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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

 

03/12/10

Hoje no «JN»



A Alice recorda Carlos Oliveira
Carlos de Oliveira em quadro de Mário Dionísio
Crónica de Alice Vieira, hoje no JN: - «Recordando Carlos de Oliveira - .
«Quando chega Dezembro, começamos a notar que à mesa familiar falta cada vez mais gente. "Mesa familiar" é, no fundo, a metáfora que usamos para nesta altura abraçarmos um pouco mais os amigos e ficarmos felizes só pelo facto de eles estarem ao nosso lado. Mas ao nosso lado vai havendo cada vez mais lugares vagos. A minha mesa familiar ainda não se habituou às ausências do João Aguiar, da Rosa Lobato de Faria, da Matilde Rosa Araújo, do Raul Solnado, da Mariana Rey Monteiro, todos eles ainda tão dentro de mim.
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Mas, de repente, chega-me uma terrível e inesperada saudade de alguém que há muitos anos desapareceu da minha mesa.
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Tudo por causa de um programa que a RTP2 passou, dedicado aos "Grande livros".
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Naquela noite, o livro era "Uma abelha na chuva", do Carlos de Oliveira.
É um grande romance da nossa literatura e foi bom recordarmos as imagens do filme do Fernando Lopes, e ouvir falar dele (a Laura Soveral e a sua voz incomparável...)
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Mas o que sobretudo me marcou foi o rosto do Carlos de Oliveira - aquele olhar que entrava dentro de nós e nos dizia tudo o que era preciso, aquele sorriso que me recebia sempre, quando eu chegava à sua mesa do "Monte Carlo".
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Ele e o Zé Gomes Ferreira - sempre. Depois, às vezes por lá caíam o Abelaira, o Mário Dionísio, tantos outros.
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Mas o Carlos e o Zé Gomes eram a minha âncora. E foram a minha verdadeira universidade. Eu, 20 e poucos anos, deslumbrada no convívio diário com gente que nunca pensara vir a conhecer.
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E, de repente, quando a revolução de Abril dava os seus primeiros passos, o Carlos de Oliveira morre. De um dia para o outro.
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Nunca perdoei ao destino, e acho que aquela geração mais nova que privou com ele nunca mais se recompôs.
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Fosse o que fosse que fizéssemos ou escrevêssemos, pensávamos sempre: "O que é que o Carlos dirá disto".
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Ele era o rigor, a coerência, a lucidez em estado puro.
Ele era a nossa consciência moral.
Nunca mais tivemos outra.»
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Contos Proibidos - Memórias de um PS desconhecido - Rui Mateus

12/01/10

Porventura não legal mas de interesse público


Disponível na Web



A iniciativa colide porventura com os direitos do autor (que há muitos anos não tem qualquer intervenção pública) e da editora - a D. Quixote - mas não se justifica silenciar que o livro de Rui Mateus Contos Proibidos - Memórias de um PS desconhecido, que desapareceu da circulação rapidamente e que nunca foi reeditado nos últimos 13 anos, pode agora ser descarregado aqui em http://ferrao.org/documentos/Livro_Contos_Proibidos.pdf .  
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Questões de legalidade à parte, do que não há dúvida é que o acesso a esta obra é de relevante interesse público e indispensável para quem queira conhecer certos meandros do pós-25 de Abril através do testemunho de um então destacado dirigente do PS.
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ÍNDICE DO LIVRO

Introdução: Do «Triunfo da Política» ao «Estado dos Juízes»
Capítulo I :«Os Anos da Inocência»(1944-1974)
Capítulo II:«Enfrentaras Realidades»(1974-1975)
Capítulo III: «A Europa (e a América) Connosco!»(1975-1976)
Capítulo IV :«Os Governosdo nosso descontentamento»(1976-1978)
Capítulo V :«Os anos de crise» (1978-1981)
Capítulo VI :«Reviver o passado em São Bento» (1981-1985)
Capítulo VII: «No tempo em que Deus foi Laico,Republicano e Socialista!»(1985-1986)
Capítulo VIII: «A Emaudio:Um novo desastre na Comunicação Social»(1986-1990) ,
CapítuloIX :«Uma investigação tipo Independente»(1990)
CapítuloX: «No Tribunal do juiz Roy Bean ou da juíza que gostava de ser ministro da Justiça?» (1990-1995)
Conclusão. «O mal amado»
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ANEXOS DO LIVRO

-Primeiros apoios financeiros do PSD sueco a Mário Soares. Carta de
26.01.1971

-Carta do PSD da Noruega de 20.02.1976, enunciando apoios em 1974 e 1975
-Carta do PSD da Dinamarca de 8.03.1976 descrevendo apoios ao PS em
1974, 1975 e 1976
-Referência à conta movimentada na Holanda em nome do PS
-Carta de Mário Soares de 24.09.1075 ao ditador líbio, coronel Kadhafi
-Primeiro Projecto de Comunicado do Comité de Estocolmo, de 27 de Agosto
de 1975
-Conta de Mário Soares noBank fur Gemeinwirksha.
-Recibos de Aires Rodrigues,secretárionacional do PS, relativos ao 25 de
Novembro
-Recibos vários entregues ao PS para a «resistência» ao 25 de Novembro de
1975
-Transferência do PSD sueco ao PS no Verão «quente» de 1975
-Carta do banco PK da Suécia abrindo conta para cobrir despesas do PS em
1976
-Depósitos bancários do PS austríaco e PSD sueco em 1976
-Outros apoios em 1976
-Relação de apoios noruegueses e suecos ao PS, Portugal Hoje e UGT
-Proposta de Mário Soares para vice-presidente da Internacional Socialista
-Telegrama de Lionel Brizola após regresso ao Brasil, marcando o fim da
ditadura
-Memorando de recomendaçõesda CIA sobre missão da IS à Nicarágua
-Carta do IED de 31.03.1981 confirmando falta de transparência dos seus
órgãos directivos
-Manuscrito de Bernardino Gomes sobre a filosofia empresarial do PS
-Viagens particulares pagas pela FRI
-Carta de George Debunne, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos,
Ao primeiro-ministro de Portugal.
-Carta de Manuel Bullosa,de 16.11.1984 sobre nacionalizações da «revolução
-Termos de aquisição do livro Portrait of a Hero, à editora Widenfeld &
Nicholson
-Cartas da empresa de consultores americana Black Manafort, Stone and Kelly,
Exigindo pagamento por serviços prestados ao MASP
-Perfil curricular de JoãoSoares anterior à constituição da Emaudio
-Extractos do memorando confidencial do grupo News International,ao magnata dos media,
Rupert Murdoch, sobre o projecto Emaudio
-Cortes ao projecto de Comunicado sobre a visita de Rupert Murdoch ao Presidente da República,Em 1987
-Carta de Rupert Murdoch confirmando disponibilidade para se associar à
Emaudio e à FRI
-Convite de Robert Maxwell
-Protocolo entre o empresário Ilídio Pinho e a Emaudio
-Projecto de carta de MaxweIl a Ilídio Pinho
-Protocolo entre Robert Maxwell e Ilídio Pinho
-Carta de confirmação notarial da transmissão da posição de Carlos Melancia
-Na EmaudioCartado empresário Stanley Ho confirmando interesse na Emaudio
-Carta da Interfina confirmando interesse na Emaudio
-Registo bancário dos depósitos da verba da Weidleplan em contas da Emaudio
-Planos para uma eventual associação Emaudio/lnterfina
-Documento comprovativo da transmissão de acções da Emaudio ao Partido
Socialista
-Carta de Robert Maxwell desligando-se da Emaudio
-Carta que O Independente não publicaria
-Confirmação da Inspecção-Geral de Finanças dos depósitos da verba da Weidleplan na conta da Emaudio
-Carta da Weidleplan rectificando o chamado«fax de Macau»
-Carta enviada a Mário Soares pedindo substituição na presidência da FRI
-Carta de demissão de Mário Soares daFRI de 19.12.1990
-Carta de aceitação de António Guterres para ser membro da FRI
-Carta ao secretário das relações internacionais do PS sobre acções da FRI na
Emaudio
-Protocolo entre a UGT e a Emaudio

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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Na morte de um ditador sanguinário


28-01-2008

Na morte de um ditador sanguinário


Suharto já foi para onde

mandou centenas de milhar


Os jornais dedicam hoje várias páginas a morte do ditador indonésio Suharto e à sua crónica de vida manchada pelo sangue de centenas de milhar dos seus compatriotas (e também do povo de Timor-Leste), sempre com o inquestionável apoio das Administrações norte-americanas.
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«O tempo das cerejas» orgulha-se de não ter precisado de esperar pela sua morte para lembrar a verdade sobre o golpe de 30.9.1965 que o levaria ao poder e sobre o terrível massacre que se seguiu, atingindo de forma particularmente brutal e selectiva os comunistas indonésios. Fê-lo aqui em
«Combates da memória (12)»
, assinalando o 42º aniversário desse golpe.
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Ao ler a imprensa de hoje, quem deve estar muito triste é o «zero» do blogue «25 centímetros de neve» que aqui , em polémica comigo, procurou então dar naturalidade geoestratégica a tudo o que aconteceu na Indónésia depois do golpe de Suharto em 1965. Por fim, resta-me acrescentar que a imagem à esquerda é a capa da Time de 15.6.1966, em que a asumpção formal do poder por Sukarno é celebrada com um contente «insert» no topo à esquerda que assinala «Indonésia: a terra que os comunistas perderam». Nem o golpe de 1965 nem a sangueira que seguiu jamais tiveram direito a capa da Time. [sobre a morte de Suharto, ler aqui os comentário de António Abreu no seu blogue «Antreu»]


tempo das cerejas

Indonésia - 1965 - o começo da grande matança


30-09-2007

COMBATES DA MEMÓRIA ( 12 )

Indonésia, 1965:
o começo da grande matança


Completam-se hoje precisamente 42 anos sobre o golpe de Estado desencadeado na Indonésia pelo General Suharto (à esquerda, em foto da época) contra o regime do Presidente Sukarno, a pretexto de resposta a um golpe de Estado que estaria em preparação pelo PKI (Partido Comunista da Indonésia, com um milhão e meio de membros nessa altura) e que nunca foi provado ou demonstrado.
Mais do que a perda de poder de Sukarno que, em Abril do ano seguinte, foi obrigado a transferi-lo para Suharto, o que mais dramaticamente marca o dia 30 de Setembro de 1965 é o ínicio de um dos maiores massacres da segunda metade do século XX. Com efeito, durante os três meses finais de 1965 e durante o ano de 1966, perante um generalizado silêncio e indiferença internacional, as forças do Exército e as milicias para-militares GAP-Gestapu
assassinaram entre meio milhão a um milhão de comunistas, sendo outras centenas de milhar de indonésios condenados a longas penas de cadeia, bastando assinalar que, quando a ditadura de Suharto terminou em 1998, milhares de indonésios ainda se encontravam presos em relação com os acontecimentos de Setembro-Outubro de 1965.

Entre os que sofreram a repressão, encontrava-se um dos mais prestigiados escritores indónésios e várias vezes indigitado para o Nobel, Pramoedya Ananta Toer (1), falecido em 2006, e que passou largos anos na prisão da Ilha de Buru (Molucas) e viveu mais de uma década sob regime de prisão domiciliária e que, numa entrevista ao Expresso de 31.7.99. afirmava : «Os massacres foram o resultado duma conspiração internacional, com o objectivo de abrir o país ao investimento e capital estrangeiros. De facto, a indiferença da comunidade internacional em relação aos massacres indica alguma cumplicidade; só assim se pode explicar que nenhuma comissão internacional de inquérito se tivesse ocupado, na altura, do ocorrido. Doutro modo, teria sido investigado imediatamente. Por isso, somos nós próprios que teremos de realizar essa investigação. Mas vai ser difícil. Não estou muito satisfeito com a forma como se prepararam as eleições de Junho, porque a questão dos massacres não foi abordada, o que se pode interpretar como uma forma de legitimar as atrocidades cometidas sob Suharto. Os partidos que participaram tornaram-se, assim, em extensões do antigo regime. »
Tal como acontece com a «luz verde» dada por Gerald Ford e Henry Kissinger à invasão de Timor-Leste em 1975 (ver aqui), The National Security Archive da George Washington University tem online vastíssima documentação oficial comprovando a implicação da Administração norte-americana, designadamente do Presidente Lyndon Johnson e do Secretário de Estado Dean Rusk (fotos à esquerda) no golpe de Estado de Suharto, envolvendo aspectos que vão desde a entrega pelo embaixador norte-americano Green de 50 milihões de rupias ao GAP-Gestapu (ver aqui) até ao fornecimento pela Embaixada norte-americana de listas de dirigentes e quadros do Partido Comunista da Indónésia ao Exército indonésio (ver aqui).

Por fim, só quero assinalar que, como sinal da consabida sensibilidade e independência da grande imprensa norte-americana, no período de 30 de Setembro de 1965 até 14 de Junho de 1966, nem a situação na Indonésia, nem o golpe de Suharto, nem o massacre massivo de comunistas tiveram direito a capa da TIME (como se pode constatar aqui ) mas já a assumpção total do poder por Suharto teve direito à capa (em baixo) de 15.6.1966 da revista, com um satisfeito «insert» onde se lê «Indonésia: o país que os comunistas perderam».



(1) De Pramoedya Ananta Toer estão publicados em Portugal
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Esta estranha terra, Fabulosa Jacarta, Solilóquio mudo e A rapariga de Java, todos na Quetzal.

tempo das cerejas - combates-da-memória-12