórmula abreviada de saudação: Osb. de Baldr. R. salutem. As ambiguidades do latim medieval fazem com que seja difícil saber quem foi o autor e quem o destinatário. Tradicionalmente a carta é atribuída a Osb. de Baldr. e é dirigida a R.; porém também é possível que tenha sido escrita por R. e dirigida a Osb.. Este Osb. é Osberno (ou Osberto) de Bawdsey (Suffolk). R. é identificado por alguns como um presbítero inglês chamado Raul.

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Seja quem for o autor, o importante é que era um cruzado de formação religiosa (um clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia, e que foi testemunha ocular dos acontecimentos da tomada de Lisboa aos mouros em 1147. A qualidade do latim empregado por ele e as características do texto indicam que era um homem culto.

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Texto

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Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preparatórias até o período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em junho de 1147. Os cruzados são recebidos pelo bispo do Porto, Pedro Pitões, enviado do rei Afonso Henriques, que tenta convencê-los em ajudar os portugueses na conquista de Lisboa.

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O próprio rei português se encontra com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los de participar na conquista da cidade. Também o condestável inglês, Hervey de Glanville, faz um discurso e termina de convencer as tropas. O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exatidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos (a Reconquista era considerada parte das Cruzadas) quanto à promessa de botim da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras na região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos. O arcebispo de Braga, João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes se recusam. Este último discurso é muito interessante por explicitar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da península Ibérica no século VIII.

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O longo cerco começa em julho de 1147. O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De maneira geral, o autor anglo-normando descreve de maneira favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também é tensa por vezes.

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De expugnatione Lyxbonensi também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, interceptadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Afonso Henriques.

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Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte -, que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo, por parte do rei, e Hervey de Glanville, um dos condestáveis dos anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.

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Finalmente, no dia 25 de outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados. Apesar de que Afonso Henriques ordenou que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram a muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa muçulmana, enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitando os acordos. Já espoliada de seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.

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Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.

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Manuscrito

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O manuscrito latino da carta conserva-se atualmente no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Várias traduções tanto ao português como ao inglês foram publicadas.

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Ver também

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Referências e ligações externas

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