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domingo, 13 de setembro de 2009

A Hora de Ser Feliz in A Maçã


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Posted: 12 Sep 2009 05:42 AM PDT
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Clicar aima para ver o poema formatado
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Somos caracóis, somos naves. A hora de ser feliz passa muito rápido. Somos estradas, somos artérias. A hora de ser feliz é tão esquiva.. Eu quero escrever um poema sobre a hora de ser feliz. Qual é a hora de ser feliz? É a hora das chuvas? É a hora do sol? A hora de ser feliz talvez seja a hora do vento. Quem sabe a hora da tempestade. A hora de ser feliz é um X. Não sei nada sobre ela, mas pesquiso. Quando a hora de ser feliz vier, Quero estar pronto. A hora de ser feliz é uma hora de anúncios. É uma hora de fogos, uma hora de muitos sons. Talvez seja a hora da música. Vamos ver: a hora de ser feliz é uma hora magnífica. Nela, tudo se torna possível. A hora de ser feliz é a noite? Mas pode ser o dia, com as claridades. Eu acho, francamente, que a hora de ser feliz É uma hora muito inesperada. Ninguém vai avisar: “É hora de ser feliz.” Eu mesmo vou ter que pressentir. Quando a hora de ser feliz vier, quero estar lindo. Quando a hora de ser feliz vier, quero estar muito leve. Eu ouvi dizer que a hora de ser feliz acontece quando a gente viaja. Não sei se é verdade isso. Alguns dizem que a hora de ser feliz é muito colorida, Cheia de clarões e flashes e texturas. Mas, veja só, pode ser uma hora muito simples. Pode ser uma hora muito pacata. Eu arrisco o seguinte: a hora de ser feliz é subterrânea. Quando ela vem, pega você de surpresa. Vem devagarinho, como a brisa vem – Quando você viu – já foi. Por isso é que deve-se estar atento à hora de ser feliz. Ou, melhor dizendo – deve-se estar distraído. Uma hora ela chega - e bum! – a pessoa é feliz. Pelo que eu já percebi, a hora de ser feliz É uma hora muito difícil: Não consigo pegar ela com palavras. Talvez nem exista, talvez nem apareça, Talvez seja agora, talvez foi ontem, talvez foi anteontem, Pode ser que a hora de ser feliz tenha sido mês passado Ou quando eu tinha vinte e cinco anos. A hora de ser feliz é um Y. Que pode vir às dez da manhã ou às cinco da tarde. E quando ela vem, é algo que paralisa a pessoa. A pessoa não diz nada, fica muda, só sentindo. Quem está em volta nem percebe, nem tem idéia Da dimensão do acontecimento. A pessoa que vive a hora de ser feliz Dá uma desculpa qualquer e se afasta do grupo: Ela precisa ficar sozinha. Porque ser feliz é sozinho. Ser feliz só funciona sozinho. Mas enfim: quem é capaz? Talvez o Zero seja capaz, quem sabe? Eu sempre achei que o Zero é uma pessoa capaz de ser feliz. Quanto a mim, eu fico pesquisando, escrevendo Sobre essa coisa estranha que é a hora de ser feliz.

2 comentários
por ygor
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12/09/09, 12:42.
in Blog A Maçã no Escuro
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Antes da Meia-Noite

Antes da Meia-Noite.


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Posted: 06 Aug 2009 02:21 PM PDT

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Coisas sem nome, coisas sem forma. Os lados de uma redonda fruta, os lábios de um cavalo, os livros na escrivaninha dispostos. Sentar-se aqui, em plena sexta-feira, sem saber como começar voltar a escrever. A plena sexta-feira é um ótimo dia para sentar-se, a cabeça cheia de palavras, e atiçar a compostura do mundo.

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Cavalgadura das coisas sem nome, ressurgimento das coisas para as quais não há palavras: as hortas orvalhadas, as anáguas, as mãos postas sobre o peito em atitude de prece. Pois é justamente isso que a sexta-feira pede, agora estou descobrindo – uma prece. Ajuda-me, pai, a achar a palavra certa para falar do que é fugidio demais. Ajuda-me a encontrar uma palavra que seja tão fugidia como são as coisas, tão lisa como é liso o mundo. Ajuda-me, pai, a escrever algo que seja não como eu sou, mas como é o mundo – aos trancos, abismável, frutífero.

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Eu amparo a sexta-feira e abro a janela para que o cheiro que a noite tem penetre em mim e me mova a escrever algo que descreva – não a minha paisagem – mas a paisagem da noite, os carrilhões, os túneis, as guelras, o mercúrio. Não é fácil essa experiência. A sexta-feira não ajuda, pois é hermética. Ela é só uma promessa e proíbe intrusões em seu núcleo. Fundos são os galões e as cápsulas; quadrangulares são as câmaras que a noite abre; buliçosas são as façanhas na noite perpetradas; macios são os teus pés ocultos sob a treva, mas insalubres os porões da noite, agudos os guinchos.

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Preciso encontrar um ritmo adequado. Pois é provável que, à meia-noite, vestido, alimentado e pronto, eu olhe para trás, já no sábado, e encare a sexta-feira morta sem saber realmente do que ela foi feita. A sexta-feira, então, finada, permanecerá um mistério – como, no fim das contas, todo o resto das coisas permanece.


None

Posted: 05 Aug 2009 01:38 AM PDT

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in Blog A Maçã no Escuro

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O Ser Imaculado.

O Ser Imaculado.

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Posted: 06 Aug 2009 02:34 PM PDT

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Câmaras onde se fabrica o dia, alturas onde se fabrica a noite. A capa estelar que nos recobre, a lâmpada astral que nos guia: a órbita ao redor da qual em rodopio viajamos: senhores de nada e de vazio e entretanto pomposos, laureados, altivos como deuses, e como deuses charmosos, espertos, confiantes. E criamos. Sobre a superfície nua da pedra, rabiscamos o calor da caça e o êxito do primeiro caçador. E louvamos. Um deus que mal nos diz respeito. E no entanto o adoramos. Ele e o manto azul de seu filho. Ele e a face cândida de sua mãe e a asa lépida da pomba tripartida e do espírito. O que nos move? Será a alegria arcaica extraída do coração exposto desse deus ou será o próprio sangue desse deus derramado e a carne desse deus sacrificada em holocausto? Será o vinho vertido do corpo branco desse deus, será a aorta desse deus que expele vinho santo ou a coroa de espinhos que lhe lacerava a face ou será a carne macerada desse deus e convertida em pão, ou ainda um mero sopro seu o que nos anima? Resta que. Aqui pairamos. Aferrados ao corpo, ao corpo jungidos. Ao corpo aguilhoados. Aqui permanecemos, por dentro acesos, tesos por dentro, por dentro fibrosos, sanguinolentos por dentro. É que o júbilo de aqui permanecermos, atados, mas todavia por inteiro libertos, por demais libertos, inscreve no portal da alma um signo ilegível: rodamos em falso, e no entanto rodamos, mas sem direção. Somos flecha às cegas disparada e não se conhece o arqueiro. Mal sabemos se arqueiro há ou se a flecha meramente pelo vento iniciou sua trajetória. Mas e o impulso do vento, a trajetória do vento e a origem de todos os ventos? É certo: no nada rodamos, como se roda num rio que num mar indecifrado desemboca. Alturas onde se fabrica a vertigem que num giro tudo desvanece ou estradas onde se perfaz a viagem da qual não se adivinha o rumo ou motores onde se acumula a fuligem que nos enegrece as ventas ou desertos onde se fabrica a miragem ou túneis onde se fabrica a ida e a vinda e a vida que os tendões nos inflama e os calcanhares unidos em prece e os corações lacerados e as mãos e os braços erguidos ao céu tumultuado, e as faces perplexas, desfiguradas e voltadas ao nada, como se do nada pudesse sobrevir o ser alado e branco que do inferno da carne nos salvasse e nos conduzisse, puros, imateriais, a um éden qualquer de doces Formas, a um campo qualquer, mas aprazível onde a água jorrasse da montanha e o leite e o mel da pedra recolhêssemos. Porém, do nada, nada provém. Do vazio, nada se apresenta ao toque e nada nos sustenta – a não ser a coragem e a alegria de aqui lenta e lentamente definharmos. Mas alegres e sérios como sátiros, mas ferindo o couro do tambor pagão e manejando a flauta que nos trouxe a Hélade e cantando em coro no cortejo do deus, vamos todos animados pelo vinho e imaculados pelo trágico. Pois o trágico, Já dizia um amigo meu, imacula o ser.

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